Talvez
você já tenha se perguntado por que muitas
pessoas "não espiritualizadas" prosperam
e vivem felizes, em abundância e conforto, enquanto
que muitas pessoas ditas "espiritualizadas"
vivem a trancos e barrancos, senão com falta ao
menos não com abundância de recursos materiais.
Por que isso acontece? Será que a espiritualidade
está fadada a ser sinônimo de penúria
e desconforto?
Pessoas não espiritualizadas buscam conforto e
prazer e quando as encontram não se sentem culpadas
por isso, pelo contrário, para elas essas dádivas
não são uma benção do céu
mas algo de que elas têm direito legítimo
e, até mesmo, que a natureza a sua volta tem obrigação
de lhes dar. Dessa forma elas não se sentem, de
forma alguma, constrangidas em buscar mais e assim vivem
uma vida repleta de conforto, alegrias, abundância
e prosperidade.
Já as pessoas espiritualizadas, quando encontram
conforto e satisfação as encaram como uma
dádiva divina, algo que foi recebido de presente,
enviado por Deus, ou pelos deuses, com ou sem mérito,
uma benção dos céus. Assim, como
receberam de presente, sentem-se constrangidas em pedir
ou buscar mais além do que lhes foi dado e dessa
forma vivem uma vida de mais-ou-menos. Talvez não
cheguem aos píncaros da miséria mas andam
sempre pelo limite, tendo apenas o suficiente para viver
- ou sobreviver - de forma razoável.
A diferença então parece estar basicamente
na postura que se tem com relação as posses
materiais. Para os não espiritualizados a posses
materiais são simples fato e como tal estão
passíveis de serem aumentadas, canalizadas, administradas,
gerando assim abundância e prosperidade duradouras.
Para o espiritualizado elas representam uma benção
divina e como tal dependem de autorização
superior para serem administradas, ficando seu possuir,
virtualmente, de mãos amarradas quanto ao trato
das coisas materiais.
O
camelo na agulha e o rico no céu
Mateus cap. 19 versículos 16-24 narra a estória
de um jovem, possuidor de grande fortuna, que pergunta
a Jesus o que lhe falta para entrar no reino de Deus.
Depois de verificar que ele tem seguido os mandamentos
(não roubaras, não matarás, etc.),
ou seja, tem sido um bom cidadão e um bom religioso,
diz-lhe só faltar uma coisa, livrar-se de tudo
o que tem para juntar-se a ele, Jesus. Neste momento o
tal jovem retira-se triste pois não queria abandonar
sua riqueza. E Jesus finaliza com o clássico: "é
mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma
agulha do que um rico entrar no reino dos céus."
Cabe lembrar que camelo aqui não se trata de animal,
obviamente, mas de uma corda, muito grossa, usada antigamente
para amarrar navios ao ancoradouro.
Esta passagem deve ter sido uma das prediletas da igreja
instituída durante a Idade Média. A primeira
vista ela parece deixar claro que para ser um bom cristão
(espiritualizado) é preciso ser pobre, estando
o rico, possuidor de fortunas e bens materiais, fadado
a permanecer excluído do céu. No entanto,
a Idade Média passou e com ela seus dogmas e paradigmas.
Atualmente, com a mente mais esclarecida e equilibrada,
é possível ter-se uma outra visão
dessa passagem, a visão do Desapego. Por essa ótica
o ponto crucial não é possuir ou não
muitos bens materiais mas sim estar ou não dependente
deles, preso a eles, viciado neles. Posses materiais podem
gerar vício tal como cigarro, álcool, comida
ou qualquer outro produto químico.
Abundância de recursos materiais costuma andar
de mãos dadas com status social e por isso é
atualmente considerada como essencial. Mas nem sempre
foi assim e não precisa ser assim sempre. Uma amostra
drástica dessa dependência de bens materiais
é o número de suicídios registrados
em 1969, logo após a quebra da bolsa de valores
de Nova York que ficou conhecida como a terça-feira
negra. Na ocasião milionários nascidos em
berço de ouro ficaram pobres da noite para o dia
de forma imprevista e inesperada.
Espírito
e matéria: Equilíbrio
Dizia o mestre galileu que nem só de pão
vive o homem. No entanto, também nem só
de espírito vive o homem. Nós não
somos apenas espírito nem somente matéria
mas uma junção dos dois. Assim precisamos
alimentar nosso corpo físico tanto quanto precisamos
nutrir nossa alma. Qualquer desequilíbrio, seja
num lado ou no outro, é causador de problemas.
Atualmente a própria medicina ocidental tem reconhecido
a necessidade de se manter uma mente tranquila e harmoniosa
a fim de propiciar um organismo saudável. A relação
entre câncer e atitudes e pensamentos inadequados
já não é mais novidade. Também
já está comprovado como um estado mental
positivo, com bom ânimo e alegria, pode, senão
curar ao menos facilitar a cura de muitas doenças,
inclusive câncer e outras doenças degenerativas.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde)
a definição de saúde é: "um
estado de completo bem-estar físico, mental e social...".
A inter-relação entre físico e mental
é inquestionável, já é fato
comprovado. O fator social acaba sendo consequência
do fator mental mas não só dele. Vivemos
em uma sociedade capitalista onde é preciso comprar
aquilo de que necessitamos para viver: comida, roupas,
casa, eletricidade, transporte. Isso é fato.
Com uma alimentação deficiente é
impossível manter-se um organismo saudável.
Com um corpo fraco e deteriorado, talvez abatido por alguma
disfunção orgânica, não se
pode manter um estado de espírito positivo. E sem
bem-estar físico e mental não há
perfeita convivência social. Para todos eles é
necessária a aquisição de determinados
elementos: alimentos e roupas para o corpo; livros, revistas,
músicas para o espírito; encontros, passeios,
participação em eventos para o social. Para
adquirir esses elementos, em uma sociedade capitalista,
é preciso ter dinheiro. Então para se ter
uma perfeita saúde torna-se fundamental a posse
de recursos financeiros mínimos para manter esses
três fatores em equilíbrio.
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