A geologia é uma ciência fundamental para explicar as nossas origens.
A história da Terra está gravada nas rochas. Geólogos
estudam suas propriedades para reconstruir o passado do nosso planeta. Cada
camada é um capitulo dessa historia. As camadas mais profundas são
as mais antigas. Às vezes, essas camadas contêm fósseis,
que são restos petrificados de seres vivos. Com isso, nós aprendemos
que a história da vida na Terra é muito antiga, e que tem em
torno de três bilhões e meio de anos, e que vem se transformando
desde então. Verificou-se que as rochas mais antigas existem há três
bilhões e meio de anos. Naturalmente, o planeta é de época
anterior ao que as rochas começaram a formar a crosta terrestre.
O planeta teria se formado pela agregação de poeira cósmica em rotação,
aquecendo-se depois, por meio de violentas reações químicas. O aumento da massa
agregada e da gravidade catalisou impactos de corpos maiores. Essa mesma força
gravitacional possibilitou a retenção de gases constituindo uma atmosfera
primitiva. Não tinha forma regular, mas à
proporção que atraiu maior quantidade de matéria, começou a tomar forma
esférica. Há cerca de quatro bilhões e meio de anos, a Terra era um planeta
ainda em formação, uma bola de fogo. A superfície era toda líquida, não de água,
mas de rocha e metais incandescentes.
A partir do
resfriamento superficial do magma, consolidaram-se as primeiras rochas, chamadas
magmáticas ou ígneas. Formou-se, assim, a litosfera ou crosta terrestre.

Nebulosa – Nuvem de poeira e gás oriunda da explosão de
uma estrela,
e berçário de futuros sistemas planetários.
Ao longo de bilhões de anos sua superfície começou a solidificar-se lentamente, e a emanar gases e vapores provenientes das rochas, formadas pelas larvas dos vulcões. Com isso, começou a aparecer a atmosfera (uma massa de gás ultra-aquecida) e espessas camadas de nuvens, que envolveram a terra, escurecendo-a por completo. Só o fogo dos vulcões e as fortes descargas de eletricidade acumulada no ar iluminavam as trevas. O envoltório atmosférico primordial atuou como isolante térmico, criando o ambiente na qual se processou a fusão dos materiais terrestres. Os elementos mais densos e pesados, como o ferro e o níquel, migraram para o interior; os mais leves localizaram-se nas proximidades da superfície. Dessa forma, constituiu-se a estrutura interna do planeta, com a distinção entre o núcleo, manto e crosta (litosfera). O conhecimento dessa estrutura deve-se à propagação de ondas sísmicas geradas pelos terremotos. Tais ondas, medidas por sismógrafos, variam de velocidade ao longo do seu percurso até a superfície, o que prova que o planeta possui estrutura interna heterogênea, ou seja, as camadas internas possuem densidade e temperatura distintas.
Aos poucos, a condensação do vapor provocou a queda de chuvas. Durante os primeiros 700 milhões de anos, a Terra era assim, como um vulcão gigante. Assim, iniciou-se o processo de intemperismo (decomposição das rochas) responsável pela formação dos solos e conseqüente início da erosão e da sedimentação. No decorrer desse processo, as elevações primitivas (pré-cambrianas) sofreram enorme desgaste pela ação dos agentes externos, sendo gradativamente rebaixadas. Hoje, apresentam altitudes modestas e formas arredondadas pela intensa erosão.
Aparência idealizada de Terra primitiva
Os mares e oceanos ferviam; colunas de vapor pairavam sobre eles. Depois, o borbulhar cessou, mas as águas permaneceram escaldantes.
Durante milhões e milhões de anos o resfriamento prosseguiu, graças às chuvas torrenciais (que vieram a produzir um tremendo dilúvio que durou muitos séculos) e ao oceano.
Muito tempo se passou, e então, cerca de 200 milhões de anos atrás, a Terra finalmente começou a ficar um pouco parecida com o que é hoje: a maior parte da superfície já estava coberta de água, mas havia um único continente, chamado Pangea (que em grego, quer dizer "uma terra só").
Em seus primeiros tempos geológicos, a superfície da Terra sofreu violentas transformações, provocadas por abalos sísmicos, erupções vulcânicas constantes e um intenso bombardeio de asteróides - Rochas de todos os tamanhos caíam constantemente sobre o nosso planeta.

A cerca de 60 milhões de anos atrás a Terra foi atingida por um asteróide, que dizimou os dinossauros e exterminou com aproximadamente 70% da vida sobre a face do planeta.
Com o decorrer do tempo, a temperatura do mar arrefeceu ainda mais, as rochas esfriaram, tornando possível o aparecimento das primeiras formas de vida no planeta.
TEORIA DA DERIVA DOS CONTINENTES
- Ao recortar um mapa-múndi, retirando
dele os oceanos, percebe-se, por exemplo, que a costa oriental da América
se encaixa nos contornos ocidentais da Europa e da África. O mesmo ocorre
com outras partes do mundo, como se elas fossem as peças de um enorme
quebra-cabeças. Este fato sugeriu a hipótese de que os continentes
se formaram a partir de um único supercontinente, que numa determinada época
geológica ter-se-ia rompido em várias partes, batizado de Godwana ou Pangéia.

Formação dos blocos continentais: Godwana ou Pangéia.
1.0 – ORIGEM - A idéia dos continentes à deriva é muito antiga e surgiu algum tempo depois que os cartógrafos europeus começaram a mostrar o contorno das costas do novo mundo. Em 1596, quase cem anos após as viagens de Colombo e Cabral, o cartógrafo alemão Abraham Ortelius, de tanto fazer mapas, notou a similaridade no contorno das Américas, Europa e África e concluiu no seu trabalho "Thesaurus Geographicus" que estes continentes estavam juntos e depois se desmembraram devido às pressões causadas por terremotos e inundações.
No século XVII, o matemático e filósofo francês
René Descartes (1596-1650) formulou a hipótese de que a Terra
se teria formado a partir de uma massa incandescente que se resfriou, conservando,
porém, um núcleo quente. Em 1880 Eduard Suess defendeu a idéia
que a África, América do Sul, Austrália e Índia
faziam parte de um mesmo continente, o qual denominou de Gondwanaland (terra
do antigo reino dos Gonds, na Índia). Neste mesmo ano Osmond Fisher
e George Darwin desenvolveram a hipótese que a Lua se desprendeu da
região do Oceano Pacífico, ocasionando o desequilíbrio
e movimento dos continentes.
Em 1915, o alemão Alfred Wegener publicou a “Teoria da Deriva
dos Continentes”, propondo que a 200 milhões de anos atrás
todos as massas emersas de terra estariam reunidas em um único supercontinente,
denominado Pangea ou Gondwana, envolto por um mar universal, a Panthalassa.
Quando Alfred Wegener publicou o seu primeiro trabalho a idéia de
deriva dos continentes já tinha mais de 300 anos; mas este astrônomo,
geofísico e meteorologista alemão construiu uma teoria consubstanciada
em argumentos sólidos e dados levantados por diversas áreas
do conhecimento científico: geografia, geologia, biologia e climatologia.
No período Jurássico o mega-continente Pangéia
começou
a se fragmentar...
2.0 - EVIDÊNCIAS - Além da semelhança entre as margens dos continentes, que se encaixam como um grande quebra-cabeça, Wegener buscou evidências geológicas, paleontológicas e climáticas, particularmente nos continentes do hemisfério sul, para fundamentar sua hipótese.
3.0 ESTRUTURA INTERNA DA TERRA
Manto - com cerca de 2.800 km (formado por silicatos, sendo a maior parte sólida).
Núcleo externo - com cerca de 2.300 km de espessura,
formado por ferro e níquel derretidos.
Núcleo interno - com temperatura em torno de 4.000o
C (sólido,
composto de ferro e níquel, com cerca de 2.400 km de diâmetro).

Distribuição mundial das placas tectônicas e tipos de limites entre elas. Atualmente, a Terra tem sete placas tectônicas principais e muitas mais sub-placas de menores dimensões.
Admite-se hoje que a Terra seja formada por:
1. Uma crosta terrestre ou litosfera (do grego lithos =
pedra e sphaira = esfera), sobre a qual vivemos. Sua espessura é variável: nas
regiões continentais atinge 40 km, enquanto sob os oceanos tem apenas
5 km. Além da litosfera - que pode ser comparada a uma casca de ovo
-, a superfície terrestre possui massas de água (hidrosfera)
e é envolvida por gases (atmosfera, que se estende até cerca
de 500 km) - A atmosfera terrestre serve como um manto protetor, bloqueando
a ação solar nociva e impedindo os meteoritos de atingirem
a superfície do planeta, e acumula calor, evitando o frio extremos
do espaço cósmico. O oxigênio e o silício constituem
cerca de ¾ da crosta terrestre, e junto com o alumínio, que
aparece em grande proporção. Oito elementos predominam em sua
composição, perfazendo 99% da massa da crosta.
2. Um manto superior (que vai até aos 100 metros de profundidade)
que juntos formam a Litosfera rígida e plástica. Abaixo desta
camada encontra-se o manto inferior (que vai até aos 2.890 Km), que
através de fusões parciais, mantém suas rochas num estado
constante de alta viscosidade, que provoca corrente de convecção
em direção à Litosfera.
3. Um núcleo de metal em estado líquido, de níquel e
ferro - Sabe-se da existência de um outro núcleo, sólido,
dentro do núcleo líquido, com um raio de cerca de 1200 km.
Durante o Período Jurássico, que se iniciou há cerca
de 180 milhões de anos, a Pangéia começou a se dividir
e a formar os atuais continentes.
4.0 TEORIA DAS PLACAS TECTÔNICAS
- A partir dessas idéias, entre
1967 e 1968 nasce a “Teoria das Placas Tectônicas”, com os
trabalhos de J. Morgan, X. Le Pichon e D. McKenzie, entre outros.
Essa teoria postula que a crosta terrestre, mais precisamente a litosfera - que engloba toda a Crosta e a parte superior do Manto, até cerca de 100 km de profundidade - está quebrada em um determinado número de placas rígidas, que se deslocam com movimentos horizontais, que podem ser representados como rotações com respeito ao eixo que passa pelo centro da Terra.
Corte das camadas ou extratos da Terra:
Atmosfera = 500 km
Crosta terrestre = entre 5 e 40 km de espessura

O diagrama representa as “camadas” da Terra. As setas pretas indicam o movimento de deslizamento das placas tectônicas em conseqüência do movimento de conveção da camada magmática do interior do planeta.
Essas movimentações ocorrem porque a litosfera, mais leve e
fria, praticamente "flutua" sobre o material mais quente e denso
e parcialmente fundido, existente no topo da astenosfera. É nessa parte
viscosa, dos primeiros 200 km da astenosfera, que são geradas as correntes
de convecção, supostamente o mecanismo que proporciona a movimentação
das placas tectônicas.
As placas deslizam ou colidem umas contra as outras a uma velocidade variável de 1 a 10 cm/ano. Justamente nos limites das placas tectônicas, ao longo de faixas estreitas e contínuas, é que se concentra a maior parte da sismicidade de toda a Terra, ou seja de incidência de terremotos. É também próximo das bordas das placas que o material fundido (magma), existente no topo da astenosfera, ascende até a superfície e extravaza-se ao longo de fissuras, ou através de canais para formar os vulcões. Apesar de os terremotos e vulcões normalmente ocorrerem próximo aos limites das placas, excepcionalmente, podem acontecer superterremotos nas regiões internas das placas.
Origem dos terremotos e maremotos - A alguns quilômetros abaixo da superfície,
as rochas frias da crosta fundem-se em uma massa pastosa, sob altíssima
pressão. A superfície terrestre e os leitos submarinos são,
pois, apenas um “invólucro" muito delicado que cobre um verdadeiro
lençol de fogo. Nessas circunstâncias, o "invólucro" (a
crosta) torna-se o ponto de incidência de todas as correntes que existem
no seu fluido incandescente interno. Ao deslocar-se, o bloco continental atrita-se
com o bloco do fundo oceânico; em conseqüência originam-se
terremotos ou maremotos violentos.
A crosta terrestre sofre, a grandes profundidades, a ação de
fortes correntes de convecção, isto é, circulações
de calor semelhantes às que se verificam na água fervente.
São essas correntes de calor que fazem o núcleo de metal líquido
do planeta comportar-se como um dínamo elétrico, que certamente é a
fonte do magnetismo terrestre.
5.0 DADOS ASTRONÔMICOS E GEOLÓGICOS SOBRE O PLANETA TERRA
-
A 30 metros abaixo da superfície, a temperatura sobe de um grau; a 60 metros, de
dois; a 90, de três; e assim por diante. Além disso, também
a pressão se eleva cada vez mais. Sabe-se que o calor pode ser produzido
não apenas pelo fogo, mas igualmente pela radiatividade. Assim, o aquecimento
do núcleo pode ser devido à presença de minerais radioativos
disseminado nas rochas.
A Terra é o terceiro planeta a contar do Sol; o 5O em tamanho (seu raio médio, no equador, é de cerca de 6.378 km até o centro da terra), sendo o maior e mais denso Planeta rochoso [densidade relativa: 5,517 (água = 01)]. A sua forma é denominada “geóide”: achatada nos pólos e abaloada no equador. Cerca de 70% de sua superfície é coberta de água, que não é encontrada sob a forma líquida na superfície dos outros Planetas. As nuvens cobrem cerca de 50% da atmosfera, que tem uma composição de c. 78% nitrogênio, 21% oxigênio, 1% vapor d'água, argônio, dióxido de carbono e traços de outros gases.
A Terra é cerca de 49 vezes maior que seu satélite, a Lua. Todavia, a Lua, é suficientemente grande para que ambos sejam considerados como um sistema duplo de planetas [Na Lua, onde não existe atmosfera, a temperatura é tão alta durante o dia que se lá houvesse água ela ferveria com a ação do sol; e à noite a temperatura lunar é mais baixa que a dos lugares mais gelados da Terra].
No dia 02/01 ela está no seu Periélio (ou seja, mais próxima do Sol em sua órbita, a aproximadamente 147.100.000 km); no dia 05/07 ela está no Afélio (ou seja, mais distante do Sol, 152.100.00 km do Sol). Sua velocidade equatorial de escape é de 11,2 Km/s [velocidade necessária para se empreender a um corpo para que este consiga escapar à atração gravitacional da Terra].
O Planeta apresenta 14 movimentos, dos quais destacamos:
1. Rotação (no sentido oeste-leste, a uma
velocidade quase igual à do som - tendo como efeito o movimento aparente de todas as
Estrelas dirigidas de leste para oeste - vistas da Terra); como conseqüência
da força centrífuga gerada é que temos o abaulamento
da Terra na região equatorial e o conseqüente achatamento dos
pólos, causando também a circulação dos ventos
(força de Cariolls). Esse movimento origina os dias e noites; porém
não se dá com igual velocidade em todas as regiões da
Terra: na zona equatorial ele é mais rápido, diminuindo nas
Latitudes que se aproximam dos pólos. Por isso, a transição
do dia para a noite (e vice-versa) é mais rápida, por ex.,
nos países da América Central e no norte da América
do Sul, África etc., e mais lenta nos países escandinavos (Suécia,
Finlândia, Noruega), onde a alvorada e o pôr do Sol chegam a
durar horas. Entretanto o tempo de Rotação é o mesmo
em qualquer ponto do Planeta: um dia tem duração de 23h 56m
09,54s.
2. Translação: dura 365 dias, 6 h 9 min 3 ½ s (a uma
distância média ao Sol de 149.509.000 Km e a uma velocidade
de 29,7 Km/s); movimento este que origina as Estações em conjunto
com o...
3. Movimento de Precessão dos Equinócios: Exceto
Plutão,
nenhum Planeta orbita com inclinação maior que a Terra (1110
de Latitude solar, positiva ou negativamente, o que equivale a dizermos que
seu eixo de Rotação está inclinado em relação à sua órbita
em 230 27'); isso significa que vemos as órbitas dos demais Planetas
um pouco acima ou um pouco abaixo do céu terrestre (projetados na
Esfera Celeste) - Se representarmos a Terra por uma bola de tênis de
mesa (ping-pong), Plutão estará a uma distância de 10
Km da órbita terrestre.
POR QUE O CÉU DIURNO É AZUL? - A luz solar é composta de uma gama de cores que vai do violeta ao vermelho. As partículas de poeira, fuligem, sais e água suspensas no ar dispersam os raios do Sol sem uniformidade - atuando mais sobre o violeta e o azul que sobre o vermelho. Por isso, o céu - que fisicamente não existe (o que existe é o espaço cósmico, revelado à noite pelo céu estrelado) - aparece azulado.

Esta é a famosa falha de San Andréas (EUA), que atravessa a região da Califórnia. Estima-se que um grande terremoto (que eles batizaram antecipadamente de “Big One”) deverá devastar os territórios nas proximidades da falha.
Nas próximas lições vamos estudar a origem da vida na Terra, a Teoria da Evolução, e o estudo dos fósseis (paleontologia).