AS PROFECIAS DE ISAAC NEWTON
Livro mostra busca do gênio da física
por um "código na Bíblia" sobre o fim do mundo.

 

 

 

 

 

 

   Isaac Newton nasceu em Londres, em 1642, e morreu no ano de 1727, uma vida de grandes descobertas e realizações. Cientista, químico, físico, mecânico e matemático, junto com Leibniz, é o criador do Cálculo Infinitesimal. Durante sua trajetória, ele descobriu várias Leis da Física, entre elas, a Lei da Gravidade, criou o “binômio de Newton”, ele foi um dos principais precursores do Iluminismo. Além de todas as descobertas que ele fez, acredita-se que ocorreram muitas outras que não foram registradas.

 

   Newton sempre esteve envolvido com questões filosóficas, religiosas e teológicas e também com a alquimia; suas obras mostravam claramente seu conhecimento a respeito desses assuntos.

 

 

 

    Um livro que acaba de chegar ao Brasil ajuda a revelar um lado surpreendente de Isaac Newton (1643-1727), pai da Física Moderna e responsável por formular a lei da gravidade, entre outras realizações científicas fundamentais. Nas horas vagas (ou, para ser mais exato, na maior parte do tempo durante sua maturidade), Newton se dedicava a um estudo detalhado, ponto por ponto, dos escritos atribuídos ao profeta Daniel e do Apocalipse, os dois livros bíblicos que mais versam sobre o fim do mundo. Para o cientista britânico, as duas obras eram guias precisos para a história do mundo até sua época e continham a chave para desvendar o que aconteceria no final dos tempos.

 

    Os estudos apocalípticos de Newton estão na obra "As profecias do Apocalipse e o livro de Daniel" (Editora Pensamento), traduzida integralmente para o português pela primeira vez. As análises newtonianas coincidem apenas em parte com o que os modernos estudiosos da Bíblia consideram ser a interpretação mais provável das Escrituras. Mas não devem ser lidas como sinal de que o cientista tinha um lado "retrógrado" ou "obscurantista", alertam especialistas. Pelo contrário: é bastante possível que a fé religiosa de Newton, e seu interesse por assuntos esotéricos, tenham facilitado suas descobertas.

 

    "A gente tem de inverter a relação. Não é apesar de suas crenças religiosas e místicas que o Newton consegue dar o pulo do gato nos trabalhos sobre a gravidade; é justamente devido a elas", afirma José Luiz Goldfarb, historiador da ciência e professor de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Os próprios estudos bíblicos de Newton já denotam uma sensibilidade mais crítica e moderna, uma tentativa de estudar as profecias de forma quase matemática, usando cronologias detalhadas." A crença monoteísta (num Deus único), se vista como um todo, também pode ter sido uma influência positiva nos primórdios da ciência e da filosofia.

 

    "A gente costuma deixar ciência e religião bem separadas, mas o fato é que os manuscritos de Newton, que chegam a 4.000 páginas, abordam principalmente esses estudos místicos e esotéricos", conta Mauro Condé, professor de História e Filosofia da Ciência da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Com a morte dele, a Universidade de Cambridge e a Royal Society [principal sociedade científica do Reino Unido, da qual ele fazia parte], que tinham um modelo para o que deveria ser o trabalho científico, privilegiaram parte da obra dele e deixaram o resto vir a público de forma meio aleatória", diz o pesquisador.

 

    O livro em questão, publicado após a morte de Newton com base em suas anotações, é basicamente uma tentativa de desvendar o significado histórico das principais profecias do Livro de Daniel (no Antigo Testamento) e do Apocalipse (livro do Novo Testamento que encerra a Bíblia cristã). Ambas as obras são caracterizadas pela riqueza de imagens simbólicas -- animais, estátuas, chifres, trombetas -- que funcionam como uma espécie de linguagem cifrada que o profeta propõe à sua audiência, e que às vezes é desvendada logo após a descrição das visões.

 

Famosa cena de Daniel na cova dos leões, em imagem do século 19 (Foto: Reprodução).

 

    Newton, para quem Daniel "é um dos profetas mais claros para se interpretar", traça uma série de correspondências entre as imagens proféticas e eventos reais - no seu esquema, por exemplo, menções a "dias" sempre se referem, na verdade, a anos, animais ferozes e poderosos correspondem a reis ou nobres, e assim por diante. Usando essa chave simbólica, o cientista se propõe a relacionar todas as grandes ocorrências da história mundial, do exílio judaico na Babilônia (a partir de 586 a.C.) à sua época, com as visões de Daniel e, em menor grau, com as de João, o autor do Apocalipse.  

 

    As duas principais visões do livro de Daniel se referem a uma estátua feita de vários tipos de metal precioso e não-precioso, e a uma sucessão de animais ferozes de aspecto sobrenatural. A interpretação tradicional (inclusive no interior do livro bíblico) é associar cada um dos metais e das feras a reinos que se sucederiam até o fim dos tempos, quando Deus salvaria seu povo e instauraria seu domínio sobre o mundo.

 

 

    No caso da estátua, temos os metais ouro, prata, bronze, ferro e argila misturada com ferro; para Newton, a correspondência é com os impérios da Babilônia, da Pérsia, dos gregos de Alexandre Magno e de Roma; "ferro e argila" misturados significariam as nações européias oriundas do território fragmentado de Roma, fundadas a partir de reinos bárbaros. Um esquema semelhante é aplicado aos animais ferozes; Newton aproveita o fato de que um deles tem dez chifres para associá-lo aos dez reinos bárbaros europeus fundados após a queda de Roma.

 

    Após esses dez chifres, surge mais um, "menor, e três dos primeiros foram arrancados para dar-lhe lugar. Este chifre tinha olhos idênticos aos olhos humanos e uma boca que proferia palavras arrogantes", diz o profeta. Newton afirma que esse chifre arrogante é a Igreja Católica, que havia se tornado um império ao adquirir vastas extensões de terra na Itália durante a Idade Média. O cientista traça a interpretação porque o livro de Daniel diz que o novo chifre "perseguia os santos".

 

    Fortemente anticatólico, Newton associava a Igreja à promoção de práticas vistas por ele como demoníacas, como a adoração dos santos, bem como à perseguição dos verdadeiros cristãos. Para ele, a Igreja Católica também pode ser identificada com a Besta do Apocalipse, representada pelo número 666. Em seus cálculos, Newton dá a entender que o fim do mundo viria após a reconstrução do templo de Jerusalém, em torno do ano 2.060 - mas se abstém de apontar um ano específico. Segundo o físico, se passariam 1.260 anos entre a refundação do Santo Império Romano, no ano 800, e o final dos tempos.

 

    Apesar do esforço interpretativo de Newton, poucos estudiosos atuais do texto bíblico vão concordar com sua análise. Para começar, enquanto o físico considerava que o livro de Daniel tinha sido escrito no século 6 a.C. pelo profeta do mesmo nome, o consenso moderno é que a obra é tardia, de meados do século 2 a.C., relatando, portanto, muitas coisas que já eram passado no tempo do profeta antes de se dedicar à profecia propriamente dita.

 

Imagem medieval retratando uma das principais cenas do livro do Apocalipse.

 

    Os pesquisadores afirmaram que os manuscritos com os dizeres do famoso cientista estão reunidos e guardados na Biblioteca Nacional Judaica, em Jerusalém, Israel, eles variam entre os períodos de 1642 a 1727. Este material de Newton também virou tema de um documentário produzido pela rede de TV britânica BBC em 16/06/08.

 

    Em comunicado, a Universidade Hebraica de Jerusalém anunciou que a previsão de Newton foi exibida pela primeira vez ao público no documentário intitulado “Segredos de Newton”.

 

    No filme, os especialistas revelaram que encontraram uma carta, datada de 1704, escrita por Newton. Nela, o físico e astrônomo inglês, que também se interessava por teologia e alquimia, fez um cálculo baseado em um fragmento da Bíblia Sagrada retirado do livro de Daniel.

 

    De acordo com o documentário, a previsão foi encontrada pelo pesquisador canadense, Stephen Snobelen, que participou do especial. Antes da exibição do vídeo, o diretor do departamento de manuscritos e arquivos da biblioteca israelense, Raphael Weiser, se antecipou e disse nunca ter visto o documento localizado por Snobelen. Apesar da declaração, Weiser confirmou que a biblioteca possui milhares de volumes sobre Newton e que nem todos foram analisados. Weiser, afirmou que "o pesquisador trabalhou aqui durante muito tempo, mas não vi o documento", e disse ainda que "podem existir muitas descobertas a serem feitas. Mas o material é muito grande e não temos pesquisadores suficiente para isso".

 

    Segundo o jornal israelense “Maariv”, os documentos, agora em Jerusalém, foram comprados em um leilão em Londres, em 1930.

 

    Entre outras coisas, Newton deixou um curioso manuscrito ilustrado em que especula sobre o significado oculto das dimensões do Templo do Rei Salomão em Jerusalém, que expressariam a estrutura do Universo. Como teólogo, professava uma antiga heresia cristã, o Arianismo, que se opunha ao Trinitarismo e afirmava a Unicidade do Divino. Por isso mesmo escondia cuidadosamente suas opiniões em matéria de religião, com medo de ser expulso da Universidade, que na época era monopolizada por clérigos da Igreja Nacional da Inglaterra (Anglicanismo). Não foi maçom, mas presidiu a Royal Society, a primeira sociedade científica do mundo, que tinha muitos maçons entre seus membros e fundadores. Um de seus colaborados (que trabalhou com ele como preparador de experimentos científicos) foi o pastor Jean Théophile Désaguliers, ilustre maçon, um dos redatores das "Cosntituições Maçônicas" ditas de Anderson.

 


Maquete da recostrução do Templo de Salomão.

 

 

 

 

 

 

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