LIBERTA��O. Em 1917 os aliados venceram a I Grande Guerra e resgataram das m�os da Turquia (Imp�rio Otomano) grandes extens�es de territ�rios que ela veio incorporando desde pelo menos a Queda de Constantinopla em 1453. Esses territ�rios inclu�am parte dos B�lc�s, a Gr�cia, a Mesopot�mia e a Palestina. Esta �ltima esteve sob dom�nio turco desde 1517. Com a Palestina livre, governada em seguida pela Gr�-Bretanha, por mandato da Liga das Na��es, judeus de v�rias partes do mundo foram incentivados a migrar para a regi�o, comprando terras e aumentando o contingente de fam�lias judias que j� se encontravam ali.
RETALIA��O. Em pouco tempo a grande rea��o a essa consequ�ncia da vit�ria aliada fez-se notar, com a instala��o do governo de Hitler na Alemanha, em 1933. O austr�aco Hitler, cuja inf�ncia recebeu doutrina��o de certo vi�s cat�lico antigo segundo o qual "os judeus mataram Jesus Cristo", cresceu alimentando em si um temer�rio fanatismo anti-judaico. De 1933 a 1945, essa deforma��o mental produziu a persegui��o mais brutal que os judeus j� sofreram em toda a hist�ria. A Guerra Civil Palestina e a Guerra Civil Espanhola, de 1936 a 1939, foram ambas inspiradas pelo hitlerismo. Ap�s a morte de Hitler em 1945 e a oficializa��o do Estado de Israel no territ�rio da Palestina em 1948, as representa��es das popula��es �rabes palestinas recusaram-se a dividir a �rea e a oficializar um Estado �rabe-palestino ao lado de um Estado judeu. Nesse mesmo ano, uma guerra de grandes propor��es teve lugar, com o objetivo de eliminar o Estado de Israel. Como resultado, a Jord�nia passou a dominar a por��o �rabe do territ�rio ao leste de Jerusal�m e o Egito passou a dominar a Faixa de Gaza.
DISC�PULO. Em 1967, um arrojado seguidor da pol�tica hitlerista de exterm�nio, Gamal Abdel Nasser, presidente eg�pcio, que acolhia no Cairo o criminoso nazista Aribert Heim, o Doutor Morte, convenceu os governos da S�ria e da Jord�nia a retomar a luta para suprimir Israel do mapa. Ap�s a nacionaliza��o do Canal de Suez por parte do Egito e o consequente bloqueio do acesso de Israel ao Mar Vermelho pelo sul, as for�as armadas israelenses decidiram responder �s investidas de Nasser e ap�s um m�s de cerco teve in�cio a Guerra dos Seis Dias, com o general Moshe Dayan no comando do ex�rcito. O resultado foi a incorpora��o por Israel da por��o oriental da cidade de Jerusal�m e dos territ�rios da Cisjord�nia, das Colinas de Gol� e da Faixa de Gaza. A regi�o do Sinai, tamb�m conquistada, foi devolvida ao Egito no seu governo seguinte, poucos anos depois. O hitlernasserismo, continua��o da pol�tica de Hitler por parte de novos fan�ticos religiosos, sofreu pesada derrota em 1967.
INCONSCIENTE. O hitlernasserismo � uma amea�a para Israel, mas representa amea�a ainda maior para os Estados �rabes, uma vez que a pretendida elimina��o do Estado de Israel - eficiente para arrebanhar adeptos religiosos iludidos -, caso venha a se efetivar um dia, significar� simplesmente a declara��o de guerra contra todos os judeus do mundo, e isso quer dizer guerra do islamismo contra todo o mundo ocidental. Al�m disso, o hitlernasserismo vem destruindo pouco a pouco a imagem positiva deixada pela cultura �rabe nos tempos �ureos de Bagd�, com a ci�ncia de Al-Khowarismi e Al-Hazem, com a literatura e a arte de tantas pessoas ilustres. A tentativa dos fan�ticos de restaurar no terceiro mil�nio a teocracia medieval, n�o a ci�ncia e a arte, representa uma pol�tica inconsciente de autodestrui��o. Se julgam que s� os governos ocidentais ofereceriam resist�ncia a sua guerra clerical � porque nunca lhes foi poss�vel enxergar que o governo chin�s, que comanda 20% dos habitantes da Terra e luta diuturnamente contra teocracias, j� tem um lado bem definido, que n�o � o dos fan�ticos religiosos. Num confronto de propor��es mundiais, os pa�ses ocidentais contariam com os chineses assim como os aliados contaram com os russos na II Grande Guerra. Essa alian�a n�o depende da instaura��o do regime de liberdades civis em moldes europeus e essa mudan�a na China n�o depende, como se tem pensado, da destrui��o de seu sistema pol�tico: o pa�s pode estabelecer justi�a independente e liberdade de express�o sem o multipartidarismo ocidental, desde que se assegure a governabilidade e a n�o-vitaliciedade dos governantes.
DESPROPORCIONAL. As respostas de Israel aos ataques sistem�ticos de seus inimigos t�m sido muito mais violentas que os ataques recebidos porque o governo israelense tem clareza de que a situa��o inversa seguramente eliminaria o pa�s, e que o equil�brio n�o existe em guerra. Tais respostas duras s�o lamentadas no mundo inteiro e chegam a criar �dio nos desavisados. Mas, uma vez que as for�as pol�ticas internacionais n�o encontraram um meio de impedir a nutri��o do fanatismo religioso nem do aumento do poder b�lico de Israel, novos conflitos v�m se seguindo desde ent�o. O problema � que, como alertou Sun Tzu, para n�o exaurir o tesouro do pa�s, o general deve, primeiro, evitar guerra prolongada e, segundo, forragear o inimigo. Dos �rabe-palestinos n�o h� o que forragear, enquanto que a guerra estendida por d�cadas enfraquece Israel.
ANTI-NEGOCISTAS. Em 2005 Israel deixou de ocupar os territ�rios da Cisjord�nia e da Faixa de Gaza, atendendo a demandas internacionais, mas isso apenas abriu espa�o para fazer os fan�ticos religiosos se armarem mais e se apresentarem como for�as vitoriosas aos olhos das popula��es locais. O que as for�as pol�ticas internacionais, incluindo a administra��o das Na��es Unidas, n�o levaram em conta � o fato de que nenhum modelo de negocia��o � funcional quando pelo menos um dos dois contendores numa disputa encontra-se imbu�do de fanatismo religioso. Os proponentes de regimes teocr�ticos devem ser ouvidos - e tamb�m tolerados quando n�o se entregarem � pr�tica de assassinatos ou a atos guerreiros -, mas nunca devem ser respeitados nas suas pretens�es de poder. Para seguran�a das na��es, todos os governos teocr�ticos devem ser substitu�dos por governos laicos e nenhum novo regime teocr�tico deve ser admitido, assim como n�o deve ser admitido presidente vital�cio, mesmo laico, em nenhuma rep�blica. Evitar a amea�a mortal dos regimes teocr�ticos e das presid�ncias vital�cias deve ser o objetivo priorit�rio das Na��es Unidas a partir do presente s�culo. Ou ent�o a ONU continuar� gastando esfor�os em trabalho de S�sifo.
GEOGRAFIA. No caso espec�fico do Estado �rabe-palestino, parece muito claro que ele n�o se oficializou, pelo menos at� o in�cio de 2009, porque a separa��o geogr�fica dos dois territ�rios, Gaza e Cisjord�nia, favorece a separa��o pol�tico-doutrin�ria das lideran�as das duas �reas. Em Gaza, cresceu e se solidificou o fanatismo teocr�tico. Ou se neutraliza esse tipo de lideran�a, substituindo-o, ou o Estado �rabe-palestino n�o se configurar�. Como o Egito n�o aceitou receber de volta o territ�rio de Gaza em 2005, e a Autoridade Nacional Palestina n�o tem como derrotar os fan�ticos, s� h� dois caminhos vi�veis: (A) a ONU governa Gaza permanentemente, atrav�s de governador-geral e com tropas de paz, como territ�rio internacional, ou (B) formam-se dois Estados �rabe-palestinos distintos, Cisjord�nia e Gaza, sob imposi��o das for�as pol�ticas internacionais de que n�o haja governo teocr�tico, de que suas constitui��es sejam laicas, garantindo liberdade de cren�a religiosa sem partidos com nomes religiosos, e de que se institua impedimento autom�tico a qualquer presidente ou qualquer premier que cometa ato que caracterize quebra da separa��o religi�o-Estado. Depois de muitas d�cadas, enfim, as popula��es de Gaza, Israel e Cisjord�nia poder�o usufruir uma era de paz e progresso, sem o risco de repetir a guerra entre Paquist�o e Bangladesh. (O Estado do Vaticano, que n�o � na��o, de crian�as nacionais, mas apenas um Estado formal sob regime teocr�tico, deve ter status especial nas Na��es Unidas, abdicando de manter-se como membro ordin�rio.)
ADJETIVA��O. Chamar os fan�ticos religiosos de terroristas empresta a eles uma seriedade que eles n�o merecem ter, e ainda ajuda-os a ganhar seguidores, que n�o se sentir�o fan�ticos, mas "terroristas", aterrorizadores de seus supostos inimigos.
Cacildo Marques .*. FEV2009
Sabendo-se que os tr�s motores da hist�ria (da trag�dia humana) s�o
(i) o governo vital�cio,
        
(ii) a n�o-separa��o religi�o-Estado e
        
(iii) o Efeito Versalhes-Weimar - chefe de Estado instalado em cidade sem status secular de capital -,
fatos facilmente verific�veis, elabora-se o Projeto Einstein - da ideia de Albert Einstein da organiza��o de um governo mundial -, em que v�rios pontos das vers�es anteriores s�o aperfei�oados. O Projeto Einstein de governo mundial (esta � a vers�o 5) requer estes 10 itens:
1. Presidente Mundial com posse na ONU a cada 1 de janeiro, e resid�ncia oficial em Washington-DC.
        
2. Presid�ncia de homem em ano �mpar e mulher em ano par, com rod�zio dos cinco continentes*.
        
3. Premier (Secret�rio Geral) chamado Premier-Mundial, com mandato de quatro anos, n�o de cinco.
        
4. Lan�amento de uma moeda escritural, valendo 1 dg de ouro, que sirva de par�metro para contratos.
        
5. Veto no governo mundial a: A) corpo pr�prio de For�as Armadas, B) Constitui��o, C) moeda impressa.
        
6. Forma��o do Conselho Cient�fico da ONU, um conselho consultivo de dez membros cientistas**.
        
7. Estabelecimento de mecanismo de recep��o de heran�as vacantes (50% para a Unesco e a Unicef).
        
8. Campanha pela proibi��o de: armas de CANO CURTO (covardes), destilados a maiores de 21, teocracia.
        
9. Tratamento de loucos aos fan�ticos (B. Russell) e instala��o de um governo internacional em Gaza ***.
        
10. Somente direito de voz na ONU, n�o de voto, a pa�s sob governo pr�-vital�cio (h� mais de dez anos).
*A resid�ncia presidencial oficial fica em cidade que deve possuir o status hist�rico secular de capital nacional, para que seja evitado o terr�vel Efeito Versalhes-Weimar (basta observar o que acontece a Mianmar, na �sia, e � Nig�ria, na �frica, com suas novas capitais). N�o poder�, pois, a Presid�ncia fixar-se em Nova Iorque, que n�o � capital nacional secular, embora nela se deva manter a Secretaria Geral. (Mas h� alternativas a Washington: Paris, por exemplo - antes que ela perca o status, em 2100, se n�o for a capital presidencial da Uni�o Europeia. No caso de se decidir por Washington-DC, ser� necess�ria a anu�ncia do governo dos EUA.) Torna-se ileg�timo e golpista qualquer Presidente Mundial que n�o seja homologado pela Assembleia Geral da ONU, ou que n�o entregue o cargo no dia 1 de janeiro do ano seguinte ao mandato exercido. A Presid�ncia � alternada entre (1) Am�rica do Norte, (2) Am�rica do Centro-Sul, (3) �frica/Oriente M�dio, (4) �sia/Oceania, (5) Europa. Em cada ano, al�m de homologar o pr�ximo presidente, a Assembleia Geral indica, para o ano seguinte, que pa�s, no continente da vez, indicar� atrav�s do seu parlamento nacional a pessoa para a presid�ncia mundial. (Na aus�ncia dessa indica��o pelo parlamento, fica indicado, por default, o �ltimo presidente constitucional do pa�s em quest�o a ter empossado constitucionalmente seu sucessor ou, no caso de monarquia constitucional, o pr�prio monarca.) A resid�ncia do Presidente Mundial anual em Washington RESOLVE a um s� tempo tanto o problema da guerra quanto o da instabilidade econ�mica nos diversos pa�ses do globo (isto � cient�fico). Para n�o ter a presid�ncia na capital fixa, ou t�-la em capital sem status secular, ou, ainda, t�-la em car�ter longevo, � mil vezes prefer�vel n�o haver presid�ncia.
**As dez ci�ncias b�sicas participam do Conselho Cient�fico: Matem�tica, Astronomia, F�sica, Qu�mica, Biologia, Etologia, Psicologia (cl�nica/did�tica), Psicossociologia (economia/etnologia/pol�tica), Semi�tica e Psicolingu�stica. Cada um dos dez cientistas representantes deve ser de um pa�s distinto (n�o podendo haver dois cientistas de um mesmo pa�s).
N�o se promulga uma Constitui��o da ONU, mas apenas a "Lei de Sucess�o e Governo". A inspira��o constante do governo mundial deve ser o livro "Discurso sobre a servid�o volunt�ria", de Etienne de La Bo�tie (de 1548).
Arthur C. Clarke previu para o ano de 2010 a instala��o do governo mundial.
Com um Presidente de mandato anual e Premier de mandato quadrienal (Secret�rio-Geral, que deve ter mandato quadrienal sem recondu��o a partir de 2014 - refinamento do 'Projeto Einstein' para a ONU), os pa�ses membros passam a ter um exemplo a seguir e os cidad�os dos cinco grandes continentes passam a viver um Regime de Liberdade Civil patrocinado pelo poder central do mundo, constitu�do sobre esse �rg�o que a humanidade levou tr�s mil�nios construindo, a Organiza��o das Na��es Unidas. O per�odo m�ximo de garantia de rela��o sadia entre chefe e subordinados � de quatro anos.
Rep�blicas sob governo vital�cio s�o fonte de trag�dias. Significam a morte dos indiv�duos talentosos (Efeito Maiakovski). A vitaliciedade � o pre�mbulo do genoc�dio, a menos que o governante tenha personalidade muito fraca. Por isso a ONU deve retirar o direito de voto a rep�blicas que se encontram sob presid�ncias vital�cias ou sob presidentes ou primeiros-ministros com mais de dez anos no cargo (ou a monarquias com primeiros-ministros vital�cios, ou com mais de dez anos no cargo - o Vaticano passa a ser considerado monarquia, e seu secret�rio de Estado, premier), como forma de mostrar que h� um caminho sadio. (O laborat�rio da Psicologia Social tem como relat�rio dos experimentos a historiografia.)
Entre os sistemas condenados devem estar, pois: (A) a monarquia absolutista; (B) mandato longevo (mais que dez anos), ou vital�cio, de presidentes de pa�ses ou de primeiros-ministros; (C) suspens�o do Regime de Liberdade Civil fora de imperativo b�lico; (D) federa��o com presidencialismo de elei��o direta (contradi��o); (E) resid�ncia do chefe de Estado em capital sem status hist�rico (Efeito Versalhes-Weimar), como Abuja. A ONU deve encetar campanha permanente por separa��o religi�o-Estado (a n�o-separa��o gera terrorismo).
***O Estado de Israel � cria��o formal da ONU, que, portanto, deve proteg�-lo, e o caminho mais imediato � a cria��o do cintur�o de seguran�a: a regi�o do Gol� e mais uma faixa de 10 km de largura ao sul do L�bano (5 km do L�bano e 5 km de Israel) devem tornar-se Faixa Internacional do Can�-Gol�, gerida pela ONU atrav�s de governador-geral, indicado pela pr�pria ONU, um a cada ano, dos Estados n�o-teocr�ticos da vizinhan�a: Jord�nia, Iraque, L�bano e Kowait, formando-se o embri�o de uma federa��o desses quatro Estados - J-I-L-K, com capital presidencial em Beirute. Se a S�ria tornar-se uma democracia laica n�o-vital�cia, ela tamb�m entra, formando a federa��o J-I-L-K-S. Uma grande federa��o democr�tica neutraliza a insurg�ncia. O ex�rcito de paz deve construir uma grande estrada unindo a Jord�nia ao mar Mediterr�neo, para ter o efetivo controle da Faixa Internacional (que pode receber o nome de Faixa de Al-Khowarismi, homenagem ao �rabe-persa que inventou a �lgebra). A ONU dever� deixar de gerir o territ�rio quando se conseguir um per�odo de pelo menos trinta anos sem guerras ou escaramu�as no Oriente M�dio. Sem isso, Israel prosseguir� reagindo, para n�o repetir o destino do Reino Latino de Jerusal�m (1099-1187). A ONU deve instar Israel a situar 1917 como o ano de sua liberta��o - tendo o nazismo como a primeira rea��o a esse fato -, e considerar 1948 como o ano da formaliza��o do Estado; em 2017 faz-se a festa de 100 anos da liberta��o.
Gaza. Para ter vis�o de governo, e n�o de ONG, a ONU precisa administrar um territ�rio, permanentemente. A sugest�o � de que este seja a Faixa de Gaza. A ONU, atrav�s do Conselho de Seguran�a, garante a cria��o formal do Estado da Cisjord�nia, soberano, com a exig�ncia de que a Faixa de Gaza seja transformada em territ�rio internacional, sob administra��o da ONU. A Faixa de Gaza foi tomada do Egito por Israel, que quatro d�cadas depois a 'devolveu' para a... Autoridade Nacional Palestina. O resultado disso foi uma trag�dia para o territ�rio. A Universidade da ONU deve ter uma unidade a�. As crian�as devem aprender na escola tr�s l�nguas desde os seis anos de idade: ingl�s, franc�s e �rabe. A partir dos doze anos, e at� os dezessete, o franc�s � substitu�do pelo latim. O Premier Secret�rio-Geral reside em Nova Iorque e o Governador-Geral reside em Gaza, respondendo ao Premier. Ou a ONU governa Gaza com Ex�rcito de Paz ou, mantendo-se na regi�o, transforma-a em cevadouro de fan�ticos.
Observa��o. Uma configura��o menos revolucion�ria, e mais exequ�vel, para a instala��o da presid�ncia mundial � escolher pa�s s� nos anos Zero e 5, ficando os quatro anos seguintes do quinqu�nio com quatro grandes federa��es do Conselho de Seguran�a: anos 1 e 6 - China; anos 2 e 7 - EUA; anos 3 e 8 - R�ssia; anos 4 e 9 - Uni�o Europeia. O presidente do ano em quest�o reside em Washington, mas continua exercendo a presid�ncia de seu pa�s. Nos anos 4 e 9, a Assembleia Geral escolhe o pa�s a exercer a presid�ncia no ano seguinte, e o chefe de Estado desse pa�s reside em Washington durante todo esse ano de mandato. Este presidente dos anos Zero e 5 n�o deve ser presidente em �ltimo ano de mandato em seu pa�s, nem presidente com nove anos ou mais no cargo. Ao escolher o pa�s, a Assembleia Geral deve levar em conta tal situa��o. Teocracias: o Vaticano, Estado que n�o � na��o, por n�o ter crian�as nacionais, deve ter status de membro especial na ONU, n�o de membro ordin�rio, como as na��es; dessa forma, nenhuma na��o sob regime oficialmente teocr�tico deve ser aceita como membro pleno, pois a ditadura teocr�tica � o mergulho nas trevas da morte.
Cacildo Marques .*. JAN2009
� algo muito evidente que, pelo conjunto de atitudes aprendidas e de preceitos cultivados, a religi�o em que menos ocorrem doen�as degenerativas ou tend�ncias criminosas � o catolicismo puro, seja romano, seja ortodoxo, isto �, o catolicismo sem a psicofonia dos esp�ritas e sem o pentecostalismo dos carism�ticos. Assim, deveria ser incompreens�vel que pessoas abandonem o catolicismo para abra�ar outra religi�o, ou que pessoas sem religi�o escolham outras cren�as em lugar do catolicismo.
Mas h� algumas explica��es para isso. O primeiro ponto � o ass�dio das outras religi�es, como o islamismo, que oferece o para�so cheio de pr�mios ap�s a morte, ou o pentecostalismo, que acena com uma vida de riquezas e alegrias j� nesta vida. Um doutrinador cat�lico recua diante da primeira recusa, enquanto que um pentecostal e um isl�mico enxergam na resist�ncia do interlocutor um desafio a ser vencido, a todo custo.
V�CIOS. No caso do pentecostalismo, a persegui��o aos v�cios e a valoriza��o do trabalho garantem realmente melhorias econ�micas, mesmo quando n�o levam ao enriquecimento. Isso � um bom cart�o de visitas, diante dos agn�sticos e dos cat�licos sem catecismo. Submetido a algumas poucas prele��es evang�licas, o cat�lico inculto se convence de que ingressou num mundo novo, porque, diz, �conheci Jesus�, sem se dar conta da blasf�mia dessa afirma��o.
FRAGILIDADE. Por que o cat�lico de pouca base n�o percebe que o abandono dos v�cios, que lhe corroem as economias e a coes�o familiar, � prop�sito da doutrina cat�lica, n�o havendo necessidade de trocar de cren�a para se obter o benef�cio? Por que ele n�o sabe que o catolicismo prega a valoriza��o do trabalho e da parcim�nia? A resposta a essas perguntas � simples: o aprendizado de ouvido, sem leitura, atinge menos de um d�cimo da profundidade do aprendizado por livro. Isso significa que o cat�lico sem base doutrin�ria � contado na estat�stica de cat�lico, mas sua ades�o � doutrina � extremamente fr�gil.
MELHORIA. Contudo, mesmo esse indiv�duo de poucas informa��es, ou de informa��es err�neas, perceberia a vantagem do catolicismo frente �s outras religi�es se lhe fosse oferecida a perspectiva segura de crescer economicamente. Ent�o o pentecostalismo perderia seu argumento mais poderoso. Pois o cat�lico iletrado descobriria que os cat�licos cultos n�o veneram est�tuas, e que � por respeito �s cren�as populares que os padres mant�m a tradi��o das imagens esculpidas (os soldados de Cortez insuflaram os astecas para a guerra porque decidiram quebrar seus totens, suas est�tuas religiosas). N�o h� nenhum motivo para o catolicismo deixar de condenar a inveja, a gan�ncia e a competi��o bruta. Mas essa pr�tica n�o deve continuar a servir de barreira ao enriquecimento das comunidades cat�licas.
COOPERATIVAS. E o grande instrumento de melhoria econ�mica dos cat�licos est� dentro da pr�pria doutrina. Trata-se das cooperativas de produ��o. Deveria fazer parte da forma��o dos padres o treinamento para que eles venham a orientar e a incentivar os fi�is na cria��o e na manuten��o de cooperativas em todas as par�quias. E a persegui��o aos v�cios, a come�ar por fumo, �lcool e jogos de azar, n�o deveria esperar por atitudes dos governos. Cat�licos que se livram de gastos ilus�rios e prejudiciais certamente se afastam do pauperismo.
TESOURO. Enfim, o cat�lico sem catecismo n�o percebe que o catolicismo � a religi�o mais sadia porque outras religi�es lhe encantam com promessas de al�vio mais eficaz para suas dores. Ofere�a-se a perspectiva de melhoria econ�mica dentro da religi�o cat�lica e ele notar� os outros benef�cios dela. Mas n�o se deve deix�-lo sem leitura e aprofundamento da doutrina, pois Durkheim constatou por estat�sticas que as pessoas mudam de religi�o diante da mudan�a de situa��o socioecon�mica. Tamb�m o uso dos meios de comunica��o laicos de maior penetra��o deve estar sempre na programa��o dos doutrinadores cat�licos. E deve-se resgatar no mundo inteiro o tesouro da pr�tica dos c�nticos em latim, pois o infeliz costume pentecostal de entregar-se a efus�es �em l�nguas estranhas� tem atra�do os cat�licos fr�geis, carentes do uso religioso de uma l�ngua que n�o � a sua fala do dia-a-dia. A catequese do terceiro mil�nio deve, portanto, partir desses pontos: (1) forma��o de cooperativas de produ��o nas comunidades paroquiais, (2) persegui��o aos v�cios, (3) cobran�a de leitura esclarecedora, (4) uso intensivo dos grandes meios de comunica��o de massa e (5) pr�tica dos c�nticos em latim.
Cacildo Marques .*. JAN2007
Se houver toler�ncia com maus gastos dos recursos p�blicos, n�o haver� sucesso na luta pela redu��o da carga tribut�ria. Todos sabem que entre os grandes incentivos � sonega��o est�o dois resultantes de a��es do governo, que s�o o gasto errado e a carga tribut�ria excessivamente elevada. Essas a��es n�o justificam o crime, mas alimentam.
S�o duas, pois, as frentes de combate em que devem tomar posi��es os que pretendem abrir o caminho para o desenvolvimento nacional atrav�s da racionaliza��o da atua��o governamental. Abaixo s�o relacionadas algumas a��es necess�rias.
CHEQUE. N�o se deve dar um cheque em branco ao poder executivo cobrando-se dele empenho por uma �reforma tribut�ria�. No entendimento do governo, �reforma tribut�ria� significa altera��o da lei para permitir maior arrecada��o de impostos, mesmo que os governantes digam o contr�rio. A palavra de ordem deve ser, pois, �redu��o tribut�ria�.
GASTOS. N�o � com redu��o do n�mero de servidores humildes, privatiza��o de servi�os p�blicos ou corte de verba de manuten��o que se reduzir� consistentemente o gasto indevido. � necess�rio atacar (1) o privil�gio, (2) a alta nomenclatura, (3) a licita��o �reparada�, (4) o desperd�cio, (5) o mau investimento, (6) o mau exemplo e (7) a dilapida��o do tesouro em conseq��ncia de doa��es ou de a��es de agentes corruptos.
PRIVIL�GIO. Ocupantes de certos cargos abusam da prerrogativa de inventar gastos e criar aumentos de remunera��es, a come�ar da presid�ncia da rep�blica. Maior transpar�ncia no planejamento das a��es � o rem�dio sagrado contra os disparates.
NOMENCLATURA. O termo russo �nomenklatura� designava a camada de funcion�rios privilegiados do sistema sovi�tico. Chamemos de �alta nomenclatura� o incha�o no sistema de nomea��es para postos p�blicos de altos sal�rios em cargos de confian�a, e de alt�ssimos sal�rios em cargos de provimento por concurso.
LICITA��O. A licita��o �reparada� � aquela licita��o que � anulada na justi�a por injun��o de um concorrente perdedor, que compete na edi��o seguinte e... ganha. Algoritmo: impede-se de concorrer aquele que entrar na justi�a para anular resultado de licita��o. Assim, s� por alto esp�rito p�blico algu�m tentar� anular um resultado, e n�o por interesses escusos. Para o fim da ind�stria de liminares, basta que se institua que uma liminar seja v�lida apenas se assinada por dois ju�zes, de comarcas distintas, ou de tribunais distintos, excetuando-se o STF.
DESPERD�CIO. Toda a educa��o dos jovens deve ser direcionada para a pr�tica da elimina��o do desperd�cio, mesmo nos mais simples atos, como uso do l�pis ou da merenda. No servi�o p�blico, n�o liberar obras cuja rela��o custo-benef�cio seja nebulosa ou tenha valor muito alto. N�o liberar obras que n�o tenham um m�nimo de garantia de continuidade em gest�es posteriores. O paradigma do desperd�cio nacional � o cimento que se perde no rodap� das constru��es. N�o se desperdice sobra, pois. (S� o investimento em ci�ncia b�sica deve ser defendido quando o retorno n�o � vis�vel, porque o que ocorre � a n�o-mensurabilidade.)
INVESTIMENTO. O mau investimento � a grande divers�o do governante incapaz. Contra isso, a mobiliza��o popular atrav�s da imprensa � um caminho a ser usado sempre. Mas, dependendo da sensibilidade do chefe, s� quando contendores igualmente rom�nticos p�em a vida em risco � que h� alguma possibilidade de recuo, como no caso da greve de fome do bispo de Cabrob�.
EXEMPLO. O mau exemplo est� sempre presente quando os governantes s�o despreparados e se cercam de assessores do mesmo n�vel. O primeiro tipo de mau exemplo � o uso c�nico dos privil�gios. Mas, mesmo quando h� censura nesse campo, o governante in�bil pode dar mau exemplo, haja vista o caso dos dirigentes que mudam a resid�ncia oficial para cidades sem sustenta��o cortes�, como Weimar, Ravena e Xangai (n�o precisa ser para Versalhes ou Bras�lia).
DILAPIDA��O. Projetos que o governante consegue aprovar no parlamento visando � distribui��o de bens materiais, para pobres ou para ricos, representam o fim da esperan�a de qualquer racionalidade tribut�ria. Pagamentos de montantes imensos de juros servem para sustentar quem jamais deveria sentar-se na cadeira de governante. Mas a sociedade tem tolerado isso e n�o se enxerga um modo de clarear a mente do eleitor. Resta aos empres�rios gritar sempre e cada vez com voz mais forte, at� que um dia seja revertido o vetor do desmando.
AL�QUOTA. Do lado da carga excessiva, a segunda provid�ncia � a primeira � exigir �redu��o� em vez de �reforma� � � condenar sem timidez o analfabetismo num�rico que est� por tr�s da chamada �al�quota progressiva�. Al�quota �nica significa proporcionalidade, garantindo que quem ganha mais paga mais, na mesma propor��o. Al�quota progressiva, ao contr�rio, significa que quem ganha mais tente refrear suas possibilidades de melhoria, para n�o ser �mordido� de forma cruel pelo fisco. Como o ICMS, o IR deveria tamb�m ter al�quota fixa de 17%, cabendo no m�ximo duas taxas distintas, uma para pessoa f�sica e outra para pessoa jur�dica. (Dois cidad�os, um rico e um remediado, possuem dez im�veis cada um. O rico tem dez mans�es e o remediado tem dez casas simples. Por for�a de um gasto b�lico, o parlamento discute uma lei para tribut�-los em seus bens. O autor da lei quer 20%, estabelecendo que o remediado entregue duas casas e o rico entregue tamb�m duas mans�es. Ora, um deputado rom�ntico, semianalfabeto, exige que o mais rico seja tributado numa al�quota maior: 40%. Questionado pelo deputado mais s�bio sobre o porqu� da diferen�a, pois o rico teria de entregar quatro im�veis, e n�o dois como o remediado, o semianalfabeto percebeu a �injusti�a� de sua proposta e concordou com a tributa��o em duas mans�es. Com rom�nticos semianalfabetos, pois, negocia-se em termos de n�mero de rapaduras, e n�o em termos de raz�es, que isso para eles � conceito impenetr�vel.)
ANTECIPA��O. As pessoas f�sicas s�o tributadas no IR sempre de modo antecipado, muitas vezes recolhendo mais do que devem. Na pr�tica, sustentam a m�quina do governo. Para reduzir o imenso privil�gio das pessoas jur�dicas, o valor de 1/12 da metade do IR presumido da entidade deveria ser depositado mensalmente para o fisco, como antecipa��o, que nem chega a ser um adiantamento, pois o fato gerador ocorre ao longo de todo o ano fiscal, n�o s� no balan�o final. Isso passaria a vigorar ap�s a aplica��o da �redu��o tribut�ria�, que alavancaria os neg�cios e os ganhos.
JUROS. Baixar os juros significa mostrar que se est� livre de sustentar o custo do efeito Versalhes-Weimar. Assim, o governante deveria ser obrigado a encontrar a sa�da, assinando e declarando oralmente o compromisso da ren�ncia ap�s um ano de mandato caso n�o consiga reduzir a taxa aos limites constitucionais. Nesse caso, o presidente da rep�blica deve ser eleito com uma chapa de tr�s vice-presidentes. Se o presidente precisa governar com juros de mais de 12%, ele � incompetente e indigno de continuar no posto.
Cacildo Marques .*. FEV2006
O sonho de muitos rom�nticos � ver o Estado garantir os mecanismos b�sicos de subsist�ncia dos desvalidos, de modo a estabelecer um mundo sem mis�rias. N�o � por ser uma boa id�ia que isso n�o seja o padr�o de governo nos diversos pa�ses. A id�ia � s�rdida.
ISONOMIA. A grande luta da esp�cie humana tem dois motores de proa: busca da liberdade e busca da isonomia. Um sistema pol�tico que discrimine os cidad�os, dando bens aos necessitados, e s� a eles, contraria o �mago da perspectiva maior da humanidade. Embora Malthus parta de um ponto de vista conservador e enganoso, sua proposta a� � correta: deixa-se �s par�quias a pr�tica das doa��es, e n�o ao governo (seu extremismo leva-o a recomendar que o governo n�o doe nem rem�dios, e deixe os pobres morrer de suas doen�as).
FINANCIAMENTO. Os adultos sabem, ou pelo menos deveriam saber, gerenciar os recursos que lhes chegam �s m�os mediante esfor�o pr�prio. Se quiserem us�-los para m�s a��es, como terrorismo, isso � de sua compet�ncia, embora seja sinal de loucura. Sustentar adultos com verba p�blica pode significar, na pr�tica, dispens�-los de gastar tempo com �ganhar a vida� e entreg�-los � ociosidade e � pregui�a, chamada tradicionalmente de �m�e de todos os v�cios�. (Nos tempos da guerra civil de El Salvador, o pa�s apresentava uma caracter�stica curiosa: era o �nico das Am�ricas a contar ainda com a ajuda alimentar da �Alian�a Para o Progresso�, do governo Kennedy.)
DESCONTROLE. Instituindo-se a doa��o oficial, tem-se de decidir que tipo ou que camada de pessoas deve fazer jus ao benef�cio. Instala-se ent�o a ca�a �s bruxas. Pobres que n�o s�o pobres, empregados que deixam de trabalhar, pol�ticos que embolsam recursos, problemas v�rios relacionados ao sistema. Os que tentam burlar, v�em no sistema um privil�gio. Se ningu�m pensa em burlar, � porque o sistema � visto como algo que estigmatiza. Entre estigma e privil�gio, o correto � n�o haver o modelo. N�o � poss�vel justificar que s� os pobres possam receber bens p�blicos gratuitamente.
PROPRIET�RIO. O dono do tesouro p�blico � a popula��o, n�o o governante. Ele, governante, pode doar seus bens pessoais a quem ele queira. Doar os bens p�blicos n�o pode ser uma decis�o de nenhum governante ou partido.
COMODISMO. Esta � uma preocupa��o discutida no s�culo XVI, na introdu��o do livro �A Utopia�, de Thomas Morus. Comer, beber e morar sem precisar fazer esfor�o para sustentar a satisfa��o dessas necessidades leva ao comodismo e � pregui�a. N�o deveria ser necess�rio fazer experi�ncia pr�tica, com a deforma��o do car�ter de gera��es.
CONFUS�O. Os esp�ritos mais preparados e elevados dedicaram-se a formular pol�ticas de promo��o humana a partir de a��es estatais, como educa��o dos jovens, financiamentos � agricultura e � ind�stria, cria��o de empregos, investimento em infraestrutura e atra��o de capitais externos, sempre evitando levar o governo � pr�tica da esmola e da discrimina��o de pessoas. Por isso � que nenhum indiv�duo s�rio prop�s doa��o de v�veres ou equivalentes como solu��o governamental dos problemas da pobreza. Os demagogos �pais dos pobres�, se n�o forem contidos pelo bra�o da lei, instalar�o a confus�o e dilapidar�o galhardamente o tesouro p�blico distribuindo dinheiro aos que eles julgarem necessitados.
CONTRAPARTIDA. Os gastos governamentais dividem-se em manuten��o da m�quina p�blica e investimentos. E investimentos t�m contrapartida, que n�o deveria ser nunca o voto popular comprado de modo sub-rept�cio. Bolsa de estudo paga-se com estudo, bolsa de pesquisa paga-se com trabalhos cient�ficos, infraestrutura paga-se com aumento da renda. Aplica��o a fundo perdido s� se justifica em casos emergenciais ou de calamidade p�blica.
EDUCA��O. Condorcet prop�s ensino p�blico universalizado, como investimento governamental nobre e construtivo. Trata-se de oferta de bem intang�vel, que sequer pode ser mensurado nos seus resultados finais. Arist�teles diz que o professor ganha pelo tempo dedicado � a��o, porque o valor do ensino n�o pode ser computado. N�o � presente para a fam�lia nem para o estudante, pois se trata de gasto visando ao avan�o da ci�ncia e do progresso social. Prover ensino financiado pelos gastos estatais n�o deforma o car�ter, mas fornecer bens materiais gratuitos, mesmo dentro da escola, forma gera��es dependentes e, portanto, mal-educadas. Os pais precisam ter condi��es de comprar livros para os filhos, mas, enquanto isso n�o acontecer, as crian�as devem ler os livros da biblioteca escolar ou da biblioteca p�blica. O empr�stimo melhora o car�ter e a auto-estima, ao contr�rio do consumo sem presta��o de contas. Assim, anistiar d�vida � a��o altamente antieducativa.
Cacildo Marques .*. JAN2006
Depois de 1979, com o tatcherismo e a �reaganomics�, muitos pol�ticos passaram a enxergar a privatiza��o dos servi�os p�blicos como medida plenamente justific�vel. A queda do Muro de Berlim, em 1989, destruiu a argumenta��o dos que se opunham � privatiza��o seguindo uma doutrina fechada, datada, de consist�ncia duvidosa. E muitos que se julgavam esquerdistas passaram a lutar por uma pol�tica de esmola p�blica para os pobres.
� necess�rio, portanto, p�r as coisas no lugar, o que significa alcan�ar a s�ntese entre duas correntes antag�nicas que, a manter-se no seu intermin�vel embate, continuar�o a lan�ar os pa�ses em revolu��es e contra-revolu��es igualmente tr�gicas.
E o que se pode ver claramente agora � que a privatiza��o dos servi�os p�blicos carrega consigo duas ignom�nias, que a transformam em decis�o altamente conden�vel: primeiro, ela desvia, de modo irrespons�vel, o empresariado do seu campo apropriado, que � o da produ��o; segundo, ele elimina a garantia de emprego para os negros, o que se constitui em desgra�a programada para imensas parcelas dos cidad�os das Am�ricas.
Para uma an�lise desse primeiro problema, devemos notar que, se o objetivo da empresa � auferir melhores lucros, fica muito f�cil atrair o empresariado para a explora��o de servi�os como distribui��o de eletricidade � n�o de produ��o de energia -, correios, distribui��o de �gua, transportes p�blicos, escolas, hospitais e bancos, e eles fugir�o dos setores produtivos, assim como o macaco foge do coco seco e duro quando v� banana madura � frente.
E segundo os c�nones da economia, registrados por Adam Smith, n�o � o servi�o que cria riqueza, mas a produ��o de bens. Incentivar os empres�rios a trocar produ��o por servi�o p�blico privatizado n�o chega a ser, pois, uma estrat�gia desenvolvimentista.
O segundo aspecto da quest�o ficou n�tido para o mundo todo durante a passagem do furac�o Katrina pela Louisiana, com a destrui��o de Nova Orleans. As pessoas de classe m�dia e de classe m�dia alta fugiram da cidade em seus carros assim que os servi�os meteorol�gicos anunciaram a possibilidade de inunda��o total do local. Os pobres n�o puderam escapar em tempo h�bil e o que se viu foi que os negros sobraram na cidade, nos quatro dias seguintes ao rompimento do dique e � conseq�ente imers�o da cidade-s�mbolo do jazz. Ora, estava ali a cara da �reaganomics�, a pol�tica de enxugamento do Estado iniciada pelo presidente Ronald Reagan e continuada nas gest�es seguintes.
Quando os servi�os p�blicos est�o nas m�os do Estado, os negros prestam concursos e se empregam. Obt�m empregos com muito mais facilidade que no setor privado, quando t�m de disputar com brancos e s�o preteridos. Isso � uma suposi��o de que h� racismo no setor privado? N�o: n�o � suposi��o, � fato. Por isso � que Washington, uma capital artificial, tem em sua demografia 70% de habitantes negros. L� � que estavam os servi�os p�blicos federais. Se os negros fossem aceitos sem problema nas empresas privadas espalhadas pelo pa�s, n�o teria ocorrido sua converg�ncia para a capital. O fen�meno se observa do gelo �rtico � Terra do Fogo.
Entre os brasileiros, at� o in�cio da d�cada de 80, quando havia muito concurso para funcion�rios dos servi�os p�blicos, como sa�de e educa��o, os negros encontravam a� um meio de resolver sua vida social. V�em-se ainda alguns negros nas escolas e nos hospitais, efetivados naqueles tempos. Com a dissolu��o dos servi�os p�blicos, a disputa acirrada nos concursos para as poucas ocupa��es que sobraram praticamente inviabiliza uma perspectiva de futuro para as camadas que mais necessitam disso. O mais recente concurso para escritur�rio do Banco do Brasil contou com cinco milh�es de concorrentes!
Cacildo Marques .*. NOV2005
O jogo � descobrir qual dos cem erros � o mais fatal.
Pol�ticos
1. Achar-se o detentor do monop�lio da verdade pol�tica
2. Acusar sempre os outros pelas incompet�ncias
3. Aliar-se a doutrinadores religiosos arrivistas e inescrupulosos
4. Amea�ar o cidad�o com a retirada de garantias das leis do trabalho
5. Apostar no rom�ntico presidencialismo direto
6. Apresentar condutas opostas na oposi��o e na situa��o
7. Carecer de uma pol�tica industrial consistente
8. Comprar consci�ncias de parlamentares
9. Confirmar o efeito Versalhes-Weimar no Planalto Central
10. Confrontar-se com as demandas dos defensores do meio ambiente
11. Construir democracia pervertida com elei��o entre n�o-pares
12. Contemporizar com o comportamento novo-rico das lideran�as
13. Continuar a pol�tica econ�mica do governo que combateu
14. Copiar do governo anterior a entrega das estradas aos ped�gios privados
15. Cortar verbas da sa�de incluindo a dos �ndios
16. Cortejar ditaduras vital�cias
17. Descuidar de um plano de eleva��o do padr�o cultural r�dio-televisivo
18. Desgastar-se com a insist�ncia nos baixos soldos da caserna
19. Desrespeitar o pacto federativo (ganhar tr�s UFs e achar que ganhou o pa�s)
20. Distribuir esmolas p�blicas em vez de fomentar empregos
21. Doutrinar militantes com t�cnicas de fundamentalismo religioso
22. Encampar a �interpreta��o ventriolesca da hist�ria�
23. Endividar o pa�s de forma escandalosa
24. Enganar o eleitor com discurso de esquerda e pol�tica de direita
25. Ensinar que a doutrina dos outros partidos era rid�cula
26. Estagnar a economia industrial do pa�s
27. Expulsar filiados que insistiam nas quest�es de princ�pio
28. Fazer alian�as com partidos neofascistas
29. Financiar a veicula��o do tipo mais bronco de m�sica popular
30. Fraquejar no prop�sito de cria��o de empregos
31. Fundir as receitas de tributos e previd�ncia
32. Gastar com bolsas sem contrapartida (compra de voto dos pobres)
33. Ignorar a causa do alto custo da moeda
34. Imaginar que tinha alguma chave para o grave problema socioecon�mico
35. Implementar �eugenia negativa� com distribui��o de p�lulas abortivas
36. Insistir na reforma agr�ria baseada em doa��o de glebas
37. Julgar-se portador de �tima proposta hist�rica
38. Justificar-se nos erros dos outros
39. Levar � Presid�ncia da Rep�blica um cabotino sem instru��o formal
40. Manter uma profus�o de minist�rios
41. Mostrar timidez na pol�tica de ci�ncia e tecnologia
42. Pagar di�rias dispendiosas de numerosas viagens ao exterior
43. Pautar a pol�tica externa pela demagogia
44. Praticar corrup��o eleitoral no lugar dos candidatos conforme a tradi��o
45. Prejudicar servidores p�blicos em leis previdenci�rias
46. Prometer uma pureza hip�crita suscet�vel de desmascaramento
47. Renegar a hist�ria do trabalhismo democr�tico derrotado em 1964
48. Sustentar a tradi��o de abandono dos agricultores de pequeno e m�dio porte
49. Tolerar as paralisa��es freq�entes no servi�o p�blico
50. Tentar o bombeamento eletr�nico das �guas do rio S�o Francisco
Educacionais
51. Abolir a cartilha
52. Abominar a compara��o dos desempenhos acad�micos
53. Acreditar na import�ncia dos gastos com �reciclagem� de professor
54. Afugentar a classe m�dia baixa da escola p�blica com greves e mau ensino
55. Apoiar a exclus�o dos pobres na escola do �aprende-quem-quer�
56. Aplicar a pol�tica do �laissez-faire� com as criancinhas nas escolas
57. Buscar implantar o sistema demag�gico na gest�o das universidades
58. Combater o reconhecimento do m�rito nas escolas
59. Compactuar com os que destroem a autoridade do professor
60. Crer com Rousseau que crian�a n�o tem caprichos nem �ndole
61. Dar uniformes e materiais escolares a quem n�o precisa nem pede nem usa
62. Defender a aprova��o com perj�rio de alunos que sequer se sentam na aula
63. Desprezar a import�ncia do conte�do program�tico na escola
64. Destro�ar a qualidade do Prov�o do Mec
65. Desvirtuar o papel de promo��o das massas que a escola deve ter
66. Dificultar providenciais transfer�ncias de alunos que agridem docentes
67. Enfiar na mesma unidade escolar a pr�-escola e os jovens ginasiais
68. Esbravejar contra a separa��o prim�rio-gin�sio
69. Escorra�ar bons professores por derrubar o n�vel do ensino p�blico
70. �Esquecer-se� por preconceito de restaurar a disciplina Trabalhos Manuais
71. Fazer demagogia na aloca��o de alunos nas escolas
72. Fortalecer os col�gios particulares
73. Impor o ensino de Cidadania sem �tica
74. Importar para uma escola ma�ante o longo ano letivo de Cuba
75. Inflar setores burocr�ticos na educa��o
76. Investir em distribui��o de livros que n�o ser�o lidos no ensino m�dio
77. Lutar para impedir a municipaliza��o do ensino prim�rio
78. Macaquear as cotas (�barreira intranspon�vel contra a qualidade� - Deming)
79. Misturar ensino escolar e creche no mesmo bolo or�ament�rio
80. Negligenciar o ensino das ci�ncias
81. Perverter a no��o de ciclo escolar da LDB-61
82. Piorar ainda mais o ensino em nome do empreguismo de maus docentes
83. Preferir avalia��o escolar em letras � avalia��o em n�meros
84. Pregar o fim da competi��o saud�vel nos bancos escolares
85. Premiar a ociosidade discente
86. Pretender igualar os jovens escolares por decreto
87. Professar economicismos precoces em Hist�ria e Geografia
88. Promover classifica��es �raciais� na rede de ensino
89. Propalar a ideologia do material escolar como panac�ia educacional
90. Propor ensino com altern�ncia de m�dulos semestrais
91. Provocar a �desobedi�ncia ostensiva� em crian�as e jovens
92. Regredir � escola de duas castas dos ide�logos pr�-Condorcet
93. Retirar da avalia��o escolar toda a import�ncia did�tica
94. Sonhar com um fascist�ide �sistema �nico de educa��o b�sica�
95. Sugerir classes �homog�neas� numa mesma unidade escolar
96. Supervalorizar a alfabetiza��o de idosos
97. Sancionar a pr�tica das dire��es vital�cias nas escolas
98. Sonegar o nome das escolas que se destacam nos exames
99. Trocar a �promo��o autom�tica� de Darcy Ribeiro pela �progress�o continuada�
100. Usar a defesa do �qualitativo� como meio de atacar a avalia��o s�ria
Cacildo Marques .*. JUL2005
O Partido dos Trabalhadores era dividido em mais de uma dezena de tend�ncias (lideran�as, com seus seguidores). Algumas dessas tend�ncias formaram o grupo que chegou ao poder em janeiro de 2003.
Podemos chamar essa gente de grupo dos retropetistas. S�o a �ltima express�o do udenismo, pois seu arcabou�o doutrin�rio parte dos seguintes princ�pios:
         (i) Defesa do presidencialismo direto antifederativo;
         (ii) 'Eterna vigil�ncia' sobre as gest�es alheias;
         (iii) Esmola p�blica para os miser�veis;
         (iv) Apoio aos col�gios particulares (onde estudam os filhos dos udenistas);
         (v) Desprezo pelo m�rito, com abertura e pr�mio para a bajula��o e o il�cito;
         (vi) Subtra��o e redu��o das garantias do trabalhador;
         (vii) Horror e fuga ao trabalho manual, por parte de empres�rios, intelectuais e ex-oper�rios.
Os retropetistas dominaram a c�pula do partido e criaram uma m�quina infernal de arrecada��o de recursos, objetivando a perman�ncia no poder por d�cadas e d�cadas, superando o partido da Revolu��o Zapatista do M�xico.
Descobriu-se enfim que eles n�o apenas arrecadavam recursos usando m�todos il�citos, mas que tamb�m compravam consci�ncias usando esses caudalosos recursos. Atrav�s desse processo aprovaram uma reforma previdenci�ria que roubou direitos dos funcion�rios p�blicos. Outras vota��es dif�ceis foram facilmente vencidas com esse expediente.
Parecia um paradoxo o PT ter horror � competi��o e, mesmo assim, participar de elei��es majorit�rias. Depois de julho de 2005 ficou claro que o horror continuava nessas participa��es, pois est� provado que nunca houve por parte do partido respeito �s regras da concorr�ncia.
A revela��o do processo das propinas provocou uma crise pol�tica sem precedentes, que derrubou a c�pula do partido e o Ministro-Chefe da Casa Civil. N�o sem raz�o, pois foi a primeira vez na hist�ria que um partido tomou o lugar de indiv�duos na condu��o de neg�cios il�citos. Ent�o surgiram propostas de cassa��o de registro do partido, em meio �s investiga��es com vistas � cassa��o dos mandatos dos parlamentares envolvidos nas negociatas.
Essa id�ia de extin��o do Partido dos Trabalhadores � a pior proposta pol�tica que se pode apresentar.
Com registro cassado, os militantes mais aguerridos se voltar�o para os grupos sociais n�o-partid�rios que perder�o sua express�o pol�tica oficial: grupos de sem-terra, centrais sindicais e fac��es das for�as armadas. Isso ser� algo muit�ssimo mais perigoso para a sociedade que a express�o de quaisquer id�ias em partido pol�tico organizado e legalizado.
A segunda raz�o a justificar a perman�ncia � a da perda da esperan�a de grande parte da popula��o, que acreditou sinceramente nas propostas do Partido dos Trabalhadores. O partido precisa continuar, legalmente, para que os eleitores cobrem seriedade, depurem o partido do ass�dio dos oportunistas e transformem-no numa agremia��o enxuta a lutar por seu espa�o de atua��o na arena pol�tica do pa�s.
Das tr�s divis�es pol�ticas dos cidad�os, alas jur�dica, cientificista e moral, esse partido � o mais leg�timo porta-voz da primeira corrente, a ala jur�dica, ou justiniana. A segunda ala, a cientificista, ou plat�nica, precisa ter seu espa�o conquistado e ampliado, para o bem do pa�s, mas isso depende da perman�ncia aberta e oficializada dos justinianos, muito mais que do partido moral, ou espartano (do legislador Licurgo).
Mas se for para o Partido dos Trabalhadores deixar de ser udenista, migrando para o trabalhismo democr�tico plat�nico (A - luta pelo pleno emprego, e com carteiras assinadas; B - aumento do sal�rio e da renda do trabalhador; C - combate ao preconceito contra os trabalhos manuais, cultivando-os como disciplina na escola; D - nacionaliza��o dos servi�os p�blicos; E - preced�ncia da escola oficial, com respeito e apoio ao m�rito), � melhor que ele desapare�a, para que outra agremia��o ocupe esse lugar. O que n�o se deve � cultivar apenas as alas cientificista e moral, sem o contradit�rio da ala jur�dica.
Cacildo Marques .*. AGO2005
IN�CIO. Pit�goras inventou a escola. Antes dele havia o ciclo de alfabetiza��o, que na Gr�cia era a �paid�ia�, ensino infantil, e isso n�o poderia ser chamado de escola no sentido que entendemos hoje. Quem quisesse continuar nos estudos e se formar tinha de entrar num templo inici�tico pelas m�os de um mistagogo e tornar-se um mago, e isso tampouco poderia ser chamado de escola. Tales de Mileto, comerciante, cinq�enta anos mais velho que Pit�goras, demonstrou pela primeira vez teoremas de Geometria, inventando, assim, a ci�ncia propriamente dita. Pit�goras percebeu que seria importante criar um instituto para formar os jovens na �rea mais avan�ada e mais recente do conhecimento, que era a ci�ncia especulativa, e inventou para isso as palavras �Matem�tica� e �Filosofia� (obviamente, Pit�goras ainda misturava ci�ncia e religi�o, mas seria querer demais imaginar que ele poderia ter criado a escola como um �rg�o laico j� no seu nascedouro). Os demagogos precisam saber que se � para usar a escola para fazer o indiv�duo tornar-se um ex�mio leitor de literatura, escola atrapalha; se for para usar a escola para fazer o indiv�duo ganhar dinheiro na juventude, escola atrapalha demais. Para que serve escola ent�o? Ora, para aquilo que Pit�goras a destinou.
UNIVERSALIDADE. N�o foi diferente o objetivo de Condorcet quando, como presidente da Assembl�ia Nacional em Paris nos anos auspiciosos da Revolu��o Francesa, redigiu, fez aprovar no parlamento e, em seguida, publicou no Di�rio Oficial o projeto de ensino p�blico e gratuito para todos. A fase turbulenta das execu��es atrasou a implementa��o da lei, levada a efeito por Napole�o, ap�s a morte do autor em 1794 (por ter votado contra a execu��o de Lu�s XVI e assim revoltar os jacobinos, Condorcet escondeu-se na casa de uma amiga nos arredores de Paris e, ao ser descoberto pelos guardas do terror, envenenou-se, para n�o dar a seus inimigos a satisfa��o de ver sua degola na pra�a da Conc�rdia).
CONVERG�NCIA. Paris era, em 1792, o centro da ci�ncia mundial. Pelo menos 90% da ci�ncia produzida no mundo estava acontecendo l�. Conviviam Condorcet, Laplace, Lagrange, Lazare Carnot, Sadi Carnot, Lavoisier, Monge e Legendre. D�Alembert havia morrido nove anos antes e Cauchy nasceu apenas no ano da Revolu��o, tr�s anos atr�s. Mas, sessenta anos depois disso, o centro mundial da atividade cient�fica passou a ser Londres.
SABOTAGEM. A perspectiva de Condorcet era elevar a ci�ncia e a arte ao est�gio m�ximo de progresso ap�s a garantia do acesso � escola regular de todos os filhos das diversas camadas sociais. No entanto, a implanta��o do ensino gratuito para todos na Fran�a embutiu uma trag�dia: a demagogia do nivelamento por baixo (NPB), fato n�o previsto por Condorcet. N�o pode haver desenvolvimento sadio da ci�ncia se n�o houver centros de excel�ncia identificados desde o n�vel ginasial, centros criados com base na meritocracia.
RESGATE. Para livrar a escola das garras dos sabotadores, iniciando-se o cultivo saud�vel do apoio ao m�rito, basta que se instalem e se levem a s�rio os exames de ingresso, ginasiais, colegiais e universit�rios, com divulga��o a toda a popula��o dos resultados positivos das escolas. Os professores e as fam�lias se encarregar�o do trabalho bem feito. N�o � necess�rio, nem recomend�vel, que haja grades curriculares diferenciadas, pois a isonomia deve estar garantida. Mas os resultados auferidos mostrar�o quais centros apresentam melhores feitos em ci�ncias exatas, quais centros desempenham mais em ci�ncias biol�gicas e quais se saem melhor em artes ou esportes. E o ideal � que as melhores escolas sejam superadas por unidades que fa�am um trabalho ainda melhor, e n�o que sejam superadas por terem sido derrubadas, como ocorre no sistema dos pedagogos rom�nticos.
ALICERCE. A meritocracia, condi��o do avan�o democr�tico, depende da isonomia, pois sem ela a concorr�ncia civilizada volta ao est�gio da competi��o bruta da sele��o natural. Os tr�s pilares do progresso social s�o, portanto:
* Competi��o
* Mobilidade
* Disciplina
A aus�ncia de uma dessas tr�s bases faz do progresso uma ilus�o. Sem competi��o civilizada, a mobilidade e a disciplina s� ocorrer�o por autoritarismo, uma pol�tica que morre junto com o tirano que a implementa.
DESGALICIZA��O. Condorcet errou? N�o. Ele apenas n�o previu aquela desgra�a do nivelamento por baixo. O minist�rio montado por Napole�o foi o mais cient�fico da hist�ria da humanidade, pois quase todos os ministros eram cientistas (Condorcet e Lavoisier estariam entre eles, n�o fosse a sede de sangue do rom�ntico Robespierre). Mas desde ent�o podem ser contados nos dedos os produtos significativos da cria��o cient�fica daquele pa�s e estes dificilmente se situam no campo das Ci�ncias F�sicas ou da Ci�ncia Matem�tica, antiga gl�ria francesa. Quem assassinou Evariste Galois, em 1832, praticamente assassinou a ci�ncia exata no pa�s, pois brilharam ap�s isso apenas Henri Becquerel, morto em 1908, e o extraordin�rio engenheiro Jules-Henri Poicar�, que morreu em 1912 como o matem�tico mais criativo de seu tempo. Marie Curie, que viveu at� 1934, era de origem polonesa, como sabemos, e teve uma filha magn�fica, Irene Jolie-Curie, que descobriu a possibilidade da fiss�o do �tomo. Mas enquanto a It�lia produziu ao longo do s�culo XX os dois mais c�lebres f�sicos nucleares do mundo, que s�o Enrico Fermi � m�todo de fiss�o do �tomo � e Carlo Rubia � usina at�mica limpa �, nada pr�ximo disso ocorreu na Fran�a.
ILH�US. Entre 1940 e 1945, foi em Londres que a intelig�ncia cient�fica forneceu os instrumentos para a resist�ncia ao nazismo, enquanto a Fran�a se deixava dominar. Antes disso, o mesmo sangue germ�nico j� havia derrotado Napole�o III em 1871.
DESTRUTIVIDADE. A popula��o benefici�ria do ensino oficial deve sempre estar alerta contra os demagogos. Para eles o objetivo central da escola � formar leitores (todos sabemos que para isso a Biblioteca Municipal � muito mais eficiente, sem dem�rito ao trabalho s�rio e necess�rio que a escola tem feito nesse sentido); impedem as unidades escolares de competir em qualidade; n�o admitem que os alunos aprendam a competir entre si (um dos motivos para os rom�nticos n�o quererem que as notas sejam num�ricas); v�m minimizando a �nfase nas ci�ncias b�sicas e imp�em barreiras �s fam�lias para que n�o fujam da estratifica��o social imposta pelo sistema de produ��o vigente, o que elas fariam por matricular seus filhos em escolas de melhor qualidade em bairros mais bem situados.
MALTHUSIANISMO. No entanto, s� existem dois caminhos para se chegar � disciplina e estes s�o a ditadura e a competi��o sadia. � necess�rio optar por um desses dois caminhos e os rom�nticos que os negam e buscam um terceiro cometem crime de lesa-juventude, pois n�o aprender a competir significa estar � merc� da velha concorr�ncia bruta da sele��o natural, que n�o sair� de cena s� porque alguns sonham com isso. Al�m disso, proibir a competi��o pela melhoria significa necessariamente instalar a competi��o pela piora.
TELEOLOGIA. A escola delineada por Plat�o, Euclides, Bo�cio, Gevert, Roger Bacon, Galileu, Condorcet, John Dewey e Bertrand Russel tem outro car�ter, pois eles sabiam porque Pit�goras a inventou. Quando a escola forma o cidad�o at� o topo da hierarquia acad�mica, este � contratado como cientista. � o livre-docente. Antes desse topo os indiv�duos s�o aproveitados na sociedade como dirigentes, ju�zes, parlamentares, profissionais-liberais, professores, tecn�logos, t�cnicos, empres�rios, artistas, artes�os, esportistas, funcion�rios, soldados, comerciantes, industri�rios e empregados tarefeiros. Os que negam que o papel da escola seja formar o cientista devem se convencer de que aqueles que atingem o �pice da escala acad�mica, fazem-no para se dedicar � ci�ncia. Como cientistas � que s�o contratados, portanto, � a esse fim que a escola se destina, ainda que nos Estados Unidos eles sejam chamados de �Philosophic Doctors�. Do contr�rio poder�amos garantir um �bom� prim�rio a toda a popula��o e fechar os outros graus de ensino, como fez o maluco do ditador Pol Pot no Camboja.
Cacildo Marques .*. FEV2005
A filosofia brasileira de ensino constituiu preocupa��o s�ria de cidad�os ilustres ao longo dos s�culos, e entre esses podemos lembrar Jos� de Anchieta, Jos� Bonif�cio de Andrada e Silva, Sylvio Romero, Miguel Couto, Benjamin Constant de Oliveira, Ruy Barbosa, Fernando de Azevedo, Cec�lia Meirelles, An�sio Teixeira, Gustavo Capanema e o 'profeta da educa��o', Senador Darcy Ribeiro, defensor da 'promo��o autom�tica', termo que usou no seu projeto de Lei de Diretrizes e Bases (A Lei da Educa��o, Gr�fica do Senado, 1992). No entanto, apenas tr�s brasileiros s�o os inspiradores da filosofia rom�ntica de 'educa��o': Jarbas Passarinho, Marco Maciel e Paulo Freire. Que ningu�m estranhe o trip� formado por um homem do Regime Militar, um de centro-direita e um de esquerda, pois � a composi��o do pensamento deste trio que forma a base da ideologia educacional desse que se intitula Clube dos Rom�nticos. Paulo Freire, que tinha boas id�ias nunca lembradas, n�o merece tais seguidores! Mas alguns poucos pol�ticos rom�nticos discordam da cren�a padr�o de seu clube - fa�a-se justi�a.
Os dez princ�pios (alguns expl�citos outros nem tanto) da filosofia rom�ntica de ensino s�o:
1. Prim�rio longo - O primeiro diploma o aluno deve receber depois de oito ou nove intermin�veis anos de escolaridade, como queria Jarbas Passarinho, pois dar o diploma de prim�rio para crian�as de dez anos � convid�-las a parar de estudar (ningu�m sabe de onde tiraram esta id�ia).
2. Tabu da competi��o - � inconveniente divulgar resultados que comparem desempenhos distintos de alunos ou de escolas (Paulo Freire, nas entrelinhas). Quando s�o aplicados exames gerais, os resultados de cada aluno, de cada escola ou de cada regi�o devem ser sonegados ao p�blico, para evitar o fortalecimento do esp�rito de competi��o - mas no esporte pode, como em Cuba! (N�o avisaram aos rom�nticos que no esporte a competi��o � a do estado de natureza e as outras � que representariam aprendizado novo, como mecanismo de supera��o da brutalidade da sele��o natural, sem o que, na sa�da do est�dio de futebol, o jovem tentar� matar o outro.)
3. Prova para nada - A avalia��o � muito importante e o aluno far� provas de qualquer maneira, nunca entregando em branco, n�o havendo necessidade de dar qualquer utilidade a seus resultados (Passarinho, nas entrelinhas). O aluno far� a prova pela prova. Se n�o tirar nota, nenhuma conseq��ncia haver� para ele, pois o professor � que deve se desdobrar para ensinar aquilo que o aluno n�o p�de ou n�o quis aprender.
4. Aprove-se de gra�a - Se o aluno n�o obtiver nota nas avalia��es de determinada mat�ria, mesmo assim ele deve ser dispensado de continuar aprendendo esses conte�dos, desde que providenciadas as necess�rias aulas de refor�o dentro do mesmo ano letivo. No ano seguinte, magicamente, ele estar� dominando aqueles assuntos em cuja avalia��o ele n�o obteve nota (Paulo Freire, nas entrelinhas).
5. Viva a burocracia! - Os professores devem ter tr�s horas de reuni�o semanal e devem existir v�rios centros burocr�ticos e bizantinos no sistema de ensino, como as Delegacias de Ensino, as CENPs e outros, para dar poder aos pedagogos (Paulo Freire, nas entrelinhas).
6. Da��o de materiais. - Bens tang�veis - roupas, livros, cadernos, comida - devem ser, n�o emprestados ou doados, mas dados realmente aos alunos das escolas p�blicas, indiscriminadamente, a fundo perdido, para caracterizar a 'gratuidade ativa' (Marco Maciel). Isso ser� bom para a forma��o do car�ter das crian�as - Maluf e o Leve-Leite que o digam! (Ningu�m avisou aos rom�nticos que educativa � apenas a da��o de bens intang�veis!)
7. Conte�do program�tico relaxado - N�o deve haver curr�culo m�nimo obrigat�rio, mas apenas curr�culo indicativo (Jarbas Passarinho). As pessoas sabem o que fazer na sala de aula, portanto, � s� soltar. Ningu�m deve ficar cobrando conte�do de ningu�m. (Rubem Alves tirou essa id�ia do Senador Passarinho.)
8. Abaixo os n�meros! - O resultado das avalia��es deve ser dado com men��es literais, que s�o qualitativos (Jarbas Passarinho, nas entrelinhas), e nunca com n�meros, pois n�o se sabe para que o aluno tem de aprender a fazer conta com n�meros! (Ningu�m avisou aos rom�nticos que men��es literais s�o grosseiramente quantitativas, que notas num�ricas s�o qualitativas e que a rejei��o aos n�meros � um preconceito resultante da luta ib�rica de quinhentos anos pela expuls�o dos �rabes.)
9. Crian�a n�o tem querer - � bom que na LDB-96 n�o se fa�a nenhuma refer�ncia � crian�a como um ser dotado de vontades, personalidade, caprichos e corruptibilidades (Jarbas Passarinho, nas entrelinhas) e nem se fa�a l� a mais leve refer�ncia � palavra '�tica'. Foi uma conquista rom�ntica! (Ningu�m avisou aos rom�nticos que crian�a n�o � adulto, mas � gente.)
10. Escola da m�o direita - Grade curricular boa � a herdada do Regime Militar, irritantemente ma�ante (que bom!), sem Canto Orfe�nico, Hist�ria da Religi�o, Trabalhos Manuais e Desenho Geom�trico. Pois a crian�a precisa treinar apenas a m�o direita, escrevendo, copiando, com todas as mat�rias trabalhando do mesmo jeito, lousa cheia, aluno copiando, copiando... Ali�s, o Regime Militar acertou quanto trocou a Gin�stica pela Educa��o F�sica, em que o aluno pode praticar esportes e competir... como em Cuba! Usar a m�o esquerda e competir, s� nos esportes! Esta � a grande filosofia educacional rom�ntica! Infiltrem-se quadros rom�nticos nas CENPs e nos gabinetes dos secret�rios, para que todos os partidos engulam esta filosofia, sem desconfiar!
Cacildo Marques .*. JUL2004
Quando um pa�s pobre conquista o estatuto da 'elei��o' presidencial direta (o �nico pa�s rico com tal dispositivo � a Fran�a), passa a cultivar a impress�o de que atingiu o nirvana pol�tico. N�o cabem questionamentos, nem de dentro nem de fora, pois a brincadeira infantil astronomicamente perdul�ria tem ares de institui��o sagrada. Agora no in�cio do s�culo XXI, mais dois pa�ses receberam esse cavalo de Tr�ia de seus pol�ticos espertos: Afeganist�o e Indon�sia. Se n�o chega a ser o abismo, � pelo menos o escorregador que leva a ele. N�o � � toa que encanta tanto aos fracos.
At� os 21 anos de idade fui ardoroso defensor da 'elei��o' direta presidencial, porque imaginava que naquele sistema as melhores escolhas seriam feitas. O que me fez desconfiar n�o foi a leitura do texto cl�ssico do materialismo dial�tico contra o sistema franc�s nem a repentina ades�o � elei��o por colegiados nos sistemas discricion�rios. A desconfian�a veio pelo fato de ver no M�xico um pa�s caminhando a passos largos para a mediocridade gritante, sendo este o pa�s em que o estatuto da 'elei��o' direta presidencial ganhou a configura��o mais segura, tanto que atravessou o s�culo XX inc�lume, desde a Revolu��o Zapatista, sofrendo o primeiro abalo apenas quando do assassinato do candidato oficial por um lun�tico, ex-testemunha de Jeov�, fato que levou o partido do governo a articular apressadamente a indica��o de Ernesto Zedillo, que ganhou o pleito, mas foi o �ltimo na linha imaculada de vit�rias do Partido Revolucion�rio Institucional. Na 'elei��o' seguinte o governo perdeu, vendo sagrar-se presidente o empres�rio Vicente Fox que, no acordo com Estados Unidos e Canad�, atrav�s da NAFTA (North American Free-Trade Association - Associa��o Norte-Americana de Livre-Com�rcio), viu seu pa�s aumentar o PIB at� tornar-se o primeiro da Am�rica Latina (faltava apenas entregar-se aos Estados Unidos). O sistema de 'elei��o' direta mexicana continua intacto, o que faz antever que esse crescimento econ�mico n�o trar� consigo outros avan�os.
A 'elei��o' direta presidencial n�o � elei��o nem � democr�tica. O eleitor que sufraga o nome indicado faz papel de bobo, pois o candidato �, necessariamente, diferente dele: tem de ser muito famoso, o que, � exce��o de um milion�simo da popula��o, o eleitor n�o �. O sistema de 'elei��o' presidencial do Regime Militar n�o era democr�tico exatamente pelo mesmo motivo: o candidato a ser sufragado era diferente dos membros do col�gio eleitoral, pois tinha de ser militar de alta patente. Quando o Doutor Ulysses se inscreveu, fez sua campanha como o 'anticandidato', j� que sabia que sua candidatura n�o era v�lida na pr�tica.
� importante ter em mente que o oposto da ditadura n�o � a 'elei��o' presidencial direta - instituto hoje preferido pelos pobres pa�ses mu�ulmanos e outrora adotado pela ditadura do General Stroessner -, mas a institui��o do 'regime de liberdades civis', preferencialmente livre da presen�a de governantes longevos, nunca tomado por governos vital�cios.
Foi importante a luta pela restaura��o da 'elei��o' direta presidencial em 1984, porque representou a tentativa de uma reviravolta no sistema ditatorial vigente, mas significou, na realidade, trocar o borr�o pela mancha, o erro pelo desastre.
Argumento Manheim. Karl Manheim disse: No momento em que se d� a elei��o democr�tica, ela ocorre entre iguais, mas na contagem dos votos destaca-se um dos concorrentes como vencedor e, imediatamente, ele se torna diferente dos demais, por ser o eleito; a isso chamamos 'contradi��o da democracia'. Ora, est� claro para Manheim que democracia s� existe se ocorre entre iguais, n�o s� depois da elei��o, mas, principalmente, antes dela. N�o � o que se v� na 'elei��o' presidencial direta. 'Contradi��o da democracia', para Manheim, � a transforma��o obrigat�ria do eleito em indiv�duo diferente. �quele tipo de 'elei��o' que ocorre entre indiv�duos previamente desiguais em ess�ncia, como � o caso da 'elei��o' presidencial direta, chamamos 'pervers�o da democracia'.
Argumento Plat�o. Plat�o disse: O n�mero m�ximo de habitantes da P�lis � aquele no qual os eleitores podem se conhecer e ser ouvidos por todos na �gora, para que n�o votem apenas por ouvir dizer, e o n�mero desses eleitores � de 5040 (sete fatorial). Disse tamb�m: Aquele que se prop�e a ser governo, por conta pr�pria, n�o tem m�rito para governar. Ora, para al�m da P�lis, o que deve existir � a liga, ou a federa��o, e os representantes eleitos na �gora � que se incumbem da rela��o entre P�lis e liga. Sistemas diferentes disso n�o s�o democr�ticos.
Argumento Lucas. O Ap�stolo Lucas disse: Ent�o deitaram sortes a respeito deles e caiu a sorte sobre Matias (para suceder Judas Iscariotes), e com voto comum foi ele contado com os onze ap�stolos. Lucas est� citado aqui porque mostra a inser��o dos crist�os numa certa cultura. Ora, foi pr�tica comum na Gr�cia Antiga escolher os candidatos por sorteio, indicando isso que todos eram essencialmente iguais. N�o se deveria defender a volta dos sorteios, mas a indica��o dos candidatos � presid�ncia no regime direto est� muito longe de ocorrer entre pessoas iguais na ess�ncia, j� que precisam de um diferencial mercadol�gico inexistente em toda a massa do eleitorado.
Argumento Jefferson. Thomas Jefferson disse: Limite-se o Governo Geral t�o s� aos neg�cios estrangeiros e este poder� ficar assim reduzido a uma organiza��o muito simples, com poucos funcion�rios. Ora, quem 'elege' um presidente direto est� buscando um Aiatol�, um chefe poderoso da na��o, e este cair� na tenta��o do Estado unit�rio, tornando a federa��o apenas regra de papel, n�o uma institui��o de fato. E � dif�cil n�o desenvolver laivos de loucura depois de receber a sagra��o de quarenta milh�es de votos.
Argumento Piaget. Jean Piaget disse: O indiv�duo aprende na intera��o com o meio, desenvolvendo sua intelig�ncia a partir da assimila��o dos processos e conceitos que vivencia. Ora, aprender democracia atuando apenas no papel de fiador de pratos prontos que os partidos lhe apresentam de quatro em quatro anos, sem ter a menor id�ia de como participar da configura��o dessas montagens eleitorais, significa que o cidad�o assimila, na realidade, o inverso da democracia.
Argumento Nash. John Nash disse: � necess�rio haver equil�brio entre os jogadores de uma partida, para que ela tenha sentido. Ora, n�o precisamos observar o caso espec�fico do jogo do prisioneiro, mas se enxergamos a elei��o como uma situa��o honesta dentro da teoria dos jogos, a 'elei��o' direta presidencial estar� muito distante disso. Al�m de ter de ser muito diferente do eleitor, o candidato, para alavancar sua fama, tem de gastar fortunas inconceb�veis, numa corrida de desperd�cios que faz inveja aos cestos de lixo de todos os novos-ricos do mundo.
Argumento Comte. Augusto Comte disse: O chefe deve indicar o sucessor. Ora, nem a elei��o do Papa, institui��o que j� alcan�a dois mil�nios, funciona desse modo. O 'indicar', em Comte, significa 'decidir', algo que s� seria plaus�vel se fosse aceita a determina��o teol�gica, coisa que o pr�prio Comte abominava. Comte, que queria trocar a democracia pela 'sociocracia', deixou em sua proposi��o a base para ditaduras terr�veis. Alguns que indicaram o sucessor foram: o General�ssimo Franco, que se decidiu pelo monarca Juan Carlos de Borb�n; Papa Doc, que indicou o filho Baby Doc; Fidel Castro, que indicou o irm�o Ra�l Castro. Outros grandes ditadores, como Hitler, Mussolini e St�lin, n�o puderam fazer uso dessa prerrogativa. Dos argumentos contra a 'elei��o' direta, o pior � o de Comte, mas ele n�o pode ser ignorado. Lembre-se que o Presidente Geisel indicou o General Figueiredo como candidato a ser sagrado pelo col�gio eleitoral, julgando leg�tima a proposta comtista. N�o era. O que o chefe pode fazer � propor o sucessor, n�o impor.
Argumento Deming. W. E. Deming disse: N�o se deve depender da inspe��o em massa para atingir a Qualidade, e devem ser abolidos lemas, cotas e metas. Ora, tem-se na 'elei��o' direta um 'marketing' perverso, em que o candidato famoso precisa ser n�o o melhor, mas aquele que congrega a m�dia dos preconceitos rec�nditos ou manifestos do incauto eleitor. Desse modo, o eleitor n�o sagrar� o candidato que seja igual a ele em ess�ncia, mas que seja igual em mediocridade socialmente constru�da. O marqueteiro tem de vender o produto n�o atrav�s da qualidade total, mas atrav�s da intera��o emotiva com os baixos instintos da popula��o. Por isso, em vez de melhorar a sociedade, esse sistema a deteriora.
Cacildo Marques .*. JUN2004