Maria A's Blog
Genealogia
-O Nome Característico da Idade Média
É natural que os genealogistas, habituados a manusear os registos paroquiais dos séculos XVI e XVII, cheguem intuitivamente a conclusões semelhantes, visto que a maioria dos nomes que aí se encontram são formados por dois elementos, sendo o segundo um patronímico ou um apelido, mas predominando os patronímicos. De província para província, ou mesmo de aldeia para aldeia variavam os patronímicos mais frequentes, e até na mesma terra podiam variar em poucas décadas. Na região alcobacense, de 1370 a 1400 os patronímicos mais comuns são Eanes ou Anes ou Joanes, Domingues, Martins, Esteves, Pires, Afonso, Vicente, Lourenço, Fernandes e Gonçalves, por esta ordem. De 1430 a 1460, os mais frequentes são Eanes ou Anes ou Joanes, Afonso, Gonçalves, Vasques, Pires ou Peres, Domingues, Esteves, Martins (36).



No almoxarifado de Évora, em 1475, os patronímicos mais usados são Anes ou Eanes, Fernandes, Afonso, Rodrigues, Dias, Peres ou Pires, Gonçalves, Martins e Álvares (37). Na cidade de Lisboa em 1565 são mais vulgares Fernandes, Gonçalves, Rodrigues, Dias, Lopes, Pires ou Peres, Álvares, Gomes, Vaz ou Vasques, e Afonso ( 38 ). É na região de Tondela, em princípios do séc. XVII, vêm à frente Fernandes, Simões, Dias e Antunes (39).



A estrutura do nome medieval começa a desagregar-se no século XV, como observa Leite de Vasconcelos: "Pode dizer-se que a decadência do patronímico principia depois dos meados do séc. XV, e que o sistema já estava desorganizado no séc. XVI" (40). De facto, os patronímicos começam a ser usados como apelidos, e a ser transmitidos em gerações sucessivas, em vez de serem adaptados em cada geração do nome próprio do pai.



No século XVI existem, na mesma região, pessoas usando patronímicos como apelidos e outras usando-o como indicativo do nome paterno. Assim, num manuscrito de 1558 que contém as escrituras de aforamento das terras pertencentes ao senhor Pombeiro na sua vila (41), vemos os aforadores João Gonçalves filho de João Gonçalves, Afonso Vaz filho de Afonso Vaz, Pero Afonso filho de Favião Afonso, João Afonso filho de João Afonso, João Lourenço filho de João Lourenço; nestes casos os patronímicos transmitiram-se de pais para filhos. Por outro lado encontramos Gomes Pires filho de Pedro Afonso, Afonso Simões filho de Afonso Luís, João Simões filho de Simão Afonso, Domingos Rodrigues filho de Rodrigo Gonçalves; nestes casos o patronímico conservou a sua função original.



Nas habilitações do Santo Ofício vêm-se familiares em que, depois de o patronímico começar a ser usado como apelido, voltou a ter a forma primitiva (42).

É também no século XVI, e no seguinte, que se formam sobrenomes matronímicos, isto é, formados do nome próprio da mãe, costume que se nota principalmente nas mulheres.









-6- (conclusão)
2007-01-14 17:00:15 GMT


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