Maria A's Blog
Genealogia
-Nascimento dos Apelidos
O mesmo se passa com investigadores mais recentes, que fizeram um esforço crítico para reconstituir as linhagens medievais, e em cuja obra se encontra referência a pessoas com apelidos toponímicos, que têm a sua existência confirmada documentalmente. Mas ao ler esses documentos não encontramos, para as gerações mais antigas, o terceiro elemento do nome (27). Mais atenção deu Almeida Fernandes a uma tal discrepância entre o nome indicado pelos nobiliários e o nome patente nos documentos. ao descrever famílias existentes no território portucalense à data da fundação da nacionalidade, pôs entre aspas os apelidos que figuram apenas nos livros de linhagens.

Temos assim João Peres "da Maia", Gil Martins "de Riba de Vizela", Pêro Afonso "de Baião", Egas Gosendes "de Ribadouro", etc. além disso, falando da linhagem dos Sousões chamou a atenção para o uso tardio do apelido "Sousa", nestas palavras: "A primeira vez documentada que se encontra o apelido de "Sousa" é de 1134, em Soeiro Mendes...Os genealogistas, porém, dizem que o avô deste, Egas Gomes, já assim se chamava. Mas não documentam ( 28 ).

O mesmo, aliás, havia sido constatado já por Frei António Brandão (29), que depois de expôr o "Catálogo dos que se acharam na batalha de Campo de Ourique" (30), esclarece:



"Quanto a não se nomear sempre Fernão Pires Furtado, não há inconveniente algum, pois naquele tempo se não usavam muito as alcunhas e os apelidos, que só os patronímicos serviam: e ainda às vezes se não punha mais que o nome próprio...



Parece pois poder-se concluir que as linhagens medievais só começaram a juntar ao nome o da terra que possuíam a partir da fundação da nacionalidade, aproximadamente, sendo provável que entre os Sousões se tenha usado pela primeira vez com aspecto toponímico, mas sem ligação com linhagens que se possam identificar (31).



Note-se também que o uso destes apelidos não se tinha ainda espalhado entre a nobreza portuguesa quando em outros países europeus já era corrente. Temos uma amostra disso na citada carta de Osberno sobre a conquista de Lisboa, onde ao lado dos nomes dos comandantes cruzados - Herveu de Glanville (inglês), Arnulfo de Areshot (alemão), Cristiano de Gistel (flamengo), Sahério de Arcelles, Simão de Dover (inglês), André (inglês) - quase todos com apelidos toponímicos, aparece apenas um portuguÊs, Gocelino de Sousa, com apelido do mesmo género.



E no Cartulário Geral dos Hospitalários (32) podemos apreciar idêntico contraste entre os nomes portugueses - por exemplo, numa doação feita em 1114 por D.Teresa, em que os confirmantes têm todos apenas nome próprio e patronímico - e os que figuram em documentos franceses, que desde os primeiros anos do séc. XII contêm variadíssimos apelidos relacionados com a origem geográfica das pessoas (33).









-5- (conclusão)
2007-01-14 16:55:21 GMT


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