Século XVIII
No século XVIII deram-se algumas inovações no uso dos apelidos.
Entre a nobreza titular difundiu-se a moda estrangeira de usar nomes muito compridos, e esta extravagância permaneceu até ao princípio do nosso século, chegando a haver pessoas com mais de 30 nomes.
Nas classes populares houve uma outra moda, a de as mulheres abandonarem os apelidos, usando apenas os nomes próprios ou de devoção. Por isso aparecem neste século nomes como Francisca Teresa de Santa Rosa, Ana Joaquina do Espírito Santo, Teresa Leocádia de São José, e muitos outros sem relação nenhuma com as designações que usavam as mães e os pais destas mulheres. Esta última moda alcançou no distrito de Lisboa uma notável preponderância, mas não há indicações suficientes sobre o que se passava nas restantes regiões
(50). Nos róis de confessados das freguesias lisboetas encontram-se numerosas famílias compostas de pai e filhos com apelidos, mãe e filhas sem apelidos
(51).
E nos registos de casamento da mesma cidade é possível examinar o nascimento deste costume, vendo raparigas cujos pais usavam apelidos terem só nomes próprios
(52). O abandono do apelido por parte das mulheres parece ter criado raízes: Na lista das parteiras de Lisboa publicada pelo
"Almanach de Portugal para 1856" estão inscritos os nomes de 82 mulheres, das quais só 21 têm apelidos.
-8-