JACQUES DEMOLAY
 


    JACQUES DEMOLAY - O último mestre da ordem foi Jacques DeMolay. Segundo historiadores modernos, nasceu em Vitrey França, no ano de 1244. Pouco se sabe de sua família ou sua primeira infância, porém, em 1265, na idade de 21 anos, ele tornou-se membro da Ordem dos Cavaleiros Templários, onde participou destemidamente de numerosas Cruzadas, e o seu nome era uma palavra de ordem e de heroísmo. Em 1298, aos 58 anos DeMolay foi eleito Grão Mestre da Ordem; era um cargo que o classificava muitas vezes acima de grandes lordes e príncipes, devido ao poder da Ordem do Templo na Europa. DeMolay assumiu o cargo numa época em que a situação para a Cristandade no Oriente estava ruim. Considerado arrogante, republicou a antiga regra da Ordem do Templo que eles não podiam possuir livros; achava que isso os mantinham distraídos da arte da guerra. Tencionou preparar outra Cruzada para reconquistar a Terra-Santa. O motivo mais plausível é que sem a Terra-Santa para defender, a Ordem do Templo poderia ser extinta.

    O rei de França, Felipe IV, intitulado "o Belo", iniciou uma campanha difamatória contra os templários. Jacques DeMolay fora informado dessas acusações, contra a Ordem, e insiste que deveria ser feito uma investigação papal. Mas DeMolay estava em Poitiers totalmente cego pelo fanatismo, discutindo com o Papa Clemente V, a possibilidade de uma nova Cruzada e negando uma possível união de todas as Ordens. E Felipe por sua vez, queria impedir qualquer investigação papal. Jacques DeMolay, que era analfabeto, e pelo histórico não muito inteligente, disse que não tinha estudo suficiente para servir de advogado da ordem. Ficou à espera de que o papa o salvasse.

    Durante dois anos - período durante o qual Felipe de Valois ficou de apresentar sua decisão final sobre os dois documentos trazidos por Jacques DeMolay - Guilherme de Nogaret, ministro de Felipe IV, arquitetou o plano para aprisionar a um só tempo todos os Templários em todos os pontos da Europa. Foram expedidas cartas lacradas aos senescais (líderes políticos e religiosos locais) de todas as paróquias com ordens expressas de somente abri-las a 12 de setembro de 1307.

    O Rei Filipe resolve convocar os dois Grãos Mestres de ambas as Ordens (Hospitalários e Templários) a um encontro em Paris. O Grão Mestre dos Hospitalários deu uma desculpa convincente e faltou ao encontro. Jacques De Molay, contando então com quase 70 anos de idade, compareceu ao encontro com dois documentos: um plano detalhado para uma nova Cruzada (que presumia ser o principal motivo da convocação) e um arrazoado explicando as diferenças e motivos que considerava relevantes para manter Templários e Hospitalários como ordens distintas.

    Demolay havia ido à França para o funeral de uma Princesa da princesa Catarina, cunhada do rei - falecida esposa do irmão do rei Felipe, Carlos de Valois - , sendo recebido com todas as honras em Paris, e havia levado consigo poucos homens, sendo esses todos nobres, apesar de possuir um exército com cerca de 15 mil homens. No mesmo momento em que o Grão-Mestre dos Templários participava deste solene evento fúnebre em companhia dos nobres, não havia meios que lhe permitissem saber da trama, menos ainda do conteúdo das cartas que, abertas, tornariam a sexta-feira 13 o dia mais aziago do ano: 15 mil homens (o número total de Cavaleiros Templários) deveriam ser aprisionados em grilhões especialmente confeccionados e despachados a todos os pontos com esta finalidade. Na madrugada de 13 setembro (alguns autores mencionam outubro - isso se deve à mudança para o calendário Gregoriano) de 1307 DeMolay, juntamente com seus amigos, foram capturados e lançados nas masmorras pelo chefe real Guilherme de Nogaret, a mando do rei. Para se ter uma idéia da ingenuidade do chefe templário, ele tinha pedido ao papa, no mesmo ano, que investigasse alguns boatos caluniosos contra os templários - que pelo jeito, já era a campanha difamatória de Felipe em ação.

    Sete anos depois, em 18 de março de 1314, uma comissão especial, que havia sido nomeada pelo Papa, reuniu-se em Paris para determinar o destino de DeMolay e três de seus Preceptores na Ordem. Entre a evidência que os comissários leram, encontrava-se uma confissão forjada de Jacques DeMolay há seis anos passados. A sentença dos juizes para os quatro cavaleiros era prisão perpétua. Dois dos cavaleiros aceitaram a sentença, mas DeMolay não. Ele negou a antiga confissão forjada, e Guy D'Avergnie ficou a seu lado. De acordo com os costumes legais da época, isso era uma retratação de confissão e punida por morte. A comissão suspendeu a seção até o dia seguinte, a fim de deliberar. Felipe não quis adiar nada e, ouvindo os resultados da Corte, ele ordenou que os prisioneiros fossem queimados no pelourinho naquela tarde. DeMolay se recusou a revelar o local das riquezas da Ordem, e recusou-se a denunciar seus companheiros.

    Depois de torturas infames e confissões forjadas pela Inquisição, o grão-mestre Jacques DeMolay, e dois companheiros (Hugo de Pairaud, Godofredo de Charney, preceptor da Normandia) cobertos de trapos velhos, marchando sob vaias e palavrões para serem amarrados a estacas, foram queimados ante o povo como hereges impenitentes, em praça pública em Paris, numa pequena ilha do rio Sena, quando os sinos da Catedral de Notre Dame tocavam ao anoitecer do dia 18 de março de 1314.

    Na chamada Place du Vert Galant há duas placas com datas e em lugares diferentes, uma em frente à outra, distanciando cerca de 4 metros entre si que registram o local exato do trágico evento.

    Para escapar da morte, muitos templários confessaram os crimes de que eram acusados.
 


 

    A Maldição lançada por Jacques DeMolay - De Molay (pelo que diz alguns cronistas da época) não demonstrou nenhuma expressão de medo na hora de sua execução, ao contrário de seus amigos. Contrariando a todos, afirma antes de morrer que os "Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo do Rei Salomão" eram inocentes de todos as acusações, exceto de uma: a de ter sucumbido a dor, e confessar aquelas coisas bizarras contra a Ordem.

    No momento em que era amarrado no pelourinho, DeMolay gritava: "Vergonha! Vergonha! Vós estais vendo morrer inocentes. Vergonha sobre vós todos". Enquanto DeMolay queimava na fogueira, ele disse suas últimas palavras: "Nekan, Adonai!!! Papa Clemente... Cavaleiro Guillaume de Nogaret... Rei Filipe; Intimo-os a comparecerem perante o Tribunal do Juiz de todos nós dentro de um ano para receberdes o seu julgamento e o justo castigo. Malditos! Malditos! Todos malditos até a décima terceira geração de suas raças!".

    Do Palácio Real, Filipe assistia a morte de DeMolay e ouvira suas palavras. Ficou em silêncio mas bastante assustado. Mais tarde comentou com Nogaret: "Cometi um erro, devia ter mandado arrancar a língua de DeMolay antes de queimá-lo".

    Quarenta dias depois, Filipe e Nogaret recebem uma mensagem: "O Papa Clemente V morrera em Roquemaure na madrugada de 19 para 20 de abril, por causa de uma infecção intestinal", Filipe e Nogaret olharam-se e empalideceram. O Papa Clemente morreu por ingerir esmeraldas reduzidas a pó que provavelmente cortaram seus intestinos (para curar sua febre e um ataque de angústia e sofrimento). O remédio foi receitado por médicos desconhecidos, quando retornava a sua cidade natal.

    O Rei Felipe IV morre numa caçada, em 29 de novembro de 1314, com 46 anos de idade, 8 meses após a morte de DeMolay, em conseqüência da quda do seu cavalo durante uma caçada na floresta de Pont-Sainte-Maxence. Sempre acompanhado de seus cães foram em busca de um raro cervo de 12 galhos visto perto ao local. O rei acabou perdendo-se do grupo e encontrou um camponês que o ajuda a localizar o cervo. Achando-o e estando pronto a atacar-lhe percebeu uma cruz que brilhava, começou a passar mal e caiu do cavalo. Diz-se que teria sido atacado por um javali. Foi achado por seus companheiros e levado de volta ao palácio repetindo sempre "a cruz, a cruz..." e sempre com muita sede. Pediu, como o Papa Clemente, em seu leito de morte que fosse levado a sua cidade natal, no caso do rei, Fontainebleau.

    O rei ficou perdido no interior do castelo, parecendo um louco, durante uns doze dias. Filipe foi levado a fazer um novo testamento e foi instigado por seus irmãos: Carlos de Valois e Luís d'Evreux, a escrever o que eles queriam. Logo após terminado, sempre com sede, faleceu. Diz-se que Irmão Reinaldo, Grande Inquisitor de França, que acompanhou o rei em seus últimos dias, não conseguiu fechar suas pálpebras, que se abriam novamente. Foi assim, em seu velório, necessária uma faixa que cobrisse seus olhos.

    "A mão de Deus fere depressa, sobretudo quando a mão dos homens ajuda" teria dito um dos Templários remanescentes, jurando vingança.

    Além disso, nenhum dos filhos de Filipe, conseguiu se manter no trono ou deixar descendentes, encerrando-se a dinastia dos capetos e iniciando uma crise sucessória que daria início à guerra dos cem anos. A sua dinastia, que governava a França a mais de 3 séculos, foi perdendo a força e o prestígio. Junto a isso veio a Peste Negra e a Guerra dos Cem Anos, a qual tirou a dinastia dos Capetos do poder, passando para a dinastia dos Valois.

    Guillaume de Nogaret acabou falecendo numa manhã da terceira semana de dezembro, envenenado por uma vela feita por Evrard, antigo Templário, com a ajuda de Beatriz d'Hirson. Morreu vomitando sangue, com câimbras, gritando o nome daqueles que morreram por suas mãos.

 

 

 



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