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Desporto quarta-feira, 11 de Abril de 2001
Águias, Benfica e CCPL sem
alternativa face à intransigência da FLF quanto à
adesão Resta-nos recorrer aos tribunais
- "As decisões recentes, claramente discriminatórias, da
Federação Luxemburguesa de Futebol, a inacção e a cumplicidade da
Ville de Luxembourg, bem como a total falta de interesse do
Governo no que diz respeito à adesão dos clubes de origem
portuguesa à FLF, não nos deixam nenhuma outra solução a não ser o
recurso à justiça", disse Bruno Teixeira de Lencastre, ontem, numa
conferência de imprensa, num restaurante português da
capital.
O dr. Teixeira de Lencastre, advogado em Lisboa,
representa o Águias Boavista FC e o Sport Luxemburgo e Benfica nas
questões que se prendem com a sua decisão de questionar os
tribunais sobre a legalidade das medidas sucessivamente tomadas
pela Federação Luxemburguesa de Futebol e a Câmara do Luxemburgo,
que têm impedido os clubes de origem portuguesa de aderirem à
FLF. A acção, contra a FLF, a Câmara e, provavelmente, o Estado
luxemburguês, vai dar entrada nos próximos dias no Tribunal da
Comarca do Luxemburgo, introduzida por um escritório de advogados
luxemburgueses — foi anunciado na conferência de imprensa. A
Federação é acusada de discriminar em função da origem
(tratando-se de clubes de direito luxemburguês mas cujos
dirigentes e atletas são, embora não todos, de origem portuguesa),
uma atitude dita "claramente atentória dos Tratados e do direito
comunitário", além de ter causado danos patrimonais aos clubes que
já viram a sua inscrição na FLF provisoriamente aceite e que agora
lhes é impedida a adesão de pleno direito. "A actual situação
de recusa de um direito fundamental é intolerável à luz dos
princípios constitucionais e do direito comunitário, e nós já
esperámos demasiado", declaram os autores da acção, sublinhando:
"A comunidade portuguesa no Luxemburgo não merece ser tratada com
desprezo, e não admite a discriminação vergonhosa da qual são
vítimas os seus clubes". Por seu lado, à Câmara é censurado o
facto de permitir o enriquecimento sem justa causa de terceiros,
decorrente de uma atitude prévia de discriminação, ao colocar
instalações camarárias, pagas pelo erário público, à disposição de
alguns clubes e não a outros (com exactamente o mesmo estatuto
jurídico), permitindo que os primeiros subarrendem aos segundos um
bem de que dispõem graciosamente e cujos custos de manutenção são,
mesmo eles, suportados pela Câmara. Entre os dirigentes dos
clubes envolvidos nesta acção há a presunção de cumplicidade
activa das autoridades camarárias com a FLF, numa manobra
concertada para impedir a regularização da situação de clubes de
origem portuguesa. Essa presunção consta — ao que conseguimos
apurar — do próprio articulado da acção. Enfim, o Estado
luxemburguês é accionado por estar ao corrente de actos
discriminatórios que os Tratados proibem sem nada ter feito para
lhes pôr côbro. Mais do que isso, a ministra dos Desportos chegou
a dizer, em entrevista, que o Governo não deve interferir nos
"assuntos internos das federações" e que o futebol nada tem a ver
com o direito comunitário, no que foi contrariada pela própria
comissária europeia do Desporto, Viviane Reding.
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