Eletricidade corporal já é conhecida há 150 anos

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Que a mente humana produz sinais elétricos, segundo os pesquisadores da BioControl, não é surpresa: em 1929, o psiquiatra alemão Hans Berger cunhou o termo “eletroencefalograma”, vulgarmente conhecido como EEG, para descrever gravações das flutuações de voltagem do cérebro detectadas com o uso de eletrodos ligados à pele. Os neurofisiologistas acreditam que as células piramidais do córtex cerebral são a fonte das voltagens EEG. Cada uma dessas células nervosas cria uma pequena corrente de dupla polaridade, com uma polaridade que depende de os sinais recebidos da rede neural serem inibitórios ou excitatórios.

Por décadas, os pesquisadores foram relacionando certos padrões de sinais EEG com determinados comportamentos ou sensações, e os cientistas podem agora fazer experimentos de EEG colocando eletrodos diretamente sobre a fonte de atividade que desejam monitorar. Certos sinais controláveis pelas pessoas podem ser isolados, permitindo operar um computador. Infelizmente, a saída de sinais isolados ajustáveis pelas pessoas não é facilmente controlada.

Uma estratégia comum é medir diversos sinais EEG continuamente e filtrá-los, retirando os componentes indesejáveis. A análise das ondas cerebrais é uma ciência em si, com seu próprio conjunto de nomenclaturas. Diferentes ondas, como se fossem muitas estações de rádio, são classificadas por freqüência e suas emanações ou, em alguns casos, pala aparência dos formatos de onda.

Cinco tipos são particularmente importantes: ondas Alfa (numa freqüência entre 8 e 13 hertz), causadas por ações simples como fechar um olho, mas diminuem em amplitude quando uma pessoa é estimulada por luz, imaginação vívida etc.; Beta, de 14 a 30 hertz, associadas com estado de alerta mental, podendo chegar a 50 hertz durante intensa atividade mental; ondas Theta, de 4 a 7 hertz, indicam stress emocional, uma frustração especial ou um desapontamento; ondas Delta, abaixo de 3,5 hertz, ocorrem durante sono profundo; ondas Mu parecem estar associadas com o córtex motor: diminuem com movimento ou a intenção de se mover.

Na última década, Jonathan R. Wolpaw e Dennis J. MacFarland, do New York State Department of Health Wadsworth Center, em Albany (NY/EUA) têm estudado o controle da amplitude das ondas Mu pela visualização de várias atividades motoras, como um sorriso. Com muita prática, os treinandos conseguem aprender a manipular um cursor que fora programado para se mover conforme as mudanças na amplitude das ondas Mu medidas.

Os cientistas da BioControl também fizeram experiências: em 1987, configuraram equipamentos usando monitor EEG para ajustar um sintetizador musical. Detectando padrões de ondas Alfa, os equipamentos ativavam uma alteração eletrônica ativada pela onda cerebral. Por exemplo, um paciente brasileiro imobilizado com esclerose lateral amiotrópica (também conhecida como doença de Lou Gehrig), podia escrever palavras empregando as ondas Alfa para fazer as mudanças num computador pessoal, usando um programa especial tipo “teclado visual”. Era um processo trabalhoso, porque o paciente só podia indicar respostas sim ou não para cada sinal, mas agora ele tinha uma ajuda eletrônica para se comunicar, uma habilidade que tinha perdido completamente.

Fonte: http://novomilenio.inf.br/ano97/9711cfu1.htm

 

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