| O Esp�rito do Despertar | ||||||||
| Texto extra�do de "O Anel do Caminho"
de Taisen Deschimaru Que � o despertar? Compreender-nos a n�s mesmos. Quando estamos despertos, j� n�o precisamos procurar nem fazer esfor�os v�os. A maioria das pessoas procura sem cessar, � direita, � esquerda, nos livros, atrav�s de pr�ticas complicadas, etc.... Mas isso � em v�o. � poss�vel ir correta e diretamente, seguindo a ordem c�smica. Em nossa civiliza��o, todos os fen�menos da vida corrente, da vida social, da economia nos colocam contra a vida c�smica; da� devermos, �s vezes, regressar �s origens, � vida primitiva e original. Se a produ��o da mente n�o for correta, em v�o nos esfor�aremos em todas as pr�ticas poss�veis. Se despertardes para o poder c�smico fundamental, estareis despertando para v�s mesmos, compreendendo intimamente a vossa natureza profunda. Se a mente da nossa vida cotidiana e o Caminho n�o estiverem em harmonia, nosso corpo e nosso esp�rito n�o estar�o em paz. A verdadeira mente, a mente aut�ntica de Buda, A Mente C�smica, � muito semelhante � Lua, ao passo que o meio � semelhante � superf�cie da �gua, � corrente. As ilus�es, por sua vez, se parecem com o reflexo da Lua na �gua. Todas as exist�ncias t�m a verdade em si mesmas, exprimem o estado real da verdade universal. Abandonar, esquecer, rejeitar o pr�prio corpo e a pr�pria mente. Shin jin datsu raku. Bastar� que nos atiremos de novo na casa, na fam�lia de Buda para que, nesse momento, o Buda ajude, controle e dirija. Quando seguimos o Buda, n�o precisamos utilizar o nosso poder pessoal, n�o precisamos fazer nenhum esfor�o volunt�rio, por vontade pr�pria. Podemos tornar-nos Buda, inconsciente, natural, automaticamente, destacados da vida e da morte. A postura, o vosso pr�prio zazen � Deus ou Buda. N�o h� Buda objetivo ou Deus no exterior, do outro lado. H� um Deus ou um Buda subjetivo, no interior de nossa mente, em n�s mesmos. Nosso pr�prio ego � o Deus, o Buda eterno. N�o nascemos nem morremos. Praticar o zazen mushatoku, sem finalidade de lucro � a verdadeira pureza, a verdadeira for�a. Por vezes, surgem ilus�es, mas elas passam como os sonhos, ou como as nuvens diante da Lua. As ilus�es s�o o mendigo que vos importuna sem parar. Por mais que o escorraceis, ele volta sempre, cada vez mais. No fim, por�m, ele desiste; v�s vos voltais para expuls�-lo ainda uma vez, ou para aceit�-lo, e j� n�o h� ningu�m... � o satori. Pegar somente a raiz original e n�o se preocupar com os galhos. Por meio do zazen, todos os fen�menos do esp�rito tornam-se o cristal, o Vazio, Ku, e refletem o luar. Esquecer o pr�prio corpo e a pr�pria mente pessoal: � a Mente absoluta, o n�o-ego. Harmonizar, fundir o c�u e a Terra. A mente interior deixa passar pensamentos e emo��es. Totalmente livre do seu meio. O ego � abandonado. Tal � a origem das filosofias e religi�es da �sia. A mente e o corpo, o exterior e o interior, a subst�ncia e os fen�menos: esses pares n�o s�o dualistas nem opostos, mas formam uma unidade sem separa��o. Quando a atividade do mente enche o cosmo, e quando sabemos agarrar a oportunidade que se oferece, dispomos de todos os acontecimentos vari�veis, evitamos todos os acidentes e atacamos as dez mil coisas numa s�. Nossos sentidos e nossas impress�es n�o podem apreender realmente a natureza original da exist�ncia. Quando a captamos pelos sentidos, a mat�ria objetiva n�o � real, n�o � a verdadeira subst�ncia, sen�o imagina��o. Os problemas dif�ceis s�o diferentes para cada um, e cada um tem necessidade de um meio diferente para resolver seus problemas Precisamos criar nosso pr�prio m�todo. Se nos enganamos, n�s mesmos temos de cri�-lo. As grandes obras de arte s�o criadas al�m da t�cnica. No mundo da tecnologia e da ci�ncia, os grandes descobrimentos nascem, prov�m de al�m dos princ�pios e das t�cnicas. N�o devemos apegar-nos a uma id�ia s�, a uma categoria, a um conceito. Da id�ia � a��o devemos alcan�ar a verdadeira liberdade. N�o devemos pensar No antes e no depois Para a frente, para tr�s Somente a liberdade Do ponto do meio. Que � Bo Dai Shin? � o caminho. N�o penseis. N�o procureis. N�o desejeis. N�o guardeis. N�o obtenhais. N�o abandoneis. [...] N�o devemos pensar em ganhar, mas tamb�m n�o devemos ser vencidos. Como resolver a contradi��o? � dif�cil. Nem Kontin, nem Sanran, nem torpor, nem excita��o. � o Caminho do meio do Budismo. Ir para a direita ou para a esquerda � f�cil, ganhar ou ser vencido � f�cil tamb�m. Mas n�o ganhar e n�o ser vencido � muito dif�cil. Quando o nossa mente se torna ilumina��o, sem ego, ilumina��o invis�vel, sam�d�, todo desejo e toda ambi��o desaparecem. N�o sobra nada. � a �ltima esta��o da nossa vida, o ponto zero. Cumpre retornar a esse ponto, a esse estado de esp�rito interior pois, do contr�rio, a vida � dif�cil. N�o h� necessidade de procurar uma posi��o social, dinheiro, fam�lia. N�o h� necessidade de expor aos outros o fato de estarmos s�s diante de n�s mesmos, nem h� necessidade de agir sempre assim. � uma decis�o interior e pessoal. A verdadeira verdade. Desse modo, a vida se torna leve qual nuvem branca. Se seguirmos o Buda, sua energia e sua atividade, n�o precisaremos utilizar nossa pr�pria energia nem nossa for�a pessoal, nem dispersar nossa consci�ncia, nosso esp�rito. Finalmente, poderemos tornar-nos Buda sem nos separarmos da vida e da morte. Dai o n�o devermos ficar, nem estagnar-nos na mente, nem aferrar-nos a ela. Nossa energia, nossa mente se harmonizam com a energia c�smica, e a energia c�smica infinita dirige nossa pr�pria energia. Podemos, ent�o, dirigir as dez mil coisas numa s�. Podemos ser verdadeiramente livres, gra�as � energia infinita do cosmo, verdade invis�vel. O estado de samadi � um estado delicado, em que o corpo n�o sente nada al�m da paz perfeita na alegria profunda. A mente de samadi � muito semelhante � chama da vela numa sala fechada, quando rompe a escurid�o e alumia os objetos em volta. Na rela��o entre o corpo e mente, o material e o espiritual, o ego e os outros, n�s mesmos e a sociedade, n�s mesmos e todas as outras exist�ncias, a natureza, o cosmo, cada coisa � como o verso e o reverso de uma folha de papel. N�o h� nada impuro entre cada uma das faces. A impureza � o dem�nio. Originalmente, n�o h� dem�nio entre Deus ou Buda e n�s mesmos. Os dois s�o completamente �ntimos e est�o em unidade. Mas quando interv�m o dem�nio [ego] impuro, os dois se tornam relativos e dualistas. O dem�nio da impureza cria disc�rdias entre Buda e n�s mesmos. Pensamos comumente nas coisas da natureza: terra, rio, Sol, Lua, estrela, como coisas exteriores ao nosso esp�rito, mas, na verdade, elas s�o o pr�prio esp�rito. N�o imagineis, contudo, que isso signifique que todas as coisas est�o somente no interior da mente. Abandonar as no��es de exterior e interior, de ir e vir. A mente individual n�o est� fora nem dentro. Vai e vem livremente, sem apego. Um pensamento � montanha, �gua, terra. O pensamento seguinte � uma nova montanha, uma nova �gua, uma nova terra. Cada pensamento � independente, novamente criado, vital e instant�neo. A mente indivisa n�o se refere ao grande nem ao pequeno, ao pr�ximo nem ao distante, ao ser nem ao n�o-ser, ao ganho nem � perda, ao reconhecimento nem ao n�o-reconhecimento, ao satori nem ao n�o-satori, � ilus�o, � vida ou � morte. A mente indivisa est� al�m dos opostos. Portanto, o estudo do esp�rito � o Caminho para atingir a a��o est�vel e indivisa, al�m de todos os mundos da relatividade. Todo a nossa mente-corpo � Ku, que originalmente n�o aumenta nem diminui, n�o nasce nem morre. Por vezes, em nossa vida real e em nossa morte, desejos de nirvana ou de outras coisas nos fazem desenvolver o esp�rito de Buda. N�o devemos esperar um momento ou um lugar especial para realizar a mente de Buda. Essa mente nunca depende do tempo ou do lugar, nem tampouco das capacidades intelectuais. Porque a mente do despertar � a origem de toda a atividade real, aparece natural e automaticamente por si mesmo. N�o pode ser definido pela exist�ncia nem pela n�o-exist�ncia, pelo bem nem pelo mal, nem pelas circunst�ncias, pelos lugares ou pelos karmas passados. Nessa vida e nessa morte est� inclu�da a nossa vida real, a vida de todos os dias, com seus sofrimentos, sua tristeza, suas desgra�as, suas dificuldades e tamb�m sua alegria e sua oportunidade. Mas a verdadeira mente do despertar manifesta-se mais nos sofrimentos e na desgra�a do que na alegria e na oportunidade. A felicidade � como a bolha. Al�m do tempo e do espa�o n�o h� nem exist�ncia nem n�o-exist�ncia, nem bem nem mal, nem bom nem mau. � a eternidade. No mundo, por�m, tudo � Mujo, sempre mudando. Para viver eternamente faz-se mister compreender a raiz, a fonte. Se quisermos limpar a embocadura de um rio, temos de remontar ao manancial. Para purificar a jusante urge purificar a montante. |
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