Projeção no plano físico-etérico?
III
(20 Julho de 2007)
Levantei
cinco horas da manhã, para ir caminhar em uma trilha.
Meu objetivo era chegar ao lugar a tempo de ver o sol
nascer. Infelizmente, quando cheguei, o sol já
estava alto no horizonte. Depois de uma boa caminhada,
parei no alto de um morro. Deitei-me sobre umas grandes
pedras que existem ali, para descansar. Após o
descanso, com direito a banho de sol, comecei meus exercícios
de meditação.
Na seqüência, como estava com tempo livre,
passei aos exercícios de projeção.
Deitei confortavelmente, tão confortável
quanto seja possível ao se deitar sobre uma rocha,
e concentrei-me em relaxar o corpo, baixando o metabolismo
e mantendo a atenção concentrada, para manter-me
lúcido, caminho que já aprendi ser eficaz
para uma projeção consciente.
Depois de algum tempo ouvindo o farfalhar das árvores
sob o vento, ouvi pessoas se aproximando. Tratava-se de
um homem adulto e duas crianças. Estavam vindo
por uma das trilhas que levam ao topo do morro. Estranhei,
porque o local onde estava era pouco freqüentado
e muito raramente se encontrava outras pessoas por ali.
Os três chegaram até a base da pedra onde
eu estava e um dos garotos aproximou-se mais para tocar
em mim. Tentei levantar mas, para minha surpresa, não
consegui, não podia mover-me. Fiquei preocupado
porque se eles percebessem que eu estava dormindo podiam
levar embora minha mochila, que estava ao lado. Nem percebi
a contradição de estar vendo aquelas pessoas
mesmo estando de olhos fechados. Após um grande
esforço consegui finalmente mover-me. E para minha
surpresa, dei-me conta de que não havia ninguém
ali. Eu havia "entrado" no astral sem perceber.
Passada a frustração, descansei um pouco,
bebi uns goles de água e voltei a meditar para
relaxar. Passa um caçador, com uma espingarda e
dois cachorros. Cumprimento-o com a cabeça e passo
ao exercício de projeção. Estava
decidido a não me deixar assustar novamente.
Concentro-me em baixar o metabolismo, respirando lentamente,
com a atenção voltada em manter a lucidez.
A um dado momento percebo um formigamento pelo corpo e
lembro-me de ser este um sinal de deslocamento projetivo.
Imagino então que estou flutuando alguns centímetros
acima do corpo físico, e sinto o formigamento por
todo corpo. Imagino que estou dentro do corpo físico,
e o formigamento pára. Imagino que estou novamente
flutuando no ar e todo corpo formiga. Repito isso mais
algumas vezes, feliz por ter conseguido, pela primeira
vez, perceber o momento exato de afastamento do corpo
físico.
Ouço então um barulho de carroça
se aproximando. Apesar de, novamente, não conseguir
mexer meu corpo, posso ver que há um senhor, mulato,
de cabelos grisalhos, subindo pelo caminho que leva ao
topo do morro onde estou, puxando dois cavalos atrelados
a uma carroça. Não me apercebo da incoerência
de estar em processo projetivo e, ao mesmo tempo, estar
vendo aquele sujeito e os cavalos, nem de estar vendo
com os olhos fechados e o corpo imóvel, muito menos
de haver uma carroça ali, coisa não poderia
acontecer pois o local era abandonado.
O que via ali, o chão, as rochas, as árvores,
era totalmente real, sólido, tangível, podia
sentir a dureza da pedra onde estava deitado. Pensei,
"dessa vez não pode ser astral, é real
demais". Não consigo me mexer, o que me deixa
nervoso. Somente depois de um bom esforço consigo
levantar-me, para perceber que o senhor com a carroça
não estavam ali. "Droga, de novo", pensei
com meus botões. Mais uma oportunidade perdida
de explorar o astral.
Relaxei e meditei por mais algum tempo. A tarde já
estava no fim e o sol iniciava a ser pôr no horizonte.
Incrível como o dia passou rápido. Levantei-me
e fiz o caminho de volta antes que começasse a
anoitecer.
Obs
1: O local onde eu estava era uma fazenda, desativada
a uns 10 ou 20 anos. Pergunto, o que aquelas pessoas astrais
estavam fazendo ali? Elas não se deram conta de
que morreram e continuam tratando de seus afazeres, como
se a fazenda ainda estivesse funcionando?
Obs
2: Esse relato demonstra como normalmente ocorrem
minhas projeções. Não vejo luzes,
sombras, vultos translúcidos e coisas do gênero.
Será que sou muito cético para ver essas
coisas? Minhas visões em projeção
costumam ser tão reais que não podem ser
diferenciadas do plano físico.