ROSA-CRUZ
 

   

 

CONTEÚDO:    
 

 

    INTRODUÇÃO

    Assim como a Maçonaria se intitulava uma Sociedade Secreta, assim também eram os Rosa-Cruzes [cada corrente adota uma maneira especial de grafia: Rosacruz, RosaCruz, Rosa-Cruz, Rosa Cruz]. Hoje, os movimentos Rosacruz são considerados uma Irmandade Secreta, ocultista-cabalística-teosófica, que pretende ter conhecimentos e sabedoria esotérica preservados do mundo antigo.

    O tema central dos antigos rosa-cruzes era a reforma geral do mundo. A idéia da Reforma, que no âmbito da Igreja começou com Lutero e seus seguidores, mas que depois ficou atolada no pântano das instituições, teria de ser reavivada e difundida. Agora não se tratava mais de reformar a Igreja, mas na verdade, segundo princípios esotéricos, de reformar o mundo. Os rosa-cruzes assumiam a consideravam como oponentes os jesuítas e os que fossem contra a Reforma. Eles achavam que as pessoas inteligentes de todo o mundo deveriam unir-se para melhorar a sorte da humanidade e aprofundar seus conhecimentos sobre Deus e a Natureza.

    Pode-se afirmar que o rosacrucianismo é um tipo de sociedade religiosa eclética, pois admite em seu quadro associativo pessoas de todas as religiões. Tem seus sinais de reconhecimento, palavras de passe e apertos de mão, e também diversos graus hierárquicos, havendo cerimônias especiais para a entrada nesses graus.

    Alguns historiadores sugerem a sua origem num grupo de protestantes alemães, entre 1607 ou 1616, quando três textos anônimos foram elaborados e lançados na Europa.

    O ano de 1582 foi o ano de mudança de calendário da humanidade. O calendário dito "juliano" cedeu ao "calendário gregoriano": o dia 5 de outubro de 1582 passou a ser 15 de outubro de 1582. Este fato suscitou impressão sinistra nos povos europeus, já abalados pela revolução marítima, geográfica e histórica do séc. XVI: imaginaram alguns que o mundo estava para acabar, e sombrias profecias se espalhavam pela Europa Central... É sobre este pano de fundo apavorado e dado a alta imaginação que tem origem a Rosa-Cruz.

    A história dos rosa-cruzes teve início na pequena cidade alemã de Kassel no ano de 1614, com a publicação de um pequeno manifesto anônimo de 38 páginas intitulado “Fama Fraternitatis R. C. - Reforma geral e comum de todo o amplo mundo” (ou Chamado da Fraternidade da Rosacruz), com um subtítulo, “Mensagem da Irmandade da altamente digna de louvor Ordem de Rosa-Cruz a todos os sábios e líderes da Europa” (vinda da tipografia de Wilhelm Wessel) – ainda que cópias manuscritas do mesmo já circulassem desde 1611, em determinados meios seletos. Ele foi seguido, um ano depois, pelo Confessio Fraternitatis (Confissões da Fraternidade) e, em 1616, por O Casamento Alquímico de Christian Rosenkreutz. Esses três documentos estabeleceram a história, os estatutos e o programa de uma fraternidade até então desconhecida, chamada de a “Ilustre Ordem dos Rosa-cruzes”. Em uma época de enorme tumulto político e religioso, esses documentos louvavam a importância da ética, da moral e da espiritualidade, que poderiam salvar o homem dos erros ocasionados pelos costumes mundanos. Os textos alcançaram um público crescentemente numeroso, e foram republicados em vários países. A Europa inteira tomou-se de entusiasmo pelo personagem que ocupava o centro desses novos ensinamentos, um personagem de perfil lendário: Christian Rosenkreutz.

    Outros dois documentos sucederam-no: Confessio Fraternitatis ("Confissões da Fraternidade Rosacruz") (1615), publicado simultaneamente em Kassel e Frankfurt, e Chymische Hockeit Christiani Rosenkreuz ("Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz") (1616), publicado na então cidade independente de Estrasburgo (posteriormente anexada pela França, em 1681).

    Essa declaração anônima causou um grande estardalhaço tanto na Corte como na cidade, conforme provado nas "memórias" e anais da época. Difundiram-se os boatos mais contraditórios.

    A publicação destes textos provocou imensa excitação por toda a Europa, provocando inúmeras re-edições e a circulação de diversos panfletos relacionados com os textos, embora os divulgadores de tais panfletos pouco ou nada soubessem sobre as reais intenções do(s) autor(es) original(ais) dos textos, cuja identidade ficou desconhecida durante muito tempo.

    A sociedade européia da época, dilacerada por guerras, tantas vezes originadas por causa da religião, favoreceu a propagação destas idéias que chegaram, em pouco tempo, até a Inglaterra e a Itália. A perturbação causada pela Guerra dos Trinta Anos que irrompeu na Europa deve ter tido algo a ver com isso também.

    Em Paris, em 1622 ou 1623, foram colocados pôsteres nas paredes, que incluíam o texto: "Nós deputados do principal colégio dos irmãos da Rosa-Cruz, constituímos residência visível e invisível nesta cidade, pela bondade do Altíssimo, para o qual estão voltados os corações dos justos. Mostramos e ensinamos a falar todas as espécies de línguas, para que possamos livrar os homens, nossos semelhantes, de erro mortal" (...) "Os pensamentos ligados ao desejo real daquele que busca irá guiar-nos a ele e ele a nós". Em uma Europa dilacerada por guerras religiosas entre católicos e protestantes, o conteúdo dos manifestos rosa-cruzes encontrou solo fértil. Os panfletos circularam rapidamente e logo as idéias da fraternidade eram assunto de conhecimento geral.

    Havia diversas razões para tal sucesso. Os objetivos da ordem correspondiam aos propósitos sociais, espirituais e intelectuais das novas elites literárias e científicas européias. Muitas pessoas se sentiam atraídas pela mentalidade progressista da fraternidade, visto que, quando se tratava de admitir novos membros, os rosa-cruzes não faziam distinção de raça, sexo ou posição social.

    Muitos alquimistas e "místicos" puseram-se a procurar alguma sede da Rosa-Cruz para nela ingressar. Todavia ninguém encontrava núcleo algum da mesma. Aparentemente sem um corpo dirigente central, assumem-se como um grupo de "Irmãos" (Fraternidade). Em conseqüência, os admiradores mais hábeis tentaram organizar eles mesmos, e segundo os padrões indicados nas citadas obras anônimas, Sociedades Secretas ditas "Rosa-Cruz". Principalmente na Renânia (Alemanha) fundaram-se numerosos grupos de Irmãos Rosa-Cruz. Nomes como Michael Maier e Robert Fludd apareciam como admiradores das doutrinas rosacruzes.

    Logo após terem sido lançados, uma série de outros textos, livros e panfletos surgiram como resposta, alguns defendendo, outros atacando os textos originais.

    Entre os anos de 1618 e 1625 existiram aproximadamente 20.000 publicações direta ou indiretamente relacionadas com o Rosacrucianismo editadas por admiradores externos que desejavam apoiar o movimento ou, na maioria dos casos, por inimigos tentando subvertê-lo e desacreditá-lo através da publicação de alegações que consideravam absurdas.

    Durante esse período, uma série de organizações também teriam a sua vez nos anos que se seguiram a publicação dos primeiros manifestos rosacrucianos. O mito Rosacruz estava finalmente estabelecido.

   
    MANIFESTOS ROSA-CRUZES:

   

 

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    O FAMA FRATERNITATIS (1614)

    O Fama Fraternitatis fala de uma fraternidade secreta fundada dois séculos antes e convidava "todos os intelectuais e governantes da Europa" a favorecer abertamente sua causa, e eventualmente candidatar-se a entrar na fraternidade na qual, no entanto, somente almas escolhidas seriam admitidas.

    O "Fama" consiste de três seções. A primeira delas examina de modo crítico e, em parte, satírico as condições sociais e espirituais da época. Ele fornece numerosas sugestões para resolver todos os problemas referentes à religião, à arte e à ciência. O documento afirma que a redenção só pode ocorrer através de uma religião voltada para o coração e o ardor místico. A segunda parte dirige críticas à alquimia, atividade “ateísta e maldita” que procura transformar em ouro os metais não-preciosos. A terceira seção contém a biografia de um personagem mítico chamado Christian Rosenkreutz (que no texto é identificado como apenas C.R.).

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    O CONFESSIO FRATERNITATIS (1615)

    O Confessio Fraternitatis Rosae Crucis ou “Profissão de Fé da Fraternidade da Rosa-Cruz”, escrito em Latim, é uma apelo aos sábios da Cristandade, a fim de que se dêem a conhecer, e se unam numa obra comum, para reformar a Sociedade e estabelecer a Pax Profunda, aquela dos Estados e dos corações. Nele é feita a defesa da Fraternidade contra as vozes que se levantavam da sociedade colocando em causa a autenticidade e os reais motivos da Ordem Rosacruz. O enigma da criação do mundo é discutido no Confessio. Esse manisfesto segue as mesmas linhas gerais do Fama Fraternitatis. O Confessio oferecia alguns detalhes a mais de como se tornar membro da Fraternidade Rosacruciana e condenava aqueles que não aceitavam suas verdades. Nesse documento, o Papa é chamado de serpente e Anticristo. Também aprendemos aqui que a fraternidade usa um código secreto, atribui grande importância à astrologia e rejeita a concepção ptolomaica do Universo – Para a qual a Terra é o centro do sistema solar. É a essa altura que o nome completo de C.R. é revelado.A parte mais interessante do Confessio é a seção que descreve sinais astronômicos (duas novas estrelas) que apareceram no céu no mesmo ano que a tumba de Christian Rosenkreutz foi descoberta. O autor do Confessio interpretou esses sinais como anúncios de uma nova era espiritual.

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    IAS NÚPCIAS ALQUÍMICAS DE CRISTIAN ROSENKREUTZ (1616)

    O terceiro documento Rosacruz ,provavelmente hoje o mais conhecido, foi publicado em Kassel e na cidade francesa de Estrasburgo, era o maior entre todos estes até aqui apresentados, tendo sido escrito em forma de um romance no estilo barroco. “As Bodas Alquímicas de Cristian Rosenkreutz” narrava, de forma alegórica (alquímica) e com múltiplos sentidos, um episódio iniciático na vida do fundador da Fraternidade. Nele, o narrador, supostamente o próprio Christian Rosenkreutz, descreve sua experiência como convidado (não como noivo, como sugere o título) no casamento de um rei e uma rainha que moravam em um castelo maravilhoso. Durante esse episódio, o eremita passou por uma experiência de iluminação mística que durou sete dias, ocorrida quando ele tinha 81 anos de idade, sendo submetido a sucessivas revelações e testes, que vieram a constituir as bases de sua experiência espiritual.

    Vale lembrar que, quando do aparecimento público desses três manifestos, sua autoria não era conhecida. Apenas alguns anos depois - como veremos mais à frente - é que apareceria um suposto autor para o terceiro dos manifestos.

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    CHRISTIAN ROSENKREUTZ

    De acordo com o Fama Fraternitatis, a Fraternidade Rosa-Cruz foi fundada em 1408 pelo monge alemão Christian Rosenkreuz (1378-1484) – de início mencionado apenas como Irmão C.R. – nascido às margens do Rio Reno, filho de uma família pobre, mas fidalga, ficou órfão em tenra idade. Aos 4 anos foi entregue aos cuidados de uma abadia, no mosteiro dos Albijenses, onde aprendeu o grego, o latim, o hebraico. Quando o jovem tinha 15 anos, o seu grupo de estudos deixou o mosteiro e iniciou sua marcha em direção à Terra Santa. Para evitar suspeitas dos discípulos de S. Domingos não viajaram juntos. Em Chipre faleceu o velho monge, líder do grupo, o irmão P.A.L. Embora este irmão tenha morrido em Chipre e não tenha visto Jerusalém, nosso irmão C.R. não retornou, mas embarcou para a outra costa dirigindo-se para Damasco (Damcar), na Arábia, – o que, nessa época, é uma proeza para um cristão – querendo continuar visitando Jerusalém, mas por azar ele adoeceu, tendo que parar a viagem. Em Damasco encontrou um Centro de Iniciação e aí ficou por três anos. Era o que pretendia: viver entre sábios. Atingiu a graduação necessária e resolveu partir. É durante o curso dessa viagem por países Islâmicos que ele entrou em contato com os Sábios do Leste, que lhe revelaram a ciência harmônica universal derivada do "Livro M", o qual Rosenkreutz traduziu. Ali, ele foi curado por sábios que lhe transmitiram ensinamentos sobre um conhecimento ancestral, e o iniciaram em práticas científicas secretas. Em seguida, confiaram-lhe a missão de propagar esses conhecimentos pelo mundo cristão da Europa Ocidental, e de criar uma irmandade secreta, que “possuisse uma quantidade suficiente de ouro e pedras preciosas, e que pudesse educar os monarcas”.

    De Damasco passou ao Egito e deste país foi viajando pelo mediterrâneo até Fez. Daqui resolveu passar a Espanha e juntar-se aos Alumbrados, que o receberam mas acharam os seus pontos de vista demasiado avançados, não o aceitando! A partir de Espanha, Germelshausen adoptou o nome simbólico de Cristão Rosacruz (Christian Rosencreuz).

    De posse desse conhecimentos Rosenkreutz volta à Europa com o intuito de tornar público o seu novo saber. Após uma série de dificuldades, Rosenkreutz é rejeitado. Voltando para a Alemanha, ele é ajudado por quatro Irmãos na tradução do misterioso Livro "M", cujo conhecimento deveria ser mantido em segredo até que a humanidade estivesse devidamente preparada para recebê-lo.

    Enquanto a Europa mergulhava na escuridão, a avançada civilização árabe preservou um grande corpo de conhecimentos místicos. A Alquimia, a arte da transmutação, tornada proeminente entre os gregos, foi introduzido aos árabes que transmitiram esta arte que precedeu a Química à Europa.

    Nesse tempo a "Santa Inquisição", fundada por S. Domingos para reduzir a cinzas todo aquele que ousasse perfilhar idéias diferentes das que eram impostas pelo Catolicismo, obrigou Christian Rosencreuz a abreviar a estadia em Espanha e França e a dirigir-se para a Turíngia, na Alemanha, sua pátria, regressando ao mosteiro Albijense em que fora criado. Até hoje não foi possível determinar em que ponto de Espanha era a sede dos Alumbrados (ou Iluminados), que tiveram uma existência de séculos, tendo sido exterminados pela "Santa Inquisição", durante o século XVI.

    Na Turíngia, Christian Rosencreuz foi encontrar no mosteiro os três antigos companheiros e, com eles, estabeleceu a Fraternidade Rosacruz. Em um local secreto, os quatro homens formaram o “Novo Templo do Espírito Santo”, onde curavam doentes e confortavam desamparados. Rosenkreutz foi aos poucos construindo a fraternidade que leva seu nome e que conduz a sua obra missionária. Uma vez por ano, a fraternidade se reúne no Templo do Espírito Santo. Mais tarde foram admitidos novos membros ficando a Fraternidade com 8 membros. Anos depois a Fraternidade Rosacruz tinha 13 membros e não podia ultrapassar esse número. Estava estabelecida no estilo usado por Jesus: 12 membros, simbolizando os 12 signos do Zodíaco e o Sol, que formava o 13º. Assim, é criada a Fraternidade Rosacruz, com o intuito de manter o conhecimento daquele grupo de Iniciados. Seus membros fazem voto de celibato e castidade.

    A fim de manter o número de membros da ordem, cada rosa-cruz deve nomear um sucessor antes de sua morte, se possível. Quanto ao fundador, afirma-se que ele teria morrido em 1484 aos 106 anos de idade (longevo, por causa do elixir da longa vida, que ele descobrira). Seu túmulo teria sido descoberto em 1604, 120 anos após sua morte, tal como ele próprio havia predito, por um dos imperators que lhe sucedeu .

    Dada a falta de liberdade de pensamento, a Ordem teve que se ocultar durante vários séculos sob diversos nomes, mas nunca cessou suas atividades, perpetuando seus ideais e ensinamentos.

    Existiram diversos ciclos de atividades da Ordem Rosacruz. Dentro de um mesmo ciclo, há uma época de plena atividade, seguida por uma época de inatividade de mesma duração. Esses ciclos são necessários por diversos motivos. Um ciclo se iniciou em 1378, com o "nascimento" de Christian Rosenkreutz. Quando ele "faleceu", em 1459, a ordem iniciou sua fase de inatividade, voltando novamente a plena atividade com a "descoberta" do túmulo de Christian Rosenkreutz e a publicação dos manifesto, em 1614.

A primeira manifestação da Confraria tem lugar em 1589 (ou 1597), quando um tal Nicolas Bernaud percorre a Europa para procurar os amadores da química (alquimistas) e comunicar-lhes as suas idéias políticas.

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    JOHANNES VALENTINUS ANDREAE

    Em um documento publicado em 1617, o editor do terceiro manifesto rosa-cruz revelou a própria identidade: Johannes Valentinus Andreae (1586-1654), um teólogo e pastor protestante de Württemberg, no sul da Alemanha. Seu pai era chanceler e abade comendatário de Konnigsbronn, e tinha por hobby a alquimia. Andreae era parente de um pastor de grande renome e tornou-se um dos homens mais eruditos de sua época. Tendo aprendido a falar com fluência línguas antigas e modernas, além de ter se dedicado a geografia, história, genealogia, matemática e teologia, sendo um homem de vasta cultura e, na sua juventude, visitou vários países europeus; publicou vários textos científicos. Mal dá para deixar de perceber os paralelos com a vida de Christianus Rosencreutz.

    Andreae também afirmou, em um livro intitulado Menippus, que "As Núpcias Alquímicas de Christian Rosenkreutz" não passara de um ludibrium, palavra latina para “farsa, logro”, com o qual ele quisera estimular as reivindicações por reformas sociais. Em outras palavras, a rosa-cruz não passava de uma invenção literária. O impacto de seus livros acabou sendo muito diferente do que ele imaginara. Ao que parece, o jovem e entusiasmado escritor criou, de modo involuntário, um poderoso movimento espiritual, que logo ganhou autonomia e nem mesmo seu fundador foi capaz de detê-lo.

    Na verdade tudo indicava que também os dois primeiros manifestos eram fruto de sua pena, em conjunto com dois amigos seus, Christoph Besold e Arndt Gerhardt. Em tempos violentos como aqueles, os autores provavelmente adotaram o anonimato por medida de segurança. Nessa época, na passagem do século XVI para o século XVII, a Europa, ainda agitada pelas conseqüências promovidas pela reforma luterana, vivia em meio a toda ansiedade provocada por um sem número de pequenos grupos independentes, os mais variados possíveis, que acalentavam sonhos reformistas a procura da sociedade ideal. Normalmente, esses grupos eram formados por idealistas, filósofos, e, de modo geral, por pessoas bem instruídas e inteligentes. Andreae veio a participar de um desses grupos, que ficou conhecido pelo nome de "Círculo de Tubinga", ou círculo alquímico “Fundação dos Tintureiros”. Este Círculo teria fundamental importância na formação dos ideais do jovem Andreae, sendo creditado a este movimento, o alicerce dos belos ideais apresentados na forma dos três manifestos rosacruzes. Pesquisas históricas nos anos 1980 e 1990 comprovaram que os autores principais de tais textos era um grupo de amigos, ligados à Universidade de Tübingen (o “Círculo de Tübingen”). Foi constatado também que os Manifestos nasceram na casa do jurista Tobias Hess. É convicção de alguns autores que Andreae o teria escrito como se fosse o contraponto da “Companhia de Jesus” (Jesuítas).

    Os dois primeiros textos são atribuídos a Tobias Hess (1568-1614) e Johann Valentin Andreae (1586-1654), elaborados no momento de grande crise que resulta na Guerra de Trinta Anos. O segundo é autor inconteste do romance publicado em 1616. Enquanto vivo, é vítima de muitas intrigas, pois as autoridades protestantes suspeitam de que é iniciador desse mito rosicruciano.

    Andreas resolveu declarar ao público que, dessa forma, tencionara ridicularizar a mania de maravilhoso e o alquimismo ocultista, que caracterizavam os homens do seu tempo. Não lhe deram crédito, porém a Alemanha e, depois, a França se viram recobertas por uma onda de escritos referentes à Rosa-Cruz.

    Os historiadores Richard van Dülmen, Martin Brecht e Roland Edighoffer reconstituíam os fatos graças a uma pesquisa histórica aprofundada, que aconteceu a partir de 1977. Brecht e Edighoffer estudaram, ao mesmo tempo e independentemente um do outro, e finalmente provaram a autoria dos manifestos.

    A grande maioria dos personagens relacionados com o lançamento dos "Manifestos Rosacruzes" se originaram do meio luterano alemão. Esses pensadores e teólogos luteranos acreditavam que a Reforma de Lutero deveria ser ampliada, que a doutrina ortodoxa não era suficiente e que o Cristão devia realizar a comunhão mística com Deus. É de se notar que o próprio Lutero foi um dos primeiros a utilizar uma "rosa-cruz" (no seu brasão - "selo de Lutero", ou "rosa de Lutero") como símbolo de sua teologia - formado por uma cruz de santo André em forma de X emoldurada por uma rosa, abaixo está a frase: “O coração do cristão permanece em rosas, quando ele permanece sob a cruz.” Também é feita uma associação entre o Brasão da família Andreae com o mote Rosacruz, visto haver ali algumas rosas e também uma cruz...


Selo de Lutero

   

    Na Praça da Greve, em Paris, um belo dia aparece o seguinte manuscrito: “Nós, deputados do Colégio Principal dos Irmãos da Rosa-Cruz, fazemos estada visível e invisível nesta cidade pela graça do Altíssimo, para o qual se voltam os corações dos justos. Mostramos e ensinamos, sem livros nem marcas, a falar todas as línguas do país onde queremos estar, para tirar os homens, nossos semelhantes, do erro e da morte”.

 

Há quem faça uma aproximação com a Escola dos iluminados árabes, discípulos de Abd el Kadir Gilani, em Bagdá no séc. XII. Este personagem foi o fundador de uma Ordem que subsiste ainda, e convidava os seus adeptos a seguir a “via da rosa” (em árabe = sebir-el-uard). Curiosa coincidência: Sebil pode traduzir-se, em certos países orientais, por cruz. Os Alumbrados (Iluminados da Espanha), exterminados pela Inquisição, teriam, então, dado origem aos Rosa-Cruzes.

 

    A Fraternidade Rosa-cruz, segundo a concepção de seus primevos criadores, funcionaria tendo os seguintes seis preceitos e regras básicas, a serem estritamente observados:    

  • Estavam proibidos de exercer qualquer profissão, a exceção daquela que curaria os enfermos, e isso a título de caridade.
  • Não deveriam usar trajes que os distinguissem da população local, como acontecia com o clero e ordens religiosas, mas antes, deveriam passar como se fossem habitantes dos locais onde eles estivessem.
  • Todos tinham a obrigação de estar presentes em um dia previamente marcado, denominado de "Dia C", para reunirem-se anualmente na sede do Templo do Espírito Santo. No caso de impossibilidade, explicar por escrito o motivo da ausência.
  • Cada Irmão Rosa-cruz deveria procurar e, no caso de encontrar, informar a existência de pelo menos uma pessoa de valor que pudesse sucedê-lo, quando necessário.
  • As Letras CR seriam o selo maior de reconhecimento.
  • A Confraria deveria permanecer oculta por pelo menos um século.

    Todos os Irmão Rosacruzes daquela época juraram absoluta fidelidade a esses seis preceitos.

    A Ordem Rosacruz pode ser compreendida, de um ponto de vista mais amplo, como parte da corrente de pensamento hermético-cristã. Nesse contexto, é clara a influência do Corpus Hermeticum que, após 1000 anos de esquecimento, foi traduzido por Marcílio Ficino, a figura central da Academia Platônica de Florença, em 1460, por encomenda de Cosimo de Médici. Nas “Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz”, é dito que "Hermes é a fonte primordial".

    A própria maçonaria adotou o título de "Cavaleiro Rosa-Cruz" homenagear seus irmãos maçons que eram rosacruzes, para 18º do Rito Escocês Antigo, para o 12º grau do Rito Adonhiramita e para o 7º grau do Rito Moderno ou Francês. Também na Franco-Maçonaria foi instituído o grau de "Cavaleiro Rosa-Cruz", que tem como símbolos principais o Pelicano, a Rosa e a Cruz. Isto, porém, não significa vínculo jurídico; trata-se de mero relacionamento extrínseco ou de nome.

   


 


    A partir de 1648 os Rosa-Cruzes, após um brilhante período de exteriorização, entram numa espécie de hibernação.

    Por volta do final do século XIX, a tradição rosa-cruz experimentou um reflorescimento. Em 1888, o poeta e advogado francês Stanislas de Guaïta (1861 - 1897), um ardente adepto do ocultismo, fundou uma irmandade rosa-cruz na França, com o romancista Joséphin Péladan (1859 – 1918). Pouco depois, no entanto, Péladan abandonou a irmandade, queixando-se de que seu perfil era demasiado anticatólico para seu gosto. Ele fundou outra organização, também sob o rótulo da rosa-cruz, dedicada ao amor fraternal e às atividades intelectuais e artísticas. Péladan abriu um salão rosa-cruz em uma galeria de arte em Paris, que acabou por se tornar um ponto de encontro muito freqüentado e de grande influência, especialmente para as pessoas ligadas ao mundo das artes.

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    SÍMBOLOS ROSA-CRUZES

    O Emblema Rosa-cruz, embora com variações, apresenta-se sempre como uma cruz envolvida por uma coroa de rosas, ou com uma rosa ao centro. A rosa representa a espiritualidade, enquanto a cruz representa a matéria. Tradicionalmente, a cor da rosa é a vermelha. O sacrifício, representado pela cor vermelha, é a natureza da “crucis”.

    A Rosa Cruz Hermética - Nos quatro extremos da Cruz (em cada uma das abobodas das pontas) tem três símbolos alquímicos: Mercúrio Filosófico, Enxofre e Sal.

    Também em cada braço da cruz temos um pentagrama, que representa o Homem Superior. Em cada ponta deste pentagrama temos um símbolo zodiacal (com exceção do vértice superior, cujo símbolo representa do Sol).

    A parte inferior do braço descendente da cruz, esta dividido em quatro seções, cada uma preenchida com uma das cores de Malkut, do símbolo Kabalistico da “Árvore da Vida”. Essas cores são amarelo limão, oliva, rosa e negro. Por cima dessas quatro seções do braço inferior encontra-se uma estrela de seis pontas (Selo de Salomão ou hexagrama), que tem seis planetas nos seus vértices, com o Sol no centro. O hexagrama foi considerado numa época como o mais poderoso de todos os símbolos, os planetas estão colocados na ordem de certos rituais Kabalisticos que eles representam.

    Os quatro raios longos que se estendem por detrás de cada braço da cruz simbolizam os raios da Luz Divina. Estes raios apresentam as letras que formam a palavra I N R I. As letras dos raios menores representam as primeiras letras dos nomes resonantes usados pelos gregos e egípcios nas suas antigas escolas de mistérios.

    O círculo central da cruz é composto por pétalas de rosas, e estão distribuídas da seguinte forma: no círculo externo temos 12 pétalas com 12 letras simples do alfabeto hebraico (que representam os 12 signos do zodíaco); o círculo mediano tem 7 pétalas com 7 letras duplas (que representam 7 planetas), e o círculo central tem 3 letras mães da Kabalah. As pétalas tem a cor da Escala do Rei, que é atribuída aos vinte e dois Caminhos da Árvore Qabalística da Vida. Ao centro desta formação temos outra cruz, amarela, com uma rosa de 5 pétalas ao centro, que representa Tiphereth, a sexta Sephira na Árvore da Vida. que é o receptáculo das forças Sephiróticas da Arvore.

    Este símbolo representa a Grande Obra do Adepto. Ela é chamada de "A Chave dos Sigilos e Rituais".

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    PRINCIPAIS ORGANIZAÇÕES ROSA-CRUZES NA ATUALIDADE

    Existem atualmente diversas Organizações Rosacrucianas. Apresenta-se de seguida uma breve descrição acerca das mais divulgadas:

 

    FRATERINIDADE ROSACRUZ – FRC (inglês, The Rosicrucian Fellowship) - Foi fundada por Max Heindel entre 1909 e 1911, sua sede internacional está localizada em Mount Ecclesia, Oceanside, Califórnia (EUA); tem uma sede central e centros de estudo no Brasil e centros em Portugal. No Brasil, na cidade de São Paulo, além de uma Sede Central da Fraternidade Rosacruz, funciona também desde 1929 a Fraternidade Rosacruciana São Paulo, instituição independente, mas seguindo o modelo da escola de Max Heindel, destinada à exposição da mesma doutrina, fundada por Lourival Camargo Pereira. Não é uma dissidência, por ser mais antiga do que a filial brasileira da escola de Max Heindel, e também não mantém vínculos administrativos.


Sede da FRC - Mount Ecclesia, Oceanside, Califórnia (EUA)

    Não reivindica o título de "Ordem Rosacruz". Considera-se apenas uma escola de exposição de suas doutrinas e de preparação para o indivíduo para ingresso em caminhos mais profundos na Ordem espiritual, sendo que a verdadeira Ordem Rosacruz funciona apenas nos mundos espirituais. Ao contrário da maioria das demais organizações rosacruzes, as escolas de Max Heindel se consideram indissociáveis do Cristianismo considerando-o como a única verdadeira religião universal e Cristo como o único salvador, daí ser mais propriamente chamada de Cristianismo Rosacruz, ou, por vezes, Cristianismo Esotérico. Outras organizações rosacruzes também se consideram cristãs, mas não com este ênfase.

    A Fraternidade, edificada por Max Heindel como (suposto) arauto da Era de Aquário, realiza Serviço de Cura Espiritual e proporciona gratuitamente cursos por correspondência em Cristianismo Esotérico e Filosofia, Astrologia Espiritual e Interpretação da Bíblia; e os seus estudantes encontram-se por todo o mundo organizados em Centros e Grupos de Estudo.


Max Heindel

    Diz-se que em 1908 o seu fundador, Max Heindel, teria sido escolhido e preparado pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, com o objetivo de revelar publicamente os preceitos da doutrina rosacruciana. Em Novembro de 1909, Max Heindel publicou o “Conceito Rosacruz do Cosmos” (que tem como subtítulo: “Tratado elementar sobre a evolução passada do homem, sua constituição atual e seu futuro desenvolvimento”), uma exposição da doutrina originalmente escrita em alemão e posteriormente traduzida para outros idiomas. Algum tempo depois, foram desenvolvidos em outros livros, conferências e lições.

    A Fraternidade recomenda a seus membros sobriedade na comida, abstinência de carne, de bebidas alcoólicas, pratica de jejum, meditação, etc. Essa instituição funciona de forma gratuita, segundo o preceito: "dái de graça o que de graça recebeste". Todas as suas despesas são custeadas com as dádivas voluntárias dos seus membros, que o possam e queiram fazer, e pelas daquelas pessoas que, não sendo membros, simpatizam com ela. Lema da missão R+C: Mente pura, coração nobre, corpo são.

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    http://www.fraternidaderosacruz.com.br/ - Sede Central do Brasil. Rua: Asdrúbal do Nascimento, 196 - Bela Vista 01316-030 - São Paulo/SP. Fone: (0xx11) 3107- 4740. The Rosicrucian Fellowship - http://www.rosicrucian.com


    LECTORIUM ROSICRUCIANUM (ou ESCOLA INTERNACIONAL DA ROSACRUZ ÁUREA) – É uma organização rosa-cruz que se pretende inspirada pelos Cátaros, que começou a se estruturar em Haarlem, Holanda, em 1924, através do trabalho de Jan van Rijckenborgh (pseudônimo de Jan Leene) e Catharose de Petri (Z. W. Leene), quando saíram da Sociedade Rosacruz (Het Rozekruisers Genootschap), divisão holandesa do grupo americano Rosicrucian Fellowship, sendo que este grupo se tornaria independente da Rosicrucian Fellowship em 1935. Com o final da Segunda Guerra em 1945 (quando seu trabalho foi proibido pelas forças de ocupação nazista), o trabalho exterior foi retomado e passou a adotar o nome Lectorium Rosicrucianum, ou Escola Internacional da Rosacruz Áurea e, apresentando-se cada vez mais como uma escola gnóstica, "Gnosis" significando aqui o conhecimento direto de Deus, resultado de um caminho de desenvolvimento espiritual. Desde então, o grupo se expandiu por vários países da Europa, América, Oceania e África, além de publicar inúmeros livros, muitos dos quais com comentários sobre antigos textos da sabedoria universal, como os Manifestos Rosacruzes do Século XVII, o Corpus Hermeticum (textos atribuídos a Hermes Trismegistus), o Evangelho Gnóstico da Pistis Sophia, o Tao Te Ching, entre outros.

    Todo o processo do Lectorium Rosicrucianum está estruturado em sete aspectos. Depois de assistir a um curso de orientação oferece-se ao interessado a possibilidade de aceder diretamente á condição de simpatizante ou aluno. A condição de simpatizante corresponde ao átrio do Lectorium Rosicrucianum, ou seja, ao exterior da Escola Espiritual propriamente dita, não obstante, desde o átrio é possível contemplar livremente uma parte importante do trabalho da Rosacruz Moderna, assistir a um número considerável de atividades e aprofundar na Filosofia da Escola Espiritual. Sua duração pode ser indefinida. Os cursos que se realizam não pressupõem obrigação alguma para os assistentes. Normalmente organizam-se 2 cursos anuais nos centros locais. Para os simpatizantes organizam-se atividades públicas com uma periodicidade mínima mensal. O acesso ao Discipulado realiza-se depois de assistir a um curso de introdução, ou depois de ter recebido o respectivo curso pelo correio, ou em qualquer momento desde a condição de simpatizante.

    Lectorium Rosicrucianum - http://www.rosacruzaurea.org.br

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    FRATERNIDADE ROSACRUZ ANTIQUA (FRA) - Teve origem na Europa, fundada e organizada pelo ocultista alemão, o Dr. Arnold Krumm-Heller. Sua sede na Alemanha era em Marburg/Lahn, enquanto seu fundador viveu. Depois da Segunda Guerra, o Mestre mostrou desejo de transferir a Direção Suprema - o Summum Supremum Sanctuarium - para o Planalto Central do Brasil (que ele tinha conhecido com a idade de 16 anos), tendo enviado ao Brasil seu discípulo - o Dr. Albert Wolff - para dar prosseguimento ao seu desejo. Infelizmente o Dr. Wolff faleceu no Brasil antes de poder realizar sua missão.

   
Arnold Krumm-Heller (Mestre Huiracocha)

    No Brasil, fundou-se a FRA a 27 de fevereiro de 1933, em São Paulo e em 27 de julho do mesmo ano no Rio de Janeiro - então capital do país (sendo desde o seu início uma fraternidade para o Brasil e países de fala hispânica). Foi a irmã Raquel Prado, ilustre escritora, iniciada em São Paulo, que estando no Rio de Janeiro, procurou pelo seu amigo, o Dr. Domingos Magarinos, com quem firmou a idéia de trazer o Mestre Cambareri - discípulo e representante do Soberano Grã-Comendador Dr. Krumm-Heller - ao Rio para aqui fundar outro ramo da FRA. Cambareri trouxe de São Paulo o irmão Joaquim Soares de Oliveira para secretariar a ata de fundação. No Brasil, são mais de 70 anos de atividades ininterruptas, especialmente nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Maranhão.

 

    IGREJA GNÓSTICA

    A Ecclesia Gnostica, fundada no Brasil em 1935, vem funcionando ininterruptamente até a presente data. Sua Sede no Brasil está situada à rua Sabóia Lima 77 na Tijuca, cidade do Rio de Janeiro (RJ). Ela funciona em plena harmonia com a Fraternitas Rosicruciana Antiqua, ambas abrigadas no mesmo local. 

Fraternidade Rosacruz Antiqua (FRA) http://www.fra.org.br/index.html

Fraternidade Rosacruciana São Paulo - http://www.maxheindel.org/

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    ANTIGA E MÍSTICA ORDEM ROSA-CRUZ (AMORC) - O livro "O Domínio da Vida" distribuído pela AMORC aos seus candidatos apresenta a Ordem como tendo nascido a quase 3.500 anos, no Egito. Nesta época o velho Egito atingiu um grau elevado da sua evolução, a religião e os conhecimentos científicos se fundiram. Para preservar esses conhecimentos foram criadas as escolas-de-mistérios, administrada pelos sacerdotes. A primeira reunião teria ocorrido no dia 1º de abril de 1489 a.C., no Templo de Kanark. A partir desta data, passaram a se reunir todas as quintas-feiras subseqüentes. A princípio, não foi usado nenhum nome parecido ou derivado da palavra rosacruz. A Ordem Rosacruz apenas tem suas raízes na antiga Fraternidade.

    O faraó Ahmose I (1580 a.C.), foi o primeira a dirigir essa classe, antes governada pelos altos sacerdotes do Egito. É tido como fundador da Ordem o Faraó Tutmés III, da XVIIIª dinastia, por volta de 1350 a.C. Teria o Faraó fundado uma fraternidade secreta, com o objetivo de estudar os mistérios da vida, assim como as tradições osirianas. Tutmés III usava sua insígnia pessoal, um escaravelho, que se tornou selo da ordem e hoje é usado pelos rosacruzes. Após A morte deste faraó, seu filho Amenhopet II passa a reger e assume os encargos do pai na fraternidade em setembro de 1448 a.C.. Em 1420 a.C. foi sucedido por seu filho, Thutmose IV, e este por Amenhopet III, que finalmente foi sucedido por seu filho Amenófis IV (ou Akhenaton - XVIII Dinastia), que particularmente é importante na história da Ordem Rosacruz. Considerado o primeiro Grande Mestre da Ordem, seu reinado é marcado pela instauração aos poucos do conceito monoteísta, a crença em um Deus único, criador de tudo o que existe. Esse deus chamava-se Aton, e acabou dando um novo nome ao faraó; Akhenaton (Devoto de Aton) [leia sua biografia na nossa área de Biografia dos Grandes Ocultistas]. Seu pai construíra o templo de Luxor, dedicado a fraternidade.


Akhenaton

    Foi Akhenaton quem construiu uma nova capital em El Amarna e um templo em forma de cruz dedicado à Aton. Neste templo vivia cerca de 236 Frates em regime monásticos. Eles usavam um cordão na cintura e viviam com a cabeça coberta. O sacerdote vestia um sobrepeliz de linho e tinha um corte de cabelo circular na cabeça. Akhenaton introduziu a cruz e a rosa como símbolos e adotou a CRUZ ANSATA Como emblema a ser usado por todos os mestres da ordem.

    Com a morte de Akhenaton , terminou a primeira fase da Fraternidade. E os sacerdotes contrariados retomam o culto politeísta para agradar ao povo.

    Não se pode esquecer que Moisés, filho da tribo de Levi, foi criado no Egito como filho de faraó Amenhotep, recebeu a educação de um herdeiro, freqüentou as escolas egípcias e provavelmente as escolas-de-mistérios, onde adquiriu o dogma de Monoteísmo. O dogma do "Deus Único", era interpretação da Fraternidade Egípcia e constituía ensinamentos do Faraó Akhenaton que fundara a primeira religião monoteísta conhecida pelo homem.

    Com a queda do império egípcio, cabe às Escolas de Mistério gregas perpetuarem os segredos.

    Segundo os escritos da AMORC, durante o século XII, ela se desenvolveu na Alemanha, mas era secreta e inativa em suas manifestações externas. Este período de inatividade duraria cerca de 108 anos. Segundo muitos historiadores a fraternidade funcionava em períodos de atividades e outro de inatividade alternadamente e cada período duraria cerca de 108 anos, porém não se sabe porque esses ciclos foram adotado. Parece que a cada novo ciclo a Ordem renasce e sem ligações com os ciclos anteriores., sabe-se também que a diferença nos ciclos de atividade e inatividade, variava de país para país. Por isso quando a Fraternidade estava ativa na Alemanha, ela estava inativa na França. Esta falta de coincidências dos ciclos dificulta muito os estudos históricos para determinar a origem exata da Fraternidade em cada país.

    O novo ciclo teve início no ano de 1915 (em 2007 teremos 92 anos de atividade), nos Estados Unidos, com Harvey Spencer Lewis primeiro Imperator sendo ele mesmo seu representante perante a FUDOSI, uma federação independente de ordens esotéricas. No início a sede da AMORC era na cidade de Nova Iorque, tendo lojas em São Francisco e Tampa, no estado da Flórida. A sede da Suprema Grande loja foi deslocada em 1927 para San José, na Califórnia. Em 1990, a sede foi transferida para a Cidade de Quebec, no Canadá.

    O Dr. Lewis teria sido iniciado na tradição rosacruciana na Europa, em Toulouse, na Ordre Rose-Croix, por Emille Dantine. Como parte desse iniciação, foi ortogado ao Dr. Lewis cartas de autorização para fundar a AMORC como um novo corpo rosacruciano nos Estados Unidos. Através de seus inúmeros contatos europeus, o Dr. Lewis se associou à Madame May Banks-Stacy, uma das últimas sucessores da colônia original de rosacruzes que migraram para a América nos fins do século XVII. Já no final dos anos 20, ele se tornou uma figura notável e muito conhecida no mundo esotérico. Harvey Spencer Lewis morreu em 1939 e lhe sucedeu no cargo de Imperator seu filho, Ralph Maxwell Lewis, quem lhe servia anteriormente de Grande Secretário. Gary L. Stewart foi apontado para o cargo de Imperator para susceder Ralph Maxwell Lewis em 1987. O atual Imperator é Christian Bernard, que foi eleito para o cargo de Imperator em 1990.

    A Ordem também é conhecida por seu nome em Latim, Antiquus Mysticusque Ordo Rosæ Crucis ( = Antiga e Mística Ordem Rosa-Cruz, de onde temos a sigla AMORC). Esta denominação é a simplificação de “Antiga e Arcana Ordem da Rosa Vermelha e da Cruz Dourada”.A AMORC é a maior fraternidade rosa-cruz existente, em número de membros e de países em que possui membros ativos. Hoje, essa sociedade possui lojas em mais de 50 países.

    A AMORC considera que provavelmente foi filósofo e ensaísta inglês Sir Francis Bacon (1501-1626) o autor do Fama Fraternitas e de outros trabalhos que reavivaram a Ordem na Alemanha. O livro “The New Atlantis”, escrito por ele, parece indicar esta conexão, segundo a Ordem.

    A Segunda Grande Guerra Mundial teve um impacto devastador sobre os membros de muitas ordens esotéricas, já que tais ordens passaram para ilegalidade sob as leis nazistas de Adolf Hitler. Várias lideranças conhecidas foram presas, perseguidas, e em alguns casos, assassinadas pela GESTAPO. Outros ainda encontraram seu triste fim em campos de concentração, como prisioneiros comuns. A AMORC, estando protegida de tais perseguições, estando bem fundada nos Estados Unidos, cresceu imensamente nesse duro período. Após a destruição causada pela guerra, muitas ordens encontraram a apoio necessário na AMORC para retomarem seus trabalhos. Eventualmente, muitas ordens foram incorporadas pela administração da AMORC, em San José, como é o caso da Ordre Rose-Croix e da Ordre Martiniste Traditionnel (Tradicional Ordem Martinista - TOM).

    A hierarquia da AMORC compreende 12 graus.

    A Ordem Rosacruz-AMORC apresenta-se oficialmente com o símbolo do Sol Alado tendo acima a palavra “AMORC” e abaixo “Ordem Rosacruz”, Segundo a Ordem, através da história um número proeminente de pessoas no campo da ciência e das artes foram associados com o movimento Rosa Cruz, como Leonardo da Vinci (1452-1519), Francoix Rabelais (1494-1553), René Descartes (1596-1650), Blaise Pascal (1623-1662), Baruch Spinoza (1632-1677), Isaac Newton (1642-1727), Gottfried Wilhelm Leibnitz (1646-1716), Benjamin Franklin (1632-1677), Thomas Jefferson (1743-1826), Claude Debussy (1862-1916), Erik Satie (1866-1925) e Edith Piaf (1915-1952).

    A Grande Loja do Brasil da Ordem Rosacruz implantada em 1956 no Rio de Janeiro, foi transferida para Curitiba em 1960. O templo faz parte de um conjunto arquitetônico de 06 edifícios em estilo egípcio em homenagem aos seus primeiros membros que (supostamente) se reuniam nas câmaras secretas da grande pirâmide. Nos outros edifícios funcionam a administração geral, o auditório “H. Spencer Lewis”, um memorial com pirâmide e a Loja Curitiba, onde funcionam a biblioteca e o museu com reproduções de peças egípcias de várias dinastias, inclusive papiros e múmias.

    Localização:
Rua Nicarágua, 2641 - Bacacheri. Tel: 351-3024
Horário: segunda a sexta, das 8h30 às 12 horas e das 13 às 17:30 horas / sábado das 14:30 às 17 horas.

AMORC - www.amorc.org.br/

The Rosicrucian Order AMORC - http://www.rosicrucian.org/

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    ORDEM CRONOLÓGICA DAS ORDENS E FRATERNIDADES ROSA-CRUZES:

 

    Societas Rosicruciana in Anglia (SRIA) - fundada em torno de 1860-1865 pelo Franco-maçom Robert Wentworth Little, e deste movimento participaram personalidades conhecidas como William Wynn Westcott, Eliphas Levi e Theodor Reuss.

    Ordre Kabbalistique de la Rose Croix (Cabalistic Order of the Rosy Cross) (OKRC) - Fundada em Paris, em torno do ano de 1888, tendo o Marquês Stanislas de Guaita como seu primeiro Grão-Mestre, e segundo algumas fontes teve conexões com o ocultista Papus.

    Order of the Temple et the Graal and of the Catholic Order of the Rose-Croix (l'Ordre de la Rose Croix Catholique et Esthetique, du Temple et du Graal) (CRC) - Fundada por Josephine Peladan em 1890.

    Fraternidade Rosacruz – FRC (inglês, The Rosicrucian Fellowship) – 1909-1911

    Order of the Temple of the Rosy Cross (OTRC) - fundada em Londres, Inglaterra, em 1912 por Annie Besant, Marie Russak e James Ingall Wedgwood.

    L'Ordre Rose-Croix - Respeitada Grande Loja na França, da qual derivou a AMORC. Antes da fundação da AMORC, era o principal e mais influente braço do rosacrucianismo na Europa. Seu último Grande Mestre, antes de sua junção à Ordem americana, foi o francês Emille Dantine.

    Antiga e Mística Ordem Rosa-Cruz (AMORC) – 1915

    Fraternitas Rosae Crucis (FRC) , com sede mundial nos EUA, fundada por Reuben Swinburne Clymer por volta de 1920 e se diz representante de um movimento originalmente fundado por Pascal Beverly Randolph em 1856.

    Fraternidade Rosacruz Antiqua (FRA) - 1933

    Lectorium Rosicrucianum (ou Escola Internacional da Rosacruz Áurea) – 1945

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    CONCLUSÃO

    O termo "Rosa-Cruz" hoje em dia designa um conjunto de Sociedades independentes uma das outras no plano jurídico, mas portadoras de idéias e mensagens afins entre si.

    Se existiu ou não uma fraternidade denominada Rosa-Cruz, não importa. O rosa-crucianismo era, de fato, uma idéia que conscientemente renunciava a uma organização visível; no entanto, se examinarmos detalhadamente “as regras da ordem” dos rosa-cruzes, logo descobriremos que todos os princípios nelas contidos podem ser mais ou menos concretizados na vida pessoal do dia-a-dia de cada membro isoladamente. A respeito da Rosa-Cruz “verdadeira”, nenhuma dessas ordens atuais tem alguma relação com ela, que do ponto de vista histórico, sequer existiu, uma vez que nunca foi interesse das ordens iniciáticas a divulgação de sua existência ou a aceitação de muitos membros! E "em se tratando de Idade Média", podemos dizer que não era saudável o público tomar conhecimento das atividades dos adeptos, ainda mais na fervilhante Alemanha!

    Se tal Ordem existia, Johan Valentin Andreae, autor confirmado dos manifestos, provavelmente não tinha relação alguma com ela, a não ser o conhecimento de sua existência. O próprio Mago Éliphas Lévi parece ter tido contato com esses adeptos, e ter aprendido com eles a Alta Magia. No livro "Curso de Filosofia Oculta", muitas vezes Lévi termina suas cartas com a frase " Paz profunda", que é essencialmente rosacruz. Há uma nota. Na página 34 desse livro há uma nota referente ao seguinte comentário de Lévi:

    "Nossos predecessores, os irmãos da Rosa-Cruz (22), não foram, portanto, loucos quando afirmaram que possuíam a chave da Grande Obra"

    E a nota diz:

    " 22- Éliphas Lévi alude à grande linhagem de que ele descende. Ele teve como mestre Briewer Lytton, que foi, de 1849 a 1865, o 51 imperador de uma ordem R + C em Londres; ele o sucederá de 1865 a 1874, como o 520 imperador. Para aderir a essa ordem, impõe-lhe a prova tradicional relativa à evocação de Apollonious de Thyane."

    Certamente Papus também teve alguma relação iniciática com a Ordem Rosa-Cruz, e ao que me parece, a Ordem Cabalística da Rosa-Cruz foi fundada com permissão da verdadeira Rosa-Cruz, que lhe teria conferido carta-patente, e permitido suas atividades de Alta Magia.


Ordem Cabalística da Rosa-Cruz

    A verdade é que ela jamais foi uma ordem pública, ou qualquer uma dessas que apareceram na história da Alemanha, França ou Inglaterra, com suas pretensões fantasiosas e ritos meramente simbólicos, semelhantes à Maçonaria. Vejamos o que Papus declara a respeito da Ordem R+C na sua revista L' Initiation: "Permita-me abrir um parênteses aqui. É a respeito de uma associação misteriosa de homens evoluídos, conhecidos sob o título de "Rosa-Cruz". Esse título é exotérico, cuja finalidade é ocultar o nome secreto e verdadeiro da sociedade em questão. Ora, uma multidão de ambiciosos, que nada sabem de real sobre essa sociedade, orna-se a torto e a direito com esse nome e diz, misteriosamente aos seus amigos e conhecidos: "Admirem-me, vejam minhas belas plumas de pavão; não digam a ninguém: Eu sou Rosa-Cruz" Não falamos, bem entendido, do 180 grau do escocismo. Ora, os verdadeiros Rosa-cruzes (eles são dez, ao todo) não se dizem tal. Apresso-me a dizer que não sou um deles, mas os conheço. Eles se divertem muito em ver o nome profano de sua sociedade ser desavergonhadamente empregado de todas as maneiras... " Se Papus sabia que o nome "Rosa-Cruz" era apenas exotérico, certamente o nome "Ordem Kabalistica da Rosa-Cruz", também seguia esse padrão, de forma que existiria uma sociedade esotérica dentro dessa Ordem dedicado ao estudo e prática da Alta Magia.

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    BIOGRAFIA:

O que é ESOTERISMO – A surpreendente História do Esoterismo desde a Atlântida até os dias atuais – Hans-Dieter Leuenberger, Edit. Pensamento, SP, 1985.

Seitas e Sociedades Secretas – Coleção Além da Ciência, Edit. Fase Ltda, 1982.

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