SINESTESIA:
Sinta, Cheire, Ouça e Deguste Cores, Sons...

 

  

Tem gente que percebe as cores como se fossem cheiros, sabores, sons e até sentimentos. E não é de forma figurada.

 

A sinestesia é uma condição neurológica em que um estímulo dos sentidos provoca uma percepção automática em outro sentido, ou seja, é um fenômeno de contaminação dos sentidos em que um único estímulo - visual, auditivo, olfativo ou tátil - pode desencadear a percepção de outro sentido, quase sempre acompanhado de memória e criatividade excepcionais.

 

Sinestesia vem do grego syn ("união" ou "junção") e aisthesis (sensação). São percepções fisiológicas com respostas químicas cerebrais.

 

Imagine-se lendo este texto e cada letra dele assume uma cor diferente diante de seus olhos, ou então ao olhar um belo pôr-do-sol com seus tons de alaranjado e vermelho, sentir o sabor de um doce. Estas são só algumas das manifestações da Sinestesia, uma condição neurológica especial do cérebro que interpreta de forma diversa os sinais vindos de nossos órgãos sensoriais, notadamente a visão.

 

Não é considerada uma doença ou defeito mental, apenas uma forma diferente do cérebro interpretar os sinais. No passado era considerada apenas o fruto de mentes muito criativas e inventivas, ou então pura loucura mesmo. Atualmente é objeto de muito estudo para ajudar-nos a compreender o funcionamento de nossos sentidos e sua interpretação no cérebro.

 

No cérebro de um sinestésico as cores têm propriedades que não podemos imaginar. Em alguns casos o tato pode ser associado, como uma pancada no canto da mesa que remete à cor marrom ou o laranja da confusão. São realmente percebidas desta forma e de uma maneira particular a cada caso.

 

Alguns artistas e filósofos famosos foram supostamente sinestésicos, talvez por isso tivessem uma percepção diferente de cores, sons e idéias.

 

Eles não perdem as impressões sensoriais normais, apenas sentem, ao mesmo tempo, outras sensações. Além disso, muitos possuem mais de uma forma de sinestesia.

 

Há dezenas de modalidades de sinestesia. A mais comum é a visão de cada letra ou algarismo de uma cor diferente. E as cores designadas para cada letra do alfabeto também diferem de pessoa para pessoa. Alguns "vêem" sons, outros sentem o sabor de palavras ou formas, o cheiro dos objetos que tocam, enxergam imagens ao ingerir certos alimentos, e outras misturas de sensações.

 

 

São sensações difíceis de imaginar, mas tremendamente reais para quem as vive, tanto que os sinestésicos pensam que todas as pessoas têm as mesmas percepções. Eles raramente sabem que são dotados de uma característica particular, mas não tardam muito a descobrir sua memória prodigiosa e seu extraordinário potencial criativo. Estima-se que o fenômeno atinja uma em cada 300 pessoas

 

Sinestésicos podem se sentir ridicularizados. “A maioria das pessoas às quais explico os efeitos, me olham maravilhadas ou como se fosse louca”, diz Carey uma das pacientes de um estudo americano. “Especialmente amigos que possuem uma mente muito lógica. Eles ficam perplexos.”

 

A pessoa que tem sinestesia é chamada de sinesteta.

 

Há pessoas, por exemplo, que toda vez que sentem um odor (real), escutam certo som (imaginário).

 

Os efeitos podem ser dos mais variados, o tipo “projetor” vê as cores associadas a letras, por exemplo, no ar, diante de seus olhos. Já os “associativos” veriam estas cores apenas internamente, é o caso de Carey que diz que as cores piscam como flashes atrás do olho e em outros casos deslizam lentamente como a luz do sol sobre uma bolha de sabão.

 

 

Um terceiro grupo é chamado de “perceptual”, onde as percepções são associadas a estímulos como sons e objetos, como alguém que pode sentir o sabor de formas geométricas. Já o grupo “conceitual” é sensível a conceitos abstratos como o tempo, um caso em específico deste grupo é o de uma mulher que dizia perceber os meses do ano como uma fita que flutuava ao redor de seu corpo, cada um com uma cor. Diz ela: “O mês de fevereiro é verde claro e fica bem à minha frente.

 

Na sinestesia da audição, por exemplo, a percepção de um som pode provocar uma experiência visual em um sinesteta.

 

Julia Cochan "enxerga" as vozes das pessoas com quem fala ao telefone. "A imagem formada ajuda-me a entender o humor da pessoa do outro lado da linha", diz. Funciona mais ou menos como um detector de mentiras. Imperceptível aos ouvidos normais, a mais leve mudança no timbre revela à Julia a personalidade do interlocutor.

 

Totalmente involuntária, a sinestesia não pode ser controlada, nem induzida na ausência do estímulo específico. E é justamente a incapacidade de controlá-la que a distingue das chamadas sinestesias cognitivas, que se caracterizam por associações de idéias (objetos, conceitos, cores, sons) e dependem, na maioria das vezes, de experiências artísticas individuais e de condicionamentos culturais. Por outro lado, o senso de orientação não é tão bom assim. A maioria dos sinestésicos é canhota e um percentual significativo confunde direita e esquerda. Seu ponto forte são as faculdades mnemônicas, particularmente a memória declarativa: os sinestéticos se lembram de muitos números de telefone, datas, senhas, fatos e eventos. Também é comum que se recordem com perfeita precisão de longos diálogos de filmes, trechos de livros e instruções verbais. O que não se sabe ainda, entretanto, é se essa capacidade excepcional se deve à sinestesia propriamente dita ou a algum fenômeno correlato.

 

Segundo estimativas feitas nos Estados Unidos, há um sinesteta em cada 15 mil habitantes do planeta, e o número de mulheres é três vezes superior ao de homens. Alguns estudos indicam que a capacidade, transmitida geneticamente, estaria ligada ao cromossomo X que, como se sabe, aparece em dupla nas mulheres, enquanto os cromossomos sexuais masculinos são XY. As estimativas indicam ainda maior freqüência de manifestações sinestésicas entre canhotos do que entre destros."

 

A causa da sinestesia é desconhecida. Algumas hipóteses já foram levantadas e compõem parte do campo de estudos do assunto:

 

1.       Supõe-se que todos os sentidos são interpretados de forma separada e protegida em regiões distintas do cérebro. Na sinestesia haveria uma queda de uma ou mais destas barreiras, fazendo com que os sinais dos órgão sensoriais chegassem a mais de uma área interpretativa, gerando respostas fora do comum.

 

2.     Todos nasceríamos com esta condição, desta forma o cérebro infantil seria sinestésico por definição, mas nos primeiros meses ou anos de vida passaria por um processo de especialização que levaria à conformação convencional que conhecemos, os sinestésicos adultos continuariam com as funções sensoriais mescladas em algum nível.

 

3.     Os sinais sensoriais chegam a várias áreas do cérebro, mas algum tipo de “máscara” faz com que apenas alguns sejam filtrados e interpretados por determinados setores cerebrais. A sinestesia seria originada pela queda desta “máscara”.

 

Esta última hipótese tem base nos sintomas de quem é usuário de alucinógenos como LSD e mescalina cujos sintomas são semelhantes ao da sinestesia só que muito mais fortes e descontrolados.

 

No Brasil não há estudo sobre o assunto.

 

 

 

 

 

 

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