Os Pré-Socráticos
A característica do
gênio filosófico grego pode-se compendiar em alguns
traços fundamentais: racionalismo, ou seja, a
consciência do valor supremo do conhecimento racional;
esse racionalismo não é, porém, abstrato, absoluto,
mas se integra na experiência, no conhecimento
sensível; o conhecimento, pois, não é fechado em si
mesmo, mas aberto para o ser, é apreensão (realismo); e
esse realismo não se restringe ao âmbito da
experiência, mas a transpõe, a transcende para o
absoluto, do mundo a Deus, sem o qual o mundo não tem
explicação; embora, para os gregos, o
"conhecer" - a contemplação, o teorético, o
intelecto - tenham a primazia sobre o "operar"
- a ação, o prático, a vontade - o segundo elemento
todavia, não é anulado pelo primeiro, mas está a ele
subordinado; e o otimismo grego, conseqüência lógica
do seu próprio racionalismo, cederá lugar ao
pessimismo, quando se manifestar toda a irracionalidade
da realidade, quando o realismo impuser tal concepção.
Todos esses elementos vêm sendo, ainda, organizados numa
síntese insuperável, numa unidade harmônica, realizada
por meio de um desenvolvimento também harmônico,
aperfeiçoado mediante uma crítica profunda. Entre as
raças gregas, a cultura, a filosofia são devidas,
sobretudo, aos jônios, sendo jônios também os
atenienses. Divisão da História da Filosofia Grega Os Períodos Principais do Pensamento Grego Consoante a ordem cronológica e a marcha evolutiva das idéias pode dividir-se a história da filosofia grega em três períodos: I. Período pré-socrático (séc. VII-V a.C.) - Problemas cosmológicos. Período Naturalista: pré-socrático, em que o interesse filosófico é voltado para o mundo da natureza; II. Período socrático (séc. IV a.C.) - Problemas metafísicos. Período Sistemático ou Antropológico: o período mais importante da história do pensamento grego (Sócrates, Platão, Aristóteles), em que o interesse pela natureza é integrado com o interesse pelo espírito e são construídos os maiores sistemas filosóficos, culminando com Aristóteles; III. Período pós-socrático (séc. IV a.C. - VI p.C.) - Problemas morais. Período Ético: em que o interesse filosófico é voltado para os problemas morais, decaindo entretanto a metafísica; IV. Período Religioso: assim chamado pela importância dada à religião, para resolver o problema da vida, que a razão não resolve integralmente. O primeiro período
é de formação, o segundo de apogeu, o terceiro de
decadência. O primeiro período do pensamento grego toma a denominação substancial de período naturalista, porque a nascente especulação dos filósofos é instintivamente voltada para o mundo exterior, julgando-se encontrar aí também o princípio unitário de todas as coisas; e toma, outrossim, a denominação cronológica de período pré-socrático, porque precede Sócrates e os sofistas, que marcam uma mudança e um desenvolvimento e, por conseguinte, o começo de um novo período na história do pensamento grego. Esse primeiro período tem início no alvor do VI século a.C., e termina dois séculos depois, mais ou menos, nos fins do século V. Surge e floresce fora da Grécia propriamente dita, nas prósperas colônias gregas da Ásia Menor, do Egeu (Jônia) e da Itália meridional, da Sicília, favorecido sem dúvida na sua obra crítica e especulativa pelas liberdades democráticas e pelo bem-estar econômico. Os filósofos deste período preocuparam-se quase exclusivamente com os problemas cosmológicos. Estudar o mundo exterior nos elementos que o constituem, na sua origem e nas contínuas mudanças a que está sujeito, é a grande questão que dá a este período seu caráter de unidade. Pelo modo de a encarar e resolver, classificam-se os filósofos que nele floresceram em quatro escolas: Escola Jônica; Escola Itálica; Escola Eleática; Escola Atomística. |
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