Já é madrugada de terça feira, ele não estava com vontade de dormir, tinha ficado muito impressionado na noite passada com o pesadelo que tinha tido. Nunca tinha tido um sonho tão realista, e assustador. Podia sentir em sua garganta o trajeto dos caramujos, e sentia eles dentro de si. Mas é claro que estava impressionado, como um garotinho de cinco anos depois de assistir um filme de terror, que começa a ver pelos vidros, e nos quartos escuros os monstros dos filmes. Tudo que tinha que fazer era curtir essa noite, voltar para casa só quando o sol nascesse.
 Mas não estava com vontade de ir a um bar sozinho. Nenhum de seus amigos quis sair com eles, porque trabalhavam no dia seguinte logo cedo. E ele não tinha nenhuma mulher para sair.
 Decidiu que apenas ficaria rodando com o carro pela noite, ligou o radio do carro e colocou um cd para tocar. Mas não estava aproveitando o passeio, a cada sinal que tinha que parar ficava com medo de ser assaltado, e quando passava no vermelho tinha que tomar cuidado. Decidiu que o melhor era pegar a estrada, ai sim relaxaria.
 Depois de uma hora na estrada, começou a fechar os olhos, sozinho e ouvindo musica apenas conseguiu atrair o sono. E o sono era o que menos queria. Achou melhor parar em um posto para descansar antes de voltar. Tirar um cochilo. Ao chegar no posto estacionou o carro, reclinou o banco e ficou ali escutando musica. Já estava quase dormindo, quando levou um susto, uma mão batia forte no vidro. Quando olhou era uma garota. Abaixou o vidro e ela perguntou se ele queria “companhia”. Ficou meio na duvida, em pegar a empregadinha, porque não era o estilo de mulher que ele gostava, não queria transar, mas não podia explicar porque razão parecia não ser ele, estava em uma espécie de transe, e tudo que conseguiu dizer foi: sim. Ela entrou, e ele mais estranho do que nunca parecia assistir a cena, como se fosse um filme. Assim que gozou, voltou a controlar seu corpo.  Então era isso, só precisava relaxar dando uma. Ela disse seu preço:
-1,99.
Não podia estar escutando isso! Aonde já se viu 1,99 por uma transa pensou. Portanto pagou cinco reais a ela. A moça irradiava alegria, beijo seu pau - ali mole depois da transa,- como forma de agradecimento e saiu do carro.
Decidiu que era hora de voltar para casa, ate chegar seria uma hora e meia de viagem e o dia já teria clareado.
No caminho foi lembrando da transa, e quase bateu o carro, o carro girou e foi parar no acostamento. Tinha transado sem camisinha! Aonde estava com a cabeça?! Realmente aquele pesadelo, tinha mexido demais com ele. Agora sua vida estava arruinada, até saber o resultado. Com certeza estava com AIDS  pensou ele negativo.
 Ao chegar em casa, tomou um copo de uísque, logo em seguida já o lavou, secou e guardou no armário.
Fez o que poderia fazer, foi dormir.

Conseguimos irmãos, logo estaremos em mais gente do que a AIDS. Todo corpo terá milhões de caramujos dentro de si. Nos alojaremos nos cérebros humanos em breve; em breve. A utopia será realizada, controlaremos o mundo só precisamos entrar nos políticos.

 Gritou, ao mesmo tempo sentando-se estava suando. Tinha tido novamente um pesadelo com os caramujos. Era um sonho, só poderia ser! Ele sabia como descobrir a verdade, foi até a cozinha se o copo que bebeu uísque estivesse na pia seria verdade. Mas não estava, estava no armário guardado. Portanto tudo não passou de um pesadelo. Voltou para a cama, aliviado, tranqüilo. Que infantilidade, como estava sendo criança. Pesadelos com caramujos... ahahah  ria disso tudo.
Quando pegava no sono novamente, lembrou que em seu pesadelo tinha guardado o copo no armário. Portanto não tinha como descobrir a realidade, poderia então estar com AIDS! Até agora só tinha pensando em caramujos, como seria bom se fossem caramujos, podia estar com AIDS com os dias contados.
 A garota nunca mais encontraria para perguntar, mesmo assim não lembrava mas do rosto dela.
Lembrou feliz de algo, ficou eufórico. Olharia o quilometragem do carro. Mas o seu carro não marcava quilômetros há tempos...
Ficou ali na cama com seus pensamentos, em total silencio, como uma múmia, hipnotizado pelo branco do teto.



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