SOB O SIGNO DE VIRGEM

 

 

© Dalva Agne Lynch

 

 

 

Eles se riem de mim

chamando-me nomes

pseudônimos

apelidos.

Eu sigo.

Acalanto uma criança

adormecida em meus braços

talvez para sempre.

Sou a Terra

Virgem

recebo fruto e semente

acolho o homem

o eremita

e o poeta.

Mas não acolho o sangue

jorrado sem sentido

as promessas sem retorno

o ódio lançado em vão.

A esses jogo ao vento

sacudo-os como bicho molhado

espalhando as gotas

a podridão do mundo

ao vento.

Levanto-me

uma criança nos braços da Terra

que sou Virgem e sou Terra

mãe e amante.

Levanto-me

carregando a mim mesma

como dádiva

talvez uma criança morta

antes de poder ser.

Virgem

sou a paixão

o sol cegante

saída de Leão.

Virgem

Carrego nos braços

a mim mesma

criança

morta na Balança

inexorável

do tempo.

 

 
          próximo            próximo

 

 
 

 

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