O SISTEMA DA GOLDEN DAWN
A Golden Dawn era muito jovem para ter acesso aos antigos manuscritos que continham os rituais da Alta Magia, já há muitos séculos recolhidos pela Igreja Católica, pelas ordens seculares, e por pesquisadores progressistas. O método da Golden Dawn, isto é, seus graus, cargos e métodos de ensino, foram tirados do sistema maçônico e da S.I.R.I.A. = Societas Rosecruciana in Anglia - Essa ordem tinha pouca semelhança com o sistema dos rosacruzes originais, porque nessa ordem era exigido do candidato os três graus básicos da maçonaria (aprendiz, companheiro e mestre), e quantias diferentes em dinheiro segundo cada grau. Para o primeiro grau era cobrado 3 marcos de ouro, enquanto que para o último grau era cobrado 99 marcos de ouro (muito interessante para uma Ordem Alquimista que se dizia capaz de produzir ouro com grande facilidade). Mesmo assim vemos Mathers (um dos fundadores da Golden Dawn) e seus companheiros, enterrados nas bibliotecas da Europa, garimpando os manuscritos de magia cerimonial da Idade Média, o que o levou a publicar posteriormente duas obras que ficaram famosas: "As Clavículas de Salomão" e "O Livro da Magia Sagrada de Abramelin". Sem dúvida são dignos de admiração os esforços de Mathers e Westcott em criar um sistema mágico muito bem elaborado a partir do simbolismo e conhecimento acessível a eles.
Os rituais da Ordem eram bem construídos pelo profundo conhecimento que Mathers tinha do ocultismo e eram plenos de poesia e filosofia. Seus efeitos sobre o espírito humano eram inegáveis assim como seus resultados.
É uma fusão rígida da Cabala prática com a Magia Greco-Egípcia. Seu sistema complexo de Magia Ritual é firmemente baseado na tradição medieval Européia. Há uma grande ênfase na Magia dos Números. Os paramentos rituais são de uma impressionante riqueza simbólica, bem como os rituais são bastante variados de acordo com a finalidade e o grau mágico dos participantes.
Deste Sistema propagou-se o uso de Sigilos e Pantáculos, bem como ressurgiu o interesse pela Cabala, Numerologia, Astrologia e Geomancia. Além disso, sua interpretação e simplificação do Sistema-dos-Tattwas do livro "As Forças Sutis da Natureza" de autoria de Rama Prasad, permitiu uma grande abertura. Uma das mais importantes adições ao ocultismo ocidental, dada pela Golden Dawn, foi através de seu método de "Criação de Imagens Telesmáticas".
No curriculum estudado pelos membros da antiga Golden Dawn devemos também incluir todos os livros editados por Wynn Westcott em sua Coletânea Hermética.

Suas iniciações são por graus, começando pelo Neófito (0=0), indo até os graus secretos (6=5 e 7=4), alcançados, e conhecidos, por poucos; até a bem pouco tempo, fora da Ordem pensava-se ser o 5=6 o grau máximo da Aurora Dourada.
Tomados das sefirots da Árvore da Vida (Cabalah), os cinco primeiros se equiparam com os graus da Societàs Rosicruciana in Anglia (da qual saiu a Golden Dawn), seus nomes (em latim) são os seguintes:
Graus de Primeira Ordem:
Neófito
0º ou 0 Grau preparatório
Zelator 1º ou 10 Malkuth (O Reino)
Theoricus 2º ou 9 Yesod (O Fundamento)
Practicus 3º ou 8 Hod (A Glória)
Philosophus 4º ou 7 Netzach (A Victória)
Graus de Segunda Ordem:
Adeptus Minor
5º ou 6 Tiphereth (A Beleza)
Adeptus Major 6º ou 5 Geburah (A
Severidade)
Adeptus Exemptus 7º ou 4 Chesed (A
Misericórdia)
Em 29 de outubro de 1896, Mathers publicou um manifesto dizendo existir um 3º nível na Ordem - constituído por seres sobre-humanos que seriam dominados pelos “Chefes Secretos”. Esses graus eram correspondentes às sefirots situadas sobre o “abismo” do véu de Paroketh (não afetados pela Queda do Homem), de acordo com o esoterismo judeu Se era fato ou não, este manifesto exteriorizava a loucura de Mathers, que passou a ser perseguido (por quem?) por ter revelado o que não devia.
Graus de terceira ordem:
Magister Templi
8º ou 3 Binah (O
Entendimento)
Magus 9º ou 2 Khochmah o Chokmah (A
Sabedoria)
Ipisissimus
10º ou 1 Kether (A Coroa)
A estrutura da Ordem no início era resumida em estudos coletivos, palavras de passe e sinais secretos e os graus baseados na Árvore da Vida. Desde o 2º grau do 1º nível, o candidato era preparado para eliminar todos os seus males mentais e todas as suas fraquezas.
O membro da Aurora Dourada que já houvesse passado pelos exames relativamente simples dos quatro graus externos da Ordem tinha pela frente uma tarefa atemorizante. Precisava passar por cinco exames separados só para ser admitido na RR et AC. Uma vez com o pé na porta, por assim dizer, deveria passar por outras oito provas para chegar ao estado de Theoricus adeptus minor - um adepto da ordem interna. Havia ainda mais cinco graus depois desse, mas quase ninguém além de Mathers e Westcott chegou a tais alturas.
Antes da fundação da Ordem Interna detrás da Golden Dawn, a Teurgia nunca antes havia sido o foco principal da tradição espiritual Rosacruz, mas sim a Alquimia.
Os rituais da nova ordem central eram maravilhosas criações de Mathers. Por exemplo, no rito de iniciação da RR et AC, o candidato ingressava na abóbada dos adeptos, um ataúde em que repousava o corpo de Christian Rosenkreuz, em geral representado por Mathers ou por Westcott. Todavia, a idéia de ter um de seus legistas imitando um cadáver e deitado em um ataúde aparentemente não foi do agrado das autoridades londrinas, que, assim que souberam disso, tomaram as medidas necessárias para forçar Westcott a afastar-se da “Aurora Dourada”, o que na verdade serviu pelo menos para que Mathers se livrasse de Westcott de uma vez por todas... Com a RR et AC montada e funcionando sob a liderança de Mathers, a ordem exterior de Westcott tornou-se pouca coisa mais que uma casca vazia. O próprio Westcott pertencia ao grupo interior.
O clímax dramático do rito iniciático era um terrível voto de segredo, cuja violação resultaria em "uma corrente mortal e hostil de vontade posta em movimento pelos Chefes Secretos desta Ordem, pela qual eu posso cair morto e paralisado". Durante esse ritual, os candidatos juravam dedicar-se à "Grande Obra, que é purificar e exaltar minha natureza espiritual, que com ajuda divina eu possa (...) conseguir ser mais que humano (...) e que neste caso eu não abuse do Grande Poder a mim confiado".
Seus membros elaboraram rituais bem complexos, e graus iniciáticos, onde ensinavam rituais e discutiam a teoria conforme havia evolução.
Na primeira Ordem, as forças mágicas são despertadas, ativadas e balanceadas no candidato pelo iniciador nos rituais mesmos. Essas forças são aquelas dos elementos tradicionais: Fogo, Água, Ar, Terra e Éter, que são simbolizados por um pentagrama.

A partir da Segunda Ordem a prática individual de magia cerimonial melhora muito este processo, pois o adepto aprende a trabalhar independentemente com os elementos através de uma série de sub-graus, e também ativando as forças dos sete planetas tradicionais: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e Lua, os quais são simbolizados por um hexagrama, que diferenciam mais ainda essas forças em sua aura.

As instruções nos Pergaminhos Voadores (nome dos manuscritos de estudo), constavam rituais completos do pentagrama e hexagrama, construção de armas mágicas, magia enoquiana, doutrina do homem como macrocosmo, assunção à formas-deus e tratados sobre as cartas do Tarô.
A Aurora Dourada era fundamenta em Graus de aprimoramento, onde o estudante evoluía de acordo com suas aptidões. O recrutamento de novos membros era feito na maioria das vezes por cooptação, através de um padrinho, que iria cuidar de sua evolução dentro da organização e de sua diligência nos estudos.
A Grade de Estudos era bastante exigente em relação ao estudante, que, para passar de um Grau a outro necessitava provar seu domínio do Grau ao qual estava preste a abandonar. Partindo de rituais do Pentagrama, Armas Mágicas, Talismãs, conversas com Anjos e Artes Divinatórias, pretendiam dar ao estudante o domínio do mundo em que este vivia.