HIST�RICO
DA RA�A
Para
iniciarmos a nossa volta ao passado no intuito de desvendar um pouco
mais sobre a ra�a Dogo Argentino, considero de interesse prim�rio o
entendimento da origem da ra�a, o como, porque e para que foi criada,
quais foram as ra�as que intervieram na sua forma��o, etc. Mas
antes de entrarmos no assunto em si � importante termos um panorama
da mediterr�nea c�rdoba, que certamente nos ajudara a compreender os
muitos dos porqu�s ? Quando ? Como? Com aux�lio de um historiador da
�poca Efrain Bischoffd vamos recordar em sua Historia de la Provincia
de Cordoba� ao que era denominada �Belle Epoque� da c�rdoba de
ent�o... �C�rdoba possuia a fisionomia das capitais desejosas de
mostrar-se importante e puljante para o resto do pa�s. Conservadora
em alguns aspectos e progressitas na constru��o das suas edifica��es
era uma cidade cheia de vida e fortes tra�os culturais. Esta C�rdoba,
ao mesmo tempo espiritual e rom�ntica, pr�prio da �poca, misturava
muitas da faces da vida colonial herdando dos antepassados espanh�is
v�rias paix�es e, entre elas talvez uma das maiores: a rinha de c�es
�.
Embora as touradas e nem as brigas de
galo n�o tenham logrado �xito, outra mais brutal pela qualidade de
seus protagonistas ficaram populares: La pelea de Perros. Muitos
domingos cordobeses vinham se reunir e se divertir com o sangue dos
aguerridos gladiadores caninos, que eram submetidos a essas cru�is
provas pela gan�ncia das apostas, e mais seguramente, para saciar o
orgulho do seu dono que vangloriar-se-ia de possuir um grande
vencedor...
Como
consequ�ncia de tanta paix�o e interesse nos jogos, todos buscavam
obter os melhores c�es, e , para esse fim recorriam aos mais diversos
cruzamentos entre as ra�as caninas que existiam. Uma forma integrada
por c�es que descendiam dos Mastins (Alanos/Perro de Toro)que foram
trazidos pelos espanh�is nos tempos das conquistas e coloniza��o, o
Bull Terrier, o antigo Bulldog Ingl�s e o Boxer produziram os mais
famosos lutadores. Essa
f�rmula, guardada a princ�pio com zeloso segredo, foram ficando
pouco a pouco de conhecimento geral e logo foram os �nicos c�es que
passaram a ganhar todas as rinhas. Cada vez mais criadores adotaram
essa f�rmula, que repetindo atrav�s dos tempos por interm�dio de
cruzamentos entre si deram origem a uma formid�vel ra�a de luta de
cor branca ou com pequenas manchas que foi denominada como �Viejo
Perro de Pelea Cordobes�.
Nesse
momento um garoto na �poca chamado Ant�nio Nores Martinez teve
contato com las �Peleas� come�ando assim a saga do Dogo
Argentino... � imposs�vel falar do Dogo Argentino sem admirar a
determina��o de dois irm�os que transformaram em realidade um sonho
de juventude. Tudo come�ou em 1925 com Ant�nio Norez Martinez ent�o
com 18 anos e Augustin, um ano mais novo, visualizaram, pela primeira
vez, um esbo�o de um c�o especialmente desenvolvido para fazer presa
a ca�as de p�lo de grande porte existentes nos pampas Argentinos.
�Eu
ainda me lembro como se fosse ontem....o dia em que meu irm�o Ant�nio
me disse pela primeira vez a id�ia de se criar uma nova ra�a de c�es
de ca�a , para o qual se iria tirar vantagem da extraordin�ria
ferocidade do c�o de luta cordob�s ( Perro de Pelea Cordob�s).
Misturando com outras ra�as que poderiam lhe dar maior peso, bom
faro, velocidade, instinto de ca�a e, mais do que qualquer outra
coisa que fossem capazes de ca�ar em conjunto. Essa mistura os
transformariam em c�es soci�veis, capazes de viverem em liberdade e
em fam�lias, mantendo a grande coragem da ra�a primitiva, mas
aplicado e usado para fins nobres: a ca�a esportiva e o controle das
pragas.�
Augustin
Norez Martinez, a hist�ria do Dogo Argentino
Um
ponto importante refere-se ao Perro de Pelea Cordob�s, essa ra�a
estabelecida nessa �rea consistia de uma mistura de Mastiffs, English
Bulldog, Bull Terrier e Boxer hoje � extinta. Muito do novo trabalho
na nova ra�a foi o de eliminar a agressividade que eles tinham entre
os seus cong�neres e desenvolver o instinto de ca�a. Um esfor�o que
foi essencial para o sucesso do programa.
As
ra�as usadas por Ant�nio foram:
Viejo
Perro de Pelea Cordob�s, como base. Animal extraordin�rio para o
combate, com valor e resist�ncia tremenda para a luta, morriam
lutando e n�o recuavam jamais, por carecerem de faro e velocidade e
pela sua ferocidade para com os seus cong�neres os tornavam in�til
para a ca�a. Mas essa ra�a primitiva tinham qualidade cong�nitas
essenciais em raz�o da excelente heran�a ancestral: Mastim,
Bullterrier, Bulldog Ingl�s e Boxer. A grande gimnasia(1) funcional e
os duros combates a que foram submetidos gera��o ap�s gera��o,
foram acrescentando e refor�ando cada vez mais a sua valentia
original. Ao Viejo Perro de Pelea Cordob�s, que eram quase sempre
brancos, se foram acrescentando distintas correntes de sangue, para
evitar a consanguiniedade. O Dogue Alem�o foi inserido para dar peso
e tamanho. O Bulldogue Ingl�s e o Bullterrier foram reintroduzidos
para acrescentar o seu valor, intrepidez, resist�ncia,
insensibilidade a dor e tenacidade a luta, contribuindo tamb�m o
Boxer para dar vivacidade e intelig�ncia necess�ria para a assimila��es
das li��es de guia de cegos e de ataque e defesa a qual o Dogo pode
ser submetido.
O Mastim dos Pirineos que foram
importantes para dar tamanho, rusticidade, olfato acentuando e o seu
manto branco, deu for�a e resist�ncia e, em especial a
adapatabilidade a todos os climas, t�picas das ra�as de montanha. O
Pointer Ingl�s que foram importados da fran�a foi o principal
respons�vel pelo bom olfato que caracteriza a ra�a. O Irish
Wolfhound deu velocidade e, junto com o Dogue Alem�o e o Mastim dos
Pirineus refor�ou o seu tamanho. O Dogue de Bordeaux, embora n�o
muito puro, que existiam em C�rdoba e que tamb�m eram usado para as
lutas, foi introduzido assim mesmo, contribuindo com a sua forte mand�bula,
sua potente cabe�a e o seu grande valor para o combate, mas desgra�adamente
a sua inclus�o trouxe como consequ�ncia o amarelamento da pelagem,
que Ant�nio Nores considerou como indesejado, e, resolveu n�o
insistir mais nos cruzamentos, uma vez que j� haviam transmitido a
fortaleza das mand�bulas desejadas na primeiras ninhadas.
Perro
de Pelea Cordob�s
Bull Terrier
Bulldog Ingl�s
Boxer
Dogue Alem�o
Mastim dos Pirineos
Pointer Ingl�s
Dogue de Bordeaux
Alano
Irish Wolfhound
(veja
as fotos das ra�as na Galeria de Fotos)
Os
irm�os come�aram com 10 f�meas de Pelea Cordob�s como n�cleo de
cria��o e come�aram, ent�o, a inserir as primeiras ra�as, at�
conseguirem as ninhadas promissoras que mostrariam a dire��o
desejada por eles. Num certo per�odo do programa eles tinham cerca de
30 f�meas sob seus cuidados. Essa situa��o n�o teriam sido poss�vel,
para dois jovens que ainda estavam na escola, sem a contribui��o dos
familiares e amigos que ajudavam com doa��es em dinheiro e ra��es.
Tais ajudas foram gentilmente aceitas pelos irm�os nos anos iniciais
mas ainda permanecia o sonho de transforma-lo em realidade. E o
respons�vel por manter o sonho vivo foi Ant�nio. Ele era o mentor
que guiava o programa e Augustin estava sempre a seu lado.
Mais
tarde quando Ant�nio se transformou num respeit�vel cirurgi�o, seus
conhecimentos sobre gen�tica melhoraram e refinaram o programa. Ele
escreveu o primeiro standard da nova ra�a em 1928. Infelizmente n�o
viveu para ver o seu sonho realizado. Ele foi assassinado por um
homem que tentou rouba-lo durante uma ca�ada de javali em 1956.
Augustin retomou o sonho do irm�o mudando-se de C�rdoba para Esquel,
localizado na Patag�nia. Augustin Nores Martinez foi embaixador da
Argentina no Canad� e usou essa oportunidade para espalhar ao redor
do mundo.
Grandes
ca�adores na Argentina e nos pa�ses vizinhos estavam usando Dogo
para a ca�a de Pumas e Javalis. O Dogo Argentino rapidamente
tornou-se uma lenda. Uma das caracter�sticas mais marcantes na ra�a
� a sua coragem... Ela � tida por muitos como legend�ria. � f�cil
entender o porque.
As
mais selvagens feras, quando v�em perigo de vida, frente a um inimigo
superior em for�a e tamanho cedem terreno, abdicam da sua
agressividade, fogem da luta e buscam salva��o no meio da selva.
Todos os seres racionais e irracionais primam por esse instinto de
conserva��o acima de todos os outros.
O T�pico Dogo Argentino - e h� mil
provas disso � prima pelo instinto combativo ao da conserva��o, e
consequentemente n�o nos surpreende quando o vemos gravemente
lesionados, muitas vezes quase morrendo, sem ceder a luta. Criadores
da ra�a demostraram essa teoria a professores universit�rios da
Argentina, provando com o Viejo Perro de Pelea Cordob�s , que o
instinto combativo era superior ao instinto gen�tico. Colocado frente
a frente uma f�mea no cio e um macho, eles se enfrentavam numa luta
de morte
independente da diferen�a de sexo. Por
essa raz�o, para diminuir esse instinto combativo que tinha seu
ancestral foi necess�rio, durante muitas gera��es de Dogos, um �rduo
trabalho por parte dos criadores visando equacionar essa quest�o.
Isso
n�o quer dizer que o Dogo Argentino seja um c�o feroz - o que
significa ser agressivo sem discernimento -, mas sim um c�o valente,
o que � uma condi��o oposta a ferocidade. Porque valente significa
ser decidido para a luta, tenaz em combate, capaz de assimilar o
castigo sem protestar, sem ceder um palmo na contenda, de lutar, se
preciso for, a custa da sua pr�pria vida apenas pelo prazer de
cumprir o que o foi ordenado pelo seu dono. Companheiro dedicado e obediente,
mostra-se totalmente submisso �s ordens do propriet�rio e da fam�lia
com quem convive. Sempre interessado em todas as atividades da fam�lia,
� sens�vel e inteligente o bastante para reconhecer as pessoas que n�o
fazem parte do c�rculo familiar, e ainda assim, permitir que elas
possam integrar e participar da vida dos seus donos. Extremamente
tolerante com crian�as, ele � usado como guia de cegos, pela pol�cia
federal da Argentina, Holanda e de Israel.