O budismo surgiu a 2.500 anos, mas os ensinamentos do
Buda sempre existiram. Pode ser considerado uma filosofia
de vida na qual existe um fundo religioso ou uma religião
com questões filosóficas sobre a vida.
Nascemos e vivemos a vida que nos é dada e, eventualmente,
sentiremos uma sensação de insatisfação
com as condições de nossa existência.
Esse sentimento é o que o budismo chama de "sofrimento".
O budismo é uma prática que visa eliminar
esse sofrimento e alcançar a felicidade absoluta
e incondicional.
O budismo é baseado na experiência de Siddhartha
Gautama, príncipe indiano que abandonou riquezas
e prazeres, para descobrir como eliminar o sofrimento
de seu povo. Fundamenta-se nas Quatro Nobres Verdades,
que são:
·
A existência do sofrimento;
· O sofrimento é causado pelo desejo;
· Eliminando o desejo eliminamos o sofrimento;
· Para eliminar o desejo praticamos o Caminho Óctuplo.
A chamada "iluminação", meta
a ser alcançada pelo praticante, significa a libertação
do sofrimento e o encontro com a felicidade completa e
incondicional. Para atingir esse estado de não-sofrimento
é praticado o Nobre Caminho Óctuplo que
consiste de:
·
Reta visão e entendimento;
· Reto pensamento;
· Reta palavra;
· Reta ação;
· Reto modo de subsistência;
· Reto esforço;
· Reta atenção;
· Reta concentração.
O
caminho do meio: equilíbrio é a chave
Siddhartha, morando em seu palácio, levada uma
vida plena de prazeres até que, decidido a conhecer
a vida fora do palácio, deparou-se com o sofrimento
sob a forma da velhice, da doença e da morte.
Decidido a encontrar uma solução para essas
formas de sofrimento abandonou a nobreza e adotou uma
vida ascética. Durante vários anos manteve
contato com eremitas e brâmanes aprendendo suas
tradições e praticando a meditação.
Conta-se que chegou ao ponto de passar o dia com apenas
um grão de arroz.
Depois de alguns anos de severas mortificações,
estando fraco e esquelético, percebeu que abandonar
os prazeres por uma vida de extremo ascetismo não
o estava levando à eliminação do
sofrimento.
Compreendeu então que a chave para o não
sofrimento é o equilíbrio entre o prazer
e a abstenção, o que ficou conhecido como
O caminho do meio. Segundo os ensinamentos do Buda, negar
todo prazer não trará felicidade plena,
e deixar-se levar por toda forma de sensação
também não.
A
meditação
Para encontrar o perfeito equilíbrio mental que
leva a felicidade plena é fundamental conhecer
a natureza de nossas emoções e como a mente
funciona. Uma ferramenta essencial para alcançar
esse entendimento é a prática da meditação
chamada, no Zen-budismo, de Zazen.
A meditação zazen consiste numa prática
de relaxamento, onde a pessoa senta-se de forma confortável,
mantém uma respiração lenta e profunda,
os olhos fixos num ponto à frente em ângulo
de 45º para baixo e elimina toda forma de pensamento.
O objetivo do zazen é silenciar a mente e levar
a um maior grau de auto-conhecimento e auto-controle.
Inação
ou HIPERação?
A
prática de meditação zen-budista
pode dar a impressão, à primeira vista,
de que o budista incentiva seus adeptos a uma inação
doentia. No entanto, o objetivo da meditação
zen não é divagar com a mente mas sim alcançar
um estado de plena lucidez ou hiper-lucidez como mencionam
alguns autores. Este estado de hiper-lucidez é
um estado onde a pessoa está completamente no aqui-agora,
sem divagar, com a atenção totalmente voltada
para o que está fazendo.
O budismo não diz que devamos ficar parados o
dia inteiro, pelo contrário, diz que toda atividade
cotidiana pode ser utilizada como prática de meditação
ativa. O requisito para isso é realizar as atividades
de forma plenamente consciente, plenamente lúcida,
e não de forma autômata como tão normalmente
ocorre, onde as pessoas executam suas atividades como
se fossem robôs.
Dica
de livro
A MENTE ALERTA JON KABAT-ZINN, OBJETIVA, RIO DE
JANEIRO, 2001.
Em linguagem simples e atual, o autor reflete sobre alguns
conceitos budistas relacionados à mente e à
prática meditativa e sobre como aplicá-los
com naturalidade ao cotidiano do homem ocidental urbano.
Kabat-Zinn é fundador e diretor da Clínica
de Redução do Estresse do Centro Médico
da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos.
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