A Síndrome da Pressa

Geralmente você:

1. Incita os outros a se apressarem?; 2. Interrompe ou conclui frases de terceiro? 3. Em reuniões fica inquieto quando alguém se desvia do assunto?; 4. Quando está em uma loja ou restaurante fica impaciente ou se queixa quando não é atendido rapidamente?; 5. Considera o "não fazer nada" desperdício de tempo? ou 6. Acha menos capaz quem fala, age ou decide devagar?

Se você respondeu afirmativamente a, pelo menos, quatro das seis questões acima, cuidado: você está na zona de perigo e é candidato natural à doença da pressa.

Essa doença foi primeiro descrita nos Estados Unidos e é desencadeada pela crença de que se pode concretizar tudo se agirmos de maneira acelerada. "Essa concepção leva, pelo menos, a outras doenças crônicas geradas pelo estresse, como doenças cardíacas, arritmias, úlceras de estômago ou tensão nervosa", comentam os pesquisadores Lothar J. Seiwert e Ann McGee Cooper.

Eles explicam que o problema não é a velocidade em si, mas quando ela passa a ser o único critério. "Na doença da pressa, você se apressa sem perceber que, possivelmente, esteja errando o alvo", salientam. Ao desligar rapidamente um telefonema, exemplificam, pode-se perder um cliente por não perceber hesitações em sua voz. No entanto, afirmam que o mais importante é notar que se pode passar pela vida numa corrida para, no fim das contas, constatar que nunca se dedicou direito à família, aos amigos e ao lazer. A pressa ao dirigir carros nas estradas é muito conhecida por todos.

Para os pesquisadores, a pressa está relacionada aos avanços tecnológicos, como fax, e-mail, internet, comunicação por satélite, celular, meios de comunicação que fazem com que a informação chegue mais depressa. Para se ter uma idéia, a cada vinte meses dobra-se o número de informações; assim, recebe-se, no mínimo, o dobro de correspondências e é necessário "arranjar" mais tempo para despachá-las e assimilá-las.

"Quem não tem endereço eletrônico está "fora da moda" e a resposta por e-mail é aguardada em, no máximo, 24 horas; a correspondência normal é chamada de "correio de lesma" e a mania de telefone celular torna todos acessíveis o tempo todo. Muitos têm a percepção de estarem sendo ultrapassados; não é que os grandes dominem os pequenos, mas os rápidos ultrapassam os lentos", avaliam, considerando que é por isso que muitos se sentem oprimidos pelo tempo.

Lothar J. Seiwert e Ann McGee Cooper, autores do bestseller na Alemanha "Se tiver pressa, ande devagar", afirmam que há um movimento crescente em todo o mundo que propõe o equilíbrio temporal entre pressa e o devagar. Trata-se do paradigma do devagar, que mescla compromissos profissionais e satisfação pessoal, objetivos pessoais de vida e realidade vivenciada.

REMÉDIO

Para curar-se da doença da pressa, explicam os autores, antes é preciso perceber que se está doente e "decidir compensar o ritmo alucinante de vida com uma mistura equilibrada e enriquecedora". Com isso, garantem que haverá melhora na saúde, na capacidade de desempenho a longo prazo e qualidade de vida. "Além disso, você acrescenta melhores qualidades de liderança a seu estilo de trabalho e torna-se modelo para outras pessoas que o amam, admiram e confiam
em você", acrescentam.

O livro acaba de ser traduzido para o português pela Editora Fundamento e poderá ser encontrado nas principais livrarias.

ÍTENS QUE LEVAM À CURA

1. Incluir, no planejamento diário e semanal, períodos vagos em que se possa viver sem relógio.

2. Livrar-se do relógio de pulso à noite e nos fins de semana.

3. Planejar períodos para não se fazer nada.

4. Sonhar de olhos abertos, rabiscar descompromissado, tirar uma soneca ou fazer uma caminhada sem destino certo.

5. Ao avaliar como foi seu dia, semana ou mês, dar a si uma recompensa por criar um equilíbrio entre "fazer" e "ser", entre cumprir sua agenda e cheirar uma rosa, entre ser eficiente e ser consciente.

6. Incluir conscientemente em sua vida períodos de tranqüilidade e de silêncio, ouvindo seu corpo, seus sentimentos, sua intuição: a inspiração do gênio corresponde a alimentar-se do silêncio.

Rádio Câmara discute Síndrome da Pressa

A chamada Síndrome da Pressa foi o assunto discutido no programa Palavra de Especialista, da Rádio Câmara, dia 21 de setembro de 2005. O programa, dirigido pela jornalista Daniele Lessa, recebeu a médica Marilda Novaes Lipp, fundadora do Laboratório de Estudos do Stress da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, onde a síndrome foi objeto de estudo. O programa também teve a participação do diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria, Luiz Alberto Hetem, que falou sobre pressa e ansiedade.

Segundo os entrevistados, as pessoas com síndrome da pressa podem desenvolver problemas de saúde graves, como doenças cardíacas e gastrite. A pressa é estimulada principalmente no ambiente de trabalho, onde muitos buscam sucesso e reconhecimento de forma desenfreada.

Avaliação feita entre executivos e diretores pelo Laboratório de Estudos do Stress mostrou que 90% possuem a doença da pressa. "As pessoas se orgulham de fazer muitas atividades, mas com o passar do tempo começam a adoecer e lamentar o tempo que viveram desta maneira", explicou Marilda Lipp. Segundo a pesquisa, o comportamento também acontece com motoristas e faxineiros.

"A ansiedade normal auxilia e até melhora o desempenho, mas a ansiedade patológica causa muitos danos, pois paralisa a pessoa em vez de torná-la mais eficiente", lamentou Luiz Hetem no programa.

A inclusão de um período de meditação no seu dia-a-dia também poderia ser um antídoto contra a síndrome da pressa.

Palavra de Especialista é um programa da Rádio Câmara, veiculado toda quarta-feira, às 08h30 da manhã e pode ser sintonizado em FM 96.9 MHz. Na internet o endereço é www.camara.gov.br/radio onde, além da audição em tempo real, é possível acessar e baixar programas jornalísticos e culturais.

Fonte: www.vidaintegral.com.br

 

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