Heródoto, o historiador grego, apesar de haver
criticado bastante o o Egito e seus habitantes, deixou
para a humanidade uma documentação surpreendente
e preciosa.
"Keóps", escreve ele "deixou atrás
de si uma obra colossal, sua pirâmide. Dizia-se
que até o reinado do Faraó Ramsinitos era
o Egito muito próspero e bem governado. Keóps,
que sucedeu a Ramsinitos, fez com que todos os egípcios
trabalhassem para ele. Uns foram encarregados de transportar
até o Nilo as pedras extraídas das canteiras
dos montes da Arábia; outros deviam carregá-las
em barcos para cruzar o rio e arrastá-las desde
os montes da Libia. Havia sempre cem mil homens trabalhando,
cuja troca se dava a cada três meses. Dez anos foram
gastos para ser construído o caminho que devia
servir para transportar as pedras e foi aquela uma obra
que nada tinha a dever às próprias pirâmides.
Media a estrada cinco estádios (923,50 metros).
Estava construída com pedras polidas nas quais
se haviam gravado figuras de animais. Somando-se a isto,
tiveram que trabalhar dez anos para terminar a calçada,
construir as câmaras subterrâneas que deviam
servir de tumba. A construção da pirâmide
mesmo necessitou de vinte anos de trabalho. Era quadrada.
Cada uma de suas faces mede 8 pletos (246,26 metros) e
tem a mesma medida de altura. As pedras são polidas
e unidas com cuidado, sendo que nenhuma delas mede menos
de 30 pés (9,24 metros)".
O relato de Heródoto sobre a construção
da grande pirâmide nos proporciona indicações
muito precisas, desde os caracteres típicamente
egípicios, até as somas pagas para a construçaõ
daquele estranho edifício. E assim prossegue ele:
Esta pirâmide foi primeiramente construída
em forma de grande escada, composta pelo que alguns chamam
de almenas e outros de gradas. Depois de ser-lhe dado
esta primeira forma, levantaram-se as outras pedras por
meio de Máquinas (Heródoto não descreveu
o tipo de máquina a que se referiu) feitas de madeira
cortada. Uma vez levantada a pedra até a primeira
grada, colocava-se uma outra máquina que ali se
encontrava com a qual se levantava até a segunda
grada, e assim sucessivamente de grada em grada, pois
havia tantas máquinas quantas gradas. O imporatante
era a máquina, fácil de transportar, que
era trasladada de um piso a outro depois de desarmada.
Indicamos ambos procedimentos, pois assim nos foi relatado.
A pirâmide leva inscrições que indicam
em caracteres egípicios quantos rábanos,
quantas cebolas e quantas de alho se gastaram para com
os trabalhadores, e se bem recordo as palavras do intérprete
que traduzia as inscrições, a soma alcançou
seis mil talentos de prata, o que equivale a 41.884 quilos
de metal. Se isto for verdadeiro, quantos mais talentos
de prata se terão gastos para alimentar e vestir
os obreiros?
Quatro séculos depois de Heródoto, o historiador
Diodoro da Sicília (século I a.C.) visita
o Egito e também se acorre as pirâmides que
se conta entre as sete maravilhas do mundo. Igualmente
ao seu predecessor, Diodoro de Sicilia se admira frente
aos monumentos. "Tenho que reconhecer", disse,
"que estes monumentos são mais importantes
do que tudo que se pode ver no Egito, não só
pela magnitude de sua massa e das somas que foram gastas,
senão também por sua beleza".
Diodoro da Sicilia nos dá em seguida sua versão
da construção das pirâmides. Seu relato
fala também de três pirâmides, que
representa como o conjunto funerário da IV Dinastia,
do qual a Grande Pirâmide é seguramente o
elemento mais importante e prestigioso, porém impossível
de ser estudada e entendida fora deste contexto.
Tal como Heródoto, Diodoro de Sicilia estima em
seis mil talentos a soma gasta em rábanos, cebolas
e cabeças de alho para os trabalhadores da grande
pirâmide. Porém, contráriamente a
Heródoto não crê que os monumentos
sejam as tumbas dos Faraós, os quais, em sua opinião,
estão sepultados em lugares escondidos e secretos.
Todos os grandes escritores da antiguidade, assim como
Heródoto e Diodoro de Sicilia têm ficado
igualmente impressionados pela originalidade e pela beleza
dos monumentos funerários egípcios.
Chegando-se em Gizé, o espetáculo que se
oferece aos olhos do visitador é um dos mais harmoniosos
criados pelo ser humano. Há um refrão egípcio
que diz: "Todo o mundo teme ao tempo, porém
o tempo teme às Pirâmides".
A Grande Pirâmide tem sido motivo de estudos, interpretações,
fonte de inspiração para crédulos
e incrédulos; místicos e não místicos
especulam o seu por que e para que. Isto tem dado motivação
e impulsionado muitos a sobre ela escrever, investigar,
pesquisar, enfim, buscar decifrar o seu sentido, a sua
causa, os seus autores e até mesmo se os seus projetistas
pertenceram ou não a este mundo.
A transcrição que se segue é bem
reveladora do interêsse despertado pela Grande Pirâmide,
pelos mistérios que a mesma encerra:
"No início de 1985, após alguns dias
de mergulho no mar Vermelho, ao largo da costa egípcia,
dois arquitetos franceses foram conhecer a Grande Pirâmide
em Gizé. Ao examinar a enorme estrutura, notaram
que diversos detalhes arquitetônicos simplesmente
não faziam sentido. Alguns dos imensos blocos de
pedra, por exemplo, foram colocados verticalmente, e não
em sentido horizontal como os outros. Em certas partes
da pirâmide, curiosos blocos irregulares sobressaem
meio à pedra calcária polida. Assim como
gerações de visitantes das pirâmides,
os arquitetos Gilles Dormion e Jean-Patrice Goidin ficaram
cativados pelo grande monumento. E também, como
muitos outros, acharam que podiam desvendar seus enigmas.
As anomalias estruturais, deduziram os franceses, eram
indícios de câmaras ocultas e ainda inexploradas,
no interior da pirâmide. Eles achavam que uma dessas
câmaras secretas talvez até abrigasse os
despojos do faraó Quéops, e que poderiam,
assim, solucionar uma das eternas questões sobre
a pirâmide: onde está o corpo para o qual
ela supostamente foi construída?
Dormion e Goidin dispunham de significativa vantagem
tecnológica em relação a investigadores
anteriores. Após inúmeras visitas exploratórias
às galerias internas, eles retornam em agosto de
1986 com um microgravímetro, um sofisticado aparelho
capaz de registrar vazios de densidade, ou cavidades no
interior da pirâmide. E, por trás das paredes
de uma galeria que levava a um aposento conhecido como
Câmara da Rainha, o aparelho detectou os vazios
previstos pelos arquitetos. Encorajados por esse resultado,
os dois conseguiram permissão do governo egípcio
para perfurar a antiga parede de calcário.
Durante dias, os arquitetos e seus auxiliares trabalharam
nos apertados corredores da pirâmide, perfurando
cerca de dois metros em três locais diferentes.
Mas tudo que descobriram foram bolsões de areia
cristalina. O microgravímetro podia indicar a presença
de cavidades na estrutura da pirâmide, mas não
era capaz de determinar sua localização
exata. As câmaras secretas, se existem, permaneceram
ocultas. A Grande Pirâmide frustrara mais uma tentativa
no longo e fascinante esforço de solução
de seus perenes enigmas.
Desde a época dos gregos clássicos, os
homens contemplam esse último sobrevivente das
sete maravilhas do mundo antigo e se colocam questões
que não conseguem responder. Como ela foi construída?
Se era uma sepultura, como em geral se supôs, por
que jamais foram encontraram símbolos ou objetos
da realeza - para não falar do corpo do faraó?
Se não era uma tumba, então para que foi
erguida? E de que modo foi construída? Como, dadas
as técnicas de construção da época,
explicar a extraordinária exatidão de sua
estrutura, seu alinhamento quase perfeito em relação
aos pontos cardeais, a elegante precisão de sua
alvenaria? Se o projeto da pirâmide incorpora avançados
conhecimentos matemáticos e astronômicos,
conforme muitos estudiosos acreditam, como foi que os
egípcios adquiriram tal sabedoria antes de outras
civilizações? Poderia o enigmático
edifício ser a chave para algum tipo de poder místico
desconhecido pela ciência moderna?
Não foram poucos os arqueólogos, astrônomos,
estudiosos da religião e diletantes que discutiram
tais questões ao longo dos séculos. Enquanto
os arqueólogos que estudam as pirâmides apenas
como artefatos históricos, os outros investigadores
podem, em geral, ser classificados em três linhas
de pensamento. A primeira, e mais comum, argumenta que
a pirâmide representa um sistema universal de medida,
que suas próprias dimensões expressam medidas
arquetípicas de extensão e até mesmo
de tempo. No século XIX, um grupo dissidente de
estudiosos deu origem à segunda escola, que privilegia
as extraordinárias propriedades da pirâmide
enquanto gigantesco relógio solar e observatório
astronômico. Os "arqueo-astrônomos"
defendem à concepção de que os construtores
das pirâmides possuíam conhecimentos de astronomia
e das dimensões da Terra muito superiores ao que
se possa imaginar.
Com a continuação do fascínio pelas
pirâmides, surgiu no século XX uma terceira
escola, muito mais especulativa, que se concentrou na
própria forma da pirâmide e em seus efeitos
físicos sobre seres vivos e objetos inanimados.
Esses pesquisadores afirmam que a forma de pirâmide
pode, de algum modo, ajudar no crescimento de plantas,
manter os alimentos frescos por mais tempo e até
mesmo reconstituir o fio de lâminas de barbear.
Outros tentaram explicar os conhecimentos matemáticos
supostamente inscritos na forma das pirâmides imaginando
que seus construtores tivessem vindo da desaparecida Atlântida,
ou té mesmo de outros planetas, ou de ambos. A
pirâmide mantém-se em obstinado silêncio.
A pirâmide de Quéops ergeu-se em sua enigmática
majestade no planalto rochoso de Gizé, 16 quilômetros
a oeste do Cairo. Através de acácias, eucaliptos
e tamarineiras que ornamentam o bulevar que dá
acesso ao planalto, ergeu-se no terreno plano e varrido
pelo vento à margem do deserto Líbio, de
modo abrupto e dramático, uma assombrosa montanha
de pedra cor-de-areia dominando os luxuriantes palmeirais
junto ao Nilo. Em épocas passadas, as caravanas
que vinham pelo deserto avistavam a pirâmide dias
antes de alcançarem-na, um minúsculo triângulo
no horizonte tornando-se cada vez maior em sua simétrica
perfeição. A pequena distância, sua
imponência é esmagadora. Os números
dão uma pálida idéia de sua imensidão
- a base ocupa uma área de 53 mil metros quadrados
e a estrutura é composta de cerca de 2,3 milhões
de blocos de calcário, cada um pesando 2,5 toneladas.
Com a pedra usada em sua construção seria
possível erguer um muro com blocos de 90 centímetros
cúbicos, suficiente para cobrir dois terços
da linha do Equador, totalizando 26 mil quilômetros.
A Grande Pirâmide e as duas outras existentes no
mesmo local - atribuídas aos sucessores imediatos
do faraó Quéops - foram erguidas durante
o período da história egípcia conhecido
como IV Dinastia, entre 2613 e 2494 a.C. Os egiptólogos
acreditam que Quéops (assim o chamavam os gregos;
seu nome egípcio era Khufu) mandou construir o
imenso edifício para que servisse de sepultura
e monumento a si mesmo. A camada externa era originalmente
composta de blocos de calcário polido, encaixados
uns nos outros com apurada precisão, mas esse invólucro
de pedra foi retirado no século XIV e usado na
construção do Cairo. Em algum momento na
história, a pedra original do topo, que acrescentava
9 metros à altura da pirâmide, também
foi removida.
Com base em seus conhecimentos acerca da religião
egípcia, os egiptólogos afirmam que a forma
da pirâmide estaria associada ao culto do sol. As
laterais inclinadas, dizem eles, assemelham-se à
difusão dos raios solares ao alcançarem
a Terra a partir de uma nuvem e, por isso, a pirâmide
representaria uma escada para o céu. Alguns estudiosos
do antigo Livro Egípcio dos Mortos, como o escritor
ocultista moderno Manly P. Hall. sustentam até
mesmo que a pirâmide proporciona mais do que uma
passagem simbólica para os domínios celestiais.
segundo Hall, o edifício era um templo secreto
onde os eleitos passavam por um ritual místico
que os tornava divinos. Os iniciados permaneciam durante
três dias e noites no interior da pirâmide
enquanto seus ka - almas ou essências - deixavam
os corpos e entravam nas "esferas espirituais do
espaço"; assim "alcançavam a verdadeira
imortalidade" e tornavam-se iguais aos deuses.
Em um plano mais terreno, restam muitas dúvidas
sobre o modo como, em uma época sem roldanas ou
mesmo rodas, foi construída a maciça pirâmide.
Os arqueólogos, contudo, propuseram uma explicação
geral: os construtores aplainaram de algum modo o local
e em seguida delimitaram os lados da pirâmide baseando-se
na observação das posições
das estrelas circumpolares. Nas pedreiras situadas a poucos
quilômetros, os pedreiros cortavam o calcário
com martelos de pedra e cinzéis de cobre. Grupos
de centenas de homens arrastavam os blocos até
o local da construção; o granito usado em
algumas partes internas foram trazidos de balsa, pelo
Nilo, de um lugar a 640 quilômetros. Para erguer
os blocos de várias toneladas pelas laterais da
pirâmide, os construtores podem ter usado uma rampa
de terra em espiral, embora alguns especialistas acreditem
que tenham usado alavancas para mover algum tipo de elevador.
Os blocos eram em seguida encaixados com precisão
milimétrica, demonstrando uma habilidade que impressiona
os engenheiros contemporâneos.
Muitos estudiosos duvidaram que uma estrutura tão
imponente quanto a Grande Pirâmide - um milagre
de engenharia, um prodígio de décadas de
trabalho estafante - tivesse sido construída para
abrigar uma única múmia de faraó.
Explicações alternativas foram propostas
desde antes da era cristã. O historiador romano
Júlio Honório afirmou que as pirâmides
serviam para armazenar cereais. (Outro escritor da Antigüidade
achava que eram vulcões extintos). Os árabes,
que dominaram o Egito durante séculos, pensavam
que fossem repositórios de conhecimentos antigos
construídas por reis que temiam uma catástrofe,
talvez o dilúvio; os contos populares da região
diziam que na Grande Pirâmide estavam gravados um
guia para as estrelas e uma profecia do futuro. A superstição
dava origem a lendas; segundo os árabes, fantasmas
assombravam os corredores e uma mulher nua com dentes
estragados seduzia os invasores levando-os à loucura.
O historiador grego Heródoto foi o primeiro a
registrar de modo sistemático informações
sobre a Grande Pirâmide. Heródoto visitou
Gizé no século V a.C., quando o monumento
já existia há 2 mil anos, e descreveu sua
construção com base nas conversas que manteve
com os egípcios. Impossibilitado de penetrar no
interior do edifício (a entrada estaca escondida),
aceitou a explicação de seus informantes
de que a pirâmide era uma sepultura construída
para o tirânico Khufu. A câmara mortuária
do rei, disseram eles ficava no subterrâneo.
De acordo com Heródoto, 100 mil homens trabalharam
na pirâmide, com novas turmas de operários
sendo convocada a cada três meses. Eles construíram
a estrada entre o rio e o planalto em dez anos; outros
vinte foram necessários para completar a pirâmide.
Os engenheiros ergueram, passo a passo, os gigantescos
blocos pelas laterais da estrutura utilizando "máquinas
feitas de curtas tábuas de madeira". Heródoto
não especificou o modo de funcionamento de tais
máquinas. Também disseram a ele que os blocos
de revestimento externo foram colocados do topo para a
base, após o término da estrutura interna.
As pedras, polidas e brilhantes, eram recobertas de inscrições
- perdidas quando os blocos foram removidos para o Cairo.
Heródoto interessou-se pela Grande Pirâmide
principalmente enquanto projeto de engenharia. Mas o estudioso
seguinte da pirâmide abordou o monumento de uma
perspectiva diferente e introduziu o que se tornaria um
tema constante: a busca dos conhecimentos matemáticos
à disposição dos antigos.
Um califa árabe do século IX, Abdullah
Al Mamun, jovem governante de espírito científico
com interesse pela astronomia, sonhava fazer um mapa do
mundo e outro das estrelas. A pirâmide atraiu sua
atenção quando ouviu dizer que as câmaras
secretas do monumento continham mapas e tabelas altamente
preciosos, compilados pelos construtores. Para os companheiros
do califa, talvez atraísse mais a notícia
de um grande tesouro escondido no interior da pirâmide.
Historiadores árabes posteriores registraram a
dramática história de como o califa e sua
equipe de arquitetos, construtores e pedreiros realizaram
sua exploração em 820 d.C. Incapazes de
encontrar a entrada do edifício, optaram por um
ataque direto, aquecendo com fogos o bloco de calcário
e em seguida encharcando-os com vinagre frio até
racharem. Após abrirem um túnel de 30 metros
na rocha, os exploradores por fim alcançaram um
estreito corredor de um metro de altura, que subia de
maneira íngreme. Na extremidade superior, encontraram
a entrada original da pirâmide, 15 metros acima
do nível do chão, bloqueada e escondida
por uma porta rotatória de pedra. Então,
os homens do califa desceram pela galeria original. Depois
de se arrastarem de cócoras por uma escuridão
de breu, encontraram apenas uma câmara vazia e inacabada.
Se havia algum texto secreto ou tesouro do faraó,
estavam em outra parte.
A excitação voltou, contudo, quando os
homens de Al Mamun desceram pelo corredor e descobriram
o que parecia ser uma outra galeria ascendente. Infelizmente,
a entrada estava completamente fechada por um enorme bloco
de granito, obviamente colocado ali de propósito.
O granito era um obstáculo intransponível
aos martelos e cinzéis, mas os obstinados árabes
descobriram que podiam escavar os blocos de calcário
em torno do granito. No entanto, assim que conseguiram
ultrapassá-lo, encontraram outro obstáculo
de granito e, depois, vários outros. Alguém
tomara muito cuidado para evitar que intrusos penetrassem
no interior da pirâmide.
Após penosamente abrirem caminho pelos blocos
de granito, alcançaram um corredor de teto baixo
que subia até cruzar uma galeria nivelada. Esta
levou-os a um aposento de teto inclinado, com 6 metros
de altura e 6 metros quadrados de área, que depois
seria conhecido como a Câmara da Rainha (por causa
do costume árabe de enterrar as mulheres em sepulturas
com tetos inclinados). Nenhuma rainha foi encontrada e
a câmara estava completamente vazia. Extenuados,
os árabes retornaram à galeria ascendente
e descobriram que ela abruptamente transformava-se em
um esplêndido corredor, cujas paredes de calcário
polido, com 8,5 metros de altura, receberam mais tarde
o merecido nome de Grande Galeria. Ainda subindo, a galeria
prolongava-se por mais 50 metros antes de desembocar em
uma antecâmara; depois dela estava o maior aposento
no interior da pirâmide, uma imponente sala com
cerca de 10 metros de comprimento, 5 de largura e quase
6 de altura - mais tarde batizada de Câmara do Rei.
Al Mamun e seus assistentes entraram animados no salão,
sem dúvida certos de encontrarem o prêmio
fabuloso pelo qual haviam trabalhado tão duro.
E ali, junto a uma parede de granito vermelho, eles o
viram - um grande sarcófago de pedra marrom, tão
grande que a câmara devia ter sido construída
em torno dele. Empunhando as tochas, correram para ver
o que havia no interior. Não encontraram nada.
O sarcófago estava vazio. Terrivelmente desapontados,
os árabes arrebentaram parte do assoalho e golpearam
as paredes, esperando encontrar algum indício do
tesouro. Al Mamun concluiu que o sarcófago sempre
estivera vazio, ou que saqueadores haviam pilhado a sala
muito tempo antes. Mas se intrusos estiveram antes na
câmara, uma questão simples permanecia sem
resposta: como conseguiram passar pelos blocos de granito
que deram tanto trabalho ao califa e seus homens?
Oito séculos se passaram antes do passo seguinte
na busca dos conhecimentos inscritos na pirâmide.
Durante esse período, a Europa saiu da Idade Média
e iniciou uma era de expansão e conquista do mundo.
Aventureiros, mercadores e estadistas estavam igualmente
limitados por sua ignorância da geografia mundial
e pela inexistência de um sistema único de
pesos e medidas. A fim de solucionar isso, os estudiosos
voltaram-se - como faziam com frequência - para
a Antigüidade, na esperança de encontrar alguma
unidade de medida esquecida, que se baseasse no conhecimento
preciso das dimensões da Terra.
Com esse objetivo, o matemático britânico
John Greaves visitou o Egito em 1638. O erudito de 36
anos passara a maior parte de sua vida em ambientes universitários,
primeiro em Oxford e, depois, como professor de geometria
no Gresham College, em Londres. Mas os livros, descobriria
Greaves, não substituíam a experiência.
Ele foi à Itália, onde mediu os monumentos
romanos a fim de descobrir o lendário pé
romano (uma fração de polegada menor que
o pé britânico, concluiu) e depois a Gizé.
Greaves acreditava, assim como o califa Al Mamun, que
os construtores da pirâmide haviam tido aceso a
conhecimentos geométricos que depois se perderam.
Na esperança de descobrir a unidade de medida empregada,
Greaves galgou o monte de entulho com 12 metros de altura
que se acumulara junto à base e, munido de seus
instrumentos, entrou na pirâmide pela abertura feita
por Al Mamun. A primeira coisa que encontrou foi uma nuvem
de morcegos, que dispersou disparando uma pistola. Em
seguida, arrastou-se ao lado dos blocos de granito como
os árabes haviam feito, mediu cuidadosamente a
Câmara do Rei e o sarcófago (1,97 metro,
o que indicou a Greaves que as dimensões humanas
não haviam se modificado) e observou maravilhado
a exatidão do trabalho de alvenaria.
Sua principal descoberta, todavia, foi um estreito poço
que mergulhava nas trevas a partir do assoalho da Grande
Galeria. Seria ele uma saída utilizada pelos construtores
após terem colocado no lugar os blocos de granito?
Uma passagem aberta por saqueadores? Greaves nunca descobriu;
os morcegos e as atmosfera insalubre forçaram-no
a desistir do reconhecimento do poço após
ter descido 18 metros. Encerrou seus estudos concluindo
que a pirâmide media 146 metros de altura e tinha
211 metros de lado, na base; esta última estimativa
revelou-se depois incorreta. Retornou à Inglaterra,
onde publicou um livreto eruditamente intitulado Pyramidographia.
O matemático não encontrara a unidade básica
de medida que procurava, mas seu livreto, com as medidas
e a descrição da pirâmide, chamou
a atenção de alguns dos maiores sábios
da época.
Por exemplo, William Harvey, o descobridor da circulação
do sangue, deduziu corretamente que Greaves deixara de
pesquisar um possível sistema de ventilação
no interior da pirâmide (descoberto por exploradores
posteriores); o fisco Sir Isaac Newton utilizou os números
apresentados por Greaves para deduzir medidas que chamou
de cúbitos sagrados e profanos. Newton tinha esperança
de que tais unidades básicas ajudassem-no a calcular
a circunferência da Terra, um valor numérico
fundamental para sua teoria de gravitação.
Infelizmente os números de Greaves não eram
preciosos o suficiente para tal finalidade e Newton precisou
aguardar alguns anos até que outros determinassem
o comprimento de um grau terrestre.
O assalto seguinte às pirâmides foi literalmente
um ataque militar. Em julho de 1978, as disciplinadas
tropas francesas sob o comando do general Napoleão
Bonaparte derrotaram soldados egípcios armados
de cimitarras na sanguinolenta batalha das Pirâmides.
E não demorou muito para que o jovem Bonaparte
lançasse um ataque contra os segredos da Grande
Pirâmide por meio dos cientistas franceses que acompanhavam
seu exército.
Os sábios ficaram intrigados por muitas das mesmas
questões sobre a pirâmide e seus construtores
que haviam fascinado John Greaves mais de um século
e meio antes. O estudante mais interessado nos segredos
da pirâmide era um jovem cientista chamado Edmé-François
Jomard, que vasculhara a escassa e pouco confiável
literatura sobre o assunto acumulada ao longo do século.
Do mesmo modo que Greaves, estava particularmente ansioso
para determinar a unidade de medida empregada pelos construtores
e descobrir se estava baseada nas dimensões da
Terra - como o era o sistema métrico então
recentemente adotado pelos revolucionários franceses.
(O metro foi então definido como 1/10.000.000 do
quadrante da circunferência terrestre, do Pólo
Norte ao Equador.)
Jomard e seus colegas logo desistiram da tentativa de
investigar o interior da pirâmide ao depararem com
enormes montes de guano depositado por morcegos. Os furiosos
animais, relatou um coronel francês, "arranhavam
com suas garras e sufocavam com o ácido fedor de
seus corpos". Impossibilitados de seguir adiante,
os sábios concentraram-se na parte externa da pirâmide.
Auxiliados por uma turma de 150 operários turcos,
removeram toneladas de areia e entulho das extremidades
noroeste e nordeste; com isso, descobriram duas depressões
retangulares no leito rochoso, onde se apoiavam os alicerces
originais, removidos séculos antes. Esta descoberta
proporcionou-lhes dois bons pontos de referência
para a medição da base da pirâmide,
embora tal tarefa ainda fosse dificultada pela acumulação
de entulho ao longo do lado norte. Jomard mediu primeiro
um dos lados da base: 230,9 metros. Em seguida, escalou
penosamente a pirâmide até chegar ao que
restara do topo, uma plataforma de 13 metros quadrados,
de onde tentou, em vão, lançar uma pedra
além do perímetro da base. Ao descer, mediu
a altura de cada degrau. Altura total: 146,6 metros. Com
estes números, Jomard calculou o ângulo de
inclinação da pirâmide - 51º
19 - e seu apótema, ou seja, a linha que
une o ápice ao ponto mediano de cada um dos lados
da base, cujo valor era 184,7 metros.
O jovem cientista sabia que autores antigos haviam atribuído
ao apótema o valor de um estádio. Também
sabia que o comprimento de um estádio - uma unidade
de medida fundamental na Antigüidade - estava supostamente
associado à circunferência da Terra. O valor
que obtivera para o apótema, portanto, era um número
de grande importância. A seguir, Jomard voltou sua
atenção para o cúbito, outra antiga
medida de comprimento. Segundo Heródoto, um estádio
equivalia a 400 cúbitos; assim, o francês
dividiu o valor do apótema por 400, obtendo como
medida do cúbito 0,4618 metro. Outros autores gregos
haviam afirmado que a base da Grande Pirâmide media
500 cúbitos de lado. Quando Jomard multiplicou
0,4618 por 500 obteve o resultado de 230,9 metros, exatamente
o valor que encontrara ao medir o lado da base. O significado
disto era claro para Jomard: os egípcios possuíam
avançados conhecimentos de geometria. Conhecendo
as dimensões da Terra, deduziram suas unidades
de medida a partir da circunferência terrestre e
registraram tais conhecimentos na Grande Pirâmide.
A prova estava nas pedras.
Infelizmente para Jomard, medições feitas
com instrumentos pouco precisos em meio aos bancos de
areia móveis do deserto podiam ser bastante inexatas.
A tarefa de medir a pirâmide era complicada devido
aos deslocamentos de areia causados pelos ventos e ao
entulho que se acumulava em enormes montes ao redor do
monumento. Era preciso um grande trabalho de escavação
apenas para aproximar-se da base. Não surpreendeu,
portanto, que os colegas de Jomard, ao refazerem as medições
da base e da altura, chegassem a resultados ligeiramente
diferentes. Além disso, concluíram, nenhuma
evidência do cúbito de Jomard podia ser encontrada
em outras antigas construções egípcias.
No final, os sábios franceses recusaram-se a abandonar
a idéia de que haviam sido os gregos, e não
os egípcios, os fundadores da ciência da
geometria. Quando retornaram à França e
publicaram um minucioso relatório de 24 volumes
sobre suas descobertas (inclusive a Pedra de Rosetta,
chave que permitiu decifrar os hieróglifos egípcios),
as concepções obstinadamente defendidas
por Jomard não tiveram repercussão.
A expedição francesa e os relatos sobre
ela divulgados na Europa provocaram uma explosão
de interesse pela civilização egípcia.
Os europeus do século XIX ficaram apaixonados pelo
Egito: os museus disputavam múmias, estátuas
e obeliscos; os artistas pintavam pirâmides em paisagens
bucólicas; os criadores dos estilos Império
e Regência lançavam mão de temas egípcios;
e os aristocratas mandavam entalhar esfinges e crocodilos
em seus móveis. Ao morrer, o nobre escocês
Alexander, décimo duque de Hamilton, foi ele próprio
mumificado.
O tema das pirâmides difundiu-se exatamente na
época em que a sociedade européia, especialmente
a sociedade vitoriana inglesa, entrava em um período
agitado e a ciência moderna parecia ameaçar
as crenças religiosas tradicionais. Em reação
a isso, alguns eruditos religiosos utilizaram as misteriosas
construções egípcias como prova da
presença da mão divina no mundo. O primeiro
grande defensor dessa teoria foi um editor e crítico
londrino chamado John Taylor. Taylor era um homem erudito
profundamente religioso, um grande conhecedor das Escrituras,
da matemática, da astronomia e da literatura. Após
começar a vida como aprendiz de livreiro, Taylor
chegara na década de 1820, a editor da London Magazine;
seu círculo de conhecidos incluía os poetas
John Clare e John Keats. Porém, ele acabou "espantando
a metade de seus amigos", segundo um deles, por causa
de sua obsessão, que se prolongaria por trinta
anos, pelo mistério da Grande Pirâmide.
Taylor nunca visitou o Egito; em vez disso, construiu
um modelo da pirâmide em escala a fim de realizar
seus estudos. Descartando a hipótese de a pirâmide
ser apenas uma sepultura, Taylor debruçou-se sobre
os números obtidos por Jomard e outros em busca
de um princípio unificador. Para sua surpresa,
descobriu que, ao dividir o perímetro da pirâmide
pelo dobro de sua altura, o resultado era um número
quase idêntico ao valor de pi (3,14159...), a constante
pela qual se multiplica o diâmetro de um círculo
para obter sua circunferência. Para Taylor, esta
era uma descoberta promissora: se os construtores da pirâmide
tinham conhecimento do pi, que havia sido calculado corretamente
até a quarta casa decimal apenas no século
VI de nossa era, o que mais eles sabiam? No mínimo,
concluiu, sabiam o valor da circunferência do globo
e, também, a distância de centro da Terra
aos pólos. Usando o pi como elo de ligação,
Taylor calculou que a relação entre a altura
da pirâmide e seu perímetro era igual à
existente entre o raio polar da Terra e sua circunferência,
ou seja, dois pi. Longe de ser uma simples câmara
mortuária, concluiu Taylor, a pirâmide trazia
inscrita em sua estrutura a sabedoria dos antigos egípcios.
"Ela foi construída para ser um registro das
medidas da Terra", afirmou.
No entanto, Taylor não acreditava que os sábios
egípcios da IV Dinastia estivessem de posse dos
conhecimentos gravados na pirâmide. Esses conhecimentos
deviam ter vindo de Deus. "É provável",
escreveu ele, "que, nas épocas iniciais da
sociedade, o Criador tenha proporcionado a alguns indivíduos
certo grau e poder intelectual, que os levou muito acima
do nível dos posteriores habitantes da Terra. "Deus
instruíra os construtores de pirâmides do
mesmo modo que orientara Noé para a construção
da Arca, escreveu Taylor, segundo o qual a humanidade
havia degenerado intelectualmente desde então.
Taylor estava com 78 anos quando seu livro A Grande Pirâmide:
Por Que foi Construída? Quem a Construiu? foi publicado
em 1859. Embora suas teorias fossem bem recebidas em alguns
círculos, a Sociedade Real recusou-se polidamente
a ouvir uma palestra que ele preparara sobre o assunto.
Contudo, antes de morrer, poucos anos mais tarde, Taylor
conquistaria pelo menos um adepto influente - o astrônomo-real
da Escócia, Charles Piazzi Smyth.
Intelectual e socialmente, Smyth superava Taylor: era
filho de um almirante e afilhado do renomado astrônomo
italiano Giuseppe Piazzi, o primeiro a descobrir um asteróide.
Chegara ao posto de astrônomo-real da Escócia
com apenas 26 anos; doze anos depois, um importante ensaio
sobre óptica levou-o a ser eleito membro importante
da Sociedade Real de Edimburgo, uma honraria cobiçada
por todos os cientistas. No entanto, a piramidologia,
dificilmente o assunto popular na Sociedade Real da época,
acabou dominando sua carreira profissional. Fascinado
por Taylor, Smyth abraçou a causa do editor moribundo
com um ardor que, como no caso de Taylor, era científico
e religioso, além de conter uma parcela de patriotismo.
Convencido de que a unidade básica de medida era
a por ele denominada polegada piramidal, identificou essa
distância como sendo 1/25 de um cúbito, praticamente
o mesmo valor de uma polegada britânica. Esta foi
uma contribuição oportuna à campanha
empreendida pelos cientistas britânicos contra a
adoção do sistema métrico decimal
elaborado pelos franceses, uma proposta vista por Smyth
com sobressaltos nacionalistas.
No final de 1864, o astrônomo - que estava com
45 anos - foi ao Egito, acompanhado de sua mulher, para
fazer o que Taylor não havia feito: realizar suas
próprias medições e levantamentos.
Equipado com os instrumentos mais modernos, inclusive
uma câmara, o casal montou seu acampamento em uma
tumba abandonada na parede de um rochedo, de onde viam
nuvens de morcegos saindo da pirâmide ao anoitecer.
Smyth passou várias noites no topo do monumento,
fazendo observações astronômicas que
mostraram estar a pirâmide situada a minutos dos
30º de latitude norte. Também observou que
a sombra desaparecia completamente no equinócio
da primavera e concluiu que isto indicava um avançado
conhecimento de astronomia. Suas medições
do exterior da pirâmide resultaram em números
próximos ainda mais de pi do que os números
de Taylor, chegando à quinta casa decimal.
Smyth concordava com Taylor quanto a idéia de
que a Grande Pirâmide preservara antigos conhecimentos
científicos. As medidas incorporadas em sua estrutura
eram "comensuráveis à Terra de maneira
mais sábia e admirável", escreveu ele,
"que qualquer outra coisa jamais concebida pelo espírito
do homem". Smyth foi ainda mais longe do que Taylor,
afirmando que também medidas de tempo estavam incorporadas
na construção da pirâmide. Segundo
o astrônomo, o perímetro da estrutura, em
polegadas piramidais, era equivalente a mil vezes 365,2
- o número de dias em um ano solar. Com assombrosos
conhecimentos físicos, os construtores das pirâmides
haviam calculado tudo isso, escreveu Smyth, 1.500 anos
antes "do infantil início de tais coisas entre
os antigos gregos".
Em seu livro Nossa Herança na Grande Pirâmide,
Smyth concluiu, assim como Taylor fizera antes dele, que
apenas Deus poderia ter projetado a Grande Pirâmide.
A Bíblia, disse ele, afirma que em épocas
passadas Deus conferiu "sabedoria e instruções
métricas para construções" a
alguns poucos escolhidos "por algum motivo especial
e desconhecido".
Anos mais tarde Smyth afirmaria que a pirâmide
também revelava a distância da Terra ao sol
quando sua altura em polegadas era multiplicada por dez
à nona potência; e dez para nove era a proporção
entre a altura e a largura da pirâmide. Além
do mais, a pirâmide provava a existência de
Deus, e também previa a data da segunda vinda de
Cristo.
Embora o pitoresco estilo literário de Smyth tenha
ajudado a vender seus livros, ele não convenceu
muitos cientistas. Um companheiro da Sociedade Real de
Edimburgo classificou suas idéias de "estranhas
alucinações nas quais apenas mulheres débeis
acreditam". Um crítico dos Estados Unidos
expressou, de modo brincalhão, a visão cética
de que os números podiam ser manipulados de modo
a provar quase tudo: "Se uma unidade adequada de
medida for encontrada", comentou ele, "um equivalente
exato da distância até Timbuctu será
encontrado (...) no número de postes da Bond Street,
ou na gravidade específica da lama, ou ainda no
peso médio do peixe dourado adulto."
Mesmo assim, a obra de Taylor e Smyth encontrou adeptos,
que quanto mais investigavam a Grande Pirâmide,
mais descobriam mensagens ocultas de cunho espiritual,
científico e histórico. O clérigo
norte-americano Joseph Seiss escreveu em 1877 que as pedras
da pirâmide continham "um grande sistema de
números, medidas, pesos, ângulos, temperaturas,
graus, problemas geométricos e referências
cósmicas inter-relacionados". Seiss ficou
especialmente impressionado pela inexorável repetição
do número cinco: a pirâmide tinha cinco pontas
e cinco lados (incluindo a base), e uma polegada piramidal
era um quinto de um quinto de um cúbito. Seria
apenas coincidência, indagou ele, que tivéssemos
cinco sentidos, cinco dedos em cada membro e que fossem
cinco os livros de Moisés?
Os piramidólogos também chamaram a atenção
para um fato extraordinário: a latitude e a longitude
que se cruzam na pirâmide - 30º N e 31º
L - passam por mais terras firmes do que quaisquer outras.
Seria possível que os antigos egípcios soubessem
isso e tivessem construído de propósito
a imensa estrutura exatamente no centro do mundo habitável?
Em escala menor, um quadrante estendendo-se em linhas
retas a nordeste e noroeste a partir da pirâmide
abarcava todo o delta do rio Nilo. Os agrimensores da
Antigüidade certamente teriam considerado isso de
grande utilidade, considerando que viviam em um território
regularmente sujeito a inundações periódicas.
O suposto significado religioso, no entanto, foi o que
desencadeou os debates mais acalorados na Inglaterra vitoriana.
A teoria de muitos piramidólogos, segundo a qual
a estrutura da pirâmide teria sido inspirada por
Deus, intensificou o choque entre os evolucionistas, recém-armados
com as idéias de Charles Darwin sobre as origens
da vida, e os cristãos fundamentalistas, que acreditavam
na verdade literal da Bíblia.
Smyth e seus seguidores, somando polegadas piramidais,
consideravam a pirâmide uma prova irrefutável
da existência de uma divindade que criara o mundo
em 4004 a.C. - data calculada por um clérigo irlandês
do século XVIII, James Usher, e amplamente aceita
pelos ortodoxos. Os ancestrais mais remotos do homem,
portanto, não teriam sido primatas que viviam em
florestas, mas mestres-construtores que seguiam os desígnios
de Deus. Nos Estados Unidos, um grupo se formou para defender
a adoção de um sistema de medidas baseado
nos cúbitos piramidais sagrados, em oposição
ao sistema decimal ateu. Um dos membros dessa organização
era o próprio presidente da República, James
Garfield.
Tal controvérsia em torno das pirâmides
exigia, sem dúvida, a contribuição
da ciência pura, desvinculada de preconceito e ilusões.
Assim, em 1880, um inglês de 26 anos com o altissonante
nome de William Matthew Flinders Petrie zarpou para o
Egito, carregado de sofisticados instrumentos, com a ambição
de dar fim a todas as especulações sobre
as dimensões e o alinhamento da misteriosa construção.
Flinders Petrie, como era conhecido, tinha excelentes
qualificações, tanto por sua linhagem quanto
por sua educação, para essa tarefa. Seu
avô materno, o capitão Mattew Flinders, tornara-se
famoso por suas expedições na Austrália.
Seu pai, William Petrie, era um engenheiro que ficara
muito impressionado com as idéias de Taylor e se
tornara ele próprio um estudioso de pirâmides,
dedicando vinte anos de sua vida ao projeto e fabricação
de equipamentos especiais capazes de medir a Grande Pirâmide
com uma exatidão sem precedentes. Seguindo o exemplo
do pai, o jovem Flinders Petrie lera o livro de Smyth
com apenas 13 anos. Fascinado pela noção
de diversos padrões de medida, Petrie tornou-se
topógrafo e passou a viajar pela Inglaterra, registrando
meticulosamente as dimensões de várias construções
e antigos sítios megalíticos, como os grandes
círculos de pedra de Stonehenge.
Quando chegou ao planalto de Gizé, com abundantes
provisões e inúmeras caixas contendo os
instrumentos construídos pelo pai, Petrie agiu
como muitos outros antes dele e montou seu acampamento
em uma tumba vazia no paredão rochoso. em seguida,
pôs-se a trabalhar, medindo repetidamente todas
as partes da Grande Pirâmide e de suas duas vizinhas
menores. Para afastar os aborrecidos e curiosos turistas
britânicos, ele às vezes se vestia com uma
calça e uma camiseta de cor rosa berrante. No interior
quente e poeirento da pirâmide, com frequência
trabalhava nu até altas horas da noite, evitando
assim encontrar-se com os turistas.
O trabalho não era isento de riscos, como constatou
seu amigo, dr. Grant, que certa noite acompanhou o topógrafo
em sua expedição. "Passei por momentos
terríveis quando ele desmaiou no poço",
escreveu Petrie. "Carregar um homem muito pesado,
quase inconsciente, para fora de um poço de 20
metros, com pouco apoio para os pés, e sabendo
que a qualquer momento ele poderia nos fazer cair até
o fundo, é uma situação de perigo
que nunca se esquece."
Petrie ficou assombrado com a perfeição
do trabalho realizado pelos antigos construtores. Utilizando
instrumento cuja precisão chegava a 2,4 milímetros,
ele descobriu que os erros tanto nos comprimentos quanto
nos ângulos da pirâmide eram mínimos.
As paredes da galeria descendente eram perfeitamente retas,
com variações da ordem de 6 milímetros,
ao longo de 106 metros. Ele comparou a colocação
das pedras do revestimento externo "ao mais delicado
trabalho de um óptico, mas em uma escala de acres".
A qualidade do trabalho, contudo, começava a piorar
na ante-sala da Câmara do Rei, levando o jovem topógrafo
a levantar a hipótese de que o arquiteto original
não terminara o trabalho. O resultado dos esforços
de Petrie, apresentado em um livro de 1883 intitulado
As Pirâmides e Templos de Gizé, foi ao mesmo
tempo favorável e desfavorável a Smyth e
aos piramidólogos. Petrie confirmou a relação
equivalente a pi entre a altura e o perímetro da
pirâmide. Descobriu também que o pi estava
presente na relação entre o perímetro
e o comprimento da Câmara do Rei. Mas o valor que
obteve para a base da pirâmide era menor que o de
Smyth, refutando assim a teoria do escocês de que
o comprimento da base equivalia ao número de dias
em um ano. Petrie também chegou a uma medida de
cúbito diferente, e não encontrou qualquer
indício favorável à querida polegada
piramidal de Smyth.
Após constatar o que chamou de "pequena e
feia ocorrência que destruiu a bela teoria",
Petrie embarcou em uma ilustre carreira como egiptólogo,
que acabou rendendo-lhe um título de nobreza. E
os números que encontrou para as dimensões
da pirâmide permaneceram os mais confiáveis
até 1925, quando um levantamento feito pelo governo
egípcio acabou com todas as discussões numéricas.
Revelou-se então que os quatro lados apresentavam
uma variação de comprimento que não
ultrapassava 20 centímetros: o lado sul tinha 230,45
metros de comprimento; o leste 230,39; o oeste 230,36;
e o norte 230,24 metros. Mais impressionante do que isso
era o fato de os lados estarem perfeitamente alinhados
com os quatros pontos cardeais. O cientista francês
Jomard estimara a altura corretamente em 146 metros, mas
errara no cálculo do ângulo dos lados, que
é 51º 52.
Mesmo tendo Petrie arrasado definitivamente a teoria
dos piramidólogos, esta continuou atraindo adeptos,
os quais não cessaram de fazer novas descobertas
durante o século XX. O engenheiro britânico
David Davidson, que começou suas investigações
como agnóstico desdenhoso e em 25 anos tornou-se
um verdadeiro crente, conseguiu reconciliar as descobertas
de Petrie com as idéias de Smyth por meio de um
complexo conjunto de cálculos que levava em conta
a concavidade praticamente invisível das paredes
da pirâmide (que não são na verdade
completamente planas). Petrie não deixara de levar
isso em conta, afirmou Davidson, mas ele não havia
estendido essa projeção ao revestimento
externo original. Ao fazer isso, segundo Davidson, via-se
que a afirmação de Smyth, de que o perímetro
representava o ano solar, estava correta. Em 1924, Davidson,
o antigo cético, publicou um livro de 568 páginas
no qual, após cerrada argumentação,
concluía que a pirâmide era "a verdade
em forma estrutural".
Os adeptos das comparações numéricas
continuariam a ser alvo de acusações de
manipulação por parte da comunidade científica.
Martin Gardner, um escritor moderno que pertence sem dúvida
ao grupo dos céticos, ridicularizou a obsessão
pelo número cinco de Joseph Seiss, aplicando o
mesmo critério ao monumento a Washington, nos Estados
Unidos. Segundo Gardner, além de o monumento ter
uma altura de 555 pés e 5 polegadas, sua base tem
55 pés quadrados e suas janelas estão a
500 pés da base. O assim chamado, por Gardner,
pé monumental, resulta em uma base de 56,5 pés,
os quais, multiplicados pelo peso da pedra que fica no
topo do monumento, resultam em um número muito
próximo ao da velocidade da luz. Haveria aí
alguma coincidência?, indaga Gardner.
As dimensões da pirâmide não foi
o único aspecto investigado. Na mesma época
em que Petrie e Davidson contavam cúbitos, outros
estudiosos britânicos voltavam sua atenção
para o céu. No final do século XIX, o astrônomo
britânico Richard Proctor inaugurou os estudos sobre
as pirâmides que receberiam o nome de arqueoastronomia.
A pesquisa de Proctor revelou que, antes de ficar pronta,
a Grande Pirâmide pode ter sido usada como observatório
astronômico, conforme haviam dito os historiadores
árabes e também o autor romano Proclo. O
astrônomo britânico afirmou que o perfeito
alinhamento das galerias internas em relação
ao eixo norte-sul, e também ao fato de apresentarem
uma inclinação de 26º, permitiam que
os egípcios as utilizassem como se fossem um telescópio.
Ao observarem os fenômenos celestes através
da abertura no início da galeria, os antigos astrônomos
teriam condições de mapear o céu
setentrional. Aqueles que se colocassem na Grande Galeria
da pirâmide - Proctor chamou-os de "guardiães
da noite" - poderiam ter registrado o trânsito
das principais estrelas através de um arco de aproximadamente
80º. Quando, terminada a construção,
as galerias foram fechadas, esses antigos astrônomos
teriam perdido seus postos de observação.
Os egiptólogos replicaram que a ciência
egípcia não era assim tão avançada,
mas a tese de Proctor recebeu significativo apoio quando
o eminente astrônomo britânico Sir J. Norman
Lockyer publicou, em 1894, um livro sobre as pirâmides
e as estrelas intitulado A Aurora da Astronomia. Lockyer
não era alguém que se pudesse ignorar. Descobridor
do hélio, membro da Sociedade Real e erudito enobrecido
pela rainha Vitória por suas realizações
científicas, Lockyer visitou as antigas construções
egípcias e observou que estavam orientadas na direção
em que nascem e se põem o sol e certas estrelas
importantes, em determinada épocas do ano.
Mais tarde, chegou a conclusões semelhantes em
relação aos megálitos britânicos
de Stonehenge. Lívio Stecchini, professor norte-americano
de história da ciência e especialista nos
sistemas de medidas da Antigüidade, afirmaria mais
tarde que as meticulosas observações astronômicas
dos egípcios possibilitavam o cálculo de
um grau de longitude e latitude com precisão de
poucas centenas de metros, um feito que seria repetido
somente 4 mil anos depois, no século XVIII.
O esforço de decodificação da pirâmide
avançaria pelo século XX, contribuindo para
o aumento do número de teorias, especulações
e lendas. A idéia mais intrigante - e, com frequência,
a mais ridicularizada - a surgir nas últimas décadas
não se refere propriamente à Grande Pirâmide,
mas à forma piramidal. De acordo com alguns teóricos,
há nessa forma um fator inexplicado, do qual emana
uma força capaz de atuar sobre objetos, plantas
e até mesmo pessoas.
Essa idéia, que veio a ser conhecida como o poder
das pirâmides, originou-se de uma série de
observações e experimentos realizados a
partir da década de 20. Contudo, seu primeiro indício
foi constatado em 1859, no próprio centro do grande
enigma, a misteriosa montanha de pedra em Gizé.
Werner Von Siemens, o fundador do gigantesco conglomerado
alemão de indústrias, visitou Gizé
naquele ano ao conduzir um grupo de engenheiros até
o mar Vermelho, onde sua companhia instalava um cabo telegráfico.
Sempre curioso e empreendedor, Siemens decidiu escalar
a pirâmide e, enquanto o fazia, o vento do deserto
levantava uma pálida névoa de areia ao seu
redor. Ao chegar no topo, Siemens fez uma pose de vitória,
apontando um dedo para o ar. Nesse momento, sentiu uma
ferroada no dedo e ouviu um ruído agudo. O efeito
foi semelhante a um leve choque elétrico. Siemens,
que estava a par dos avanços da nascente ciência
da eletricidade, resolveu fazer uma experiência.
Colocando papel molhado em volta de uma garrafa de vinho
com gargalo de metal, Siemens improvisou uma garrafa de
Leyden, um dispositivo simples que armazena eletricidade
estática. Retornando ao topo da pirâmide,
segurou a garrafa acima da cabeça e verificou satisfeito
que a garrafa se tornara eletricamente carregada, produzindo
fagulhas quando tocada.
A experiência elétrica de Siemens não
foi, em si mesma, especialmente importante. sob certas
condições atmosféricas, outros já
haviam notado efeitos similares no topo de edifícios
altos e pontiagudos. Difícil, contudo, é
explicar o fenômeno ainda mais estranho relatado,
no início da década de 30, pelo comerciante
francês Antoine Bovis. Segundo Bovis, ao visitar
a Câmara do Rei por volta de 1920, ele encontrou
restos mortais de vários gatos e outros animais
pequenos que aparentemente haviam morrido na pirâmide.
Curiosamente, os corpos não exalavam odor. Ao examiná-los,
Bovis descobriu que os animais haviam sofrido um processo
natural de desidratação e mumificação,
a despeito da umidade na Câmara. De volta a Nice,
o francês resolveu pesquisar o que ocorrera. Após
construir um modelo da pirâmide em madeira, orientou-o
para o norte e colocou no interior um gato recentemente
morto. O corpo ficou mumificado em questão de dias.
Bovis repetiu a experiência com outros animais mortos,
com carne e com ovos; em todos os casos, afirmou ele,
a matéria orgânica secava e ficava mumificada
ao invés de apodrecer.
Ainda mais impressionante foi a revelação
seguinte. O engenheiro tcheco Karl Drbal, após
ouvir falar da experiência de Bovis, resolveu reproduzi-la
empregando uma pirâmide de papelão para mumificar
pedaços de carne e flores. Colocou uma lâmina
de barbear dentro de seu modelo de cerca de 15 centímetros,
em uma posição correspondente ao local da
Câmara do Rei. Drbal esperava que a lâmina
perdesse o fio. Para sua surpresa, contudo, ela ficou
mais afiada do que antes. E ele afirmou que, em experiências
subsequentes, recuperou o fio de lâminas de modo
a poder utilizá-las até duzentas vezes.
Drbal sugeriu que uma energia desconhecida afetava a
estrutura das lâminas. Após uma espera de
dez anos, o departamento de patentes tcheco acabou vencendo
o ceticismo e em 1959 expediu uma patente para Drbal pelas
pirâmides de papelão (mais tarde de plástico)
que ele chamou de Afiadores de Lâminas de Barbear
Pirâmide Quéops.
As forças atribuídas às formas piramidais
continuaram a se multiplicar. Segundo alguns, as pessoas
podem aproveitar as influências benignas da energia
das pirâmides entrando em uma pequena pirâmide
de plástico. Os efeitos terapêuticos incluem
a diminuição de cólicas menstruais,
o aguçamento da acuidade mental, a tranquilização
de crianças, a melhora do sono e o aumento da potência
sexual. Um dentista da Califórnia pendurou 72 pequena
pirâmides de metal sobre o local onde trata seus
pacientes e afirmou que ele passaram a sentir menos dor
e a recuperar-se mais rápido.
G. Patrick Flanagan, de Glendale na Califórnia,
um dos principais promotores do poder das pirâmides,
alega que uma forma de energia chamada biocósmica
está presente nos objetos piramidais. Descreveu-a
pomposamente como "a essência da própria
força vital". Como objetos de pesquisa, Flanagan
usou desde brotos de alfafa até seu poodle de estimação:
os brotos cresceram mais rápidos e o cão,
depois de dormir por várias semanas no interior
de uma delas, tronou-se vegetariano. Do mesmo modo que
Drbal, Flanagan comercializou seu achado, vendendo barracas
piramidais e placas energizadoras feitas de inúmeras
pirâmides minúsculas.
Essas teorias, contudo, não foram bem recebidas
pela maioria dos cientistas. Experiências realizadas
pelo Instituto de Pesquisas de Stanford na Grande Pirâmide
mostraram que os alimentos armazenados em seu interior
deterioravam normalmente. O geólogo Charles Cazeau
e o antropólogo Stuart Scott, conduzindo uma pesquisa
independente, relataram por sua vez que "os ovos
(...) retirados de nossa pirâmide após 43
dias, estavam malcheirosos, de um amarelo grudento e cheios
de sedimentos (...) os tomates nas pirâmides não
se saem melhor do que aqueles em sacos de papelão.
Não conseguimos afiar lâminas de barbear".
Os pesquisadores continuam a buscar respostas para os
enigmas da Grande Pirâmide. Perguntas do tipo quem,
como e por quê vêm intrigando todos os que
visitam Gizé, há mais de dois milênios.
Em meados da década de 80, os egiptólogos
levantaram o primeiro mapa detalhado do planalto de Gizé,
para analisar a construção da pirâmide.
Utilizando sofisticados teodolitos e fotografias aéreas,
o arqueólogo Mark Lehner e sua equipe detectaram
pedreiras nas proximidades e deduziram um método
pelo qual os antigos egípcios poderiam ter construído
a base assombrosamente plana da pirâmide. Segundo
esses pesquisadores, após abrir trincheiras na
rocha e inundá-la, os antigos egípcios poderiam
ter feito as marcações topográficas
para a base em estacas de madeira mergulhadas na água.
O químico francês Joseph Davidovits foi
ainda mais longe: em 1974, chegou à conclusão
que os egípcios teriam sido mais químicos
do que os pedreiros. Após analisar amostras de
rochas da pirâmide, Davidovits argumentou que os
enormes blocos foram fundidos e não cortados. Segundo
ele, uma substância semelhante a uma massa de vidraceiro
era preparada no local a partir de líquidos e minerais
disponíveis. Essa mistura era derramada em um molde
e aquecida lentamente, até assemelhar-se ao granito.
Embora tenha produzido tais pedras em seu laboratório,
Davidovits não convenceu os arqueólogos
de que os egípcios haviam feito o mesmo nas areias
de Gizé.
Os piramidólogos ainda não abandonaram
os temas familiares da profecias e revelações.
O escritor Max Toth anunciou que apenas a descoberta de
um aposento secreto impede o encontro do homem do século
XX com os "Mestres dos Mistérios", que
aguardam silenciosamente o momento de "recobri-lo
com as vestimentas da verdade".
Outros visionários consideravam a pirâmide
o elo perdido entre a história registrada e a Atlântida.
Manly P. Hall, estudioso de antigas religiões,
sugeriu que os cientistas mais talentosos da civilização
altamente desenvolvida na Atlântida, conscientes
de que o desastre era iminente, fugiram para o Egito e
construíram a pirâmide, como um repositório
de seus conhecimentos e de seus tesouros. Ao ocultarem
sua sabedoria na pirâmide, os avançados atlantes
teriam assegurado que apenas aqueles que a merecessem
seriam capazes de descobri-la e compreendê-la.
Por mais fantasiosa que seja a tese de Hall, os segredos
da pirâmide continuam sem solução,
a despeito dos esforços dos cientistas tradicionais
e de piramidólogos pouquíssimo tradicionais.
Mas, qualquer que seja nossa posição, não
podemos ignorar a existência da Grande Pirâmide;
ela nos assombra e nos frustra. William Fix, o autor de
Odisséia da Pirâmide, coloca: "Ela é
enorme; ela é antiga; ela é lendária;
ela é sofisticada; ela é o resultado de
um grande empreendimento; ela está aqui à
vista de todos na encruzilhada da Terra - e ela não
parece pertencer a nosso mundo."
(Texto traduzido por Luiz Alberto Moura Araujo da Obra
Todo Egito de Abbas Chalaby e transcrito da Obra Mistérios
do Desconhecido / tradução de Cláudio
Marcondes e Heloísa Jahn)