Estou flutuando no ar, no meio de um grande desfiladeiro.
Para minha surpresa dou-me conta de que estou bem no meio
de uma batalha ferrenha, com raios e explosões
ribombando pra todos os lados.
Ao meu lado esquerdo, no topo do desfiladeiro, vejo um
veículo de cor cinza fosco, sem brilho. Seu formato
é semelhante a uma caixa de ovos, com uma lagarta
(esteira) na parte de baixo, como as utilizadas por tanques
de guerra. Não vejo janelas nem portas.
O veículo está atirando raios para o interior
do desfiladeiro, que deve ter uma altura de 100 ou 200
metros. Lá embaixo vejo outro veículo semelhante
ao primeiro, mas com metade do comprimento. Este atira
raios naquele, entre explosões e estilhaços.
Surge um terceiro veículo, de mesmo formato, que
aparece voando e atirando. Os raios, ao contrário
dos filmes de cinema, não são visíveis,
somente as explosões no alvo podem ser observadas.
Estas, apesar do estrondo, não causam nem mesmo
arranhões na couraça daquelas máquinas
de guerra.
Fico curioso ao perceber que todos são bem parecidos
e não há nenhum símbolo ou inscrição
para diferenciá-los. "Como eles sabem quem
é quem", pensei com meus botões. Mas
não fiquei muito tempo nessas reflexões,
não havia muito tempo para prestar atenção
em detalhes. No meio daquele inferno de raios e explosões
tinha algo mais importante com que me preocupar, salvar
minha pele.
O primeiro veículo, no topo do desfiladeiro, começa
a elevar-se no ar, e vem lentamente descendo até
o chão. Um dos veículos que estavam no chão
move-se em direção a parede de rochas. Na
sua frente observo um aparato formado por círculos
de luz (ou plasma?) e uns ponteiros que se movem como
ponteiros de relógio. Ao se aproximar da rocha
esta começa a evaporar-se, abrindo um túnel
instantaneamente, e o veículo vai entrando no interior
do penhasco.
De repente estou no chão. Ao meu lado vejo uma
moça morena, de uns 20 anos, e uma menina ruiva,
mais para loira, de uns 10 anos de idade. As duas usam
macacão justo de tom cinza claro e fosco (ou seria
marrom claro). Na entrada do desfiladeiro vejo aquele
primeiro veículo, movendo-se sobre as esteiras,
vindo em nossa direção. À distância
não parecia ser tão grande, mas visto ali
do chão era imenso, talvez com uns 10 metros de
altura. E era impressionante como, apesar do tamanho,
deslocava-se rápido.
Sem muito tempo para pensar apontei para o lado direito
dizendo, "rápido, vamos por aqui". Nisso
dou-me conta de que a moça já está
correndo acelerado na outra direção. "Ela
é adulta, sabe se cuidar", pensei. Peguei
a menina pela mão e fomos correndo em direção
a lateral direita do desfiladeiro, o mais rápido
possível para não sermos atropelados por
aquela máquina gigantesca.
Depois de passarmos por uns montulhos de rochas avistamos
uma construção, em formato triangular, parecido
com aqueles chalés de camping. Tinha altura de
5 ou 10 andares, feito aparentemente de metal, sem portas
ou janelas. Na sua lateral (o telhado?), haviam umas ranhuras,
talvez para ventilação. Subimos pelas ranhuras,
como se fossem escadas, até o topo.
Lá de cima pudemos ver o veículo seguindo
pelo desfiladeiro, atrás das outras duas naves.
"Onde estará a moça morena", pensei.
Percebi então que havia uma portinhola perto de
onde estávamos. "Lá dentro estaremos
em segurança", dizia minha intuição.
Abri a portinhola e indiquei à menina que entrasse,
indo eu em seguida. Fomos parar numa espécie de
duto de ventilação. E então estou
novamente na minha cama.