
INTRODUÇÃO - Blavatsky foi a mensageira que transmitiu à cultura ocidental doutrinas esotéricas orientais quase desconhecidas, exceto em certos lugares da Ásia. Ela é, sem dúvida, a personalidade que mais influenciou o renascimento do esoterismo no século XIX, e que estende sua influência até hoje.
A tradição teosófica esotérico de Blavatsky vai beber a várias tradições filosóficas e religiosas: Zoroastrismo, Hinduismo, Gnosticismo, Maniqueismo, a Cabala, entre outras. Não rejeita religiões como o Cristianismo e o Hinduismo, mas afirma que todas as religiões têm uma tradição exotérica e esóterica. As tradições exotéricas são únicas e distintas para cada religião. A doutrina esotérica é a mesma para todas. Ela afirma transmitir a sabedoria dessa doutrina partilhada.
INFÂNCIA - Helena Petrovna Hahn Fadée de Blavatsky cujo nome de batismo era Helena Petrovna von Hahn, nasceu prematuramente em Ekaterinoslav, uma cidade às margens do rio Dnieper, no sul da Rússia (atualmente Ucrânia), em 12 de agosto de 1831. Era de sangue real, e aparentada com as mais nobres famílias da velha Rússia. Filha do Coronel Peter von Hahn, e Helena de Fadeyev, uma conhecida escritora de romances. Incidentes extraordinários marcaram a hora de seu nascimento e a ocasião de seu batismo, o que levou alguns dos presentes a pressagiarem-lhe uma vida envolta em mistérios e bastante tormentosa. No seu batizado, a casula do padre pegou fogo e pessoas se feriram, na correria. Aos cinco anos, Blavatsky hipnotizava os seus amiguinhos. Desde tenra idade sustentava e demonstrava possuir raros dotes paranormais e aptidões mediúnicas, precisando submeter-se várias vezes ao processo de exorcismo. Depois do precoce falecimento de sua mãe em 1842, quando tinha 11 anos, foi viver na velha mansão da avó, a princesa Dolgoroukov, em Saratov, onde seu avô era governador. Helena era uma talentosa pianista, hábil lingüista e brilhante musicista, recebendo sólida formação científica e literária através da avó. Aos 15 anos, seus dons de clarividência começaram a aflorar e conseguia descobrir o paradeiro de criminosos procurados pela polícia. Seus pais, mais do que depressa, casaram-na. Helena foi uma criança indócil, voluntariosa, rebelde ao seu meio ambiente cheio de convencionalismos, etiquetas, preconceitos.
FASE ADULTA - Em 1848, aos 17 anos, mais para livrar-se das incômodas injunções da criadagem e parentes do que por amor, casou-se com um homem bem mais velho, o general Nicephore V. Blavatsky, Vice-Governador da província de Erevan na Armênia (tinha o triplo de sua idade e possuía uma excelente estabilidade econômica). O casamento nunca se consumou de fato e o matrimônio não a agradou; 3 meses depois abandonou o marido e fugiu da casa de seus familiares. Logo viajou com a ajuda financeira da família pela Ásia Menor, a fim de preencher o tempo requerido para a separação matrimonial se legalizasse. Vestida de marinheiro, aventurou-se numa viagem à Turquia. Após a separação, madame Blavatsky foi morar em Constantinopla. A partir desse ponto, ela pôde visitar quase todos os países da Ásia Menor, estudando seus costumes e suas prática religiosas. Iniciou então um longo e sinuoso ciclo de peregrinações e aventuras extraordinárias. Boa parte do seu tempo como peregrina passou nas plácidas regiões do Himalaia, estudando e preparando-se em mosteiros, o que ela nos revela através do seu livro “A Voz do Silêncio”. Nessa época conheceu no Egito um ancião copta que a introduz nas ciências ocultas.
Durante certo tempo trabalhou como amazona num circo e, vestida como homem.
Em 1851 (20 anos), sem dinheiro, se reúne a seu pai em Londres, já como “Madame Blavatsky” (ou simplesmente HPB, como preferia que a chamassem), passando a lecionar piano para sobreviver. Encontrou-se com Hyde Park, fisicamente, e pela primeira vez, supostamente, com o seu mestre, o “mestre dos seus sonhos desde a infância” que desde sua infância lhe havia inspirado, o mestre hindu Kout Houmi Lal Singh (K. H.) na figura de um príncipe hindu, que lhe disse que ela fora escolhida para ser sua discípula. Este Mestre seria um iniciado oriental de Rajput, o Mahatma M. como é conhecido entre os teósofos. Nesse encontro, que ela relata com muita emoção, o Adepto instuiu-a sobre como proceder para prosseguir no caminho da iniciação esotérica, prevendo-lhe a espinhosa e importante tarefa que, depois de preparada, deveria executar. Obedecendo às determinações desse homem superior, ela passou a correr o mundo. Ele lhe deu a incumbência de fundar uma sociedade e divulgar o ensinamento esotérico por todo o mundo.
Esteve primeiramente nos EUA, Canadá, México, Peru, Índia, Ceilão, Nepal, Java, Bornéu e Singapura. Depois, Inglaterra, Alemanha, França e retorna aos EUA, onde permaneceu por 2 anos, seguindo depois para a Índia e Japão. Na capital inglesa ela freqüentou sessões espíritas, onde conheceu o célebre médium Douglas Home e fez parte de alguns círculos revolucionários. A influência desses contatos se manifestaria de maneira acentuada, em 1856, quando se filiou à “Associação Carbonária Jovem Europa”, a convite de Mazzini.
Em ambos os giros tentou penetrar no Tibet, mas foi malograda.

DOUGLAS HOME - O MAIOR MÉDIUM DE EFEITOS FÍSICOS DO SÉCULO XIX (artigo escrito por Allan Kardec em fevereiro de 1858). Daniel Douglas Home, ou simplesmente D.D. Home, como ficou mais conhecido foi provavelmente o maior médium de efeitos físicos de todos os tempos. Desde a mais tenra idade suas aptidões mediúnicas já se manifestaram. Com seis meses de idade, seu berço se balançava inteiramente sozinho, na ausência de sua babá, e mudava de lugar. Nos seus primeiros anos, era tão débil que tinha dificuldade para se sustentar, sentado sobre um tapete, os brinquedos que não podia alcançar, vinham, eles mesmos, colocar-se ao seu alcance. Aos três anos teve suas primeiras visões, quando tinha apenas 13 anos viu o espírito do seu amigo Edwin e contou a família que ele estava morto, fato que foi realmente comprovado. Em agosto de 1952 Ward Cheney, próspero fabricante americano de seda, organizou uma sessão espírita em Connecticut. Home, então com 19 anos, estava presente e todos aguardavam manifestações insólitas, tais como luzes misteriosas, objetos flutuantes etc. Mas algo inesperado aconteceu, tornando Home famoso da noite para o dia: ele flutou no ar e sua cabeça tocou o teto. Entre os convidados estava um incrédulo repórter do Hartford Times, que descreveu n bizarro incidente: “Subitamente, sem que ninguém do grupo esperasse, Home subiu no ar. Eu estava segurando a mão dele e examinei seus pés – estavam 30 centímetros acima do chão. Todo o corpo de Home latejava, numa confusão de emoções que iam da alegria ao medo, sufocando suas palavras. Repetidas vezes ele levitou. Na terceira, subiu até o teta do apartamento, onde encostou as mãos e os pés”. Em 1868, mais precisamente no dia 13 de dezembro, aconteceu um dos mais fantásticos episódios dentre os muitos envolvendo Home quando ele, estando num dos quartos do terceiro andar do hotel Ashley House, na frente de várias pessoas, levitou saindo por uma janela e entrando por outra e deixando todos os presentes atônitos. Além da levitação D.D. Home possui habilidades de materialização, escrita direta, produção de pancadas, ruídos e até de instrumentos musicais.

CARBONÁRIA - A Carbonária era uma sociedade secreta e revolucionária que atuou na Itália, França, Portugal e Espanha no princípio do século XIX. Fundada na Itália por volta de 1810, tinha a ideologia assentada em princípios libertários e que se fazia notar por um marcado anticlericalismo. (do italiano carbonaro, "carvoeiro") euniam-se secretamente nas cabanas dos carvoeiros, derivando daí seu nome.
Em 1855, retornou à Índia e foi bem sucedida em sua tentativa de entrar no Tibete através de Caxemira e Ladakh, após passar algum tempo com a família na região do Cáucaso, e após viajar pela Ásia Central. Lá chegando permaneceu certo tempo estudando com seus guias e recebendo a iniciação. Depois viajou ao Cairo (Egito), passando pela Palestina e a Grécia, até Itália onde lutou ao lado de Garibaldi, em Viterbo, e depois em Mentana, onde recebeu tantos ferimentos que foi dada como morta no campo de batalha restou-lhe um ferimento que a acompanhou por toda a vida. Após voltar a percorrer a Grécia e a Rússia, tenta fundar uma sociedade iniciática na França.
Em 1858, foi para a França e para a Alemanha, e retornou à Rússia no mesmo ano, passando um curto período com sua irmã Vera, em Pskov.
De 1860 até 1865, viveu e viajou no Cáucaso, passando por experiências e crises de natureza psíquicas. O que lhe possibilitou, segundo ela própria, adquirir total controle sobre seus poderes psíquicos. Partiu da Rússia novamente em 1865, e viajou extensivamente nas Balcãs, Grécia, Egito, Síria e Itália, entre outros lugares.
Em 1868, retornou à Índia, via Tibete. Nesta viagem, Blavatsky, segundo conta-se, conheceu o Mestre K.H. e hospedou-se em sua residência. No final de 1870, retornou a Chipre e à Grécia. Embarcou, depois, para o Egito, do porto de Perea na Grécia. O navio por onde viajava, a caminho do Egito, naufragou próximo a ilha de Spetsai em 4 de Julho de 1871. Salva, foi para o Cairo e fundou a Societe Spirite - uma sociedade espírita cuja propaganda era feita por um órgão denominado “Revista Espiritualista do Cairo”, onde pretendia inicialmente incentivar os fenômenos espíritas e mediúnicos codificados por Allan Kardec para aos poucos introduzir os ensinamentos do ocultismo e demonstrar a natureza mayávica (ou seja, ilusória, em uma perspectiva teosófica) de tais práticas.
Depois de viagens através do oriente médio, retornou por um curto período de tempo a Odessa, na Rússia, em Julho de 1872. Segundo Helena, na primavera de 1873, o seu Mestre deu-lhe instruções para seguir para Paris e, depois, para Nova York.
Em 1873, já nos EUA. Ali chegando, ela dirigiu-se logo para a mansão da família Eddy, na qual se estavam manifestando extraordinários fenômenos psíquicos. Tais fenômenos, profusamente relatados pela imprensa, empolgavam os meios científicos. Lá entrou em contato com círculos espíritas e participou ativamente de suas atividades. Isso lhe deu a oportunidade de desenvolver e treinar sua aptidão mediúnica. Em cartas para seus familiares, Blavatsky demonstra ficar desolada com os participantes do grupo. Alguns fingiam serem médiuns, enquanto outros eram alcoólatras contumazes e assim por diante. O Grupo não durou muito tempo e não alcançou os objetivos iniciais. Pouco tempo depois, desiludida com as fraudes observadas, ela abandona a prática do Espiritismo.
Em Outubro de 1874 Blavatsky conheceu o coronel Henry Steel Olcott, do Exército norte-americano, recém-chegado da guerra civil, que também era advogado e escritor, e que dividia seu tempo entre as lojas maçônicas e os centros espíritas. Desde logo se fizeram bons amigos, e posteriormente veio a ser seu mais fiel e significativo colaborador e com o qual fundou um círculo espírita próprio. Conheceu também William Quan Judge, um jovem advogado irlandês em Nova York.

Em 7 de setembro de 1875, os três fundaram a Sociedade Teosófica. Essa sociedade tinha como objetivo dedicar-se ao estabelecimento das verdades e ao que todas as religiões do mundo tinham em comum; além disso, objetivava pesquisar as forças ocultas, secretas e mágicas das pessoas tornando-as úteis, além de investigar todas as leis da natureza ainda não descobertas. O objetivo era criar dessa maneira uma nova religião mundial, que fosse completamente fundamentada no conhecimento primordial oculto da humanidade e que harmonizasse seus ensinamentos com as forças já descobertas e as forças ainda por descobrir da natureza.

Em setembro de 1875, Blavatsky publicou sua primeira grande obra, "Ísis Sem Véu", uma obra que menciona a história, o desenvolvimento das ciências ocultas, a natureza e origem da magia, as raízes do cristianismo, e, segundo a perspectiva da autora, os erros da teologia cristã e as falácias estabelecidas pela ciência ortodoxa. Nela afirma que sempre existiu um conhecimento secreto, que é o cerne comum a todas as grandes religiões mundiais e que forma o mais importante sistema filosófico. Depois da publicação desse livro, Blavatsky voltou-se cada vez mais para o pensamento oriental, sobretudo o hindu. Neste ano, H.P. Blavatsky foi naturalizada cidadã americana.
Helena Blavatsly atribuía toda esta mudança à obra “Estâncias de Dzyan”, que, segundo Blavatsky, seriam um manuscrito arcaico de origem tibetana, escrito em uma coleção de folhas de palma, resistentes à água, ao fogo e ao ar, e que conteriam registros de toda a evolução da humanidade, em uma língua desconhecida pelos filólogos denominada Senzar. Foram feitas várias tentativas, sem sucesso, de descobrir este manuscrito, durante o século XX. Assim, permanece sem resposta se estes manuscritos realmente existiram ou não. Lidas através da clarividência, mais tarde, ela recebeu o livro presenteado por indianos. Dizem que os "Homens de Negro" começaram a pedir-lhe o Livro, e se não restituísse-o às suas origens, seria vitimada por infelicidades. Neste mesmo ano, ao atravessar o canal de Suez, explodiu a embarcação, que acabava de ser inaugurado, “onde a maior parte dos viajantes foi reduzida a poeira tão fina que nem se achou mais vestígio de seus cadáveres”, J. Bergier, Os Livros Malditos, Ed. Hemus. Desse ataque, Blavatsky escapou miraculosamente. Em Londres, marcada uma entrevista, Helena Blavatsky é alvejada por um louco. O homem declarou depois, que fora teleguiado... Com a tentativa de assassinato, Blavatsky, assustada, marcou uma entrevista onde apresentaria “As Estâncias de Dzyan” mas o livro desapareceu do cofre forte onde ela o trancou, moderno na época e pertencente à um grande hotel.
Em 1878, numa de suas viagens juntamente com Olcott, foi para a Índia. Conheceram nessa altura Alfred Percy Sinnett, o editor do jornal oficial do governo da Índia, The Pioneer de Allahabad. Este contato foi extremamente importante para Blavatsky e para a Sociedade Teosófica. Lá, ela procurou contatar os intelectuais hindus, obtendo sucesso. Na Índia, Blavatsky renovou o contato com o seu “Mestre”, que a ajudou a estabelecer o rumo posterior que a sua missão de vida teria de tomar.
Em outubro de 1879, foi iniciada a publicação da primeira revista teosófica, "The Theosophist" (ainda publicada), e Blavatsky era a editora responsável. A Sociedade Teosófica rapidamente cresceu, tendo a ela associadas pessoas de grande importância.
Olcott e Balvatsky, depois de algum tempo, seguem para o Oriente, para um encontro com a Grande Irmandade Branca. Esta missão foi seriamente encarada pelo Presidente dos Estados Unidos - Rutherford Hayes - quem lhe forneceu passaportes especiais e ordens de MISSÃO assinadas. Vários contratempos se sucederam o pior deles: a Índia os declarou espiões e as ameaças antigas votaram a ser feitas, no caso de falarem sobre As Estâncias de Dzyan.
Em 1880 Blavatsky e Olcott passaram algum tempo no Ceilão (atual Sri Lanka), o que estreitou ainda mais o apreço deles para o sistema ético do budismo esotérico mahayana. Em setembro deste ano H.P.B. e o Coronel Olcott visitaram A. P. Sinnett e sua esposa em Simla na Índia. O sério interesse de Sinnett nos ensinamentos e trabalho da Sociedade Teosófica fez com que Blavatsky estabelecesse correspondência entre Sinnett e os Mahatma K.H. e M. Como fruto desta correspondência, Sinnet escreveu “O Mundo Oculto” (1881) e o “Budismo Esotérico” (1883). Ambos os livros exerceram grande influência e fizeram com que o interesse pela teosofia e pela Sociedade Teosófica aumentasse. As respostas e explanações enviadas pelos Mahatmas a Sinnett estão contidas em uma correspondência que durou de 1880 até 1885 e foram publicadas em 1923 como as "Cartas dos Mahatmas para A.P. Sinnett". As cartas originais dos Mahatmas estão preservadas no Museu Britânico em Londres.
Em Maio de 1882, Blavatsky e Olcott adquiriram uma grande área em Madras, na Índia, no bairro de Adyar, estabelecendo oficialmente lá a sede internacional da Sociedade Teosófica, conseqüentemente, a sede da foi transferida para a Índia, exatamente em Adyar, na parte sul da cidade de Madras
A partir de 1887 reside em Londres, sendo o período mais brilhante de sua vida.
Em 1888 publicou “A Doutrina Secreta”, em Londres e em Nova York simultaneamente, uma compilação dos fragmentos fundamentais das doutrinas secretas das filosofias e religiões asiáticas e primitivas européias.

A Doutrina Secreta foi escrita a longas e duras provas e sacrifícios, e teria perecido se não houvesse contado, providencialmente, e no dizer da autora, com uma interferência superior. Achando-se em Ostende, prosseguindo seu trabalho, Blavatsky caiu gravemente enferma, com perigo de morte, tanto que “ela acreditou haver seu mestre lhe permitido, por fim, ser livre”. Mas eis que inesperadamente ela se curou de forma “milagrosa”, uma vez mais. Depois explicou: “O mestre esteve aqui e me deu a escolher entre morrer e ficar livre ou continuar existindo para terminar A Doutrina Secreta... Quando eu pensei naqueles estudantes aos quais se me permitia ensinar umas poucas coisas e na Sociedade Teosófica em geral, à qual eu havia dado já o sangue de meu coração, aceitei o sacrifício”. Blavatsky permanecia trancada em seu quarto 9 a 10 horas por dia, escrevendo sem parar.
"A Doutrina Secreta" será, durante décadas, o livro de texto do Ocultismo. Logo influenciaria gurus e nomes famosos do meio literário, como Oscar Wilde, Yeats e Shaw, transformando-se em uma verdadeira febre intelectual.
Ela disse que muita coisa que escreveu lhe foi ditada enquanto dormia. Com efeito escreveu com correção em latim, grego, hebraico, sânscrito, o que nem sequer podia ler em estado normal. Afirmava que a quase totalidade das informações que transcrevia lhe eram passadas pelos seus grandes mestres, através de um curioso processo de clarividência. Constance Wachtmeister, na obra “Reminiscências de H. P. Blavatsky e de A Doutrina Secreta”, reproduz uma explicação de HPB:
“Veja bem, o que eu faço é isto: só posso descreve como uma espécie de vácuo que se delineia no ar diante de mim. Fixo meu olhar e minha vontade nesse vácuo, e logo em seguida cenas, uma depois da outra, começam a desfilar diante de meus olhos, como quadros sucessivos de um diorama. Se preciso de alguma referência ou informação de algum livro, concentro minha mente no objetivo e a contraparte astral do livro surge diante de mim e dela retiro o que preciso. Quanto mais livre estiver minha mente de distrações e mortificações, mais energia e concentração possuirá e mais facilmente poderei funcionar”.
Nesta obra ela inclui mais de 2.000 citações, com indicações precisas de páginas e autores, relacionadas a livros que ela não poderia ter lido, pelo menos diretamente. Várias testemunhas afirmam que sua biblioteca, que a acompanhava nas viagens, se limitava a poucos dicionários de inglês. É claro que, de maneira científica, não se pode comprovar a veracidade dessa afirmação de Blavatsky, mas é também verdade que nenhuma ciência poderá explicar as centenas de citações bibliográficas coerentes e corretas contidas em A Doutrina Secreta. A obra, em seus 6 volumes, está repleta dessas citações, tiradas de obras de autores célebres ou quase desconhecidos. Blavatsky encarregava seus auxiliares de verificar minuciosamente todas essas informações (inclusive data da edição e página da obra em questão). Muitos desses livros existiam apenas nas vastas bibliotecas do Museu Britânico ou do Vaticano, e lá tiveram de ser buscados para a devida verificação. Foram feitos cálculos estatísticos que demonstram que, se Blavatsky tivesse lido todas as obras que ela mesma cita isso não teria sido possível nem que ela tivesse a isso dedicado todo o tempo de sua vida! Ninguém sabe, até hoje, como conseguiu aprender o dificílimo sânscrito.
Segundo o crítico inglês William Emmett Coleman, para escrever "Isis sem Véu" (1877), com mais de 1300 páginas, Blavatsky precisaria ter estudado 1.400 livros, o que seria impossível para alguém que viajava constantemente com uma pequena quantidade de livros em sua biblioteca pessoal. Além disso, se Blavatsky tivesse lido todos os livros (muitos deles disponíveis somente em alguns museus ou bibliotecas longínquos) dos quais cita trechos in verbatin durante seus livros, teria levado várias vidas para concluir a leitura.

Madame Blavatsky explicava que escreveu tanto "Ísis Sem Véu" quanto a “Doutrina Secreta” com a ajuda dos Mahatmas, que certas vezes transferiam suas consciências para o corpo físico de HPB, em um processo chamado Tulku. Blavatsky afirma que tal processo não é mediúnico, uma vez que os Mahatmas não eram espíritos mortos, mas seres humanos reais em corpos físicos. Ainda segundo ela própria, algumas cenas e citações lhes eram mostradas clarividentemente através da luz astral, outras vezes, enquanto dormia, páginas inteiras eram precipitadas em sua própria letra, ou cartas dos Mestres se materializavam em papéis.
Esses fatos contribuiram fortemente para que Blavatsky fosse tomada como uma farsante. Além disto, seus críticos a acusam de racismo, particularmente quando Blavatsky refere-se a alguns grupos étnicos, os aborígenes australianos, por exemplo, como "menos humanos que os arianos", já que os identifica como "mestiços atlanto-lemurianos". Com relação aos semitas, particularmente os árabes, diz que são "espiritualmente degenerados".
O que se sabe é que Helena Blavatsky baseou “A Doutrina Secreta”, em larga medida na obra de Ignatius T. T. Donnelly, tendo plagiado, sem dar crédito, a tradução de Wilson do “Purana de Vishnu” e do “Hino da Criação do Rig-Veda”. Madame Blavatsky afirmou que seus escritos tinham como base um certo “Livro de Dzyan”, escrito na língua morta da Atlântida, o “Senzar”, que seus mestres lhe haviam mostrado durante seus transes, permitindo-lhe traduzir.
Blavatsky afirmava receber inspiração e ajuda de diversos Mestres, ente os quais Koot Hoomi (ou Kut Humi – cujo suposto lar ficava a oeste do Himalaia), seu principal mentor, e Morya, ambos inspiradores da Sociedade Teosófica, e de Hilarion, na preparação de seus textos narrativos. Blavatsky alega também ter mantido contato com Djwal Khul, também mestre do segundo raio, a que deve a maior parte do conteúdo de sua obra “A Doutrina Secreta”. As instruções dos “mestres” chegavam a Blavatsky por correspondência. Testemunhas oculares em Adyar afirmaram que muitas vezes essas “missivas dos mestres” se materializaram do nada e apareciam voando de repente pelo quarto, ou então eram encontradas como que por magia em determinado armário que antes estava vazio. Algumas dessas cartas, que foram guardadas no Museu Britânico, mostram a indefectível caligrafia de Blavatsky e, quando se encontrou uma abertura secreta para a introdução das cartas no referido armário, a senhora Blavatsky conseguiu fugir do escândalo viajando às pressas para a Índia.
Por mais aborrecidos e deprimentes que esses truques possam ser, todavia não se pode deixar de reconhecer que as obras de Blavatsky continham informações que, para aquela época, eram de fato novas e cuja fonte ou origem ainda não foram encontradas. Além do mais, se considerarmos o fato de que ela era uma médium, é provável que as cartas tenham sido psicografadas. Outro ponto a se destacar é que no Esoterismo, assim como nos primórdios do Espiritismo, tem-se repetido a tentação de trabalhar com truques, acompanhados de “fenômenos ocultos” reais, a fim de chamar a atenção dos ouvintes.
O livro de Vernon Harrison intitulado “H. P. Blavatsky and the SPR: An Examination of the Hodgson Report of 1885”
sobre as acusações forjadas pela Society for Psychical Research contra HPB é um exemplo de coragem intelectual e integridade, uma vez que Vernon Harrison o escreveu como membro da SPR. Leia aqui sua declaração oficial.
Poucos anos após a morte de Albert Einstein, sua sobrinha e herdeira declarou que seu tio mantinha, como livro de cabeceira, A Doutrina Secreta, de H. P. B. A notícia causou estupor. Então o gênio máximo da ciência exata moderna elegera para sua perene companhia literária o livro de uma mística que, meio séculos antes, fora duramente denunciada como impostora pela Sociedade de Pesquisa Psíquica de Londres? Além de Einstein, muitos foram os grandes homens de nossa época que leram “A Doutrina Secreta”: Thomas Edison, Aldous Huxley, Oppenheimer, Nehru, Gandhi, Jung, Mondrian, Scriabin, Yeats, Bernard Shaw.
BRIGASW INTERNAS NA SOCIEDADE TEOSÓFICA - Um forte ataque contra Blavatsky, feito por Alexis e Emma Coulomb (dois membros do grupo de trabalho de Adyar), teve rapidamente efeitos na vida e obra de Blavatsky, que a chantagearam, alegando que participavam
em sua casa na Índia, das farsas, jogando cartas dos Mestres sobre os assistentes das sessões espíritas, batendo com bumbos atrás da porta ou fazendo objetos voarem. Ela retornou para Adyar em 21 de dezembro de 1884 para informar-se melhor sobre a situação. Ela desejava processar o casal, que havia sido banido de Adyar por tentar acusar Blavatsky de fraude. Mas o comitê líder da S.T. não aceitou que Blavatsky processasse o casal. Muito desapontada, renunciou ao cargo de secretária correspondente de Adyar. Em Março de 1885, partiu para a Europa para nunca mais retornar à Índia.
ATAQUES DA SOCIEDADE DE PESQUISA PSÍQUICA - A Society for Psychical Research (Sociedade de Pesquisas Psíquicas) em Londres apontou um comitê especial para investigar Madame Blavatsky entre os anos de 1885-91. Em dezembro de 1884, Richard Hodgson, um membro do comitê da S.P.P. chegou à Índia para investigar e preparar um relatório sobre as alegações dos Coulomb. Baseado no relatório Hodgson, o comitê da S.P.P., em um relatório final em 1885, acusou Madame Blavatsky como "uma das maiores impostoras da história”. Hodgson também acusou Madame Blavatsky de ser uma espiã Russa. Este relatório foi utilizado durante anos como base para atacar Madame Blavatsky e tentar provar a não existência dos Mestres ou Mahatmas. Porém, E. S. Dutt provou a integridade moral da acusada, bem como a honestidade de seus propósitos. Dutt provou ainda a existência de uma conspiração, muito bem organizada, para destruí-la.

Sofreu ataques também das missões anglicanas de Bombaim e Madras. Acabou provocando contra si também o ódio clerical – católico e anglicano -, que naquela época andava de mãos dadas com a política européia, eminentemente colonizadora.
Duramente atacada, os anos a vingaram, destacando a importância de seu trabalho em prol da elevação espiritual da humanidade. Prova disto é a recente manifestação da Society for Psychical Research no sentido de retirar toda a suspeita sobre a pessoa de H.P.B.
Em 1963, Adlai Waterman (pseudónimo Walter A. Carrithers, Jr.) em sua obra "Obituário do Relatório de Hodgson sobre Madame Blavatsky", analisou e refutou as acusações de Hodgson a Madame Blavatsky. Uma mais recente refutação de algumas das acusações de Hodgson contra Blavatsky é o livro de Vernon Harrison entitulado "H. P. Blavatsky and the SPR: 'An Examination of the Hodgson Report of 1885 ”.
Este ataque afetou a saúde de Blavatsky; por várias vezes desde as acusações de fraude levantadas na Índia, Madame Blavatsky foi repetidas vezes desenganada pelos médicos.. Partiu da Índia para a Europa em agosto de 1885. Na Alemanha, em Wurzburg, começou a escrever "A Doutrina Secreta", sua obra-prima. Em Maio de 1887, aceitando o convite de teósofos da Inglaterra, mudou-se para Londres.
Quando Blavatsky chegou a Londres, as atividades teosóficas intensificaram-se e fundou-se a Loja Blavatsky. Iniciou a revista Lucifer (do latim "Luciferius", significando "estrela matutina").
Também em 1888, Madame Blavatsky fundou a Seção Esotérica da Sociedade Teosófica dedicada a um estudo mais profundo da filosofia esotérica e escreveu para os estudantes desta escola três trabalhos.
Em 1889 H.P. Blavatsky publicou o livro "A Chave para a Teosofia", uma exposição clara de Ética, Filosofia e Ciência em forma de perguntas e respostas expondo a razão pela qual a Sociedade Teosófica foi fundada e quais eram seus ensinamentos básicos. Ela também publicou "A Voz do Silêncio", um livro poético baseado no "Livro dos Preceitos de Ouro", que ela havia memorizado enquanto residia em uma lamaseria tibetana, e que foi traduzido para o português por Fernando Pessoa.
Blavatsky faleceu a 8 de maio de 1891 em Londres, aos 60 anos, três anos depois de publicar sua obra “A Doutrina Secreta”. Em seu testamento Blavatsky pede aos teósofos que celebrem a data de seu Falecimento como o Dia do Lótus Branco.
A Sociedade Teosófica continuou a ser dirigida pelo seu colaborador Olcott, que se tornou seu presidente. Depois que ele morreu, em 1907, ela foi dirigida por outra grande personalidade feminina: Annie Besant.
Desde 1971, a líder da Sociedade Teosófica é Grace F. Knoche, com a sede em Pasadena, EUA.
OUTRAS CRÍTICAS

O Babuíno de Madame
Blavatsky, de Peter
Washington. Um dos livros
mais conhecidos sobre as fraudes ocultistas - talvez até pela escassez de obras
no gênero. Madame Blavatsky dá título ao livro, mas não é o único assunto: o
autor examina outros gurus e suas pretensões absurdas.
Nesse livro, o autor afirma que as alegadas viagens de Blavatsky ao Tibete e a outros lugares do Oriente são praticamente consideradas fatos improváveis. Além disso, a fundadora da Teosofia é apresentada como um ótimo contra-exemplo da ferrenha autodisciplina individual proposta por ela mesma, pois devorava diariamente ovos fritos boiando na manteiga e vários alimentos gordurosos. Extremamente sedentária e “balofa”, precisava às vezes ser içada por ganchos por não conseguir usar escadas. A sede dos EUA teria entrado em obras para a instalação de um elevador por sua causa. Washington não restringe seu livro às peripécias da fundadora da Teosofia. Ele percorre também todo o caminho dos sucessores da dupla fundadora, como os britânicos Annie Besant (1847-1933), que fazia vista grossa aos problemas éticos e materiais da instituição, e Charles Leadbeater (1847-1934), sempre em encrencas por assédio sexual a rapazes da Europa à Austrália.

Krishnamurti
O livro segue também a trajetória do indiano Jiddu Krishnamurti, que foi preparado por Besant e Leadbeater para ser um “novo Cristo”, mas pulou fora [Naquela época, Annie Besant e Leadbeater costumavam manter longas conversas imaginárias com algo a que chamavam de “Senhor Cristo”. Pouco depois da “descoberta” de Krishnamurti, o garoto foi oficialmente apresentado ao mundo como sendo alto Iniciado e um futuro avatar – o veículo ou instrumento para a volta do Messias]. O livro segue tratando também dos russos George Gurdjieff e Peter Ouspensky, do austríaco Rudolf Steiner, fundador da Antroposofia, e vários outros. Blavatsky, que morreu em 1891, era contrária à seleção natural de Darwin. Para ela, a evolução humana se dera a partir de "seres elevados espiritualmente". Em seu apartamento em Nova York, que dividia com Olcott - em quartos separados - ela tinha na sala um babuíno empalhado, com óculos, colete, fraque e gravata, portando sob um dos braços um volume de “A Origem das Espécies”, de Darwin. Ele simbolizava, diz Washington, "a Insensatez da Ciência diante da Sabedoria da Religião". Mas apesar do destaque no título, o babuíno pouco aparece nesse brilhante livro, que é uma verdadeira caixa-preta da trajetória dos gurus ocidentais.
CRISES INTERNAS DA SOCIEDADE TEOSÓFICA - Um dos maiores problemas com relação à suaa liderança foi sua afirmação de que um novo messias reencarnaria na pessoa do seu discípulo Krishnamurti, afirmação que provocou a separação de Rudolf Steiner, que veio a criar a Sociedade Antroposófica.
Ísis Sem Véu (1877)
A Doutrina Secreta Vol. I - II (1888)
A Chave para a Teosofia (1889)
Glossário Teosófico (Editado em 1892)
Ocultismo Prático
A Voz do Silêncio (1889)
No País das Montanhas Azuis
Pelas Grutas e Selvas do Hindustão
Cinco Anos de Teosofia (artigos da revista The Theosophist)
Gemas do Oriente (pensamentos para cada dia do ano)
Transações da Loja de Londres
Narrativas Fantásticas
O Dubar em Lahore (escrito em russo sob o pseudônimo de Radha-Bai)
Cartas de Blavatsky para as Convençôes da Sociedade Teosofica nos EUA
As Obras Completas de Blavatsky (Editada por Trevor Barker)
Estudos em Ocultismo
Cartas de Blavatsky para A.P. Sinnet
Cartas de Blavatsky para sua Família na Rússia
Cartas de Blavatsky para William Q. Judge
Sonhos
Programa Original da Sociedade Teosófica
NOTAS SOBRE "A DOUTRINA SECRETA" - A Doutrina Secreta, Síntese da Ciência, Religião e Filosofia (título original: The Secret Doctrine, The Synthesis of Science, Religion, and Philosophy) é uma das principais obras de Helena Petrovna Blavatsky. A obra original foi publicada em 1888 e é composta de dois volumes. O volume I é dedicado à cosmogênese, e é basicamente composto sobre estudos relativos à evolução do universo, enquanto o volume II é dedicado à antropogênese, a origem e evolução da humanidade. Um terceiro volume foi publicado pela Sociedade Teosófica após o falecimento de Blavatsky. Ele é composto de uma coletânea de vários artigos de Blavatsky.
Em português, a obra foi publicada pela Editora Pensamento em seis volumes. Os volumes I e II correspondem ao primeiro volume da edição original em inglês e os Volumes III e IV correspondem ao segundo volume da edição original. Os Volumes V e VI correspondem ao volume póstumo publicado pela Sociedade Teosófica. Os títulos dos seis volumes da edição em português são:
Volume I - Cosmogênese
Volume II - Simbolismo Arcaico Universal
Volume III - Antropogênese
Volume IV - O Simbolismo Arcaico das Religiões do Mundo e da Ciência
Volume V - Ciência, Religião e Filosofia
Volume VI - Objeto dos Mistérios e Prática da Filosofia Oculta
A tese revolucionária de Blavatsky é, em uma época que não se supunha o Homem mais antigo que 100 mil anos, afirmar que o Homem físico tem mais de 18 milhões de anos de existência.
A antropogênese, descrita em "A Doutrina Secreta", opõe-se à evolução darwinista. Blavatsky não nega o mecanismo da evolução, mas não aceita que uma "força cega e sem objetivo" possa ter resultado no aparecimento do Homem. No entanto, ela alega que os homens são descendentes dos primatas, como afirma a teoria da evolução. Ao contrário, para Blavatsky, os primatas são descendentes de antigas raças humanas que se degeneraram.
Segundo a autora, os primeiros homens não possuíam um corpo denso. As primeiras raças tinham um corpo sutil, etéreo, imenso e ainda sem forma bem definida. À medida que avançou a evolução do Homem, o seu corpo tornou-se mais denso em uma sucessão de estágios, assumindo a forma que tem hoje.
Mas a maior crítica ao livro e às idéias de Blavatsky é em relação a um moderado racismo, particularmente quando Blavatsky refere-se a alguns grupos étnicos, os aborígenes australianos, por exemplo, como "menos humanos que os arianos", já que os identifica como "mestiços atlanto-lemurianos". Com relação aos semitas, particularmente os árabes, diz que são "espiritualmente degenerados".
FONTE:
Revista Planeta n. 91, abril 1980, pág. 16 – A Doutrina Secreta de Helena Blavatsky