Nascimento dos Apelidos
Tratemos agora do terceiro elemento do nome - o apelido própriamente dito.
A maior parte dos apelidos têm origem em alcunhas, em nomes de terras de onde as pessoas são naturais ou terras que possuem, e em nomes de profissões. Muito menos numerosos são os apelidos derivados de outras fontes como a religião, concessões régias, etc. (19)
A origem das alcunhas é muito remota. Nos documentos mais antigos que possuímos faz-se alusão a pessoas que tinham um nome e eram conhecidas por outro (20). Algumas destas alcunhas terão passado a ser usadas em forma de sobrenomes, como aconteceu com os filhos de Afonso, cognonimado "Bittofi", que viveram na primeira metade do séc. X, e usaram o patronímico "Bettotiz", entre eles o Conde Gonçalo Bettotiz, sogro da Condessa Mumadona Dias (21). Mas a verdade é que no meio de todos os nomes e sobrenomes de forma exótica que enxameiam os documentos medievais (22) é difícil distinguir quais os que são extraídos de alcunhas. É certo, porém, que o apelido originado em alcunha já existia em Portugal por meados do séc. XII - em 1147 vivia um Fernão Cativo, em 1145 um Soeiro Barba, e em 1150 um "Pedro Pais" a quem chamam "Artul" e assina Pedro Artul (23). Foi, provávelmente, no princípio do mesmo século que começaram a aparecer apelidos correspondentes a profissões. Vemos em 1103 um Durão Escudeiro, em 1106 Solimão Ferreira e em 1110 Gonçalo Ferreira (24).
A origem dos apelidos toponímicos - nascidos do nome de terras - encontra-se um tanto obscurecida, porque os nobiliários atribuem a tempos muito recuados o uso dos apelidos, contrastando com os documentos existentes. E mesmo os investigadores rigorosos, ao compararem os nobiliários com os documentos, vendo, por exemplo, que um Egas Gosendes de Ribadouro - dos nobiliários - corresponde ao Egas Gosendes designado numa escritura, atribuem-lhe o nome indicado pelos linhagistas, porque o consideram mais completo.
É o que acontece com o relato da tomada de Lisboa, conhecido por "Carta de Osberno". Na versão latina original não se menciona nenhum Cavaleiro Português com mais de dois nomes, mas os estudiosos que fizeram descrições da tomada de Lisboa baseadas em Osberno trataram de identificae Gocelino de Sousa com Gonçalo Mendes de Sousa (25), Mendo copeiro de Afonso com Mendo Afonso de Refoios, e Pedro Pelágio com Pedro Pais da Maia (26).
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