TEORIA DA EVOLUÇÃO
DE CHARLES DARWIN Temas desta página:
Introdução
Biografia
O Homem e o Chimpanzé
O Elo Perdido
O Processo Evolutivo
Antepassados do Homem
Conclusão
Próxima Lição

Charles
Darwin (foto colorida eletronicamente)
INTRODUÇÃO
Para explicarmos os eventos históricos, às vezes, precisamos de alguma noção de ciências... Por isso não estranhe que este capítulo esteja do Diretório de História.
As verdadeiras teorias explicativas do mecanismo da Evolução só surgiram após da avaliação da idade da Terra, em cerca de 4 bilhões de anos [informações complementares em: Evolução da Terra ], por oposição á idade considerada desde o tempo de Aristóteles, que era de cerca de 6.000 anos. Este fato permitiu a existência de uma Teoria da Evolução muito lenta, ao longo de incontáveis gerações de indivíduos.
A Teoria da Evolução de CHARLES DARWIN representou um rompimento definitivo na visão antropocêntrica do Universo. Há quase 150 anos, ao tirar o homem do centro da criação divina, ele abriu caminho para a ciência moderna. Ele foi um herói da razão e um inimigo da superstição e da ignorância; suas idéias mudaram a forma de pensar em inúmeros campos de estudo, da Biologia à Antropologia.
Exceção feita à Bíblia, nenhum livro influenciou mais a filosofia do homem moderno quanto "A Origem das Espécies", de Darwin. Até sua publicação, em 1859, o pensamento científico não oferecia alternativa à visão religiosa; ao contrário, era inseparável dela: o Criador havia estabelecido as leis que regem o Universo e criado todas as formas de vida na Terra num único dia, tal como são hoje, e imutáveis.
A explicação de Darwin para a Teoria da Evolução pela Seção Natural transformou a nossa compreensão do mundo vivo, assim como as idéias de Galileu, Newton e Einstein revolucionaram o nosso entendimento do Universo físico. Darwin é o único dos grandes nomes que revolucionaram a maneira de se pensar, cujas idéias ainda servem de base sólida para avanços extraordinários do conhecimento. Até a Teoria da Relatividade de Einstein enfrenta os físicos quânticos; Darwin só tem inimigos fora da ciência!
Darwin era um observador tão criterioso e as conclusões que tirou foram tão primorosas que os avanços científicos dos últimos 150 anos só fizeram comprovar o acerto de suas idéias. A Teoria da Evolução pela Seleção Natural de Darwin fundamenta toda a Biologia contemporânea. Ela permite entender fenômenos tão distintos quanto o crescimento da obesidade mundial, a mutação do vírus da gripe, a base fisiológica das relações afetivas, o aquecimento global, decifrar os nossos genes, assim como entender o registro fóssil da Terra e sua rica biodiversidade. Da anatomia dos dinossauros ao capricho microscópico das proteínas que se dobram dentro de nossas células, todos os fenômenos biológicos obedecem à lei da Seleção Natural.
BIOGRAFIA
Charles Robert Darwin (1809 – 1882) foi um naturalista* britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da Evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da Seleção Natural e sexual. Esta teoria se desenvolveu no que é agora considerado o paradigma central para explicação de diversos fenômenos na Biologia. [O termo naturalista é empregado para se referir a um indivíduo com interesse ou talento em história natural ou ciência natural, também conhecida como naturalismo ou ciências da natureza, entre as quais a botânica, a geografia, a geologia, a meteorologia, a mineralogia e a zoologia].
Darwin era um médico sem vocação, filho de uma família abastada e com enorme interesse na natureza, em 1831, aprendeu bastante de Botânica, Entomologia e Geologia, sendo recomendado para uma expedição científica a bordo do navio cartográfico Beagle, aos 22 anos (um jovem recém-formado ainda planejando uma carreira eclesiástica). Segundo ele mesmo contou mais tarde, teve de aprender que a Terra foi criada às 9 horas do dia 23 de outubro de 4004 a.C.; que todas as espécies animais haviam sido produzidas ao longo dos seis dias da Criação; e que jamais haviam sofrido mudança em suas características originais. A data da criação do mundo havia sido fixada no trabalho conjunto do arcebispo de Armagh, James Ussher, e do eminente estudioso da religião hebraica John Lightfoot, publicado no final do século XVII. Um disparate, sem dúvida, mas na época aceito sem discussões.
Miniatura em escala
do HMS Beagle
O capitão e a tripulação do HMS Beagle planejaram inicialmente uma viagem de 2 anos ao redor do mundo. Entretanto, a viagem levou quase 5 anos, de dezembro de 1831 a outubro de 1836, durante os quais Darwin forma a sua coleção, acumula observações práticas e modifica os postulados teóricos básicos da ciência biológica da época. O principal propósito da viagem, patrocinada pelo governo britânico, era pesquisar o litoral e mapear os portos da América do Sul, a fim de atualizar os velhos mapas e proteger os interesses ingleses nas Américas.
Darwin aproveitou cada parada do navio para coletar quanto material pudesse rochas, fósseis, aves, insetos e até animais de grande porte, que ele próprio empalhava; era um exímio taxidermista. De cada porto, despachava pacotes e pacotes para Henslow, na Inglaterra, encarregado de cuidar de sua coleção de naturalista. E ainda encontrou tempo para escrever um diário.

Em vermelho rota do
Beagle
Foi no Brasil que Darwin teve seu primeiro contato com a exuberante Floresta Tropical, em 05/04/1832. Apesar de ter gostado daquele período e ter admirado bastante a paisagem, a flora e a fauna do país, Darwin anotou em seu diário que não sentia amizade pelos brasileiros. Cenas de violências contra escravos que presenciou não apenas no Rio, mas também em Salvador e no Recife, onde o Beagle passou mais tarde para rever cálculos cartográficos, fizeram-lhe "ferver o sangue nas veias".
Em 23 de julho de 1835 ancoraram em Valparaiso, no Chile, onde Darwin fez uma expedição aos Andes, e encontrou fósseis de conchas a mais de 1.000 metros de altitude. Ficou surpreso com o grande número de espécies de plantas e de animais que, até então, eram desconhecidos. Darwin notou que havia uma rica diversidade dos organismos de zona para zona e dentro da mesma espécie, embora pudessem ser notadas semelhanças, talvez devido a uma origem comum, começara a especular!
Ilhas
Galápagos
Em setembro de 1835, o Beagle chegou às Ilhas Galápagos, onde Darwin constatou a existência de espécies de árvores, tartarugas e aves diferentes em cada ilha. Foi em Galápagos, que Darwin realmente passou a duvidar da imutabilidade das espécies, principalmente após as observações realizadas.

Tartaruga
gigante - Galápagos
Uma tarde, caminhando pela ilha Charles, surpreendeu-se com a declaração do governador Nicholas Lawson de que seria capaz de dizer exatamente de qual ilha provinha cada uma das inumeráveis tartarugas que encontravam pelo caminho. "Está sugerindo que cada ilha produz seu tipo especial de tartaruga?", perguntou Darwin. O governador não tinha dúvidas, pois há mais de ano aprendera a identificá-las observando as carapaças, com os gomos mais altos ou mais baixos, a espessura, o colorido, o comprimento do pescoço e das pernas Abismado Darwin perguntou se o governador sabia por que isso acontecia. "Só sei o que os meus olhos me dizem", ou como resposta.
Os olhos do próprio Darwin já haviam visto algo parecido, ali mesmo nas ilhas Galápagos. Ele observara que os tentilhões, pequenos pássaros que lá existem aos milhares, tinham bicos diferentes, maiores ou menores, conforme fosse a ilha de origem. Assim, de observações quase casuais de um leigo, surgiu a idéia que, devida mente ordenada e desenvolvida, produziu uma das mais extraordinárias revoluções na história do conhecimento humano: a teoria da evolução das espécies pela seleção natural. A seleção natural é uma teoria que explica os mecanismos pelos quais se produz a evolução.
Ele acreditou que a razão de existir pequenas diferenças na descendência, tanto das plantas como dos animais, fazem com que certas espécies vivam mais tempo do que outras. No caso das que possuem vida mais longa, estas gerarão mais descendentes, e este fato permitirá o aparecimento gradual de novos tipos de variações.
"As espécies, ao contrário da crença quase universal, não são estáticas e imutáveis, mas se modificam através de longos períodos de tempo, pela seleção natural, permanecendo vivo o mais apto".
Aos 27 anos, regressa à Inglaterra, levando consigo mais de 1.500 espécies diferentes, centenas das quais eram totalmente desconhecidas na Europa. Já era um naturalista estabelecido. Decide dedicar a sua vida à ciência. Em 1842, com a herança paterna, retira-se para uma casa no campo, onde vive consagrado ao estudo até à morte.
A sua viagem de 5 anos a bordo do Beagle e escritos posteriores trouxeram-lhe reconhecimento como geólogo e fama como escritor. Suas observações da natureza levaram-no ao estudo da diversificação das espécies e, em 1838, ao desenvolvimento da teoria da Seleção Natural. Consciente de que outros antes dele tinham sido severamente punidos por sugerir idéias como aquela, ele as confiou apenas a amigos próximos e continuou a sua pesquisa tentando antecipar possíveis objeções, o que lhe permitiu poder ouvir muitas dúvidas e contestações sobre a teoria que vinha desenvolvendo nos últimos 20 anos. Contudo, a informação de que Alfred Russel Wallace tinha desenvolvido uma idéia similar [ao longo de uma expedição à ilha de Ternate, nas Molucas, havia feito observações semelhantes às de Darwin e chegado às mesmas conclusões], o que forçou a publicação conjunta da teoria em 1858 da obra “A Origem das Espécies”, a qual traz dois capítulos inteiros dedicados a rebater dúvidas e contestações. Mesmo assim, o livro foi duramente criticado, sobretudo por adeptos do Criacionismo [ver sub-capítulo abaixo]; foi acusado de heresia e desacreditado por muitos cientistas. Esse livro – assim como o volume “A Origem do Homem e a Seleção Sexual” (“Descent of Man”) – incitaria uma revolução, mas também tornaria Darwin o cientista mais reverenciado e controvertido de sua época.

Alfred Russel Wallace - Darwin deve muito ao naturalista inglês Alfred Wallace: na introdução, o autor chega a afirmar que Wallace, em um ensaio anterior ao seu livro, havia chegado a conclusões quase idênticas às suas.
Darwin é tributário também de Jean-Baptiste Lamarck, muitas vezes mal visto nos bancos escolares, mas consagrado por ele como um dos primeiros a chamar a atenção para a origem das espécies.

Jean-Baptiste Lamarck – Naturalista francês; estudou o sistema de classificação de Linné e, graças ao seu trabalho sobre os moluscos da Bacia de Paris, desenvolveu uma teoria evolutiva (teoria dos caracteres adquiridos), agora desacreditada. Foi ele que, de fato, introduziu o termo Biologia. Lamarck defendia a geração espontânea contínua das espécies. Em 1809 (ano em que nascia Darwin), ele publicou um livro chamado Filosofia Zoológica, em que explicava a teoria criada por ele, e que ficou conhecida como Lei do Uso e Desuso.
A idéia do Lamarck era simples: ele achava que as mudanças no ambiente faziam os animais e plantas adquirirem novos hábitos, e que esses novos hábitos "criavam" mudanças no organismo deles! Isto é, Lamarck acreditava que, há muito tempo, as girafas tinham o pescoço curto. Só que, como elas habitavam em um lugar que tinha poucas plantas no chão, elas começaram a esticar o pescoço para comer as folhas mais altas. Com essa "esticação", as girafas foram ficando pescoçudas, ou seja, como elas precisavam usar mais o pescoço, essa parte do corpo delas se desenvolveu. Além disso, Lamarck também achava que, depois que uma girafa desenvolvia um "pescoção", seus filhotes começavam a nascer pescoçudos também: essa era a Lei da Transmissão de Características Adquiridas! Hoje, sabe-se que os caracteres adquiridos não são transmitidos aos descendentes...
“A Origem das Espécies” (do original, em inglês, “On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life”), de Darwin, causou sensação não somente na Inglaterra, mas no mundo todo. Os políticos faziam discursos, os pastores pregavam sermões, os poetas escreviam poesias. Todos tinham uma opinião. O livro chegou às livrarias no dia 24 de novembro de 1859. Eram 1.250 exemplares de 502 páginas e foram todos vendidos no mesmo dia. A maior biblioteca circulante do país fez da Origem uma seleção; os viajantes liam o livro no trem. O editor de Darwin apressou-se em imprimir outras 3.000 cópias.
No livro “A Origem das Espécies”, Darwin afronta os preceitos bíblicos que permeavam o Criacionismo ao postular que as espécies sofriam mutações lentas e aleatórias e evoluíam em função da luta pela sobrevivência e da seleção natural - os conceitos mais polêmicos de sua teoria. Para desenvolvê-los, o autor adaptou conceitos de Thomas Malthus elaborados no “Ensaio sobre o princípio da população” [obra na qual Malthus afirma que a população cresce em progressão geométrica, enquanto a produção de alimentos aumenta em progressão aritmética].

Thomas Malthus - O economista e demógrafo britânico ficou conhecido, sobretudo, pela teoria segundo a qual o crescimento da população tende sempre a superar a produção de alimentos, o que torna necessário o controle da natalidade.
Darwin formula a doutrina evolucionista, segundo a qual as espécies procedem umas das outras por Evolução. Em virtude da Seleção Natural sobrevivem os indivíduos e as espécies melhor adaptados. Estas idéias revolucionam as concepções biológicas da sua época, e se tornaram a explicação científica dominante para a diversidade de espécies na natureza. Ele ingressou na Royal Society e continuou a sua pesquisa, escrevendo uma série de livros sobre plantas e animais, incluindo a espécie humana, notavelmente "A Descendência do Homem e Seleção em Relação ao Sexo" (The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex, 1871) e "A Expressão da Emoção em Homens e Animais" (The Expression of the Emotions in Man and Animals, 1872).
O HOMEM E O CHIMPANZÉ
Darwin
enfrentou severas críticas por parte de religiosos.
Duas das charges feitas no período.
Em 1881, Charles Darwin afirmou ser o chimpanzé, um símio (macaco) africano, o nosso parente mais próximo no reino animal. Graças ao desenvolvimento da genética, em 1984, os cientistas tiveram a prova de que Darwin tinha razão. Através do estudo do DNA, a molécula nas células de todos os seres vivos que armazena o código hereditário, consegue-se mensurar o grau de parentesco entre as espécies. Assim, sabe-se desde 1994 que os genomas* de homens e chimpanzés são 98,4% idênticos (os poderes da fala e da razão estão concentrados em 1,6% restantes). Graças a uma técnica especial, a do chamado "relógio molecular", eles deduziram que o nosso último antepassado comum viveu numa época compreendida entre 9 e 7 milhões de anos atrás. O gene dos gorilas, por sua vez, é 2,3% diferente do nosso, e sua separação do ancestral comum de homens e chimpanzés ocorreu há dez milhões de anos. [Nota de apoio: Em Biologia, o genoma é toda a informação hereditária de um organismo que está codificada em seu DNA].

Representação da estrutura nuclear de uma célula (a fita espiralada é o DNA).


O ELO PERDIDO
Ainda não se identificou quem foi esse ancestral comum. Seus ossos ainda não foram achados. Mas há uma profusão de fósseis de seus descendentes compondo uma escada evolucionária que chega até nós. A personagem mais célebre dessa galeria é Lucy, a fêmea de Australopitecus afarensis, espécie de hominídeo que viveu há 3,5 milhões de anos, na África, e já andava em pé. Existem na África e Ásia restos de Homo erectus, os primeiros ancestrais do homem a usar pedras como ferramentas, há 2 milhões de anos. Há por fim os Neanderthais, seres maiores e mais fortes que nós, que habitaram a Europa e a Ásia entre 200 mil anos e 40 mil anos atrás. Apesar de possuírem uma caixa craniana maior que a nossa, faltava alguma coisa muito importante para torná-los humanos, provavelmente a fala. Essa é atributo dos Homo sapiens, que evoluíram na África há pouco mais de 100 mil anos. De lá saíram para povoar o planeta.

Se fôssemos comprimir os 4.6 bilhões de anos da Terra no espaço de um ano, o homem teria surgido apenas em 31 de dezembro, às 23:49 hs. Assim, após 54 milhões de anos, surgiu algo parecido com um primata. Desse primata, dois troncos se derivaram: o dos homens e o dos macacos. a mais ou menos 200 mil anos surgiu o Homo sapiens.

Apesar da campanha severa que a Igreja fez contra suas idéias, em reconhecimento à importância do seu trabalho acabou sepultado na abadia de Westminster, próximo a Charles Lyell, William Herschel e Isaac, em 19 de abril de 1882, aos 73 anos. Depois do enterro, seu filho William comentou: "Você pode imaginar que conversas deliciosas o pai e Sir Isaac vão ter de noite, depois que a abadia fechar e tudo ficar quieto?".
Thomas Huxley (avô de Aldous Huxley escritor inglês, famoso por sua obra “Admirável Mundo Novo”) - considerado na época o melhor geólogo, o melhor botânico e o melhor zoólogo da Inglaterra - se estabeleceu como o "cão de guarda de Darwin" – o mais veemente defensor da teoria evolutiva no palco Vitoriano - sem sua forte advocacia pública o Darwinismo poderia ter morrido desapercebido. O próprio Darwin pouco apareceu, mas Huxley envolveu-se em discussões públicas que se tornaram célebres. Conta-se que em 1860, diante de setecentos estudantes que lotavam o auditório da Sociedade Britânica para o Progresso da Ciência, em Oxford, tendo sido questionado por Wilberforce se ele descendia de macacos por parte de pai ou de mãe, Huxley murmurou: "O Senhor o deixou em minhas mãos" e respondeu que "preferia ser descendente de um macaco que de um homem educado que usava sua cultura e eloqüência a serviço do preconceito e da mentira". Logo se espalhou pelo país a história de que Huxley teria dito que preferia ser um macaco a um bispo.
O PROCESSO EVOLUTIVO
Darwin jamais usou a palavra “evolução”, que logo passou a caracterizar e dar nome à sua teoria.
O que é a Evolução? A palavra provém do Latim evolutio, significando "desabrochamento". É o processo através no qual ocorrem as mudanças ou transformações nos seres vivos ao longo do tempo, dando origem a espécies novas.
A Teoria da Evolução que atualmente domina é chamada de Síntese Moderna, referindo-se à síntese da Teoria da Evolução de Darwin pela Seleção Natural com a teoria genética de Gregor Mendel

Gregor Mendel, criador póstumo da Genética. Estudou a herança das características das ervilheiras desta forma as leis básicas da hereditariedade que é o caráter transmitido por herança.
Que as espécies evoluíram a partir de outras espécies, é considerado por 99,99% da comunidade científica como um fato científico. Como as espécies evoluíram é o que se espera que a teoria da evolução explique.
Os ancestrais das girafas, de acordo com o documentário fóssil, tinham pescoço mais curto. O comprimento do pescoço variava entre os indivíduos das antigas populações de girafas. Essa variação era de natureza hereditária. Indivíduos com pescoço mais longo alcançavam o alimento dos ramos mais altos das árvores. Por isso, tinham mais chance de sobreviver e deixar descendentes. É obvio que a mortalidade seria maior entre os indivíduos menos adaptados ao meio, pelo processo de escolha ou "Seleção Natural" – uma escolha efetuada pelo meio ambiente. O tamanho do pescoço dos ancestrais da girafa variava levemente. Alguns eram compridos e outros, mais curtos. Os animais de pescoço longo alcançavam as folhas mais altas das árvores e levavam vantagem para se alimentar, por isso, tinham mais chances de sobreviver, restando apenas as girafas que melhor se adaptaram ao ambiente. Com o tempo, os animais de pescoço curto desaparecem e só sobraram as girafas de pescoço longo, do jeito que conhecemos hoje. A Seleção Natural, privilegiando os indivíduos de pescoço mais comprido durante milhares de gerações, é responsável pelo pescoço longo das girafas atuais.
Em uma explicação mais detalhada da "Seleção Natural", note que esse processo pressupõe a existência de variabilidade entre organismos de uma mesma espécie (variabilidade entre as girafas). As mutações e a recombinação gênica são as duas importantes fontes de variabilidade. Essa variabilidade pode permitir que os indivíduos se adaptem ao ambiente.
A seleção natural age quer favorecendo os possuidores de uma dada característica que proporcione uma melhor adaptação ao meio, quer eliminando os indivíduos cujas características os coloquem em desvantagem nesse meio, como no conhecido caso das borboletas Biston betularia em Inglaterra, durante a revolução industrial.
Reconstituir as razões destas mudanças é o aspecto mais fascinante do trabalho dos paleontólogos, os cientistas que estudam as nossas origens... [Paleontologia é o estudo da vida passada, baseado no registro fóssil e suas relações com os diferentes períodos de tempo geológicos].
No século XVIII, o estudo dos fósseis revelou a presença de espécies, distintas em cada estrato geológico, que não existiam na atualidade, contrariando a imutabilidade defendida pelo fixismo. O registro fóssil é uma fonte importante para cientistas na investigação da história evolucionária dos organismos. Entretanto, devido a limitações inerentes ao registro fóssil, não existe uma boa seqüência de formas intermediárias entre grupos relacionados de espécies. Essa falta de uma seqüência contínua de fósseis (de espécies para espécies) no registro é uma grande limitação na investigação da descendência de grupos biológicos. Além disso existem lacunas entre certas linhagens evolutivas. Os fósseis que “tapariam” as lacunas são freqüentemente chamados de “elos perdidos”. Esses elos perdidos são esporadicamente encontrados em escavações paleontológicas gradativamente melhorando o registro fóssil.

Estrato ou camadas geológicas registradas nas rochas do Grand Canyon (que sofreram erosão fluvial pelo rio Hudson ao longo de milhões de anos.
Os seres humanos evoluíram exatamente como todas as outras espécies. Nós, humanos modernos, somos os únicos descendentes remanescentes de uma antiga e variada família de primatas chamada hominídeos. Todos os outros hominídeos estão atualmente extintos. Análises de DNA humano sugerem que todos os seres humanos modernos são descendentes de pessoas que viveram na África entre 100.000 e 150.000 anos atrás. Estudos adicionais prometem revelar até mais detalhes de nossa rica história.
O mapa mostra a expansão do
Homo sapiens pelo mundo e
quando ele deve ter chegado às diferentes partes do globo.
A Seleção Natural não implica em alguma forma de melhoria "absoluta", rumo a uma perfeição ideal, mas é meramente o resultado do acúmulo de características hereditárias que ao longo do tempo, em dado momento da história das linhagens, foram relativamente vantajosas aos seus portadores em seus respectivos ambientes.
Aparentemente a diversidade é a regra no mundo biológico, sendo, até ao final do século XIX, considerada a sua característica principal. Os biólogos calculam que existam, atualmente, entre 30 a 50 milhões de espécies, das quais apenas 2 milhões foram descritas e denominadas.
A partir do início do século XX os estudos bioquímicos fizeram ressaltar as semelhanças estruturais e fisiológicas dos indivíduos. Hoje verificamos que a maioria dessas semelhanças – tanto na estrutura física quanto no desenvolvimento embrionário – são expressões de DNA compartilhado: o resultado de uma ancestralidade comum [A ciência que estuda os ancestrais das espécies é a filogenia].
Comparações da seqüência genética de organismos revelou que os organismos que são filogenicamente mais próximos tem um grau maior de similaridades em sua seqüência genética do que organismos que estão mais filogenicamente distantes. Cientistas dos dias de hoje agora podem responder questões sobre o mundo natural de maneiras que Darwin nunca pôde. Novas ferramentas e tecnologias, como análises de DNA, podem revelar relações não esperadas entre grupos aparentemente distintos.
Métodos acurados de datação de fósseis mostram que a Evolução ocorre em taxas variáveis e que nem sempre é gradual. Estudos sofisticados de populações selvagens fornecem percepções de como novas espécies são formadas.
A evolução não tem um único cronograma. Às vezes, novas espécies ou variedades surgem em questão de anos ou até mesmo dias. Outras vezes, espécies se mantêm estáveis durante longos períodos, apresentando pouca ou nenhuma mudança evolutiva. Entretanto, as características dos organismos que se reproduzem em poucas horas, como as bactérias, podem potencialmente evoluir muito mais depressa do que em organismos cujas gerações são medidas em meses ou anos, como os cavalos.
A evolução às vezes pega atalhos. Um dos mais produtivos é a simbiose, em que duas espécies não relacionadas passam a viver juntas, normalmente em benefício mútuo. Ela ocorre entre plantas, entre animais, entre plantas e animais, e, talvez, até entre animais e sistemas inorgânicos.
"A evolução não é mais uma teoria, como prova o Projeto Genoma" (Sérgio Danilo Pena, geneticista da Universidade Federal de Minas Gerais).
ANTEPASSADOS DO HOMEM
A ordem mostrada abaixo não significa uma ancestralidade direta, mas mostra quais foram os ancestrais do homem moderno.
Australopithecus
anamensis -
Andava ereto, Seus fósseis foram localizados no Quênia. Bípede, o corpo já não
seria mais adaptado à vida nas árvores. (4,8 - 3,8 milhões de anos)
Australopithecus
afarensis -
Batizado como Lucy, em homenagem à música dos Beatles, é o mais famoso dos
hominídeos. Foi achado na Etiópia. Mais hábeis no caminhar sobre dois pés. (3,9
- 2,9 milhões de anos)
Australopithecus
africanus -
Australopithecus Africanus – Robusto e com uma poderosa dentadura, este
hominídeo da África do Sul se alimentava de grãos (3 - 2 milhões de anos)
Homo
habilis – Seus
restos procedem da Tanzânia e do Quênia. Desenvolveu as primeiras ferramentas.
Provavelmente tinha capacidade de fala rudimentar e produzia instrumentos. 2,4
milhões a 1,5 milhões.
Australopithecus
robustus –
Encontrado na África do Sul, tinha mãos cujo formato permitia a construção de
ferramentas. (2,5 - 1 milhão de anos)
Homo
erectus – Muito
mais evoluído que os australopitecos, migrou do berço africano para outras
regiões. Dominou o uso do fogo, fabricava ferramentas e vivia em cavernas. Há
indícios de que já era capaz de dominar o fogo e seus instrumentos de pedra eram
mais sofisticados que os dos habilis. 1,8 milhões a 300 mil anos atrás.
Homo neanderthalensis
(600 - 30 mil anos) - Conviveu por milhares de anos com o Homo sapiens moderno.
Fóssil achado em Portugal sugere que as duas espécies chegaram a se cruzar. Foi
extinto na última idade do gelo. O homem de Neanderthal teria divergido da linha
que levou ao homem moderno entre 600 mil e 500 mil anos atrás.
Homo
sapiens (arcaico)
– De cérebro grande, é o ancestral mais próximo dos atuais seres humanos. Viveu
principalmente na Europa e na Ásia, há cerca de 500.000 anos. Foi, talvez, o
primeiro a sepultar os mortos.
Homo
sapiens sapiens –
Desde 120 mil anos. Utilização de instrumentos feitos de ossos e chifres e
produção artística no interior das cavernas. A civilização começou há cerca de
10.000 anos, com o fim da última idade do gelo e o início da agricultura. As
primeiras cidades surgiram há 5.00 anos.
Os antepassados humanos de 4 milhões de anos atrás apresentam um grande dimorfismo sexual. Os machos eram duas vezes maiores que as fêmeas. Só a partir de 1,8 milhões de anos a diferença de estatura entre os sexos se tornou insignificante.
CONCLUSÃO
A importância da obra científica de Darwin é definida em quatro pontos pelo antropólogo:
· Primeiro, ele viu o mundo vivo como mutável, e não estático, como se acreditava em seu tempo;
· Segundo, propôs a idéia da descendência comum para os membros da mesma espécie (por isso nunca disse, como se acredita erroneamente, que o homem descende do macaco; homens e macacos são ramos diferentes de uma mesma espécie, os mamíferos, que têm, todos, um ancestral comum);
· Terceiro, ele acreditava que o processo de mutação era lento e gradual (hoje há cientistas questionando essa idéia, dadas as descobertas de evidência do surgimento de novas espécies quase que de repente);
· Quarto, estabeleceu que o mecanismo da mudança era a seleção natural.
PRÓXIMO TEMA:
Para entendermos melhor os conceitos de Evolução, na próxima lição estudaremos Noções Básicas de Genética (Mendel, Hereditariedade, cromossomos, Projeto Genoma, clonagem, transgênicos). Como dissemos no início, para prosseguirmos no estudo da História, muitas vezes faz-se necessário um aporte no campo da ciência...