TOUR 2002
THE GIPSY WALK - O DIÁRIO DE TOUR DE CIGANO IGOR
13/02/2002
Com problemas de relacionando membros da banda Macakongs 2099. Foram para Fortaleza em aviões separados inclusive o baterista Gremmilins Di Caprio preferiu juntar-se aos outros integrante na Sexta feira (dia do show). Cigano Igor desembarca no aeroporto Pinto... e tromba Marcel que já havia chegado. Pernão (nosso brother das antigas do Guará) que reside há alguns anos em Portugal já estaca a caminho do aeroporto.
Após alguns minutos Pernão e sua esposa portuguesa Ana chegam com um fusca objeto de colecionador. Djalma já chega gritando no aeroporto chamando a atenção enorme quantidade de homossexuais italianos que vieram atrás de aventura no Ceará.
Após nos acomodarmos dentro do fusca junto com 728Kg de bagagem e equipamento rumamos para o Marina Park hotel, o melhor 5 estrelas de Fortaleza. Tudo pago pela gravadora Silvia Music? Lógico que não! Tudo por conta da Tia Selma que trabalhou arduamente no Banco do Brasil e anualmente ganha diárias para que vagabundos bem sucedidos como nós, possamos usufruir. O porteiro do hotel parente consangüíneo de Renato Aragão já ia chamar a segurança quando anunciamos o assalto, quem poderia imaginar que tipinhos como nós poderíamos ser chamados de hospedes. Preenchemos as fichas e pudemos colocar no espaço destinado a informar nossa profissão, não hesitando músico é lógico e no motivo viagem foi Bussiness, afinal para estávamos a negócios , ainda pedi para que o repórter não nos incomodassem no quarto arrastamos todos os moveis para ficarmos o mais longe possível um do outro. Igual aos filmes de três contos pro cara que trouxe nossas tralhas, o que o deixou a todos espantados, não sei porque. Por onde passo sou reconhecido pela minha generosidade.
Pernão e Ana nos levaram para comer comidas típicas da região na churrascaria do Gaúcho. Como nosso hotel fica a beira mar encaramos uma caminhada pelo calçadão a fim de fazer uma digestão e nos ambientarmos com o clima e a população local. Nossos anfitriões nos deixaram com a promessa que chegaríamos logo mas a verdade foi que andamos para caralho e tivemos que passar por ruas escuras e perigosas. Felizmente não precisamos usar de violência para continuarmos vivos. Com bolhas nos pés só nos restou entrarmos na piscina gigante com água morna e depois malharmos.
Na sala de musculação para deixarmos nossos corpinhos em forma, em forma de ovo. PM Paulo Marcelo Brother aqui de Fortaleza chegou. Sua missão será substituir o guitarrista Robson que por motivos que ainda não podemos divulgar não participará da turne. Ainda fomos dar uma volta para apreciar a oferta de sexo nas ruas da cidade. Mas o negocio estava cruel, para as nativas da terrinha.
Acordamos e fomos tomar café. Famílias abastadas comiam e conversavam ruidosamente até chegarmos e um súbito silencio nos deixou. Ao som de Frank Sinatra que rolava no refeitório além de comer para caraio enchemos os bolsos de pães, geleias e tapiocas e voltamos para dormir ate as 14:00. Jogar tênis foi o acontecimento do dia. O Brasil está cheio de talentos desse esporte desperdiçados como nós. Piscina na seqüência.
O ponto turístico escolhido para ser visitado foi as antigas construções da famosa galeria do rock onde tentamos com pouco sucesso empurrar nossos CDs e camisetas afinal de contas na terra de Mastruz com Leite quem tem Raimundo Fagner é rei. Mais piscina e role na noite. Termino a noite iniciando o relatório de nossa epopéia.
Depois do café, fomos expulsos do estabelecimento e pela 1ª vez fomos a praia, Lasquei o meu pé no 1º mergulho. Muitos gringos com crianças prostitutas. Onde íamos éramos reconhecidos graças aos cartazes gigantes espalhados pela cidade.
Dividindo espaço com os cartazes da Deborah Soft, atriz de sexo explicito ao vivo em boates. Pouco mais de 300 pagantes compareceram ao show. Boas bandas de abertura e público animada fizeram do 1º show um ótimo começo da turne.
Nem dormimos, fomos atrasados para a rodoviária e quase perdemos o ônibus. 8 horas depois estávamos em Natal. Recepcionados pelo figuraça Titico e Tia Severina, padrinhos do Phú.
O local do show é uma oficina mecânica que ficou abarrotada de roqueiros e amigos que fizemos no 1º show que fizemos em 2000.
Voltamos para casa com o pior motorista do planeta. Phú e Marcel dormiram numa cama de casal e eu e Gremillins em outra. Da minha parte, eu garanto, continuo virgem.
Pela manhã embarcamos na Land Rover do nosso amigo Flavio e fomos para João Pessoa. A oficina do Capim é o local do show. Novamente boas bandas de abertura e o público compareceu em peso no Domingo super quente da capital paraibana. Problemas na bateria fizeram com que o show fosse interrompido algumas vezes, o que dava a chance do público respirar um pouco antes de voltar a chutar a canela alheia no POGO furioso. Depois Rodízio de pizza e estrada.
As 5:00 da manhã estávamos de volta a Natal para 3 dias de folga com direito a muita praia e turismo sexual e troca de casais, dormi com o Marcel, Eco!
Pela manhã fomos para Recife, Ficamos na casa do Alemão na Praia da Maria Farinha e visitamos algumas lojas de CDs. O local do show foi o Doka’s no Recife antigo. Uma casa muito boa com som bom para os espectadores mas um pouco complicado no palco para as bandas que novamente nos surpreenderam pela qualidade.
Não tomamos banho nem dormimos, direto para rodoviária 6:30 da manhã com destino a Maceió. Rolé nas lojas de CDs e forró na rua. Nem vimos a cor da mar. Dormimos umas 3 horas na casa do Matias, vocal do Dread e produtor de eventos junto com o Valdir, ambos pessoas da melhor qualidade. Marques algumacoisa é o nome do local, muito grande, som de 1ª. O nosso inimigo foi o vestibular domingo de manhã fazendo com que poucas pessoas fosse prestigiar o espetáculo. A molecada de rocha agüentou até as 4:00 da manhã. Sem tomar banho fizemos outra correia para as 6:30 estarmos a caminho de Sergipe.
Em Aracaju somos uma espécie de lenda local, pois na 1ª vez que por lá nos apresentamos (2000) apareceu a polícia e queria impedir o show, mas o próprio público enfrentou os policiais que quase levaram pau. Saiu até no jornal. Dessa vez a surpresa ficou por conta da enorme quantidade de moças lindas que lotaram o pequeno local (um bar bem legal a beira mar) onde rolou o pogo mais violento de todos os tempos, Nego alucinou. Com certeza foi o melhor show da etapa Nordeste da turne. Terminamos a noite ouvindo as engraçadinhas peripécias de Alyson Cacareco, Black Metal da Elite, irmão do produtor Anderson. No outro dia a crew se dissolve. Marcel vai para Brasília e nos encontrara no Rio. Gremillins, Pernão e Ana vão para Salvador eu e Phú ficamos para fazer uma entrevista na TV e venda mas lojas. Só vamos chegar de madrugada em Salvador para 2 dias de férias. Novas aventuras nos aguardam...
Na terra do ACM ficamos alojados numa pseudo favela com vista maravilhosa para o iate clube, o contrate dos esnobes com pobreza dos simpáticos e alegres moradores e dúzias de molecotes barulhentos que nos cercavam. A noite no Pelourinho Olodum com japoneses nos tambores e soteropolitanos correndo atras dos dólares estrangeiros. No outro dia role pelo centro histórico, museus. A noite a casa caiu. Ficamos sabendo que era enorme a possibilidade do show no RJ não acontecesse.. Babu, o produtor do show estava em BSB com dengue não agilizou nada, o dono do Garage estava pouco se fudendo.
Com passagem de avião marcada eu e Augusto Morales chegamos as 9:00 da manha de Sexta feira no galpão para a maior roubada da turne na cidade maravilhosa. Só saímos do aeroporto as 14;00 graças a ajuda do amigo Márcio, Brother do Marcel que nos deu suporte para agüentar esse dia decepcionante que preferimos esquecer, sempre queimando o filme dos pilantras (Babu e pessoal do Garagem).
Do Garage para todos que pudermos na tarde de sexta vazamos para Campos onde fomos recepcionados na Rodoviária pela banda Viagra. Boa parte do público já havia indo embora quando fomos tocar lá pelas 3 da manha em um som que não ajudava muito, mas mesmo assim os que ficaram se divertiram muito, principalmente no cover do DK quando pelo menos 30 pessoas subiram no palco numa comoção inesquecível.
Sabadão dou a vez de Cabo Frio. Davi e Daniel da banda Solstício nos levaram para o local do show que apesar de ter sido divulgado de última hora até que foi um público razoável, infelizmente tocamos por ultimo e advinha? Muita gente foi embora sem nos ver.
Domingo em Macaé foi diferente, público legal, lugar maneiro o som é que tava meio foda mas a molecada nem ligou e agitou o tempo todo. Voltamos para Cabo Frio e ficamos de bobeira curtindo a praia até terça a noite quando nos despedimos do litoral e rumamos ara a capital paulista. Todo dia é dia de galeria do rock, que saudades do mar.
"Se o mar está longe daqui..." (Natiruts) A água desabou feia do poluído céu paulista transformando a caótica cidade num Piscinão de Ramos estressante. Carregar o equipamento de ônibus e metro até o Hangar 110 não foi tarefa fácil. Apesar de tudo um bom público pagante compareceu ao local e acreditamos não se decepcionaram. Abrindo o espetáculo com o Presto?, em nossa opinião um das melhores bandas com quem tocamos, e depois foi a nossa vez. O som estava ótimo, tanto no palco como para o publico (se todos os lugares fossem assim). Depois foi a vez do Prole, promissora banda HC de americana (SP) e fechando a noite os veteranos do ABC, Ação Direta da qual com muito orgulho participamos do CD tributo com a música "121".
Festa privada foi o nome do evento que tocamos no sábado em Americana. Sinuca, banda performática de New Metal Circense e Macakongs 2099 disputaram a atenção dos muitos espectadores sob efeito de vários tipos de substâncias. Acho que causamos bad trip em alguns, mas esses dificilmente vão se lembrar de alguma coisa.
Campinas: Depois do show do Ação Direta muitas das poucas pessoas foram embora pois tinham compromisso segunda feira pela manha. Mas nem o pequeno público, nem o som ruim nos fizeram desanimar em Campinas, descemos a linha e ainda contamos com a participação do Gepeto (Ação Direta) na música 121. Dormimos no apartamento do ET (Muzzarellas) e pela tarde vazamos para Braza City. Nenhum fã nos esperava na rodoviária, nem desfilamos como heróis pela cidade no carro de bombeiros. Até meu cachorro quis me morder pois nem se lembrava mais de mim. Parecia que tínhamos sido expulso da Casa dos Artistas. Sou do Big Brother.
Para encerrar a nossa Summer Tour no ultimo fim de semana do verão brasiliense nada como a calorosa Campo Grande (MS), dessa vez na companhia do nosso guitar hero Robson. Fomos recepcionados pelo Jet-Nipo –Topetudo Cebola que nos levou no seu Jet-Passatão até Rock Show, tradicional loja de discos onde trabalha o Jet-Vaguinho. Por uma passagem secreta chegamos a mansão Bruce Wayne. Uma casa maneirissima onde ficamos hospedados. A família é cinco estrelas. O chefe do Clã, Bosco foi baterista do Made In Brasil e atualmente toca no Bando do Velho Jack. Sua esposa Márcia alem de muito bonita (com todo respeito) é muito simpática, nos preparou excelente refeições. A filha Emília é uma combinação perigosa de veterinária e judoca, sorte daquele que a levar para o tatame ter as vacinas em dia. Temos também o destemido Jet-Jean e sua maravilhosa coleção do gibis, CDs e vídeos, sem esquecer da cadela pit-bull sabiamente batizada de Safadeza. Ficamos a tarde de sexta feira fazendo um workshop sobre o Guitar Wolf. Até então nunca ouvimos falar nesse trio de autenticos roqueiros do Japão e agora somos fãs. Já tenho CD, camiseta e poster autografado dos caras. Vimos 2x um longa metragem em que eles tem super poderes e lutam contra zumbis e extra terrestres com efeitos bem trash e diálogos horríveis, resumindo tudo o gostamos e merecemos. Detalhe eles vieram do Japão , fizeram dois shows em Campo Grande e foram embora sem tocar em outros lugares do Brasil.
A noite fomos para o local do show, muitos punks do lado de fora e poucos do lado de dentro. A platéia estava um pouco fria no começo, mas nada como o velho Dead Kennedys para aquecer o ambiente.
No sábado o público compareceu em maior numero e bem mais animado. Quem abriu foram os Impossíveis que tiveram muitos problemas no som mas mesmo assim fizeram um ótimo show com direito a cover do Misfits e Ramones. Esqueci de mencionar que o Cebola é o vocal , o Vaguinho Guitarrista e o Jean Baterista. Os Impossíveis soa Jet-Rock. Nossa apresentação foi muito melhor que a da Sexta feira o que nos deixou com vontade de voltar em breve para tocar nessa cidade quente. Como diria os Jet-Loucos do Guitar Wolf, Campo Grande é LOQUEM LOU – LOCK’N LOU.