O lugar era imundo, um cheiro de mofo, com fezes
e urinas dele mesmo. A luz que entrava, era apenas a que vinha por debaixo
da porta. Quando queria fazer suas necessidades, era ali mesmo portanto
tinha escolhido o canto mais longe de onde dormia. Ficava a um metro de
distancia. Por lá circulavam baratas, ratos e todo tipo de inseto,
mas já tinha acostumado.
Ele estava preso há um mês; só
via alguém quando traziam sua comida, que era uma gosma e um copo
d’água as vezes pela metade. A única vez que pediu algo,
foi água e foi espancado por isso.
Arlo estava confuso no Brasil, com tanta violência,
impostos e tudo o mais que o leitor já esta acostumado. Ele tinha
terminado um namoro e estava confuso ainda mais confuso. Decidiu que iria
passar um mês no deserto, para se conhecer melhor. Assim que chegou
foi capturado, confundiram-no com um espião. E até agora,
não sabia quando e se seria solto um dia. De uma forma ou de outra,
estava tendo todo o tempo para se conhecer melhor, mas não da maneira
mais agradável.
Já não sabia há quanto tempo,
estava por lá.
Cochilava um pouco, em seu sonho estava em São
Paulo em uma boate dançando. Quando sentiu dois homens levantando-no.
Começaram a carrega-lo por um corredor escuro também, com
varias portas de aço uma ao lado da outra, eram varias celas. Tinha
certeza de que iria morrer, assim seria melhor, do que continuar a viver
naquele buraco. Já pensava em morder os pulsos ate conseguir cortas
as veias com os dentes, agora seria poupado desse serviço. Alguém
o faria por ele.
Os homens jogaram-no em uma sala, onde tinha uma
mulher sentada com as pernas para cima apoiadas na mesa. O cabelo preso
para trás, ela fumava um charuto fedido que logo trouxe náuseas
ao nosso amigo que estava fraco de estomago vazio, do lado dela tinha um
eunuco que a abanava com uma grande pluma.
-Você está um caco. Um trapo humano – disse
ela sem mudar a
expressão – aposto que deseja sair daqui o mais
rápido possível.
Ela só tinha dito verdades, ele queria sair
o mais rápido possível, e estava um trapo humano realmente.
-Muito bem há três formas de sair
daqui, uma é a morte – disse enquanto fez um gesto bruto, passando
o dedo indicador pela garganta – há outra é deixar seus olhos
conosco. Eu venderia e ganharia uma nota.
Quando ela disse sobre os olhos, ele gelou, seu
coração recebeu uma alfinetada bem profunda que ainda continuava
por lá. Preferia há morte a ficar cego.
Perdendo a visão, perderia a independência
que era uma das coisas pela qual mais tinha lutado, em toda a sua vida.
Desde sua adolescência, tinha brigas e quebra pau com seus pais,
porque queria ter liberdade. Seus pais como não cediam a idéia,
de ele poder sair e voltar a hora que quisesse, e ter os seus horários,
ele decidiu ir embora. Os seus pais podiam, fazer tudo, ele não.
Não conseguia entender isso, como uma pessoa sabe como é
maravilhoso ser livre, e privar a outra desse direito.. Talvez porque gostaram
tanto da liberdade, que queriam ter a dele também. Mas isso ele
não iria permitir. Toda a madrugada ele ligava o pc, colocava uma
musica calma e escrevia, escrevia e escrevia. Não contou nada a
ninguém. Quando seu livro estava pronto, começou a procurar
os editores, achou um e entregou o livro para ser impresso. Só nesse
dia, contou aos seus pais que tinha escrito um livro na madrugada. Seus
pais falaram: “Muito bom, mas duvido que alguém vai querer
ler as suas merdas.” “Erraram; o meu livro já esta sendo impresso.”
Quando disse isso, eles ficaram chocados, era um balde de água gelada
nas costas quente. “Então ele ganharia o dinheiro dele e com isso
a liberdade, deram conta que logo ele estaria saindo de casa.” Foi isso
que pensaram e isso o que tinha acontecido. Ele lamentava que nesse mundo
só conseguimos a liberdade comprando-a.
Com os seus olhos, podia sair pela noite, dançar,
ver uma mulher escolher alguém para conversar, se defender, enfim
podia viver. De dia podia contemplar a beleza de um pássaro, ou
um por do sol, ou a linha do horizonte na praia. Tantas as coisas, que
realmente preferia a morte do que perder a visão.
-Nunca gritou ele, com a voz que não saia
direito. Realmente estava muito fraco.
-Muito bem, tenho a ultima proposta. Que proposta
seria essa? Depois de oferecerem a morte, e privarem-no da visão,
que proposta seria essa? Com certeza bizarra. E ele estava certo. – Virar
eunuco. - Ah era brincadeira, só poderia estar vivendo uma historia
do Stephen King, virar eunuco? Isso nunca. Que situação,
que o destino o tinha levado. – Muito bem, você tem até amanha
para decidir. Mas pense bem, um eunuco tem uma serie de privilégios,
nesse país. – Ela apertou uma campainha, e logo apareceram os guardas,
que o jogaram novamente em sua cela.
Quando ele saiu da sala, ela abriu um armário
e no fundo dele abriu um compartimento secreto. De lá tirou vários
potes de vidros lacrados. Em cada um deles, tinha um pênis. Pequeninos,
médios e grandes. Pintos de todas as cores. Ficavam em um liquido
que os mantinha em conserva. Ela ficava a olhar para eles, como um troféu.
Cada um tinha uma historia, lembrava de todas. Ela mesma que fazia a castração,
e o preparo para guarda-los. Todos pensavam que assim que ela castrava
um homem, jogava o seu membro fora. Estavam enganados.
Ela tinha ficado curiosa, de que tamanho seria
o pinto dele? Qual era o nome dele? Onde ele tinha aprendido a falar árabe?
Foi ate a cela dele, nas celas os prisioneiros desse lugar, ficam nus para
sentir frio. Ao entrar ficou eufórica, era um pênis enorme
e grosso. Antes de ir embora apertou o seu membro e disse: – se contar
a alguém sobre isso, nem queira saber o que faço com você.
Logo ficou ereto – ele não transava a mais de um mês - duplicando
o tamanho. O deixou ali nu, cheio de tesão, e saiu. Gostava de castigar
os homens, devido há um trauma de infância. Lembrou que tinha
deixado os potes em sua mesa! Se um dos guardas visse, ela seria apedrejada
em praça publica. Mas ninguém tinha visto.
Não podia ser verdade, uma proposta mais
cruel que a outra. Não ficaria sem seu pênis. Ele estava ali
tocando o seu membro duro, cheio de tesão despertado por essa carcereira.
Esse prazer ninguém tomaria dele. E seria um desperdício
deixar cortarem seu membro tão grande. Como ficaria sem um pênis?
Nunca mas poderia ficar nu na frente de uma pessoa, ou urinar. Quando vestisse
uma calça, teria que sempre colocar um enchimento ou ficaria parecendo
moça. Se fosse apenas esse o problema, se fosse...
Lembrou da primeira vez que transou, ou de todas as vezes
que tinha transado, mesmo uma simples punheta era tão gostoso. O
que seria pior? Não enxergar, ou não gozar? Não sabia.
Os dois eram prazeres indescritíveis, diferentes mas eram.
Tinha um dia para fazer a escolha mas importante de sua
vida. Um dia...
Esse conto é diferente. Você leitor que ira decidir.
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