Desde que a humanidade habitava em cavernas já
se concebia a idéia de magia, onde seria possível
influenciar animais e situações à
distância, tanto no espaço quanto no tempo.
Na Idade Média a Inquisição ficou
famosa na história do planeta pela incansável
caça às bruxas. Mais tarde, com o desenvolvimento
do pensamento analista e cartesiano, a idéia de
magia ficou esquecida e desacreditada pelo público
em geral, ficando restrita a uma classe de esoteristas
e ocultistas que manteve viva sua lendária prática,
circunscrita em grupos fechados e misteriosos. Recentemente,
impulsionada, dentre outras coisas, pelas novas e enigmáticas
descobertas da física quântica, tem havido
um reavivamento da magia e do misticismo em geral.
O fato é que, sendo para uns um absurdo irrelevante
e para outros uma realidade inquestionável, a magia
tem sobrevivido no meio das populações sob
as formas mais variadas. O medo de ser prejudicado ou
influenciado à distância por meio de feitiços
atormenta muitas pessoas, seja real ou imaginário.
Mas afinal, o feitiço existe ou não?
Segundo
os conhecimentos atuais da parapsicologia e de ciências
afins reconhece-se basicamente duas maneiras de influenciar
outras pessoas, seja para benefício ou malefício:
por sugestão hipnótica direta ou
indireta, via telepatia.
Sugestão
hipnótica direta - Influência local
No primeiro caso não há mistério.
Todos já devem ter lido ou ouvido algo a respeito
das proezas realizadas por meio da hipnose, desde curas
milagrosas de vícios de álcool e fumo até
a quebra de blocos de pedra sobre o estômago de
pessoas hipnotizadas. Os faquires indianos são
famosos por andarem sobre pontas metálicas afiadas,
objetos cortantes ou brasas incandescentes, sem se machucarem,
quando em estado de transe hipnótico. Sem chegarmos
a extremos fantásticos vamos considerar aqui os
efeitos mais leves provenientes do estado hipnótico.
Num grau menos intenso muitas das técnicas desenvolvidas
a priori nos estudos da hipnose hoje são largamente
utilizados por outra ciência, a Neurolinguística,
que aproveita essas técnicas para os fins mais
variados, desde memorização dinâmica
até terapias psicológicas. Particularmente
beneficiados por essas técnicas são os vendedores
profissionais que, na sua ânsia de vender, utilizam
técnicas de neurolinguística para convencer
os potenciais compradores a comprarem seus produtos.
Uma técnica muito simples e de suma eficiência,
é a pessoa falar, falar e falar, diante da outra,
sem dar tempo para que a outra responda ou questione.
Esse blá-blá-blá põe o ouvinte
num estado de semi-transe ficando ele receptivo a sugestões
hipnóticas que serão acatadas sem questionamento.
Provavelmente a pessoa vai se surpreender, alguns minutos
mais tarde, de ter aceito os argumentos do vendedor sem
questionamento, mas aí o contrato já vai
estar assinado...
Outra técnica muito comum, que também é
largamente ensinada em cursos de memorização,
é a repetição constante. De tanto
repetir a mesma ladainha diante da pessoa ou pessoas o
ouvinte acaba aceitando aquilo como fato. Já dizia
Mussolini, ditador facista, que "uma mentira repetida
mil vezes torna-se uma verdade". Essa técnica
utilizada juntamente com a técnica anterior do
blá-blá-blá forma uma poderosa maneira
de manipular a mente das pessoas.
E para quem acha que esse tipo de sugestão só
funciona em estado de hipnose, engana-se. Leonard Ravitz,
realizando experimentos para medir os graus de hipnose,
em 1948, chegou à conclusão surpreendente
de que a maioria das pessoas, mesmo quando acordadas,
vive em estado hipnótico a maior parte do tempo.
Isso quer dizer que a maioria das pessoas está
normalmente passível de ser influenciada por sugestões
hipnóticas.
Sugestão
hipnótica indireta - Influência à
distância
No segundo caso, a influência a distância,
a sugestão hipnótica viaja pelo ar, mesmo
por milhares de quilômetros, através da telepatia.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a telepatia
já é cientificamente comprovada. Em 1959,
em experiência realizada pelas Forças Aéreas
dos Estados Unidos, um tenente voluntário foi colocado
em posição incomunicável, dentro
de um submarino a mais 2000 Km de distância da costa
e a centenas de metros sob o mar, onde nem mesmo ondas
de rádio chegam. Foi constatada de forma inequívoca
e irrefutável a comunicação telepática
com outro militar voluntário que permaneceu em
terra.
No mais os mecanismos são os mesmos. As mesmas
técnicas utilizadas na influência local podem
ser utilizadas também para influenciar a distância.
Entretanto, embora a telepatia seja uma capacidade latente
em qualquer pessoa é sabido que é naturalmente
inativa na maior parte das pessoas. São poucos
os que possuem tal habilidade bem desenvolvida, dentre
eles podemos citar mestres iogues, mães e pais
de santo de centros de umbanda, paranormais e ocultistas
em geral. Alguns religiosos fervorosos também costumam
apresentar bem desenvolvida essa capacidade. Em alguns
casos ela é inata e natural, em outros é
desenvolvida com o treino persistente e continuado.
Como
se proteger
Uma vez identificada a forma de influência, direta
ou por telepatia, e que segundo comprovado por Ravitz
as pessoas encontram-se ordinariamente em estado de semi-transe
e portanto receptivas a sugestões hipnóticas,
resta a pergunta: Como evitar tal tipo de influência?
Como as sugestões hipnóticas são
acionadas basicamente pelos sentidos mentais a maneira
mais adequada de evitá-las é manter-se sempre
alerta. Para tanto pode-se utilizar várias técnicas
de meditação, iogue ou budista, como forma
de disciplinar a mente acostumando-a a manter-se sempre
e constantemente em perfeita prontidão.
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