
Ao longo dos oceanos encontramos indícios de possíveis "bombas" geológicas. Uma vez disparadas, poderiam criar fenômenos extraordinários como ondas gigantes (muito maiores que as tsunamis* normais) que viajariam através dos mares, destruindo países com regiões costeiras.
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(*) Tsunami (onda gigante, em japonês) é uma onda gigante ou uma série delas que ocorrem após perturbações abruptas que deslocam verticalmente a coluna de água, como, por exemplo, um sismo, atividade vulcânica, abrupto deslocamento de terras ou gelo ou devido ao impacto de um meteoro dentro ou perto do mar. Há quem identifique o termo com "maremoto" — contudo, maremoto refere-se a um sismo no fundo do mar, semelhante a um sismo em terra firme e que pode, de fato originar um(a) tsunami. Os tsunamis podem caracterizar-se por ondas de 30 metros de altura, causando grande destruição.
O tsunami de 2004 deixou 230 mil mortos e desaparecidos em todo sul e sudeste da Ásia, das Maldivas à Tailândia e Indonésia.
Um megatsunami é um raro tsunami que pode atingir alturas de centenas de metros, viajar a 890 km/h ao longo do oceano, potencialmente alcançando 20 km ou mais dentro terra adentro em regiões de baixa altitude. Em oceanos profundos, um megatsunami é quase invisível. Move-se em um deslocamento vertical de aproximadamente um metro, com um comprimento de ondas de centenas de quilômetros. Porém, a enorme quantidade de energia dentro deste movimento de gigantesca massa produz uma onda muito mais alta, à medida que a onda se aproxima de águas rasas. Alguns podem devastar costas de continentes inteiros. O histórico geológico mostra que megatsunamis são muito raros; o último evento conhecido desta magnitude aconteceu há 4 mil anos na Ilha de Reunião, leste de Madagascar.
A longitude de uma onda de tsunami normal pode ser de algumas dezenas de metros, mas a dos mega tsunamis pode ser de milhares de quilômetros.
Estima-se que terá sido entre 1650 e 1600 a.C. que ocorreu uma violenta erupção vulcânica na ilha grega de Santorini. Este fenômeno devastador levou à formação de um tsunami cuja altura máxima terá oscilado entre os 100 e os 150 metros. Como resultado deste tsunami, a costa norte da ilha de Cretaa foi devastada até 70 km da mesma. Esta onda terá certamente eliminado a grande maioria da população minóica que habitava ao longo da zona norte da ilha, e possivelmente deu origem ao mito da Atlântida e exerceu influência na mitologia judaica das 10 pragas divinas do Êxodo. |
Faz alguns anos que os cientistas encontraram indícios de que da próxima vez um destes fenômenos poderia ocorrer ocasionado pela erupção do vulcão Cumbre Vieja, em La Palma, nas Ilhas Canárias, na costa norte do continente africano.

Localização
das Ilhas Canárias, arquipélago espanhol no oeste da África.
Em 1953, dois geólogos foram para uma baia remota do Alaska em busca de petróleo. Através de seus estudos deram-se conta de que no passado a baia havia sido golpeada por ondas enormes e se perguntaram o que poderia tê-las causado. Cinco anos depois obtiveram a resposta. Em 1958 um gigantesco deslizamento de terra (que se derramou dentro da baia) levantou uma onda de 500 m de altura, mais alta do que qualquer arranha-céu do mundo. O potencial destruidor da tsunami induzido pelo deslizamento — ao que os cientistas chamaram
"megatsunami" — começou a ser estudado: se um deslizamento de algumas dimensões consideradas "moderadas" no Alaska criaram uma onda deste tamanho, que estragos não poderia criar um deslizamento gigante?
Um dos maiores perigos reside nas ilhas vulcânicas de grandes dimensões, que são especialmente vulneráveis a estes tipos de deslizamentos. Os geólogos começaram a buscar provas destes eventos no fundo dos oceanos e as evidências encontradas deixaram-nos impressionados. As profundezas ao redor do arquipélago do Havaí, por exemplo, estão recobertas de depósitos de tamanhos colossais, produzidos por deslizamentos ocorridos ao longo de milhares de anos.
E uma das maiores preocupações dos cientistas é que as condições sob as quais um deslizamento desta magnitude — e por extensão uma mega tsunami — ocorrem neste momento em
La Palma, nas Ilhas Canárias. Em 1949, o vulcão Cumbre Vieja que entrou em erupção na zona sul da ilha gerou uma fenda considerável ao longo de um dos flancos do vulcão, que fez com que esta parte da ilha avançasse uns poucos metros no Atlântico, antes de parar sua trajetória.
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Como explica o especialista Víctor Hugo Forjaz, da Universidade dos Açores, “um vulcão de grandes dimensões, como o Cumbre Vieja [com 2.426 metros de altura] é uma massa pesada que vai crescendo ao longo dos anos, com os materiais empilhando-se uns sobre os outros, de forma cônica”. A partir de certa dimensão, atinge massas que podem desequilibrar- -se, tendo em conta o chamado “ângulo de atrito interno”, ou ponto de equilíbrio. À semelhança do que acontece com um monte de areia molhada, que se vai desfazendo à medida que cresce.
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Enquanto se mantiver inativo o vulcão não representa nenhum perigo. Contudo, os cientistas acreditam que o flanco oeste da ilha colapsará durante uma erupção futura. Em outras palavras, que em qualquer momento nos próximos dez a 200 anos, uma grande parte do sul de La Palma (com um volume de 500 milhões de toneladas) se derramará no Oceano Atlântico. Mas é impossível prever quando ocorrerá o colapso.

Nas Canárias, uma gigantesca massa rochosa ameaça desprender-se do vulcão Cumbre Vieja, na ilha de La Palma, e cair no mar. Ao cair no mar, o gigantesco bloco provocará uma onda com cem metros de altura, que atravessará o Atlântico a uma velocidade de 800 quilômetros por hora (aa mesma dos aviões a jato). Quando isso acontecer, uma gigantesca onda atravessará todo o Atlântico. Essa onda devastaria cidades litorâneas nos três continentes. A última vez que o Cumbre Vieja entrou em erupção foi há 30 anos. O vulcão pode ficar inativo por até 200 anos.
O que acontecerá quando o vulcão de La Palma entrar em erupção?
Estudos científicos afirmam que ocasionará uma onda quase inconcebivelmente destruidora, muito maior do que qualquer processo observado nos tempos modernos. Atravessará o Atlântico em poucas horas engolindo completamente a costa este dos Estados Unidos e varrerá do mapa tudo o que existe 20 km terra adentro. Boston seria a primeira zona a ser afetada, seguidos de Nova York, a península de Miami e as ilhas do Caribe. No Brasil, a região mais ameçada seria o Norte, cujo litoral seria atingido por uma onda de mais de 40 metros de altura. A onda avançaria ainda até oito quilômetros terra adentro, destruindo tudo pela frente.
Um sinal de que essa onda está chegando é que o mar estranhamente começa a recuar quando ela se aproxima. Essa onda tem o comprimento de centenas de quilômetros. Em alto mar ela tem um comprimento pequeno, de um metro. À medida que ela chega perto da praia, ela começa a perder velocidade e comprimento. Quando ela perde comprimento, ganha altura. Então aí ela tem condições de chegar até a 40 metros de altura, algo em torno de um prédio de seis a dez andares. A energia gerada por tal colapso seria igual ao consumo de eletricidade nos Estados Unidos por seis meses. a tendência é varrer tudo: prédios, vegetação. Toda e qualquer edificação vai ser riscada do mapa.
Os cientistas britânicos e norte-americanos que lançaram o alerta afirmaram que, além da área entre a Flórida e o Brasil, os pontos mais ameçados seriam o oeste do Saara, Portugal e Espanha, França e partes da Grã-Bretanha.

Todavia, mega tsunamis - que estes enormes deslizamentos de terra podem causar - são eventos muito raros. O último registrado ocorreu no Arquipélago da Reunião há 4.000 anos. Mas o fenômeno não é novo. Segundo José Madeira, vulcanólogo da Faculdade de Ciências de Lisboa, o deslizamento de terras é comum na evolução dos vulcões insulares. Há indícios disso na ilha do Fogo, Cabo Verde, e até mesmo na ilha da Madeira.
Ilhas vulcânicas como as de Reunião e as Ilhas do Havaí podem causar megatsunamis porque elas não são mais do que grandes e instáveis blocos de material mal agrupado por sucessivas erupções.

Enquanto que potencialmente não tão destruidor como um supervulcão, um megatsunami seria um desastre sem precedentes em quaisquer regiões em que esta evento ocorra.
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Um declive menos acentuado na beira-mar faz as ondas perderem força, atenuando o tsunami
Uma maior profundidade na encosta joga as ondas para cima, amplificando a sua potência
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http://br.youtube.com/watch?v=l-_haL7exMQ