GIORDANO BRUNO

  

 

  

  
 

CONTE�DO:  

  

  
 

    Giordano Bruno, nascido em Nola, prov�ncia de N�poles, na Camp�nia, It�lia Meridional, (motivo de ser chamado �o Nolano� ou Bruno de Nola � morto em Roma, 17 de fevereiro de 1600), Bruno nasceu pouco tempo depois da publica��o do Revolutionibus (de Newton). Foi um te�logo, fil�sofo, astr�nomo e matem�tico italiano. Filho do militar Jo�o Bruno e de Flaulissa Savolino, seu nome de batismo era Filippo, tendo adotado o nome de Giordano quando ingressou, ainda muito jovem, na Ordem Dominicana (no convento de N�poles em 1566), onde foi ordenado sacerdote, em 1572. L�, estudou profundamente a filosofia de Arist�teles e de S�o Tom�s de Aquino, doutorando-se em Teologia. Bruno foi um dos grandes pensadores do seu tempo.

 

    Foi para N�poles em 1562 (aos 14 anos), estudar humanidades, l�gica e dial�tica (N�poles era baluarte espanhol contra os mouros). Em 1565, aos 17 anos, Bruno recebe h�bito de S�o Domingos, no convento de San Domenico Majore, em N�poles, ocasi�o em que muda o nome para Giordano. Ordenado sacerdote em 1572, continuou no convento seus estudos de teologia, que concluiu em 1575.

 

    � especialmente atra�do pelas novas correntes de pensamento, entre as quais as obras de Plat�o e Hermes Trismegistus, ambos muito difundidos na It�lia ao in�cio do Renascimento. � a �poca dos mais acesos debates no Conc�lio de Trento (1545-1563), convocado pelo papa Paulo III para discutir estrat�gias na contra a Reforma Protestante. Mente inquieta e muito independente, Bruno teve s�rios problemas com seus superiores ainda quando estudante no convento. Intolerante com a ignor�ncia dos colegas de claustro; aborrecia-se com as discuss�es de sutilezas teol�gicas. Leu dois coment�rios proibidos de Erasmo e discutia a heresia de Ariano, que negava a divindade de Cristo.

 

    Bruno participava de um movimento chamado �Hermetismo�, que se baseava em escrituras que, de acordo com o que era dito, teriam se originado no Egito na �poca de Mois�s, esse grupo interessava-se pelas obras de Plat�o e tamb�m a �Herm�tica�, que � o conjunto dos segredos revelados por Toth [o deus escriba dos eg�pcios, que os gregos identificaram com Hermes Trismegisto] que constituem as ci�ncias ocultas e astrologia a n�vel popular, e certos postulados de filosofia e teologia a n�vel erudito, - introduzidos em Floren�a por Marsilio Ficino ao final do s�culo anterior. A ilumina��o pessoal, com a conseguinte salva��o da alma, segunda esta doutrina, depende do grau de conhecimento (gnosi) e maturidade a que chega o homem em sua luta por compreender o porqu� da exist�ncia terrena. Outra influ�ncia sobre Bruno, versando o mesmo campo, sup�e-se que foi a de Giovanni Battista Della Porta, um erudito napolitano que publicou um livro importante sobre m�gica natural. O pensamento de Bruno � gn�stico em ess�ncia, profundamente mesclado ao pensamento herm�tico e neoplat�nico que o sustenta.

 

    Suas obras principais s�o: Da causa, do princ�pio e do Uno e Do universo finito (1585).

 

    Sempre contestador, era t�o s�ria a largueza de vis�o de Bruno quanto aos defeitos do pensamento intelectual de sua �poca, n�o tarda a atrair contra si pr�prio opini�es contr�rias e persegui��es, a ponto de em 1576 ter que fugir de N�poles para escapar a um processo da Inquisi��o por heresia - acusado de heresia por duvidar da Sant�ssima Trindade - instaurado pelo Provincial da ordem (nesse mesmo ano abandona o h�bito), dirigindo-se para Roma e, depois, para a Su��a, onde freq�entou ambientes calvinistas, que logo abandonaria julgando o pensamento teol�gico dos protestantes t�o restrito quanto o dos cat�licos.

 

    Em 1576 abandona o h�bito, e deixou a cidade para Inicia, ent�o, uma peregrina��o que marcou sua vida. Fugiu para Roma onde foi v�tima de uma acusa��o improcedente de assassinato. Um segundo processo de excomunh�o em Roma fez com que fugisse novamente. Deixou o h�bito dominicano e perambulou pelo norte da It�lia por mais de um ano. Discorda da tese calvinista da justifica��o por meio da f� e n�o das obras. A rea��o dos calvinistas foi rigorosa: foi preso e excomungado, por�m retratou-se e assim lhe foi permitido deixar a cidade de Genebra (Su��a). Vai para a Fran�a. A corte francesa era bastante livre, quanto aos costumes. Bruno gozava a reputa��o de um m�gico que podia dotar a pessoa de uma grande reten��o de mem�ria, mas demonstrou ao rei (Henrique III) que seu sistema era baseado em conhecimento organizado. O rei concede-lhe uma renda especial, nomeando-o um de seus "Leitores reais". Passa 2 anos (1579-1581) em Toulouse, onde consegue nomea��o para uma c�tedra de filosofia; l� tentou, sem sucesso, ser absolvido pela Igreja Cat�lica. A esta altura � um homem sem p�tria e sem Igreja.

 

    Fiel a sua primeiras leituras sobre a teoria luliana, quando professor na universidade de Toulouse Bruno escreve um livro: Clavis Magna ("A grande chave") sobre o assunto. N�o era incomum para os eruditos vagar de lugar para lugar, buscando alunos e protetores abastados.

 

    Na primavera de 1583, n�o obstante a cordial acolhida que lhe fora dispensada em Paris pelo rei e pelos esp�ritos desvinculados do aristotelismo, Bruno resolve sair da Fran�a. Seja porque n�o pudesse mais sustentar sua popularidade em Paris, ou por que, a cada dia, se tornava mais grave a amea�a de uma renova��o da guerra civil.

 

    Em abril de 1583 Bruno mudou-se para Londres (Inglaterra), com uma carta de apresenta��o de Henrique III para seu embaixador para as ilhas brit�nicas, Michel de Castelnau. Sob a rainha Isabel, a Inglaterra vivia um Renascimento tardio. � poss�vel que o brilho do per�odo elisabetano tenha atra�do Giordano Bruno � Inglaterra.

 

    Pronunciou em Oxford uma s�rie de conferencias no ver�o do mesmo ano nas quais expunha a teoria de Cop�rnico reafirmando a realidade do movimento da Terra. Oxford, como as demais universidades europ�ias da �poca, cultivava a rever�ncia escol�stica pela autoridade de Arist�teles. Bruno, ao seu modo impetuoso, pregava que n�o se deveria acreditar no que Arist�teles havia afirmado, quando a simples observa��o da natureza demonstrasse o contr�rio. Devido � recep��o hostil dos professores desta universidade �s suas id�ias, ele voltou para Londres onde permaneceu como hospede do embaixador da Fran�a, Castelnau.

 

    Em Helmstadt, em Janeiro de 1589, ele foi excomungado pela Igreja Luterana local.

 

    Uma dupla de livreiros, atendendo a um desejo de um nobre veneziano chamado Giovanni Mocenigo, ao encontrar Bruno na Feira do Livro de Frankfurt (que j� existia naquela �poca) na Alemanha em 1590, convidou-o para vir a Veneza a pretexto de ensinar a mnemot�cnica, a arte de desenvolver a mem�ria, na qual ele era um perito. Como Mocenigo quisesse usar as artes da mem�ria com fins comerciais, segundo alguns, ou para prejudicar seus concorrentes e inimigos conforme outros, Bruno negou-se a lhe ensinar. Em maio de 1592, Bruno havia terminado um outro trabalho e preparava-se para viajar a Frankfurt para public�-lo, quando se viu preso por Mocenigo no s�t�o da sua casa. Mocenigo chamou os agentes do t�trico tribunal para levarem-no preso, acusado de heresia. Levado pelo Santo Of�cio com todos os seus pap�is, Bruno foi preso no San Castello no dia 26 de maio de 1592.

 

    Bruno defendeu-se admitindo alguns erros teol�gicos menores, insistindo, no entanto, nos seus postulados b�sicos. O palco do julgamento veneziano parecia proceder de modo favor�vel a Bruno, quando ent�o a Inquisi��o Romana pediu sua extradi��o. O tribunal de Veneza encaminha o prisioneiro para Roma, e em janeiro de 1593 Bruno entrou na cadeia do pal�cio romano do Santo Of�cio, onde � submetido a novo processo que a Inquisi��o lhe moveu. Durante os sete anos do julgamento romano, Bruno a princ�pio desenvolveu sua linha defensiva pr�via, negando qualquer interesse particular em quest�es teol�gicas e reafirmando o car�ter filos�fico de suas especula��es. Essa distin��o n�o satisfez os inquisidores, que pediram uma retrata��o incondicional de suas teorias. Depois de extenuantes e desumanas tentativas de convenc�-lo a retratar-se de algumas de suas teses mais b�sicas e revolucion�rias pelo m�todo inquisitorial, Bruno foi levado ao pal�cio do Grande Inquisidor para ouvir sua senten�a de joelhos, diante dos ac�litos assistentes e do governador da cidade. No �ltimo interrogat�rio n�o se submete, mostra for�a e coragem. Por n�o abjurar, � condenado � morte na fogueira, mas antes de morrer afronta ainda mais uma vez seus inquisidores. Ao ser anunciada a senten�a de que seria executado piamente, sem profus�o de sangue (que em verdade significava a morte pela fogueira) disse: "Teme mais a For�a em pronuciar a senten�a do que eu em escut�-la" Significando que a For�a - a Igreja Cat�lica saberia do crime contra a humanidade que estaria cometendo criando um m�rtir do pensamento. Lhe foram dados mais oito dias para ver se ele se arrebentai.

 

    Entre as acusa��es, as quatro mais graves s�o duas teol�gicas e duas filos�ficas: Teol�gicas: (a) negaria a transubstancia��o; (b) prioridade ideal e real do Pai e da subordina��o do Filho, este originado de um ato da vontade do Pai, que lhe � preexistente. Filos�ficas: (a) pluralidade dos mundos (os atos divinos devem corresponder � pot�ncia infinita de Deus) implicaria tamb�m v�rias encarna��es de Cristo um n�mero infinito de vezes...(racioc�nio tipicamente escol�stico), e (b) alma presente no corpo como o piloto no barco.

 

    O l�gubre cortejo saindo da pris�o da Inquisi��o ao lado da Igreja de S�o Pedro seguiu pelas ruas de Roma at� chegar no Campo dei Fiori, uma pra�a onde uma enorme pilha de lenhas amontoava-se ao redor de uma estaca. Era a fogueira que iria abrasar vivo o fil�sofo Giordano Bruno. Trouxeram-no com uma morda�a na boca por temerem que ele pudesse dirigir algumas palavras perigosas ao povo que se juntou a sua passagem. Ao oferecerem-lhe o crucifixo para o beijo derradeiro, revirou os olhos. Em minutos, ao embalo das preces dos monges de San Giovanni Decollato, o verdugo jogou uma tocha na base da pira que num instante devorou o corpo. Estava feito. Era o dia 17 de fevereiro de 1600.

 

    Bruno, morto aos 52 anos, tornou-se um m�rtir do livre-pensamento e um s�mbolo da intoler�ncia da contra-reforma da Igreja Cat�lica. Ao final Seus trabalhos foram colocados no �ndex em agosto de 1603 e seus livros tornaram-se raros.

 

    Giordano Bruno foi, sem d�vida, um pioneiro que acordou a Europa de um longo sono intelectual. Ele cunhou a frase "Libertas philosophica", o direito de pensar, sonhar e filosofar, e foi martirizado devido ao seu excessivo entusiasmo. A id�ia do universo infinito foi uma das mais estimulantes id�ias do Renascimento. Giordano Bruno morreu sem renegar seus pontos de vista filos�fico-religiosos. Sua morte acabou por causar um forte impacto pela liberdade de pensamento em toda a Europa culta. Como diz A. Guzzo: "Assim, morto, ele se apresenta pedindo que sua filosofia viva. E, desse modo, seu pedido foi atendido: o seu julgamento se reabriu, a consci�ncia italiana recorreu do processo e, antes de mais nada, acabou por incriminar aqueles qua o haviam matado".

 

    Apesar das freq�entes compara��es entre Giornano Bruno e Galileu Galilei, a condena��o de Bruno, em 1600, nada teve a ver com seu suporte � cosmologia de Cop�rnico. Na �poca n�o havia uma posi��o Cat�lica oficial acerca do Heliocentrismo e defend�-lo certamente n�o era considerado uma heresia. Por outro lado, Bruno (1548 � 1600) pode ter contribu�do para iniciar a controv�rsia da Igreja Cat�lica com Galileu (1564-1642).

 


 

Monumento erguido em 1889 por c�rculos ma��nicos italianos,

no local onde Giordano Bruno foi executado. Campo de Fiori, Roma, It�lia

 

 

   

    A FILOSOFIA DE BRUNO

    Embora tais campos n�o existissem ainda na ci�ncia, pode-se dizer que Bruno est� interessado na natureza das id�ias e do processo associativo na mente humana. Mas toda a sua constru��o gira em torno dos gonzos de um princ�pio filos�fico plat�nico, isto �, que as nossas id�ias por serem sombras das id�ias eternas, est�o vinculadas reciprocamente, como essas, em cadeias cujos elos s�o partes de um sistema �nico total e por isso podem iluminar-se mutuamente, pois � uma s� a luz que resplandece em todas. (Leibniz depois retoma essa linha). Bruno � considerado um pioneiro da filosofia moderna, tendo influenciado decisivamente o fil�sofo holand�s Baruch de Espinoza e o pensador alem�o Gottfried Wilhelm von Leibniz.

 

    A caracter�stica b�sica da filosofia de Giordano Bruno � a sua volta aos princ�pios do neoplatonismo de Plotino, e ao hemetismo da Europa pr�-crst�, notadamente nos trabalhos que conhecemos como "O Corpus Hermeticum". Defensor do humanismo, corrente filos�fica do renascimento (cujo principal representante � Erasmo), Bruno defendia o infinito c�smico e uma nova vis�o do homem. Embora a filosofia da sua �poca estivesse baseada nos cl�ssicos antigos, dentre os quais principalmente Arist�teles, Bruno teorizou veementemente contra eles. Sua forma e conte�do s�o muito semelhantes �s de Plat�o, escrevendo na forma de di�logos e com a mesma vis�o.

 

    Baseou sua filosofia apoiado nas suas intui��es e viv�ncias fora do comum. Defendeu teorias filos�ficas que misturavam um neoplatonismo m�stico e pante�smo.

 

    Bruno vem � tona pregando um reconhecimento da heran�a pag� antiga e da liberdade de pensamento filos�fico-relgioso, o que, por si, era uma amea�a e uma atitude por demais revolucion�rias para serem suportadas pelo poder de Roma. Ele conduz a magia renascentista �s suas fontes pr�-crist�s e as demonstra serem t�o v�lidas e ricas quanto a crist�, tendo, inclusive, o m�rito de se enriquecerem mutuamente. � necess�rio aceitar o diferente, segundo Bruno, com suas riquezas e pontos de vista complementares ao modo de ver do mundo crist�o. Tal como Galileu e Kepler, Bruno acreditava que a B�blia era um texto moral e salutar, onde os autores haviam adotado uma linguagem adequada �s pessoas comuns. Para eles, a B�blia nunca havia sido pensada como meio de ensinar Astronomia ou a filosofia da Natureza. Faz uma forte cr�tica da �tica Crist� - particularmente o princ�pio calvinista da salva��o exclusivamente pela f�, � qual Bruno opunha uma vis�o exaltada da dignidade de todas as atividades humanas.

 

    No seu terceiro livro: De architetura et commento artis Lulli ("Sobre a Arte de L�lio e coment�rio"), argumenta que L�lio havia tentado provar os dogmas da Igreja por meio da raz�o, Bruno, por�m, nega o valor desse esfor�o mental. Ele argumenta que o Cristianismo � inteiramente irracional, que � contr�rio � filosofia e que contraria outras religi�es. Salienta que n�s o aceitamos pela f�, que a assim chamada revela��o n�o tem base cient�fica.

 

    Bruno coaduna com os poderes humanos extraordin�rios, mas enfrentou abertamente a Igreja Cat�lica ridicularizando os milagres de Cristo e outras tantos dogmas cat�licos, tais como a virgindade de Maria.

 

    Ele tamb�m formula sua vis�o averro�sta da rela��o entre filosofia e religi�o, de acordo com a qual existe a religi�o dos ignorantes e a religi�o dos doutos. A primeira � considerada como um meio para instruir e governar o povo ignorante. � um conjunto de supersti��es contr�rias � raz�o e a natureza, "�til para governar os povos incultos", que � v�lido enquanto a humanidade n�o atingir um grau superior de evolu��o. A religi�o dos doutos ou dos te�logos, que o processo hist�rico enriquece, � esclarecida, na qual se integra a filosofia como a disciplina dos eleitos que est�o aptos a se controlar e governar os outros.

 

    Ensinou e publicou uma variedade de trabalhos menores, incluindo o Articuli centum et sexatinta ("160 Artigos") contra os fil�sofos e matem�ticos contempor�neos, no qual ele exp�s sua concep��o de religi�o - uma teoria da coexist�ncia pac�fica de todas as religi�es baseada no conhecimento m�tuo e liberdade rec�proca de discuss�o. � uma cr�tica contra a intoler�ncia e o sectarismo religioso, que diz contrariar a lei divina do amor. Faz uma reivindica��o da dignidade pr�pria da liberdade espiritual humana (sem liberdade n�o haveria essa dignidade).

 

    Dentre suas id�ias especulativas, destacamos a percep��o de uma sabedoria que se exprime na ordem natural, onde todas as coisas, quer tenhamos id�ia ou n�o, est�o interligadas e se inter-relacionam de maneira mais ou menos sutil (holismo); a pluralidade dos mundos habitados, sendo a Terra apenas mais um de v�rios planetas que giram em volta de outros sistemas, etc. Por tudo isso, por essa ousadia em pensar, Bruno - que estava s�culos adiante de seu tempo - pagou um alto pre�o. Mas sua coragem serviu de estopim e incentivo ao progresso cient�fico e filos�fico posterior.

 

    Quanto aos m�todos de memoriza��o (menemot�cnicas), Giordano Bruno foi muito influenciado pelo pensamento de Raimundo L�lio (1235-1316), de Maiorca, m�stico catal�o e poeta autor de um manual da cavalaria, Ars Magna ("A grande Arte"), "A �rvore da Ci�ncia", Liber de ascensu et descensu intellectus ("O Livro da subida e da descida do intelecto") descrevendo est�gios do desenvolvimento intelectual no entendimento na compreens�o de todos os seres atrav�s do m�todo da sua arte.

 

 

   

    A COSMOLOGIA DE GIORDANO BRUNO

    Um dos pontos chaves de sua teoria � a cosmologia. Ele apresentava uma vis�o filos�fica do Universo diferente de todos os seus contempor�neos, contendo id�ias que apenas vieram a ser retomadas no s�culo XX.

 

    Bruno teria abra�ado a teoria de Cop�rnico porque ela se encaixava bem na id�ia eg�pcia de um Universo centrado no Sol. Ao final do s�culo XVI aparentemente n�o havia um �nico professor que ensinasse o universo segundo Cop�rnico, exceto Giordano Bruno. Galileu apresenta suas provas no in�cio do s�culo seguinte, e mesmo ent�o � obrigado a abjurar a teoria. Galileu nunca encontrou Bruno em pessoa e n�o o menciona em seus trabalhos, sendo bastante esperto de sua parte evitar citar um herege condenado, em suas obras.

 

    Bruno afirmava que n�o havia posi��o absoluta no espa�o, como dissera Arist�teles, mas que a posi��o de um corpo "era relativa � dos outros corpos". �Em toda parte ocorre mudan�as relativas incessantes de posi��o por todo o universo, e o observador est� sempre no centro das coisas". Infinidade e relatividade. Os astros giram tamb�m sobre seu pr�prio eixo para perpetuar em si a vida, para expor sucessivamente todas as suas partes ao Sol (como seres que tem vida, animismo). S�o afirma��es ousadas em uma �poca em que o pensamento teol�gico filos�fico medieval era ainda predominante, e tinha como uma de suas pe�as b�sicas a astronomia de Ptolomeu que afirmava ser a Terra um ponto im�vel privilegiado, centro do movimento circular de todos os corpos celestes, teoria que afinava tanto com os textos b�blicos quanto com o pensamento racional aristot�lico que a escol�stica integrava num todo unit�rio.

 

    Seguindo dedu��es tipicamente aristot�licas, diziam os mestres escol�sticos que, se a Terra se movesse, as nuvens seriam deixadas para tr�s, as folhas mortas voariam sempre no mesmo sentido; uma pedra solta do alto de uma torre se afastaria do p� da torre. A esse pensamento juntava-se a concep��o de que, excetuando-se o movimento circular uniforme, impresso por Deus aos corpos celestes, todos os demais movimentos s�o imperfei��es, constituindo transgress�es ou repara��es de transgress�es da ordem divina. A refuta��o de Bruno a esse argumento, em "O Banquete das Cinzas", � que a Terra e tudo que nela se encontra formam um sistema. Os objetos de um navio se movem com ele. Do mesmo modo, as nuvens, os p�ssaros, as pedras s�o levados com a Terra. No mesmo di�logo ele se antecipa ao seu colega italiano o astr�nomo Galileu Galilei sustentando que a B�blia devia ser seguida pelos seus ensinamentos morais e n�o por suas implica��es astron�micas.

 

    Em De la Causa, (tamb�m de 1584) ele elabora a teoria f�sica na qual estava baseada sua concep��o do universo: "forma" e "mat�ria" est�o intimamente unidas e constituem o "Uno" [antecipando a teoria de Einstein � E=m.c2]. Bruno � animista. Em sua filosofia o Universo � um sistema em permanente transforma��o, um todo no qual nada existe im�vel. N�o apenas um movimento mec�nico e passivo, segundo as leis da f�sica, mas um movimento an�mico que o faz transformar-se permanentemente. Tudo que existe estaria reduzido a uma �nica ess�ncia material provida de anima��o espiritual.

 

    No De l'infinito universo e mondi ("Sobre o Infinito, Universo e Mundos") ele desenvolveu sua teoria cosmol�gica criticando sistematicamente os f�sicos aristot�licos. Argumentava que o Universo era infinito e continha um n�mero infinito de mundos, e que estes eram todos habitados por seres inteligentes, no que rejeitou a teoria geoc�ntrica tradicional e ultrapassou a teoria helioc�ntrica de Cop�rnico que ainda mantinha o universo finito com uma esfera de estrelas fixas. Pois o universo inteiro est� vivo, existe uma vida que anima tudo o que existe, como por exemplo os astros, os minerais, sendo Deus, criador do mundo, necessariamente um ser infinito; seria contradit�rio que a uma causa infinita n�o correspondesse um efeito infinito. O Universo, pois, como efeito de uma causa infinita n�o pode conceber-se sen�o como infinito. Acreditava que o Universo � infinito, que Deus � a alma universal do mundo e que todas as coisas materiais s�o manifesta��es deste principio infinito; Deus seria a for�a criadora perfeita que forma o mundo e que seria imanente a ele. Para esta perspectiva bebeu na fonte de Nicolau da Cusa, Cop�rnico e tamb�m de Giovanni Della Porta. Mas � original. Afirma que tudo que existe na Terra forma um sistema. Os erros de teoriza��o prov�m do fato de sermos esp�ritos limitados no universo ilimitado. Tal como Nicolas de Cusa, Bruno retoma a id�ia que as estrelas do c�u s�o s�is. Bruno ia mais longe, afirmando mesmo no seu livro, Del Universo Infinito et Mondi, que em torno desses s�is haveria planetas como aqueles que giram � volta do Sol.

 

 

 

 

 

 

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