Férias II
A festa de natal continuava alegre.
Jean Grey foi rapidamente ao quarto trocar sua roupa de Mamãe Noel por uma roupa
normal de festa. Vampira também estava vestida de Mamãe Noel, mas como depois de
um tempo resolveu trocar de roupa, Jean fez a mesma coisa. Sam foi quem resolveu
ir na corrente contrária e colocou orelhas verdes de duende na cabeça. "Ajudante
de Papai Noel" foi o que ele disse.
Os x-men perceberam, pela enorme janela envidraçada da sala, que começava a nevar no jardim.
Jubileu: Olha que legal! Tá nevando!
Wolverine: Sinal de que Tempestade tá pouco se lixando para o controle de temperatura.
A deusa da natureza sorriu com o comentário maledicente do sempre estressado Wolverine.
Tempestade: Não está uma temperatura agradável, aqui dentro?! Então... Se alguém quiser ir ao jardim, me comunique que eu faço a neve parar no quarteirão inteiro!
Bobby: Não é por nada não, mas é o aquecedor que faz o clima na casa ser agradável. Só que, por mim, se quiser fazer nevar dentro da casa, tudo bem! Eu sou o homem de gelo! Frio é comigo!
Vampira: Ah, gracinha. Isso é porque você é homem de gelo, não se importa com frio; porque se nós dependêssemos só do aquecedor, iríamos morrer de frio. Eu agradeço Tempestade e o trabalho dela de manutenção da temperatura interna da casa.
Tempestade: Alguém, enfim, que reconhece o meu empenho!
Wolverine: Ah, fala sério. Tu faz isso com a mão nas costas, não precisa de elogios nem agradecimento.
Tempestade foi andando até a mesa com a
ceia de natal, ia pegar uma taça de champanhe. Sai sorrindo e balançando a
cabeça para o desdém e implicância do canadense baixinho e enfezado.

Encontrou Jean e Scott abraçados olhando a filha que engatinhava no chão, e que depois levantava e andava e depois voltava a engatinhar por preguiça de andar. Fera brincava com uma língua de sogra para Rachel rir, e ela ria muito. Mas quando Tempestade chegou, ele assoprou a língua de sogra em cima dela só de implicância.
Tempestade: Ai, pela Deusa, Fera! Que susto!
Fera: Só fiz isso para acordar essa esplêndida tulipa negra que reina majestosa no meu jardim.
Jean: Hummm... isso te parece uma paquera, Scott???
Scott: 100% paquera. Uma cantada.
Jean: Paquera, Tempestade! É melhor você responder alguma coisa.
Enquanto isso Rachel esticava os bracinhos para a língua de sogra que Fera tinha afastado dela para brincar com tempestade.
Rachel: Língua sogla. Língua soga! Qué línga sogla! - Pôs-se de pé só para ficar mais alta e esticar os bracinhos.
Tempestade: Viu? Aborreceu a criança. Entrega para ela a língua de sogra e deixa de galanteios para cima de mim. Como se já não bastasse Gambit fazendo isso o dia inteiro?!?!
Fera entregou a língua de sogra para Rachel, que imediatamente colocou-a na boca! Gambit que se aproximava arregalou os olhos.
Gambit: Ah, non! Mon Dieu! Dando essa língua de sogra babada para minha petit, Fera? Ainda por cima babado por você! Que nojo!
Quando Gambit foi tirar a língua de sogra de Rachel, a própria Jean fez com que ela voasse para longe com sua telecinésia. Scott olhou para Gambit com uma cara feia e dura. Ciclope não agüentava mais ouvir a menina chamando o cajun de pai. E ainda por cima Gambit agia como se de fato fosse o pai, isso iria fazer com que ela crescesse achando, para todo sempre, que Gambit era seu pai. Scott pegou Rachel no colo.
Scott: Gambit, eu sei que você criou e protegeu Rachel de Sinistro por meses... mas ... é preciso que ela entenda bem quem é o pai e a mãe.
Gambit: Pardon... Foi um lapso, meu, mon ami. - Remy retribuiu com uma cara feia. Jean percebeu isso mais claramente do que Scott.
Jean: Remy, desculpa pelo o que Scott disse. Nós dois agradecemos muito o que você e Vampira fizeram por nossa filha. É que nós dois estamos tão confusos quanto Rachel nisso tudo. E sinceramente, um pouco enciumados. Queremos que ela nos ame.
Gambit: Eu entendo, chere. Você sempre é doce mesmo quando diz coisas tristes. Já entendi... É para que eu e Vampira nos afastemos de Rachel gradualmente.
Jean: Isso... Gradualmente e lentamente, que é para que ela não sofra. Logo ela verá vocês dois como tios adorados, mas como tios.
Gambit deu um beijo na mão direita de
Jean e sorriu.
Gambit: Já entendi... Então, vou agora curtir a festa! Aurrevoir para os dois!
Gambit foi andando em direção a árvore da natal, queria descobrir qual dos presentes era o seu. No meio do caminho foi surpreendido por Vampira! Mesmo impossibilitada em tocar alguém, Vampira deu um beijo em Gambit!
Mas ela estava de luva e tapou a boca do cajun com a própria mão. Mesmo assim, foi uma surpresa agradável.
Gambit: Ah! Chere! Para quem ficou triste com minhas brincadeiras sobre beijo, isso foi surpreendente.
Vampira: É... eu fiquei triste mesmo. Você sempre age como se o fato de eu não poder tocar ninguém fosse passageiro.
Gambit: É passageiro! Logo vamos ter outra pulseira ou colocar!
Vampira: Não sei...
Gambit: Se isso te incomoda tanto, porque me deu um beijo.
Vampira: Porque hoje é natal e porque você é gatinho. - Ela saiu de perto dele dando uma piscadinha safada em um daqueles lindos olhos verdes.
Gambit: Ah, Mon Dieu! Típico dela me deixar louco desse jeito! Perfeita!
Jean, que antes estava sorrindo e
alegre, ficou triste depois da conversa com gambit sobre Rachel. Lembrou que
nesse natal já estaria com uma barriga grande da gravidez do Natan, se não fosse
por tudo o que eles passaram. Sem avisar a ninguém, e muito menos a tempestade,
Jean foi ficar só no jardim. Ficou lá, embaixo da neve suave e fria, pensando no
que perdeu e em como era difícil suportar aquilo.
Ela foi andando para longe da mansão. Quando esta perto do lago e da floresta da enorme propriedade, abraçou o próprio corpo pelo frio e pelo vazio que sentia por dentro.
Wolverine: Perdida aqui, ruiva?
Jean: Hein!?
Ela não sabia que Wolverine estava ali.
Jean: Não... - Ela tentou disfarçar dando um leve sorriso. - Só vim olhar lago... É bonito ver a neve cair na água.
Wolverine: Sei...
Jean: Nada demais. E você? Aqui fora por que?
Wolverine: Tu tá com uma cara estranha, Jeanny.
Jean: Eu só lembrei de algumas coisas, Logan.
Wolverine: Eu também estou aqui fora por causa do guri. Do Sam. São nessas datas festivas tão idiotas que a gente mais sente a falta de alguém. De todos nessa casa, aquele guri era um dos que menos merecia um fim assim. Tão novo. O moleque não viveu nada! ... Aquele guri nem conseguiu ter tempo de ter um namoro sério, aquele guri nem conseguiu entrar na faculdade, o guri foi levado embora muito antes do tempo. Roubaram a vida dele e não ha nada que possa trazer isso de volta. Filhos da puta, filhos da puta...
Jean: É horrível. Ao menos Sam teve infância e adolescência... Meu filho nem conseguiu nascer!
Quando Wolverine olhou de novo para Jean, viu lágrimas escorrerem daqueles olhos doces que ele tão amava. Logan abraçou Jean meio sem jeito, mas sincero.
Wolverine: Fica assim não, ruiva. Você
tem que se animar! Afinal, existe uma guria que é tua filha e tá viva. Ela
precisa de você.

Jean: Isso tudo só porque nós temos um único gene diferente, Logan...
Wolverine abraçou-a mais, escondendo o rosto dela em seu ombro.
Wolverine: É. Por causa de um puto de um gene X.
Jean: Como tão pouco pode gerar tanto ódio?!?!
Wolverine: Ruiva, se nenhuma diferença genética faz com que nazistas matem 6 milhões de homens 100% iguais a eles, um gene de diferença pode causar ainda mais ódio e desconfiança nesses monstros!
Jean: É verdade. Se eles matam humanos exatamente iguais a eles, que dirá daqueles que tem um gene que os faz voar, ou ler mentes, ou ter fator de cura?!
Wolverine: É isso aí.
Jean: Toda vez que eu vejo Magneto, sempre olho aquele número de identificação marcado a fogo no braço dele, e então, eu gelo e estremeço por dentro!
Wolverine: Marcado como gado, quando ainda era criança!
Jean: O professor Xavier disse que Erik nunca gostou de ficar com aquele número aparecendo, com o braço a mostra.
Wolverine: Não quero te ver mais triste, Jean. - Wolverine estava com a mão no rosto dela.
Jean: Eu vou tentar ficar melhor.
Wolverine: Búzios vai fazer bem para todo mundo dessa casa. Lá você vai melhorar, você vai ver!
Jean: É melhor eu entrar. Já estou congelando de verdade aqui fora. E porque amanhã de manhã vamos voar para o Brasil! - Ela deu um daqueles sorrisos de quando qualquer gringo pronuncia a palavra Brasil.
Wolverine: Vamos de Pássaro Negro?
Jean: Xavier disse que como é uma viagem de férias, deve ser feito em um avião comercial.
A neve foi lentamente se liquefazendo, mas o frio era o mesmo. Os dois não perceberam que os flocos se transformaram em água.
Jean: Até amanhã, Logan.
Wolverine segurou o braço dela. Jean sentiu um leve puxão e voltou para bem perto daquele homem atarracado que tinha quase a mesma altura dela.
Jean: Que foi, Logan?
Wolverine: Só pra te dizer que se tua
tristeza continuar, eu sei como fazer ela parar.
Quando só os flocos transformados em gotas separavam os dois, o brilho do quartzo rubi de Ciclope brilhou atrás deles.
Jean: Scott!
O rosto de Scott era de puro ódio.
Scott: Vim procurar a minha esposa que sumiu da ceia de natal e veio para essa chuva gélida. Feliz natal, Wolverine.
Wolverine: Valeu.
Scott: Repetindo mais uma vez, só para não perder o hábito: fi-que lon-ge da minha mulher.
Wolverine: Valeu, porque é noite de natal, eu vou guardar esse aviso no coração. - Wolverine riu. Scott quase partiu para cima dele, mas foi segurado por Jean.
Jean: Vamos, vamos embora que você dois não vão começar isso de novo!
Jean foi arrastando Scott de volta para a mansão, enquanto Wolverine continuou naquele jardim gelado e molhado.
Wolverine cheirou a própria mão que segundos antes estava no rosto de Jean, fechou os olhos com força e voltou a abri-los.
Wolverine: É... Não tem jeito. Ela é dele.
Logan sentiu um cheiro estranho no ar. Fungou como um cachorro que procura apurar o faro. Olhou rápido para todos os lados, a noite era escura, não viu nada. O lago era negro, a floresta era negra, tudo era escuro.
De repente, as águas do lago começaram a se mover de forma estranha.
Bruna: Você não desiste. Esse é o seu mal, você não desistir dela.
Wolverine: Bruna?!?!
Surgiu ela praticamente nua daquela
água quase congelada pela neve que caíra ha pouco. Como aquilo era possível?!
Como ela apareceu ali? Como ela suportava aquele frio?!
Wolverine: Você é uma mutante! Tenho certeza! Isso não é possível, uma humana não suportaria esse frio. Como veio parar no lago?
Bruna: Seguindo a correnteza do rio que deságua aqui.
Wolverine: Mais uma vez eu peço que você saia da água para conversar. Já te disse que essa é a sua casa. Você não precisa ficar sem ter onde morar porque não me quer mais.
Bruna: Não te quero mais por culpa inteiramente sua.
Wolverine: Não interessa. E ... Espera! ... Então, na verdade você me quer?
Bruna: Só quero me vingar de você. E eu não estou sem lugar para morar. Eu moro na água.
Wolverine: Se vingar? A vingança vai ser agora?
Logan se jogou dentro do rio congelante para mostrar a Bruna que não tinha medo dela. A morena se afastou dele, mas Wolverine nadou e agarrou o braço dela.
Bruna: Me solta!
Wolverine: Deixa dessa palhaçada, guria! Vamos voltar para a mansão!
Bruna: Já disse que vivo na água!
Wolverine: Isso tá muito esquisito! Tem alguma coisa a ver com aquele polvo asqueroso, não tem?!
Bruna: A Mulher-Polvo?
Wolverine: É! Ela fez alguma coisa com você!
Naquele mesmo instante um enorme tentáculo emergiu da água agarrando Logan e puxando-o para o fundo do lago. De baixo d'água as garras de Wolverine saltaram e ele começou a mexê-las para todos os lados, já que não conseguia ver nada naquela imensidão negra. Quando ele conseguiu cortar um dos tentáculos que o agarravam, os demais também o soltaram! Wolverine saltou para fora da água puxando o ar como alguém que por pouco não tinha morrido afogado. Em menos de um segundo voou para cima de Bruna, pensando que era ela quem tinha feito isso. Mais uma vez os tentáculos o agarraram e a Mulher Polvo saiu da água.
Mulher-Polvo: Fui eu!
Não houve tempo nem para Logan raciocinar, mais uma vez estava no fundo do lago. Seu fator de cura não funcionava contra afogamento! A situação estava complicada, mas ele mais uma vez conseguiu cortar outro tentáculo e quando eles o soltaram, foi Wolverine que agarrou-os, puxando a Mulher-Polvo para fora da água.
Wolverine: Quer que eu faça sushi da sua cara, polvo?!
Logan estava pronto para enfiar as garras na cabeça da mulher polvo, mas ela soltou sua substância roxa tóxica na água e Wolverine rapidamente teve que pular do lago para a margem. Bruna e a Mulher Polvo já estava fugindo pela escuridão do lago rumo ao rio.
Bruna: Eu vou voltar. E sei onde fica Búzios. Por sinal, é uma cidade litorânea! Vou me vingar!
As duas sumiram nas sombras. As águas voltaram a ficar tranqüilas, Logan tinha hematomas roxos pelo corpo que logo iriam desaparecer por causa de seu fator de cura. Ele resolveu voltar para a mansão. Ainda estava zonzo do líquido tóxico que a Mulher -Polvo jogou na água.
Ao entrar na sala da mansão, encontrou a ceia de natal terminada e poucas pessoas ainda no recinto. Gambit e vampira já colocavam suas malas no andar de baixo, para deixar tudo pronto para o dia seguinte.
Vampira: Nossa! Você está todo molhado! Caiu no lago?
Wolverine: Cai. Por que?
Vampira: Nossa! E eu que perguntei de brincadeira!
Wolverine: Aviso que não é muito interessante que vocês entrem naquelas águas.
Gambit: Pour quoi?
Wolverine: Por nada. Quem avisa, amigo é.
Logan subiu as escadas em direção ao quarto.
Gambit: Estranho. Estava mais nervoso do que o natural.
Vampira: Wolverine tava mais nervoso do que um gato de rabo grande em uma sala de cheia de cadeiras de balanço!!!
Gambit: Mas... mudando de assunto, já que ainda não é meia noite, que tal mais um beijo de natal?
Gambit jogou aquele cabelo asa delta, sempre um pouco logo, para trás, e deu aquele sorriso charmoso que derreteria qualquer mulher. Extremamente charmoso e atraente, ele era sempre assim; uma perdição.
Vampira: Não vai dar, gatinho. - Ela sorriu, mas depois abaixou o rosto. - Aquilo foi só uma brincadeira para descontrair.
Ela foi andando até a cozinha para tomar um copo de guaraná natural. Gambit foi atrás. Sentaram-se na mesa de madeira próxima a geladeira.
Gambit: Eu espero uma surpresa para nós dois nessa viagem, amour.
Vampira: Surpresa? Por que? vai ser como quando fomos a Angra dos Reis e você apareceu com o colar inibidor de poderes?
Gambit: Non. Infelizmente dessa vez eu não tenho nenhuma carta extra na manga. Espero que enquanto nós dois estivermos lá espairecendo e curtindo um pouco a vida, Forge dê sinal de vida e possa voltar a fazer um novo inibidor.
Vampira: Não sei se Forge está vivo.
Gambit: Eu rezei por isso nessa noite de Natal. Por ele e pelo o que ele significa para nós dois, chere. Rezei.
Vampira: Então, que Deus tenha te ouvido.
Gambit: Amém.
Vampira: Amém.
Os dois levantaram-se e cada um foi para o seu quarto em silêncio.
Enquanto isso, no quarto do casal Summers, o clima não andava muito leve e agradável. Scott estava querendo tirar satisfações do que vira naquele jardim.
Jean: Scott... Por favor, desfaz esse semblante pesado.
Scott: Não e você sabe porque.
Eles se preparavam para dormir. Scott disse a frase enquanto fechava bem os olhos para trocar o visor típico do uniforme pelo óculos de quartzo rubi, que era menor, e usava para dormir.
Jean: Não foi culpa minha, eu só saí porque estava me sentindo triste e angustiada na sala, encontrei Wolverine perto do lago por um acaso. - Cobria Rachel com um edredom da Pequena Sereia e fazia os travesseiros e edredons da cama de casal voassem do armário para cama, com o uso de sua telecinésia. Scott voltou do banheiro já com os óculos de dormir.
Scott: Viver com Wolverine é um problema para mim e você não tem ajudado.
Jean: Eu não tenho ajudado?
Scott: Afaste-se dele. Não dê corda para ele se enforcar! Ou para que eu enforque aquele abusado!
Jean: Eu não dei corda!
Scott: Como não deu, Jean? Ele estava tão próximo do seu rosto, do seu corpo. Será que eu preciso dizer que quando isso acontecer você deve sair de perto dele imediatamente?!
Jean: Não, não precisa. Eu não sou idiota.
Scott: Então, por que você deixou que ele chegasse tão perto?
Jean: ... Não sei... Eu estava triste e me sentindo mal, precisava de ajuda.
Scott: Por que não procurou ajuda em mim? Por que deixar Wolverine chegar tão perto de você? Isso faz mal para mim e faz mal para ele também, Jean! Ele precisa te esquecer! Ajude-o!
Jean: Eu sei... Juro que não faço por mal, Scott. Tenho carinho por Logan, sempre deixo ele chegar perto de mim porque o vejo como um amigo.
Scott: Esse é o problema, você sempre deixa.
Scott pegou o travesseiro colocando-o no sofá da sala adjacente ao quarto, a mansão ainda guardava aquele estilo de casa do século XIX e os melhores quartos tinham uma espécie de sala acoplada. Ele deitou. Jean não acreditou que o marido fosse dormir no sofá. Ela foi até ele e sentou-se no chão para ficar na altura do rosto dele, que estava deitado no sofá.
Jean: Me perdoa, Scott. Minha intenção não era de fazer você sentir ciúmes. Você sabe o quanto eu me sinto mal quando alguém sente ciúmes de mim. É horrível.
Scott: Estou com ciúmes mesmo, não vou negar.
Jean: Mesmo que negasse, está muito claro que é.
Scott: Estou me remoendo até agora para te perguntar o que aconteceu quando Wolverine invadiu o complexo de celas e salvou única e exclusivamente: você!
Jean: Era só me perguntar. Nós fugimos correndo, depois encontramos Magneto e Tempestade. Gambit e Vampira também conseguiram fugir. Fomos para um hotel, tentamos planejar o ataque do dia seguinte. Só isso.
Scott: Já fiquei sabendo que vocês dois dormiram no mesmo quarto.
Jean: É verdade.
Scott: E não aconteceu nada?
Os olhos de Jean encheram-se de lágrimas.
Jean: Não pergunta isso de novo. - Uma delas rolou rosto abaixo.
Scott segurou o rosto dela e caiu do sofá em cima do corpo de Jean no chão do quarto, como quem pede perdão pelo que perguntou. Ela estava por baixo e ele por cima com um rosto mortificado.
Scott: Perdão. - Ficava em cima dela como quem impede que a borboleta se vá, ávido pelo perdão.
Jean: Se você quer saber, é claro que ele tentou. Pediu a recepção do hotel um jantar a luz de velas. Teve a coragem de tocar a minha perna enquanto eu dormia, mas eu voei para o teto e pedi que ele fosse para longe.
Scott deu um soco no chão e um grito abafado dentro das duas mão.
Jean: Você vai acordar a nossa filha.
Scott: ...
Jean: Mas não aconteceu nada.
Ciclope saiu de cima dela e sentou no chão. Jean também sentou.
Scott: Eu sei. Eu não devia ter perguntado.
Jean: Você não devia ter sequer suspeitado. Mas eu já sentia isso, afinal, tenho um elo psíquico com você. Sabia desde o início que você tinha ficado se rasgando de raiva por Wolverine ter dormido no mesmo quarto que eu.
Scott: Eu odeio esse homem.
Scott colocou a cabeça entre os joelhos.
Jean: Que foi?
Scott: Ele te viu nua...
Jean: Scott! Éramos todos nus! É no mínimo infantil que você leve isso em consideração! O que é a nudez quando se estava salvando a vida?!
Scott: Eu posso imaginar a felicidade de Wolverine em ter conseguido ver o que ele sempre quis.
Jean deu um beijo no rosto do marido e levantou-se do chão.
Jean: Eu te amo, Scott. Vamos deixar esse assunto chato de lado e dormir juntos, como sempre.
Scott: Eu odeio Wolverine. - Jean puxou Scott pelo braço e ele se levantou.
Jean: Eu sei disso. Vou tentar ser mais dura com ele, apesar disso não condizer com minha personalidade.
Amanheceu um dia agitado na mansão. Bem cedo já estavam todos de pé. Vampira e Gambit já tinham até postos as malas no andar de baixo na noite anterior. Jean e Scott estavam prontos e com Rachel no colo. Fera usava o seu indutor de imagem, ele adorava brincar com o indutor de imagem, sentia-se um pouco Mística. Wolverine e Jubileu tinham cara de sono, mas ela ao menos se mostrava animada. Bobby Drake tinha cara de muito sono. Warren levava Ângela pelo braço. Ela mal falava e ainda estava visivelmente traumatizada.
Chegaram ao Aeroporto de Nova York e pegaram um vôo da Varig, desceriam no Aeroporto Internacional do Rio de janeiro e de lá alugariam carros para irem a Búzios.
No avião a animação era grande. Jubileu implicava com Bobby Drake, fazendo perguntas a ele sobre o Brasil que ele não sabia responder, por mais que fossem perguntas fáceis como "qual é a capital do Brasil"?
Tempestade sentou ao lado de Wolverine e ficou observando-o a pedir inúmeras bebidas a aeromoça e nunca ficar bêbado. Na maioria das vezes era cerveja, mas também bebia muito whisky.
Vampira e Gambit também sentaram-se juntos e por mais que não pudessem se tocar, comemoraram com taças de champanhe essa segunda lua de mel!
Vampira: É uma segunda lua de mel!
Gambit: Claro que é! Um brinde a ela, mon amour!
Vampira: O que importa é estar junto de você. E quando a vontade de tocar for muito grande... ...eu me esmago por dentro e continuo vivendo. Pior é não te ter ao lado.
Gambit abraçou Vampira e beijou a
cabeça dela protegida por aqueles lindos cabelos longos de mexa branca.

Scott e Jean trocavam beijos de casal reconciliado.
Jean: Esta se sentindo melhor?
Scott: Estou. Ontem eu fiquei inseguro. Mas seu carinho e honestidade comigo foram perfeitos. Espero que vocês esqueça tudo de ruim que eu disse ontem.
Jean: Não se preocupe, pense apenas na viagem que será maravilhosa.
Jean usou a telepatia para falar psiquicamente com Scott:
Jean: Você sabe que estou sofrendo muito com a perda do nosso filho, vou pensar nessa viagem como uma recarga de baterias. Preciso tirar essa tristeza de mim.
Scott: Para você é pior, eu sei... Mas não tem sido fácil para mim também, querida.
Jean: Foi por isso que ontem fui ao jardim sozinha. Não queria repetir esse assunto com você de novo. Dói nos dois.
Scott: Deixe que doa nos dois o quanto for necessário, Jean. Melhor do que ficar sofrendo sozinha.
Scott beijou a mulher. Ela sorriu um pouco e aninhou-se nele, mas perdeu o olhar no nada, imaginando o filho vivo. Porém, logo voltou a sorrir quando ouviu uma gargalhada de Gambit. na certa Vampira dice alguma coisa engraçada.
Quando aterrizaram no Rio, nenhuma tristeza pôde existir naquele momento. A cidade era simplesmente linda. O Pão de Açúcar, o Corcovado, a enseada de Botafogo, era tudo lindo demais. Com o calor escaldante de dezembro, logo foram tirando várias peças de roupas.