As mulheres começam a usar o apelido dos maridos
No princípio do século XIX expande-se em Portugal um costume que vigorava na maioria dos países europeus: O de a mulher adoptar o nome do marido.
Antes da centúria de novecentos eram raríssimos os casais portugueses que seguiam essa prática , e na opinião de Machado Faria
(53) "não há um único exemplo de adopção do apelido conjugal, e se algumas vezes a mulher tem o mesmo apelido do amrido é por serem parentes ou de famílias que, embora sem parentesco conhecido, possuíam a mesma designação nominal".
Será exagero afirmar que não existe um único caso anterior ao século XIX
(54), mas era realmente um uso estranho no nosso país.
Nas últimas décadas do século XVIII, as mulheres de comerciantes que tomavam conta do negócio do marido depois de viúvas, começavam a ver-se associadas ao apelido do defunto. O Almanaque de Lisboa
(55) indica, entre os nomes dos principais comerciantes nacionais de 1789 a 1800 a viúva Santos - que desde 1793 passa a ser simplesmente a viúva Santos -, a viúva de Costa, a viúva de Sousa, a viúva de Andrade e a viúva de Braga
(56).
É possível que as conveniências comerciais tenham tido um papel na evolução dos apelidos.
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