ALEISTER CROWLEY
Edward Alexander Crowley
(1875 - 1947)
Crowley com o s�mbolo de H�rus sobre a
cabe�a e um dos seus livros de Magia, em 1910.
Esta p�gina est� dividida nos assuntos abaixo:
Introdu��o
Inf�ncia
Adolesc�ncia
Idade madura
Crowley na Golden Dawn
O Livro da Lei
A Lei de Thelema
Crowley funda a Astrum Argentum
Crowley na Ordo Templi Orientis (O.T.O.)
Abadia de Thelema
Os �ltimos anos de Crowley
O Tar� de Crowley
Fontes da Pesquisa
INTRODU��O
N�o existe algu�m no cen�rio esot�rico que tenha sido t�o controvertido! Mago negro por excel�ncia, fazer um retrato objetivo de Crowley � bem pouco poss�vel. Tanta � a varia��o de opini�es que, por vezes, o trabalho de pesquisa sobre sua biografia se revela dif�cil. Entretanto, mesmo sendo imenso o volume de material dispon�vel, curiosamente, em portugu�s, pouco consta referindo-se a Crowley.
Aleister Crowley foi sem sombra de d�vida o maior mago do s�culo XX, e � ineg�vel sua import�ncia para o Ocultismo; com certeza este � um t�tulo que ele merece, por�m n�o pelos motivos que normalmente s�o considerados...
Poucos praticantes de magia podem gabar-se de ter mudado o mundo ocultista da mesma forma que ele. Seus preceitos encontram-se presentes em v�rias tradi��es m�gicas modernas. Crowley � um personagem at�pico entre os estudiosos de magia, tanto que chegou a ser definido pelos jornalistas como "o homem mais perverso do mundo�, por declara��es feias por ele mesmo como a de ter feito pacto com o dem�nio, e ele pr�prio quis se denominar "a Grande Besta", a monstruosa criatura diab�lica do Livro do Apocalipse1. Ele foi taxado de pornogr�fico, depravado, drogado, satanista e mais uma infinidade de r�tulos. E, o mais fant�stico de tudo, estes r�tulos ilustravam in�meras atividades que de fato Crowley estava envolvido. Diz Gardner (um de seus mais famosos disc�pulos e criador da Wicca): "A sua reputa��o foi a de um homem que adorou Satan�s, mas � mais exato dizer que apenas se adorou a si mesmo".


Gerard Gardner, criador da Wicca
Crowley, de fato, parece ter sido um adolescente rebelde e retardado e um psicanalista encontraria na sua inf�ncia austera algumas explica��es para seu comportamento exc�ntrico. Seus defensores alegam que o Protestantismo vitoriano foi uma das manifesta��es mais repressoras de que j� se teve not�cia e que Crowley, juntamente com alguns artistas de vanguarda de sua �poca, teve a ousadia de se colocar contra todo esse sistema de valores e criar um sistema pr�prio. Mas n�o � bem assim... Ele sempre buscou o reconhecimento e aprova��o das pessoas, e quando notou que isso n�o era poss�vel, mantendo sua cr�tica atroz aos absurdos do puritanismo ingl�s, ele resolveu aparecer fazendo esc�ndalos, reais ou falsificados, ao estilo do esteri�tipo "falem mal, mas falem".
( 1 ) A refer�ncia mais comum ao n�mero 666 est� em Apocalipse (Revela��es) cap. 13 ver. 18, que diz: "Quem tiver intelig�ncia, calcule o n�mero da Besta, porque � o n�mero de um homem, e seu n�mero � 666". Na tradi��o esot�rica, 666 � tamb�m o n�mero do sol.

Auto-retrato de Crowley, como a �Grande Besta 666� (To Mega Therion 666)
Selo e assinatura de Crowley
Durante boa parte de sua vida buscou incansavelmente reconhecimento de seu trabalho, e isto de fato era uma gigantesca obsess�o para ele. Crowley gostava de chamar a aten��o, saindo em p�blico com seus trajes ritual�sticos.
Autoproclamado amante de drogas e sexo; cujas bases ele defendeu num dos seus escritos (�Diary of a Drug Fiend � � o titulo de um dos seus livros). Em nada se prendia a limites ou censuras. Na magia invocava anjos e dem�nios, no sexo promovia orgias, com rela��es hetero e homossexuais e requintes sadomasoquistas.
Sem d�vida era megaloman�aco, pois dizia ser reencarna��o do grande alquimista John Dee, e ainda de �liphas L�vi (que falecera no ano do seu nascimento!). Na discrimina��o de suas vidas passadas tamb�m arrolou o Conde Cagliostro, um ocultista do S�c. XVIII, fundador do Rito Ma�om Eg�pcio, bem como Alexandre VI, o not�rio Papa B�rgia.
De seus filhos, somente a primeira, do primeiro casamento, sobreviveu. Seu nome era Nuit Ma Ahathoor Hecate Sappho Jezebel Lilith Crowley, um pante�o que re�ne alegorias representativas de Justi�a, Amor, Beleza, Face Negra da Lua, Poetisa, Adoradora de Ba'al e Rainha dos Dem�nios e dos Mundos Infernais. Quando Crowley morreu, Lilith recusou o legado liter�rio ocultista de seu pai.
Seu lado extremista o levou a ser declaradamente bissexual, em plena era vitoriana, sendo amigo e amante de Gerald Gardner (que criou a Wicca, uma seita muito parecida com a Thelema), e juntos foram os respons�veis pela banaliza��o atual do Esoterismo.
Durante toda a sua vida Aleister lutou para popularizar o esoterismo, revelando, por diversas vezes, segredos de seitas fechadas, afirmando que o conhecimento � livre, e assim deve permanecer - o que n�o o tornou exatamente popular entre muitos dos seguidores dessas seitas que o consideraram um traidor de juramentos, alguns chegando a advogar as mais severas puni��es f�sicas em resposta a seu "crime" e sua "trai��o". Crowley alegava que, j� que os segredos m�sticos e m�gicos somente s�o conhecidos verdadeiramente atrav�s da experi�ncia direta, e a experi�ncia direta somente � alcan�ada atrav�s da consecu��o individual, os segredos poderiam guardar-se assim mesmos adequadamente mesmo quando claramente publicados. A partir de ent�o o ocultismo p�de em divulgado ao grande p�blico, pelos demais ocultistas, sem que eles corressem o risco de romper um juramento de sil�ncio imposto por todas as ordens esot�ricas, pois Crowley j� havia rompido anteriormente por eles.
Sentindo a necessidade de diferenciar a sua filosofia m�gica dos espet�culos ilusionistas circenses, trouxe da Idade M�dia o termo Magick, uma vez que no ingl�s moderno n�o existe distin��o para "magia" e "m�gica".
Expulso de diversas sociedades ocultistas, perseguido como pernicioso � moral e costumes vigentes (foi proibido de entrar na It�lia, Fran�a e Inglaterra, sua pr�pria p�tria).
N�o houve um estilo exc�ntrico de vida at� meados do s�culo XX, desde a dada at� o punk, que ele n�o tentasse e experimentasse, o que, obviamente, o tornou mais representativo para as gera��es posteriores. Ele sempre fascinou os entediados burgueses que aderiam a ele como disc�pulos, e muitas vezes essa ades�o os levava � loucura e ao suic�dio. Apenas uns poucos conseguiram usando de todas as energias dispon�veis e com profundas feridas ps�quicas, fugir � influ�ncia de Crowley, reencontrando um caminho de vida de certa forma normal.
Atrav�s da sua curiosidade e das suas aptid�es para a magia, ele de fato obteve o acesso �s energias e �s esferas demon�acas, que de fato existem, mas que s�o mantidas fechadas e evitadas pelos iniciados e pelos �mestres� por bons motivos. Gra�as a sua grande capacidade m�gica e a sua grande for�a, Crowley teve �xito na maioria dos casos, se n�o em todos, em lidar com o fluxo dessas energias que entram em nossa esfera atrav�s da brecha que ele abriu. Seus seguidores e disc�pulos n�o tiveram o mesmo sucesso e acabaram tornando-se v�timas dessas mesmas for�as que exorcizavam.
Quem viver segundo os textos m�gicos de Crowley e praticar seus rituais pode ter surpresas nada agrad�veis, que nem sempre s�o de natureza espetacular, como de loucura, de suic�dio ou combust�o espont�nea, mas que podem ter conseq��ncias profundas no inconsciente. A escola esot�rica que se orienta por Crowley, assemelha-se a uma crian�a que brinca com uma bomba n�o deflagrada. Lendo Crowley nunca se tem certeza do que ele realmente quis dizer, al�m do que ele colocou muitas �pegadinhas� em seus livros. Em toda sua obra usa de termos de baixo cal�o e em muitos pontos os assuntos s�o desconexos, como se o autor entrasse em algum tipo de paran�ia.
Vou citar um trecho da obra da famosa ocultista Dion Fortune (que tamb�m foi membro da Golden Dawn, ou melhor, da G. D. tardia) �A MAGIA APLICADA� � Edit. Pensamento:
�O livro The Magick2, de Crowley � de grande valor para o estudante, mas s� o estudante adiantado poder� usa-lo com proveito. Como obra liter�ria apresenta muitas vulgaridades e grosseirias, como acontece em todos os escritos de Crowley, e grande parte dele � deliberadamente obscura e indireta. Al�m disso, as f�rmulas de que se utiliza seriam consideradas adversas e mal�ficas pelos ocultistas habituados � tradi��o cabal�stidca, pois ele usa 11 em vez de 10 como base dos seus grupos de batidas nas cerim�nias m�gicas, e 11 � o n�mero dos Qliphoth, ou Sephirot demon�aco; portanto, um grupo de 11 batidas � uma invoca��o dos Qliphoth. No texto n�o h� qualquer indica��o a respeito e esta � uma armadilha perigosa para o estudante despreparado.
Crowley tamb�m d� o Norte como ponto sagrado para o qual o operador se volta para a invoca��o, em vez de dar o Oriente, �onde nasce a luz�, conforme a pr�tica tradicional. Ora, o Norte � chamado de �o lugar da mais profunda escurid�o simb�lica�, e � o ponto sagrado de apenas uma seita, os Yezidees, ou adoradores do dem�nio. � evidente, portanto, que o estudante que tiver a aud�cia suficiente para fazer uma experi�ncia com um grupo de 11 batidas e uma invoca��o dirigida para o Norte, n�o ir� entrar em contato com aquilo que a maioria das pessoas consideraria como for�as desej�veis�.
( 2 ) Magick in Theory and Practice.
Crowley comp�s rituais blasfemos e horripilantes e, o que mais conta, colocou-se em pr�tica, como quando batizou um sapo com o nome de Jesus Cristo e o crucificou. Durante um ritual teria chegado a comer os excrementos de sua "Mulher Escarlate" (nome retirado do Apocalipse dado � mulher que ele usava nas suas pervers�es sexuais). A men��o � Mulher Escarlate levou Crowley ao nome de Babil�nia, que ele "corrigiu" para Babalon. A partir da cita��o no �Livro da Lei�, entretanto, Babalon passou a representar uma energia m�gicka de natureza sexual. [Veja mais sobre as aberra��es ritual�sticas e sexuias de Crowley no item �A Abadia de Thelema�]. Teve atitudes que assustavam at� os mais liberais o que lhe valeu, por muito tempo, o ostracismo nos meios esot�ricos, onde o seu nome era dito aos sussurros.
Sem d�vida ele exerceu enorme influ�ncia sobre o trabalho de v�rios artistas, compositores e conjunto musicais; famosos grupos e cantores de rock como Black Sabbath, Led Zeppelin (Jimmy Page, guitarrista do Led, possui uma larga cole��o de memorabilia de Crowley e inclusive comprou o Castelo de Boleskine, perto de Foyers, na Esc�cia, onde Crowley morou por alguns anos) - O Led Zeppelin � conhecido por colocar mensagens "satanicas" revertidas nas suas musicas como em "Stairway to Heaven" ("Here's to my sweet Satan") -, Rolling Stones, The Clash, Beatles (no �lbum �Sergeant Pepper's Lonely Hearts Club Band�, sua fotografia aparece como "uma das pessoas que gostamos"), Iron Maiden, Ozzy Osbourne (que comp�s e gravou uma m�sica com o t�tulo de Mr. Crowley), entre tantos outros; e artistas e escritores do quilate de H. R. Giger, Kenneth Anger, David Bowie e Aldous Huxley. N�o poder�amos deixar de mencionar o meio art�stico brasileiro, que teve em Raul Seixas, o grande arauto da mensagem de Crowley. Em especial as m�sicas �A Lei� e �Sociedade Alternativa� (ambas de Raul Seixas e Paulo Coelho), que t�m como base Liber OZ, al�m de muitas outras can��es do maluco beleza que apresentam, de um modo bem particular ao Raul, a �Lei de Thelema�. No final da m�sica, composta por Raul e Paulo Coelho em 1974, eles avisam: "O n�mero 666 chama-se Aleister Crowley�. N�o s� essa m�sica, mas todo o �lbum "Gita" (o nome do disco � uma homenagem ao livro sagrado dos indianos) continha uma s�rie de referencias �s id�ias e vida de Crowley. Em 1975, Raul anuncia a Nova Era lan�ando o disco "Novo Aeon", uma outra denomina��o da mesma Era de Aqu�rio, apregoada por Crowley, que se dizia ser o seu avatar. Al�m disto outros musicos j� se confessaram admiradores de Crowley como Renato Russo e Rita Lee.
Beatles, capa do �lbum �Sergeant Pepper's Lonely Hearts Club Band�; em destaque, no alto, a foto de Crowley
Crowley estudou Yoga e Tantra, sendo o pioneiro na adapta��o deste conhecimento para o Ocidente. Alguns anos mais tarde, durante suas viagens para a China, come�ou a utilizar o I Ching, no qual ele tamb�m apresentou ao mundo ocidental de Ocultismo.
Alguns de seus mais influentes livros incluem:
The Book of the Law
Magick (Book 4)
The Book of Lies
The Vision and the Voice
Liber 777
The Confessions of Aleister Crowley
Magick Without Tears
Little Essays Toward Truth
The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King
INF�NCIA
Aleister Crowley nasceu quase � meia-noite de 12 de Outubro de 1875 [Libriano com ascendente em Le�o] , no n� 36 da Claredon Square, cidade de Warwickshire, Leamington, Inglaterra. Nasceu como membro de uma fam�lia rica e religiosa, sendo seu pai um destacado membro e pregador leigo de uma seita fundamentalista protestante denominado os Irm�os de Plymouth, uma comunidade religiosa que se excedia na fidelidade � B�blia e cuja pedra angular de sua cren�a era o fogo do inferno. � poss�vel que os aspectos da personalidade de Crowley (sua arrog�ncia, sua convic��o de ter sido o escolhido, bem como seu ego inflado) t�m a� suas ra�zes. Os Plymouth Brethren se julgavam os escolhidos por Deus, visto que seu modo de vida, e somente o deles, era absolutamente correto e n�o sujeito a erros.

Seu pai tamb�m era dono de uma f�brica de cerveja, e morreu cedo, quando Crowley tinha 11 anos, deixando boas lembran�as no menino, mas sua m�e, segundo ele, era uma "est�pida criatura". O jovem Alister parece ter sido muito en�rgico e temperamental, pois at� mesmo sua m�e lhe p�s um apelido que, posteriormente, ele usaria como um t�tulo honroso: besta selvagem, apelido que adaptou e adotou posteriormente, e que lhe trouxe boa parte da fama.
Com a morte de seu pai, Crowley fica sob os cuidados de seu tio e tutor Tom Bishop. Tamanha era a crueldade de seu tio, que ele referiu-se a este per�odo de sua vida como "A Inf�ncia no Inferno".
Seu nome de batismo era Edward Alexander Crowley chegando a mudar seu nome para Aleister (apenas a forma ga�lica de Alexander, e n�o, como muitos pensam, uma oculta refer�ncia a algum tipo de terr�vel dem�nio) apenas para n�o ter o mesmo nome do pai. Mais tarde, ele adotou de vez o nome Aleister, por lhe parecer mais enigm�tico.
Na escola se mostrou brilhante e obediente, at� que foi culpado injustamente de um pequeno delito e foi posto de castigo, a p�o e �gua, o que piorou sua j� fraca sa�de (tempos depois lhe receitariam hero�na para a asma, subst�ncia que usou at� os 72 anos de idade, quando morreu de parada card�aca). Crowley nunca esqueceu desse tratamento, e desde menino come�ou a achar que havia algo de errado com o "senso comum" da �poca. Decidiu ser um homem santo, e cometer o maior pecado, como em uma lenda dos Plymouth Brothers que afirmava que o maior santo cometeria o maior pecado.
�Nasci em Statford-on-Avon. � uma estranha coincid�ncia que um lugar t�o pequeno tenha dado ao mundo seus dois maiores poetas � j� que n�o se pode esquecer Shakespeare�. A forma de Crowley come�ar sua autobiografia � capaz de dar uma id�ia daquele que mais tarde viria a ser conhecido como �A Grande Besta do Apocalipse�.
ADOLESC�NCIA
Talvez seu grande desejo fosse se tornar uma celebridade. E a magia lhe parecia um caminho seguro para alcan�ar a gl�ria. Ali�s, realizou prod�gios de imagina��o para descobrir uma genealogia nobre: pensava descender da grande fam�lia bret� de Querouailles. Pretendia igualmente que o grande poeta ingl�s do s�culo 17, Abraham Crowley, era seu antepassado. Essa paix�o dos nomes e dos t�tulos, juntamente com a dos disfarces, acompanharam-no a vida inteira. Quando se mudou para Londres, ap�s terminar os estudos, adotou o nome de Wladimir Svaref. Na Esc�cia, o de Lord Boleskine e no Oriente, o de pr�ncipe Chioa Khan. A lista dos seus nomes fict�cios � intermin�vel.
Ele perdeu a virgindade aos 14 anos, com aux�lio de uma empregada da fam�lia, e contraiu gonorr�ia aos 17 com uma prostituta.
Em 1895, aos 19 anos, entrou para o Trinity College, uma das mais famosas faculdades de Cambridge. Pretendia seguir a carreira diplom�tica por influ�ncia de seu tio.
Revelou-se igualmente um rebelde de id�ias originais e exc�ntricas, cuja influ�ncia sobre os colegas foi bem cedo considerada nociva. Logo se destacou de seus companheiros por sua conduta francamente anarquista.
Na Universidade Crowley finalmente se encontrou. Com muito dinheiro (da heran�a de seu pai) e livre da repress�o da fam�lia, exerceu todas as atividades pelas quais ficou conhecido: alpinismo (esporte que praticaria ainda por muitos anos, chegando a escalar o Chogo Ri em 1902 e o Kanchenjunga em 1905, duas das maiores montanhas do mundo, situadas no Himalaia), poesia, enxadrismo (sendo excelente jogador desde a inf�ncia), praticou tamb�m o ciclismo e a canoagem. Praticando o montanhismo, Crowley viria a conhecer um homem o qual passou a admirar profundamente: Oscar Eckenstein.
Por volta de 1896 (j� com 20 anos), Crowley iniciou a leitura de alguns livros sobre magia e misticismo. Ele leu uma tradu��o de MacGregor da �Kaballa Denudata� e o livro de A. E. Waites sobre a magia cerimonial (The Book of Black Magic and the Pacts = O Livro da Magia Negra e dos Pactos), mas foi a leitura do livro de Carl von Eckrtshausen, "A Nuvem sobre o Santu�rio", que colocou-o em contato com a id�ia de uma sociedade secreta de grandes iniciados, a qual dirigia os destinos da Humanidade desde o princ�pio dos tempos, a Grande Fraternidade Branca de Mestres e fez com que Crowley decidisse a dedicar sua vida ao estudo do Ocultismo e da Magia, e empenhar-se com afinco no sentido de encontrar a Grande Fraternidade Branca mencionada no inspirador livro de Eckhartshausen. Ele tra�ou ent�o como seu caminho o objetivo de conquistar seu lugar entre tais iniciados.

O jovem Aleister Crowley utilizando trajes rituais.
Contam que em Cambridge ele praticava exerc�cios de concentra��o mental. Segundo o testemunho de um professor, ele podia apagar uma vela, colocada a dez metros de dist�ncia, pela simples for�a da vontade.
IDADE MADURA
Com a morte da m�e, Crowley recebe como heran�a 40.000 Libras. Dinheiro que financiaria as aventuras de sua vida. Sua fortuna foi dilapidada em dez ou quinze anos, e quando o dinheiro se extinguiu, Crowley utilizou o dinheiro de diversos benfeitores, entre amigos, disc�pulos e amantes, que sustentariam seu luxo e suas exentricidades. Se mais tarde, durante cerca de trinta anos, conheceu dificuldades econ�micas, encontrou sempre algu�m que lhe pagasse as viagens, que lhe fornecesse coca�na e haxixe.

The Hermetic Order of the Golden Dawn
Utilizando o pseud�nimo de Aleister Crowley, come�ou a publicar poemas e outros textos considerados pornogr�ficos. Esse fato, sua vida sexual publicamente desregrada e o ci�me provocado pela sua r�pida ascens�o da Aurora Dourada valeram-lhe a antipatia dos membros da Ordem. Crowley subiu rapidamente pelos graus da Ordem, mas foi barrado por um grupo de pessoas que chegaram a afirmar que a "ordem n�o era um reformat�rio".
Aparentemente, seus primeiros passos no ocultismo revelaram inexperi�ncia, pelo que aconteceu em sua casa. Seu cocheiro come�ou a sofrer de delirium tremens, uma vidente que fizera vir de Londres abandonou-o pela prostitui��o, o propriet�rio de sua casa desapareceu misteriosamente, um oper�rio da vizinhan�a enlouqueceu e tentou mat�-lo. Finalmente, o a�ougueiro da cidade, com quem havia brigado, cortou acidentalmente a art�ria da perna e morreu. Ele adquiriu um apartamento em Londres usando o nome de Conde Vladmir Svaref, onde disp�s dois quartos para construir um Templo Branco e um Negro. Reza a lenda que certa noite, no Templo Negro ele e Bennet, envergando trajes cerimoniais, invocaram esp�ritos utilizando o pentagrama m�gico com seu c�rculo tra�ado no ch�o. Ascenderam os incens�rios no altar e jogaram folhas de meimendro, datura e incenso, que produziram uma fuma�a espessa e de aroma forte. Apareceram 316 dem�nios que giraram sem parar em volta do c�rculo sagrado.

Entre outros ep�tetos, todos auto-atribu�dos, Crowley foi chamado: Perdurabo (em latim, "Eu perdurarei at� o fim" � seu nome inici�tico na Goden Dawn), Parzival, Baphomet (como l�der da O.T.O. em pa�ses de l�ngua inglesa), Deus est Homo (como chefe da O.T.O. mundial), "O mago das mil faces", "A Grande Besta" (To Mega Therion, em grego) ou ainda, como queriam seus detratores, "O homem mais perverso do mundo", porque alardeava ter feito um pacto com o dem�nio.
Crowley escreveu sobre ocultismo usando o seu pr�prio nome e v�rios pseud�nimos, entre outros:
Aleister Mac Gregor
Frater P.
Perdurabo
Conde Vladimir Svareff
Mestre Therion
Pr�ncipe Chioa Khan
Baphomet
Lorde Boleskini
E mais uma cole��o variada.
Mencionamos o relato de Showell Styles, no livro On The Top of the World: �O desafio era o monte Kanchenjunga. Crowley tinha sido escolhido para l�der da expedi��o, era talvez o mais extraordin�rio praticante do alpinismo mundial. Ele era ostensivamente descuidado em tudo que fazia, como se n�o tivesse medo. Quando atingimos os 20.400 p�s, no campo VII, os su��os convocaram uma confer�ncia para destituir Crowley das fun��es de lideran�a, j� que este era exageradamente cruel com os guias locais. Crowley n�o aceitou a id�ia, e a expedi��o resolveu retornar, exceto pela Grande Besta, que continuou a escalada. Na descida, os su��os foram pegos por uma avalanche que matou quase toda a expedi��o. Crowley, subindo, ouviu os gritos de socorro, mas recusou-se a ajudar quem quer que fosse. Masi tarde escreveria para um amigo dizendo: �Acidentes em montanhas s�o mito desagrad�veis; eu prefiro ficar longe deles...�.
CROWLEY NA GOLDEN DAWN
Durante uma aula de qu�mica, Crowley � apresentado a Sir Cecil Jones, um alquimista, que termina apresentando formalmente o pedido de inscri��o de Crowley na Ordem. Mas Crowley entrou para a �Aurora Dourada� numa �poca em que a Ordem j� apresentava sintomas vis�veis de sua posterior corrup��o. Em 1898, atrav�s de dois amigos, Julian Baker e George Cecil Jones (respectivamente Frati D.A. e Volo Noscere, ambos membros da G.'.D.'.), Crowley � apresentado a Samuel Liddell "MacGregor" Mathers (1854-1918), Frater D.D.C.F. (Deo Duce Comite Ferro), escoc�s que na �poca chefiava a Goden Dawn.
Crowley foi iniciado por Mathers em 18 de novembro de 1898 (aos 23 anos), ao Grau de Neophytus, e tomou, como Mote M�gico, o nome de Perdurabo (do Latim, eu perdurarei at� o fim). Avan�ou rapidamente nas fileiras da Golden Dawn, inicialmente estudando sob os ausp�cios de Alan Bennett (Frater Iehi Aour). Bennett, considerado por Crowley um aut�ntico Guru, o ensinou v�rias t�cnicas m�gicas oferecidas pela G.'.D.'., t�cnicas como Cabala e Magia Cerimonial, consagra��o de Talism�s, evoca��o de Esp�ritos, etc. No ano seguinte, Bennet deixou a Inglaterra por raz�es de sa�de (era asm�tico) mudando-se para o Ceil�o (Sri Lanka), onde ingressou em um monast�rio budista.

Allan Bennett
Como naqueles tempos os m�dicos receitavam hero�na como rem�dio contra asma. Incentivado por Alan Bennett passou a utilizar drogas para finalidades ritual�sticas. Em toda a sua vida nunca mais conseguiu livrar-se da depend�ncia criada pela droga.
Aleister tornou-se amigo �ntimo de MacGregor Mathers, a tal ponto que trocou seu nome pelo de Aleister Mac Gregor, querendo com isso indicar um poss�vel la�o familiar.
Por seu talento com as artes esot�ricas e pela sua perspic�cia, Crowley adquiriu o respeito de Mathers, que rapidamente o promoveu. A habilidade de Crowley para a magia e o ocultismo eram tais que em 1 ano, ele j� dominara todos os chamados Graus Externos da Golden: ne�fito, zelador, te�rico, pr�tico e fil�sofo, causando inveja de outros membros.
Por esse mesmo motivo al�m de sua independ�ncia nos estudos, e das pol�micas em que se envolvia (Crowley, que j� estava trabalhando pesado para estabelecer sua reputa��o de �homem mais perverso do mundo�) surgiram atritos com outros membros da ordem.
Seu temperamento inquieto, sempre na busca, precisava de meios m�gicos mais fortes. Estes, ele descobriu na magia sexual. Mas, como ele n�o praticasse em sil�ncio e secretamente, como os demais membros da Ordem, mas sim �publicamente�, isso resultou em inevit�veis esc�ndalos (estamos na Inglaterra da �poca vitoriana). Crowley, sob o pseud�nimo de Conde Vladmir Svareff ou Aleister MacGregor, custeava as edi��es de seus escritos (normalmente algum tipo de pornografia ou poesia), al�m de cultivar uma intensa vida sexual, a qual escandalizou alguns membros da G.'.D.'. Seus trabalhos m�gicos e estudos m�sticos o levaram as mais diversas partes do mundo, Mas pouco a pouco se distanciava de Mathers, que a essa altura j� havia se proclamado em contato direto com os "mestres" que regem a terra, e com isso seu autoritarismo se tornou insuport�vel.

The Hermetic Order of the Golden Dawn
Em 1900 ele completou os estudos necess�rios � obten��o do grau de Adeptus Minor. Entretanto o comportamento de Crowley era ultrajante demais para a maioria dos membros da ordem em Londres, que desaprovavam suas atividades sexuais espalhafatosas a lideran�a inglesa da Ordem (Templo �sis-Urania), desaprovando as atividades homossexuais de Crowley, desobedecendo a uma instru��o de Mathers, recusaram-se a dar a Crowley o ingresso na Ordem Interna, a RR et AC, por consider�-lo mentalmente desequilibrado (al�m do que Crowley tinha apenas um ano como membro da Ordem). O artif�cio de mudar o nome para Aleister Mac Gregor foi tamb�m um meio de franquear-lhe as portas para esses graus. Ma�thers, residia em Paris (Fran�a) ficou l�vido de raiva, e nessa �poca ele j� era o �nico l�der da Ordem, e mesmo contrariando a opini�o dos l�deres londrinos, fazendo valer sua autoridade dentro da Ordem, convida Crowley a ir a Paris, onde lhe concedeu a inicia��o no grau de Adeptus Minor (o mais baixo grau da Segunda Ordem), em 16 janeiro de 1900, sob o Mote Parzival, o que desagradou grandemente os membros ingleses (especula-se que MacGregor estaria interessado no dinheiro do jovem Aleister, pois levava uma vida financeiramente dif�cil). Essa atitude contribuiu para a desagrega��o da Ordem, pois causou furor nos membros de Londres que votaram a expuls�o de Mathers da Chefia da Organiza��o, juntamente com Crowley, que era nesta �poca um devotado disc�pulo de Mathers. Talvez aqui tenha sido o inicio da ru�na da G.'.D.'. Este desagrado levou muitos dos membros londrinos a deixarem a Ordem.
A insatisfa��o dos membros da G.'.D.'. com Mathers j� era mais que um fato nessa �poca.
Crowley viajou da Fran�a para Londres, e apareceu em um dia qualquer de 1900 na loja de Londres, dizendo ter sido mandado por Mathers para tomar posse do Templo �sis-Urania, mas foi expulso por alguns membros alertas, que foram ajudados pela pol�cia metropolitana de Londres. A apari��o de Crowley provocou um rompimento na Ordem da Loja em Londres. O grupo londrino, liderado por Yeats, entre outros menos conhecidos, declarar-se independente de seu mentor e l�der, MacGregor Mathers, e alguns membros originais acabaram por abrir outra Loja com o mesmo nome: Golden Dawn, focalizando o misticismo crist�o ao inv�s da Magia, tendo a lideran�a de A. E. Waite (um m�stico crist�o e mais tarde autor do amoso Tarot Rider-Waite).
Em mar�o de 1900, Mathers e os oficiais da �Aurora Dourada� em Londres estavam trocando acusa��es e amea�as. Mathers enviou um edito exonerando Florence Farr de seu posto como chefe da Segunda Ordem e outro abolindo um comit� londrino que estava estudando a validade da lideran�a dele. Ele amea�ou esmagar os insurgentes com uma "Corrente Punitiva" gerada pelos Chefes Secretos e Ocultos. E ent�o despachou nada menos que Aleister Crowley para reprimir a rebeli�o.
No dia 19 de abril de 1900, Crowley reapareceu em Blythe Road, com um disfarce que deve ter assustado os vizinhos: Estava vestido com roupas t�picas das Highlands escocesas, tinha sobre o rosto uma m�scara negra de Os�ris e portava uma adaga. Mathers teria enviado-o para tomar posse dos pertences do ritual da Segunda Ordem. Os rebeldes livraram-se dele chamando mais uma vez a pol�cia, e William Yeats expulsou ambos da ordem e proclamou-se Imperador da Golden Dawn. Horniman foi reefetivada, mas outra cis�o ocorreu com a forma��o de um grupo por Farr chamado �A Esfera�, dedicado a viagens astrais e contatos com os Chefes Secretos.

William Yeats
Crowley voltou para Paris, onde encontrou Mathers, que segundo consta, estava sacudindo umas folhas secas em uma bacia e invocando os dem�nios Belzebu e Typhon�-Set para que lan�assem seu poder mal�volo contra os que se opunham a ele. Pelo jeito, os dem�nios deixaram-no na m�o.
Provavelmente o caso Crowley tenha servido como impulso e �libi necess�rios para o grupo londrino, liderado por Yeats, entre outros menos conhecidos, declarar-se independente de seu mentor e l�der, MacGregor Mathers. Junto com Mathers, Crowley combateu a W. Yeats, que pretendia dividir o comando da Golden Dawn e assumir o Templo de �sis-Ur�nia, o principal de Londres.
O que se seguiu ap�s a rebeldia londrina resultou em hist�rias fant�sticas de ataques m�gicos envolvendo Crowley e Mathers versus Yeats. O fato � que Crowley e Mathers ficaram praticamente sozinhos, e a outrora grande G.'.D.'., agora conduzida pelos auto-proclamados novos chefes, ia progressivamente implodindo, ou se esfacelando, resultando num sem n�mero de Ordens Cristianizadas, sem o �lan da G.'.D.'. original.
Em torno de 1900 Corwley foi a Nova Iorque e depois para o M�xico, onde fundou sua primeira Ordem M�gicka, Lamp of the Invisible Light ou �L�mpada da Luz Invis�vel�, Entretanto ele deixou esta Ordem para tr�s e nunca soube o que foi feita dela.. Tamb�m no M�xico encontrou uma prostituta, e fez dela imediatamente sua Grande Prostituta da Babil�nia. Credita a si mesmo o t�tulo de �A Grande Besta do Apocalipse�. Volta do M�xico para Paris, sendo friamente recebido pela comunidade m�gica da Europa, que estava preocupada com a popularidade que esta estava ganhando. Procurando aumentar ainda mais esta popularidade, escreve uma carta � prefeitura da cidadezinha onde mora, reclamando a aus�ncia de um prost�bulo nas suas redondezas. A carta ganha espa�o em numerosos jornais, e o carisma de Crowley cresce.
Corre rumores de amplas orgias nos v�rios endere�os onde Crowley se instala. No livro A History of Orgies (Hearst Corporation, 1960), Brugo Partridge fala de festas patrocinadas por Crowley, onde �as mulheres, normalmente aristocratas, entravam no sal�o sob o disfarce de m�scaras ou pinturas faciais. A partir da�, orgias indescrit�veis come�avam a acontecer�. O pr�prio Crowley alimentava as fantasias em torno de sua pessoa, pra conseguir � como conseguiu � uma divulga��o mais ampla de suas atividades e de seu trabalho.
No outono de 1902, ap�s a expedi��o ao K2, Crowley retorna a Paris. Em 1902 Mathers queria readquirir o controle total da Ordem, que j� estava contando com muitos membros e algumas lojas trabalhando independentemente. Ent�o ele se proclamou "Imperador" insinuando que mantinha contato com os chefes secretos da Ordem que lhe garantiam essa autoridade. Obviamente seus membros n�o acreditaram na hist�ria, e nessa �poca a Ordem j� estava ruindo. Como ningu�m apoiou Mathers, Crowley aproveitou e se aliou a Mathers, incentivando-o a exigir sua autoridade. Mathers envolve-se em uma tentativa fracassada de tomar o controle da Ordem.
Em 1903 devido a uma nova rebeli�o dos Adeptos da Golden Dawn da Inglaterra, O fundador S. L. MacGregor Mathers, sumariamente fechou a Golden Dawn, depois re-abrindo em 1906 como a Ordem Rosacruciana do Alpha+Omega, na A+O de Mathers, a Golden Dawn permaneceu como um ve�culo externo e p�tio para o resto da Ordem, mas a Ordem se esfacelou em pouco tempo.
Crowley foi o �nico a defender Mathers, at� que percebeu que tudo n�o passava de uma farsa, pois Mathers havia revelado suas suspeitas de que os documentos que levaram � funda��o da Ordem poderiam ser, de fato, falsifica��es, o que o levou a ser expulso da Golden Dawn, e a partir de ent�o desapareceu quase por inteiro dos anais da Aurora Dourada.
Aleister Crowley n�o suportou mais ocupar uma posi��o secund�ria, e tentou obter a lideran�a da Ordem. Come�ou a provocar intrigas entre Mathers e os outros mestres de lojas (escrevia a estes dizendo que Mathers estava louco, mas desmentia isso para Mathers, fingindo ser o �nico que reconhecia sua autoridade). A farsa n�o durou muito tempo...
Ap�s a escritura do �Livro da Lei� [1904], Crowley, em seu estilo pomposo de ser, escreveu uma carta a Mathers, onde anunciava o lan�amento de sua publica��o �Equin�cio dos Deuses� e que havia forjado um novo elo m�stico com os Mestres Secretos, tornando-se assim a suprema autoridade m�gica. De volta a Paris, Crowley procura afastar Mathers do seu caminho proclamando-se o Grande Mago da Golden Dawn. Isto, naturalmente foi o estopim de um novo duelo m�gico. Mathers promete enviar fortes correntes m�gicas contra o Grande Mago, e tr�s c�es de Crowley aparecem mortos. Este, por sua vez, clama haver invocado 49 dem�nios que arrasar�o com Mathers, mas o duelo de magos termina apenas enfraquecendo politicamente a Golden Down. Mathers morreu em Paris muitos anos depois, em 1918, de gripe (muitos acreditaram que ele teria sido assassinado por magia).
Como em qualquer disputa s�ria entre magistas, os alegados ataques astrais come�aram. Crowley registrou que os advers�rios o haviam atacado magicamente, com a evid�ncia de que sua capa de chuva entrou em combust�o espont�nea em um momento no qual ele encontrava-se, sem raz�o alguma, em um estado de f�ria t�o intenso que os cavalos fugiam assustados apenas de olhar para ele. Crowley, segundo se afirma, enviou o Sr. Beelzebub e seus 49 "comparsas" para recha�ar um ataque m�gico desferido por Mathers. No final, entretanto, foi nos tribunais que a disputa foi resolvida. Crowley foi expulso da Golden Dawn apenas dois anos ap�s juntar-se a ela, principalmente gra�as aos esfor�os de Willian Butler Yeats, que n�o aprovava seus m�todos de magia. Crowley tamb�m foi acusado de ser o respons�vel por v�rios acontecimentos desagrad�veis e v�rios esc�ndalos que trouxeram a Ordem a p�blico, e ela passou a ser malvista.
A Golden Dawn foi ainda bastante explorada pela imprensa europ�ia envolvida em sucessivos esc�ndalos, inclusive um suposto duelo de magia entre Crowley e Mathers.
Desiludido com a Golden Dawn passou alguns meses afastado da magia, chegando a quase n�o praticar absolutamente nada. Cansado das disputas, Crowley decidiu-se a viajar pelo mundo; antes, entretanto, combina, com Eckenstein, a escalada do K2, no Himalaia, aventura a se realizar na primavera de 1902. Seu roteiro incluiu o M�xico, �ndia, Fran�a e Ceil�o, onde reencontrou Alan Bennett (agora Bhikku Ananda Meteya) que lhe ensina a pr�tica do ioga e o introduz no misticismo oriental.
Em 1903, de volta � Europa, foi morar na Mans�o Boleskine, localizada nos penhascos pr�ximos ao Lago Ness, Esc�cia. Intitula-se Lorde Boleskine.
Ainda no ano de 1905, outro grupo dissidente formou a Stella Matutina (Estrela da Manh�). Ao contr�rio do grupo liderado por Waite, praticavam a magia e os antigos rituais. A Stella Matutina atravessou claudicando os anos trinta, embora o pr�prio Yeats, farto de brigas incessantes na cambaleante organiza��o, tenha se afastado de todo papel ativo em 1923. Mesmo assim, manteve-se em contato com seus antigos companheiros de magia.
Sob o nome de Conde Wladmir Svareff � um dos seus grandes sonhos era pertencer � aristocracia -, Crowley aluga um apartamento em Londres e come�a a sua guerra dentro da Ordem. Para aumentar ainda mais seu prest�gio, vai at� a Esc�cia e proclama a todos que ir� realizar a Magia de Abramelin. Entretanto, jamais realizaria esta opera��o, j� que a sua pr�tica requer um certo isolamento e ele n�o era capaz de permitir-se a isto. Conta-se que, durante sua perman�ncia na Esc�cia, a casa onde trabalhava ficava t�o escura que Crowley tinha que acender as luzes para ler em pleno dia, e com as janelas abertas. Seu caseiro acabou ficando louco e foi acusado de tentar matar a pr�pria mulher.
Em 1906, junto com seu antigo instrutor na Golden Dawn, George Cecil Jones, Crowley decide montar uma nova ordem. Eles a batizam de Fraternitatis A.�. A.�.
O LIVRO DA LEI
Em 1903, deu-se seu primeiro casamento, com uma mulher chamada Rose Kelly, cunhada de Sir George � um famoso pintor que tinha seduzido pelas artes m�gicas � e prop�e � sua esposa um casamento aberto, com ela podendo ter rela��es com quaisquer admiradores. Na �poca, Crowley estava passando por longo um per�odo de cepticismo em rela��o a magia. Juntos, viajaram ao Egito, em 1904, onde se daria a mais importante experi�ncia de sua vida.
De acordo com os pr�prios registros de Crowley enquanto tentava (sem sucesso) invocar silfos (elementais do ar) para divertir sua esposa, esta come�ou a falar algumas coisas estranhas das quais ela n�o poderia ter conhecimento. Ela o mandou invocar o antigo deus eg�pcio H�rus. O deus prescreve ent�o uma s�rie de detalhes para um ritual de invoca��o. C�tico em rela��o � clarivid�ncia de sua esposa iniciou uma s�rie de testes para verificar o grau de veracidade desta comunica��o. Ap�s responder corretamente uma s�rie de perguntas cujas respostas Rose Kelly n�o poderia ter conhecimento pr�vio ele levou-a ao Museu Boulaq onde, ap�s passarem por v�rias imagens de H�rus, Rose sente-se inspirada e aponta para, ela apontou para uma estela (placa de pedra retangular com o topo curvo contendo imagens e inscri��es) que n�o podia ser muito bem vista do ponto onde se encontravam. Quando examinada, a estela (hoje conhecida como Estela da Revela��o) apresentava uma imagem de H�rus e, para espanto de Crowley, estava catalogada com o n�mero 666. Crowley havia adotado o 666 como seu n�mero pessoal como uma rebeli�o contra a religi�o de sua fam�lia muito tempo atr�s. Tudo isto � detalhado no livro o EQUIN�CIO DOS DEUSES.
A Estela da Revela��o ou Abomina��o da Desola��o � uma t�bua funer�ria do sacerdote Ankh-f-n-Khonsu. Nela constam a figura de Ra-Horaknty (H�rus) e Ankh-f-n-Khonsu, Nuit e Hadit. Adornada com trechos do Livro dos Mortos, na frente o cap�tulo 91 e atr�s, 11 linhas do cap�tulo 2 e 30.
Rose come�a a instru�-lo sobre como invocar a Hor�s, atrav�s de um ritual que ele pr�prio n�o acredita, mas que termina sendo coroado de sucesso. Obedecendo a instru��es obtidas atrav�s do trabalho com Rose Kelly, Aleister Crowley permanece no templo improvisado em seu quarto no Cairo nos dias 8, 9 e 10 de abril de 1904, das 12:00 �s 13:00 horas. O resultado � a psicografia de um texto pequeno, de tr�s cap�tulos, intenso e esquisito, do �Livro da Lei� (L�ber Al vel Legis) da Nova Era ou Aeon de H�rus, que se iniciaria no Equin�cio subseq�ente, ditado por Aiwass (Segundo Crowley, ministro de Hoor-paar-Kraat - um dos t�tulos atribu�dos a H�rus, ou Harp�crates pelos Gregos - � uma forma do deus H�rus representado commo uma crian�a inocente). Aiwass era um dos "mestres" que regiam o presente �on, dedicado ao Deus H�rus, seu mentor, mais tarde Crowley associou-o a seu Eu.
Aleister Crowley demorou cerca de 5 anos para acatar o que o texto dizia. Uma das profecias previa a morte de seu filho, que acabou por morrer mesmo, de doen�a desconhecida. Este livro tornou-se o foco de sua filosofia, mesmo tendo sido por ele rejeitado a princ�pio. Ele nomeou-se o Profeta do Novo Eon, que seria o fim da Era de Os�ris e o in�cio da Era de H�rus, um novo come�o para a Humanidade, no qual todas as religi�es deveriam ser deixadas de lado.
A primeira men��o feita ao Livro foi apenas em 1927 e sua primeira publica��o em 1938.
NOTA: Modernas investiga��es apontam algumas "arma��es" por parte de Crowley para justificar seu sistema: a Estela da Revela��o que disse estar catalogada com o n�mero 666, na verdade n�o estava assim classificada. Ele pediu para um funcion�rio do museu mudar a numera��o temporariamente para poder tirar uma foto! Al�m disso, nessa �poca o material j� havia sido transferido de Boulaq.
A LEI DE THELEMA
Thelema (do grego vontade) se refere � doutrina ou filosofia religiosa difundida por Aleister Crowley a partir de 1904 nos moldes propostos pelo Liber AL vel Legis, publica��o recebida por uma entidade auto-denominada "Aiwass", ministro de Cultura de Hoor-par-Kraat (o Deus H�rus). Grande parte da Magia Thel�mica usa o sexo direta ou indiretamente.
�A lei do forte: esta � a nossa lei e a alegria do mundo."
AL ii 21
"Faze o que tu queres h� de ser toda a lei." AL i 40
N�o existe deus sen�o o homem.
1. 0 Homem tem o direito de viver por sua pr�pria lei, viver da maneira que ele
quiser, trabalhar como ele quiser, brincar como ele quiser, descansar como ele
quiser, morrer quando e como ele quiser...
2. 0 Homem tem o direito de comer o que ele quiser, beber o que ele quiser,
morar onde ele quiser, mover-se como ele quiser sobre a face da terra...
3. 0 Homem tem o direito de pensar o que ele quiser, falar o que ele quiser,
escrever o que ele quiser, desenhar, pintar, lavrar, estampar, moldar, construir
como ele quiser, vestir o que ele quiser...
4. 0 Homem tem o direito de amar como ele quiser...
5. 0 Homem tem o direito de matar esses que quereriam contrariar estes direitos.
�Os escravos servir�o.� AL ii 58
"Amor � a lei, amor sob vontade.� AL i 57
As principais organiza��es a seguirem a filosofia de Thelema, a n�vel mundial, s�o:
Astrum Argentum
Ordo Templi Orientis (O.T.O.)
CROWLEY FUNDA A ASTRUM ARGENTUM
Cansado de suas birras com a G.'.D.'., em 1907, Crowley funda sua pr�pria sociedade inici�tica, a �Silver Star� �Ordem da Estrela de Prata�, que pretendia substituir a G.'.D.'., herdando sua estrutura de gradua��o, inclusive tendo a Astrum Argenteum (A.'.A.'.) como Ordem interna; esse corpo, muito mais velado, deveria servir como que "escola de treinamento" para os poss�veis "mestres" da humanidade. Entre tantos significados poss�veis, particularmente um inspirou Crowley na escolha desse nome para a Ordem. Segundo ele, o dourado amanhecer (Golden Dawn) � o que precede a Estrela Dalva (V�nus, ou L�cifer), a prateada estrela da manh� que "anuncia" o Sol, embora sem o mesmo sucesso! Em Londres essa sociedade contava 38 membros em 1914...

Sua revista oficial, "Equinox of the Gods" (Equin�cio dos Deuses - �rg�o oficial da A.'.A.'. cuja publica��o era feita nos Equin�cios de Primavera e Outono) come�ou a ser publicada em 1909.
Aleister Crowley, que nunca trabalhara, porque herdara muito dinheiro, nessa �poca estava quase sem dinheiro. Como a GD estava famosa, e ele precisava de dinheiro, em 1910 publicou alguns rituais da Golden Dawn resumidos no Equinox. Para os membros da Ordem foi um esc�ndalo; Mathers foi � corte para evitar a publica��o dos rituais da Segunda Ordem, que Crowley havia anunciado estar planejando publicar. O mandado da corte foi negado e Crowley publicou resumos dos rituais no Equinox de 1912. De qualquer forma, a distribui��o da revista foi limitada (mesmo porque Crowley s� havia chegado ao primeiro grau da Ordem!). NOTA: No ano de 1901, Mathers teria supostamente sido ludibriado (?) pelo casal de charlat�es Sr e Sra. Horos que, de algum modo, convenceram-no de que ela era Annie Sprengel e roubaram rituais de inicia��o da Ordem. Estes rituais foram publicados bem antes pelo casal Horos nos jornais londrinos, cabendo a Crowley a publica��o dos rituais da Segunda Ordem (� qual ele na verdade mau fora iniciado, e logo expulso!). A publica��o por Aleister Crowley (e republicado por Regardie e outros) de aspectos salientes do sistema te�rgico da Golden Dawn e seus ensinamentos tiveram impacto em quase todos os aspectos da Tradi��o esot�rica Ocidental. A publica��o trai�oeira deste material secreto por Crowley, embora tenha beneficiado uma grande parte da comunidade esot�rica, foi um desastre para a RR+AC. Mais tarde, obviamente, a revista faliu, mas foi suficiente para a arruinar a G.D.
Mesmo ap�s sua sa�da da Golden Dawn, Crowley continuou divulgar os conhecimentos que l� aprendera, seja na Astrum Argentum, ou na O.T.O., ou mesmo nos volumes do Equinox.
Adotou, quando assumiu o Grau de Magus da A.'.A.'., o Mote TO MEGA THERION (A Grande Besta, ou, simplesmente, como passou a ser conhecido, Mestre Therion).

Crowley como chefe
supremo da sociedade
secreta Silver Star (Baphomet)
Em maio de 1917, a Loja de Crowley na Inglaterra foi invadida e fechada pela pol�cia, sob a alega��o de mandato contra "leitura da sorte" contra um de seus membros. Todos os arquivos da Loja foram apreendidos. Crowley foi for�ado a temporariamente abdicar do cargo de Gr�o Mestre em favor de C. S. Jones para facilitar a situa��o dos membros remanescentes. A Loja nunca foi completamente restaurada.

Ap�s a morte de sua filha em 1906, Crowley separa-se de sua esposa, Rose Kelly, em 1909, que tinha se tornado uma alco�latra.
Em meio a serie de livros que escreveu at� 1911, destacou-se o Liber CCCXXXIII (Livro 333), o Falsamente chamado �Livro das Mentiras�. Curiosamente, mesmo antes de sua publica��o em 1913, chamaria a aten��o de, nada mais nada menos, Theodor Reuss, membro do servi�o secreto germ�nico, ma�om e ocultista, Reuss, tendo lido Liber CCCXXXIII, para seu espanto, l� identificara o segredo central da O.T.O. N�o se sabe ao certo como Reuss teria adquirido o �Livro 333� antes de sua publica��o. Sup�e-se que isto poderia ter sido um ardil, preparado por Crowley, para impressionar Reuss.
Em 1910 Crowley inicia o uso da mescalina e da hero�na, criando uma s�rie de 7 ritos (os Ritos de El�usis � que nada t�m a ver com os ritos gregos) para utilizar a droga como forma de se obter o �xtase religioso. As pessoas que o conheciam nesta �poca s�o un�nimes em afirmar que a quantidade de hero�na que ele consumia (11 gramas por dia) seria capaz de matar em pouqu�ssimo tempo qualquer ser vivo.
Ainda no ano de 1910 Crowley foi contatado por Theodor Reuss, l�der da Ordo Templi Orientis. O objetivo da visita de Reuss foi criticar violentamente o m�gico ingl�s por haver revelado em seus livros as regras de inicia��o de sua ordem. Reuss acusava-o de haver publicado o segredo do Grau IX� da O.T.O. Uma conversa entre os dois mostrou que uma passagem publicada por Crowley havia incitado os l�deres da O.T.O. a acreditarem que Crowley era um praticante de magia sexual, a qual era usada nos rituais da Ordem. Crowley exp�e a Reuss que este �segredo� teria sido aprendido por ele quando de sua viagem ao Oriente e que j� o praticava h� muito, sendo-lhe imposs�vel saber ser este o mesmo Santo Segredo cultivado pela O.T.O. Os dois homens separaram-se cordialmente.
O desenvolvimento da conversa entre os dois Iniciados deixou Reuss t�o bem impressionado que em 21 de abril de 1912 Reuss deu gratuitamente a Crowley uma patente, indicando-o como Grande Mestre Nacional Geral X� da O.T.O. para a Gr�-Bretanha e Irlanda, tornando-se o l�der da Ordem para os pa�ses de l�ngua inglesa - fun��o que exerceu sob o nome de Baphomet. A id�ia inicial era que Crowley organizasse os Graus Superiores da Ordem. Crowley aceitou de bom grado, uma vez que a Astrum Argentum tinha poucos membros e a O.T.O. j� possu�a uma fama internacional, o que lhe permitiria atingir um n�mero muito maior de pessoas.
Entre 1915 e 1919, Durante a I Guerra Mundial (1914-1918), Crowley viveu nos Estados Unidos, onde cria uma pequena comunidade m�gica em Greenwich Village e escreveu v�rios textos de propaganda anti-brit�nica. Posteriormente explicou-se dizendo que estes eram apenas um tipo de s�tira, mas isto n�o ajudou em nada sua j� abalada imagem p�blica. Certa vez o escritor americano William Seabrook pediu a Crowly uma demonstra��o do seu poder. Eles sa�ram pela relativamente deserta Quinta Avenida, onde Crowley passou a imitar de longe os gestos de um transeunte. A determinada altura, Crowley fingiu escorregar; o sujeito a quem imitava levou um tombo e estatelou-se no ch�o. Crowley retornou � Inglaterra em dezembro de 1919.
Em 12 de Outubro de 1915, em seu quadrag�ssimo anivers�rio, Aleister Crowley toma o Mote de TO MEGA THERION, 666, para o Grau de Magus da Astrum Argenteum (A.'.A.').
Crowley parece haver se correspondido com Frank Bennett e discutido com ele suas d�vidas acerca da habilidade de Reuss em, efetivamente, continuar a governar a Ordem. Parece que Reuss descobriu esta correspond�ncia; ele escreveu para Crowley uma furiosa resposta defensiva em 9 de novembro de 1921, na qual ele parecia distanciar-se e � O.T.O. de Thelema, a qual ele havia, como visto acima, abra�ado. Crowley respondeu � carta de Reuss em 23 de novembro de 1921 e afirmou em sua carta: "� de minha vontade ser o O.H.O. e Frater Superior da Ordem e espero a sua ren�ncia � para proclamar-me como tal." ele assinou a carta como "Baphomet O.H.O.". No registro de seu di�rio de 27 de novembro de 1921 Crowley escreveu: "Eu proclamei a mim mesmo como Frater Superior O.H.O. da Ordem dos Templ�rios Orientais." Reuss morreu em 28 de outubro de 1923.
Na O.T.O. criou um m�todo de magia chamado "sex magick", ou seja, magia sexual, que consistia desde atos sexuais grupais durante os rituais, at� a simples masturba��o sobre os "talism�s", o que resultou, em 1921, em uma ruptura na Ordem. Em 1925 deu-se a elei��o de Crowley como l�der mundial da O.T.O. [em novembro de 1921 ele escreveu em seu di�rio: "Eu me proclamei O.H.O. (Cabe�a Externa da Ordem) e Frater Superior da O.T.O. ou Ordem dos Templ�rios Orientais"]. A n�o aceita��o desta lideran�a e da implanta��o de Lei de Thelema na Ordem levou muitos membros a fundarem uma dissid�ncia, conhecida como O.T.O. Antiqua (n�o tel�mica). Ao ser indicado para O.H.O. (�Outer Head of the Order� ou �Cabe�a Externa da Ordem�, o �Cabe�a Internacional� da Ordem) por Heinrich Tr�nker em 1925, Aleister Crowley implementa definitivamente a Filosofia Thel�mica na estrutura simb�lica da Ordem, tornando-a a divulgadora de Thelema para o mundo.
A O.T.O. ent�o enfrenta altos e baixos, resistindo, por�m at� hoje, em seus diversos ramos. A O.T.O. existe at� hoje (ou melhor, existem, visto que houve cis�es e brigas, que somando com os charlat�es, devem somar mais de 30 O.T.Os., por alto. A maioria clama legitimidade).
Aleister Crowley e sua mulher "A Dama Escarlate" (Maria Tereza de Miramar)
ABADIA DE THELEMA
Em 1920 algumas complica��es de ordem f�sica fazem com que ele escolha Cefal�, perto de Palermo na Sic�lia (It�lia), como sua pr�xima morada. L�, junto com sua amante americana ruiva Lea Hirsig (conhecida como Mulher Escarlate e parceira nas pr�ticas de magia sexual), resolve criar a Abadia de Thelema (fundada em 2 de abril), segundo os padr�es do Livro da Lei. Crowley e Lea mudaram para a ilha. Uma outra mulher os acompanhava: era Ninette Fraux, a segunda amante do m�gico, e duas crian�as. Uma delas era Poup�e, filha ileg�tima de Crowley e de Leah Faesi. Desejavam fundar ali um templo de magia, uma usina de energia oculta que suplantaria o cristianismo num futuro pr�ximo. Usou como modelo a Abadia de Thelema do romance Gargantua, de Rebelais, em que � descrito um convento em que homens e mulheres coabitam e cuja regra principal � n�o ter regras, a n�o ser a de viver segundo a livre vontade, na medida em que tudo � permitido. Todos podiam fazer ou deixar de fazer o que quisessem a qualquer momento. Posteriormente, outros disc�pulos do mago desembarcaram em Cefalu: Elizabeth Fox, a amante n�mero tr�s, Mary Butts e Cecil Maitland. V�rios escritores, atrizes e pessoas ligadas � arte e � cultura convergiram para l�.
Na casa reinava a regra que Babelais inscrevera em letras douradas na porta de sua abadia imagin�ria: "Do what thou wilt shall be the whole of the law", (Faze o que desejas: este ser� o princ�pio fundamental da lei), este foi o lema dado para a Nova Era de Crowley. Mas essa liberdade era a recompensa dada aos que tinham atingido a suprema sabedoria; por�m para chegar l�, era preciso primeiro submeter-se � vontade do mestre. Crowley, por sinal, comportava-se como um verdadeiro tirano junto aos fi�is que faziam retiro na abadia de Thelema, fossem h�spedes permanentes ou de passagem. Aos novos visitantes, o mago oferecia primeiramente uma navalha para que cortassem o bra�o toda vez que empregassem a palavra "eu". Somente o mestre tinha o direito de empregar esse pronome pessoal.
Quando desejava punir suas in�meras amantes de alguma desobedi�ncia, Crowley as expunha nuas, os bra�os em cruz, em cima dos rochedos que davam para o mar. Deveriam permanecer ali im�veis e mudas, marcadas a ferro no meio do peito com o sinete de seu senhor, aben�oando interiormente a depend�ncia que gozavam, at� que uma ordem dele suspendesse o castigo. Os camponeses sicilianos costumavam contemplar com um desejo distante aquelas est�tuas de carne expostas � dureza das rochas. O p�roco da aldeia procurava explicar da melhor forma poss�vel a seus fi�is, que se escandalizavam, o comportamento exc�ntrico do senhor ingl�s - j� que as autoridades italianas toleraram sua presen�a na ilha durante v�rios anos. A Abadia logo tornou-se conhecida como um "antro de insanidade".
Todos os homens na abadia deviam raspar a cabe�a, com exce��o de uma �nica mecha em cima da testa. As mulheres tingiam os cabelos de vermelho ou de amarelo. Usavam um vestido azul celeste que ca�a como uma t�nica sem pregas. Todos os membros da comunidade escreviam di�rios onde anotavam seus pensamentos e aspira��es mais �ntimas. O mestre, naturalmente, tinha livre acesso a essas confiss�es, tantas vezes quantas desejasse.
Nas paredes do templo, Crowley pintara pessoalmente todas as posi��es poss�veis do ato sexual. Era ali que os residentes diziam suas ora��es cinco vezes por dia, seguiam os of�cios gn�sticos, sacrificavam animais, invocavam os dem�nios e entregavam-se aos ritos sexuais.
O v�cio de Crowley em hero�na e coca�na mostrou-se fora de controle. Aqui ele escreveu o livro "Diary of a Droug Fiend" (Di�rio de um Viciado), onde conta sua luta contra o v�cio atrav�s de uma novela onde sua pessoa divide-se em um casal com este mesmo objetivo. Tamb�m neste grupo a morte foi o resultado para muitos deles, com a morte de Poupee (sua filha com Leah Hirsig) enquanto Crowley viajava por Londres, Paris e a Abadia. Foi tamb�m quando um de seus seguidores, Raoul Loveday, morreu em conseq��ncia da �gua impura do local. Com isto o destino da Abadia estava selado.
Dos rituais m�gicos praticados em Thelema fazia parte o que se segue, conforme a narra��o de testemunhas oculares: Lea Hirsig ficava de quatro no ch�o e era possu�da por tr�s por um bode (s�mbolo da fecundidade). No memento do orgasmo, Crowley decepava a cabe�a do bode de tal forma que todo o corpo da �mulher carmesim� fosse banhado pelo sangue.

Uma mulher, Betty May Loveday, que n�o gostava de Crowley, devido ao dom�nio total que exercia sobre seu marido, termina abandonando a �Abadia� e escreve um artigo para o jornal ingl�s Sunday Express, onde denuncia c�pulas com animais e sacrif�cios de sangue. Betty vendeu sua hist�ria ao tabl�ide londrino The Sunday Express, que publicou uma s�rie de artigos sobre magia; chamavam-no de �o Papa da Magia Negra�. Crowley achou gra�a e zombou do caso, mas n�o desmentiu. Ela contou que certa vez a gata da casa, Mischette, foi condenada � morte por ter arranhado seriamente o mago. "Voc� n�o sair� daqui durante tr�s dias, at� a hora do sacrif�cio", ordenou Crowley. Betty Loveday fez tudo para salvar a gata: levou-a para longe, expulsou-a de casa, etc. A gata voltava sempre ao lugar indicado e aguardou sem comer nem beber no momento da morte.
As autoridades sicilianas pedem que ele abandone o local. Estas reportagens, al�m das suspeitas e boatos sobre missas negras e orgias de sangue, levaram o ditador Benito Mussolini (rec�m-empossado no governo da It�lia) a expulsar Crowley da It�lia em 1923.
Mas, em 1925, com o falecimento de Theodor Reuss, Crowley � convocado para uma reuni�o internacional da O.T.O., onde os rumos dessa Ordem seriam tra�ados. Crowley � convidado a ser o Chefe Internacional da Ordo Templi Orientis.
Ao que parece, pelo resto de sua vida, Crowley nunca mais conseguiu recuperar-se desse golpe. Sua vida p�blica perdeu cada vez mais o seu significado, transformando-se numa luta constante pela mera sobreviv�ncia, pelo dinheiro de cada dia e pela droga de que necessitava diariamente, at� vir a cair no esquecimento.
Depois da expuls�o da It�lia, mudou-se para a Tun�sia, e voltou para a Fran�a, de onde foi expulso em 1929 sob acusa��o de ser agente alem�o. Neste ano deu-se a publica��o do livro "Magick: In Theory and Practice". Viajou para a Am�rica, mudou-se para a Alemanha.
Crowley casou-se em Londres pela segunda vez, com sua amante, Maria Tereza de Miramar, no mesmo ano em que eles, juntamente com seu amigo e secret�rio Israel Regardie foram expulsos da Fran�a, 1929.
Em 1930 encontra com o poeta portugu�s Fernando Pessoa, que corrigira seu mapa astral. Pessoa, tamb�m interessado pelos assuntos do oculto, ajuda numa simula��o do suic�dio de Crowley, ele tamb�m traduz algumas poesias de Crowley.
Financeiramente, a d�cada de trinta proporcionou algumas atribula��es � Crowley: perde o processo que estava movendo contra Nina Hamnett e Constance & Co e vai � fal�ncia em 1935. Foi durante este processo que um juiz rotulou-o como sendo "o pior homem na face da Terra". Segue publicando obras, como �o Equin�cio dos Deuses�, �Oito Li��es de Yoga� e seus �Confessions�.
Quando a II Guerra Mundial estourou em 1939, as comunica��es internacionais foram cada vez mais interrompidas e as viagens de civis eram limitadas. Crowley ficou muito dependente de seus representantes estrangeiros, estando impossibilitado de viajar ele mesmo.
Crowley e acabou se estabelecendo em Hastings, Inglaterra, onde passou seus �ltimos quinze anos.
A casa existe ainda hoje. Um coronel da avia��o aposentado mora ali com sua fam�lia. Em 1955 e.v. o cineasta Kenneth Anger rodou um curto document�rio sobre a Abadia de Thelema, que havia sido exorcisada ap�s a partida de Crowley. Os murais que Crowley havia pintado tinham recebido uma grossa camada de tinta branca por cima, a qual teve de ser retirada para revelar esta e outras evid�ncias f�sicas da passagem de Crowley pelo local.
OS �LTIMOS ANOS DE CROWLEY
Expulso da Sic�lia, proibido de entrar na Fran�a, � abandonado por seus amigos e aumenta seu consumo de hero�na.
Crowley perdeu muito dinheiro publicando seus pr�prios livros e os vendendo a pre�o de banana. E a incompet�ncia de um tesoureiro da O.T.O., que perdeu um galp�o cheio de livros num lance mal entendido at� hoje, acabou causando sua bancarrota final. Sobreviveu de doa��es e venda de livros at� o fim da vida. E morreu em relativa mis�ria, ainda viciado em hero�na, pouco tempo depois de terminar seu �ltimo trabalho, um livro sobre o Tar� que Lady Frieda Harris havia pintado com suas indica��es.

O �ltimo endere�o de Crowley foi Netherwood, Hastings, na Inglaterra, onde passou a viver a velhice numa pequena pens�o, em condi��es de pen�ria, sustentado gra�as �s esmolas de uns poucos adeptos, que ainda reconheciam sua for�a. Estes lhe possibilitaram ao menos sua dose di�ria de hero�na. A� ele morreu, em em 1� de dezembro 1947, aos 72 anos, em decorr�ncia da fragiliza��o de seu estado de sa�de causado pela asma cr�nica que o atormentava e problemas card�acos (degenera��o do mioc�rdio, destru�do pelas drogas). Deixou uma grande parte de material, em boa parte ainda in�dito, e diversos seguidores espalhados pelo mundo que se multiplicam em grupos e repetem, mais ou menos fielmente, seus ensinamentos. No dia 5 de dezembro seu corpo foi cremado em Brighton, em uma cerim�nia assistida por por um reduzido n�mero de admiradores e disc�pulos. � realizada a cerim�nia que ficou conhecida como "O �ltimo Ritual", com a leitura de trechos da Missa Gn�stica, e de seu Hino a P�. Realizara-se, assim, a �ltima vontade da Besta.
At� sua morte, estava constantemente trabalhando, publicando livros e panfletos, escrevendo poemas e inumer�veis cartas para pessoas de todas as partes do mundo.
O TAR� DE CROWLEY
Inspirado na magia sexual e nos mais antigos s�mbolos do ocultismo, o pol�mico mago ingl�s Aleister Crowley criou um Tar� poderos�ssimo: O Tar� de Crowley, tamb�m chamado de Livro de Toth, um dos mais populares da atualidade. Considerado pelo autor como or�culo da Nova Era, porque desvincula o or�culo das tradi��es restritivas, o Tar� tamb�m resgata o sentido tradicional dos arcanos ao trocar o nome de algumas cartas, por exemplo, para Crowley, a carta da For�a do Tarot, que ele renomeou Lust (lux�ria, desejo, tes�o), � uma representa��o de Babalon cavalgando a Besta. A carta da For�a corresponde ao Caminho entre Hesed e Gevurah, origem das for�as m�gickas thel�micas, e, segundo seu O Livro de Toth, "esta carta retrata a vontade do Aeon".

Ap�s ter lan�ado um op�sculo sobre o Tar� em 1912, baseado nos ensinamentos da Golden Dawn, da qual fez parte, resolveu produzir um novo modelo pict�rico que pudesse abranger e tipificar as influ�ncias que advinham, segundo ele, de uma nova Era assim chamada Aquarius-Leo. Crowley uniu-se a Lady Frieda Harris para corrigir e atualizar o Tarot Medieval. O trabalho que inicialmente deveria durar 3 meses, acabou se estendendo por 5 anos. O projeto come�ou em 1938 e foi completado cinco anos mais tarde em 1943.
A primeira edi��o do Tarot de Crowley foi feita por Carr Collins e a sua Funda��o do Santo Graal, apenas em preto e branco. Em 1969 um editor de livros de ocultismo lan�aria a primeira edi��o em cores, mas de p�ssima qualidade. Apenas em 1979 � que o Tarot foi publicado com o padr�o de qualidade requerido para um trabalho desta natureza.
Enquanto Harris preparava suas aquarelas a partir dos esbo�os e descri��es de Crowley. Este permitiu que ela exercitasse amplamente o seu not�vel senso visual; por�m os t�tulos, os desenhos em geral, os s�mbolos e esquemas de colabora��o, enfim, tudo que � derivado da teoria esot�rica, veio de Crowley, que teve a aprova��o final.Os quadros originais s�o em aquarela, variando entre 30 e 40 cm x 29 cm de largura.
O Tar� de Crowley tem 80 cartas, o que inclui 3 vers�es da carta do Magus (Mago). Existem ainda v�rias especula��es sobre a feitura delas, algumas variam desde a lenda dos Tr�s Reis Magos at� as tr�s linhas de magia, negra, branca e cinzenta.
As tr�s cartas do Mago (Magus) do Tar� de Crowley
FONTES DA PESQUISA:
Revista �Planeta�, Mar�o de 1973.
Revista �Planeta� n.98, novembro 1980 � Aleister Crowley, Magia para todos, p�g. 23 � por Paulo Coelho.
Sites oficiais das institui��es citadas.