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Em dois lugares ao mesmo tempo Peguem numa folha de papel. Faça-lhe dois buracos pouco distanciados. Aos olhos do senso comum, é evidente que um objecto suficientemente pequeno para passar através desses buracos passará quer por um, quer por outro. Aos olhos do senso comum um elétron é um objeto. Possui um peso definido, produz um clarão luminoso quando impressiona uma tela de televisão, um choque quando atinge um microfone. Temos portanto o nosso objeto suficientemente pequeno para passar por um dos dois buracos. Ora, a observação pelo microscópio eletrônico ensinar-nos-á que o elétron passou simultaneamente pelos dois buracos. Como?! Se passou por um, não pode ter passado ao mesmo tempo pelo outro! Mas a verdade é que ele passou por um e por outro. É absurdo, mas é experimental. Das tentativas de explicações nasceram diversas doutrinas, em particular a mecânica ondulatória. Mas a mecânica ondulatória não chega no entanto para explicar totalmente um fato semelhante, que se mantém para além das nossas possibilidades de compreensão, a qual só poderá funcionar através de um sim ou um não, A ou B. Era a própria estrutura do nosso entendimento que seria necessário modificar, para que se pudesse compreender. A nossa filosofia exige tese e antitese. É preciso acreditar que na filosofia do elétron, tese a antitese são simultaneamente autênticas. Parecerá absurdo o que dizemos? O elétron parece obedecer a leis, e a televisão, por exemplo, é uma realidade. O elétron existe ou não? Aquilo a que a natureza chama existir não tem existência a nossos olhos. O elétron faz parte do ser ou do nada? Eis uma pergunta completamente vazia de sentido. Assim desaparecem, devido à ação enérgica do conhecimento, os nossos habituais métodos de pensamento e as filosofias literárias, provenientes de uma visão nula dos fatos. ... O mundo não é absurdo e o espírito não é de forma alguma inapto para o compreender. Antes pelo contrário, pode ser que o espírito humano já tenha compreendido o mundo, mas que ainda o não saiba... Fonte: O despertar dos mágicos, Louis Pauwels e Jacques Bergier, Difusão Européia Editora.
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