Islamismo

 

 

    INTRODUÇÃO - Os árabes encontram-se divididos em repúblicas, monarquias e emirados, no norte da África e na península Arábica. Um conjunto de tribos em luta constante, cada qual com seus deuses. Eles negociavam com o Império Bizantino, a Palestina e a Pérsia (que controlava o Irã e a Mesopotâmia). Vendiam animais e compravam tecidos, armas e outros produtos de artesanato. Apesar desses contatos comerciais, até o século VII os árabes viviam mais ou menos isolados do resto do mundo.

 

   Todos os anos milhares de árabes iam a Meca para orar na Caaba, um santuário que se tornara um panteão, com uma miríade de ídolos e divindades. Os ídolos eram intermediários entre eles e Deus. Em meados do séc. VI, havia 360 ídolos na Caaba. A peregrinação ao local trazia enormes vantagens econômicas à tribo que controlava o local. Alguns árabes da época adotavam a fé judaica ou cristã, mas era dominada por crenças pagãs.

 

 

    A Caaba ("O Cubo"), que fica no centro do pátio da mesquita de Al-Haram, em Meca, é o centro das peregrinações (hajj), e é para onde o devoto muçulmano (adepto da fé islâmica) volta-se para as suas preces diárias (salat). É o lugar mais sagrado do Islã. Está permanentemente coberta por uma manta escura com bordados dourados (kiswah) que é regularmente substituída. A estrutura tem aproximadamente 15 metros de altura, e é feita de pedras e mármores. Foi restaurado diversas vezes; a construção atual é datada do século VII, substituindo a mais antiga que foi destruída no cerco de Meca em 683. Os mulçumanos acreditam que o templo original fora erigido por Abraão. a parte interna é vazia, exceto pelas três colunas que sustentam o teto e alguns lustres de prata e ouro.

 

     Quando chega, o peregrino tem de andar 7 vezes em volta da Caaba, em sentido contrário ao percurso solar (no sentido anti-horário), pedindo perdão, e se possível fazer isso tocando e beijando a Hajar el Aswad ("Pedra Negra") que se encontra em uma de suas paredes externas - uma pedra escura, de cerca de 50 centímetros de diâmetro, que é uma das relíquias mais sagradas dos muçulmanos. Diz-se que a pedra era originalmente branca, mas, ao absorver os pecados de milhões de peregrinos, ficou preta. Agora rachada em dois pedaços, é protegida por uma estrutura de prata.  De acordo com as crenças islâmicas, essa pedra foi dada a Adão depois de sua expulsão do Paraíso, para que ele obtivesse perdão de seus pecados. Ela é provavelmente o resto de um meteorito. Os peregrinos também devem percorrer 7 vezes o caminho de ida e volta o espaço que separa as duas colinas que rodeiam o templo.

 

    Para acomodar a inundação de pessoas, a mesquita de Al-Haram é regularmente ampliada e agora tem aproximadamente 158 mil m² e pode acomodar 300 mil pessoas de uma só vez.

 

 

   Maomé (ou Maomet ou Mohammad)  - que a Paz de Allah esteja com ele [essa é a fórmula usado por todos os muçulmanos após mencionarem o nome de algum profeta], cujo nome significa: o elogiado, o enaltecido, segundo a tradição, nasceu em 570 d.C. em Meca. Pouco se sabe do início de sua vida e os relatos surgiram mais de 100 anos depois de sua morte. Dois meses depois dele nascer, seu pai morria, e com apenas 6 anos sua mãe também faleceu. Foi criado pelo tio, Abu Talib, e se tornou um líder de caravana de camelos já aos 15 anos. Mais tarde Maomé prestou serviços para uma rica viúva, Kadidja, que era sua parente. Sua inteligência e dedicação conquistaram a viúva, com a qual se casou aos 25 anos.

 

 As representações visuais do profeta podem eventualmente ser proibidas e consideradas insultuosas e blasfêmias. O profeta é várias vezes representado com um véu sobre o rosto e envolto em chamas. Esposas: Kadidja, Aisha, Sauda, Hafsa e dez outras mulheres.

 

   Mas, apesar de rico, Maomé não era feliz. Ele começou a questionar as religiões tribais que adoravam múltiplos deuses. Tinha por hábito passar noites nas cavernas das montanhas próximas de Meca, praticando o jejum e meditação. Sentia-se desiludido com a atmosfera materialista que dominava a sua cidade e insatisfeito com a forma como órfãos, pobres e viúvas eram excluídos da sociedade. A religião e a moral do seu tempo não o satisfaziam.

 

   Numa viagem à Síria, Maomé conheceu um monge cristão e recebeu noções sobre Deus e sobre a Bíblia.

 

   Os muçulmanos acreditam que em 610 d.C., quando Maomé tinha 40 anos, enquanto realizava um desses retiros espirituais numa das cavernas do Monte Hira, ele começou a sentir uma pressão no peito e ouvia uma voz que dizia: “Recite! Recite!” Ouviu de novo e retrucou que nada tinha para recitar. Uma voz, que a tradição diz ser do anjo Gabriel, revelou o primeiro verso do Alcorão:

 

96.1 = “Recita, em nome do teu Senhor que criou, criou a humanidade de um coagulo de sangue”.

 


Caverna do Monte Hira

 

   Ao receber estas mensagens, Maomé teria transpirado e entrado em estado de transe. A visão do arcanjo Gabriel o teria perturbado. Preocupado com a própria sanidade, procurou Kadija, a rica viúva com quem se casara, pois não queria ser profeta e pensava em se matar. Mas Kadija o salvou disso, assegurando que não se trataria de uma possessão de um gênio. Para tentar compreender o sucedido o casal consultou Waraqa, um primo de Kadidja que se acredita ter sido cristão. Com a ajuda deste Maomé interpretou as mensagens como sendo uma experiência idêntica à vivida pelos profetas do judaísmo e cristianismo. Sua esposa, e Abu Bekr, seu sogro, tornaram-se seus primeiros discípulos.

 

   A revelação na caverna marcou o início de 22 anos em que Maomé recebeu a mensagem divina que se tornou o Alcorão. Segundo a tradição, às vezes as palavras vinham a ele como o soar de sinos, e às vezes em ataques convulsivos. Nos primeiros anos Maomé decorava os versos e só os dizia à sua esposa e amigos íntimos. Por fim, em 612 começou a pregar em Meca. Sua pregação começou a cativar o povo oprimido com mensagens de igualdade.

 

   Seu pequeno grupo de “convertidos” ficaram conhecidos como “muçulmanos”, que quer dizer “aqueles que se submetem a Deus”. A tribo dos coraixitas, que dominavam Meca, começou a perseguir os muçulmanos, pois se não havia necessidade de intermediários entre as pessoas e Deus, não havia necessidade da Caaba. Era um conflito político e econômico, não teológico. Aceitar a alegação de Mohamed de ser o mensageiro de Deus também significaria aceitá-lo como governante de Meca, algo que a oligarquia dos ricos mercadores de Meca não aceitariam.

 

   Maomé era protegido pelo tio poderoso e pela esposa rica. Por 9 anos suportaram os muçulmanos. Quando sua esposa e seu tio morreram, ele e seus seguidores perceberam que tinham que deixar Meca.

 

   A cabeça do profeta foi colocada a prêmio em Meca. Perseguido, abandonou Meca em 16 de julho de 622, emigração chamada Hégira e que marca o início do calendário muçulmano. Estabeleceu-se em Yatrib, um Oásis a 320 km de distância de Meca, mais tarde chamada Medina (Cidade do Profeta), onde cresceu o número de seus adeptos, chamados islamitas. O mais interessante sobre o período de Medina são as Leis. Praticamente toda a legislação incluída no Alcorão vem desse período, que estabeleceram as bases das Lei Islâmica. Em Medina, construiu a primeira mesquita, templo da religião muçulmana que ele havia criado. Substituiu os laços da família e do clã pelos da fé em Alá. Combinando tradições judiaco-cristãs com os ideais beduínos, criou uma poderosa tribo, o Islã. Assim, conseguiu unificar muitas tribos árabes que viviam nômades e isoladas. No ano 622 Meca declarou guerra contra Maomé e seus seguidores.

 

   O calendário islâmico (também denominado calendário hegírico em função da sua origem remontar à Hégira ou migração dos primeiros muçulmanos de Meca para Medina em 622 d.C.) segue o ano lunar, que é cerca de onze dias mais curto que o solar. Conseqüentemente, as comemorações muçulmanas acabam por circular por todas as estações de ano.

 

   Através de uma série de alianças e ações militares, Maomé ganhou influência das tribos das regiões perto de Medina, então ele passou a interceptar as caravanas de Meca, que eram o sangue vital daquela cidade. Seguiram-se uns anos de batalhas entre os habitantes de Meca e Medina.  Diante das ameaças dos habitantes de Meca, em 630 os muçulmanos (discípulos de Maomé), com um exército de 10.000 homens, atacaram Meca, que se rendeu. Maomé entrou na Caaba e destruiu todos os ídolos, proclamando que este era um santuário ao Deus único, Alá. Concedeu anistia a todos, conforme o Alcorão, sendo compassivo na vitória. Muitos se converteram. A organização militar criada durante estas batalhas foi usada para derrotar as tribos da Arábia. Com a conquista de Meca Maomé se tornou o homem com mais prestígio e poder da Arábia, mas apenas 2 anos depois (em 632, aos 62 anos), depois de uma breve doença, morreu.

 

A comunidade islâmica rapidamente mergulho em controvérsias sobre a questão da liderança. Ela foi salva da desintegração quando um grupo de companheiros próximo do profeta decidiu aclamar o ancião (seu sogro) Abu Bakr como o líder da comunidade. Assim, Abu Bakr foi o primeiro califa, ou sucessor do profeta. Ele e os três sucessores seguintes reinaram numa sucessão que é chamada de califado (= “corretamente guiado”).   Por altura da sua morte, Maomé tinha unificado praticamente o território sob o signo de uma nova religião, o Islã, e os califas continuaram espalhando as palavras do Livro Sagrado.

 


O nome de Allah escrito em árabe.

 

   Durante 22 anos, Deus (Alá) revelou os versos a Maomé, o texto foi copilado depois de sua morte.

 

   O Alcorão estava concluído, mas não fisicamente. Embora houvesse uma forma escrita árabe na época, poucos sabiam ler e escrever, e Maomé não era exceção, ele não as escreveu. Lembremos que estas eram culturas orais, o “dom” da memorização estava incorporado como prática, e seus ouvintes conseguiram memorizar o que escutavam, e recitá-lo com as exatas palavras. Em 651 um comitê foi criado pelo terceiro califa, com o intuito de copilá-lo.

 

 Como figura política, Maomé unificou várias tribos árabes, o que permitiu as conquistas árabes daquilo que viria a ser o Império Islâmico, que se estendeu da Pérsia até a Península Ibérica. A partir do século VII os árabes muçulmanos começaram a invadir vários territórios para divulgar a mensagem de Alá, por meio da Guerra Santa. Os árabes eram liderados pelos califas, que eram comandantes militares, políticos e religiosos, tudo ao mesmo tempo. Em apenas 2 décadas, construíram um império que duraria mais de dois séculos. A religião mulçumana encontrou uma condição social favorável para sua expansão, pois falava em justiça para todos e punições para os opressores.

 


    O Islã no mundo contemporâneo - o verde representa uma maioria sunita e o azul uma maioria xiita. O maior número de mulçumanos está no subcontinente indiano, isto é, Índia, Paquistão e Bangaladesh. No entanto, a nação com maior número de seguidores do Islã é a República da Indonésia, onde mais de 100 milhões de pessoas (mais de 90% da população) é mulçumana.

 

   As guerras de conquistas deram aos árabes o controle do comércio sobre o Mar Mediterrâneo. Esse foi um dos motivos pela que durante muitos séculos o comércio europeu ficasse limitado. Durante as conquistas, os árabes absorveram conhecimentos e valores dos gregos, dos persas e dos indianos.

 

 

    O ISLÃ DEPOIS DE MAOMÉDepois que Maomé morreu, os muçulmanos ficaram divididos a respeito de quem deveria liderá-los. Os sunitas [que significa “pessoa que segue a Sunna”, ou "caminho bastante trilhado"] achavam que os novos líderes deveriam ser escolhidos pelos próprios seguidores de Alá. Também acreditavam que, além de pelo Alcorão, os muçulmanos deveriam se orientar pelo “Sunna”, o livro em que estavam registradas as idéias e os atos do profeta Maomé, que é a segunda fonte da Lei Islâmica, após o sagrado Alcorão. Os sunitas referem-se a si mesmos como o povo do modo de vida estabelecido na comunidade.

 

    Os xiitas, por sua vez, achavam que os líderes deveriam ser descendentes de Maomé. Esses líderes teriam poderes políticos e religiosos incontestáveis. Além disso, os xiitas queriam que o Alcorão fosse seguido exatamente como está escrito, sendo por isso considerado um grupo fundamentalista.

 

    O Aiatolá é considerado sob as leis do Islã xiita o mais alto dignitário na hierarquia religiosa.Existe porém a diferença entre Xeique, aquele que estudou a sharia em uma universidade islâmica, e o Aiatolá.Este último é um título dado apenas àqueles que tem merecimento, quer seja por aclamação ou nomeação de outro Aiotalá ou indicação de um Xeique.Não há votação para a escolha e sim aclamação direta, assim, um clérigo comum pode ser aclamado diretamente ao cargo se tiver o conhecimento e discernimento necessário. Na foto, o Aiatolá Khomeini, que governou o Irã,  foi o mais famoso líder xiita do século XX, precursor e pai da revolução islâmica naquele país.

 

   Essa divisão entre sunitas e xiitas surgiu de desacordos sobre a sucessão após a morte de Maomé. A maioria considerou Abu Bakr como sucessor, o venerável amigo do profeta, e o primeiro homem adulto a abraçar o islã. Os líderes das comunidades se reuniram e o elegeram. Uma minoria acreditava que o profeta já tinha designado seu genro e primo Ali ibn Abu Talib, que tinha 12 ou 13 anos quando o profeta recebeu a mensagem, e que também é considerado com a primeira pessoa a abraçar o islã, mas como um menino.

 

    Antes de morrer Abu Bakr (o primeiro califa) designou seu sucessor, Umar, que foi assassinado em 644, dez anos mais tarde. Após ele, Uthman, da dinastia omíada, ocupou o califado até 656, ano em que foi assassinado. Finalmente Ali assumiu o poder. o governador do Sham, Muáwiya, junto com a viúva de Maomé, Aisha, uniram suas forças para tirar Ali do poder.

  

    Os xiitas acreditam que Alláh jamais deixará o mundo ficar sem um guia espiritual infalível, eles acreditam que um intérprete e um guia com autoridade é necessário para as gerações posteriores. Já houve 12 desses guias espirituais ou imans, acredita-se que o último deles ainda esteja vivo no mundo, embora oculto da visão dos homens. Eles consideram Ali, o genro e primo do profeta Maomé, como o seu sucessor e olham com indiferença os restantes três dos quatro califas que o sucederam. Destacamos, porém, que de 85% dos mulçumanos estabelecidos no mundo são sunitas. E talvez por essa razão sua visão do Islã é por vezes chamada de ortodoxa.

 

    Depois de 50 anos, o que fora uma pequena comunidade religiosa centrada em Meca e Medina, havia absorvido a maior parte do sub-continente indiano, quase todo o Norte da África, empurrou o Império Cristão para o interior da Europa. O Islã se expandiu em seus 100 primeiros anos e criou um império maior que o de Roma em seu auge.

 

   Enquanto ampliavam seus domínios imperiais e enriqueciam às custas dos povos vencidos, os árabes registravam grande progresso cultural. Eles reuniram muitos textos gregos antigos, e realizaram progressos sem precedência em matemática, geometria, astronomia, medicina, filosofia, tecnologia e artes. Os algarismos (números) que usamos hoje é uma invenção árabe, que os adaptaram dos indianos. Eles também inventaram o conceito do número “zero”.

 


Note os detalhes da fachada dessa construção.

 

Típico portal muçulmano.

 

   O artesanato têxtil era sinônimo de qualidade, encantando o mundo. Destacavam-se também em metalurgia; as espadas árabes eram célebres e muito melhores que as européias da época. Havia também hábeis marinheiros árabes, capazes de navegar até a China, de onde trouxeram a bússola.

 


O astrolábio foi um dos inventos que os árabes desenvolveram, a partir de protótipos gregos.

 

   Quem não conhece ou ouviu falar das histórias das “Mil e Uma Noites”, que traz personagens como Aladdin, Simbad, Ali-Babá e os 40 ladrões?

 


Aladdin, um dos mais famosos contos árabes, tornou-se um dos mais famosos personagens de desenho animado.

 

   Um pilar dessa civilização era um conceito enfatizado em toda a obra sagrada: ILM (Conhecimento). Esta palavra é mais usada no Alcorão do que qualquer outra, exceto a que significa Deus. Portanto, Alá enfatiza o Conhecimento!

 

   No séc. XI a Europa cristã estava na Idade Média, a chamada “Era das Trevas”. Os muçulmanos que viviam na Europa viam os cristãos e os judeus como povos irmãos, que acreditavam no mesmo Deus. Mas para os muçulmanos, os europeus eram rudes, pouco higiênicos, pouco conheciam de sua própria religião (o acesso à Bíblia restringia-se à comunidade eclesiástica), eram incultos, “bestas humanas”.

 

   Um dos maiores sábios da Espanha árabe-mulçumana foi Ibn Rusd (1.126 – 1.198), chamado Averróis no Ocidente. Escreveu grandes livros de filosofia, matemática, política, medicina e astronomia. Conhecia bastante a obra do filósofo grego Aristóteles e escreveu diversos comentários críticos a respeito dele. Sua originalidade estava em questionar se a razão permitiria descobrir as verdades reveladas pela religião.

 

 

    Outro personagem muçulmano que se destaca no período é Ibn Sina (980 – 1.037), chamado Avicena pelos ocidentais, já era médico com 16 anos. Escreveu mais de 100 livros, sendo admirado por toda Europa medieval. Os europeus tinham um respeito intelectual pelos árabes, pois foi graças a eles que se deu o movimento Renascentista.

 


Avicena

 

   Para se ter uma idéia da importância do povo muçulmano na revolução cultural européia, mencionamos a criação da Biblioteca de Córdoba (Península Ibérica), que tinha 400 mil volumes.

 

   Durante um longo período, reinou a tolerância religiosa na Espanha ocupada pelos muçulmanos.

 

   Durante a Idade Média, muitos peregrinos cristãos empreendiam viagens à Terra Santa. Os muçulmanos eram tolerantes para com eles (lembremos que Jerusalém tinha sido tomada pelos árabes muçulmanos em 638.  d.C).

 

 

2.62 = “Os crentes, os judeus e os cristãos, todos os que acreditam em Alá, no Dia do Juízo Final e praticam o Bem, receberão sua recompensa de Alá”.

 

   Em 1071, entretanto, Jerusalém foi conquistada pelos turcos, também muçulmanos - um grupo étnico diferente, não árabes. Desde então passou a haver perseguição aos cristãos que iam visitar a Terra Santa. Os turcos estavam expandindo os seus domínios e ameaçavam conquistar Constantinopla, capital do Império Bizantino Cristão do Oriente. O Imperador Bizantino pediu ajuda ao papa Urbano II. Para motivar os cavaleiros, ele definiu a batalha como sendo “religiosa”, e propondo o perdão dos pecados, a concessão de privilégios, etc. Os primeiros voluntários escolheram como símbolo da expedição uma cruz pintada nas vestes, daí o nome Cruzadas. Então ocorreu a primeira Cruzada (1096), onde cerca de 50.000 camponeses e cerca de 700 cavaleiros partiram da Europa para as Terras Santas. 3 anos depois sitiaram a cidade de Jerusalém por 1 mês, a terceira cidade mais sagrada para os muçulmanos (depois de Meca e Medina, onde segundo a tradição, o Domo do Rochedo marca o local onde Maomé subiu ao céu). Os cruzados conseguiram tomar a cidade e a  saquearam de forma brutal, violentando cristãos ortodoxos, judeus e muçulmanos que nela viviam!

 

   Cruzadas - Uma espécie de guerra santa empreendida pelos Cristãos contra os muçulmanos que dominavam Jerusalém e outras regiões consideradas sagradas pelos cristãos no Oriente Médio (Jerusalém, Belém, Nazaré). Se estenderam por mais de 200 anos.

 

   Foram realizadas ao todo 8 Cruzadas. Além dos motivos religiosos, os cruzados estavam mobilizados também por interesses econômicos, saqueando as aldeias, cidades, igrejas e templos por onde passavam.

 

   Apesar de não terem alcançado totalmente seu objetivo religioso, as Cruzadas promoveram grandes mudanças em toda a Europa, com a reabertura do Mediterrâneo à navegação e ao comércio europeu.

 


Mesquita Al-Aqsa, conhecida como Domo do Rochedo Jerusalém.

 

 

    DECADÊNCIA DO IMPÉRIO ISLÂMICO - No séc. XV o declínio começou, com lutas entre os vários Impérios Muçulmanos. Quando ILM (Conhecimento) deixou de ser valorizado, os estudiosos eram mais e mais marginalizados, os Impérios Muçulmanos combatiam entre si.

 

   Os espanhóis expulsam os árabes em 1492. O poder crescente do Império Cristão começou a bloquear a expansão muçulmana.

 

   Desde o século XVI a costa da Arábia passou a ser freqüentada por comerciantes europeus: De início portugueses e depois holandeses e ingleses. Esse contato contribuiu para dissolver a já abalada unidade política dos territórios árabes, que acabaram caindo sob o domínio do colonialismo europeu, só conquistando sua independência após a Segunda Guerra Mundial.

 

   O Império Islâmico manteve-se por quase 200 anos depois da morte de Maomé.

 

   Possuindo a mesma religião, cultura e língua, os árabes têm tentado várias vezes a unificação política de seus territórios.

 

   Mas, lembramos, o Império declina, o Islamismo não!

 

 

    ALCORÃO – (Al-Qur’na) ou Corão é o livro sagrado do Islã. Em árabe Alcorão significa “a Recitação”. Mais de 1 bilhão de muçulmanos em todo mundo acreditam que é a palavra de Deus (Alá), transmitida ao profeta Maomé, no séc. VII. É um dos livros mais lidos e publicados no mundo.

 

 

   Ao contrário da Bíblia, o Alcorão não tem uma narrativa tradicional, sendo mais poesia do que prosa. Composto por 114 capítulos, denominados suras (ou suratas), divididas em livros, seções, partes e versículos. Os capítulos estão dispostos aproximadamente de acordo com o seu tamanho e não de acordo com a ordem cronológica da revelação. Algumas têm várias páginas, outras apenas algumas frases, os mais longos sutras no início e os mais curtos no final. Considera-se que 92 capítulos foram revelados ao profeta Maomé em Meca, e 22 em Medina. É um livro de regras sobre como viver no mundo, uma fonte de inspiração moral. O Alcorão descreve as origens do Universo, o Homem e as suas relações entre si e o Criador. Define leis para a sociedade, moralidade, economia e muitos outros assuntos.

 

   A escritura deve ser lida em voz alta, pois foi escrito com o intuito de ser recitado e memorizado. Ao fazerem isto, os muçulmanos acreditam que se comunicam diretamente com Deus. Em todo o mundo islâmico, os mulçumanos tentam decorar todo o Alcorão, mesmo sendo um livro com 6.200 versos e cerca de 120.000 palavras. Saber o Alcorão de cor é um ato de devoção de mérito. Por essa razão há escolas em diversas partes do mundo para ensinar o texto às crianças.

 

    O Livro têm uma santidade intrínseca, e por isso deve ser tratado com extremo zelo, ele nunca vai ao chão e não pode tocar nenhuma substância suja. Os muçulmanos não gostam que o Alcorão seja traduzido a outras línguas já que, segundo eles, isto faz perder o feitiço misterioso que lhe dá a língua árabe. Por isso muitas vezes, ao ser traduzido, ele traz ao lado de cada surata a versão em árabe. É prática generalizada nas sociedades muçulmanas que o Alcorão não seja vendido, mas sim dado.

 

   O Alcorão não foi estruturado como um livro durante a vida de Maomé. À medida que o profeta recebia as revelações, ele solicitava a jovens letrados que integravam a sua comitiva que transcrevessem os textos.

 

   Para alguns, o Alcorão terá sido composto na sua forma atual sob a direção do califa Abu Bakr nos dois anos que se seguiram à morte de Muhammad; outros defendem que foi o califa Omar o primeiro a compilar o Alcorão. Considera-se que a verdade está a meio termo: Abu Bakr foi aconselhado por Omar a compilar um primeiro manuscrito, auxiliado na tarefa por logógrafos e por dois hafiz. Entre 650 e 656, durante o califado de Otman, o Alcorão se estruturou de uma forma mais oficial. Otman nomeou uma comissão para decidir o que deveria ser incluído ou excluído do texto final do Alcorão. Foi então constituído um "livro-referência".

 

   O Alcorão tem várias camadas de significado, que são descobertas através de reflexão constante. Alguns, porém, encontraram no Alcorão a base para sua ideologia violenta. Saber ler não basta para entender o que ele diz!

 

   Surata 58, versículo 5 = “Aqueles que contrariam Alá e seu Mensageiro, virarão pó, como ocorreu com seus antepassados”.

 

   É assim que muitos passaram a ver o Livro Sagrado.

 

   5.2 = “Auxiliai-vos na virtude e na piedade. E não vos auxiliei mutuamente no pecado e na hostilidade”.

 

   Mensagens como esta acima fundamentam a maioria dos que vivem segundo a regra do Alcorão. Como essas duas mensagens, uma de paz outra de violência, podem existir no mesmo livro? Os que querem pintar o Islã como uma religião violenta destacam os versos que falam de violência, os que querem dizer que o Islã é pacífico, destacam os versos de tolerância. Nenhum deles está totalmente certo!

 

 

   O significado de algumas Leis nem sempre é claro, e muitas causam dúvidas. Um exemplo: Será que o alcorão permite a poligamia?

 

   4.3 = “Desposais duas, três ou quatro das mulheres que vos aprouverem. Mas se temeis não ser eqüitativo com elas, casai com uma só”. Alguns dizem que se pode casar com quatro, outros dizem que não se pode ser eqüitativo com mais de uma. Alguns dizem que o verso diz respeito a um período específico em que havia muitas moças órfãs e viúvas disponíveis, e era preciso cuidar delas.

 

   O seguinte paradoxo torna as coisas mais complexas: Se Deus queria revelar sua mensagem, por que tornou a mensagem tão misteriosa? Os muçulmanos dizem que somente Maomé sabe o real significado dos versos do Alcorão.

 

   O Alcorão também possui muitas referências a figuras bíblicas. O que é comum, já que o cristianismo tinha chegado à região.

 

   57.27 = “Depois enviamos mensageiros como Jesus, filho de Maria, a quem concedemos o Evangelho e infundimos compaixão e clemência no coração de seus seguidores”.

 

   O Alcorão por um lado confirma muito enfaticamente as Escrituras que vieram antes. Por outro lado afirma corrigir determinados aspectos de algumas idéias nas Escrituras judaica e cristã. O Alcorão discorda da história bíblica da crucificação de Jesus, que teria sido apenas um profeta, pois Alá o teria feito subir aos céus e os executores crucificaram outro homem que se parecia com Jesus:

 

   4.157-158 = “Não o mataram nem o crucificaram, mas assim lhes pareceu. Certamente não o mataram. Mas Alá fêz-lo ascender a Ele”.

 

   A idéia de Jesus morrendo na cruz para redimir nossos pecados contraria a idéia do Alcorão de que cada um é responsável pelos seus pecados. O Islamismo não aceita a doutrina do pecado original.

 

   Foi devido às distorções na Bíblia, segundo a tradição mulçumana, que Deus (Alá) precisou revelar suas palavras outra vez, acreditam os muçulmanos. O Islamismo vê o Judaísmo e o Cristianismo como versões imperfeitas de si mesmo, corretas na essência, e equivocadas em detalhes importantes. Maomé apresentava-se como continuador de Moisés e Cristo, admirando judeus e cristãos por seu monoteísmo.

 


Arabesco

 

   O profeta Maomé, fundador do islamismo, seria descendente do primeiro filho de Abraão, Ismael. Moisés e Jesus seriam descendentes do filho mais novo de Abraão, Isaac. Abraão, o patriarca do judaísmo, estabeleceu as bases do que hoje é a cidade de Meca e construiu a Caaba.

 

   É interessante que se saiba que a palavra Alá (ou Allah) também designava, antes mesmo do Islã, o Deus único do panteão de Meca. O termo é utilizado também pelos cristãos e judeus de língua árabe ao se referirem ao Deus de suas religiões. Assim como Dieu e Gott são, respectivamente, as palavras francesa e alemã para Deus, em hebraico a palavra para designar Deus é Elohim, Alá é seu equivalente árabe. Aliás, em aramaico, o idioma de Jesus, Deus é Allaha.

 

 

    ISLAMISMO HOJE – O Islã (palavra que significa "submissão à vontade de Deus") é o conjunto dos povos de civilização islâmica, que professam o islamismo; em resumo, é o mundo dos seguidores dessa religião. O muçulmano é o seguidor da fé islâmica, também chamado por alguns de islamita. Esta é a religião predominante no Oriente Médio e em vastas porções da África e da Ásia, reúne hoje cerca de 1,3 bilhão de pessoas, de diferentes origens étnicas, culturais e sociais. São árabes, iranianos, afegãos, paquistaneses, turcos, chineses, indonésios, africanos, europeus e americanos. A maior comunidade islâmica do mundo vive na Indonésia.

 

   A presença dos muçulmanos se faz notar cada vez mais na Europa, onde são por volta de 15 milhões, sobretudo na França (5 milhões). Nos Estados Unidos, com seus 7 milhões de muçulmanos, o Pentágono permite aos soldados jejuar no mês sagrado do Ramadã, libera os praticantes para rezar as 5 orações diárias e põe à disposição alimentos em concordância com os preceitos islâmicos. Na Europa, o Islã é uma das religiões do dia-a-dia de um grande número de imigrantes e convertidos, ao mesmo tempo a expansão da religião vem acompanhada de dúvidas e sofre com preconceitos e estigmas.

 

    A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP ou, pelo seu nome em inglês, OPEC) é uma organização composta por países que retêm algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, como é o caso da Arábia Saudita. A OPEP é o exemplo mais conhecido de cartel: seu objetivo é unificar a política petrolifera dos países membros, centralizando a administração da atividade, o que inclui um controle de preços e do volume de produção, estabelecendo pressões no mercado. Os países membros possuem 78% (OPEP, 2004) das reservas mundiais de petróleo. Suprem 40% da produção mundial e 60% das exportações mundiais.

 

    No século XIX, boa parte do mundo Islâmico, do Marrocos à Indonésia, estava reduzido ao estado de colônias controladas por impérios ocidentais. Tudo isso levou os mulçumanos a re-examinarem suas convicções religiosas fundamentais em sua luta para reformar e revitalizar politicamente a comunidade mulçumana. Com o colapso do colonialismo, a comunidade mulçumana rompeu com a comunidade européia, sobretudo depois da Segunda Guerra, um país mulçumano declarou sua independência e declarou sua soberania nacional. Os estados mulçumanos formam hoje um bloco poderoso na ONU, e têm grande influência nos assuntos internacionais. Outro fator é a aquisição de grandes riquezas nos países mulçumanos com grandes reservas de petróleo.

 

   No Brasil, o último dado oficial é do IBGE - no censo de 2000, foram registrados 27.239 muçulmanos no país, muitos sem ascendência árabe, as mesquitas ultrapassam o número de 70. Muçulmanos organizaram o principal levante urbano contra a escravidão - a Revolta dos Malês, em 1835. Existem muitas palavras em português derivadas da língua árabe (pois este povo dominou toda a Península Ibérica): açúcar, arroz, álgebra, alambique, alface, alfândega, xerife, cheque, almanaque.

 

   A chamada Revolta dos Malês registrou-se de 25 a 27 de Janeiro de 1835 na cidade de Salvador. Consistiu numa sublevação de caráter racial, de escravos africanos das etnias hauçá e nagô, de religião islâmica, organizados em torno de propostas radicais para libertação dos demais escravos africanos. O termo "malê" deriva do iorubá "imale", designando o muçulmano. Foi rápida e duramente reprimida pelos poderes constituídos.

 

         Também, aqui no Brasil, teve grande importância para a compreensão do mundo mulçumano a telenovela “O Clone” produzida e exibida pela Rede Globo entre 1 de Outubro de 2001 e 15 de Junho de 2002. Foi escrita por Glória Perez e dirigida por Jayme Monjardim. Teve 221 capítulos na versão brasileira e 250 na versão internacional. Clonagem, Islamismo e drogas foram os pilares da novela, muito bem sucedidos no prosseguimento da narrativa. A novela popularizou a música e a dança árabe.

 

 

    O Islã vem crescendo em parte pelo aumento populacional nos países mulçumanos. Mas há outros fatores, um deles é a adaptabilidade do ensinamento islâmico aos costumes locais, e portanto, a novas religiões. Outro é o ensinamento igualitário: todos recebem um tratamento caloroso no Islã, qualquer que seja sua raça, sua condição social ou origem. O número de católicos e muçulmanos no mundo está quase em empate. Isso, de acordo com dados do Vaticano, que pesquisou os números em 2005. O Islamismo é a crença religiosa que mais conquista adeptos no mundo inteiro. A única outra religião com taxa de crescimento comparável são os evangélicos protestantes.

  

*****

 

 

   O Islamismo aparece no ano 610 da era cristã no deserto arábico. Foi fundado por Maomé, embora os muçulmanos não aceitem isso; para eles não foi Maomé, mas Alá quem fundou o Islã através dele.

 

   Segundo o Islã, Maomé não procurou fundar uma nova religião, mas antes restabelecer o culto monoteísta que existia no passado. Uma vez que o Islão se identifica com a tradição religiosa do patriarca Abraão é por isso classificado como uma religião abraâmica.

 

   Maomé deixou claro que o Alcorão era a mesma mensagem feita aos Cristãos e judeus a séculos. Mas desta vez a mensagem chegava ao povo árabe em sua própria língua. O profeta nunca disse: “Trago-lhes uma nova religião”.

 

   Repetidamente o Alcorão diz que não esqueçam o que aconteceu a Abraão e então conta uma história sobre Abraão. Não esqueçam o que aconteceu a José, e então conta uma história sobre José.

 

   18.29 = “Dize-me a verdade emana do teu Senhor, que creia quem desejar, e rejeite quem quizer”.

 

   O Alcorão não diz para espalharem a mensagem do Islã.

 

 

    JIHAD - O termo "Jihad" se tornou familiar em boa parte do mundo ao longo dos últimos 10 anos, e para muitas pessoas - especialmente não muçulmanos - é tomado como sinônimo de "Guerra Santa" (nome dado pelos Europeus às lutas religiosas na Idade Média, por exemplo: Cruzadas), uma tentativa de expandir a religião muçulmana e punir violentamente os infiéis. Ao contrário do que muitos pensam, Jihad não significa "Guerra Santa". A palavra Jihad vem do termo árabe jahada, que significa "lutar, se esforçar ou se empenhar", no sentido de buscar ser um muçulmano melhor. No entanto, uma pequena minoria de muçulmanos discordam dessa definição.

 

    O profeta Maomé teria dito que:

 

        “A melhor jihad é a da pessoa que se esforça por controlar seus impulsos em nome de Alá, o Poderoso e Majestoso”.

   

    O Alcorão presume um estado de desordem, opressão e injustiça em todas as terras que não vivam sob domínio muçulmano.

 

    Como quase todos os livros sagrados, o Alcorão contêm versos que são contraditório e difíceis de conciliar:

 

   9.29 = “Combatei aqueles que não crêem em Alá, e não professam a religião da verdade, até que paguem de bom grado e se sintam submissos”.

 

   22.39 = “Pode pegar em armas aqueles que forem atacados e injustiçados. Alá é poderoso para torná-los vitoriosos”. Foi acirrada a Jihad pelas Cruzadas.

 

   9.14 = ”Combatei-os. Alá os castigará por vossas mãos, desronra-los-a e vos dará vitória”.

 

   Mas, os que destacam que o Islã (e o Alocrão) tem uma missão de paz destacam versos como esses:

 

   16.90 = “Alá ordena a justiça, a prática do bem e a generosidade para com os homens. E proíbe tudo o que é vergonhoso e contrario à razão”.

 

    Vale a pena apontar que quase todos os textos religiosos antigos contêm passagens que, para a maioria dos seguidores da religião, não se aplicam à vida moderna ou não devem ser interpretados literalmente.

 

 
 

    Em 1998 Osama Bin Laden citou um desses versos:

 

   9.5 = “Matai os pagãos, onde quer que os ache-os, prendei-os, capturai-os, e preparai-vos para todos os estratagemas da guerra”.

 

   A visão que países como França, Reino Unido e, mais recentemente, Estados Unidos apresentam do Oriente Médio - berço do Islã - muitas vezes visa referendar práticas político-econômicas de cunho colonialista. Conceitos difundidos por orientalistas, como "mentalidade árabe" e "caráter tipicamente islâmico", por exemplo, são fruto de ignorância, ingenuidade ou má-fé deliberada, além de um complexo de superioridade que está no cerne de historiografias infelizes. Essa mistificação também serve de base, com freqüência, para intervenções militares que poderiam ser evitadas com uma análise mais profunda.

 

 

   É fato que alguns países de maioria islâmica possuem grupos extremistas, em geral com uma motivação de fundo político, especialmente devido à ocupação israelense de territórios palestinos, que "inspira" movimentos no mundo inteiro. Uma minoria entre os cerca de 1,3 bilhão de praticantes da religião é adepta de interpretações radicais dos ensinamentos de Maomé. Entre eles, a violência contra outros povos e religiões é considerada uma forma de garantir a sobrevivência do Islã em seu estado puro. Em vários países islâmicos está proibida a edição, a comercialização e inclusive a leitura da Bíblia sob pena de prisão. O buscar adeptos para o cristianismo está castigado inclusive com a pena de morte, pois grupos fundamentalistas que estão à frente do governo dizem que nós falsificamos a palavras de Deus. Para a maioria dos seguidores do Islamismo, contudo, a religião muçulmana é de paz e tolerância.

 

   O fundamentalismo conceito surgido entre protestantes norte-americanos (em algumas cidades do sul dos EUA, o ensino do darwinismo ainda é proibido) é uma reação à modernidade, à mudança. Os fundamentalistas usam o Alcorão de modo seletivo e distorcido, tirando o texto de seu contexto, dando ênfase a uma parte dele, excluindo outras.

 

   O fundamentalismo e o extremismo não são exclusividade de muçulmanos. Envolvem também cristãos, judeus, hindus e budistas.

 

 

    PRECEITOS DO ISLAMISMO - No mundo muçulmano Islã e política é o mesmo, andam unidos. Em certos países islâmicos, o próprio Alcorão é considerado a Constituição do Estado. Para os mulçumanos o consenso da comunidade é uma das fontes da Lei, sem envolver muito o Estado nisso (ao contrário do que ocorre nos países do Ocidente).

 

   O Islã não tem uma autoridade religiosa única (um “papa” ou “Vaticano”), não há uma estrutura hierárquica religiosa, uma “Igreja”. Cada pessoa entende o significado complexo do Alcorão a seu modo. Quando ouvimos falar de visires, aiatolás, muftis, cadis, imanes, ulemas, xeques e almuadens, etc… estão falando de pessoas que para o mundo muçulmano ostentam um poder e um prestígio espiritual muito real, mas não podemos conceber-lhes como sacerdotes. O local de culto dos muçulmanos chama-se mesquita. Não há sacerdotes propriamente ditos. Um muezzin sobe ao minarete, que é a torre da mesquita, e dali chama os fiéis para a oração. Esta é então dirigida pelo imame. Além deles, há o khatib, isto é, o pregador, e o ulemá, doutor da lei e teólogo. Além do Alcorão, há também os hadith, contendo as tradições muçulmanas. Um muçulmanos vai à mesquita não só para orar ou para escutar a pregação do Alcorão, mas também pode ir para discutir política, para fazer um sesta ou trocar impressões sobre diversos assuntos, inclusive coisas sem maior importância. Para os muçulmanos tem grande importância o sentido de pertença uma comunidade: a do mundo muçulmano.

 


A mesquita de al-Nabawi (Mesquita do Profeta), em Medina.

 

 

   Há 5 obrigações que os muçulmanos devem cumprir (ou 5 pilares):

 

1.       Crer em Alá e em seu profeta Maomé;

2.     Orar 5 vezes por dia, com o rosto voltado na direção de Meca, a Cidade Santa, na Arábia Saudita;

3.     Dar a esmola da Lei;

4.     Observar o jejum do nascer ao pôr do sol durante um mês (ramadã);

5.     Fazer peregrinação a Meca, pelo menos uma vez na vida.

    

    A prece islâmica é feita 5 vezes ao dia: antes da aurora, ao meio-dia, à tarde, no crepúsculo e ao cair da noite. A prece pode ser feita em qualquer lugar limpo, privadamente ou em companhia de outros. Preparativos para a reza incluem abluções. Em toda mesquita há água corrente para este fim.

 

    A prece da congregação ocorre toda sexta-feira ao meio-dia e também nos dias de festa na mesquita. A oração sempre é feita em direção a Meca e ao seu santuário, a Caaba. A doação de esmolas, o terceiro pilar islâmico, é uma espécie de sistema previdenciário. A Lei prescreve um tipo de doação que cada um deve dar, de acordo com suas posses.

 

    Todo mulçumano saudável e financeiramente capaz deveria fazer a peregrinação à Meca ao menos uma vez na vida. Ao se dirigir a Meca, homens e mulheres devem se vestir de branco, de um modo simples. Devem circundar a Caaba, em sentido anti-horário, o que sugere e estabelece que tempo e espaço são de nenhuma conseqüência, pois você está indo em sentido anti-horário, e isso indica que o tempo é só uma criação, que ele não é real. Depois de cumprido os cerimoniais em Meca, a maioria dos peregrinos coroa sua jornada com uma visita à tumba do profeta, em Medina.

 

    Uma das principais obrigações para todo crente mulçumano é dar testemunho de sua fé, ele deve dar seu testemunho repetindo a fórmula abaixo (profissão de fé):

 

    Em nome de Alláh, o Beneficiente, o Misericordioso, dou testemunho de que não há outra divindade além de Allah, e que Mohamed – que a paz esteja com ele - é seu profeta, que veio trazer uma mensagem, e a entregou de um modo perfeito, no modo do amor e da pureza”.

 

    A profissão é repetida várias vezes ao dia nas orações rituais.

 

    A Lei Islâmica classifica os atos humanos em 5 categorias: Moralmente neutros (atos nem obrigatórios nem proibidos, são simplesmente admissíveis), atos recomendados (mas não obrigatórios), atos obrigatórios (como a prece ritual ou o pagamento de esmola), atos reprovados (porém lícitos. O mais repulsivo desses atos seria o divórcio, embora, ironicamente, o divórcio seja relativamente fácil de obter na Lei Islâmica), atos proibidos (beber vinho ou comer carne suína).

  

    Os muçulmanos não têm nenhum tipo de batismo para integrar-se à sua fé. É necessário somente que uma pessoa recite o credo muçulmano que é muito simples e muito fácil de lembrar e que diz: "Não há outro deus que Alá e Maomé é seu Enviado" (7. 158). Isto é suficiente. Nisto, já vimos, é o que acredita o Islã como sua base e único dogma. Quando uma pessoa recita esse credo perante duas testemunhas e expressa sua vontade de ser islâmico já forma parte dessa comunidade.

 

 

 

   O Islã não vê com bons olhos os solteiros, inclusive desfavorece o celibato e o vê como algo negativo. A sexualidade é para passar-se bem, principalmente o homem. A vida solteira é sinônimo de egoísmo e de esterilidade. Os muçulmanos pensam que no Paraíso no além, cada homem muçulmano desfrutará eternamente de quatro belas huris. Os matrimônios não são nem um sacramento nem um matrimônio civil. É mais parecido com um contrato de compra e venda. Não esqueça que o Islã também dá ao prazer carnal um sentido religioso. Têm um matrimônio forçado, onde a mulher não escolhe seu marido mas sim um terceiro quem os une. A mulher só pode herdar a metade em relação ao homem. O marido pode repudiar a mulher quando quiser e não tem que dar contas a ninguém de tal decisão. Têm também um tipo de matrimônio que poderíamos chamar de temporário, já que pode ser contraído por meses, semanas ou dias.

 

   No islamismo, a mulher é considerada um "brinquedo" (daí porque usei a palavra "que" em vez de "quem"). Isto é tirado literalmente do que o profeta Maomé e o Justo Califa Umar Ibn Al Khattab (um dos sogros de Maomé). O próprio Maomé disse: "A mulher é um brinquedo, quem quiser levá-la, deve cuidar dela". No Islamismo, não somente a mulher é considerada um brinquedo e inferior ao homem, mas as mulheres são consideradas como tendo muitas deficiências.

 

 

   Sura 4.34 (um capítulo do Alcorão) declara: "Os homens têm autoridade sobre as mulheres porque Alá fez um superior à outra".

 

   Diferentemente do mundo judaico-cristão: "Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus" (Gálatas 3.28).

 

As mulheres muçulmanas devem usar o véu ao saírem em público, e em alguns países ou regiões, o rigor das vestes é ainda maior. Na foto acima, o hábito da burca.

 

   As interpretações radicais das escrituras deram origem a casos brutais. A opressão contra a mulher é comum nos países que seguem com rigor a Sharia, a Lei Islâmica, e têm tradições contrárias à libertação da mulher.

 

   Na religião há paraíso e inferno, juízo final e ressurreição dos mortos, anjos e demônios.

 

   Símbolos da religião Islâmica - O Islã é, categoricamente, contra o uso de qualquer símbolo para adoração ou veneração. De qualquer modo, com a passagem do tempo, com a inabilidade do homem comum entender a sua elevada metafísica, algumas figuras foram se tornando sagradas no Islamismo. A caligrafia do Corão é em si mesma freqüentemente utilizada como evocação devocional.

 

   A pintura da pedra de Kaba, em Meca, é outro símbolo sagrado.

 

 

   A lua crescente, com uma estrela, é um símbolo popular usado por sobre as mesquitas, mas já era um símbolo de adoração em Bizâncio. Quando os Turcos Otomanos conquistaram aquele império, eles usaram este símbolo como sinal de vitória, e tornou-se uma representação para a cultura Islâmica. Freqüentemente retratada nas mesquitas e dargas, ele é usado em bandeiras nacionais em muitos países Islâmicos.

 

   A cor verde é a cor do Islã. Maomé a elogia e os muçulmanos acreditam que as almas dos mártires do Islã entrarão no Paraíso sob a forma de aves de cor verde.

 

   Tudo no mundo muçulmano tem um componente religioso. O comer também. Eles distinguem os alimentos entre puros e impuros. Não comem carne de porco nem seus derivados, em especial sua gordura. Não tomam bebidas alcoólicas, com raras exceções.

 

   Ramos do Islã: Sunitas, Xiitas, Kharijitas.

 

 

     O MÊS SAGRADO DO RAMADÃ - O nono mês do calendário islâmico, era nesse período que os muçulmanos acreditavam que Deus, ou Alá, revelara os primeiros versos do Alcorão, o livro sagrado do Islamismo. Esse período do ano é um momento para reflexão, devoção a Deus e autocontrole, demonstrado por meio do jejum, que começa no início da manhã, e durante todo dia o mulçumano deve evitar ingerir alimentos, até o pôr-do-sol , quando o jejum é quebrado por uma refeição simples. Como o ano lunar mulçumano só tem 359 dias, ao longo do tempo, o ramadã varia conforme as estações. O período de jejum termina com um dos maiores festivais do mundo islâmico, o Eid al-Fitr, em todo o mundo, os muçulmanos celebram com luzes e decorações. Durante a celebração, as pessoas se vestem com o que têm de mais fino, decoram suas casas com luzes, dão divertimento para as crianças e visitam os amigos e a família.

 

 

    Muitas religiões encorajam alguns tipos de jejum para propósitos religiosos. Por exemplo, os católicos não comem carne na Quaresma e os judeus jejuam durante o feriado de Yom Kippur. O mais importante, no entanto, é a idéia de que, por meio do autocontrole do jejum, uma pessoa pode prestar atenção especial em sua natureza espiritual. O jejum para os muçulmanos é obrigatório para aqueles que chegam à puberdade, constituindo um momento importante na vida e uma marca simbólica na entrada na vida adulta. Não se pode jejuar quando: grávida, menstruada, enfermo ou quando a pessoa está viajando.

 

    Outro objetivo do jejum para o Ramadã é experimentar a fome em compaixão por aqueles que não têm comida. Essa é a forma pela qual muitos muçulmanos aprendem a gratidão e a valorização daquilo que possuem. Em muitos lugares do mundo, as famílias acordam cedo, antes do sol nascer, e comem uma refeição chamada sohour. Depois que o Sol se põe, o jejum é quebrado com uma refeição chamada iftar.

 

    Em muitas mesquitas, durante o Ramadã, os versos do Alcorão são recitados todas as noites. Os oradores são conhecidos como tarawih. No final do Ramadã, a escritura completa foi recitada.

 

    Os muçulmanos praticam orações noturnas, seja no período do Ramadã ou não, mas o taraweeh, ou oração noturna do Ramadã, carrega um peso adicional.

    O mês sempre consistirá no auxílio dos muçulmanos na alimentação dos pobres e nas contribuições para suas mesquitas.

 

    SUFISMO (MISTICISMO ISLÂMICO) - Entre os séculos VIII e XII depois de Cristo, uma tendência para o misticismo surgiu entre os mulçumanos. O misticismo islâmico em geral se chama Sufismo. Confrarias sufistas distintas surgiram durante o século XII, cada uma delas leva o nome de uma grande figura sufi. Muitas vezes visto pelos próprios muçulmanos como um ramo separado do Islã, o Sufismo é antes uma forma de misticismo que pretende alcançar um contato direto com Deus através de uma série de práticas que geralmente incluem o ascetismo e a meditação. O sufismo já existia como movimento no primeiro século do Islã. Para os sufis o próprio profeta Maomé seria um deles, já que levaria uma vida extremamente simples, tendo por hábito retirar-se de Meca para meditar numa caverna, tendo estabelecido uma relação próxima com Deus.

 

   O sufismo foi por vezes entendido pelas autoridades ortodoxas muçulmanas como uma ameaça, tendo os seus líderes e adeptos sido alvo de perseguições. O sufismo tem sido igualmente criticado devido ao fato de alguns dos seus mestres terem alcançado um estatuto de santo, tendo sido erguidos santuários nos locais onde nasceram ou faleceram que se tornaram locais de peregrinações.

 

Dervixes - Uma das ordens sufis, a dos famosos Dervixes girantes da Turquia, utilizam uma dança circular estilizada, acompanhada de música, é assim o meio de atingir o êxtase.  A maioria dos dervixes leva uma vida nômade de abnegação, vivendo de esmolas. A palavra dervixe vem do persa e significa “mendigo” ou “mendigo religioso”.

 

   Segundo o Sufismo, cada um percebe as coisas conforme o seu padrão de pensamento, e as histórias Sufis podem modificar este padrão, pois o leitor tende a identificar-se com algum personagem da história e quando este se comporta de um modo inesperado, insólito, isto conflita com os esquemas estabelecidos e abre a oportunidade de ver as coisas sob outra perspectiva.

 

    O ritmo das recitações muitas vezes se acelera, e são usados métodos de controle respiratório, como em muitas outras religiões, em conjunto com movimentos coordenados do corpo junto com as recitações, ou cantos, objetivando-se a alcançar o êxtase.

 

   No nosso site você encontrará histórias sufis do Mulla Nasrudim (Khawajah Nasr Al-Din), escreveu, no século XIV onde ele mesmo aparece desempenhando papéis variados. Cada anedota encerra um humor facilmente identificável e uma sabedoria que convida à reflexão. O fenômeno Nasrudin já ultrapassou o personagem histórico em importância e notoriedade, muito além dos horizontes, mesmo amplos, de sua terra natal: a Turquia. São histórias que atravessaram fronteiras desde sua época, enraizando-se em várias culturas. Como o budismo e o zen-budismo, o sufismo sempre aliou o (bom) humor com sabedoria.

 

   Este mestre sufi nos leva a perceber que a vida não é o que pensamos que ela seja e é exatamente o que nunca suspeitaríamos que ela fosse. Misturando sabedoria e humorismo nos mostra que, na verdade, agimos e pensamos de forma mecânica e que se não nos livrarmos deste hábito, nunca poderemos viver a vida, antes seremos vividos por ela e nunca alcançaremos o objetivo para o qual nascemos: nos tornarmos humanos!

 

   Conseguirmos rir de nós mesmos e das coisas que nos acontecem é um sinal de sabedoria ou, no mínimo de não mecanicidade. Este é, entre os outros, um dos ensinamentos que Nasrudin nos apresenta.

 

 

 

“Que idade tem você, Mullá?”
“Quarenta anos”
“No entanto, isso mesmo me disseste à última vez que lhe perguntei, faz já dois anos”
“Eu sempre mantenho o que digo”

 

 

 

 

 

 

 

 

  

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