ALQUIMIA

 

 

 

    A alquimia surgiu provavelmente no Egito, como sugere a raiz grega do nome (khemia = transmutação, fusão, mistura) e corresponde ao nome copta do Egito (Khem = terra negra), segundo Plutarco. Alguns opinam que a palavra está relacionado com o vocábulo grego "chyma", que se relaciona com a fundição de metais. Os árabes (que invadiram o Egito em 640), incorporaram esse vocábulo na forma Al-Kimiya (transformação através de Alá).

 

    Associada ao culto do deus Thoth, que se tornou Hermes na Grécia Antiga e Mercúrio, em Roma, mas a lenda cristã a atribui aos anjos, que ensinaram os segredos da natureza a alguns homens ao apaixonarem-se pelas mulheres terrenas.

 

    A Alquimia possuí três objetivos, o primeiro é transmutar metais inferiores em ouro, o segundo fabricar o Elixir da Longa Vida e o terceiro é a criação de vida humana artificial a partir de materiais inanimados (homúnculos). Não se pode duvidar da influência que a tradição judaica teve neste aspecto, pois na Cabalá existe a possibilidade de dar vida a um ser artificial, o Golem.

 


O Golem, filme alemão, 1920.

 

    O conceito do homúnculo (do latim, homunculus, pequeno homem) parece ter sido usado pela primeira vez pelo alquimista Paracelsus para designar uma criatura que tinha cerca de 12 polegadas de altura e que, segundo ele, poderia ser criada por meio de sêmen humano posto em uma retorta hermeticamente fechada e aquecida em esterco de cavalo durante 40 dias. Então, segundo ele, se formaria o embrião. Outro Alquimista famoso que tentou criar homúnculus foi Johanned Konrad Dippel, que utilizava técnicas bizarras como fecundar ovos de galinha com sêmen humano e tapar o orifício com sangue de menstruação. No entanto, também é possível que o homúnculo seja quer uma alegoria, quer uma interpretação demasiado literal das imagens alegóricas alquímicas respeitantes à criação, Essas imagens comportam, muitas vezes, a representação de um ser emblemático, humano, animal ou quimérico, numa retorta.

 

    O trabalho relacionado com a Pedra Filosofal era chamado por eles de "A Grande Obra", pois segundo a lenda, era um objeto que poderia aproximar o homem de Deus. A Pedra Filosofal (ou Mercúrio dos Filósofos, como também era chamada) era o principal objetivo dos alquimistas ocidentais, poderia não só efetuar a transmutação, mas também elaborar o Elixir da Longa Vida, uma panacéia universal, que prolongaria a vida indefinidamente. Isto demonstra as preocupações dos alquimistas com a saúde e a medicina. Vários alquimistas são considerados precursores da moderna medicina, e entre eles destaca-se Paracelso. Mas a lenda sobre a Pedra Filosofal não fazia parte da Alquimia Chinesa.

 

    Segundo a descrição de centenas de manuscritos antigos e livros modernos, a Pedra Filosofal não é uma substância sólida, mas uma substância composta, que podia ser quase líquida ou gel. A descrição mais comum é um pó pesado e vermelho, às vezes uma pedra vermelha. Mas também podia ser um material ceroso amarelo, algo como o âmbar. uma substância mística que amplifica os poderes de um alquimista

 

 

    Paracelso é o pseudônimo de Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, (1493 - 1541). Seu pseudônimo significa "superior a Celso (médico romano)".

 

 

A busca pela Pedra Filosofal é, em certo sentido, semelhante à busca pelo Santo Graal das lendas arturianas.

 

    Segundo os alquimistas europeus, o Elixir da Longa Vida poderia ser sintetizado por meio da Pedra Filosofal. Também segundo eles, o elixir poderia prolongar a vida somente até que um acidente os matasse, ou seja, não é um elixir da imortalidade.

 

    Na concepção alquímica, o Universo originou-se de uma substância única, indiferenciada (matéria prima ou quintessência) [o que ela tem de comum com a moderna cosmologia, que se sustenta na Física Quântica e sua Teoria das Membranas], a qual polarizou-se em princípios ativo e passivo, derivando daí o mundo manifesto. Este azoth alquímico corresponde ao conceito ocultista da luz astral (o mesmo veículo ao qual se referem os médiuns que lidam com cura espiritual ou materializações) [que também encontra suporte no desconhecimento de 95% da matéria que compõe o Universo que nos cerca, sendo essa matéria desconhecida chamada de Matéria Escura].

 

    A Alquimia nasceu como uma ciência natural que buscava a compreensão da própria natureza a partir de uma especulação filosófica, como se pode ver já na filosofia pré-socrática no século VI a C. É dela que nasce o conceito de prima matéria a partir da crença de que o mundo tinha origem em uma única substância que era subdividida nos quatro elementos terra, ar, fogo e água, os quais, segundo diferentes recomposições faziam surgir todos os objetos físicos existentes no universo.

 

    A Arte imita a Natureza, diz um lema alquímico. O trabalho dos alquimistas em seu laboratório era acelerar, ou fazer dentro de condições controladas  (laboratoriais), aquilo que a natureza demoraria anos para fazer. Os alquimistas trabalhavam em seus fornos, com vasos semelhantes a úteros, lidando com o fogo, com o calor adequado a cada operação. Eles registravam passo-a-passo os procedimentos, mas os ingredientes são desconhecidos. Os “verdadeiros” alquimistas não divulgam seu sucesso, a não ser por pseudônimo, por receio de serem torturados para revelar o segredo. Durante a Idade Média muitos alquimistas foram julgados pela Inquisição, e condenados à fogueira por alegado pacto com o diabo. Por isto, até os dias de hoje o enxofre, material usado pelos alquimistas, é associado ao demônio.

 

    É reconhecido que, apesar de não ter caráter científico, a Alquimia medieval, foi uma fase importante na qual se desenvolveram muitos dos procedimentos e conhecimentos que mais tarde foram utilizados pela Química. Diversas novas substâncias foram descobertas pelos alquimistas. Sua obsessão pela transmutação levou ao desenvolvimento da mineração e da metalurgia, e essas artes, originalmente sagradas, desencadearam uma revolução científica e tecnológica que não apenas alterou o nosso modo de viver e de pensar como modificou todo o rumo tomado pela evolução.

 

O Elixir Vermelho enquanto pequeno Rei na retorta

 

    Com o florescimento do conhecimento científico, constatou-se que a transmutação alquímica, conforme defendida pelos alquimistas, é impossível. Sabe-se que a transmutação implica na alteração dos núcleos atômicos e estes se encontram fortemente unidos, e a energia envolvidas nas reações químicas são insuficientes para rompê-los ou alterá-los. Ironia do destino, o desejo dos alquimistas de transmutar os metais tornou-se realidade nos nossos dias com a fissão e a fusão nuclear... Mas esse é um ouro caro! E fabricamos não só ouro, mas diamantes de alta qualidade!

 

    No entanto, os alquimistas tradicionais, "metálicos", continuam a existir e agora apresentam os seus trabalhos na Web, em sites, forums e blogs, incluindo fotografias das substâncias necessárias ou que vão obtendo, ou dos seus equipamentos, bem como os seus próprios comentários à obra de outros autores, clássicos e contemporâneos.

 

    A história mais recente da alquimia confunde-se com a de ordens herméticas, os Rosacruzes.

 

    Hoje em dia a alquimia está voltando a se evidenciar o dia-a-dia das pessoas com best-sellers como Harry Potter, O Alquimista e O Código da Vinci.

 

 

        HISTÓRIA - Podemos dividir a história da Alquimia em dois movimentos independentes: a Alquimia Chinesa e a Alquimia Ocidental, esta última desenvolvendo-se ao longo do tempo no Egito (em especial Alexandria), Mesopotâmia, Grécia, Roma, Índia, Mundo Islâmico e Europa.

 

    Na cidade de Alexandria, no Egito, a alquimia recebeu influência das filosofias gregas de Aristóteles e do neoplatonismo. Foi graças às campanhas de Alexandre, o Grande que a Alquimia se disseminou em todo o oriente. E foram os muçulmanos que a levaram novamente para a Europa, em razão da conquista Islâmica da Península Ibérica, ao redor do ano de 950. Além de na Alquimia medieval estarem vários traços da cultura muçulmana, está também presente traços da cabala judaica, com a qual a Alquimia possui forte relação.

 

    Todavia, os primeiros registros escritos datam do tempo de Cristo, mas apontam que já eram velhos os sistemas usados. Um dos primeiros é atribuído a Maria, a Judia, deve datar entre 1 e 300 d.C. Esta sábia alquimista teria sido a responsável pela criação do processo conhecido como “banho Maria”.

 


Maria a Judia foi uma filósofa e alquimista grega que viveu no Egito.

 

    São fáceis de achar textos judeus, egípcios e árabes sobre a alquimia. Estudiosos europeus logo traduziram e tentaram a Transmutação.

 

    Os filósofos do oriente médio, entre o VI0 e VII0 século afirmavam que alguns deles conheciam o segredo da fabricação da Pedra Filosofal. O processo era perigoso. Podia haver envenenamento por gás monóxido de carbono, pois trabalhavam em ambientes fechados, ou envenenamento por metais, como o mercúrio. Tais insucessos eram atribuídos aos espíritos malignos, que tentavam desviar o buscador de seu caminho.

 

    Em muitos países a alquimia era uma arte proibida, pois poderia desestabilizar não só o país, mas o mundo, com uma quantidade muito grande de ouro e outros metais nobres. Existia uma exceção: o alquimista real.

 

    O que se sabe é que esteve em evidência nos séculos XVI – XVII, quando atingiu o seu desenvolvimento completo, graças, em grande parte ao trabalho de Paracelso (1493-1541) e seus alunos. O auge da alquimia ocidental durou c. de 300 anos.

 

    O século XVIII marca o desaparecimento da Alquimia já que o seu "método de explicação: "obscurum per obscurius, ignotum per ignotius" ( = obscuro pelo mais obscuro e o desconhecido pelo mais desconhecido), era incompatível com o espírito do iluminismo e particularmente com o alvorecer da ciência química, no final do século. Após a Renascença a Alquimia passou a ser chamar Química.

 

    A ALQUIMIA CHINESA - Está associada ao Taoísmo e parece ter evoluído quase ao mesmo tempo que em Alexandria ou na Grécia. Há um mito que diz que a alquimia chinesa já era usada em 4.500 a.C., tendo dado origem ao Taoísmo. Entretanto os textos alquímicos começaram a surgir somente na dinastia Tang, em torno de 600 a.C.

 

 

    O seu principal objetivo era fabricar o Elixir da Longa Vida (também chamado por eles de Elixir do Retorno, Pílula da Imortalidade), que segundo eles, estava relacionado com fabricação do ouro, não havendo a Pedra Filosofal e o Homunculus, que tratam-se de conceitos puramente ocidentais. As escritas dos antigos chineses citam a "Ilha dos Bem Aventurados", a morada dos imortais. Também havia uma corrente de pensamento que dizia que o elixir era capaz, além de ceder a vida eterna, fazer o alquimista ir ao paraíso e viver com os imortais. Note-se que na China o ouro não possuía o mesmo valor que no Ocidente, não se trata de buscar o ouro alquímico com o objetivo de enriquecer, mas sim de se aperfeiçoar. É deste modo que o ouro fabricado possui muito mais importância por concentrar nele a sabedoria de sua produção, enquanto o ouro natural é considerado apenas matéria bruta, embora a mais perfeita da natureza. Na filosofia védica da Índia ao redor do ano 1.000 a.C. também havia uma relação entre o ouro e a imortalidade, essa idéia talvez tenha sido passada da Índia para a China ou vice-versa. Esta idéia provavelmente foi adquirida dos gregos, quando Alexandre, o Grande invadiu a Índia no ano de 325 a.C. e teria procurado a fonte da juventude.

 

    Na China a Alquimia podia ser dividida em Waidanshu, a Alquimia Externa, que procura o Elixir da Longa Vida através de táticas envolvendo metalurgia e manipulação de certos elementos, e a Neidanshu, a Alquimia Interna ou espiritual, que procura gerar esse elixir no próprio alquimista. A medicina tradicional chinesa herdou da Waidanshu as bases da farmacologia tradicional e da Neidanshu as partes relativas ao chi (pronuncia-se qi = energia). Muitos dos termos usados hoje na medicina chinesa provém da sua forma de Alquimia.

 

    A Alquimia Chinesa não está diretamente ligada à metalurgia, talvez por carecer de minérios ou pelo devagar desenvolvimento dessas técnicas na China. Esta prática possui características próprias e outras semelhantes à do ocidente.

 

    Muito daquilo que sabemos sobre a Alquimia Chinesa encontra-se no Segredo da Flor de Ouro.

 

Comentário ao texto taoísta do mesmo nome. Compara a filosofia taoísta com os conceitos da psicologia analítica da anima e animus, movimento circular, mandala e a desintegração da consciência.

 

 

    O livro alquímico chinês mais famoso é o Tan chin yao chüeh (“Grandes Segredos da Alquimia"), provavelmente escrito por Sun Ssu-miao (viveu em torno de 581-673 d.C.)

 

    A pólvora foi primeiramente descoberta por acidente por alquimistas chineses no século IX que procuravam pelo elixir da longa vida.

 

    A partir do século X a Alquimia na China abdicou da preparação de ouro e centrou-se mais na espiritualidade. Em vez de fazerem experiências alquímicas com metais, a maioria dos alquimistas as faziam diretamente com seu corpo e espírito. Essa volta a uma ciência espiritual teve seu ápice no século XIII com as práticas da escola Zen e o Taoísmo Budista.

 

 

        SIMBOLISMO - De um modo geral, o processo alquímico é descrito de forma velada usando-se uma complicada simbologia que inclui símbolos astrológicos, animais e figuras enigmáticas. Os termos alquímicos, desde os mais simples até aos mais complicados, não podiam ser catalogados em um dicionário, pois eram usados com sentidos diferentes, até por uma mesma pessoa.

 


O sal é normalmente representado por um leão verde.

 

 

    Agravada pelo uso de nomes em latim. Podemos citar alguns desses processos alquímicos: mortificatio (morte), sublimatio (passar do sólido para o gasoso - sublimação), coagulatio (coagulação), calcinatio (queima), solutio (dissolver com água), putrefatio (decomposição da carne), separatio (separação), coniunctio (união), tinctur (tintura ou união) e daí por diante. A própria palavra "hermético" sugere a dificuldade dos textos dos autores alquímicos. Esta tem por causas:

 

  • Os autores se referirem às substâncias e processos por nomes próprios à Alquimia,

  • Haver vários processos (vias) de operação que não são explicitados,

  • A maioria das substâncias serem referidas com perífrases elaboradas,

  • A existência de muitas referências mitológicas e cultas,

  • O uso de palavras que, lidas em voz alta, produzem uma outra,

  • O não apresentar partes de processos, referindo o leitor a outro autor,

  • O não apresentar as operações por ordem,

  • O enganar propositadamente o leitor.

 

    Em alguns casos a exposição é feita apenas, ou predominantemente, por gravuras alegóricas. As finalidades deste obscurecimento eram proteger-se de perseguições e não deixar os processos cair na via pública.

 

 

 

 

    As matérias-primas do processo alquímico são, entre outros, o orvalho, o sal, o mercúrio e o enxofre. Mas esses nomes podem ser simbólicos ou codificados. O orvalho é utilizado para umedecer ou banhar a matéria-prima. O sal é o dissolvente universal. O sal, também conhecido por arsênico, é o meio de ligação entre o mercúrio e o enxofre, muitas vezes associado à energia vital, que une corpo e alma. Os outros dois elementos, mercúrio e enxofre são as principais matérias-primas da alquimia. O enxofre é o princípio fixo, ativo, masculino, que representa as propriedades de combustão e corrosão dos metais. O mercúrio é o princípio volátil, passivo, feminino, inerte. Ambos, combinados, formam o que os alquimistas descrevem como o "coito do Rei e da Rainha".

 

    Também é muito freqüente o uso de símbolos da astrologia na linguagem alquímica. Associam-se os planetas da astrologia com os elementos da seguinte forma:

 

  • O Sol com o ouro

  • A Lua com a prata

  • Mercúrio com mercúrio

  • Vênus com o cobre

  • Marte com o ferro

  • Júpiter com o estanho

  • Saturno com chumbo

 

 
O macho filosófico (o enxofre), mistura-se com a fêmea (o mercúrio), formam um só corpo, dito hermafrodita ou andrógino, a cabeça de corvo.

 

    A linguagem dos textos alquímicos com freqüência faz uso de imagens sexuais. E não é muito incomum que a ligação de elementos seja comparada a um "coito". Normalmente este casamento é associado à morte, e é representado, com freqüência, ocorrendo dentro de um sarcófago. Enquanto a união de ambos os elementos é representada por um "casamento" ou "coito", o combate entre o enxofre e mercúrio, entre o fixo e o volátil, entre o masculino e o feminino é comumente representado pela luta entre o dragão alado e o dragão áptero.

 

    Apesar de todas as diferenças encontradas nas instruções dos alquimistas, pode-se notar, contudo, uma concordância na maioria no que se refere aos pontos principais, isto é, os quatro estágios do processo alquímico, marcados pelas cores originárias já presentes em Heráclito: melanosis (enegrecimento), leukosis (embranquecimento), xanthosis (amarelecimento) e iosis (enrubescismento) ou respectivamente nigredo, albedo, (...), rubedo.

 

 


O corvo simboliza a fase de putrefação do processo alquímico, que assume uma cor negra. Enquanto que um tonel de vinho representa a fermentação, fase muito freqüentemente citada pelos alquimistas no processo alquímico.

 

 

        POSTULADOS ALQUÍMICOS - São quatro os postulados básicos da alquimia:

 

  1. A unidade do princípio material (matéria prima primordial);

  2. Evolução da matéria (todos os elementos são radioativos, uns mais outros menos, de forma que ao longo de milhões de anos, mesmos os átomos considerados estáveis, sofrem transformações análogas à dos elementos instáveis);

  3. Os elementos químicos representam estados de evolução (sendo o ouro o mais perfeito);

  4. A transformação é o resultado de uma evolução natural ainda desconhecida do homem, a qual é possível reproduzir em laboratório, sendo este trabalho ao mesmo tempo espiritual e material (ora et labora = reza e trabalha; de onde vem a palavra “laboratório” = labor + oratório).

 

    Segundo Frater Albertus, "ervas, animais e metais - tudo cresce a partir da semente". Esta "semente" é denominada spiritus ou astra. Os metais, como seres vivos, podem estar sujeitos a “doenças” diversas (a oxidação ou ferrugem seria um exemplo), como comprovam alguns experientes radiestesistas ou radiônicos, inclusive os metais podem até “morrer”, e geralmente os que normalmente empregamos estão realmente mortos, uma vez que perderam seu spiritus. O uso de alguns destes metais “adoecidos” ou de ligas metálicas cuja combinação se origina de metais de caráteres diversos, pode precipitar o surgimento de diversos males.

 


Frater Albertus Spagyricus
(Dr. Albert Richard Riedel)
5/5/1911 - 14/7/1984

 

    Segundo a filosofia alquímica e os princípios da magia, os sete metais planetários são os que mais acumulam spiritus de natureza análoga à "influência" planetária correspondente. Eles apresentam um ritmo energético oscilante, de acordo com a posição do astro a ele associado (é o "biorritmo" do metal).

 

    Como o próprio Hahnemann (fundador da Homeopatia) comprovou, as coisas que são de alguma maneira semelhantes na natureza de suas vibrações características têm afinidade entre si. Isto é conhecido como "Princípio das Correspondências ou Concordâncias". Os Florais e a Homeopatia baseiam-se em princípios elementares da Alquimia Herbácea (alquimia vegetal, que compõe a "Pequena Circulação", em contraposição à Alquimia Mineral ou "Grande Circulação"). Em ambos os casos, o princípio ativo é a quintessência dos elementos impregnada num catalisador (que no caso da aplicação vegetal pode ser água ou álcool, e na mineral geralmente um ácido).

 

 
Christian Friedrich Samuel Hahnemann

 

    Os alquimistas acreditavam que o mundo material é composto por matéria-prima sob várias formas, as primeiras dessas formas eram os quatro elementos (água, fogo, terra e ar), divididos em duas qualidades: úmido (que trabalhava principalmente com o orvalho), Seco, Frio ou Quente. As qualidades dos elementos e suas eminentes proporções determinavam a forma de um objeto, por isso, os alquimistas acreditavam ser possível a transmutação: transformar uma forma ou matéria em outra alterando as proporções dos elementos através dos processos de destilação, combustão, evaporação, etc.

 

    Por outro lado, um grande número de alquimistas afirmava: “as vias usadas no processo são duas e as chamamos de seca e úmida (ou a do sábio e do filósofo)”. Uma é mais rápida do que a outra; no entanto, é muito mais arriscada. A via seca era sempre mais rápida, realizada no Athanor (forno) aberto, com fogo direto, vivo e forte e numa espécie de panela que normalmente era chamada de ‘cadinho’. A via úmida era mais eficaz, porém mais lenta. Normalmente feita em um recipiente fechado que levava o nome de ‘retorta’ ou ‘pelicano’ e cozinhada em fogo brando por bastante tempo. O forno também era fechado e muito maior do que na via seca.

 

    A maioria dos escritores dividia a via úmida em quatro estágios principais, que por vezes, também ter significado espiritual, e os associava a cores e suas vibrações. Como não podia deixar de ser, os nomes eram em latim:

 

    Segundo os alquimistas a matéria passaria por quatro estágios:

 

  • Nigredo: ou Operação Negra, é o estágio em que a matéria é dissolvida e putrefada (associada ao calor e ao fogo);

  • Albedo: ou Operação Branca, é o estágio em que substância é purificada;

  • Citrinitas: ou Operação Amarela, é o estágio em que opera-se a transmutação dos metais;

  • Rubedo: ou Operação Vermelha, é o estágio final.

 

    Entre a Nigredo e o Albedo, há a fase da Cauda Pavonis (cauda do pavão ou arco-íris). Deve ser por isso que se diz que no fim do arco-íris está um pote de ouro. O problema é que nunca encontramos o fim do arco-íris, mas na maioria das vezes o caminhar é o verdadeiro tesouro.

 

    Os processos apresentam perigo real de explosão (algumas composições tratam-se de reações violentas, que se aproximam da pólvora), queimaduras (temperatura próximas dos 1000°C e quase sempre acima dos 100°C, ácidos e bases fortes), envenenamento (gases) e toxicidade por metais (Mercúrio, Antimônio, Chumbo). Os perigos psicológicos são também reais, em conseqüência de trabalho excessivo, concentração prolongada, frustração repetida, falta de repouso, por vezes isolamento, estímulos à imaginação, etc.

 

 

    O processo se dá com quatro operações:

 

 

 

 

 

    As cores que a matéria assume no decorrer das operações da obra são signos demonstrativos, que permitem saber que se agiu de maneira a ter êxito. Elas sucedem imediatamente e por ordem. A perturbação desta ordem é uma prova de que se operou mal. Há três cores principais: a primeira é negra, chamada cabeça de corvo, serpentes, dragões e muitos outros nomes.

 

    A segunda cor é o branco. Essa matéria, dita fumaça branca, é considerada como a raiz da arte, o verdadeiro mercúrio dos filósofos. A formação dessa brancura desejada anuncia-se por um círculo capilar de cor alaranjada, que aparece ao redor da matéria, nos lados do recipiente.

 

    A matéria ao deixar  a cor negra, não se torna branca de repente; a cor cinzenta, que participa das duas é a intermediária. Os sábios lhe deram o nome de Júpiter porque ela sucede ao negro, que eles chamam de Saturno. A matéria que se fixou na parte inferior do vaso é Júpiter. Essa matéria branca é, desde então, um remédio universal para todas as doenças do corpo humano.

 

    A terceira cor primordial é o vermelho, que se obtêm continuando o cozimento da matéria. Deve-se saber que, para despistar os garimpeiros, a maioria dos sábios começam seus tratados da Obra com a pedra vermelha. Nessa operação, o corpo fixo se volatiliza; sobe e desce no vaso até que o fixo, tendo vencido o volátil, o precipite ao fundo com ele, não fazendo mais do que um corpo de natureza absolutamente fixa.

 

    As três cores – preta, branca e vermelha – devem necessariamente sucederem-se na ordem que acabamos de indicar. Não são as únicas que se manifestam. Indicam as mudanças essenciais que ocorrem na matéria, enquanto as outras cores, quase indeterminadas e semelhantes ao arco-íris, são passageiras e de curta duração; afetam antes o ar do que a terra, repelem umas às outras e dissipam-se para dar lugar às três cores principais, das quais estamos falando.

 

 

 

        ALQUIMISTAS FAMOSOS

 

    Antrodo Phileas - Nasceu em 1600 na Itália, tendo se aproximado da cabala e alquimia por influência de Uriel Acosta. Interessado em dispositivos mecânicos, tentou desenvolver uma máquina de moto perpétuo. Dedicou muitos anos à pesquisa da transmutação dos metais e à busca da pedra filosofal. Ao final da vida, escreveu o livro "Relatos de Aquim", do qual não se conhecem mais do que alguns fragmentos obscuros.

 

    Albert Poisson (1868-1893) é um francês considerado um dos alquimistas mais famosos, também foi um filósofo e mestre das ciências. Sendo conhecido mundialmente pelas suas obras de alquimia. Aos 22 anos, em 1891, publicou sua principal obra alquímica Teorias e símbolos dos Alquimistas.

 

    Alberto, O Grande (Santo Alberto Magno ou Albertus Magnus) - Bispo de Regensburg, foi um Frade Dominicano que se tornou famoso por seu vasto conhecimento e por sua defesa da coexistência pacífica da ciência e da religião. Ele é considerado o maior filósofo e teólogo alemão da Idade Média, e foi o primeiro intelectual medieval a aplicar a filosofia de Aristóteles no pensamento cristão. Alberto dominava bem a filosofia e a teologia (matérias em que teve Tomás de Aquino como discípulo) e mostrou também grande interesse em ciências naturais a ponto de dispensar, com a autorização do Papa, o episcopado, para continuar a prosseguir os seus estudos e a sua investigação com tranqüilidade. A suas obras escritas encheram 22 grossos volumes e exemplificou como viver com equilíbrio e graça a fé que não contradiz a razão.

 

    Basilio Valentim - Foi um alquimista do século XV. Ele foi cônego do priorado beneditino de São Pedro em Erfurt, Alemanha. Não se tem certeza se este era mesmo o seu verdadeiro nome; durante o século XVIII foi levantado a hipótese de tratar-se de Johann Thölde. Até mesmo o ano de seu nascimento não é dado como certo. Ele demonstrou que o amoníaco podia ser obtido pela ação dos álcalis no cloreto de amônia, e como o ácido clorídrico poderia ser produzido da salmoura ácida. Foi ele quem primeiro descreveu um método de obtenção de antimônio (em 1492). Suas obras mais conhecidas são Doze Chaves de Basilio Valentim e A Carruagem Triunfal do Antimônio.

 

    Conde de St. Germain - Foi uma das figuras mais misteriosas do século XVIII. Tido como místico, alquimista, ourives, lapidador de diamantes, cortesão, cientista, músico e compositor. Segundo relatos antigos, era imortal e possuía o elixir da juventude e a pedra filosofal. Consta que ele faleceu em 1784, deixando muito pouca coisa para trás. Contudo, existem rumores de que St. Germain teria sido visto em 1835, em Paris, e em 1867, em Milão e no Egito, durante a campanha de Napoleão. Napoleão II mantinha um dossiê sobre ele. Annie Besant, uma teosofista, disse ter conhecido o conde em 1896. Outro teosofista, C. W. Leadbeater, disse tê-lo encontrado em Roma, em 1926. Vários relatos afirmam ter o Conde uma imagem imutável, pois sempre aparentava ter por volta de 45 anos. Madame d'Adhemar, biógrafa e dama da corte de Maria Antonieta, conheceu St. Germain, em Paris, perto de 1760 e relata, em suas memórias, datadas de 12 de maio de 1821, que havia reencontrado o Conde de St. Germain na vigília da morte do Duque de Berri, em 1815, ou seja, 55 anos após, e que incrivelmente, ele aparentava os 45 anos de sempre, não havia envelhecido. Segundo as memórias de Giacomo Casanova, o músico Rameau e Madame de Gergy juraram ter conhecido o Conde de St. Germain em Veneza, em 1710, usando o nome de Marquês de Montferrat, e tê-lo reencontrado com a imutável aparência, em 1775.

 

    Homem de personalidade hipnótica, freqüentava a corte ocasionalmente e se tornava o centro das atenções em qualquer reunião mas, estranhamente, nunca ninguém o viu comer ou beber o que quer que seja publicamente. Dizem que certa vez, o Conde de St. Germain assombrou a corte do rei Luís XV, quando o rei reclamou para si possuir um diamante de tamanho médio que, por ter um pequeno defeito, valia apenas seis mil libras e que, se tal falha não existisse, valeria pelo menos o dobro. St. Germain solicitou a pedra e, após um mês, devolveu-a ao joalheiro real, com o mesmo peso, sem que apresentasse a mínima anomalia. A origem de sua renda também é um enigma, pois era um homem rico, detentor de várias pedras preciosas, incluindo diamantes, que gostava de presentear, uma opala, de tamanho monstruoso, e uma safira branca, tão grande quanto um ovo, e de fartura em ouro, sem que se soubesse de onde procediam. Os diamantes que decoravam seus sapatos valiam a soma considerável de duzentos mil francos. "Um homem que sabe tudo e que nunca morre" disse Voltaire a respeito do Conde de St. Germain. Rumores afirmam que o Conde Cagliostro era seu discípulo. O Conde também tinha o hábito de aparecer subitamente em uma roda social e depois sumir por vários anos, sem deixar traços. A última menção ao Conde, feita por antigos cortesãos da corte de Luís XVI, foi em 1822, ocasião em que ele seguiu viagem para a Índia.

 

    Após a data de sua morte (de precisão incerta), várias organizações místicas o adotaram como figura modelo.

 

    Nicolas Flamel - (1330 - 1418), foi um dos maiores alquimistas da história. Casado com Dame Perrenele Flamel. Segunda a lenda teria fabricado a Pedra Filosofal, o Elixir da Longa Vida e realizado a Transmutação de metais em ouro por meio de um livro misterioso. Segundo a lenda, em torno de 1370, Nicolas Flamel encontrou um antigo livro que continha textos intercalados com desenhos enigmáticos, a história de sua vida poderia ser resumida na guarda deste livro, mesmo após muito estudá-lo, Flamel não conseguiria entender do que se tratava. Segundo a lenda, ele teria encontrado um sábio judeu em uma estrada em Santiago na Espanha, que fez a tradução do livro, que se tratava de Cabala e Alquimia, possuindo a fórmula para a Pedra Filosofal. Flamel, a partir de 1380, começa a se dedicar a alquimia prática. Segundo conta-se, consegue produzir prata em torno de 1382 e depois finalmente a transmutação em ouro. Cerca de dez anos mais tarde do início dos experimentos, começa a realizar um grande número de obras de caridade como a construção de hospitais, igrejas, abrigos e cemitérios e os decora com pinturas e esculturas contendo símbolos alquímicos.

 

    Segundo parece tanto Flamel como sua esposa gozavam de uma saúde invejável e não aparentavam a idade que tinham, segundo alguns devido aos conhecimentos alquímicos dele. Flamel faleceu em 1418, com mais de 80 anos, e sua casa foi saqueada por caçadores de tesouros e gente ávida por encontrar a Pedra Filosofal ou receitas concretas para sua preparação. A lenda conta que, na realidade, ambos, Flamel e Perrenelle, não morreram, e que em suas tumbas foram encontradas apenas suas roupas em lugar de seus corpos, eles teriam vivido graças ao Elixir, ao qual, Flamel também teria fabricado. Deixou um testamento escrito a seu sobrinho, em que revelava os segredos que descobrira sobre a Alquimia. O "Testamento de Nicholas Flamel" foi compilado na França no final dos anos 1750. O documento original foi escrito de próprio punho por Nicholas Flamel em um alfabeto codificado e criptografado que consistia em 96 letras. Um escrivão Parisiense chamado Father Pernetti o copiou e um Senhor de Saint Marc pôde finalmente quebrar o código em 1758.

 

    Escreveu "O Livro das Figuras Hieroglíficas" em 1399, "O Sumário Filosófico" em 1409 e "Saltério Químico" em 1414.

 

    Francis Bacon - Barão de Verulam (ou Verulamo ou ainda Verulâmio), visconde de Saint Alban. É considerado como o fundador da ciência moderna. Em suas investigações, ocupou-se especialmente da metodologia científica e do empirismo, sendo muitas vezes chamado de "fundador da ciência moderna". Francis Bacon foi um dos mais conhecidos e influentes rosacruzes e também um alquimista, tendo ocupado o posto mais elevado da Ordem Rosacruz, o de Imperator. Sua principal obra filosófica é o Novum Organum. Estudiosos apontam como sendo o real autor dos famosos manifestos rosacruzes, Fama Fraternitatis (1614), Confessio Fraternitatis (1615) e Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz (1616).

 

    Fulcanelli - (1839 - 1953) é o pseudônimo de um alquimista francês contemporâneo, autor de O Mistério das Catedrais (em 1926) e de As Mansões Filosofais (em 1930), duas famosas obras de Alquimia. Desconhece-se a sua verdadeira identidade, que continua ainda hoje envolta em mistério, há quem o identifique com Jean-Julien Champagne. Foi além de alquimista, um engenheiro politécnico de Pontes e Calçadas que durante a guerra Franco-Prussiana (1870-1871) defendeu Paris. Fulcanelli foi o mestre de outro alquimista famoso, Eugene Canseliet desde 1915. Desapareceu pouco antes da publicação do seu primeiro livro e só voltou a aparecer ao seu discípulo em 1953, na cidade espanhola de Sevilha. Entre 1922 e 1923, após supostamente receber um "Dom de Deus", teria produzido a Pedra Filosofal e operado uma transmutação de cem gramas de chumbo em ouro no laboratório da fábrica de gás de Sarcelles.

 

    John Dee - Um dos homens mais instruídos de seu tempo, já lecionava na Universidade de Paris antes de completar trinta anos. Era um divulgador entusiasmado da matemática, um astrônomo respeitado e um perito em navegação, treinando muitos daqueles que conduziriam as viagens exploratórias da Inglaterra. Ao mesmo tempo, estava profundamente imerso na filosofia hermética e na chamada magia angélica e devotou a última terça parte de sua vida quase que exclusivamente a este tipo de estudo.

 

    Lavoisier - Considerado o criador da Química moderna. Foi o primeiro cientista a enunciar o princípio da conservação da matéria. Além disso identificou e batizou o oxigênio, refutou a teoria flogística e participou na reforma da nomenclatura química. Célebre pela sua frase "Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma."

 

    Michael Sendivogius - Ele foi um dos poucos alquimistas que supostamente conhecia o segredo da Pedra Filosofal. E foi feito prisioneiro diversas vezes por príncipes alemães, que o torturaram a fim de que contasse sobre seus segredos. Um pioneiro da Química, ele desenvolveu formas de purificação e criação de vários ácidos, metais e outros compostos químicos. Descobriu que o ar não é uma substância única e contém uma substância revigoradora - mais tarde chamada de oxigênio - 170 anos antes de Scheele e Priestley. Ele corretamente identificou esse 'alimento da vida' com o gás (também oxigênio) desprendido por aquecimento do nitrato de potássio (salitre). Esta substância, o 'nitrato central', tinha uma importância central no esquema do universo de Sendivogius.

 

    Roger Bacon - (1214 — 1294), também conhecido como Doctor Mirabilis (Doutor Admirável em latim), foi um dos mais famosos frades de seu tempo. Ele foi um filósofo inglês que deu bastante ênfase ao empirismo e ao uso da matemática no estudo da natureza. Contribuiu em áreas importantes como a Mecânica, Filosofia, Geografia e principalmente Óptica. Ele descreve o método científico como um ciclo repetido de observação, hipótese, experimentação e necessidade de verificação independente. Ele registrava a forma em que conduzia seus experimentos em detalhes precisos a fim de que outros pudessem reproduzir seus experimentos e testar os resultados - essa possibilidade de verificação independente é parte fundamental do método científico contemporâneo. Roger Bacon também se destacou pelo seu trabalho de Alquimia, prática que, embora condenada pela Igreja medieval, ele exercia em segredo. pós seu trabalho ser descoberto pela Igreja, foi perseguido e preso por dez anos. Morreu pouco após sua liberdade ser concedida pela Inquisição, com oitenta anos de idade.

 

 

        ALGUMAS DAS PRINCIPAIS OBRAS DE ALQUIMIA

 

  • O Arcano Hermético (de Jean d'Espagnet)

  • Anfiteatro da Sabedoria Eterna (de Heinrich Khunrath)

  • Atalanta Fugiens (de Michael Maier)

  • Aurora Consurgens (de São Tomás de Aquino)

  • A Aurora dos Filósofos (de Paracelso)

  • Coelum Philosophorum (de Paracelso)

  • A Carruagem Triunfal do Antimônio (de Basílio Valentim)

  • Doze Chaves de Basilio Valentim (de Basílio Valentim)

  • As Seis Chaves (de Eudoxus)

  • A fabricação de Ouro (de Francis Bacon)

  • O Parentesco dos Três (de Wei Boyang)

  • Museu Hermético

  • Rosarium Philosophorum

  • Tabula Esmeragdina (de Hermes Trismegistus)

  • O Tratado Dourado (de Hermes Trismegistus)

  • Corpus Hermeticum (de Hermes Trismegistus)

  • Teorias e símbolos dos Alquimistas (de Albert Poisson)

  • Mutus Liber (editado por Eugene Canseliet)

  • As Moradas dos Filósofos (de Fulcanelli)

  • Teorias e símbolos dos Alquimistas (de Albert Poisson)

  • O Livro das Figuras Hieroglíficas (de Nicolas Flamel)

 

 

        A ALQUIMIA COMO TÉCNICA DE AUTO-TRANSFORMAÇÃO PSICOLÓGICA - A Alquimia é, antes de tudo, um sistema de autotransformação. O caminho é ao mesmo tempo espiritual e material. Muito do trabalho alquímico relacionado com os metais era apenas uma metáfora para um trabalho espiritual. Torna-se mais clara a razão para ocultar toda e qualquer conotação espiritual deste trabalho, na forma de manipulação de "metais", se nos lembrarmos que na Idade Média qualquer um poderia ser acusado de heresia e satanismo, acabando por ser perseguido pela Inquisição.

 

    Para o alquimista, o universo todo tendia a um estado de perfeição. Como, tradicionalmente, o ouro era considerado o metal mais nobre, ele representava esta perfeição. Assim, a transmutação dos metais inferiores em ouro representa o desejo do alquimista de auxiliar a natureza em sua obra, levando-a a um estado de maior perfeição. Portanto, a alquimia é uma arte filosófica, que busca ver o universo de uma outra forma, encontrando nele seu aspecto espiritual e superior. Assim, a transformação dos metais em ouro pode ser interpretada como uma transformação de si próprio, de um estado inferior para um estado espiritual superior. Outros consideram que as operações alquímicas e a transmutação do operador ocorrem em paralelo; existem, ainda, outras opiniões.

 

    A Psicologia moderna também incorporou muito da simbologia da alquimia. Carl Jung reexaminou a simbologia alquímica procurando mostrar o significado oculto destes símbolos e sua importância como um caminho espiritual. Os símbolos alquímicos sendo semelhantes aos símbolos de nossos sonhos, fantasias, dos mitos, das artes. Expressando portanto as profundidades da alma humana, onde somos todos semelhantes.

 

    A cor dourada e o ouro geralmente estão associados ao Self e à totalidade. Na interpretação de Jung, a obra alquímica é análoga ao processo de individuação, e a pedra filosofal é um símbolo do Self. Pondo em jogo sua intuição e sua teoria dos arquétipos, Jung encontrou uma correspondência entre as clássicas operações da Alquimia e as etapas já assinaladas que é necessário percorrer no caminho da Individuação. Tais operações alquímicas adquiriram, assim, uma significação simbólica. Todo o processo aparece como resultado de uma projeção arquetípica. A metáfora alquímica é um tema muito vasto e complexo par abordarmos aqui.

 

 


  
 Baphomet – Uma das mais controversas figuras da Alquimia/Cabala. Criada com o proposital intuito de afastar os leigos, os despreparados, os imaturos e as pessoas de “mente fraca”, que tomariam tal figura como sendo a de adoração do demônio. Repleta de simbolismo, a figura retrata o processo de auto-transformação, mascarando com figuras do imaginário religioso. A palavra "Baphomet" em hebraico é como segue: Beth-Pe-Vav-Mem-Taf. Aplicando-se a cifra Atbash (método de codificação usado pelos Cabalistas judeus), obtém-se Shin-Vav-Pe-Yod-Aleph, que soletra-se Sophia, palavra grega para "sabedoria".Quanto a esta figura, lembramos de que certo monge budista perguntou a um missionário cristão: “por que vocês veneram um instrumento de tortura [a cruz]?”

 

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