Influência Árabe
Entretanto, nas regiões submetidas ao domínio sarraceno os nomes árabes misturam-se com os cristãos, como era de calcular. Recorda Menéndez Pidal
(15) que
"a influência moçárabe fez-se poderosíssima no século X, culminando na época de Alançor. Os nomes de pessoas árabes abundam agora extraordinariamente entre os cristãos e até se compoem patronímicos cristãos com o árabe "iben" filho, plural "bani", como fez um doador a Sahagún em 962, que se chama "Fortunius iben Garseani" em vez de "Fortunius Garseani"; os condes de Cárrion, segundo dissemos adoptavam o nome de família que lhe davam os árabes: Vani Gómez. A esta época deve remontar o famoso apelido Benavides..."os filhos de vidas". Em Portugal Beneegas, Benegas 991, Venegas 1258, filho de Egas".
Esta forma patronímica, Viegas, transmitiu-se às várias famílias portucalenses em que havia um pai chamado Egas. Mesmo entre a antiga nobreza Goda, houve quem adoptasse nomes árabes, como Omar ben Hafsún que em 879 comandou uma rebelião crsitã e pertencia a uma nobre família visigótica
(16). Existe um testamento datado de 967, respeitante ao território portucalense, em que se vêm muitos nomes árabes misturados com germânicos. Fala-se aí de um Zalaman iben Floresindo, e seu irmão Gondemiro, o que significa que certo Floresindo - nome germânico - teve um filho com nome árabe - Zalaman - e outro com nome germânico - Gondemiro
(17).
Uma lista de nomes acompanhados da partícula "iben" dos séculos X e XI, foi publicada por Gama Barros
( 18 ), atestando o uso constante do patronímico árabe nestes séculos.
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