O fim da Anarquia
Pela mesma época em que as mulheres se puseram a usar o nome do marido, estabeleceu-se também um modo de dispôr o nome que acabou com a desorganização do sistema de apelidos.
Os filhos passavam a usar o nome do apelido da mãe sempre em primeiro lugar, e o apelido do pai, sempre no fim do nome. O apelido paterno foi a partir daqui o mais importante, em todas as famílias.
Esta disposição dos apelidos contrariava a tradição nacional, pois embora a anarquia reinasse neste campo durante séculos, o primeiro apelido era o que se considerava mais importante e se usava em assinatura abreviada.
A instituição do Registo Civil obrigatório, depois de proclamada a República, impôs a nova disposição dos apelidos a toda a população portuguesa. Só recentemente se deram alterações na lei permitindo restabelecer parte da liberdade que nos é característica.
A principal feição dos nomes portugueses actuais que os distingue dos estrangeiros é como diz Ferraz de Carvalho
(57), a abundância dos apelidos.
"Com efeito é raro encontrar um simples apelido; de ordinário usam-se dois ou três, às vezes oito".
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