Nascimento do Sobrenome
Não é possível estabelecer a data precisa em que se começa a usar o sobrenome, ou seja, a pôr à frente do nome pessoal o nome do pai, com a forma genitiva ou uma palavra indicativa de filiação, como "filius" ou "proles". Já em inscrições lusitano-romanas se nota esse costume
(11), mas não há indícios de que o nome paterno estivesse permanentemente associado ao próprio nome. só desde o século IX surgem personagens a cujo nome é associado, sempre, o patronímico. Vímara Peres, Hermegildo Guterres, Ero Fernandes, viveram nessa época, e embora os documentos respeitantes ao período das suas vidas sejam de datação ou autencidade duvidosa, faz-se menção destes magnatas em documentos pouco posteriores, em que intervêm os filhos, e nas mais antigas crónicas do nosso território
(12).
Embora o patronímico já apareça nos primeiros documentos existentes em Portugal, é de calcular que não tivesse entrado em uso muito tempo antes, porque recorrendo às fontes espanholas verificamos que, como assevera Godoy Alcantara
(13), o patronímico castelhano aparece pela primeira vez em duas doações do ano 804, onde figuram, entre outros os sobrenomes Didaz, Nunez, Tellez, Peidrez, Annaiz, Paleiez e Vellaz. Através dos séculos X e XI foram proliferando ps patronímicos no território portucalense, como podemos observar nos "
Portugaliae Monumenta Historica - Diplomata et Chartae". E, dando mostras de como já estava largamente difundido em toda a Península no princípio do séc. XII, vê-se aí um documento de 1115 (Era de 1153), respeitante a um concílio a que assistiram representantes das várias províncias da Hispânia, onde em mais de 200 pessoas mencionadas, só quatro não tinham patronímico (exceptuando os bispos, qua apenas costumavam usar o nome próprio).
Até ao século XII, a regra do patronímico foi seguida rigorosamente: O segundo elemento dos filhos era tirado do nome próprio dos pais. A regularidade desta prática foi suficiente para os historiadores conseguirem reconstituir o nome de um homem sabendo como se chamava o pai e um dos filhos dele. Tendo uma escritura com a indicação de que Onega Lucides era neta pelo lado paterno de Alvito Lucides, pôde deduzir-se o nome do pai dela: Lucídio Alvites, porque a filha usava o sobrenome Lucides e Alvites porque é o patronímico de Alvito
(14). Deve notar-se também que a difusão do 2º elemento do nome correspondeu à diminuição da variedade no 1º elemento. Passam a repetir-se com frequência os mesmos nomes, existindo o sobrenome para distinguir as pessoas.
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