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Remédio
é veneno
Fernando Travi
A humanidade vem sendo enganada há milhares de anos por feiticeiros,
curandeiros e charlatães com suas poções, extratos,
pílulas e outros métodos de "cura". A idéia
de que algo exterior ao organismo pode curar uma "doença"
revela todo o desconhecimento sobre a natureza da saúde. Os remédios
usados por curandeiros e pela medicina tradicional não passam
de ilusões. A razão é simples: o princípio
de que os remédios "curam" é falso. Remédios
não curam ninguém, só adoecem. E as doenças
não deveriam ser curadas porque são a própria cura
- já que a recuperação da saúde é
um processo fisiológico natural que não pode ser substituído
por qualquer meio externo.
Curar-se é tão natural quanto a reprodução,
a digestão e o crescimento. O que se convencionou chamar de "doenças",
tal como a febre, a dor, a inflamação e a infecção,
é, na maioria das vezes, um processo de eliminação
de toxinas e de reparação, realizado pelo organismo, para
recuperar a saúde. O processo de cura é sempre desagradável.
E isso é perfeito e natural. Não podemos ser recompensados
pelos nossos erros.
Quando alguém respira ar poluído, come alimento impróprio,
ingere álcool, remédios, fica irritado, preocupado, ou
seja, ataca sua saúde, certamente adoecerá. Após
semanas, meses ou anos, os resultados serão reumatismos, infecções,
câncer, etc. Ninguém adoece sem motivo. Se há um
efeito, há uma causa. E a causa é sempre um ambiente inadequado
à vida e maus hábitos.
Ora, quando se procura curar por meio de um remédio, se está
tentando eliminar o sintoma sem eliminar a causa. É uma tentativa
charlatanesca de anular a "lei da causa e efeito". Se alguém
ingeriu álcool e está bêbado, somente parando de
ingerir álcool poderá curar-se. Os remédios apenas
suprimem o sintoma, a reação orgânica benéfica
de auto-cura. Os remédios contém princípios ativos
que, na verdade, são venenos ativos: provocam efeitos de envenenamento.
Tudo o que não é alimento é veneno. Se quisermos
sobreviver e ter saúde, devemos somente ingerir alimentos, e
não remédios. O que o organismo não puder digerir
e assimilar precisa ser eliminado. Quando algumas dessa substâncias
se combinam quimicamente com as células, essas terminam morrendo.
Todos os remédios, sem exceção, são venenos.
A grande maioria das doenças modernas são doenças
iatrogênicas, isto é, frutos da ingestão de remédios,
que aparecem anos após o "tratamento" com essas substâncias.
Os remédios fazem tão mal às pessoas saudáveis
quanto fazem aos doentes. Eles não deixam de ser venenos simplesmente
porque foram receitados, e sempre fazem mal, não importa a quantidade.
Quando alguém diz que o remédio atua sobre o organismo
não entende que, na verdade, ele não está curando
ninguém. Esses efeitos são decorrentes da reação
do corpo a essas substâncias. Não é o remédio
que é anti-inflamatório ou anti-cancerígeno. Quem
inflama ou desinflama, quem produz um tumor e reabsorve esse tumor é
o organismo. O corpo não é suicida. Ele faz o melhor para
manter a vida e a saúde. Tomar remédio para eliminar um
sintoma é interromper um processo natural e saudável de
cura que, mais tarde, o organismo precisará retomar.
As mortes com sofrimento decorrem da prática de drogar o doente.
A velha e confiável aspirina é um veneno mortal e está
proibida na Inglaterra para quem tem até 16 anos - já
destruiu a saúde de milhares de crianças em todo o mundo.
O Interferon, que, na década de 80 era anunciado como a "cura
do câncer", foi mais um fracasso; a talidomida, testada por
mais de 3 anos, aleijou milhares. Isso para não falar dos antibióticos,
que acabam com nossa imunidade e, como diz o próprio nome, são
"antivida".
A maioria dos remédios que estavam em uso há 20 anos já
não são usados porque são "ineficientes".
Não há esperança de que a cura de alguma doença
apareça dos remédios. A saúde não é
fruto de remédios, vacinas ou qualquer outra substância
externa ao corpo. Ela é fruto de bons hábitos de vida
e de um ambiente amigável. Os remédios geram muita riqueza
para seus fabricantes, mas escravizam e matam seus usuários.
Nada substitui o poder curativo exclusivo do organismo. Os remédios
são a herança tardia dos caldeirões dos feiticeiros
e curandeiros, disfarçada de prática científica.
Fernando Travi é biogenista e presidente da Sociedade Brasileira
de Biogenia e Higienismo.
Artigo extraído da revista Superinteressante de janeiro de 2003.
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