CONTEÚDO:
Introdução (História)
Os Baralhos mais conhecidos e usados
Teorias Psicológicas
Orientação para o estudo do Tarô
INTRODUÇÃO (História)
A própria palavra Tarô, do francês tarot, viria do Antigo Egito, onde o baralho teria surgido, significando “roda” ou “caminho”.
O Tarô é um instrumento que nos permite analisar, meditar e refletir sobre nosso passado, presente e futuro, através de seu sistema de simbologias e metáforas. Considerado um alfabeto simbólico composto por imagens arquetípicas as quais estão baseadas na vida humana, em seu complexo sentido de começo-meio-fim. Neste contexto, o Tarô serve tanto para uma orientação psicológica ou terapêutica quanto para a adivinhação ou predição do futuro. É considerado um meio de autoconhecimento muito eficaz que pode guiar-nos através de situações e problemas.
Ao que parece, o Tarô e mesmo o I Ching (o livro das mutações), que surgiu na China no período anterior à dinastia Chou (1150-249 a.C.), têm como meta principal levar as pessoas a refletir sobre o que estão vivendo. Talvez por isso, um dos fundadores da Psicanálise, o suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), tenha se interessado pelo Tarô, entre outras simbologias.
A curiosidade que o Tarô sempre despertou nos artistas moveu o pintor espanhol e mestre do surrealismo Salvador Dali a desenhar um baralho.
Tradicionalmente ele possui 78 cartas [na verdade 77, pois uma das cartas é numerada como sendo “zero” (o Louco), guardando assim a sacralidade do número 7. Cada qual é denominada de Arcano, palavra que significa "mistérios ou segredos a serem desvendados" e foi incorporada pelos ocultistas do século XIX, pois até então se chamava Trunfos.
Segundo Eliphas Lévi (renomado ocultista), as cartas são baseadas nos Pantáculos das Clavículas* de Salomão (Clavículas = “pequenas chaves”). Este grande mago também apregoava que cada iniciado deveria elaborar suas próprias cartas, esboçando nelas seus conhecimentos sobre o Grande Mistério.
Os mais antigos documentos e cartas de Tarô (aquelas que lembram os baralhos ciganos) que se tem notícias são de origem italiana, francesa e espanhola - todas datando entre o séc. XV e o séc. XVI. Sabe-se que em 1392, Carlos VI, rei da França, encomendou por um bom preço ao pintor Jacquemin Gringonneur três pacotes de cartas.
Como por exemplo, o Tarô de
Visconti-Sforza produzido em Milão (Itália) por volta de 1450, ou ainda, o
Tarô de Jacques Vieville datado de 1623, Paris (França).
Tarô
de Visconti-Sforza
Tarô
de Jacques Vieville
É inegável que por muitos séculos tanto o aspecto lúdico quanto o adivinhatório foi desenvolvido simultaneamente. Pode-se afirmar que somente a partir do séc. XVIII, com os primeiros estudos do mitólogo protestante francês Antoine Court de Gebelin (1725-1784), No primeiro dos nove volumes de sua obra “Le monde primitif”, Gébelin afirma que as cartas do Tarô foram extraídas do Livro de Thoth (um deus egípcio); seguido de seu discípulo ocultista Etteilla e, no séc. XIX, pelos cabalistas Eliphas Lévi e Papus e, também, por meio dos magistas Mac Gregor Matters, Aleister Crowley e Arthur Edward Waite é que o Tarô se fortaleceu como uma arte totalmente mística e esotérica até os nossos dias.
No século XVIII, em plena Revolução Francesa, o jogo de Tarô tornou-se moda nos salões parisienses.
Alguns autores dizem que o Tarot teve origem no Egito, sendo uma reprodução dos diagramas do Livro de Thot. Não existem evidências físicas que comprovem tal teoria. Todavia, existe uma grande relação entre o mito de Osíris e as tradições dos Arcanos Maiores.
O ciclo de lendas sobre a ressurreição de Osíris é a parte mais importante na mitologia egípcia. Foi o ponto central de sua religião por mais de 3 mil anos. O mito da morte de Osíris e de sua ressurreição por meio da magia de Ísis tornou-se a base da fé do povo egípcio, confirmando a crença na vida após a morte. Veja à seguir um breve relato dessa lenda mítica, através das cartas do Tarot:
O mundo foi criado por Amon (O Louco-0 ou 22 ) das profundezas escuras de Nut. Seus ensinamentos são transmitidos pelo deus do tempo, Toth (O Mago-01). (A Sacerdotisa-02) é Ísis, esposa-irmã de Osíris. E Hator (A Imperatriz-03) é um outro aspecto de Ísis. O primeiro governante deste mundo recém-criado é Amon-Rá (O Imperador-04) e seu sucessor será Osíris (O Hierofante-05). Os pais e avós dos deuses aparecem na carta (Os Amantes-06). (O Carro-07), mostra Hórus, o filho de Ísis e Osíris. À medida que diminui o poder de Rá, Seckhmet (A Força-08) tenta conduzir seus difusos objetivos de volta à ordem. (O Eremita-09) mostra Osíris em sua jornada para o leste, onde disseminou o conhecimento entre os povos ainda não civilizados. Em (A Roda da Fortuna-10), o deus-criador Khnum está à frente do eterno giro do destino, enquanto Hórus e Set lutam pelo poder. O reinado de Osíris e Ísis foi uma época de justiça e igualdade para todos (A Justiça-11). Por fim, Osíris volta ao Egito, mas entende que é preciso entregar-se, na forma de auto-sacrifício (O Enforcado-12), para poder avançar espiritualmente. Ele permite que seu corpo caia na armadilha do caixão (A Morte-13). Ísis e sua irmã Néftis (A Temperança-14) partem em busca do corpo de Osíris. Set (O Diabo-15) e seu assistente Apófis assumem o governo do Egito, escravizam a população e acorrentam toda a humanidade. Osíris é encontrado, mas seu corpo novamente é raptado por Set que desta vez, corta-o em 14 partes. Manda destruir suas obras, seus templos e destrói totalmente sua imagem (A Torre-16). Ísis (A Estrela-17), novamente sai à procura de seu amado, agora com o auxílio de Toth (A Lua-18), disfarçado num Íbis, o corpo de Osíris é encontrado pela segunda vez. Por meio de magia Hórus (O Sol-19) é concebido e o deus morto atravessa o portão do reino dos mortos para tornar-se seu novo governante. Hórus, a criança, nasce em perfeito equilíbrio. (O Julgamento-20) mostra Osíris ressurgido na forma de Senhor do Mundo das Trevas, Amenti, a terra à oeste, libertando seus súditos de suas amarras. Por fim, o equilíbrio universal é restaurado pela deusa Nut (O Mundo-21).
OS BARALHOS MAIS CONHECIDOS E USADOS
Hoje em dia existem centenas de Tarôs diferentes, com diagramação dos mais diversos tipos, e baseados em diversas perspectivas. Só para citar alguns: o Tarô Mitológico, o Tarô de Marselha, dos Anjos, Cigano, Zen de Osho, dos Orixás, Egípcio, etc. Um dos mais famosos é o de Crowley. Existem mais de mil baralhos diferentes de Tarô, uma variedade à altura do número de métodos de dispor as cartas pelo menos quinhentos.

O deus egípcio Toth
Os três baralhos mais importantes da era moderna são o Baralho Rider-Waite, de Arthur E. Waite, o Tarô Thoth, de Aleister Crowley e o Tarô da Aurora Dourada, criado por MacGregor Mathers, todos eles foram produzidos por membros da “Golden Dawn” ou “Ordem da Aurora Dourada”.
Os Tarôs da Aurora Dourada (de Mathers) e Thoth (de Crowley) são esotéricos, desenhados para uso exclusivo dos membros da Ordem. A "Ordem da Aurora Dourada" via o Tarô como o receptáculo simbólico de seu principal e mais secreto ensinamento, o denominado “Livro T”, um conjunto de textos sobre Tarô publicado por uma facção da ordem (“T” é uma referência a Thoth, divindade egípcia à qual se atribui simbolicamente a criação dos hieróglifos).
MacGregor Mathers afirmava que o simbolismo do Tarô retratava com precisão as forças ocultas do Universo. Na medida em que representa simbolicamente nossa capacidade perceptiva de interpretar e compreender esses mistérios.
Crowley
Arbitrariamente, alguns arcanos receberam denominações distintas das tradicionais (A TEMPERANÇA foi alterada para ARTE, numa alusão à arte da Alquimia; A FORÇA para LUXÚRIA/ PRAZER (LUST); O JULGAMENTO para EON). A estrutura das cartas da corte também foi alterada neste baralho: o rei foi chamado cavaleiro; o cavaleiro, príncipe; o pajem, princesa. Apenas a rainha permaneceu em seu lugar. Todos os 78 arcanos possuem uma legenda escrita que visa à síntese de sua significação. Nas cartas trunfo, ao lado do nome, tem-se a letra hebraica e o símbolo astrológico correspondente. Nas demais cartas, esses símbolos aparecem incorporados à composição. O naipe de moedas (ouros) é denominado DISCOS.
Além de conter todos os adereços e ornamentos simbólicos acima descritos, as cartas estão repletas de alusões à magia e à sexualidade. Tratam-se de pinturas (e não de simples desenhos) profusamente coloridas, com dramáticos efeitos de iluminação e sombras.

Tarô de Crowley
O TARÔ RIDER-WAITE - Criado por Arthur Edward Waite e desenhado, sob sua supervisão, por Pamela Colman Smith, foi editado pela primeira vez em Londres, em 1910, pela Rider & Co, motivo pelo qual ficou conhecido como Tarô de Rider-Waite É considerado o primeiro baralho de Tarô moderno e o mais popular da história; apresenta figuras simbólicas nas cartas numeradas que “explicam” o significado dos arcanos menores.
A. E. Waite
A grande inovação de Waite foi ter desenhado os Arcanos menores de forma explicativa, imprimindo um significado mais específico a cartas que eram até então totalmente cifradas, sem nenhuma referência para interpretação (dois de gládios, três de taças, e assim por diante). Ao contrário de Mathers e Crowley, que enfatizaram o caráter esotérico e hermético do Tarô, Waite concebeu seu baralho para uso prático, tornando-o mais acessível ao grande público. Exemplificando: a carta DEZ DE TAÇAS, usualmente, significa grande sucesso no plano pessoal, felicidade, prosperidade. No baralho de Marselha encontramos o desenho de dez taças perfiladas; no baralho de Crowley, as dez taças estão colocadas na posição das Dez Sephiroth da Árvore da Vida cabalística, irradiando luz de dentro delas; no baralho de Waite, as dez taças estão num arco-íris sobre um casal abraçado e crianças brincando, ou seja, uma cena do cotidiano que representa metaforicamente o significado oculto da carta.
As figuras são trajadas à moda medieval, à semelhança das cartas de Marselha, com algumas referências clássicas, a exemplo da coroa de louros, que aparece em diversas figuras. Ou seja: sob o ponto de vista da estética pictórica, foi buscada uma certa fidelidade em relação ao baralho-referência (Marselha); não houve uma atualização cultural para a época em que este baralho foi desenhado (1910).

TEORIA PSICOLÓGICA
Existem outros padrões, que não os concretos, operando dentro de nós e, a menos que possamos compreender alguma coisa sobre a psique, as estranhas coincidências das cartas do Tarô poderão se apresentar diante de nós como altamente assustadoras ou mesmo profundamente perturbadoras. No mundo da psique, as experiências não estão ligadas pela casualidade, mas pelo significado. As ligações entre os fatos de nossa vida cotidiana e o Tarô não existem porque as cartas sejam mágicas, mas sim porque há um significado associado, num momento em que estejamos experimentando, talvez interiormente, aquela situação arquetipica. Dessa maneira, a forma como o Tarô opera com relação à previsão nada mais é de que uma espécie de espelho da psique.
A natureza arquetipica das imagens aciona um reflexo no intérprete que vislumbra uma situação talvez desconhecida, uma espécie de insight, em relação ao consulente, revelando, assim, aparentemente, coisas que não poderiam ocorrer ou aparecer em nenhuma outra circunstância racional.
ORIENTAÇÃO PARA O ESTUDO DO TARÔ
Não temos o objetivo de dar o significado de cada carta, nem o de fornecer métodos de tiragens, pretendemos tão somente fornecer algumas diretrizes especiais que venham a contribuir par uma melhor dinâmica no vosso aprendizado.
Os homens, na maioria, procuram tarólogos para saber de dinheiro e negócios. Já as mulheres se preocupam com o trabalho e as questões afetivas.
O número de cartas que o cliente tira, o número de rodadas e o tempo gasto na leitura variam. Nesse complicado jogo as interpretações dos arranjos que as cartas formam variam de acordo com cada pessoa e a situação que ela vive em determinado momento.
Em primeiro lugar, estude a arte de confeccionar Talismãs e Pantáculos, e adquira uma versão completa das Clavículas de Salomão.
O aprendizado de jogos com baralhos (cartas) ajuda muito a ampliar a percepção, a fazer as interligações entre os significados das cartas.
Não se pode estudar Tarô sem noções básicas de Numerologia, embora a metodologia empregada por esses dois sistemas seja um tanto quanto divergente em alguns aspectos. É fundamental também o estudo da Kabalah, em especial do código simbólico do seu símbolo maior: A Arvore da Vida.
Distribuição das cartas do Tarô no símbolo Kabalistico da Árvore da Vida
As cartas cujos números são múltiplos ou divisores do número correspondente a uma dada carta são mais importantes. Por exemplo: Em uma tiragem, sai a “Força (8)” e a “Torre” (16 múltiplo da primeira à 8 x 2), é como se fosse dito: O resultado de tanta energia, de tanto investimento é uma ruína. Aqui a combinação das duas cartas nos reporta à imagem de Hércules derrubando as colunas do templo, que ao ruírem matam seus inimigos e a ele mesmo! Se a seqüência for inversa, saindo primeiro a carta 16 e depois a 8, a interpretação nos reporta a algo como: Depois de tanta ruína, você ainda terá forças!
As cartas de números pares tendem a se equilibrar, superando as dificuldades retratadas por elas, as de números ímpares sempre deixam algo por resolver, algo inacabado, levando sempre a uma nova situação.
As cartas de números primos sofrem pouca influência externa [São elas: 1 (o Mago), 3 (a Imperatriz), 5 ( o Papa), 7 (o Carro), 11 (a Justiça) e 17 (a Estrela)].
O Tarô se encontra dividido em dois grandes grupos:
1) Os Arcanos Maiores - fundamentais na interpretação - possuem 22 símbolos arquetípicos que revelam os estados latentes das idéias e possibilidades da vida, a saber:
1. O Mago,
2. A Sacerdotisa,
3. A Imperatriz,
4. O Imperador,
5. O Papa,
6. Os Enamorados,
7. O Carro,
8. A Justiça,
9. O Eremita,
10. A Roda da Fortuna,
11. A Força,
12. O Enforcado,
13. A Morte,
14. A Temperança,
15. O Diabo,
16. A Torre,
17. A Estrela,
18. A Lua,
19. O Sol,
20.O Julgamento,
21. O Mundo,
E o arcano Sem Número (22 ou 0) - O Louco.
As cartas dos Arcanos Maiores retratam forças, situações e condições em geral, e as cartas dos Arcanos Menores retratam pessoas.
2) Os Arcanos Menores que possui 56 cartas distribuídas por quatro símbolos básicos: o Naipe de Ouros, o Naipe de Espadas, o Naipe de Copas e o Naipe de Paus. Esses naipes representam a sociedade da época em que foram criados:
As Espadas representam o Exército
As Copas são Cálices que representam o Clero
Os Ouros são Moedas que representam a Burguesia (O Comércio)
Os Paus são Bastões de Madeira que representam os Camponeses
Por sua vez, cada naipe, possui dez Arcanos numerados e quatro Arcanos com figuras da corte medieval (Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei).
Para ser usado, o baralho deve primeiro ser preparado e consagrado.
Após uma meditação para que mão e mente sejam guiadas, o operador mistura as cartas pelo menos sete vezes. Nesse momento, a mente deve estar quieta. O consulente deve estar sereno, lúcido, concentrado na questão, receptivo. O consulente faz o corte e o operador as dispõe conforme sua experiência.
Importante é ressaltar que, pela riqueza de informações contidas em suas cartas, uma ótima disposição de cartas é a Mandala Astrológica em leitura conjunta com os Mapas natal, Karmico e Progredido do Consulente, falando simultaneamente de todas as áreas de sua vida, previsões e vidas passadas ou da evolução de um tema mês-a-mês. Após tirar as cartas, deve o operador procurar os grupamentos de elementos, figuras e símbolos / configurações astrológicas, passando à leitura.
Para melhor proveito de suas interpretações, pense na situação sobre a qual quer consultar e faça uma pergunta objetiva e direta, incluindo pessoas, tempo e lugares. Algumas pessoas visualizam uma figura angelical (tradicionalmente chamada de HRU).