Samuel Liddel

"MacGregor" Mathers

 

 

 

 

 

Samuel Liddell Mathers nasceu em Hackney, a leste de Londres, em 1854. Seu pai morreu muito cedo e ele viveu com sua m�e vi�va em Bournemouth at� a morte da mesma em 1885. Ap�s a morte de sua m�e, viu-se em circunst�ncias muito pobres e mudou-se para Londres, onde viveu em modestas pens�es em Great Percy Street, King�s Cross, desfrutado da hospitalidade do Dr. Westcott por muitos anos. Muito pouco se sabe sobre o princ�pio de sua vida, e seus bi�grafos foram demasiado sect�rios para cobrir-lhe os ossos com algo que n�o fosse uma realidade ilus�ria.

 

Ingressou no Primeiro Batalh�o de Infantaria de Hampshire (embora jamais tenha subido a oficial, n�o obstante ter sido fotografado em uniforme de tenente).

 

Foi iniciado na Frano-Ma�onaria, na Hengist, em 1877. Em seu certificado de Mestre Ma�om (alcan�ado em menos de 18 meses) declarou sua sucess�o ao t�tulo Jacobita de �Conde de Glen Strae�, t�tulo supostamente outorgado pelo Rei James II a um seu ancestral. Por volta de 1882, ao entrar para a Societas Rosicruciana In Anglia, acrescentou um patron�mico escoc�s ao pr�prio nome: MacGregor, come�ando por chamar-se Samuel Liddell MacGregor Mathers, e depois subindo de n�vel, para conde Mac�Gregor de Glenstrae, t�tulo que devia menos ao Burke's Peerage do que a sua pr�pria imagina��o f�rtil. Ele ficou conhecido popularmente no distrito de Auteuil como �o ingl�s louco�.

 

Segundo algumas pessoas que o conheceram, ele por diversas vezes afirmou ser Jaime IV, - que n�o morrera na Batalha de Flodden em 1513, como em geral se acreditava, mas sobrevivera como adepto imortal. Yeats disse que Mathers "imaginava para si um papel napole�nico", em uma Europa transformada pelo retorno dos jacobinos, e "at� oferecia cargos subordinados a pessoas inveross�meis".

 

Em 1882 Mathers foi levado � S.R.I.A. por Frederick Holland, que j� o havia incentivado a estudar o ocultismo, conquanto ridicularizasse suas pretens�es � ascend�ncia escocesa e, sem d�vida, muito se divertisse ao ver Mathers usar a divisa do cl� MacGregor �S Rioghail Mo Dhream (Real � a Minha Tribo), em sua elei��o para o grau de Zelador. Hockley era um metal�rgico, alquimista e intr�pido consultor de cristais. N�o h� d�vidas que Mathers e Hockley fizeram algum trabalho juntos e de que Hockley teve uma influ�ncia definitiva sobre Mathers e seus ensinamentos ao referir-se � observa��o na Vis�o do Esp�rito (Mathers logo aperfei�oaria essa t�cnica: Viajando na Vis�o Espiritual com o uso de s�mbolos espec�ficos e cores ofuscantes, etc). Dentro S.R.I.A., conheceu Wynn Wescott e o Dr. Woodman, que estabeleceram os alicerces da Ordem Herm�tica da Aurora Dourada.

 

Em 1885 mudou-se para Londres e entrou para a Sociedade Herm�tica de Anna Kingsford 1, onde fez sua primeira confer�ncia importante, intitulada �The Qabalah� (3 de junho de 1886).

 


 

(1) A grande m�dica escritora e m�stica inglesa Anna Bonus Kingsford, que n�o mediu esfor�os para propagar o vegetarianismo, tendo inclusive ido estudar em Paris - porque na Inglaterra n�o aceitavam mulheres nos cursos de medicina - para provar que a dieta vegetariana � a mais adequada ao homem. Ela se desincumbiu desta tarefa com brilho e defendeu sua tese, em 1880, De l�Alimentation V�g�tale chez l�Homme (A Alimenta��o Vegetal do Homem). Esta tese foi posteriormente publicada em ingl�s com o t�tulo The Perfect Way in Diet (O Caminho Perfeito na Dieta). Trata-se de uma apresenta��o pioneira de quase todos os argumentos ainda hoje utilizados na defesa do vegetarianismo, como uma dieta que traz benef�cios para a sa�de, para os animais e para o Planeta e tamb�m a mais adequada para quem almeja trilhar o caminho da virtude, ou caminho espiritual. Lutou contra a vivisse��o de animais durante as experi�ncias cient�ficas e nas salas de aula e, sobretudo, lutou por uma nova interpreta��o das escrituras sagradas crist�s, que denominou de Novo Evangelho da Interpreta��o Ela presidiu por um breve per�odo a Sociedade Teos�fica na Inglaterra, tendo sido, junto com Blavatsky e outros, uma das promotoras dessa organiza��o.

 

Com a ajuda do Dr. William Wynn Westcott, Mathers fez a primeira tradu��o inglesa da �Kabbala Denudata� [A Cabalah Sem V�u] de Knorr Von Rosenroth. Um trabalho que teve in�meras edi��es e lhe outorgou uma reconhecida posi��o no ocultismo.

 

Foi em 1886 ou 1887 que Mathers recebeu os Manuscritos Cifrados para traduzir. A hist�ria registra que foi Westcott quem encarregou Mathers de traduzir os manuscritos e us�-los como esqueleto para o que logo se conheceria como as Inicia��es da Golden Dawn. O c�digo era simples, criado pelo Abade Trithemius do s�c. XV. Ele absorveu muito de suas cren�as de Anna Kingsford e insistiu em que uma dessas cren�as fosse incorporada na Golden Dawn; que as mulheres fossem aceitas na Ordem, sobre bases completamente equitativas com os homens. Mathers era insistente neste ponto e at� que Woodman e Westcott n�o aceitassem, n�o prosseguiria. Mathers comp�s rituais completos baseados nos resumos do manuscrito cifrado. Ele redigiu um conjunto ritual�stico completo que seguiam claramente �queles da Ma�onaria (chamados de �Rituais Mathers�), e espl�ndidas ins�gnias para a ordem.

 

Acredita-se que Mathers e Westcott j� tinham sido iniciados nos Mist�rios Rosacruzes e que os Manuscritos Cifrados eram um m�todo de proteger seu pr�prio juramento de segredo.

 

Em 1� de mar�o de 1888, a suposta autoriza��o para a abertura da Ordem e fornecida pela �Sapiens Donabitur Astris" (sociedade secreta alem�, mencionada no manuscrito), atrav�s de sua representante Anna Sprengel.

 

Westcott, Mathers e Woodman integrariam o primeiro corpo diretivo da rec�m formada �Ordem Herm�tica da Golden Dawn�. Os tr�s estavam acostumados a trabalhar juntos, pois tamb�m eram o corpo diretivo da S.R.I.A. com Westcott como Magus Supremo.

 

Antes de 1888, conheceu Mina B�rgson, irm� do fil�sofo Henri B�rgson. Ela era companheira de estudos da filha do Sr. Horniman, e uma talentosa artista da Escola de Slade. Encontrava-se no Museu estudando a arte Eg�pcia. Mina se tornaria, sucessivamente, a primeira iniciada da Aurora Dourada e a esposa de Mathers (1890). De 1888 em diante, a hist�ria de MacGregor Mathers � a mesma da Aurora Dourada.

 

Moina Mathers (1865-1928)

 

Depois de casar-se (1890), o casal foi morar em Forest Hill, perto do Museu Horniman, do qual Mathers recebera o cargo de curador.

 

Em 1891 Wescott afirmou que Sprengel morrera, e em Dezembro do mesmo ano morre Woodman. A Ordem passou para as m�os de Westcott, mas logo Mathers ficou com a fun��o de Grande Mestre e Wetscott com fun��es administrativas.

 

Em 1891, durante a vista de MacGregor Mathers (Frater D.D.C.F. Deo Duce Comite Ferro) a cidade de Bois de Boulogne, Paris, supostamente teria conhecido um emiss�rio dos Chefes Secretos da Ordem. Depois desse encontro, Mathers retornou � Inglaterra em 1892 afirmando ter restabelecido a liga��o com os Mestres Secretos, quebrada com a morte de Sprengel, que o instru�am sobre os assuntos m�sticos e tr�s deles o confirmaram como l�der da Ordem e com tudo necess�rio para fundar uma Ordem Interna (segunda) da Golden Dawn. No mesmo ano, muda para Paris com sua esposa Moina, onde permaneceram at� a morte de Mathers, de influenza (gripe), em 1918 � salvo por uma prolongada vista a Londres, para os casos Equinox e Looking Glass, em 1910 e 1911. O objetivo era fundar um ramo continental da organiza��o, o Templo de Ahathoor; deixando Westcott na lideran�a dos templos ingleses.

 

Assistido por sua esposa Moina, Mathers obteve em Paris uma noteriedade passageira com a inten��o de reviver a adora��o da deusa eg�pcia �sis.

 

Mathers come�a a chefiar a Ordem praticamente sozinho. Segundo ele dizia, os Chefes Secretos transmitiram-lhe toda a antiga sabedoria e os rituais, que ele ent�o passou para a Aurora Dourada. Disse que os Chefes se comunicavam com ele por clarivid�ncia e telepatia, por instrumentos semelhantes em princ�pio aos tabuleiros dos Ouija, por "Voz Direta aud�vel a meus ouvidos externos e aos de Vestigia" (sua esposa) e mostrando-lhe livros antigos para copiar.

 

Criou-se ent�o a Ordem Interna de segundo n�vel dos graus da Golden Dawn que foram chamados de Rubrae Rosae et Aurae Crucis (R.R.A.C. = Ordem da Rosa de Rubi e da Cruz Dourada"), atrav�s de um belo ritual do primeiro grau do c�rculo, o de Adeptus Minor (5�=6�) baseado na lenda de Christian Rosenkreuz. Com o estabelecimento desse quadro de elite a Golden Dawn foi efetivamente transformada em uma academia de magos. A partir da� a Ordem passa a contribuir realmente em dire��o a evolu��o m�gica, passando da teoria �s praticas.

 

Em Paris Mathers realizou extensas investiga��es liter�rias na Librarie d�Arsenal, uma institui��o not�vel, por sua riqueza em literatura oculta, e no Museu Guimet, de onde derivou muito de seu conhecimento da antiga sabedoria m�stica oriental. L� Mathers e Mina viveram numa pobreza extrema. Sua principal fonte de renda era Annie Horniman, que vivia em Londres, sendo amiga de Moina e membro da Ordem. Horniman era uma das mulheres mais ricas da Inglaterra. Ela era benfeitora do casal Mathers, o que permitiu, desse modo, a MacGregor continuar seu trabalho de pesquisa para a Ordem.

 

 

Annie Horniman

 

Dois anos ap�s sua mudan�a para Paris que Mathers estabeleceu um Templo operativo nesta cidade. O Templo foi chamado Ahathor, e se encontra ativo atualmente.

 

Mathers era financeiramente dependente da pens�o que a herdeira do Ch� Annie Horniman pagava a ele e sua mulher, Mina, ap�s sua mudan�a para Paris. Mathers, apesar de um excelente magista, era uma pessoa muito autorit�ria e tinha uma personalidade arrogante, acabou por se desentender e romper a amizade de anos com Horniman e ela cortou sua pens�o. Mathers retribuiu expulsando-a da Golden Dawn em 1896, afirmando que estava agindo sob as ordens dos Mestres Secretos. Muitos membros protestaram contra sua expuls�o, sem sucesso. A raz�o ostensiva foi a insubordina��o - ela negou-se a assinar um compromisso de completa submiss�o aos editos dele - mas n�o h� d�vidas de que ele tamb�m estava reagindo ao fato de Horniman ter cortado sua mesada de 200 libras esterlinas por ano.

 

Devido a seus meios limitados, Mathers perdeu em Paris muita de sua reputa��o como estudante de boa f� e mestre, e caiu em pr�ticas question�veis que n�o foram vistas com bons olhos por alguns alunos antigos.

 

Infelizmente, como em todas as ordens em grupo, os problemas come�aram a aparecer quando, ainda em 1896, os Adepti Minoris da Ordem Golden Down come�aram a se rebelar contra a autoridade de seu chefe, este lhes enviou um manifesto longo e desconexo, no intuito de justificar sua posi��o autorit�ria. Nesse documento, ele alegava que, com a finalidade de estabelecer a Ab�bada da Segunda Ordem, �considerou-se absoluta e imperativamente necess�rio que houvesse um Membro eminente, escolhido de modo especial para atuar como liga��o entre os Chefes Secretos e as formas mais externas da Ordem. Era insidspens�vel que esse Membro fosse eu, pois, mesmo possuindo a necess�ia e peculiar base cultural de conhecimentos arqueol�gicos ocultos, cr�ticos e profundos, ao mesmo tempo devia estar, n�o apenas prondo e dispoto a me consagrar de qualquer modo a uma cega e irracional obedi�ncia �queles chefes secretos... Eu, MacGregor Mathers, �S Rioghail Mo Dhream 5� = 6� , Deo Duce Comit� Ferro 7� = 4�, era o Farter selecionado para essa tarefa, a quem conhecei como Chefe Adepto da Segunda Ordem, sob o t�tulo de Deo Duce Comit� Ferro, que tomei para mim�. Nesse mesmo ano Mathers afastou muitos dos membros da organiza��o. Evid�ncia clara, aparentemente, de que Mathers estava mentalmente desequilibrado e, al�m disso, sob essa apar�ncia paran�ica...

 

 

N�o ligo um �tomo para o que voc� pensa, disse ele a um membro que se atreveu a questionar sua autoridade. �Recuso-me terminantemente a permitir cr�ticas abertas a minha atua��o, ou qualquer discuss�o acerca dela (...) de voc� ou de qualquer outro membro�. Infelizmente para Mathers, os membros da Aurora Dourada formavam uma turma bem independente. As listas da ordem - com os membros de cinco diferentes templos, de Londres a Edimburgo e a Paris - inclu�am muitas pessoas talentosas, um ou outro g�nio e alguns que simplesmente desfrutavam de dinheiro ou prest�gio demais para curvar a cabe�a confortavelmente.

 

Dentro da Aurora Dourada Mathers insistia, segundo suas pr�prias palavras, em "completa e absoluta submiss�o".

 

Em 1898 (aos 23 anos), Crowley � ingressa na �Ordem Herm�tica da Aurora Dourada�. Com a chegada de Aleister Crowley, a Golden Dawn "implodiu", e at� mesmo Mathers retirou um conjunto de rituais, que pelo que se sabe, era capaz de produzir certos fen�menos.

 

Aleister Crowley

 

Em 1899, muitos membros da �sis-Urania estavam insatisfeitos com o governo autocr�tico de Mathers. Estes membros desejavam ainda contatar os Mestres Secretos ao inv�s de confiarem em Mathers. Pouco mais de um ano depois, a lideran�a inglesa da Ordem (Templo �sis-Urania), desaprovando as atividades sexuais de Crowley (corre rumores de amplas orgias nos v�rios endere�os onde Crowley se instala), recusou seu avan�o para a Ordem de Segundo Grau, por consider�-lo mentalmente desequilibrado. Mas Crowley tinha se tornado amigo �ntimo de MacGregor Mathers, e este, mesmo contrariando a opini�o dos l�deres londrinos, em 16 janeiro de 1900, em Paris, fazendo valer sua autoridade dentro da Ordem, inicia Crowley ao Grau de Adeptus Minor (o mais baixo grau da Segunda Ordem). A insatisfa��o dos membros da G.'.D.'. com Mathers j� era mais que um fato nessa �poca, e este foi o inicio da ru�na da G.'.D.'.

 

Provavelmente o caso Crowley tenha servido como impulso e �libi necess�rios para o grupo londrino, liderado por Yeats, entre outros menos conhecidos, declarar-se independente de seu mentor e l�der, MacGregor Mathers.

 

Este desagrado levou muitos dos membros londrinos a deixarem a Ordem e Mathers foi quase expulso da Golden Dawn, especialmente ap�s ter posto sua autoridade em risco ao revelar suas suspeitas de que os documentos que levaram � funda��o da Ordem poderiam ser, de fato, falsifica��es. O que se seguiu ap�s a rebeldia londrina resultou em hist�rias fant�sticas de ataques m�gicos envolvendo Crowley e uns dem�nios versus Yeats (liderando o grupo londrino) e, � claro, mais dem�nios. Depois o pr�prio Mathers teria entrado na briga, junto, evidentemente, com uma outra legi�o. O fato � que Crowley e Mathers ficaram praticamente sozinhos, e a outrora grande G.'.D.'., agora conduzida pelos auto-proclamados novos chefes, ia progressivamente implodindo, ou se esfacelando, resultando num sem n�mero de Ordens Cristianizadas, sem o �lan da G.'.D.'. original. Crowley tentou obter, assim, a lideran�a da Ordem, e come�ou a provocar intrigas entre Mathers e os outros mestres de lojas (escrevia a estes dizendo que Mathers estava louco, mas desmentia isso para Mathers, fingindo ser o �nico que reconhecia sua autoridade).

 

Em mar�o de 1900, Mathers e os oficiais da �Aurora Dourada� em Londres estavam trocando acusa��es e amea�as. Mathers enviou um edito exonerando Florence Farr de seu posto como chefe da Segunda Ordem e outro abolindo um comit� londrino que estava estudando a validade da lideran�a dele. Ele amea�ou esmagar os insurgentes com uma "Corrente Punitiva" gerada pelos Chefes Secretos e Ocultos. E ent�o despachou nada menos que Aleister Crowley para reprimir a rebeli�o.

 

Florence Farr

 

Este desagrado levou muitos dos membros londrinos a deixarem a Ordem e Mathers foi quase expulso da Golden Dawn, especialmente ap�s ter posto sua autoridade em risco ao revelar suas suspeitas de que os documentos que levaram � funda��o da Ordem poderiam ser, de fato, falsifica��es.

 

Em 1902 Mathers queria readquirir o controle total da Ordem, que j� estava contando com muitos membros e algumas lojas trabalhando independentemente. Ent�o ele se proclamou "Imperador" insinuando que mantinha contato com os chefes secretos da Ordem que lhe garantiam essa autoridade. Obviamente seus membros n�o acreditaram na hist�ria, e nessa �poca a Ordem j� estava ruindo. Como ningu�m apoiou Mathers, Crowley aproveitou e se aliou a Mathers, incentivando-o a exigir sua autoridade. Mathers envolve-se em uma tentativa fracassada de tomar o controle da Ordem.

 

Essa atitude contribuiu para a desagrega��o da Ordem, pois  causou furor nos membros de Londres que votaram a expuls�o de Mathers da Chefia da Organiza��o, juntamente com Crowley. O grupo londrino, liderado por Yeats, entre outros menos conhecidos, declarar-se independente de seu mentor e l�der, MacGregor Mathers, e alguns membros originais acabaram por abrir outra Loja com o mesmo nome: Golden Dawn, focalizando o misticismo crist�o ao inv�s da Magia, tendo a lideran�a de A. E. Waite (um m�stico crist�o e mais tarde autor do amoso Tarot Rider-Waite).

 

Em 1903 devido a uma nova rebeli�o dos Adeptos da Golden Dawn da Inglaterra, O fundador S. L. MacGregor Mathers, sumariamente fechou a Golden Dawn, depois re-abrindo em 1906 como a Ordem Rosacruciana do Alpha+Omega, na A+O de Mathers, a Golden Dawn permaneceu como um ve�culo externo e p�tio para o resto da Ordem.

 

A hist�ria da Aurora Dourada parecia estar chegando ao fim. Mathers troca insultos com v�rios membros da Ordem.

 

O que se seguiu ap�s a rebeldia londrina resultou em hist�rias fant�sticas de ataques m�gicos envolvendo Crowley e uns dem�nios versus Yeats e, � claro, mais dem�nios. Depois o pr�prio Mathers teria entrado na briga, junto, evidentemente, com uma outra legi�o. O fato � que Crowley e Mathers ficaram praticamente sozinhos, e a outrora grande G.'.D.'., agora conduzida pelos auto-proclamados novos chefes, ia progressivamente implodindo, ou se esfacelando, resultando num sem n�mero de Ordens Cristianizadas, sem o �lan da G.'.D.'. original. Crowley tentou obter, assim, a lideran�a da Ordem, e come�ou a provocar intrigas entre Mathers e os outros mestres de lojas (escrevia a estes dizendo que Mathers estava louco, mas desmentia isso para Mathers, fingindo ser o �nico que reconhecia sua autoridade).

 

Ap�s a escritura do �Livro da Lei�, Crowley, em seu estilo pomposo de ser, escreveu uma carta a Mathers, onde anunciava que havia forjado um novo elo m�stico com os Mestres Secretos, tornando-se assim a suprema autoridade m�gica. De volta a Paris, Crowley procura afastar Mathers do seu caminho proclamando-se o Grande Mago da Golden Dawn. Isto, naturalmente foi o estopim de um novo duelo m�gico. Mathers promete enviar fortes correntes m�gicas contra o Grande Mago, e tr�s c�es de Crowley aparecem mortos. Este, pro sua vez, clama haver invocado 49 dem�nios que arrasar�o com Mathers, mas o duelo de magos termina apenas enfraquecendo politicamente a Goden Down.

 

Em 1910 Crowley ofenderia a seu antigo Mestre em v�rios volumes de uma publica��o bienal chamada "Equinox of the Gods" (Equin�cio dos Deuses - �rg�o oficial da A.'.A.'. cuja publica��o era feita nos Equin�cios de Primavera e Outono). Nesta publica��o, Crowley tornou p�blicos uma grande quantidade de documentos de instru��o ritual�stica que havia recebido sob o juramento de segredo, e este procedimento o levou a a��es legais que nunca terminaram satisfatoriamente. Crowley, que nunca trabalhara, porque herdara muito dinheiro, nessa �poca estava quase sem dinheiro. Como a GD estava famosa, e ele precisava de dinheiro, publicou alguns rituais da Golden Dawn resumidos no Equinox. Aos membros da Ordem foi um esc�ndalo; Mathers foi � corte para evitar a publica��o dos rituais da Segunda Ordem, que Crowley havia anunciado estar planejando publicar. O mandado da corte foi negado e Crowley publicou resumos dos rituais no Equinox de 1912. De qualquer forma, a distribui��o da revista foi limitada. NOTA: No ano de 1901, Mathers teria supostamente sido ludibriado (?) pelo casal de charlat�es Sr e Sra. Horos que, de algum modo, convenceram-no de que ela era Annie Sprengel e roubaram rituais de inicia��o da Ordem, dois aventureiros que pouco tempo depois foram processados. Estes rituais foram publicados bem antes pelo casal Horos nos jornais londrinos, cabendo a Crowley a publica��o dos rituais da Segunda Ordem (� qual ele na verdade mal fora iniciado, e logo expulso!).

 

Anos depois, ap�s a morte de Mathers (1918) por gripe muitos acreditaram que ele teria sido assassinado por magia. Dion Fortune nos diz que Moina Mathers lhe informou que ele havia falecido de uma epidemia de gripe nesse ano, mas n�o se encontrou nenhuma Certid�o de �bito de Mathers, nem sua tumba. Ainda que Moina possu�sse uma Certid�o de �bito, n�o h� registros cartor�rios.

 

 

A PERSONALIDADE DE MACGREGOR MATHERS - Seria Mathers, no entanto, conforme afirmava, dono de �conhecimentos Arqueol�gicos Ocultos, cr�ticos e profundos�? � certo que suas obras publicadas est�o repletas de eruditas notas de p� de p�gina e de longas introdu��es, mas seus contempor�neos eram c�ticos com rela��o �s suas habilidades, W. B. Yeats, que n�o lhe dedicava nenhuma antipatia, disse que �Mathers possu�a grande saber, pouca escolaridade, muita imgaina��o, mas gosto imperfeito� (Autobiographies), ao passo que A. e. Waite, que era abertamente hostil a tudo o que Mathers representava, escarnecia de �sua abissal ignor�ncia a respeito dos supostos Arcanos que afirmava guardar� (Shadow of Life and Thought). N�o obstante, Waite se referia igualmente ao �consider�vel cabedal de saber n�o assimilado�, de Mathers, e aos seus �estudos s�rios da parte arbitr�ria do cabalismo�, bem como � �seriedade com que se dedicava aos estudos de ocultismo, no Sal�o de Leitura do Museu Brit�nico�.

 

Outros, mais leais para com Mathers e para com a tradi��o m�gica que ele representava, pintavam uma imagem diferente. J. W. Brodie-Innes escreve em Occult Review [Revista de Ocultismo]: �(...) Certa vez, mostrei algumas das cartas que ele me escrevera sobre Cabala ao meu primeiro professor de hebraico, um rabino e avan�ado cabalista, tendo-me ele dito: Esse homem � um verdadeiro cabalista. Poucos crist�os sabem tanto; voc� pode segui-lo com seguran�a�. Na ocasi�o em que Mathers preparou um Templo de �sis para a Exposi��o em Paris, um egiptologista famoso no mundo inteiro declarou: �MacGregor � um Fara� redivivo. Passei a vida toda estudando ossos ressequidos, mas ele os mant�m vivos�. Eis apenas dois exemplos, extra�dos de muitos.

 

W. B. Yeats, que abandonou a Teosofia em favor da Aurora Dourada, comentou que Mathers tinha "muita instru��o, mas pouca erudi��o". Tendo passado anos inclinado sobre volumosos e misteriosos tomos na sala de leitura do British Museum, e possuindo uma veia teatral natural para vestimentas e cerim�nias ornadas.

 

 

PUBLICA��ES DE MACGREGOR MATHERS - Mathers publicou relativamente pouco, al�m dos seus livros, e muito do que chegou a ser publicado era ef�mero � cartas espor�dicas e breves artigos para Light e L�cifer [Luz e L�cifer], al�m de uma outra pe�a demasiado reduzida, sobre os Rosacruzes, para a S.R.I.A. Os escritos de Mathers foram dedicados principalmente aos magos, seus colegas.

 

Do material publicado pela Ordem, o mais pol�mico de todos foi a tradu��o do livro "A Magia Sagrada de Abramerlin", com o original encontrado em Paris, datando de 1458. Tamb�m merece destaque a publica��o da �Clav�cula de Salom�o�, o Rei b�blico, uma cartilha que instru�a os magos a usarem roupas peculiares e a empregar figuras geom�tricas, espadas, varinhas de cond�o e cantilenas que levavam horas para ser entoadas. [Clav�cula = pequena chave]. Destaca-se tamb�m a obra �Kaballa Denudata�, escrita por Mathers.

 

Depois do cisma de 1903, � medida que crescia a dissens�o dentro da Ordem, declinava a produ��o liter�ria de Mathers. Imposs�vel dizer se a sua crescente obsess�o com a �trai��o�, no interior da Ordem, sufocou seus talentos liter�rios ou se estes se dissiparam no decorrer de dez anos de uma atividade febril. O fato � que, depis de 1898, Mathers n�o escreveu nem publicou nada de significativo.

 

Listamos abaixo alguns livros e material de autoria de Mathers:

 

        Introdu��o Pr�tica sobre o Exerc�cio da Campanha de Infantaria = 1884

        O Tarot: Um Breve Tratado sobre a Leitura das Cartas

        A Queda de Granada: Um Poema em Seis Partes 1885

        A Kabbalah Revelada 1888 � Originalmente em Caldeu, mas ele traduziu a vers�o do s�c. XVII da �Kabbala Denudata� por Knorr Von Rosenroth

        Simbolismo Eg�pcio

        O Grim�rio de Armadel

        O Tarot, seu Significado Oculto e M�todos de Jogo � 1888

        A Chave do Rei Salom�o: Clav�cula Salomonis 1889 - qui�� o documento mais importante da Magia Cerimonial.

        A Magia Sagrada de Abramelin o Mago 1896 - um tratado de tranq�ilo misticismo que Matthers supostamente descobrira e traduzira, reacendendo o interesse da comunidade europ�ia pela Magia (ver nota abaixo)

        The True Church of Christ� (a Verdadeira Igreja de Cristo), 1893

        Magia Ritual de Proje��o Astral e Alquimia Escritos Originais da Golden Dawn � Volume I

 

O SISTEMA DA MAGIA SAGRADA DE ABRAMELIN (Os Quadrados M�gicos) - Um tipo de Magia Ritual cujo alvo principal � a conversa��o com o pr�prio Anjo da Guarda; depois, se far� uso de uma s�rie de Quadrados M�gicos que evocam energias diversas. � um sistema poderoso e perigoso, no qual muitos experimentadores n�o foram bem sucedidos.  As instru��es dadas no famoso livro que ensina este Sistema n�o devem ser levadas a cabo literalmente, de forma irrefletida; deve-se, por�m, ter total aten��o aos ensinamentos, antes de colocar os mesmos em pr�tica. Como em todos os textos antigos, aqui tamb�m muita coisa est� cifrada ou velada. Deste poderoso Sistema surgiram in�meras pr�ticas com quadrados m�gicos que nada t�m rela��o com o Sistema ensinado nesta obra.

 

 

 

 

 

 

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