Maria A's Blog
Genealogia
-Período de Anarquia
Período de Anarquia




Desde o final do séc. XVI começou uma época de grande indisciplina no uso e transmissão dos apelidos, pois as pessoas usam frequentemente apelidos diferentes dos que usavam os seus pais e irmãos, indo buscá-los indiferentemente a pai, mãe, avós, tios, ou onde quisessem.



Para dar uma ideia do estado de confusão dominante no começo do séc. XVII, analisei as "Ementas de Habilitções de Ordens Militares nos Princípios do século XVII", editadas pela Biblioteca Nacional.



Nos quadros 1 e 2 estão expostos os resultados obtidos. Uma elevada percentagem dos cavaleiros usam o apelido herdado do pai e do avô paterno.

Tentou-se explicar a desigualdade de apelidos entre pais e filhos e entre irmãos inteiros mediante as desigualdades estabelecidas pelo direito hereditário. De facto, em certas famílias a herança de um morgado podia levar ao uso de apelidos ligados a essa herança. Conhecem-se instituições de vículos em que se declara que o sucessor deverá usar sempre o apelido do instituidor, e a partir do século XVIII passou a ser obrigatório o uso dos apelidos correspondentes aos morgados que se herdavam, mesmo que os instituidores não houvessem declarado expressamente o desejo desse uso (lei de 09.09.1769). Mas como a desiguladade de apelidos se verifica em todas as camadas sociais, mesmo quando não havia nada para herdar, é impossível considerarmos o direito sucessório como a causa principal, devendo ser considerado meramente como uma agravante da situação existente.



Houve quem procurasse encontrar no meio da anarquia desta época uma regra de transmissão dos apelidos, como Armando Matos, que no seu "Manual de Genealogia Portuguesa" diz: "ao filho mais velho cabia o apelido paterno; ao segundo filho o apelido materno; ao terceiro algum dos tios paternos; ao quarto filho algum dos apelidos dos tios maternos; ao quinto um dos segundos tios paternos; etc.".



Isto mostra excessiva confiança no feitio esquemático dos nossos antepassados. Com os estudos genealógicos mais desenvolvidos nos nossos dias, sabemos que não havia uma regra de transmissão usada em todo o país.



Para ilustrar a variedades de formas de transmissão dos apelidos estão expostos no quadro 3 as genealogias abreviadas de algumas famílias, todas pertencentes à mesma região. - a vila de Oeiras. Percebe-se que a distribuição dos apelidos era feita bastante caprichosamente.







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2007-01-14 17:01:22 GMT


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