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B. PRIMEIRA PARTE: Gerenciamento da Qualidade na Fabricação
de Medicamentos: filosofia e elementos essenciais.
O gerenciamento da qualidade é o aspecto da função de
gerenciamento que determina e implementa a "Política da Qualidade",
ou seja, as intenções e direções globais relativas à qualidade, formalmente
expressam e autorizada pela administração superior da empresa.
Os elementos básicos do gerenciamento da qualidade são:
uma infra-estrutura apropriada ou "sistema de qualidade",
englobando a estrutura organizacional, os procedimentos, os processos e os
recursos;
ações sistemáticas e precisas para assegurar que determinado
produto (ou serviço) satisfaça as exigências quanto à sua qualidade. A
totalidade dessas ações é chamada "Garantia da Qualidade".
Dentro de uma organização, a Garantia da Qualidade serve
como ferramenta de gerenciamento. Em situações contratuais, a Garantia da
Qualidade serve também para gerar confiança no fornecedor.
Na fabricação e no fornecimento de medicamentos, o termo
"Garantia da Qualidade" engloba elementos tais como a estrutura
organizacional, os processos e os procedimentos.
Os conceitos de Garantia da Qualidade, de BPF e de Controle
de Qualidade são aspectos inter-relacionados do gerenciamento da qualidade. Estão
descritos neste Regulamento de forma que sejam enfatizadas as suas relações e a
fundamental importância para a fabricação de medicamentos.
1. Garantia da Qualidade
1.1. "Garantia da Qualidade" é a totalidade das
providências tomadas com o objetivo de garantir que os medicamentos estejam
dentro dos padrões de qualidade exigidos, para que possam ser utilizados para
os fins propostos. Portanto, a Garantia da Qualidade incorpora as BPF e outros
fatores, incluindo o projeto e o desenvolvimento de um produto, que não estão
contemplados na finalidade deste Regulamento.
1.2. Um sistema apropriado da Garantia da Qualidade,
aplicado à fabricação de medicamentos, deve assegurar que:
a) medicamentos sejam projetados e desenvolvidos considerando
a necessidade do cumprimento das BPF;
b) operações de produção e controle sejam claramente
especificadas por escrito e as exigências de BPF cumpridas;
c) responsabilidades gerenciais estejam claramente
especificadas, na descrição de cargos e funções;
d) sejam tomadas providências quanto à fabricação,
suprimento e à utilização correta das matérias-primas e materiais de embalagem;
e) todos os controles necessários sejam realizados nas matérias-primas,
produtos intermediários, produtos a granel e produto terminado, bem como
realizar outros controles necessários durante o processo, além das calibrações
e das validações;
f) produto terminado seja corretamente processado e
conferido, segundo procedimentos definidos;
g) medicamentos não sejam expedidos antes que o pessoal
autorizado confirme, que cada um dos lotes tenha sido fabricado de acordo com
os requisitos do registro e os regulamentos relevantes à produção, controle e
liberação;
h) sejam fornecidas instruções e tomadas as providências
necessárias para garantir, que os medicamentos sejam armazenados, distribuídos
e subseqüentemente manuseados, de forma que a qualidade dos mesmos seja mantida
por todo o prazo de validade;
i) haja procedimento de auto-inspeção e/ou auditoria interna
de qualidade que avalie regularmente a efetividade e a aplicação do sistema de
Garantia da Qualidade.
1.3 O fabricante é responsável pela qualidade dos
medicamentos por ele fabricados, assegurando que são adequados aos fins a que
se destinam, cumprem com as exigências estabelecidas em seu registro e não
colocam os pacientes em risco, por não cumprir com os requisitos de segurança,
qualidade ou eficácia. O cumprimento deste objetivo é responsabilidade da
administração superior da empresa e exige a participação e o compromisso dos
funcionários dos mais diversos departamentos dentro de todos os níveis , além
de compromisso dos fornecedores e dos distribuidores. Para que o objetivo de
qualidade seja atingido de forma confiável, deve haver um sistema da Garantia
da Qualidade totalmente estruturado e corretamente implementado, que incorpore
as BPF. Esse sistema deve ser totalmente documentado e ter sua efetividade
monitorada. Todas as partes do sistema de Garantia da Qualidade devem ser
constituídas por pessoal competente e habilitado, além de possuir espaço
adequado, equipamentos e instalações suficientes.
2. Boas Práticas de Fabricação para Medicamentos (BPF)
2.1. Boas Práticas de Fabricação é a parte da Garantia da
Qualidade que assegura que os produtos são consistentemente produzidos e
controlados, com padrões de qualidade apropriados para o uso pretendido e
requerido pelo registro. O cumprimento das BPF esta dirigido primeiramente para
a diminuição dos riscos inerentes a qualquer produção farmacêutica, os quais não
podem ser detectados através da realização de ensaios nos produtos acabados. Os
riscos são constituídos essencialmente por: contaminação-cruzada, contaminação
por partículas e troca ou mistura de produto.
2.2. As BPF determinam que:
a) todos os processos de fabricação devem ser claramente
definidos e sistematicamente revisados em função da experiência adquirida. Além
disso, devem mostrar ser capazes de fabricar medicamentos, dentro dos padrões
de qualidade exigidos, atendendo às respectivas especificações;
b) etapas críticas dos processos de fabricação e quaisquer
modificações significativas devem ser sistematicamente validadas;
c) áreas de produção devem ser providas de toda a
infra-estrutura necessária, o que inclui :
i.- pessoal qualificado e devidamente treinado;
ii.- espaço e instalações adequadas;
iii.- equipamento e serviços adequados;
iv.- materiais, recipientes e rótulos corretos;
v.- procedimentos e instruções aprovadas;
vi.- armazenamento e transporte adequados;
vii.- instalações, equipamentos e pessoal qualificado, para
controle em processo;
d) instruções e os procedimentos devem ser escritos em
linguagem clara, inequívoca e aplicáveis de forma específica às instalações
utilizadas;
e) operadores devem ser treinados para desempenharem
corretamente os procedimentos;
f) devem ser feitos registros, manualmente e/ou através de
instrumentos de registro, durante a produção, de modo a demonstrar que todas as
providências exigidas pelos procedimentos e instruções tenham sido tomadas e
que a quantidade e a qualidade do produto estejam em conformidade com o
programado. Quaisquer desvios significativos devem ser registrados e
investigados;
g) registros, histórico completo da fabricação e a distribuição
dos lotes, devem ser arquivados de forma que possibilitem um rastreamento
compreensível e acessível do lote;
h) armazenamento adequado e a distribuição dos produtos
devem minimizar qualquer risco à sua qualidade;
i) fabricante deve ter implantado um sistema capaz de recolher
qualquer lote, após sua venda ou fornecimento;
j) reclamações sobre produtos comercializados devem ser
examinadas, registradas e as causas dos desvios de qualidade, investigadas e
documentadas. Devem ser tomadas medidas com relação aos produtos com desvio de
qualidade e adotadas as providências no sentido de prevenir reincidências.
3. Controle de Qualidade
3.1 O controle de qualidade é a parte das BPF referente à
amostragem, especificações, ensaios, procedimentos de organização, à documentação
e aos procedimentos de liberação que devem assegurar que os ensaios necessários
e relevantes sejam executados e que os materiais não sejam liberados para uso,
nem os produtos liberados para venda ou fornecimento, até que a qualidade dos
mesmos seja julgada satisfatória. O controle de qualidade não deve limitar-se às
operações laboratoriais, deve estar envolvido em todas as decisões concernentes
à qualidade do produto.
3.2 Todos os detentores de Autorização de Funcionamento para
fabricar medicamentos devem ter um Controle de Qualidade. A independência do
controle de qualidade em relação à produção é fundamental. O controle de
qualidade deve ser independente dos demais departamentos e deve estar sob direção
de pessoa qualificada e com experiência na área, que tenha a sua disposição um
ou vários laboratórios de controle. Devem ser colocados à disposição do
controle da qualidade recursos adequados, de modo a assegurar que todas as
providências relativas à qualidade sejam efetivamente e confiavelmente
realizadas.
As exigências mínimas para o controle de qualidade são as
seguintes :
a) disponibilidade de instalações e equipamentos adequados,
pessoal treinado e procedimentos operacionais aprovados para que possam ser
realizadas as amostragens, a inspeção e os ensaios das matérias-primas, dos
materiais de embalagem, dos produtos intermediários, dos produtos a granel e
dos produtos acabados e, quando necessário para o monitoramento das condições
ambientais das áreas;
b) as amostragens das matérias-primas, dos materiais de
embalagem, dos produtos intermediários, dos produtos a granel e dos produtos
acabados devem ser realizadas por métodos aprovados e por pessoal qualificado;
c) as metodologias dos ensaios de controle de qualidade
devem ser validadas;
d) os registros devem ser feitos (manualmente e/ou através
de instrumentos de registro), de modo a demonstrar que todos os procedimentos
de amostragem, inspeções e ensaios requeridos, tenham sido realmente executados
e que quaisquer desvios tenham sido totalmente investigados, corrigidos e
documentados;
e) os produtos acabados devem conter substâncias ativas, que
atendam à composição quantitativa e qualitativa conforme registro do produto e
devem apresentar a pureza exigida, estar embalados em material adequado e
corretamente rotulados.
f) devem ser registrados os resultados obtidos na inspeção e
os ensaios de controle dos materiais, dos produtos intermediários, a granel e
acabados, quanto ao atendimento das especificações. A avaliação dos lotes de
produtos deve incluir a revisão e a avaliação da documentação de produção, bem
como, a avaliação dos desvios aos procedimentos específicos ;
g) nenhum lote de produto pode ser liberado para expedição
antes de ser aprovado pela pessoa autorizada que deve indicar que o mesmo está
em conformidade com suas especificações ;
h) devem ser retiradas amostras suficientes das matérias-primas
e do produto acabado, a fim de que possam ser feitos, se necessário, exames futuros
do produto; as amostras de produto terminado retidas devem ser mantidas em suas
embalagens finais, a menos que as mesmas sejam excepcionalmente grandes;
3.3 O controle de qualidade tem ainda outras atribuições,
tais como: estabelecer, validar e implementar seus procedimentos, avaliar,
manter e armazenar os padrões de referência das substâncias ativas utilizadas;
verificar a correta rotulagem dos recipientes de materiais e dos produtos;
garantir a estabilidade dos princípios ativos e garantir que os produtos sejam
monitorados; participar da investigação de reclamações relacionadas com a
qualidade do produto e participar no monitoramento ambiental. Todas estas operações
devem ser realizadas de acordo com os Procedimentos Operacionais Padrão (POP)
estabelecidos e autorizados.
3.4 A avaliação dos produtos acabados deve englobar todos os
fatores relevantes, incluindo as condições de produção, os resultados dos
ensaios em processo, os documentos de fabricação, o cumprimento das especificações
do produto terminado e o exame da embalagem final.
3.5 O pessoal do Controle da Qualidade da empresa deve ter
acesso às áreas de produção, quando necessário, para realizar atividades de
amostragem e investigações.
4. Sanitização e Higiene
4.1. A produção de medicamentos exige um alto nível de
sanitização e higiene que deve ser observado em todos os procedimentos de
fabricação. As atividades de sanitização e higiene devem abranger o pessoal, as
instalações, os equipamentos e aparelhos, os materiais de produção e recipientes,
os produtos de limpeza e desinfecção e qualquer outro aspecto que possa
constituir fonte de contaminação para o produto. As fontes potenciais de
contaminação devem ser eliminadas através de um amplo programa de sanitização e
higiene.
5.Validação
5.1. Os estudos de validação constituem parte essencial das
BPF e portanto, devem ser conduzidos de acordo com protocolos pré-definidos.
Deve ser mantido relatório escrito com o resumo dos resultados obtidos e das
conclusões. Os processos e procedimentos devem ser estabelecidos, de acordo com
os resultados do estudo de validação e devem sofrer revalidações periódicas,
para que seja assegurado que os mesmos permaneçam capazes de atingir os
resultados planejados. Atenção especial deve ser dada à validação dos
processos, dos ensaios de controle e dos procedimentos de limpeza.
5.2. Os processos considerados críticos devem ser validados,
concorrente, prospectiva e/ou retrospectivamente.
5.3. Quando houver alterações na fórmula-mestra/fórmula-padrão
ou um novo método de preparação for introduzido aos processos normais de
fabricação, deve demonstrar-se por validação, a adequação do novo método aos
processos de rotina estabelecidos. O processo definido mediante a utilização
dos materiais e dos equipamentos especificados, deve mostrar-se capaz de dar
origem a produtos uniformes, dentro dos padrões de qualidade exigidos.
5.4. Devem também ser validadas os processos de fabricação
que tiveram quaisquer modificações significativas, incluindo qualquer mudança
de equipamento ou de materiais que possa afetar a qualidade e/ou a
reprodutibilidade do processo.
6. Reclamações
6.1. Todas as reclamações e demais informações referentes a
produtos com possíveis desvios de qualidade, devem ser cuidadosamente
investigadas e registradas de acordo com procedimentos escritos.
6.2. Deve ser designada pessoa responsável pelo recebimento
das reclamações e pelas medidas a serem adotadas. Essa pessoa deve dispor de
pessoal de apoio suficiente para auxiliá-la em sua função. Se a pessoa
designada não for o Responsável Técnico do produto o mesmo deve ser informado.
6.3. Em caso de reclamação de possíveis desvios de qualidade
de um produto, devem ser adotados procedimentos escritos que descrevam as ações
a serem adotadas, incluindo a necessidade de realizar um provável recolhimento.
6.4. Qualquer reclamação referente a desvio de qualidade em
determinado produto deve ser registrada, juntamente com todos os detalhes no
registro do lote e, em seguida, ser completamente investigada. A pessoa responsável
pelo Controle da Qualidade deve ser envolvida no estudo do desvio em questão.
6.5. Se for detectado um desvio de qualidade em algum lote
do produto, ou se houver suspeita de possibilidade de desvio em determinado
lote, deve ser levada em consideração a possibilidade de que outros lotes
apresentem o mesmo problema e portanto, os mesmos devem ser verificados. Outros
lotes que contiverem produto reprocessado do lote com desvio, devem ser
especialmente investigados.
6.6. Quando necessário, devem ser adotadas providências
adequadas de acompanhamento após a investigação e a avaliação da reclamação,
incluindo a possibilidade de recolhimento do produto.
6.7. Todas as decisões e medidas tomadas como resultado de
determinada reclamação devem ser registradas e citadas nos registros do lote
correspondente.
6.8. Os registros de reclamações devem ser regularmente
revisados com a finalidade de detectar qualquer indicio de problemas específicos
ou recorrentes, que exijam maior atenção e possam justificar o recolhimento dos
produtos comercializados.
6.9. As autoridades sanitárias competentes devem ser
informadas pelo fabricante quando for detectado qualquer desvio significativo
de qualidade no processo de fabricação, deterioração de produto, ou quando estiver
sendo investigado problema sério com a qualidade de algum produto.
7. Recolhimento de Produtos
7.1. Deve haver um sistema que retire imediata e
efetivamente do mercado os produtos que apresentem desvios de qualidade ou que
estejam sob suspeita.
7.2. Deve ser designada uma pessoa responsável pelas medidas
a serem adotadas e pela coordenação do recolhimento do produto no mercado. Essa
pessoa deve dispor de pessoal de apoio suficiente para auxiliá-la em todos os aspectos
do recolhimento e com o grau de urgência necessário. Normalmente, essa pessoa não
deve pertencer ao órgão de venda e comercialização e se não for o Responsável Técnico
do produto, deve o mesmo, ser informado de qualquer ação efetuada.
7.3. Devem existir procedimentos escritos, regularmente
conferidos e atualizados, para proceder a qualquer atividade de recolhimento.
As operações de recolhimento do produto no mercado devem ser imediatas,
iniciando-se preferencialmente pelos hospitais e farmácias. Devem ser previstos
procedimentos que contemplem o destino dos produtos recolhidos, que tenham sido
desviados da cadeia de, transporte e/ou distribuição.
7.4. Todas as autoridades sanitárias competentes dos países para
os quais o produto tenha sido enviado, devem ser imediatamente informadas sobre
qualquer intenção de recolhimento de produto que apresente ou esteja sob
suspeita de desvio de qualidade.
7.5. Os registros sobre a distribuição do lote que apresente
ou esteja sob suspeita de desvio de qualidade devem ser prontamente colocados à
disposição da pessoa responsável pelo recolhimento. Os registros devem conter
informações suficientes sobre os distribuidores e sobre os compradores aos
quais o produto tenha sido diretamente fornecido, incluindo em caso de produtos
exportados informações sobre os compradores que tenham recebido amostras para
realização de ensaios clínicos e amostras médicas, para que o produto em questão
seja efetivamente retirado do mercado.
7.6. O progresso do processo de recolhimento deve ser
registrado, incluindo a reconciliação entre as quantidades distribuídas e as
quantidades resgatadas do produto em questão, bem como o relatório final.
7.7. A efetividade das atividades relativas ao recolhimento
deve ser avaliada periodicamente.
7.8. Deve ser incluída instrução indicando as condições de
armazenamento dos produtos retirados do mercado, que devem ser mantidos em
segurança, em áreas separadas, enquanto aguardam decisão sobre seu destino.
8. Contrato de Fabricação e/ou de Análise
8.1. O contrato de fabricação e/ou de análise deve ser
mutuamente acordado e controlado entre as partes, de modo a evitar equívocos
que possam resultar em um processo, produto ou análise de qualidade insatisfatórios.
Deve ser firmado um contrato escrito entre o contratante e o contratado, que
estabeleça claramente as atribuições de cada parte. O contrato deve estabelecer
o procedimento mediante o qual a pessoa autorizada deve exercer as suas
responsabilidades, quanto à liberação de cada lote de produto para venda ou
quanto à emissão de certificado de análise.
8.2. Todas as condições estabelecidas no contrato de fabricação
e/ou de análise, devem incluir qualquer mudança proposta nos procedimentos técnicos
que devem estar de acordo com o registro do respectivo produto.
8.3. O contrato escrito firmado deve estabelecer os
procedimentos de fabricação e/ou de análise do produto com todas as atividades
técnicas a ambos relacionadas.
8.4. O contrato deve estabelecer que o contratante pode
fazer auditoria nas instalações do contratado.
8.5. Em caso de contratação de análise, a aprovação final
para a liberação do produto terminado para comercialização, deve ser dada pela
Pessoa autorizada do contratante.
8.6. O contratante é responsável pela avaliação da qualificação
do contratado para realizar os serviços contratados. Além disso, deve ser
assegurado, através do contrato firmado, que os princípios das BPF descritos
neste Regulamento sejam cumpridos.
8.7. O contratante deve fornecer ao contratado todas as
informações necessárias para que o mesmo realize as operações contratadas de
acordo com o registro do produto bem como, quaisquer outras exigências legais.
O contratante deve assegurar que o contratado seja informado de quaisquer
problemas associados ao produto, serviço ou ensaios, que coloquem em risco suas
instalações, seus equipamentos, seu pessoal, demais materiais ou outros
produtos.
8.8. O contratante deve garantir que todos os produtos
processados e materiais entregues pelo contratado, cumpram com suas especificações
ou que o produto tenha sido liberado pela Pessoa Autorizada.
8.9. O contratado deve possuir instalações, equipamentos e
conhecimentos adequados, além de experiência e pessoal qualificado, para desempenhar
satisfatoriamente o serviço solicitado pelo contratante. A contratação de
fabricação somente pode ser efetuada por fabricantes que detenham Autorização
de Funcionamento e Licença Sanitária.
8.10. O contratado não pode repassar para terceiros os serviços
previstos no contrato, sem que o contratante avalie e aprove previamente tal
modificação do contrato. Os acordos firmados entre o contratado e terceiros,
devem prever a disponibilidade de informações analíticas e de informações sobre
a fabricação, da mesma maneira que os acordos firmados entre o contratante e o
contratado.
8.11. O contratado deve abster-se de realizar qualquer
atividade que possa afetar adversamente a qualidade do produto fabricado e/ou
analisado para o contratante.
8.12. O contrato firmado entre o contratante e o contratado
deve especificar as responsabilidades das respectivas partes quanto à fabricação
e ao controle do produto. Aspectos técnicos do contrato devem ser redigidos por
pessoas qualificadas, que detenham conhecimentos necessários em tecnologia
farmacêutica, análise de controle de qualidade e BPF. Todas as providências
relativas à produção e análise devem estar em conformidade com o registro do
produto e devem ser acordadas por ambas as partes.
8.13. O contrato deve especificar o meio pelo qual a Pessoa
Autorizada garanta que cada lote seja fabricado de acordo com o Registro do
Produto.
8.14. O contrato deve descrever claramente as
responsabilidades pela aquisição, ensaio de controle e liberação dos materiais,
pela produção e pela realização dos controles de qualidade, incluindo os
controles em processo, assim como, a responsabilidade pela amostragem e realização
das análises.
8.15. O contrato deve estabelecer que os registros de
fabricação, os registros analíticos e as amostras de referência devem ser
mantidos pelo contratante ou estar a sua disposição.
8.16. O contrato deve estabelecer que os registros de
distribuição devem ser mantidos pelo contratante.
8.17. O contrato deve prever as ações a serem adotadas
quando houver reprovação de matérias-primas, produtos intermediários, granel e
acabados.
9. Auto-Inspeção e Auditoria da Qualidade
O objetivo da auto-inspeção é avaliar o cumprimento das BPF
pelo fabricante em todos os aspectos da produção e do Controle da Qualidade. O
programa de auto-inspeção deve ser projetado de forma a detectar quaisquer
deficiências na implementação das BPF e de recomendar as ações corretivas
necessárias. A auto-inspeção deve ser realizada rotineiramente, nos casos de
recolhimento de produtos ou de reprovações repetidas. A equipe responsável pela
auto-inspeção deve estar constituída de profissionais que possam avaliar com
objetividade o cumprimento das BPF. Todas as recomendações sobre medidas
corretivas devem ser implementadas. Os procedimentos para a realização da
auto-inspeção devem ser documentados e também possuir um programa efetivo de
acompanhamento.
Devem ser elaborados procedimentos escritos sobre a
auto-inspeção, a fim de que haja uma padronização mínima e uniforme das exigências.
Esses procedimentos devem englobar, pelo menos os seguintes aspectos:
a) pessoal;
b) instalações;
c) manutenção de prédios e equipamentos;
d) armazenamento de matéria-prima, material de embalagem e
produto terminado;
e) equipamentos;
f) produção e controle em processo;
g) controle de qualidade;
h) documentação;
i) sanitização e higiene;
j) programas de validação e revalidação;
k) calibração de instrumentos e de sistemas de medidas;
l) procedimentos de recolhimento de produto do mercado;
m) gerenciamento de reclamações;
n) controle de rótulos;
o) descarte de resíduos.
p) resultados das auto-inspeções anteriores e quaisquer ações
corretivas adotadas;
9.1. Equipe de auto-inspeção
9.1.1. A gerência da Garantia da Qualidade deve nomear uma
equipe para conduzir a auto-inspeção, formada por profissionais qualificados e
peritos em suas próprias áreas de atuação e familiarizados com as BPF. Os
membros da equipe podem ser profissionais da própria empresa ou especialistas
externos.
9.2. Freqüência de auto-inspeção
9.2.1. A freqüência das auto-inspeções deve ser, no mínimo,
anual.
9.3. Relatório de auto-inspeção
9.3.1. Deve ser feito um relatório após o término da
auto-inspeção, que deve conter:
a)os resultados da auto-inspeção;
b) avaliações e conclusões;
c) as ações corretivas recomendadas.
9.4. Ações de acompanhamento
9.4.1. A Gerência da Empresa e da Garantia da Qualidade
devem avaliar o relatório da auto-inspeção, quanto as ações corretivas
recomendadas, se necessárias.
9.4.2. A verificação do cumprimento das ações corretivas,
recomendadas no relatório de Auto-Inspeção, deve constar de um relatório
especifico.
9.5. Auditoria da qualidade
9.5.1. A complementação da auto-inspeção com auditorias da
qualidade pode ser necessária. A auditoria da qualidade consiste no exame e na
avaliação de todo ou parte de determinado sistema de qualidade, com o objetivo
específico de aperfeiçoá-lo. Em geral, é realizada por especialistas externos,
independentes, ou por equipe designada pela gerência para tal finalidade. Além
disso, as auditorias podem ser estendidas aos fornecedores e aos contratados.
9.6. Auditoria de fornecedores
9.6.1. A Garantia da Qualidade deve responsabilizar-se, juntamente
com os departamentos envolvidos na fabricação, pela qualificação dos
fornecedores de matérias-primas e de materiais de embalagem, para que atendam às
especificações estabelecidas.
9.6.2. Antes que os fornecedores sejam aprovados e incluídos
nas lista de fornecedores da empresa, os mesmos devem ser avaliados, quando for
o caso, por meio de auditorias, com vistas à verificação do cumprimento das
BPF.
10. Pessoal
10.1. Generalidades
10.1.1. O estabelecimento e a manutenção de um sistema de Garantia
da Qualidade e a fabricação de medicamentos, dependem das pessoas que os
realizam. Por essa razão, deve haver pessoal qualificado em quantidade
suficiente para desempenhar todas as atividades, pelas quais o fabricante é
responsável. Todas as responsabilidades individuais devem estar estabelecidas
em procedimentos escritos e ser claramente compreendidas por todos os
envolvidos.
10.1.2. O fabricante deve ter um número suficiente de
pessoas qualificadas. As responsabilidades atribuídas a cada funcionário não
devem ser tão extensas de modo a colocar a qualidade do produto em risco.
10.1.3. A empresa deve ter um organograma. Todos os funcionários
em situações de responsabilidade devem ter suas atribuições especificadas e
definidas por escrito e ter a autoridade suficiente para desempenhá-las. Suas
atribuições podem ser delegadas a substitutos designados, que tenham o nível de
qualificação satisfatório. Não pode haver falha ou sobreposição nas
responsabilidades do pessoal no que se refere à aplicação das BPF.
10.1.4. Todo o pessoal deve conhecer os princípios das BPF e
receber treinamento inicial e contínuo, inclusive instruções de higiene de
acordo com a necessidade. Todo o pessoal deve ser motivado a apoiar a empresa
na manutenção dos padrões de qualidade.
10.1.5. Devem ser tomadas providências no sentido de evitar
a entrada de pessoas não autorizadas nas áreas de produção, armazenamento e
Controle da Qualidade. As pessoas que não trabalham nestas áreas não devem
utilizá-las como passagem.
10.2. Pessoal Principal
10.2.1. Todo profissional na atividade de fabricação de
medicamentos que ocupa postos principais na empresa e tem poder de decisão. O
pessoal principal inclui o responsável pela produção, o responsável pela
Garantia da Qualidade, o responsável pelo controle de qualidade, o responsável
pela vendas e distribuição e o responsável técnico. Os responsáveis pela produção
e Controle da Qualidade devem ser independentes um do outro.
10.2.2. Os postos principais devem ser ocupados por pessoas que
trabalhem em tempo integral na empresa. Em empresas de grande porte, pode haver
necessidade de delegar algumas funções, entretanto, a responsabilidade não pode
ser delegada.
10.2.3 Os responsáveis pelos departamentos de produção, de
controle e de Garantia da Qualidade dos medicamentos, devem possuir as
qualificações de escolaridade previstas pela legislação vigente e experiência
prática.
10.2.4. Os responsáveis pela produção, controle e Garantia
da Qualidade devem exercer em conjunto, determinadas atividades relativas à
qualidade, tais como:
a) autorização dos procedimentos e documentos, inclusive
suas atualizações;
b) monitoramento e o controle do ambiente de fabricação;
c) higiene;
d) validação de processo e a calibração de instrumentos analíticos;
e) treinamento, incluindo a aplicação dos princípios de
garantia de qualidade;
f) aprovação e o monitoramento de fornecedores de materiais;
g) aprovação e o monitoramento dos fabricantes contratados;
h) especificações e o monitoramento das condições de
armazenamento de materiais e produtos;
i) arquivo de documentos/ registros;
j) monitoramento do cumprimento das BPF;
k) inspeção, investigação e amostragem, de modo a monitorar
fatores que possam afetar a qualidade do produto.
10.2.5. O responsável pela produção detém geralmente as
seguintes responsabilidades:
a) assegurar que os produtos sejam produzidos e armazenados
de acordo com os procedimentos apropriados, com a qualidade exigida;
b) aprovar as instruções relativas às operações de produção,
inclusive os controles em processo, e assegurar a estrita implementação das
mesmas;
c) assegurar que os registros de produção sejam avaliados e
assinados por pessoal designado, antes que sejam colocados à disposição do
controle de qualidade;
d) verificar a manutenção das instalações e dos
equipamentos;
e) assegurar que as validações dos processos, as calibrações
e controle dos equipamentos sejam executados e registrados e que os relatórios
estejam disponíveis;
f) assegurar que seja realizado treinamento inicial e contínuo
do pessoal da área de produção e que o mesmo seja adequado às necessidades.
10.2.6. O responsável pelo Controle da Qualidade possui as
seguintes responsabilidades:
a) aprovar ou rejeitar as matérias-primas, os materiais de
embalagem e os produtos intermediários, a granel e acabados;
b) avaliar os registros dos lotes;
c) assegurar que sejam realizados todos os ensaios necessários;
d) aprovar as instruções para amostragem, as especificações,
os métodos de ensaio e os procedimentos de controle de qualidade;
e) aprovar e monitorar as análises realizadas, previstas em
contrato;
f) verificar a manutenção das instalações e dos equipamentos
;
g) assegurar que sejam feitas as validações necessárias,
inclusive a validação dos procedimentos analíticos e calibração dos
equipamentos de controle;
h) assegurar que sejam realizados treinamentos iniciais e
contínuos do pessoal da área de Controle da Qualidade, de acordo com as necessidades
do setor.
10.3. Treinamento
10.3.1 O fabricante deve mediante um programa escrito e
definido, treinar as pessoas envolvidas nas áreas de produção, nos laboratórios
de controle de qualidade, bem como todo pessoal cujas atividades possam interferir
na qualidade do produto.
10.3.2. Além de treinamento básico sobre a teoria e a prática
das BPF, o pessoal recentemente contratado deve participar do programa de
integração e receber treinamento apropriado quanto às suas atribuições e ser
treinado e avaliado continuamente. Os programas de treinamento devem ser
colocados a disposição de todo pessoal, bem como aprovados pelos responsáveis
da produção, do controle de qualidade e da Garantia da Qualidade, sendo
mantidos registros.
10.3.3. O pessoal que trabalha em áreas limpas, em áreas
onde há risco de contaminação, onde são manipulados materiais altamente ativos,
tóxicos, infecciosos ou sensibilizantes, devem receber treinamento específico.
10.3.4. O conceito de Garantia da Qualidade e todas as
medidas capazes de melhorar sua compreensão e sua implementação devem ser
amplamente discutidos durante o treinamento.
10.4. Saúde, Higiene, Vestuário e Conduta
10.4.1 Todo o pessoal deve ser submetido a exames de saúde
para admissão e deve ser posteriormente submetido a exames periódicos, necessários
as atividades desempenhadas, de acordo com procedimentos estabelecidos.
10.4.2. Todo o pessoal deve ser treinado nas práticas de
higiene pessoal. Todas as pessoas envolvidas nos processos de fabricação devem
cumprir com as normas de higiene; particularmente, devem ser instruídas a
lavarem suas mãos antes de entrarem nas áreas de produção. Para que isto seja
obedecido, devem ser afixados sinais instrutivos que devem ser observados.
10.4.3. As pessoas com suspeita ou confirmação de
enfermidade ou lesão exposta que possa afetar de forma adversa à qualidade dos
produtos, não podem manusear matérias-primas, materiais de embalagem, produtos
intermediários e a granel ou produtos acabados até que sua condição de saúde não
represente risco ao produto.
10.4.4. Todos os funcionários devem ser instruídos e
incentivados a relatar a seu supervisor imediato quaisquer condiçã0, relativas à
produção, ao equipamento ou ao pessoal, que considerem que possam interferir
adversamente nos produtos.
10.4.5. Deve ser evitado o contato direto entre as mãos do
operador e as matérias-primas, os materiais de embalagem primários, os produtos
intermediários e a granel.
10.4.6. Para que seja assegurada a proteção do produto
contra contaminação, os funcionários devem vestir roupas limpas e apropriadas a
cada área de produção. Os uniformes, se forem reutilizáveis, devem ser
guardados em ambientes fechados, até que sejam lavados e quando for o caso,
desinfetados ou esterilizados.
10.4.7. Os uniformes devem ser fornecidos pelo fabricante
conforme procedimentos escritos. A lavagem dos uniformes é de responsabilidade
da empresa.
10.4.8. Para que seja assegurada a proteção dos funcionários,
o fabricante deve disponibilizar Equipamento de Proteção Coletiva (EPC) e
Equipamento de Proteção Individual (EPI) de acordo com as atividades
desenvolvidas.
10.4.9 É proibido fumar, comer, beber, mascar ou manter
plantas, alimentos, bebidas, fumo e medicamentos pessoais nas áreas de produção,
do laboratório de controle de qualidade e de armazenamento ou em quaisquer
outras áreas em que tais ações possam influir adversamente na qualidade do
produto.
10.4.10. Os procedimentos de higiene pessoal, inclusive o
uso de roupas apropriadas, devem ser utilizados por todas as pessoas que
entrarem nas áreas de produção.
10.4.11. Visitantes e pessoas não treinadas, devem ser
proibidas de entrarem nas áreas de produção. Se isso for inevitável, essas
pessoas devem ser antecipadamente orientadas sobre a higiene pessoal e o uso de
vestimentas apropriadas e devem ser acompanhadas por profissional designado.
11. Instalações
11.1. Generalidades
11.1.1. As instalações devem ser localizadas, projetadas,
construídas, adaptadas e mantidas de forma que sejam adequadas às operações a
serem executadas. Seu projeto deve minimizar o risco de erros e possibilitar a
limpeza e manutenção, de modo a evitar a contaminação cruzada, o acúmulo de poeira
e sujeira ou qualquer efeito adverso que possa afetar a qualidade dos produtos.
11.1.2. As instalações devem possuir ambientes que quando
considerados em conjunto com as medidas destinadas a proteger as operações de
fabricação, apresentem risco mínimo de contaminação dos materiais ou produtos
neles manipulados.
11.1.3. As instalações utilizadas na fabricação de
medicamentos devem ser projetadas e construídas de forma a possibilitar a
limpeza adequada.
11.1.4. As instalações devem ser mantidas em bom estado de
conservação, higiene e limpeza. Deve ser assegurado que as operações de manutenção
e reparo não representem qualquer risco à qualidade dos produtos.
11.1.5. O fornecimento de energia elétrica, iluminação, ar
acondicionado (temperatura e umidade) e ventilação, devem ser apropriados, de
modo a não afetar direta ou indiretamente, os medicamentos durante os processos
de fabricação e armazenamento ou o funcionamento adequado dos equipamentos.
11.1.6. As instalações devem ser projetadas e equipadas de
forma a permitirem a máxima proteção contra a entrada de insetos e outros
animais.
11.2. Áreas auxiliares
11.2.1. As salas de descanso e refeitório devem ser
separadas das demais áreas.
11.2.2. Os vestiários, lavatórios e os sanitários devem ser
de fácil acesso e apropriados para o número de usuários. Os sanitários não
devem ter comunicação direta com as áreas de produção e armazenamento.
11.2.3. As áreas de manutenção devem estar situadas em
locais separados das áreas de produção. Se as ferramentas e peças de reposição,
são mantidas nas áreas de produção, as mesmas devem estar em salas ou armários
reservados para este fim.
11.2.4. O biotério deve ser isolado das demais áreas,
possuir entrada separada e sistema de ventilação exclusivo.
11.3. Áreas de armazenamento
11.3.1. As áreas de armazenamento devem ter capacidade
suficiente para possibilitar o estoque ordenado de várias categorias de
materiais e produtos: matérias-primas; materiais de embalagem; produtos
intermediários; a granel e produtos acabados, em sua condição de quarentena,
aprovado, reprovado, devolvido ou recolhido.
11.3.2. As áreas de armazenamento devem ser projetadas de
forma que assegurem condições ideais de estocagem. Devem ser limpas, secas e
mantidas em temperaturas compatíveis com os materiais armazenados. Quando forem
exigidas condições especiais de armazenamento, temperatura e umidade, tais
condições devem ser providenciadas, verificadas, monitoradas e registradas.
11.3.3. Nas áreas de recepção e expedição os materiais devem
ser protegidos das variações climáticas. As áreas de recebimento devem ser
projetadas e equipadas de forma a permitir que os recipientes de materiais
recebidos sejam limpos antes de serem estocados.
11.3.4. Os produtos em quarentena devem estar em área
restrita e separada na área de armazenamento. Essa área deve ser claramente
demarcada e o acesso à mesma somente pode ser efetuado por pessoas autorizadas.
Qualquer outro sistema que substitua a quarentena física, deve oferecer a mesma
segurança.
11.3.5. Deve haver uma área separada para a coleta de
amostras das matérias-primas. Se a amostragem for feita na área de
armazenamento, a mesma deve ser realizada em ambiente específico para essa
finalidade, de forma que não haja possibilidade de contaminação microbiológica
e/ou contaminação cruzada.
11.3.6. O armazenamento de materiais ou produtos devolvidos,
reprovados ou recolhidos deve ser efetuado em área separada e identificada.
11.3.7. Os materiais altamente ativos, narcóticos, substâncias
controladas, produtos, que apresentem risco de incêndio ou explosão e outros
produtos perigosos devem ser estocados em áreas seguras e protegidas,
devidamente segregados e identificados, de acordo com legislação especifica
vigente.
11.3.8. O armazenamento de materiais impressos deve ser
efetuado de forma segura, com acesso restrito, evitando misturas e desvios,
devendo ser manuseado por pessoal designado, seguindo procedimentos definidos e
escritos.
11.4. Área de pesagem
11.4.1. As áreas destinadas a pesagem das matérias-primas
podem estar localizadas no almoxarifado ou na área de produção, devendo as
mesmas serem projetadas e separadas para esse fim, possuindo sistema de exaustão
independente e adequado.
11.5. Área de produção
11.5.1. Para minimizar a probabilidade de ocorrência de
contaminação cruzada, devem existir instalações exclusivas e separadas para a
produção de alguns medicamentos altamente sensibilizantes (por exemplo:
penicilina e seus derivados) ou produtos biológicos (microrganismos vivos).
11.5.2. A produção de determinados medicamentos, como alguns
antibióticos, hormônios, substâncias citotóxicas e produtos altamente ativos, não
deve ser realizada nas mesmas instalações. Em casos excepcionais, o principio
do trabalho em campanha nas mesmas instalações, pode ser conduzido, desde que
sejam tomados todas as precauções necessárias e os procedimentos de limpeza
devidamente validados.
11.5.3. As instalações físicas devem estar dispostas,
segundo o fluxo operacional continuo, de forma a permitir que a produção
corresponda à seqüência das operações de produção e aos níveis exigidos de
limpeza.
11.5.4. As áreas de produção e de armazenamento devem
permitir o posicionamento lógico e ordenado dos equipamentos e dos materiais,
de forma a minimizar o risco de mistura entre diferentes medicamentos ou seus
componentes e a evitar a ocorrência de contaminação cruzada e diminuir o risco
de omissão ou aplicação errônea de qualquer etapa de fabricação ou controle.
11.5.5. Nas áreas onde as matérias-primas, os materiais de
embalagem primários, os produtos intermediários ou a granel estiverem expostos
ao ambiente, as superfícies interiores (paredes, piso e teto) devem ser
revestidas de material liso, impermeável lavável e resistente, livres de juntas
e rachaduras, de fácil limpeza, permitindo a desinfecção e não devendo liberar
partículas.
11.5.6. As tubulações, luminárias, pontos de ventilação e
outras instalações devem ser projetadas e instaladas de modo a facilitar a
limpeza. Sempre que possível o acesso para manutenção deve estar localizado
externamente as áreas de produção.
11.5.7. Os ralos devem ser de tamanho adequado, sifonados,
para evitar os refluxos de líquidos ou gás e mantidos fechados. Sempre que possível,
deve ser evitada a instalação de canaletes abertos. Se necessários, devem ser
rasos para facilitar a limpeza e a desinfecção.
11.5.8. As áreas de produção devem possuir sistema de
ventilação efetivo, com unidades de controle de ar incluindo o controle de temperatura
e, quando necessário, de umidade e filtração apropriados aos produtos nela
manipulados, às operações realizadas e às condições do ambiente. Essas áreas
devem ser regularmente monitoradas durante o período de produção e em repouso,
a fim de assegurar o cumprimento das especificações da área.
11.5.9. As instalações físicas para a embalagem dos
medicamentos devem ser projetadas de forma a evitar a ocorrência de misturas ou
contaminações cruzadas.
11.5.10. As áreas de produção devem ser iluminadas, de
acordo com a necessidade de cada operação, especialmente nos locais onde forem
realizados o controle visual na linha de produção.
11.6. Área de Controle da Qualidade
11.6.1. Os laboratórios de controle de qualidade devem ser
separados das áreas de produção. As áreas onde forem realizados os ensaios
microbiológicos, biológicos ou com radioisótopos devem ser independentes e
separadas e contar com instalações independentes, especialmente o sistema de
ventilação.
11.6.2. Os laboratórios de controle devem ser projetados de
forma a facilitar as operações neles realizadas. Devem dispor de espaço
suficiente para evitar a ocorrência de misturas e de contaminação cruzada. Além
disso, deve haver espaço suficiente e adequado para o armazenamento de amostras
de referência, padrões de referência e documentação dos registros dos lotes.
11.6.3 O laboratório deve ser projetado considerando a
utilização de materiais de construção adequados e deve possuir sistema de
ventilação para prevenir a formação de vapores nocivos.
11.6.4. Pode ser necessária a utilização de salas separadas
para proteger determinados instrumentos de interferências elétricas, vibrações,
contato excessivo com umidade e outros fatores externos.
12.Equipamentos
12.1. Os equipamentos devem ser projetados, construídos,
adaptados, instalados, localizados e mantidos de forma a facilitar as operações
a serem realizadas. O projeto e a localização dos equipamentos devem minimizar
os riscos de erros e permitir limpeza e manutenção adequadas de maneira a
evitar a contaminação cruzada, acúmulo de poeira e sujeira e, em geral, evitar
todo efeito que possa influir negativamente na qualidade dos produtos.
12.2. As tubulações fixas destinadas à condução de fluídos,
devem ser devidamente identificadas, conforme legislação vigente e quando aplicável,
a direção do fluxo deve ser indicada. Quando se tratar de gases e líquidos
perigosos, devem ser empregados conexões ou adaptadores que não sejam trocados
entre si..
12.3. Todos os instrumentos utilizados devem ser devidamente
identificados.
12.4. As balanças e instrumentos de medida das áreas de
produção e de controle de qualidade, devem ter a capacidade e a precisão
requerida e devem ser periodicamente calibrados.
12.5. Os instrumentos e os equipamentos do laboratório de
controle devem ser adequados aos procedimentos de análises previstos e em número
suficiente ao volume das operações.
12.6. Os equipamentos utilizados na produção não devem
apresentar quaisquer riscos para os produtos. As partes destes equipamentos em
contato direto com o produto não devem ser reativas, aditivas ou absortivas de
forma a influir na qualidade do produto.
12.7. Os processos de limpeza e lavagem dos equipamentos não
devem constituir fonte de contaminação
12.8. Todo equipamento em desuso ou com defeito deve ser retirado das áreas de produção e do controle de qualidade, se possível, caso contrário, deve estar devidamente identificado.
13. Materiais
13.1. Generalidades
13.1.1. Todos os materiais e produtos devem ser postos em
quarentena imediatamente após o recebimento ou produção, até que sejam
liberados pelo controle de qualidade, para uso ou distribuição.
13.1.2. Todos os materiais e produtos devem ser armazenados
sob condições apropriadas de acordo com os procedimentos estabelecidos pelo
fabricante. A separação dos lotes e a rotatividade do estoque devem obedecer a
regra: primeiro que expira, primeiro que sai (PEPS).
13.2. Matérias- primas
13.2.1. A aquisição das matérias-primas deve ser realizada
por funcionários qualificados e treinados.
13.2.2. As matérias-primas devem ser adquiridas somente dos
fornecedores qualificados e incluídos na lista de fornecedores da empresa,
preferencialmente, diretamente do produtor. As especificações estabelecidas
pelo fabricante relativas às matérias-primas devem ser discutidas com os
fornecedores. Todos os aspectos da produção e do controle das matérias-primas,
o processo de aquisição, o manuseio, a rotulagem e as exigências referentes à
embalagem, assim como os procedimentos de reclamação e reprovação, devem ser
discutidos entre o fabricante e os fornecedores. Não é permitida a mistura de
lotes diferentes, para formar um novo lote, mesmo que seja do mesmo fabricante.
13.2.3. Para cada entrega de recipientes com matéria-prima,
devem ser verificadas a integridade das embalagens recebidas e do lacre e a
correspondência entre o pedido, a nota de entrega do fornecedor e os rótulos do
produto, que devem estar no corpo do recipiente.
13.2.4. Todas as matérias primas recebidas devem ser
verificadas de forma que seja assegurado que a entrega esteja em conformidade
com o pedido. As embalagens devem ser limpas externamente e, quando necessário,
rotuladas com os dados correspondentes.
13.2.5. As avarias nos recipientes ou quaisquer outros
problemas que possam afetar a qualidade da matéria-prima devem ser registrados
e relatados ao departamento de controle de qualidade devendo ser investigados.
13.2.6. Se uma única remessa de matéria-prima contiver lotes
distintos, cada lote deve ser considerado separadamente para amostragem e
ensaios de liberação.
13.2.7. As matérias-primas colocadas na área de
armazenamento devem estar adequadamente identificadas. Os rótulos devem conter,
pelo menos, as seguintes informações:
a) nome da matéria-prima e o respectivo código interno de
referência, caso a empresa tenha estabelecido o sistema;
b) número do lote atribuído pelo produtor/fornecedor e o número
dado pela empresa quando do recebimento;
c) situação da matéria-prima no armazenamento (em
quarentena, em análise, aprovado, reprovado, devolvido);
d) data de fabricação, o prazo de validade e quando aplicável,
a data de reanálise;
e) produtor, origem e procedência da matéria-prima.
13.2.8. É permitida a identificação por sistema eletrônico
validado. Neste caso, não é necessário constar do rótulo todas as informações
acima descritas.
13.2.9. Devem ser utilizados procedimentos que garantam a
identificação do conteúdo de cada recipiente de matéria-prima. Os recipientes
dos quais tenham sido retiradas amostras, devem ser identificados.
13.2.10. Somente as matérias-primas liberadas pelo
departamento de controle de qualidade e que estejam dentro dos respectivos
prazos de validade devem ser utilizadas.
13.2.11. As matérias-primas devem ser fracionadas somente
por funcionários designados, de acordo com procedimentos escritos. As matérias-primas
devem ser cuidadosamente pesadas ou medidas, em recipientes limpos e
corretamente identificados.
13.2.12. As matérias-primas fracionadas, assim como seus
respectivos pesos ou volumes, devem ser conferidos por outro funcionário e a
conferência registrada.
13.2.13. As matérias-primas fracionados para cada lote de
produção devem ser mantidas juntas e visivelmente identificadas como tal.
13.3. Materiais de embalagem
13.3.1. A aquisição, o manuseio e o controle de qualidade
dos materiais de embalagem primários, secundários e de materiais impressos
devem ser realizados da mesma forma que para as matérias primas.
13.3.2. Os materiais impressos devem ser estocados em condições
seguras, para que a possibilidade de acesso não autorizado seja evitada. Os rótulos
e os demais materiais impressos reprovados devem ser guardados e transportados,
de forma segura e devidamente identificados, antes de serem destruídos. Deve
haver registro da destruição dos materiais impressos.
13.3.3. Cada lote de material impresso e de material de
embalagem deve receber um número específico de referência ou marca de
identificação.
13.3.4. Os materiais impressos, de embalagem primárias ou
secundárias, desatualizados e obsoletos devem ser destruídos e esse
procedimento deve ser registrado.
13.3.5. Todos os materiais de embalagem a serem utilizados
devem ser conferidos em relação à quantidade, identidade e conformidade com as
instruções de embalagem, no momento em que forem entregues.
13.4. Produtos intermediários e produtos a granel
13.4.1 Os produtos intermediários e os produtos a granel
devem ser mantidos sob condições especificas determinadas para cada produto.
13.4.2. Os produtos intermediários e os produtos a granel
adquiridos, devem ser manuseados no recebimento como se fossem matérias-primas.
13.5. Produtos terminados
13.5.1. A introdução da totalidade ou de parte de lotes
anteriores produzidos que atendam aos padrões de qualidade exigidos, a outro
lote do mesmo produto, em determinado estágio da fabricação, deve ser
previamente autorizada e deve ser realizada de acordo com procedimentos
definidos, após a avaliação dos riscos envolvidos, inclusive qualquer possível
efeito sobre o prazo de validade. O processo deve ser registrado.
13.5.2. Os produtos acabados devem ser mantidos em
quarentena até que sejam finalmente liberados pelo controle de qualidade. Em
seguida, devem ser armazenados como estoque disponível, de acordo com as condições
estabelecidas pelo fabricante.
13.6. Materiais e produtos reprovados e devolvidos
13.6.1. Os materiais e os produtos reprovados devem ser
identificados como tal e armazenados separadamente, em áreas restritas. Podem
ser devolvidos aos fornecedores, reprocessados ou destruídos. A ação adotada
deve ser aprovada por Pessoa Autorizada e devidamente registrada.
13.6.2. O reprocessamento de produtos reprovados somente pode
ser permitido se a qualidade do produto terminado não for afetada, se as
especificações forem atendidas e se a operação for realizada de acordo com
procedimentos autorizados e definidos após a avaliação dos riscos envolvidos.
Deve ser mantido registro do reprocessamento. Qualquer lote reprocessado deve
receber novo número de lote.
13.6.3. O Controle de Qualidade deve realizar ensaios
adicionais para qualquer produto terminado que tenha sido reprocessado, ou ao qual
tenha sido incorporado determinado produto recuperado.
13.7. Produtos recolhidos
13.7.1. Os produtos recolhidos do mercado devem ser
identificados e armazenados separadamente em área segura, até que seja definido
seu destino. A decisão final deve ser tomada mais rápido possível.
13.8. Produtos devolvidos
13.8.1 Os produtos devolvidos pelo mercado devem ser
identificados e armazenados separadamente em área segura até que seja definido
seu destino. Somente podem ser considerados para revenda, reembalados ou
incorporados em outro granel de um lote subseqüente, após terem sido
criticamente avaliados pelo Controle da Qualidade, de acordo com procedimentos
escritos. A natureza do produto, assim como quaisquer condições especiais de
armazenamento exigidas, suas condições, seu histórico e, o tempo decorrido
desde sua expedição até a devolução, deve ser levado em consideração na
referida avaliação.
13.8.2. Quando surgir qualquer dúvida quanto à qualidade do
produto, este não deve ser considerado adequado para ser incorporado ou
reutilizado, entretanto, se possível, pode ser efetuado um reprocessamento químico
para recuperação da substância ativa. Toda ação deve ser devidamente
registrada.
13.9. Reagentes e meios de cultura
13.9.1. Todos os reagentes e meios de cultura devem ser
registrados ao serem recebidos ou preparados.
13.9.2. Os reagentes preparados devem ser elaborados de
acordo com procedimentos escritos e apropriadamente rotulados. O rótulo deve
indicar a concentração, a data de preparo, o fator de padronização, o prazo de
validade, a data em que se deve fazer nova padronização e as condições de
armazenamento. O rótulo deve ser assinado e datado pela pessoa que preparou o
reagente.
13.9.3. Devem ser feitos controles positivos, assim como os
controles negativos, para que seja verificada a adequação dos meios de cultura.
O tamanho do inóculo utilizado nos controles positivos deve ser apropriado à
sensibilidade exigida.
13.10. Padrões de referência
13.10.1. Os padrões de referência podem estar disponíveis
sob a forma de padrões oficiais de referência. As referências secundárias,
referências de trabalho, preparadas pelo produtor devem ser conferidas e
liberadas e em seguida guardadas da mesma forma que os padrões oficiais. Além disso,
devem ser mantidas sob responsabilidade de pessoa designada para tal, em área
segura.
13.10.2. Os padrões oficiais de referência somente devem ser
utilizados para os fins descritos na monografia.
13.10.3. Os padrões secundários ou de trabalho podem ser
conferidos mediante ensaios de verificações apropriados, a intervalos
regulares, de forma a assegurar a padronização. Todos os padrões de referência
secundários devem ser baseados em padrões de referências oficiais.
13.10.4. Todos os padrões de referência devem ser guardados
e utilizados de maneira que não tenham sua qualidade afetada.
13.11. Materiais residuais
13.11.1. Devem ser tomadas providências quanto à guarda
apropriada e segura dos materiais residuais a serem eliminados. As substâncias
tóxicas e os materiais inflamáveis devem ser guardados em locais fechados e
separados, projetados para este fim, conforme exigido pela legislação vigente.
13.11.2. O material residual não deve ser acumulado. Ele
deve ser coletado em recipientes adequados, em local especifico, devendo ser
eliminado de forma segura e sanitária, a intervalos regulares e freqüentes.
13.12. Materiais diversos
13.12.1. Não deve ser permitido que os produtos raticidas,
inseticidas, agentes fumigantes e materiais sanitizantes contaminem os
equipamentos, as matérias-primas, os materiais de embalagem, os materiais em
processo ou os produtos acabados.
14. Documentação
A documentação constitui parte essencial do sistema de
Garantia da Qualidade e, deve estar relacionada com todos os aspectos das BPF.
Tem como objetivo definir as especificações de todos os materiais e os métodos
de fabricação e controle, a fim de assegurar que todo pessoal envolvido na
fabricação saiba decidir o que fazer e quando fazê-lo. Além disso, tem a
finalidade de garantir que a Pessoa Autorizada tenha todas as informações
necessárias para decidir se libera ou não determinado lote de medicamento para
venda, além de possibilitar um rastreamento que permita a investigação da história
de qualquer lote sob suspeita de desvio de qualidade. Todos os documentos podem
ser reunidos em uma única pasta, ou permanecerem separados, facilmente disponíveis,
constituindo o registro do lote de fabricação.
14.1. Aspectos Gerais
14.1.1 Os documentos devem ser redigidos, revistos e distribuídos
somente à pessoas designadas. Eles devem atender a todas as etapas de fabricação,
autorizadas pelo registro.
14.1.2. Os documentos originais devem ser aprovados,
assinados e datados pela pessoa designada. Nenhum documento deve ser modificado
sem autorização prévia.
14.1.3. O conteúdo dos documentos não pode ser ambíguo: o título,
a natureza e o seu objetivo devem ser apresentados de forma clara, precisa e
correta. Além disso, devem ser dispostos de forma ordenada e serem de fácil
verificação. Os documentos reproduzidos devem ser legíveis e ter garantida a
sua fidelidade em relação ao original.
14.1.4. Os documentos devem ser regularmente revistos e
atualizados. Quando determinado documento for revisto, deve haver um sistema
que impeça o uso inadvertido da versão substituída.
14.1.5. Quando os documentos exigirem a entrada de dados,
estes devem ser claros, legíveis e indeléveis. Deve ser deixado espaço
suficiente para cada entrada de dados.
14.1.6 Toda alteração efetuada em qualquer documento deve
ser assinada e datada, a alteração deve possibilitar a leitura da informação
original. Quando for o caso, deve ser registrado o motivo da alteração.
14.1.7. Deve ser mantido registro de todas as ações efetuadas
ou terminadas, de tal forma que todas as atividades significativas referentes a
fabricação de medicamentos, possam ser rastreadas. Todos os registros,
incluindo os referentes aos Procedimentos Operacionais Padrão (POP) devem ser
retidos por, pelo menos, um ano após o vencimento do prazo de validade do
produto terminado.
14.1.8. Os dados podem ser registrados através de sistema de
processamento eletrônico ou por meios fotográficos ou outros meios confiáveis.
As fórmulas mestras/fórmulas padrões e os Procedimentos Operacionais Padrão
-POPs relativos ao sistema em uso, devemm estar disponíveis, assim como a exatidão
dos dados registrados conferidos. Se o registro dos dados for feito através de
processamento eletrônico, somente pessoas designadas podem modificar os dados
contidos nos computadores. Deve haver registro das alterações realizadas. O
acesso aos computadores deve ser restrito por senhas ou outros meios. A entrada
de dados considerados críticos deve ser conferida por outra pessoa designada.
Os registros eletrônicos dos dados dos lotes, devem ser protegidos por transferência
de cópias em fita magnética, microfilme, impressão em papel ou outros meios. É
particularmente importante que, durante o período de retenção, os dados estejam
prontamente disponíveis.
14.2. Rótulos
14.2.1. A identificação afixada nos recipientes, nos
equipamentos, nas instalações e nos produtos deve ser clara, sem ambigüidade e
em formato aprovado pela empresa, contendo os dados necessários, podendo ser
utilizados além do texto, cores diferenciadas, indicando sua condição (exemplo:
em quarentena, aprovado, reprovado, limpo).
14.2.2. Todos os produtos acabados devem ser identificados
por rótulo, conforme exigido pela legislação sanitária vigente.
14.2.3. Os rótulos dos padrões de referência e documentos
que os acompanhem, devem indicar a concentração, a data de fabricação e prazo
de validade, a data em que o lacre foi aberto e as condições de armazenamento,
quando necessário.
14.3. Especificações e procedimentos de ensaio de controle
de qualidade
14.3.1. Os procedimentos dos ensaios de controle de
qualidade descritos no documento devem ser validados considerando as instalações
e os equipamentos disponíveis, antes de serem adotados rotineiramente.
14.3.2. Todas as especificações devem estar devidamente
autorizadas e datadas, em relação aos ensaios de identificação, do teor, da
pureza e da qualidade, das matérias-primas, dos materiais de embalagem e dos
produtos acabados. Além disso, devem ser realizados ensaios nos produtos
intermediários e no produto a granel. Devem existir especificações relacionadas
à água, aos solventes e aos reagentes (ácidos e bases) utilizados na produção.
14.3.3. Os procedimentos dos ensaios devem ser aprovados e
mantidos pelo Controle de Qualidade e estarem disponíveis nas unidades responsáveis
pela execução dos ensaios.
14.3.4. Devem ser realizadas revisões periódicas das
especificações para que sejam obedecidos as novas edições da farmacopéia
nacional, ou outros compêndios oficiais.
14.3.5. As farmacopéias, os padrões de referência, as referências
de espectrometria e outros materiais de referência necessários devem estar à
disposição no laboratório de controle de qualidade.
14.4. Especificações para matérias-primas e materiais de
embalagem
14.4.1. As especificações das matérias-primas, dos materiais
de embalagem primária e dos materiais impressos, devem possuir uma descrição,
incluindo, no mínimo:
a) nome e o código interno de referência;
b) referência se existir, da monografia farmacopeica; e
c) requisitos quantitativos e qualitativos com os
respectivos limites de aceitação.
14.4.2. Dependendo da prática adotada pela empresa, podem
ser adicionados outros dados às especificações, tais como:
a) identificação do fornecedor e o produtor original dos
materiais;
b) modelo do material impresso;
c) orientações sobre a amostragem, os ensaios de qualidade e
a referência utilizada nos procedimentos de controle;
d) condições de armazenamento e as precauções;
e) período máximo de armazenamento antes que seja realizado
novo exame.
14.4.3. Os materiais de embalagem devem atender às
especificações, dando ênfase à compatibilidade dos mesmos com o produto farmacêutico
que contêm. O material deve ser examinado com relação a defeitos físicos visíveis
e críticos, bem como quanto às especificações requeridas.
14.4.4 Os documentos com a descrição dos procedimentos de
ensaio de controle devem indicar a freqüência com que devem ser feitos novos
ensaios de cada matéria-prima, conforme determinado pelos estudos de
estabilidade.
14.5. Especificações para produtos intermediários e produtos
a granel
14.5.1. As especificações dos produtos intermediários e a
granel devem estar disponíveis sempre que estes materiais forem adquiridos ou
expedidos, ou se os dados sobre os produtos intermediários tiverem de ser
utilizados na avaliação do produto final. As especificações devem ser compatíveis
com as especificações relativas às matérias-primas ou aos produtos acabados.
14.6. Especificações para os produtos terminados
14.6.1. As especificações devem incluir:
a) nome genérico do produto e marca ou denominação
comercial, quando for o caso;
b nome(s) do(s) princípio(s) ativo(s) com suas respectivas
DCB ou DCI;
c) fórmula ou referencia à mesma;
d) forma farmacêutica e detalhes de embalagem;
e) referências utilizadas na amostragem e nos ensaios de
controle;
f) requisitos qualitativos e quantitativos, com os
respectivos limites de aceitação;
g) condições e precauções a serem tomadas no armazenamento,
quando for o caso;
h) prazo de validade.
14.7. Fórmula mestra / Fórmula padrão
14.7.1. Deve existir uma fórmula mestra/padrão autorizada
para cada produto e tamanho de lote a ser fabricado.
14.7.2. A fórmula mestra/padrão deve incluir:
a) o nome do produto com o código de referência relativo à
sua especificação;
b) descrição da forma farmacêutica, concentração do produto
e tamanho do lote;
c) lista de todas as matérias-primas a serem utilizadas (com
suas respectivas DCB ou DCI); com a quantidade utilizada de cada uma, usando o
nome genérico e referência que são exclusivos para cada material. Deve ser
feita menção a qualquer substância que possa desaparecer no decorrer do
processo;
d) declaração do rendimento final esperado, com os limites
aceitáveis, e dos rendimentos intermediários, quando for o caso;
e) indicação do local de processamento e dos equipamentos a
serem utilizados;
f) os métodos (ou referência aos mesmos) a serem utilizados
no preparo dos principais equipamentos, como limpeza (especialmente após mudança
de produto), montagem, calibração e esterilização;
g) instruções detalhadas das etapas a serem seguidas na
produção (verificação dos materiais, pré- tratamentos, a seqüência da adição de
materiais, tempos de mistura, temperaturas);
h) instruções relativas a quaisquer controles em processo
com seus limites de aceitação;
i) exigências relativas ao acondicionamento dos produtos,
inclusive sobre o recipiente, a rotulagem e quaisquer condições especiais de
armazenamento;
j) quaisquer precauções especiais a serem observadas.
14.8. Instruções de embalagem
14.8.1. Devem haver instruções autorizadas quanto ao
processo de embalagem, relativas a cada produto e ao tamanho e tipo de
embalagem. Estas instruções devem incluir os seguintes dados:
a) nome do produto;
b) descrição de sua forma farmacêutica, sua concentração e
via de aplicação, quando for o caso;
c) dimensões da embalagem, expressas em termos numéricos, o
peso ou volume do produto contido no recipiente final;
d) listagem completa de todo material de embalagem necessário
para um tamanho de lote padrão, incluindo as quantidades, os tamanhos e os
tipos, com o código ou número de referência relativo as especificações de cada
material;
e) amostragem ou reprodução dos materiais utilizados no
processo de embalagem, indicando o local onde tenham sido impressos ou
gravados, o número do lote e sua data de vencimento;
f) precauções especiais devem ser observadas, como o exame
cuidadoso dos equipamentos e da área onde se realizará a embalagem, a fim de
garantir a ausência de materiais impressos de produtos anteriores nas linhas de
embalagem;
g) descrição das operações de embalagem, e dos equipamentos
a serem utilizados:
h) detalhes dos controles em processo, juntamente com as
instruções para a amostragem e os limites de aceitação.
14.9. Registros dos lotes de produção
14.9.1. Deve ser mantido registro da produção de cada lote.
Esses registros devem se basear na fórmula mestra/padrão aprovada e em uso,
evitando erros de transcrição.
14.9.2. Antes de iniciar um processo de produção, deve ser
verificado se os equipamentos e o local de trabalho estão livres de produtos
anteriormente produzidos, assim como os documentos e materiais necessários para
o processo planejado. Além disso, deve ser verificado se os equipamentos estão
limpos e adequados para uso. A verificação desses itens devem ser registrados.
14.9.3. Durante o processo de produção, todas as etapas
desenvolvidas devem ser registradas, contemplando o tempo inicial e o final de
execução de cada operação e, devidamente assinadas e datadas pelas pessoas
responsáveis pela realização de cada etapa, ratificada pelo supervisor da área.
Os registros dos lotes de produção devem conter pelo menos as seguintes informações:
a) nome do produto;
b) número do lote que estiver sendo fabricado;
c) datas e horários do início e de término das principais
etapas intermediárias de produção;
d) nome da pessoa responsável por cada etapa da produção;
e) identificação do(s) operador(es) das diferentes etapas de
produção e, quando apropriado, da (s) pessoa (s) que verifica (m) cada uma
dessas operações
f) número dos lotes e/ou o número de controle analítico e a
quantidade de cada matéria prima utilizada, incluindo o número de lote e a
quantidade de qualquer material devolvido ou reprocessado que tenha sido
adicionado;
g) qualquer operação ou evento relevante observado na produção
e, os principais equipamentos utilizados;
h) controles em processo realizados, a identificação da (s)
pessoa (s) que os tenha (m) executado e os resultados obtidos;
i) quantidades obtidas de produto nas diferentes etapas da
produção (rendimento), juntamente com os comentários ou explicações sobre
qualquer desvio significativo do rendimento esperado;
j) observações sobre problemas especiais, incluindo detalhes
como a autorização assinada para cada alteração da fórmula de fabricação ou
instruções de produção.
14.10. Registros de embalagem dos lotes
14.10.1. Devem ser mantidos registros da embalagem de cada
lote ou parte de lote, de acordo com as instruções de embalagem. Os registros
devem ser preparados de forma a evitar erros de transcrição.
14.10.2. Antes que qualquer processo seja iniciado, deve ser
verificado se os equipamentos e o local de trabalho estão isentos de produtos e
de documentos utilizados anteriormente, se os equipamentos estão limpos e são
adequados para uso. A verificação destes aspectos deve ser registrada.
14.10.3. Durante o processo de embalagem, todas as etapas
desenvolvidas devem ser registradas, datadas e assinadas pelos responsáveis e
pelo supervisor da área, contemplando o tempo inicial e o final de execução de
cada operação. Os registros dos lotes de fabricação devem conter :
a) nome do produto, o número do lote do produto a granel e a
quantidade a ser embalada, bem como o número de lote do produto terminado, a
quantidade planejada de produto final, a quantidade real obtida e a reconciliação;
b) data(s) e o horário(s) das operações de embalagem;
c) nome da pessoa responsável pela operação de embalagem;
d) identificação dos operadores nas principais etapas;
e) verificações feitas quanto à identificação e à
conformidade com as instruções para embalagem, incluindo os resultados dos
controles em processo;
f) detalhes das operações de embalagem, incluindo referências
aos equipamentos, às linhas de embalagens utilizadas e, quando necessário, as
instruções e registros relativas ao armazenamento dos produtos não embalados;
g) amostras dos materiais de embalagem impressos utilizados,
contendo o número de lote, a data de fabricação, quando aplicável, o prazo de
validade e qualquer impressão adicional;
h) observações sobre quaisquer problemas especiais,
incluindo detalhes acerca de qualquer desvio das instruções fornecidas quanto
ao processo de embalagem, com a autorização escrita da pessoa designada;
i) as quantidades de todos os materiais de embalagem
impressos com o número de referência ou identificação e dos produtos a granel
entregues para serem embalados, utilizados, destruídos ou devolvidos ao estoque
e a quantidade obtida do produto, a fim de que possa ser feita uma reconciliação
correta.
14.11. Procedimentos Operacionais Padrão -POPs e seus
registros
14.11.1. Devem haver Procedimentos Operacionais Padrão e
registros sobre o recebimento de matérias-primas e dos materiais de embalagem .
14.11.1.1. Dentre os registros feitos no recebimento, devem
estar incluídos :
a) nome do material descrito na nota de entrega e nos
recipientes;
b) denominação interna e/ou código do material;
c) data de recebimento;
d) nome do fornecedor e do fabricante;
e) número de referência ou o número de lote atribuído pelo
fabricante;
f) quantidade total e o número de recipientes recebidos;
g) número atribuído ao lote após o recebimento;
h) qualquer comentário relevante (o estado dos recipientes,
por exemplo).
14.11.2. Devem haver Procedimentos Operacionais Padrão para
a identificação interna dos produtos armazenados em quarentena e liberados (matérias-primas,
materiais de embalagem e outros materiais).
14.11.3. Devem haver Procedimentos Operacionais Padrão para
cada instrumento ou equipamento, os quais devem estar disponíveis próximos aos
respectivos equipamentos e instrumentos.
14.11.4.Devem haver Procedimentos Operacionais Padrão
relativos à amostragem e que especifiquem as pessoas designadas a coletar
amostras.
14.11.4.1. As instruções relativas à amostragem devem
incluir:
a) método e plano de amostragem;
b) equipamento a ser utilizado;
c) quaisquer precauções a serem observadas no sentido de
evitar que haja contaminação do material ou qualquer deterioração em sua
qualidade;
d) a quantidade de amostra (s ) a ser retirada;
e) instruções quanto à necessidade de qualquer subdivisão da
amostra;
f) tipo de recipiente a ser utilizado no acondicionamento
das amostras, bem como se o procedimento de amostragem deve ser realizado em
condições assépticas ou não;
g) quaisquer precauções específicas a serem observadas,
especialmente em relação à amostragem de materiais estéreis ou nocivos;
14.11.5. Deve haver um Procedimento Operacional Padrão que
descreva os detalhes do sistema de numeração de lotes, com o objetivo de
assegurar que cada lote de produto intermediário, a granel ou acabado seja
identificado com um número de lote específico.
14.11.5.1. Os Procedimentos Operacionais Padrão relativos a
numeração de lotes que forem aplicados às etapas de embalagem devem estar
relacionados uns aos outros.
14.11.5.2. O Procedimento Operacional Padrão relativo à
numeração dos lotes deve garantir que não sejam reutilizados os mesmos números
de lote, o que também se aplica ao reprocessamento.
14.11.5.3. A atribuição de um número de lote deve ser
imediatamente registrada. O registro deve incluir a data em que o referido número
tenha sido atribuído, a identificação do produto e o tamanho do lote.
14.11.6. Devem haver procedimentos escritos relativos aos
ensaios de controle realizados nos materiais e nos produtos, nas diferentes
etapas de fabricação, descrevendo os métodos e os equipamentos a serem
utilizados. Os ensaios realizados devem ser registrados.
14.11.6.1. Os registros de análise devem incluir, pelo
menos, os seguintes dados:
a) nome do material ou do produto e, quando for o caso a
forma farmacêutica;
b) número do lote e, quando for o caso, o fabricante e/ou
fornecedor;
c) referências para procedimentos de análise;
d) resultados analíticos, incluindo observações, cálculos,
referências utilizadas e as especificações (limites);
e) data em que são realizados os ensaios;
f) identificação das pessoas que tenham realizado os
ensaios;
g) identificação das pessoas que tenham conferido os ensaios
e os cálculos;
h) declaração de aprovação ou reprovação (ou outra decisão),
datada e assinada pela pessoa responsável.
14.11.7. Devem estar disponíveis procedimentos escritos
quanto a aprovação ou reprovação de materiais e produtos e, particularmente,
quanto à liberação para venda do produto terminado através da Pessoa autorizada.
14.11.8. Devem ser mantidos registros sobre a distribuição
de cada lote de determinado produto, a fim de facilitar o recolhimento dos
mesmos, se necessário.
14.11.9 Devem estar disponíveis Procedimentos Operacionais
Padrão e registros das ações desenvolvidas para as atividades de fabricação e
quando apropriado, das conclusões dos seguintes aspectos:
a) montagem e validação de equipamento;
b) aparelhos analíticos e calibração;
c) manutenção, limpeza e sanitização;
d) dados pessoais, inclusive qualificação, treinamento,
vestuário e higiene;
e) monitoramento ambiental;
f) controle de pragas;
g) reclamações;
h) recolhimento;
i) devoluções;
14.11.10. Os livros de registros diários devem ser mantidos
junto aos principais equipamentos, e devem registrar sua utilização, validação,
calibração, manutenção, limpeza ou operações de reparo, inclusive as datas e a
identificação da pessoa que os tenha realizado.
14.11.11. O registro do uso dos equipamentos, assim como as áreas
onde os produtos estiverem sendo processados deve ser feito em ordem cronológica.
14.11.12. Devem existir procedimentos escritos que atribuam
as responsabilidades relacionadas à sanitização e que descrevam com detalhes os
cronogramas, os métodos, os equipamentos e os materiais de limpeza a serem
utilizados, bem como as instalações a serem limpas. Os procedimentos descritos
devem ser cumpridos.