Radar e robô para revelar os últimos
segredos das pirâmides
24/08/04 - As autoridades egípcias anunciaram
este fim de semana que utilizarão um radar e um
robô de alta tecnologia num ambicioso projeto para
desentranhar os últimos mistérios que a
base das três pirâmides de Giza esconde.
As duas novidades serão os protagonistas do "plano
global" que o Conselho Supremo de Antigüidades
(CSA) fará em 2005 para descobrir o muito que ainda
pode estar oculto nesse planalto, nos arredores do Cairo
e o lugar mais visitado do mundo.
O trabalho do robô, que está sendo desenvolvido
e fabricado numa universidade de Cingapura, será
mostrar o lugar exato da câmara funerária
do faraó Keops nos escuros labirintos de seu colossal
túmulo, a Grande Pirâmide que leva seu nome.
Em 1992 e 2002, outros dois robôs entraram na Grande
Pirâmide de Keops, mas fracassaram em decifrar o
enigma que confundiu os mais prestigiados egiptólogos,
não podendo localizar as coordenadas da câmara.
Já o radar será usado para rastrear o patrimônio
arqueológico que ainda permanece sepultado em Giza.
Pelo sul será feita uma varredura que se estenderá
até Maidum, a cem quilômetros da capital
egípcia. Já pelo norte acontecerá
até Abu Rawash, a trinta quilômetros do Cairo.
"O ano de 2005 será dedicado à base
das pirâmides de Giza, e acreditamos que anunciaremos
inúmeros e surpreendentes achados arqueológicos
graças ao uso do radar", disse com otimismo
o secretário-geral do CSA, Zahi Hawas, cérebro
do projeto.
Hawas revelou que continuam acontecendo descobertas ininterruptamente
na região, onde recentemente foi achado o túmulo
de um nobre que data do Período Saita, entre 664
e 525 antes de Cristo.
"Escavamos dez metros de profundidade e ainda temos
que tirar mais dez de terra para desenterrar o mausoléu,
no qual já achamos 408 estatuetas obatchi, que
eram colocadas ao redor das múmias para sua proteção
na outra vida", precisou.
Um dos mais prestigiados arqueólogos da área
das pirâmides de Giza, Mansour Furaig, também
ressaltou em declarações à EFE a
importância do plano de rastreamento, que pode dirigir
a escavação de inumeráveis vestígios
ainda ocultos pela areia.
Furaig lembrou que Giza foi um lugar de sepultamento
privilegiado há quase cinco mil anos, quando o
rei Cineforo, fundador da IV dinastia faraônica
e primeiro construtor das pirâmides em sua forma
arquitetônica conhecida, mandou fazer na área
um cemitério monumental.
Além das três pirâmides erguidas depois
ali por Keops, Kefren e Micerinos, os mais célebres
sucessores de Cineforo, a região está repleta
de tumbas de rainhas, príncipes, ministros, nobres
e altos funcionários, tendo sido a área
que acolheu a Grande Necrópoles de Menfis, a capital
do conhecido como Império Antigo.
As expectativas de revelar a última morada de
tantos personagens ilustres são também alimentadas
pelo descoberta na última década dos enterros
dos contrutores das famosas pirâmides, de magistral
forma geométrica, e dos templos funerários
da região.
O arqueólogo norte-americano Mark Liner descobriu
em 1992, num setor próximo às bases e alicerces
da "cidade", o lugar onde esses trabalhadores
descansavam, comiam e dormiam após uma cansativa
jornada de trabalho.
O objetivo de tanto esforço era garantir a imortalidade
dos defuntos, algo que de certa forma aqueles operários
conseguiram ao construir as pirâmides de Giza, a
única das Sete Maravilhas do Mundo - tal como se
denominava na Antigüidade os maiores prodígios
arquitetônicos do planeta -, que segue de pé.