Férias II


Iam caminhando pela Rua das Pedras. Olhavam aquela incrível quantidade de gente bonita e bronzeada. Todas as lojas abertas, mesmo sendo noite avançada! Tudo era luz e brilhava. Música alta podia ser ouvida da rua por cada bar ou boate que passavam. Jubileu e Tempestade se aproximaram de uma loja que vendia bikinis.

Bobby: Ah! Ninguém vai esperar vocês duas comprarem coisas não! Estamos com fome!

Vampira: Nossa! Achei boa idéia!

Jean: Segure a Rachel um pouco, Scott. Também vou entrar.

Bobby: Aí!? Scott, dá voz de comando nessa mulherada consumista!

Wolverine: Estamos de férias. Aqui Scott não é líder de nada. Deixa essa mulherada comprar o que quiser, eu tô me mandando.

Warren: Você não vai jantar conosco, Logan?

Wolverine: Acho que não. Qual é o buraco que vocês vão?

Scott: As meninas decidiram por um restaurante asiático na Orla Bardot.

Gambit: Mon ami! Comida indiana, comida tailandesa, comida chinesa e comida japonesa! Frente para o mar! Um dos melhores da região!

Wolverine: Tá noite. Não dá pra ver o mar. E eu achei fresco demais pro meu gosto. Vou comer um x-tudo por aqui mesmo.

Depois de 20 minutos, Vampira, Jubileu, Tempestade e Jean voltaram da loja.

Vampira: Cadê Wolverine, pessoal?

Gambit: Entrou naquele bar lotado de fotos nas paredes.

Vampira: Aquele que toca heavy metal?

Gambit: Oui! Não vai jantar conosco. Disse que nos encontraríamos de novo na casa da praia.

Foram andando até chegarem na Orla Bardot. Nessa orla os restaurantes e lojas eram muito mais chiques e caros. O restaurante asiático era lindo. Gambit e Vampira decidiram pela comida indiana. Tempestade também. Jubileu ficou com comida chinesa, acompanhada por Fera. Os demais comeram comida japonesa, mas volta e meia provavam algo um do outro. Virou uma zona. Eles viam uma mar negro brilhar prata com o reflexo da lua e das estrelas. A brisa fresca, quase fria, invadia a sala, levantando as cortinas brancas. Eles riam, conversavam e contavam piadas. Não cansavam de elogiar Búzios. Só Jean mantinha um rosto triste.

Tempestade: Que foi, Jean? Preocupada com o que Charles Xavier contou sobre Rachel e as demais crianças que tinham perdido o gene X? 

Jean: Hein?! ... É... um pouco.

Scott abraçou-a e deu um beijo no seu rosto, depois beijou Rachel que dormia no colo da mulher. Todo mundo achou aquilo meigo, e também muito raro! Scott raramente deixava de lado sua fria liderança para demonstrar carinho em público. Vampira abaixou os olhos para o prato e depois, suspirante, olhou Gambit, charmosíssimo, que sorria conversando com Tempestade sobre as patas de uma lagosta. 

Scott: Não vai acontecer nada com nossa filha. Xavier disse apenas para ficarmos atentos. Por enquanto ela não demonstrou poder algum. E se estivesse com o gene X ativo, ou aparente, Sinistro já estaria naquela esquina lá em baixo.

Gambit: Não o subestime! Seria o próprio garçom da mesa! Hahahaha!

Jubileu: É muito engraçadinho mesmo! Só solta piadinha!

Jean: Nossa única filha. - A telepata abraçou a filha com mais forrça, fazendo a menina resmungar no leve sono.

Dessa vez foi Scott quem abaixou os olhos para o prato. O alegre clima da mesa voou para longe junto com o vento. Todos lembraram do que ocorreu havia poucos dias. Menos de algumas semanas! Todos os mutantes presos, 400 mortos! Sam era um dos mortos! Muitos traumas. Muitas humilhação. Muito desrespeito, muita monstruosidade. Vampira quase estuprada por pura vingança de Edward Northon. E Jean, perdeu seu filho Natan, no quarto mês de gravidez.

Abraçou Rachel e voltou a repetir:

Jean: Nossa única filha. - Estava com muito medo de perdê-la tambéém. De todos os x-men, ela continuava sendo a que ainda mais sentia com todas aquelas perdas desnecessárias, fruto da barbárie humana.

Vampira resolveu animar a mesa!

Vampira: Que isso, pessoal!? Alegria, alegria! - Levantava a taça de champanhe na mão!

Fera: Um brinde à vida!

Gambit: Oui! Parfect! Um brinde à vida!

E todos brindaram. O clima animou e esquentou um pouco mais. As conversas e piadas voltaram. Jean resolveu tomar um pouco mais de champanhe para ver se esquecia aquela tristeza. Scott olhou um pouco assustado e sorridente para ela quando a viu engolir uma taça de uma só vez!!! Depois parou de ficar sorridente. Lembrou de quando Escariotes, o filho de Vampira e Magneto (guiado por Sinistro), quase matou Jean com uma cartela de calmantes.

Jean viu o semblante de Scott fechar e leu seu pensamento para saber o que lhe passava à mente. Ela falou psiquicamente com ele:

Jean: [Você sabe que eu não tentei me matar naquela dia. Eu nunca faria isso! Foi Escariotes quem colocou calmantes na minha água!]

Scott também respondeu mentalmente:

Scott: [Eu sei... Descobrimos tudo isso ao final.]

Jean: [Não fiz aquilo porque estava bêbada. Ele me enganou. Eu nunca fiquei bêbada!]

Scott: [Perdão... Eu sei disso.]

Scott voltou a abraçar Jean, mas ela ficou com o rosto um pouco ríspido nessa abraço.

Jubileu: Ih! Lavaram roupa suja mentalmente! Olha só!

Bobby: Fica quieta, Jubileu! Só fala besteira!

Fera: É por isso que não existe casal mais elegante que Scott Summers e Jean Grey Summers! Não se ouve um levantar de voz de nenhuma das partes! O que diz respeito só aos dois, é tratado mentalmente!

Tempestade: Sorte de quem pode! Não são todos que tem a sorte de nascerem telepatas!

Fera: Um brinde à elegância!

Todos riram, inclusive Scott e Jean. E brindaram à elegância!

Vampira: Imagino que eu e Gambit ficamos no último lugar da elegância de casais!

Bobby: Realmente! Um brinde à barraqueira da Vampira que sempre esculacha o Gambit!!!!

Vampira: Barraqueira é tua mãe! E Gambit merece muito mais!

Jubileu: Ahêêêê!!! Brinde! - Jubileu adorou aquela frase típica de um barraco; colocar a "mãe no meio"!

Todos riram mais ainda, inclusive Vampira que ria, mas repetia não ser barraqueira.

O jantar terminou. Eles voltaram a andar pela rua das pedras. A azaração corria solta. Gambit e Vampira ouviam uma música que ecoava de um bar próximo. Era "Por Você" do Barão vermelho. Gambit começou a sussurrar baixinho no ouvido de Vampira: "Por você, eu dançaria tango no teto; eu limparia os trilhos do metrô; eu iria a pé do Rio à Salvador". Ela estremeceu, correu aquele frio pelas costas.

Vampira: Pára com isso, Remy. Não estraga a noite que está tão legal.

Gambit: Como eu estaria estragando a noite, ma cherre?

Vampira: Acendendo meu desejo por você, seu besta!

Gambit sorriu daquele jeito maravilhoso e agarrou Vampira pela cintura, puxando-a para próximo de si.

Gambit: Deixa eu ficar perto de você, mon amour.

Levou um empurrão de dar vários passos atrás. Chegou a esbarrar em várias pessoas que gritaram "Ei! Qual é?!" 

Vampira: Cai fora! Parece que não entende! Disse que não!

Gambit abaixou os olhos e deu meia volta. Scott, Jean, Tempestade e Fera estavam entrando em uma sorveteria, Vampira resolveu ir junto. Gambit resolveu acompanhar Bobby, Jubileu, Warren e Ângela, que iam para o pier. O pier não ficava muito longe dali. Era o point máximo da azaração. Quanto mais se avançava, mais escuro ficava e mais negro era o mar, e mais fria era a noite, e mais estrelas se viam no céu. E mais casais se beijavam!

Depois de mais de meia hora na sorveteria, nenhuma pessoa que foi ao pier voltava. Jean tinha voltado a ficar triste, Rachel dava sinal de muito aborrecimento pelo frio e barulho.

Jean: Scott, eu não estou bem. Acho que vou voltar para casa. Rachel também está sofrendo aqui, tadinha. Isso não é horário para ela. 

Scott: Eu volto com você.

Jean: Não, Scott. São só 10:45 da noite! Fica, se diverte! Não quero te atrapalhar com o meu baixo astral.

Scott: Deixa eu tentar melhorar seu astral, amor.

Jean: Vai acabar melhorando, Scott. Afinal, é para isso que todos nós estamos aqui. Para esquecer ou atenuar tristezas. Eu só não compreendo porque sou eu quem está demorando mais nesse processo.

Scott: Porque foi você que perdeu um filho. Há anos que Vampira perdeu o dela e você pode ter certeza que isso não é fácil para ela, mesmo hoje em dia! Mas que vai passar, isso vai.

Scott levou Jean e Rachel a um táxi. Prometeu que não ia demorar muito para voltar também. Voltou a perguntar se ela não queria que ele voltasse também. Ela pediu para ele ficar e se divertir.

Quando Scott voltou para a sorveteria, encontrou ao menos uma pessoa que tinha ido ao pier: Jubileu! Ela ela estava abraçada com um garoto!!!! Vampira tomava um milk shake de ovomaltine, sorrindo ao ver a cara de espanto do Ciclope.

Vampira: Apresenta, Jubi.

Jubileu: Esse é o Rodrigo. Ele é de São Paulo.

Scott: Onde?

Fera: São Paulo. Ele é brasileiro, Scott... Ainda bem que Wolverine está naquele bar.

Tempestade: E onde você encontrou esse rapaz, Jubileu?

Jubileu: No pier! Ele é uma gracinha! E lá só tem gracinhas! Azaração total!

Vampira: Jubileu, você viu o Gambit por aí?

Jubileu: Não. Ele tava no pier, mas lá é bem escuro, acabei perdendo de vista.

Vampira sentiu um nó na garganta.

Fera: Jubileu, volta nesse tal pier e traz todo mundo de volta. Nós tínhamos combinado de ir a uma boate!

Jubileu voltou ao pier e quem acabou voltando para a sorveteria foi Bobby Drake.

Bobby: Ah, galera! Que lugar é esse?! Já peguei 3 gatas naquele pier! Uma era argentina! Mulherada frenética!

Scott: Você encontrou Jubileu?

Bobby: Não.

Fera: Ela voltou para chamar vocês. Nossa! Que desencontro!

Bobby: Quer que eu volte?

Scott: Não, agora espera. Vamos ficar todos aqui.

Vampira: Você viu o Gambit, Bobby?

Bobby: ... É.... vi não....

A longa pausa que Bobby deu para responder uma simples pergunta fez os olhos de Vampira se umedecerem. Seu maxilar doía pela vontade de chorar que ela segurava. Dava para imaginar Remy Lebeau naquele pier de "mulheres frenéticas"! Dava para imaginar! Pior ainda, era saber que não podia ser mais uma delas. Ou melhor: a única "frenética" dele.

Uma lágrima acabou rolando.

Tempestade: Você está bem, Vampira?

Vampira: Tô ótima! E tô indo pra boate na frente! Encontro vocês lá!

Tempestade: É hoje que a gente não reúne todas essas pessoas para voltar pra casa!

Scott: E Jean está lá sozinha com Rachel.

Bobby: Relaxa! Ela tem telepatia e telecinésia!  

Scott: Mas está com um bebê!

Bobby: Pois é! E volto a dizer, com telepatia e telecinésia, eu cuidava até de uma creche! Mentalmente obrigava todas as crianças a dormirem! Limpava tudo com a telecinésia! Mole, mole!

 


Enquanto isso, na casa de praia, Jean colocava Rachel para dormir em um berço. Fez cobertas e brinquedos voarem pelo quarto e se posicionarem adequadamente. A corda da caixinha de música também foi girada telecinéticamente. Só a janela que a ruiva fechou com as próprias mãos. E dela viu que alguém também voltava para a casa. Viu Wolverine no gramado. Ele mal chegou, carregando uma caixa de cervejas, tirou a camisa e sentou próximo à piscina. Bebia olhando a lua. Jean foi lá em baixo.

Ao sentir o cheiro da ruiva e ouvir seus passos, Wolverine levantou assustado e olhou para a sala envidraçada. A luz bruxuleante do fundo da piscina iluminava o canadense de baixo para cima.

Jean: Também voltou cedo?

Wolverine: Não sabia que todo mundo tinha voltado. Jurei que fosse encontrar a casa vazia e um pouco de paz.

Jean: Só eu voltei. Não estava me sentindo muito bem. 

Wolverine: Nem Scott voltou contigo?

Jean: Eu pedi para ele ficar e se divertir um pouco.

Jean sentou ao lado de Logan, que tinha voltado a sentar no gramado e a olhar para a lua.

Wolverine: Tu tá com uma cara triste, ruiva.

Jean: Eu sei.

Wolverine: A mesma cara triste da ceia de Natal na mansão.

Jean: O bar heavy metal não estava legal?

Wolverine: Uma merda. Mas não muda de assunto! Tu não se conforma com tudo o que passamos, não é?!

Jean: É. Mas acima de tudo, é uma dor egoísta, que pensa mais no meu filho perdido do que em qualquer outra desgraça. Tenho nojo de mim por chorar mais por um feto do que por Sam, que foi alguém que eu conheci e que conviveu comigo! Eu sou um monstro egoísta!

Jean chorou. Wolverine sentiu-se mal com isso. 

Wolverine: Deixa disso, ruiva! Tu não é um monstro. É claro que sente por Sam. Mas tem todo o direito de sentir a perda de um filho, mesmo que esse nunca tenha convivido contigo. Ele já era um sonho, um sonho de vida. Já fazia parte de seus planos.

Jean abraçou o peito nu de Wolverine. Logan fechou os olhos com a agradável surprese que sua pele sentiu. Acariciou aquelas mechas ruivas e lisas que desciam pelas costas. Jean foi se desvencilhando dele lentamente.

Jean: Desculpa.

Wolverine olhou para ela com aquela típica cara de que ela era bem vinda a dar aquele abraço de novo.

Wolverine: Quer uma cerva pra ver se melhora o astral? Comigo sempre melhora! - Ofereceu uma das garrafas de cerveja para Jean.

Ela sorriu.

Jean: Não, Logan. Já bebi champanhe no restaurante. Misturar ia ser uma loucura. 

Wolverine: Problema é teu. - Ele sorriu. - É até melhor que sobra mais pra mim!

Jean: Você vai beber todas essas? - Ela sorria sem conseguir acreditar.

Wolverine: Não existe nem uma única bebida, nem uma única quantidade astronômica que me deixe bêbado! Eu fico sempre lúcido! É incrível! O máximo é me deixar animado!

Jean: É o fator de cura!

Os dois ficaram se olhando enquanto riam. Depois veio aquele silêncio de constrangimento. Jean acabou pedindo uma cerveja.

Jean: Ah! Que se dane! Me dá uma!

Wolverine: Nossa! Essa é Jean Grey??? Que interessante!

Os dois passaram um tempo bebendo em silêncio.

Wolverine: Foi mal...

Jean: O que?

Wolverine: ... ter passado a mão na sua perna enquanto você dormia, naquele chalé.

Jean: Ah... Aquele maldito episódio que arrasou a vida de todos nós!

Wolverine: Bom... ao menos isso é uma lembrança boa.

Os dois riram, Jean um pouco alta.

Jean: Na certa você tem lembranças ainda melhores do que essa.

Wolverine sentiu um frio correr por seu corpo. Ele estremeceu um pouco. Não acreditou que Jean disse aquilo. Ela se referia a uma lembrança melhor do que passar a mão na perna. Algo como... algo como ter visto ela nua!

Wolverine: Você tem toda a razão, Jeannie.

Jean deu mais um gole na cerveja, sorrindo ainda um pouco mais alta. Tinha um jeito de menina marota. Curiosa, sexy e despreocupada.

Jean: E por quanto tempo você sonhou com aquele tipo de lembrança, Logan?

Wolverine: Muitos anos.

Jean: Quantos anos? - Perguntou lentamente, enquanto abria um botão da blusa.

Logan fechou os olhos com força e segurou a mão dela ali mesmo naquele botão. Ela estava fazendo tudo por livre e espontânea vontade. Logan já tinha perdido as esperanças que isso um dia pudesse acontecer.

Wolverine: Pode parar por aí, guria!

Jean: Que foi?!?

Wolverine: Você tá bêbada. Amanhã vai ter raiva, ódio de mim, por eu ter permitido isso. Vai cair na real e nunca mais querer olhar na minha cara.

Jean: E desde quando isso é uma preocupação que passa na cabeça de Wolverine, numa situação quente como essa?!?

Wolverine: Quando diz respeito a você, eu me preocupo com tudo.

Jean: Eu já entendi... Você me ama. Quer que eu te escolha em total estado de sobriedade; dona de toda a minha mente. Uma escolha verdadeira, feita em momento de reflexão e sensatez. Prova máxima de amor e não de noitada de bêbada alegrinha. Como eu faço com Scott sempre.

Wolverine: Bingo!

Jean: Awww... que bonitinho... Ele não me que só por uma noite.

Wolverine: Eu te quero pra sempre. Lúcida. Me querendo 100% sóbria, lúcida. 

Jean: Não foi isso que você pensou quando passou a mão na perna de uma mulher adormecida. ... O que te fez mudar de idéia, Logan??? Eu fui o seu sonho por anos e anos. Te quero agora.

Logan ajoelhou no gramado e colocou a mão no rosto. Ele estava visivelmente emocionado e não queria que Jean visse isso. Parecia coisa de garoto de 15 anos diante do amor de sua vida.

Wolverine: Arque com as conseqüências, Jeannie. 

Jean: Quê conseqüências?

Wolverine: Não ascenda uma esperança dentro de mim para depois achar que vai voltar a ter uma vida normal. Há anos que venho mantendo meu equilíbrio mental e me controlando. Sufoco tudo o que sinto por você. Não pense que eu vou continuar o mesmo depois que isso acontecer.

Jean: Nunca pensei que fosse ser tão difícil te convencer.

Wolverine voou para cima de Jean e rasgou a blusa dela. Ela deu uma risada gostosa e passou a mão no peito dele.

Jean: Esse é o Wolverine que eu conheço.

Wolverine: Essa é a Jean que eu sempre quis conhecer.

As garras saltaram. *SNIKT* O sutiã foi facilmente rasgado por uma dessas garras de adamantium. Logan praticamente engolia Jean Grey. Era muito tempo de espera se realizando em uma única noite.

Jean: Você é muito forte e bruto.

Wolverine: É? - Ele sorriu. - Também sei ser gentil.

Jean: Humm... Isso eu não conheço em você.

Wolverine sorriu de novo. Ele não acreditava que Jean estivesse tão a vontade com ele. Aquilo parecia um sonho.

Wolverine: Você vai conhecer, Jeannie.

Logan colocou-a no colo e começou a descer o barranco que ligava a casa à para da Ferradurinha.

Jean: Logan? São quase meia noite!

Wolverine: E por isso a praia está deserta!  

Não é preciso dizer que essa foi uma das mais prazerosas noites que Jean teve na vida, porque em se tratando de Wolverine - o perdidamente apaixonado e louco pela ruiva - com Jean Grey: ele se empenhou ao máximo para fazê-la feliz. E conseguiu, por muitas vezes.

Quem morava perto da Ferradurinha na certa ouviu os risos, gargalhadas e gemidos dos dois na areia e na água. Jean deixou sua calma e sensatez de lado e entrou na aventura selvagem que era fazer parte da vida de Wolverine. Logan estava extasiado com os risos dela, era prova de que estava adorando.


 Finalmente todos os x-men conseguiram se encontrar na porta da boate.

Scott: Horas de espera para conseguir juntar todo mundo! Isso é um absurdo!

Bobby: Jubileu demorou uma eternidade! Onde está o teu garoto de São Paulo?

Jubileu: Ué... Já foi! Onde estão as tuas gatas?

Bobby: Idem.

Gambit: E onde está Vampira?

Tempestade: Lá dento e já há muito tempo.

Bobby: É bom você ter uma boa história para contar, Gambit.

Eles entraram. Conversar ali era difícil por causa da música alta. Gambit conseguiu achar Vampira e pediu para acompanhá-lo até um lugar mais calmo. Eles foram até a porta da boate, onde a música era mais baixa.

Vampira: Quê que é?!

Gambit: Fiquei sabendo que você estava me procurando... mas foi você que tinha me mandado embora!

Vampira: Não vou perder meu tempo com isso, vou entrar!

Gambit: Espera! Eu fui até o pier para pensar.

Vampira: Pensar?

Gambit: Oui. Eu estou sentindo que posso te tocar. Estou sentindo isso.

Vampira: Baseado em quê, Remy???? Nada mudou! Por que isso aconteceria sem você entrar em coma?

Gambit: Não sei... Quero tentar!

Gambit tentou dar uma beijo nela, mas Vampira recuou.

Vampira: Tudo o que você está dizendo não faz o menor sentido! Você vai se machucar e estragar as férias de todo mundo! Não temos o Lab Med da mansão aqui!

Gambit: Tenho certeza que é Rachel.

Vampira: O que?

Gambit: Rachel mudou alguma coisa. Eu sinto!

Vampira: Ela é um bebê!!!! Bebê!

Gambit: mas você não ouviu o que o professor disse?!?!

Vampira: Isso são suposições, Remy! Suposições! Ninguém tem prova de nada e você já vem com essa lorota?! Conta outra! E conta outra também sobre o pier! Tô sabendo que você foi lá "pensar"!

Vampira entrou furiosa novamente para o interior da boate. Gambit ficou derrotado, não conseguiu convencê-la.

Gambit: Eu tenho certeza, mon amour. E vou tentar quando você menos esperar.


Logan estava acordado olhando para a Lua e para Jean, que dormia em seus braços. Jean acordou com um estranho barulho. Levantou e viu Wolverine chorando. Mas ele também estava rindo. Jean não entendeu direito.

Jean: Logan? Você está chorando ou rindo? O que aconteceu?

Wolverine abraçou Jean e emitiu um som meio soluço chorado, meio riso de felicidade. Jean tirou o rosto dele de dentro do seu colo para vê-lo melhor.

Wolverine: Eu não consigo acreditar que isso aconteceu com a gente. - Ele escondeu o rosto dentro dela de novo. - Eu sou o homem mais feliz do mundo. Eu te amo, Jean.  Amo demais, guria.

Jean sorriu, ela ainda estava um pouco alta da mistura de bebidas. Dentou mais uma vez no peito dele e voltou a dormir.

Só às 5 da manhã, ainda escuro, que os demais x-men chegaram na casa da praia. Wolverine viu as luzes da casa, lá em cima do barranco, se acenderem. Jean acordou com um grito quase inaudível de Scott lá em cima do gramado. Ele inutilmente tentava ver onde a esposa poderia estar.

Scott: Jean?????

Jean acordou um pouco tonta. Já não estava mais sob o efeito da bebida, estava de ressaca.

Wolverine: É... O babaca chegou.

Jean: Ah, meu Deus! Quê que eu fui fazer?!?!

Jean olhou em volta. Estava tudo muito escuro pela noite, mas conseguiu ver um varal com roupas penduradas no quintal de uma das casas junto à areia. Com sua telecinésia fez uma blusa chegar até ela. Vestiu a blusa roubada e colocou o resto de suas roupas. Wolverine segurou seu braço.

Wolverine: Você não vai fazer isso comigo!

Jean: Eu tenho que voltar.

Wolverine: Você vai fingir que nada aconteceu?

Jean: Não sei! Me larga! Me solta! ... Isso é um pesadelo! - Dizia enquanto apertava a cabeça com as mãos.

Wolverine: Não repete isso.

Jean: É um pesadelo. É um pesadelo.

Scott: Jean!!!! - Mais uma vez o grito se repetia ao longe.

Jean: Eu não posso ter feito isso comigo, ter feito isso com você e principalmente com Scott! Meu Deus! Eu não sou uma pessoa que trai! Não sou! O quê que eu faço agora, Logan?!

Wolverine: Você não quer ficar comigo.

Jean: Não. É claro que não. Eu quero ficar com Scott. Mas como? Por mais que ele não saiba, eu sei! Eu sei! Eu não vou conseguir viver com isso!

Wolverine ficou mudo. Ele sabia que isso ia acontecer. Foi por isso que tanto tentou evitar quando ela se ofereceu, completamente fragilizada pela bebida, fragilizada por uma tristeza que carrega ha tanto tempo. Ela não pensou, acabou ferindo-o demais. E a ela também. Mas Logan tentou evitar.

Jean flutuou da praia até o gramado da casa. Se aproximou de Scott por trás.

Jean: Scott?

Scott: Jean! Onde você estava??? Nós chegamos aqui ha essa hora e você não estava em casa! Deixou Rachel sozinha!

Jean: Eu.... eu... fui ver o mar.

Scott: O mar?

Jean: É.

Wolverine esperou que todos entrassem na casa, para ele subir o barranco e fingir que estava chegando da noitada naquela hora. Estava visivelmente arrasado, com olhos inchados, corpo mole; um trator chamado Jean passou por cima de seu adamantium. Teve uma surpresa ao encontrar Tempestade ainda de pé no corredor para a cozinha.

Tempestade: Logan? Tudo bem?

Wolverine: Tudo.

Tempestade: Aconteceu alguma coisa na rua? Briga?

Wolverine: Não. Só quero dormir.


Na manhã seguinte todos aparentavam estar muito bem. Falavam pelos cotovelos, contavam da noite anterior. As únicas pessoas mudas eram Jean e Wolverine. Vampira também falava bastante, mas com Gambit não dirigia uma só palavra. O cajun ficou sabendo por Jubileu que Vampira havia chorado por ele ter ido ao pier e ter ficado lá por tanto tempo.

Jubileu: Êh, Jean?! Quê que foi? Parece que morreu alguém!

Gambit: Wolverine é outro mudo.

Bobby: Mas ele é rabugento assim mesmo.

De repente, Jean arregala os olhos de forma muito ríspida! Levanta rápido e sai correndo para o jardim. Ninguém entendeu nada.

Lá fora, ela apertava a cabeça com toda a força de suas mãos, apertava as próprias mãos e apertava a barriga.

Jean: Não, não, não, não!!!!!! Não pode ser verdade! Não pode ser verdade! NÃO!!!!

Seus olhos começaram a soltar fogo, seus cabelos viraram mechas de chamas: Fênix!

Jean se aproximava do barranco que tinha vista para o mar lá em baixo. Ela andava como fosse se atirar dali de cima.

Uma enorme fênix de fogo saiu de seu corpo e ficou pairando no ar em frente de Jean.

Fênix: Nem pense nisso!

Jean: Eu tenho esse direito!

Fênix: Não mais! Ele é nosso!

Jean: Não! Não é de ninguém! Ele não existe, não pode existir!

Fênix: Que mudança drástica em relação ao anterior!

Jean: Não me impeça!

Jean tentou se jogar do barranco, mas a Fênix a segurou no ar com suas garras em chamas. Os x-men viram tudo pelas paredes de vidro e vieram correndo.

Scott começou a soltar raios de seu visor.

Scott: Solte-a imediatamente!

Tempestade começou a armar um temporal de proporções bíblicas.

Fênix: Eu estou protegendo-a! Preciso de seu corpo para viver! Ela é minha hospedeira!

A Fênix colocou Jean deitada no gramado e num mergulho fantástico, adentrou o corpo de Jean. A ruiva chegou a levantar do chão com tamanha carga que voltou a receber em seu corpo. Tudo se acalmou. O gramado estava preto e chamuscado. A água da piscina evaporou. Jean estava adormecida. Scott pegou-a no colo.

Jean sabia que o que estava acontecendo com ela era inimaginável. Ninguém acreditaria, nem ela mesmo queria acreditar. Percebeu que era inútil tentar lutar contra, a Fênix estaria ali para impedi-la. Jean tinha que saber agora o que fazer. 


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