ALEXANDRE MAGNO
CONTE�DO:
FELIPE II (pai de Alexandre) - O Imp�rio Maced�nico)
No s�c. IV a.C., a Maced�nia foi governada pelo rei Felipe II, o caolho (382 a.C-336 a.C.), que pretendia fazer de seu reino um grande imp�rio, Felipe II centralizou o poder, confiscou terras da aristocracia e as distribuiu aos camponeses, diminuindo, assim, o poder da nobreza. Ganhou o apoio do povo, do qual precisava para organizar seu ex�rcito. Viveu na cidade grega de Tebas.
Felipe reorganizou o ex�rcito e, em 357 a.C., um ano depois de seu filho Alexandre nascer, come�ara as campanhas de conquista que mais tarde o levariam a dominar quase toda a Gr�cia. Aproveitou-se das rivalidades entre as cidades gregas, que, j� enfraquecidas, foram facilmente dominadas.
Os maced�nios viviam ao norte da Gr�cia. Eram agricultores e pastores.
Depois de unificar o reino, Felipe II iniciou uma pol�tica de expans�o cujo primeiro objetivo foi proporcionar ao pa�s uma sa�da para o mar. As cidades que resistiram foram destru�das. O ex�rcito maced�nico foi reorganizado. Na juventude, em Tebas, ele estudara os m�todos militares gregos. Decidiu que a resposta t�tica seria uma nova forma��o: a falange de dez fileiras de infantaria armadas com lan�as, duas vezes mais longas do que as espadas comuns. Os homens que as carregavam ficavam bem mais distantes do que os hoplitas, de modo que as lan�as da retaguarda se projetavam entre as das primeiras fileiras. O resultado era uma disposi��o de pontas em forma de ouri�o, uma arma formid�vel. Para apoiar a retaguarda havia uma cavalaria com armaduras, cercada por uma fileira de armas pesadas, como catapultas.
A conquista das minas de ouro do Monte Pangeu forneceu os recursos necess�rios para fazer da Maced�nia uma pot�ncia.
Atenas n�o se op�s ao avan�o maced�nico. S� mais tarde o orador Dem�stenes concitou os cidad�os atenienses a resistirem a Felipe II, mas, juntamente com os tebanos, os atenienses foram derrotados na decisiva Batalha de Queron�ia, em 338 a.C. Felipe II uniu todas as cidades gregas, com exce��o de Esparta, e assumiu pessoalmente o comando da confedera��o, o que na pr�tica significou submeter a Gr�cia � Maced�nia. Respeitou a autonomia interna das cidades gregas, com o objetivo de ganhar seu apoio para enfrentar o Imp�rio Persa. Contudo n�o concluiu seus planos, pois em 337 a.C. foi assassinado por um de seus oficiais, quando se preparava para realizar a conquista da P�rsia, sendo substitu�do no trono por seu filho Alexandre III (que passou para a hist�ria como "Alexandre, O Grande ou Alexandre Magno), que tinha 20 anos. Sua esposa, Ol�mpia, � suspeita de envolvimento em seu assassinato.
Busto de Alexandre III.
ALEXANDRE III (dito "O Grande ou Magno")
A poderosa figura de Alexandre III pertence ao reduzido grupo de homens que definiram o curso da hist�ria humana.
Alexandre III (356 a.C. em Pella - 323 a.C. em Babil�nia), de cognome o Grande ou Magno, nasceu em 356 a.C. no pal�cio de Pella, Maced�nia. Filho do rei Felipe II e de Ol�mpia de �piro, uma m�stica e ardente adoradora do deus Dion�sio. Cedo se destacou como um rapaz inteligente e intr�pido. Quando o pr�ncipe tinha 13 anos, seu pai incumbiu um dos homens mais s�bios de sua �poca, Arist�teles, de educ�-lo. Alexandre aprendeu as mais variadas disciplinas: ret�rica, pol�tica, ci�ncias f�sicas e naturais, medicina e geografia, ao mesmo tempo em que se interessava pela hist�ria grega e pela obra de autores como Eur�pides e P�ndaro. Tamb�m se distinguiu nas artes marciais e na doma de cavalos, de tal forma que em poucas horas dominou o Buc�falo, que viria a ser sua insepar�vel montaria. Alexandre percebeu que o animal temia a pr�pria sombra e voltou-o contra o sol, conseguindo desta maneira dom�-lo. Na arte da guerra recebeu li��es do pai, militar experiente e corajoso, que lhe transmitiu conhecimentos de estrat�gia e lhe inculcou dotes de comando. Aos 16 anos, j� substitu�a o pai no governo; aos 18, revelava-se grande estrategista na luta contra os gregos rebeldes, quando, no comando de um esquadr�o de cavalaria, venceu o batalh�o sagrado de Tebas na Batalha de Queron�ia em 338 a.C. (a Batalha de Queron�ia representa o fim da democracia ateniense e por arrastamento das outras cidades gregas e de uma certa concep��o de liberdade); aos 20, Alexandre subiu ao trono da Maced�nia, depois do assass�nio do pai, e se disp�s a iniciar a expans�o territorial do reino.
Alexandre se prop�s a unificar sob seu poder todo o mundo civilizado. Entretanto, antes de iniciar suas campanhas contra a P�rsia precisava assegurar o dom�nio sobre as cidades gregas.
Morto Felipe, as cidades gregas tentaram recuperar a liberdade. Imediatamente depois de subir ao trono, Alexandre enfrentou uma subleva��o de v�rias cidades gregas e as incurs�es realizadas no norte de seu reino pelos Tr�cios e Il�rios. Primeiramente, conseguiu que a Liga de Corinto o nomeasse comandante supremo dos gregos. Depois de submeter, em 335 a.C., os Tr�cios e Il�rios, que se haviam sublevado. A cidade de Tebas op�s grande resist�ncia, o que o obrigou a um violento ataque no qual morreram milhares de tebanos e destruiu a cidade, uma das mais importantes, matando ou escravizando todos os seus habitantes. A Gr�cia comprovou a impossibilidade de opor-se a Alexandre. Pacificada a Gr�cia, o jovem rei elaborou seu mais ambicioso projeto: a conquista do Imp�rio Persa, a mais assombrosa campanha da Antig�idade. Depois de confiar a Ant�patro a reg�ncia da Maced�nia e o governo da Gr�cia, cruzou o Helesponto.
Desejava dominar todos os povos do Oriente, mas, para alcan�ar esse objetivo, tinha que vencer o poderio do Imp�rio Persa, enfrentando seu ex�rcito de 600 mil soldados. Em 334, investiu contra o Imp�rio Persa - que era liderado por Dario III - com 30.000 soldados, 5.000 cavaleiros e uma comitiva que inclu�a cientistas, engenheiros, arquitetos e historiadores. Ap�s in�meras batalhas, Alexandre derrotou os persas em 331 a.C. Morto Dario em 330a.C., Alexandre foi proclamado rei da �sia e sucessor da dinastia persa. Transferiu ent�o sua capital para Babil�nia.
Alexandre III montando no seu cavalo Buc�falo
em batalha
contra os persas, apresentado em mosaico romano.
No ano 328 a.C. contraiu matrim�nio com Roxana, filha do s�trapa da Bactriana, com quem teve um filho de nome Alexandre IV e incentivou a uni�o de seus soldados com mo�as persas.
A tend�ncia � fus�o das duas culturas gerou desconfian�as entre seus oficiais maced�nios e gregos, que temiam um excessivo afastamento dos ideais hel�nicos por parte de seu monarca.
Alexandre invadiu a �sia Central, onde fundou col�nias militares que se transformaram em cidades pr�speras, como Herat e Samarkand. Levou os ex�rcitos da Maced�nia ao norte da �frica, pen�nsula Ar�bica, passando pela Mesopot�mia, a Babil�nia, Susa e Pers�polis. Levou a guerra at� a �ndia, submetendo alguns pr�ncipes indianos e fundando col�nias militares e cidades, entre as quais Nic�ia e Buc�fala, esta erigida em mem�ria de seu cavalo, �s margens do Rio Hidaspe. Invadiu a S�ria e a Fen�cia, conquistou Gaza e, em 332, j� se lan�ava contra o Egito, onde foi acolhido no Egito como um libertador, pois, nessa �poca, o Egito estava sob o dom�nio dos persas; respeitou-lhes a cultura e a organiza��o social, restabeleceu sua religi�o tradicional e at� se apresentou no santu�rio do O�sis de Siwa, onde foi reconhecido como filho de Amon e sucessor dos fara�s. Em 332 a.C. fundou Alexandria, cidade que viria a converter-se num dos grandes focos culturais da Antig�idade. Constru�do num curto per�odo de 11 anos, o Imp�rio Maced�nico; contribuiu com a difus�o da cultura grega no Oriente.
Mapa que retrata a extens�o do imp�rio de Alexandre
- 90% do mundo ent�o conhecido.
O plano era continuar as conquistas em dire��o ao Oriente. Mas os soldados, cansados de 12 anos de lutas sem tr�guas, come�aram a fazer press�o para retornar � Maced�nia. Alexandre acabou concordando, J� dominava o vale do rio Indo (na �ndia) quando teve de interromper a conquista. Alexandre decidiu regressar � P�rsia, viagem penosa no qual foi ferido mortalmente e acometido de febres desconhecidas, que nenhum de seus m�dicos soube curar; foi v�tima de uma infec��o, e em conseq��ncia, morreu, na cidade da Babil�nia, com apenas 33 anos. Deixava o maior imp�rio j� formado at� aquela �poca.
A sua personalidade � considerada de formas diferentes segundo os gostos de quem o examina: por um lado, homem de vis�o, tentando criar uma s�ntese entre o oriente e ocidente (o encorajamento que fez do casamento entre oficiais seus e mulheres persas, al�m de utilizar Persas ao seu servi�o), respeitador dos derrotados (acolheu bem a fam�lia de Dario III e permitiu �s cidades dominadas a manuten��o de governantes, religi�o, l�ngua e costumes) e admirador das ci�ncias e das artes (fundou, entre algumas dezenas, a Alexandria do Egito, que viria a se tornar o maior centro cultural, cient�fico e econ�mico da Antig�idade por mais de 300 anos quando foi substitu�da por Roma); por outro lado, profundamente inst�vel e sanguin�rio (as destrui��es das cidades de Tebas e Persep�lis, o assassinato de Parm�nion, o seu melhor general, a sua liga��o com um eunuco), limitando-se a usar o pessoal de valor que tinha � sua volta em proveito pr�prio. Infelizmente nenhuma das fontes contempor�neas sobreviveram (Calistenes e Ptolomeu), nem sequer das gera��es posteriores: apenas possu�mos textos do s�culo I que usaram fontes que copiaram os textos originais... De modo que muitos dos pormenores da sua vida s�o bastante discut�veis.
Durante o seu curto reinado de treze anos (entre 336 e 323 a.C.), Alexandre realizou a conquista de territ�rios mais r�pida e espetacular da Antiguidade.
Com a sua morte, os seus generais repartiram o seu imp�rio e a sua fam�lia acabou por ser exterminada; o vasto imp�rio que ele constru�ra foi dividido entre seus generais, formando-se os seguintes reinos:
- Reino de Ptolomeu (Egito, Fen�cia e Palestina);
- Reino de Cassandro (Maced�nia e parte da Gr�cia);
- Reino de Seleuco (P�rsia, Mesopot�mia, S�ria e �sia Menor)
Mas sua obra mais importante permaneceu: a civiliza��o grega estendeu-se por grande parte do mundo. A fragmenta��o do governo n�o impediu a circula��o de pessoas e mercadorias. Os seus sucessores fizeram o que puderam para manter o Helenismo vivo: gregos e maced�nios foram encorajados a emigrar para as novas cidades. Alexandria no Egito teve um destino brilhante devido aos cuidados dos Ptolomaicos (o Egito, apesar da sua monumentalidade, nunca possu�ra grandes metr�poles): tornou-se um porto internacional, um centro financeiro e um foco de cultura gra�as � biblioteca; mas outras cidades como Anti�quia, Sel�ucida do Tigre e �feso tamb�m brilharam. Reinos no oriente, como os greco-bactrianos (Afeganist�o) e greco-indianos, expandiram o helenismo geograficamente mais do que Alexandre o fizera. Entretanto, os diferentes Estados resultantes da divis�o do imp�rio de Alexandre passaram a ser palco de constantes lutas internas. No s�culo II a.C., esses Estados, enfraquecidos por essas lutas, n�o conseguiram resistir ao crescente dom�nio de Roma. Uma de suas preocupa��es, durante as conquistas, foi a divulga��o da l�ngua e dos costumes gregos no Oriente. Alexandre fundou uma grande quantidade de cidades que, apesar de terem institui��es parecidas com as das cidades gregas, eram bem diferentes, pois n�o possu�am autonomia, e promoveu a fus�o da cultura grega com a dos povos conquistados, principalmente eg�pcios, mesopot�micos e persas, dando origem ao que se conhece por Helenismo, e mesmo ap�s sua morte continuou a fus�o entre as culturas grega e oriental, cujos centros foram as cidades de P�rgamo, Antioquia e principalmente Alexandria.
Assim, depois que a Gr�cia perdeu o poder e a independ�ncia pol�tica, sua l�ngua e sua cultura se tornaram universais.
A partir de 146 a.C., por�m, a Gr�cia ficou submetida definitivamente ao dom�nio da Rep�blica Romana, embora tenha continuado a manter a primazia espiritual sobre o mundo antigo.
Roma recuperou o legado Helen�stico, e a miragem do imp�rio de Alexandre: Crasso e Marco Ant�nio tentaram conquistar a P�rsia com p�ssimos resultados. Trajano morreu a meio de uma expedi��o, Sept�mio Severo teve o bom senso de desistir a meio e s� Her�clito, no per�odo bizantino, teve uma campanha vitoriosa.
Lu�s XIV ainda apreciava vestir-se como Alexandre (� maneira do s�culo XVII obviamente) e esse ep�teto seria sempre apreciado por monarcas absolutos.
HELEN�SMO
Designa-se por Per�odo helen�stico (do grego hellenizein - "falar grego", "viver como os gregos") o per�odo hist�rico que decorre entre a morte de Alexandre, o Grande em 323 a.C., e a conquista do Antigo Egito em 30 a.C. pelos romanos. Caracteriza-se pela difus�o da civiliza��o grega numa vasta �rea que se estendia do Mediterr�neo oriental � �sia Central. De modo geral, o helenismo foi a concretiza��o de um ideal de Alexandre: o de levar e difundir a cultura grega aos territ�rios que conquistava. � neste per�odo hist�rico que as ci�ncias particulares t�m seu primeiro e grande desenvolvimento. � o tempo de Euclides e Arquimedes. O helenismo tamb�m marca um per�odo de transi��o para o apogeu e dom�nio de Roma.
A ci�ncia alcan�ou um grande desenvolvimento no per�odo helen�stico, n�o sendo ultrapassada nas suas realiza��es durantes muitos s�culos.
Na arquitetura detecta-se uma influ�ncia oriental, presente no aparecimento do arco e da abobada.
Para a filosofia, contudo, o helenismo marca o surgimento de um novo per�odo: a filosofia helen�stica (cujo in�cio � tradicionalmente associado com a morte de Alexandre, em 323 a.C.). As principais escolas filos�ficas deste per�odo s�o o Estoicismo, o Epicurismo, o Ceticismo e tamb�m o Cinismo. � nesse per�odo do pensamento ocidental que a filosofia se expande da Gr�cia para outros centros como Roma e Alexandria.
DVD INDICADO
"Alexandre", do diretor Oliver Stone. A vida do conquistador (Colin Farrell, de Por um Fio) � contada pelo velho Ptolomeu (Anthony Hopkins, de Revela��es) e come�a com o nascimento de Alexandre, no s�culo IV a.C., filho de Ol�mpia (Angelina Jolie, de Roubando Vidas) e de Phillip (Val Kilmer, de Crimes em Wonderland). Entre guerras e vit�rias, o filme mostra a conturbada vida pessoal do jovem, com a m�e possessiva, o pai alco�latra e sua pr�pria bissexualidade. Muito se especulou sobre como Stone abordaria a sexualidade de Alexandre, e o diretor n�o se esquivou de mostrar o rapaz se relacionando com homens, como seu companheiro Hef�stion (Jared Leto, de R�quiem por um Sonho), e tamb�m mulheres, como a princesa com quem ele se casou (Rosario Dawson, de A �ltima Noite), sem nunca apelar. Distribuidora: Warner Home V�deo. Data de Lan�amento: 14/07/2005.
A QUEST�O DA HOMOSSEXUALIDADE NA GR�CIA ANTIGA (apresentada no filme
"Alexandre")
A exibi��o do filme causou um certo mal-estar nos espectadores. Tal desconforto seria efeito de um preconceito. Interjei��es e assobios acompanharam a exibi��o da cena em que Alexandre (Colin Farrell) beija na boca Bagoa (Francisco Bosch), o eunuco encontrado na Babil�nia e que foi seu servidor, massagista e companheiro de muitas noites. Mas o maior desconforto aparecia a cada vez que a rela��o entre Alexandre e Hefestion (Jared Leto), amigos desde a adolesc�ncia, revelava-se pelo que era: um amor.
A certa altura, Alexandre deixou de ouvir seus oficiais, perdeu apoio e come�ou a abusar do �lcool. Ao seu lado, permanecia o amigo Hefestion, que se excedeu no vinho at� a morte. Alexandre chorou por dias a perda do amado. Com a sa�de debilitada pelas guerras, acabou morrendo depois de uma bebedeira, numa festa que durou cinco dias.
O filme mostra que Alexandre tinha uma rela��o muito "especial" com Ol�mpia, sua m�e (que supostamente teria mandado assassinar o marido para que seu filho se tornasse rei). Do ponto de vista psicol�gico, pensa-se que talvez ele tenha levado seu ex�rcito at� as fronteiras do mundo para se manter a uma saud�vel dist�ncia da m�e. Essa rela��o quase incestuosa entre Alexandre e Ol�mpia corresponde ao entendimento comum das causas da homossexualidade. Desde Freud, pensa-se que a homossexualidade masculina seja efeito de um excessivo apego a uma m�e exageradamente protetora.
Na Gr�cia antiga, onde o "homossexualismo" era pr�tica comum, n�o existiam palavras para designar o que chamamos de "homossexualidade" e "heterossexualidade" porque simplesmente n�o existia a id�ia de "sexualidade". A sexualidade � uma constru��o cultural recente. No mundo hel�nico havia um eros m�ltiplo e heterog�neo, sem contrapartida no imagin�rio de hoje. Assim, o eros da "pederastia*" era, em sua "natureza", diverso do eros presente. Por princ�pio era virtuoso, ao contr�rio da "homossexualidade" contempor�nea, tida muitas vezes como v�cio, doen�a, "degenera��o" ou pervers�o, desde que foi inventada pelas ideologias jur�dico-m�dico-psiqui�tricas do s�culo XIX. Na Antig�idade greco-romana n�o havia a compreens�o do sexo a partir do que aprendemos nos �ltimos 200 anos. Portanto, enganamo-nos ao projetar h�bitos mentais do presente na rela��o peder�stica que havia na Gr�cia.
A Pederastia (do grego pais - "menino", erast�s - "amante") designava, na Antiguidade grega, uma institui��o generalizada (e que, teoricamente, n�o implicava, em absoluto, qualquer tipo de relacionamento sexual) na educa��o dos adolescentes rapazes de fam�lias de boa posi��o social por parte dos pedagogos - var�es maduros. A pederastia, era ent�o, um rito de inicia��o daquela sociedade, que demarcava a passagem da inf�ncia para adolesc�ncia, e desta, para o mundo adulto.
Ora, a fun��o social da pederastia � a de ensinar ao rapaz a tornar-se um cidad�o. O rapaz, ocupa uma posi��o passiva, e o homem adulto uma posi��o ativa. O "homem adulto" jamais poderia ser "passivo" na rela��o amorosa, e isso significava n�o poder ser penetrado, pressionado f�sica ou moralmente a ceder os avan�os sexuais do seu "aprendiz", ou de nenhum outro cidad�o, nem muito menos de um escravo, ou seja, entre dois homens adultos, era impens�vel que se mantivesse contatos f�sicos, coito anal e manifesta��es apaixonadas, pois a pederastia era a forma mais nobre de amor entre os gregos. Al�m disso, ela se desfaz num processo de passagem determinando a idade. A rela��o cessa quando o jovem rapaz deixa de s�-lo: o sinal da metamorfose � indicado pelo surgimento de p�los, no queixo e nas pernas.
Na Gr�cia antiga a Er�tica era sobretudo uma rela��o entre um homem mais velho e cidad�o, portanto um dos poucos indiv�duos livres naquela sociedade, com um jovem rapaz. Na Er�tica, o foco � na rela��o de aprendizado pol�tico que deveria marcar a rela��o amorosa. Assim, as pr�ticas sexuais n�o eram centrais nem exigiam a cria��o de um termo para seus praticantes (embora por motivos did�ticos, utilizemos aqui o termo pederastia). Dessa forma, compreende-se porque n�o � poss�vel falar em homossexualidade na Gr�cia antiga: seria um erro hist�rico atribuir aos gregos um termo e uma classifica��o de um per�odo hist�rico muito posterior.
Na rela��o, o jovem oferecia devo��o e satisfa��o sexual e ganhava em troca, al�m do afeto, uma educa��o moral, intelectual e espiritual. Fora desse quadro, na Gr�cia Antiga, as rela��es entre homens n�o eram encorajadas, mas n�o eram propriamente objeto de censura. Ser "macho" n�o dependia da escolha do sexo do parceiro.
Tanto em Roma como na Gr�cia antiga, o que hoje compreendemos como "homossexualismo" era uma pr�tica comum. Era, ainda, considerado imagem ideal do erotismo e modelo de educa��o para os jovens. Contudo, apesar da pr�tica homossexual ser considerada normal em Roma, o homossexualismo passivo desonrava os romanos, que eram educados para serem ativos, serem senhores. A posi��o passiva era reservada para os escravos e para as mulheres, para os quais, ali�s, era um dever. Na Gr�cia Antiga, Eros foi um deus muito popular, pois, com seus dardos, tinha o poder de unir pessoas de classes sociais muito diferentes. A fela��o era um crime aos olhos dos cidad�os romanos.
Deste modo, assim como n�o existia uma homossexualidade inerente aos gregos, da forma como a compreendemos hoje, bem entendido, onde h� defini��es e escolhas dos pap�is dicot�micos ativo/passivo, desejo sexual, amor e respeito m�tuo entre os(as) parceiros(as), valoriza��o dos atos e jogos afetivos, fantasias ou qualquer outra manifesta��o amorosa que tamb�m sirva para descrever a pluralidade da vida afetiva e sexual entre um homem e uma mulher, a sociedade greco-romana era uma sociedade predominantemente "masculinista", ou seja, onde s� os homens gozavam dos direitos enquanto cidad�o (apesar de haver relatos acerca da comunidade formada por mulheres na ilha de Lesbos - no qual resultou a deriva��o do termo lesbianismo/l�sbica, para referir-se � homossexualidade feminina - e que tinha na poetisa Safo sua principal representante).
Nota: A palavra l�sbica vem da ilha de Lesbos, na Gr�cia, onde vivia uma poetisa e sacerdotisa chamada Safo. O tema principal de seus poemas era o amor homossexual feminino e da� o nome l�sbico para designar a mulher que mant�m rela��es com outra mulher. Ela iniciava mulheres no homossexualismo (da� os adjetivos l�sbica ou mulheres s�ficas).
Vimos, assim, que o uso dos prazeres na Antig�idade devia estar a servi�o da honra do cidad�o, pois era impens�vel na Gr�cia antiga uma liberdade sexual privada na forma como as m�ltiplas homossexualidades s�o vividas na contemporaneidade. O prazer devia estar a servi�o do cidad�o da polis grega, j� que a vida p�blica era destinada � pol�tica. O ex�rcito encorajava o alistamento de casais homossexuais. Os gregos acreditavam que dois amantes lutariam at� a morte, lado a lado. Os homens mais bonitos eram escolhidos para o comando.
O fil�sofo S�crates (469-399 a.C.) era adepto do amor homossexual como a mais alta forma de inspira��o para homens bem-pensantes, e achava que o sexo heterossexual servia apenas para produzir crian�as.
Tirando as regras que sempre existem em qualquer cultura, a homossexualidade era muito presente em Roma e praticada por todos inclusive pelos C�sares. Quem gostava, praticava e quem n�o gostava n�o praticava. Isso tamb�m acontecia na Gr�cia antiga. L�, os homens conviviam e disputavam a supremacia com homens, onde "o ideal de excel�ncia era masculino".
A Hist�ria registra que dos quinze primeiros imperadores de Roma eram bissexuais, s� Cl�udio era exclusivamente heterossexual (termo que faria pouco sentido para eles). Os romanos adotaram a cultura grega, mas, claro, avacalhando-a um pouco. Os imperadores, por exemplo, dispunham de um paedagogium imperial, cuja fun��o oficial era de servir como escola para jovens que se destinavam ao servi�o p�blico, mas que se tornou, �s vezes, uma esp�cie de har�m de meninos.
Alguns imperadores, como Nero, Cal�gula e Galba (que gostava especialmente de homens musculosos), ficaram famosos por seus excessos sexuais. Mas foi o imperador J�lio C�sar que ganhou a fama, s� sendo tolerado pela posi��o que ocupava e por suas conquistas b�licas. Dele diz-se que "era homem de todas as mulheres e mulher de todos os homens". Era uma forma de esc�rnio, mas a reputa��o de ambidestro e frente-e-verso nunca atingiu a virilidade de sua imagem.
Durante a Alta Idade M�dia, a homossexualidade era tolerada por parte da pr�pria Igreja e somente a partir do s�culo XII � que a condena��o da homossexualidade como algo contra a natureza humana come�a a se fortalecer. No final do s�culo XVIII, o homossexual se torna um monstro, um anormal. Era considerado uma ofensa � cria��o, uma figura diab�lica. Muitos pa�ses tinham pena de morte para a homossexualidade.
Na Gr�cia Antiga, a homossexualidade era uma pr�tica natural e esteticamente bela. Com a civiliza��o judaico-crist�, caiu em desgra�a. Chegou a ser considerada doen�a - equ�voco que se prolongou at� 1974 - quando a Organiza��o Mundial de Sa�de riscou-a de sua lista de enfermidades. Hoje j� se sabe que n�o se trata de uma op��o, mas de uma condi��o
Etimologicamente, a palavra homossexual � formada pela jun��o dos voc�bulos "homo" e "sexu". Homo, do grego "h�mos", que significa semelhante, e sexual, do latim "sexu", que � relativo ou pertencente ao sexo. Portanto, a jun��o das duas palavras indica a pr�tica sexual entre pessoas do mesmo sexo.