| Deepak Chopra e a Yoga do Desejo | ||||||||||
| John David Ebert entrevista Deepak Chopra Entrevista extra�da do livro �O Fim da Divindade Mec�nica - Conversas sobre ci�ncia e espiritualidade no fim de uma era�, de John David Ebert, publicado pela Editora Teos�fica - Bras�lia, 2002. Introdu��o O Oriente tornou�se uma esp�cie de Meca para aqueles ocidentais em quem a fome da alma por prote�na espiritual n�o � nem mitigada pelas lendas e f�bulas da B�blia nem satisfeita pelas equa��es dos Principia de Newton. T.S. Elliot, em sua obra-prima de 1922, The Waste Land, tinha em mente para a met�fora do seu t�tulo o cen�rio ateu da Europa industrializada, onde os pistons de a�o e as precisas engrenagens planet�rias de suas f�bricas gigantescas estavam escurecendo o c�u e envenenando as �rvores de suas grandes florestas. A busca de um ideal feita por Elliot levou-o � �ndia, onde ele encontrou nas p�ginas do Brihadharanyaka Upanixade o ethos (modo de ser) espiritual de coopera��o com os poderes superiores do universo como uma alternativa para o lema do Ocidente de �colocar a natureza na roda da tortura e arrancar�lhe os segredos.� Nas d�cadas subseq�entes, uma por��o significativa da intelligentsia ocidental � incluindo Carl Jung, Mircea Eliade, Arthur Koestler e outros � seguiram os passos de Elliot viajando para o Oriente. E como temos visto nas p�ginas deste livro, pelo menos tr�s de seus protagonistas, Ralph Abraham, Rupert Sheldrake e Terence McKenna, tiveram experi�ncias transformadoras enquanto l� residiam temporariamente. Ali�s, este romance com o Oriente tem-se desenrolado no Ocidente desde quando Alexandre o Grande, invadiu a �ndia em 327 a.C. Tendo acabado de conquistar os persas e somado o Egito � sua cole��o, a hist�ria registra que ele e suas tropas marcharam para o vale do Indo, onde encontraram um grupo de velhos iogues nus queimando-se ao sol. Quando eles (os iogues) tiveram not�cia de que os gregos (Alexandre) estavam interessados em discutir filosofia, avisaram que ningu�m vestido em roupas de batalha poderia aprender qualquer coisa deles, e a �nica sa�da era que os gregos estivessem dispostos a despir�se e sentar�se sobre as rochas escaldantes. Mas um iogue de nome Kalanos gostou dos gregos e viajou com eles por um tempo, instruindo pessoalmente Alexandre nos mist�rios da filosofia hindu, at� a volta � P�rsia, onde Kalanos os surpreendeu anunciando�lhes sua inten��o de queimar�se vivo como demonstra��o de seus ensinamentos. E assim os gregos lhe constru�ram uma enorme pira na qual ele subiu com grande cerim�nia e enquanto o observavam, tocou fogo em si mesmo e sentou�se pacificamente em chamas. Assim come�ou o di�logo do Ocidente com o Oriente. E embora o di�logo tenha se reduzido a um virtual mon�logo durante a Idade M�dia, ele foi renovado com for�a especial no s�culo XVIII quando os ingleses, seguindo os passos de Alexandre, estenderam o seu imp�rio de modo a incluir a �ndia. Quando da �poca helen�stica, ap�s a decad�ncia do imp�rio de Alexandre, um per�odo de vigoroso com�rcio de id�ias foi iniciado. A supervis�o das tradu��es dos cl�ssicos indianos pelos ingleses foi recebida com satisfa��o por partes da intelligentsia ocidental. Goethe enaltecia a obra de Kalidasa enquanto Thoreau afastava-se para Walden Pond com Homero e o Bhagavad�Gita. E quando o grande fil�sofo alem�o Arthur Schopenhauer pegou uma tradu��o francesa dos Upanixades, a obra�prima que saiu de suas m�os foi The World as Will and Ideas (O Mundo Como Vontade e Representa��o), uma grande s�ntese de Plat�o, Kant e da filosofia hindu. Isso trouxe um novo impulso para a corrente acad�mica do Ocidente, que se viu instantaneamente arrebatada pelos dois disc�pulos mais famosos de Schopenhauer, Wagner e Nietzsche (1), de onde a tocha foi passada adiante para Carl Jung, James Joyce e os ilustres estudiosos das confer�ncias Eranos da Europa. A hist�ria da contribui��o de Deepak Chopra para este di�logo � bastante singular. Como ele conta em sua autobiografia, Return of the Rishi, sua carreira como m�dico come�ou quando seu tio lhe explicou os mist�rios da morte. Para horror de sua fam�lia, tinha sido descoberto que o seu tio era comunista, e embora isso manchasse a imagem que Chopra tinha do tio favorito de sua inf�ncia, ele ficou mesmo assim fascinado pelas explica��es ate�stas do seu tio sobre a morte. Apontando para o esqueleto enferrujado de um velho autom�vel, ele explicou que a morte n�o era mais misteriosa que o que acontecia �quele autom�vel � medida que o tempo o consumia em oxida��o. Era a mesma coisa com o corpo, e n�o havia necessidade de qualquer conceito de uma alma ou uma p�s-vida para compreender o que a ci�ncia podia explicar bem facilmente, se se tivesse bastante estudo e ambi��o. Tem sido dito que id�ias tais como a imortalidade da alma e a eternidade s�o inventadas para mitigar ansiedades sobre o fim inevit�vel da vida, mas no caso de Chopra, a id�ia da morte parece t�-lo motivado a passar sua vida fazendo o que podia para prolong�la da �nica maneira que a ci�ncia permite: atrav�s do estudo e da pr�tica da medicina ocidental. De fato, a �ndia em que Chopra cresceu estava numa transi��o turbulenta de col�nia de um imp�rio para um moderno estado-na��o, com sua ind�stria e pol�ticas definidas em grande parte atrav�s dos modelos ocidentais, enquanto suas pr�prias tradi��es estavam desaparecendo na obscuridade do folclore e da supersti��o. O pai de Chopra, por exemplo, que foi treinado como m�dico sob supervis�o inglesa, considerava a tradi��o m�dica hindu do Ayurveda praticada pela av� de Chopra como mero rem�dio caseiro e parte do passado supersticioso da �ndia. Assim Chopra decidiu tornar-se m�dico e passou por treinamento na �ndia como endocrinologista. Ele aproveitou- se da falta de m�dicos durante a guerra do Vietn� para vir para os Estados Unidos e trabalhar nos hospitais de Boston. Por volta dos 35 anos, ele era chefe de pessoal do hospital New England Memorial, mas o seu estilo de vida estava centrado no �lcool, cigarros e caf�, v�cios que adotara como estrat�gias de luta na atmosfera de alta tens�o nas salas de emerg�ncias de Boston. Mas ent�o um encontro casual com um livro sobre Medita��o Transcendental come�ou a lhe apontar outra vez na dire��o de suas tradi��es nativas. Chopra sempre pensara na medita��o como algo estritamente para iogues prontos a renunciar ao mundo, mas a Medita��o Transcendental falava de estresse e relaxamento. Ele come�ou a pratic�la todos os dias e logo estava livre de seus maus h�bitos. Numa visita de volta � �ndia com um amigo, ele encontrou um m�dico ayurv�dico que o impressionou com sua habilidade em diagnosticar simplesmente tocando os pulsos daqueles que vinham consult�-lo. A capacidade dele fazer isso est� realmente baseada numa tradi��o muito antiga de pensamento, comum tanto ao Oriente quanto ao Ocidente, que Arist�teles chamou �fisiognomonia�, querendo dizer que o car�ter interno ou a ess�ncia espiritual de uma pessoa torna�se vis�vel na sua constitui��o f�sica e no biorritmo. O paradigma cl�ssico para isso foi a medicina grega, que era baseada na teoria dos quatro humores, ou subst�ncias do corpo, que eram analogias fisiol�gicas dos quatro elementos, terra, ar, fogo e �gua. A predomin�ncia de um ou outro destes humores numa pessoa produzia um tipo de disposi��o psicol�gica, ou � fleum�tica (impass�vel, calmo, tranq�ilo) (�gua), � col�rica (fogo), � ardente (ar), ou � melanc�lica (terra) Os quatro humores, constitu�am a composi��o f�sica do corpo, � a b�lis negra (terra), � e a b�lis amarela (fogo), � fleuma (�gua) e � sangue (ar) Quando estes humores entravam em desarmonia, resultava em doen�a som�tica ou fisiol�gica. Assim, a sa�de era definida como a manuten��o perfeitamente equilibrada dos humores, exatamente como todo o planeta estava constantemente tentando equilibrar�se atrav�s dos quatro elementos: o frio do inverno era a tentativa da natureza de compensar o calor do ver�o, e assim por diante. A Ayurveda, do mesmo modo, est� baseada num conceito semelhante: h� tr�s doshas em vez de quatro humores, e a predomin�ncia de uma ou outra cria um tipo de corpo espec�fico. As tr�s doshas - vata, kapha e pitta � s�o contrapartidas microsc�picas dos tr�s gunas que comp�em a subst�ncia de todas as coisas em diferentes propor��es: � tantas, ou �in�rcia,� corresponde a kapha, um tipo metab�lico de movimento lento; � rajas, seu oposto, � �energia�, o an�logo de vata, ou tipo metab�lico r�pido; � sattva, �pura claridade� � de certo modo an�logo a pitta, que tende a produzir clareza de julgamento, e da� os tipos pitta nascerem geralmente como l�deres natos. A sa�de � definida como estado de equil�brio, e a doen�a como um desequil�brio das doshas, que podem ser influenciadas por dietas espec�ficas, uma vez que todos os alimentos s�o compostos destas doshas (em suas formas de gunas). Em 1987, Chopra publicou seu primeiro livro, Creating Health (Criando Sa�de) que apresentava a sua s�ntese do Ayurveda e da medicina ocidental. A este seguiram�se em 1988 suas mem�rias pessoais, Return of the Rishi e em 1989 o seu melhor livro, Quantum Healing (A Cura Qu�ntica), que faz refer�ncia aos problemas maiores de fundir a ci�ncia e a medicina ocidental com a metaf�sica oriental. � ainda a melhor introdu��o �s suas id�ias. Em 1991, Chopra e o Maharishi Mahesh tiveram uma desaven�a acerca de um artigo que Chopra e outros dois m�dicos ayurv�dicos publicaram no Journal of the American Medical Association. Chopra ent�o escreveu o seu bestseller: Ageless Body, Timeless Mind (Corpo Perene, Mente Eterna), que elabora a sua teoria de que o envelhecimento � moldado em grande parte pelos preconceitos culturais e pode desse modo ser reprogramado, quando essas preconceitos s�o afastados. Ap�s sua apari��o como convidado no Oprah Winfrey Show, o seu livro vendeu 137.000 c�pias no dia seguinte. Segundo a revista Newsweek, as empresas de Chopra arrecadam cerca de 15 milh�es de d�lares por ano, tornando-o o guru mais rico de todos os tempos (2). Talvez ele se tenha tornado o primeiro real guru multim�dia, tendo saturado o mercado com dezenove livros, uma publica��o mensal, fitas de v�deo, cassetes, CD�ROMs e produtos medicinais. Ele tamb�m viaja pelo mundo dando palestras e semin�rios ao pre�o de 25.000 d�lares cada. Ele abriu uma nova cl�nica em La Joila, Calif�rnia e planeja abrir v�rias outras. Ele escreveu um romance, The Return of Merlin, e no momento da entrevista que segue estava trabalhando em outro romance sobre a tradi��o m�stica judaica da Cabala. Det�m tamb�m os direitos sobre duas obras para o cinema. The Path to Love (O Caminho Para o Amor) � o seu mais recente bestseller, mas h� mais coisa por vir. Chopra tornou�se algo como uma institui��o de um homem s�. Na verdade, deve ser dito que o valor da contribui��o de Chopra ao di�logo Oriente-Ocidente � controverso. Artigos nas revistas Newsweek e What is Enlightenment?, por exemplo, o mostraram como uma serpente gananciosa vendedora de petr�leo e pronta para ganhar mais um tost�o empurrando aos ocidentais espiritualmente famintos vers�es consumistas da espiritualidade hindu. O problema dessas caricaturas � que elas n�o apenas descaracterizam a sinceridade de Chopra e o trabalho �rduo que o tem levado a profundas percep��es, mas tamb�m supersimplificam muito a enorme heterogeneidade da doutrina que � o legado da espiritualidade hindu (3). Deveria ser evidente para qualquer um que se d� ao trabalho de uma leitura completa, digamos, de Philosophies of �ndia (As Filosofias da �ndia) de Heinrich Zimmer, que a filosofia hindu, tanto quanto a filosofia ocidental, n�o pode ser reduzida a um simples ponto de vista. Ela � composta de v�rias escolas, h� seitas em competi��o, e diferentes doutrinas com �nfases bastante espec�ficas, onde nem todas est�o baseadas na ren�ncia ao mundo. Ali�s, a vis�o que Chopra tem do Vedanta como uma filosofia baseada na gratifica��o do desejo est� longe de ser n�o� espiritual; constitui, antes, uma atualiza��o das tradi��es de afirma��o - n�o de ren�ncia - da vida de tais escolas de pensamento orientais embasadas pelo Budismo Mahayana, Carma Ioga, ou Tantra. Realmente, a m�xima dessa �ltima escola, �bhoga (�prazer f�sico�) � Ioga�, significa que a deliciosa participa��o nos prazeres do mundo pode envolver consci�ncia espiritual uma vez que tudo � uma manifesta��o de Brahman, o Absoluto. A imers�o no reino dos sentidos � espiritual se a consci�ncia do participante est� ciente desta dimens�o metaf�sica (4) E a percep��o central do Budismo Mahayana � que a diferen�a postulada pelo pr�prio Buda, no sentido de que nirvana se op�e a samsara como liberta��o da escravid�o, � falsa, j� que a realiza��o �ltima da mais alta consci�ncia transcende todas as dualidades, incluindo aquela postulada pela ren�ncia versus desejo. Como est� escrito no texto do Budismo Tibetano, o Madhyamika Sastra: �O limite do nirvana � o limite do samsara. Entre os dois, n�o h� a m�nima diferen�a� (5) E assim, poderemos julgar por n�s mesmos o valor das contribui��es de Chopra na entrevista que se segue. Entrevista JE: No seu livro Return of the Rishi voc� descreve como foi treinado na �ndia como m�dico embora voc� n�o se tenha familiarizado com a abordagem tradicional oriental da medicina at� vir para a Am�rica. Voc� pode descrever como essa viagem do Oriente para o Ocidente e depois novamente de volta transformou a sua vis�o materialista do mundo numa vis�o espiritual? DC: Eu fui treinado em Boston em medicina interna e neuro� endocrinologia, que � o estudo da qu�mica do c�rebro. Isso foi nos anos 70. E para mim tornou�se �bvio, enquanto fazia meus estudos, que havia esta nova fronteira muito excitante que fazia a interface tanto da consci�ncia quanto da realidade material: o estudo dos neuropept�deos (neurotransmissores), estes mensageiros materiais do espa�o interior, se voc� os quiser chamar assim. Ent�o me tornei consciente de que havia todo um corpo de conhecimento no Oriente que considerava a realidade material como subproduto da realidade n�o�material, que � a consci�ncia. E havia a possibilidade de que a compreens�o desta realidade n�o�material pudesse ter um papel na cura e na transforma��o, assim eu comecei a embarcar na minha pr�pria viagem pessoal atrav�s do estudo da Ayurveda e da medita��o. Ao mesmo tempo, eu tinha os p�s perfeitamente no ch�o com a compreens�o da muito sofisticada qu�mica do c�rebro � neuroqu�mica � e da fisiologia do c�rebro. Assim, tamb�m comecei a estudar a fisiologia da medita��o e retornei � �ndia muitas vezes para estudar com os m�dicos ayurv�dicos. A Ayurveda � parte de um corpo mais amplo de conhecimento chamado Vedanta, que � totalmente dedicado � transforma��o espiritual. Logo que tive intimidade com todo o arcabou�o te�rico da cura como tem sido articulada num corpo muito sadio de conhecimento durante v�rios milhares de anos na �ndia, eu tamb�m imaginei que esta era apenas uma oportunidade para conhecer e explorar uma realidade e uma consci�ncia ainda mais profunda que chamamos de esp�rito. Assim foi uma transforma��o muito gradual ao longo dos anos. Destaque do site: 1. Ao contr�rio do Ocidente, o Oriente considera a realidade material um subproduto da realidade n�o�material, que � a consci�ncia. 2. Enquanto os neurofisiologistas ocidentais consideram a consci�ncia um subproduto da c�rebro, a vis�o oriental, ao contr�rio, considera o c�rebro um subproduto da consci�ncia. JE: Voc� mencionou que a vis�o do mundo cient�fico ocidental surpreendentemente ap�ia a vis�o dos antigos s�bios da �ndia. Voc� poderia descrever alguns dos modos como a ci�ncia ocidental ap�ia a espiritualidade oriental? DC: Eu diria, depende de como voc� interpreta a ci�ncia ocidental, porque h� muitos cientistas no Ocidente que s�o puramente materialistas e podem n�o concordar com o que eu tenho a dizer. E ainda assim, � medida que adentramos os avan�os mais recentes da f�sica qu�ntica, acho que somos incapazes de escapar da conclus�o de que a natureza essencial do mundo material � que ele n�o � material, que a mat�ria essencial do universo � n�o-mat�ria. Mas esta n�o�mat�ria n�o � apenas n�o�mat�ria convencional. � um vazio que n�o � em si mesmo um vazio, mas a plenitude de informa��o e de energia. E se formos al�m da informa��o e da energia, � mais do que isso, � intelig�ncia. E se � intelig�ncia, ent�o deve ser consci�ncia. Assim, a consci�ncia torna-se mat�ria-prima da cria��o. A consci�ncia concebe, governa, constr�i e por fim torna�se a realidade f�sica. Se voc� olhar para qualquer coisa que seja material, quer seja o meu corpo ou a mesa que est� aqui diante de mim ou a cadeira na qual eu estou sentado, voc� pode reduzi�la a seus componentes essenciais, que s�o �tomos; os �tomos por sua vez s�o part�culas que est�o se movendo � velocidade do raio atrav�s de enormes espa�os vazios; e, da mesma forma, essas part�culas n�o s�o coisas materiais, elas s�o flutua��es de energia e informa��o num enorme vazio. Vistos atrav�s dos olhos de um f�sico, esta cadeira e esta mesa e este corpo s�o proporcionalmente t�o vazios quanto o espa�o intergal�ctico. Mesmo aquelas part�culas que n�s chamamos flutua��es de energia e informa��o s�o realmente interse��es de campos. S�o fantasmas matem�ticos, provavelmente amplitudes. Destaque do site: Brahman/Esp�rito/Intelig�ncia + informa��o e energia (campo qu�ntico) = consci�ncia. E a consci�ncia concebe, governa, constr�i e por fim torna�se a realidade f�sica. Nota do site: �Toda mat�ria se origina e existe apenas em virtude de uma for�a... N�s devemos assumir que por tr�s desta for�a h� a exist�ncia de uma mente consciente e inteligente. Essa mente � a matriz de toda a mat�ria.� (Max Plank � considerado o pai da f�sica qu�ntica). JE: Voc� v� o campo qu�ntico como igual ao Brahman hindu, ou Brahman transcende at� mesmo isso? (6) DC: Brahman transcende o campo qu�ntico porque Brahman � intelig�ncia e o campo qu�ntico agora como o entendemos � definido como um continuum de amplitudes de probabilidades para eventos no espa�o�tempo. Assim, h� probabilidades j� dentro do pr�prio campo. Brahman est� al�m disso, est� al�m at� mesmo do campo de probabilidade de pura potencialidade. JE: Voc� articulou uma esp�cie de filosofia da realiza��o de desejos atrav�s de toda sua obra. Por exemplo, voc� diz que �quando temos um desejo, as nossas mais leves inten��es est�o se agitando atrav�s do universo no n�vel qu�ntico�. Voc� pode explicar como os nossos desejos s�o realizados ou frustrados atrav�s de seus relacionamentos com o campo qu�ntico? DC: Sim, eu vejo o desejo ou a inten��o, como uma for�a da natureza, da mesma forma como a gravidade � uma for�a da natureza, ou o eletromagnetismo � uma for�a da natureza. Nos tempos de Darwin, havia um cientista de nome Lamarck que era desacreditado por seus contempor�neos, mas foi ele provavelmente o primeiro a sugerir que os organismos biol�gicos organizam seu comportamento segundo sua inten��o. Para dizer isso de modo mais simples: uma girafa tem pesco�o comprido porque pretende alcan�ar o alto daquela �rvore para comer aquela folha. Um camelo tem uma corcova porque o campo qu�ntico ou a consci�ncia que experimentamos como a express�o material chamada �camelo� tem realmente a inten��o de andar pelo deserto durante sete dias sem �gua, por isso desenvolve uma corcova. E uma ave sabe como voar porque pretende faz�lo. O organismo biol�gico cria as asas. Um papagaio tem um c�rebro que � menor que um ter�o da unha do dedo da minha m�o e n�o tem quase nenhuma corda vocal e tem como boca um bico, mas pode simular a linguagem humana e pode aprender a falar. Como isso acontece? Se eu fosse um cientista tentando estudar a mec�nica da coisa, isso poderia custar�me toda a vida e, no entanto, com a id�ia da inten��o, a biologia organizar� os fatos. E voc� pode estudar muitas outras coisas: os h�bitos migrat�rios das borboletas monarcas, como os pombos-correio retornam aos locais de procria��o, etc. Assim, parece que o princ�pio por detr�s da inten��o � que se ela estiver estruturada a partir do n�vel mais b�sico no campo - e o campo � Brahman, ou voc� pode cham�lo de campo unificado ou o que est� al�m do campo qu�ntico � ent�o a inten��o organiza a sua pr�pria realiza��o. H� uma express�o que aprendi quando crian�a na �ndia, e que � dos Vedas: �a inten��o, estruturada em Brahman, tem infinito poder de organiza��o.� Esse ensinamento tamb�m est� no Bhagavad-Gita quando Sri Krishna diz a Arjuna, �estabelecido na Ioga, execute a a��o.� O que Ele est� dizendo � que, se a sua inten��o � daquele n�vel � o que significa que n�o est� obscurecido pelo ego e que voc� tamb�m est� desapegado do resultado - ent�o aquela inten��o assume o poder do pr�prio campo porque � mais uma inten��o universal do que uma inten��o pessoal. Assim, quando aplicada � nossa pr�pria vida pessoal, a inten��o (ou desejo) torna-se muito poderosa quando: � primeiro, vem de um n�vel de profundo sil�ncio; � e segundo, n�o h� ego envolvido; � terceiro, h� submiss�o ao mist�rio do universo; � quarto, h� desapego do resultado; � quinto, h� comunh�o com a intelig�ncia do universo; e � sexto, h� uma atitude de n�o�resist�ncia. Agora, estes s�o basicamente os atributos da inten��o no campo, mas n�o � uma inten��o motivada pelo ego, guiada pela ambi��o. Se dessa din�mica surgem nossos desejos pessoais, eles ser�o realizados com muito mais facilidade e muito menos ansiedade. Acreditamos que a realiza��o do desejo se d� sempre atrav�s da ambi��o, de planos severos, trabalho duro e disciplina, o que, certamente, resulta em realiza��o, mas tamb�m traz junto consigo a hipertens�o, ataques card�acos, derrames, malignidade, div�rcio, comportamentos baseados em depend�ncia, etc, etc. Uma vez que voc� esteja no caminho espiritual, ent�o, o que acontece � que, devido ao fato de que o esp�rito � um dom�nio da percep��o onde vivenciamos nossa universalidade, ent�o, automaticamente, a inten��o torna�se menos pessoal e mais universal, para que o di�logo interno mude de �o que eu ganho com isso?� para �como posso ajudar?� Destaque do site: 1. O desejo ou a inten��o s�o vistos como for�as da natureza, da mesma forma como a gravidade e o eletromagnetismo. 2. O esp�rito � um dom�nio da percep��o onde vivenciamos nossa universalidade, o ego nossa individualidade. 3. Como a evolu��o apresenta um componente de vontade/inten��o ou de dire��o, poder�amos dar um passo adiante e dizer que o universo � um organismo inteligente e - atrav�s do homem - autoconsciente. JE: Muitas pessoas no Ocidente entendem que a filosofia oriental envolve uma ren�ncia ao desejo. Estaremos entendendo mal, no Ocidente, as id�ias orientais? DC: N�o necessariamente. Depende de quem est� interpretando. Se voc� ler os escritos de Gautama Buda, ele diz basicamente: �No caminho da auto�ilumina��o, a nada devo prender-me como sendo eu ou meu.� Agora, depende de como voc� interpreta a coisa. Voc� pode interpretar como ren�ncia. Mas eu conhe�o muitos monges que vivem em mosteiros e eles n�o abriram m�o de nada. Est�o lendo a revista Playboy. Assim o verdadeiro desapego nada tem a ver com o fato de se voc� vive num mosteiro ou num castelo. O verdadeiro desapego � na consci�ncia. A sua atitude de ren�ncia � que voc� est� desapegado do resultado, que voc� se submeteu ao mist�rio do universo. E eu tamb�m acredito que quando uma pessoa entende isso, ent�o a ren�ncia � um subproduto, um resultado (uma conseq��ncia natural, espont�nea), e n�o um meio. Voc� v�, se eu estou no caminho espiritual e estou vivenciando a minha universalidade, a minha alegria, a minha capacidade de experimentar alegria e lev�la aos outros, ent�o estou experimentando a minha habilidade de amar e ter compaix�o. Estou vivenciando a seguran�a de saber que eu tenho um sentido de conex�o com o poder criador do universo. Se estou vivenciando em algum n�vel profundo o fato de que a minha vida tem significado e prop�sito, e ao mesmo tempo os meus desejos est�o sendo espontaneamente realizados, ent�o estou automaticamente pronto para a ren�ncia. A ren�ncia � um subproduto da viv�ncia. Mas se eu come�o logo com a ren�ncia, vou apenas ficar frustrado. H� uma prece de Santo Agostinho: �Senhor, dai-me a castidade. Dai- me contin�ncia. Mas n�o agora.� Destaque do site: O verdadeiro desapego � na consci�ncia; e a 'ren�ncia' � um subproduto da viv�ncia, uma atitude espont�nea que ocorre n�o a priore mas a posteriore. JE: Voc� diz que n�s fazemos as coisas acontecerem embora pare�a que elas est�o acontecendo para n�s. Isso tamb�m se aplica a ficar doente? N�s nos tornamos doentes? DC: N�s participamos em tudo que acontece conosco, inclusive nossa doen�a, inclusive nosso bem�estar. N�o podemos ter um sem ter o outro. A palavra �responsabilidade� literalmente significa �a habilidade de ter uma resposta.� E a minha defini��o de responsabilidade, que aprendi quando crian�a, � a habilidade de ter uma resposta criativa para um desafio. Embora a maioria de n�s em qualquer situa��o reage com uma resposta conservadora, ou uma resposta reativa, n�s temos outras respostas implantadas no nosso sistema nervoso al�m da resposta condicionada: � a resposta intuitiva; � a resposta criativa; � a resposta vision�ria e � a resposta sagrada. De modo que a qualquer momento de nossas vidas, temos a habilidade de fazer estas escolhas. E s�o estas escolhas que finalmente levam � experi�ncia da sa�de ou da doen�a. Assim, quando adoecemos, ou quando algo acontece conosco, � importante nos perguntarmos: �Qual a minha contribui��o para este processo?� Essa � a �nica coisa que eu posso mudar. Se fumo cigarros, isso � algo que eu posso mudar na minha doen�a. Por outro lado, posso estar pegando c�ncer n�o porque fumo cigarros, mas porque todos os outros ao meu redor fumam e o ambiente est� completamente contaminado. Bem, mesmo a�, eu tenho algum grau de participa��o. Eu tenho a escolha de estar naquele ambiente ou n�o. Poder�amos dizer, que tal esta crian�a que nasceu e que ap�s dois anos adquire leucemia? Bem, no esquema do Vedanta, a vida n�o � espremida para dentro do volume de um corpo ou do per�odo de uma vida na terra, mas... Atravessa a eternidade! E se voc� entende isso, ent�o voc� est� querendo se reconciliar com algumas das confus�es e afli��es que adv�m do fato de n�o compreender completamente o mist�rio do carma. H� uma express�o nos Upanixades que diz, �impenetr�veis s�o os mist�rios do carma.� Assim, n�s n�o sabemos realmente quais s�o as repostas verdadeiras. Mas � medida que desenvolvermos mais a percep��o e pararmos de olhar a vida como apenas uma doen�a sexualmente transmitida, tempor�ria e incur�vel, mas como algo muito maior, ent�o teremos um senso de paz em rela��o a algumas das coisas que n�o compreendemos. Destaque do site: 1. Podemos escolher respostas que est�o al�m das reativas ou condicionadas, como por exemplo a intuitiva, criativa, vision�ria e sagrada. 2. A vida n�o pode ser espremida para dentro do volume de um corpo ou restringir-se ao per�odo de uma vida na terra, uma vez que sua origem tem como base toda eternidade. JE: Voc� descreveu a abordagem da ind�stria m�dica ao tratamento de doen�as como a �abordagem da bala m�gica.� Voc� pode caracterizar esta abordagem e o que h� de errado com ela? DC: Eu acho que a abordagem m�dica � muito eficiente. Se eu tenho pneumonia, ent�o o antibi�tico apropriado pode salvar a minha vida. Se quebrasse a perna, n�o acredito que deveria recorrer imediatamente a algum tipo de tratamento � base de ervas. A medicina tem salvo milh�es de vidas e continua a faz�lo, e ainda assim transformou os m�dicos em t�cnicos soberbos que sabem tudo sobre o corpo e nada sobre a alma humana. Deste modo, a medicina perdeu sua pr�pria alma. Este � o maior problema da abordagem t�cnica da medicina moderna. A bala m�gica interfere com o mecanismo das doen�as, mas n�o vai � origem da doen�a, ou � origem da sa�de. Assim, voc� pode interferir com o mecanismo da doen�a e pode livrar�se da doen�a em pouco tempo. Se voc� conhece o mecanismo de como as bact�rias se multiplicam e interfere com ele, pode livrar-se da infec��o. Mas ent�o se voc� continua a usar estes antibi�ticos e especialmente se voc� o faz indiscriminadamente, ent�o voc� termina com uma infec��o resistente a antibi�ticos. E nesse momento, este � o maior problema da medicina: infec��es perigosas que est�o sendo contra�das somente em hospitais e literalmente centenas de milhares de pessoas est�o morrendo destas infec��es. � devastador, e ningu�m sabe como trat�las. Ali�s, h� uma grande preocupa��o na medicina com o fato de que n�s tenhamos criado estes organismos monstruosos que s�o assassinos e n�o saibamos como lidar com eles. A causa n�mero um de depend�ncia a drogas no mundo n�o � as drogas de rua mas as receitas que s�o prescritas por m�dicos. Trinta a quarenta por cento das pessoas em hospitais sofrem de doen�a medicamentosa contra�da nos hospitais ou como resultado de uma prescri��o. Eu l� um artigo no Journal of the American Medical Association que revelava que se voc� contasse todas as mortes em hospitais a partir de acidentes m�dicos, seria equivalente ao desastre com tr�s jumbos, dia sim, dia n�o. Isso � muito assustador. Mas por outro lado, a medicina � �til, tamb�m. Voc� n�o pode dizer que n�o seja. Mas o que esquecemos � que h� uma diferen�a entre tratamento e cura. A palavra healing, �cura�, est� relacionada com as palavras holy, que significa �sagrado�, e whole, que significa ��ntegro, inteiro�. Isso significa que se voc� realmente quer curar algu�m, voc� tem que curar todo o ambiente da pessoa. Tem que curar o seu corpo f�sico. Tem que curar sua vida emocional. Tem que lhe dar uma experi�ncia espiritual; de outro modo, voc� n�o est� se dedicando ao ser como um todo. H� um contexto para tudo. Dez pessoas podem ser expostas a um v�rus e nem todas contraem a infec��o. Cem pessoas s�o expostas a um carcin�geno; nem todas contraem c�ncer. Assim, temos uma abordagem muito mecanicista tanto para a doen�a quanto para o seu tratamento, uma abordagem baseada numa vis�o incompleta do mundo. Destaque do site: A palavra healing/cura, significa sagrado, �ntegro, inteiro, e isso quer dizer que para realmente curar algu�m � preciso adotar uma abordagem completa para curar n�o s� a pessoa mas todo o ambiente ou contexto vivenciado por ela - inclusive sua pr�pria 'percep��o' de mundo, de exist�ncia, realidade etc. JE: Em Ageless Body, Timeless Mind (Corpo Perene, Mente Eterna), voc� v� o envelhecimento n�o como uma constante biol�gica, mas como uma constante do condicionamento social. Voc� pode explicar isso? DC: Antes de mais nada, devemos compreender que toda a din�mica do envelhecimento tem mudado atrav�s dos s�culos. No Imp�rio Romano, a idade m�dia de um ser humano era de 28 anos. No in�cio do s�culo vinte, a idade m�dia de um ser humano era de 49 anos. Hoje em dia, o segmento que mais cresce da popula��o norte�americana vive al�m dos 90 anos de idade. Assim, estamos vendo uma express�o completamente diferente do envelhecimento. As pessoas com 70 e 80 anos hoje n�o s�o as mesmas que h� uma gera��o, de outro modo John Glenn n�o poderia ter sido capaz de voltar ao espa�o, como ele fez. Assistimos a uma express�o biol�gica diferente do envelhecimento. H� um excelente estudo de Elien Langer, da Universidade de Harvard, mostrando que as nossas expectativas em rela��o ao que nos acontece influenciam a biologia do envelhecimento. Elien fez uma experi�ncia nos anos oitenta, levando pessoas a um mosteiro fora de Boston e fazendo-as agir como se estivessem vivendo h� trinta anos. E todos os est�mulos sens�rios repetiam a experi�ncia de 30 anos atr�s, incluindo a m�sica, com Elvis Presley, rock and roll, autom�veis Chevrolet Impalas, filmes de Alfred Hitchcock. Elas usavam etiquetas com fatos de trinta anos atr�s, e ela dizia, �ajam como voc�s agiam h� trinta anos�, e ent�o media as marca��es biol�gicas e descobria que haviam revertido dramaticamente em tr�s semanas. Assim, se a sua expectativa � aposentar�se aos 65 anos e tornar-se um in�til, e por isso espera passar todo o seu tempo na Fl�rida espregui�ando-se num asilo, isso se transforma em uma profecia que se auto-realiza. Outras pessoas, incluindo Alexander Lee, de Harvard, estudaram o envelhecimento das popula��es em outras culturas, na Abkhasia e na Ge�rgia, na R�ssia, e descobriram que nestas culturas ficar velho � considerado quase como encantador. Assim, se voc� perguntar a alguma dessas pessoas que idade ela tem, ela ir� exagerar na idade porque envelhecer � considerado encantador. Voc� � honrado, � venerado, � respeitado, lhe d�o mais responsabilidade, e assim voc� � a pessoa mais importante na sociedade. E toda essa afeta��o, adula��o, respeito e aten��o de algum modo influencia a sua biologia para que voc� tenha uma resposta biol�gica completamente diferente. Eu acho que foi Nietzsche quem disse que n�s vivemos com a id�ia de que pensamos, mas na maior parte do tempo estamos sendo pensados. Assim, se a mente coletiva diz, �� assim que voc� envelhece�, ent�o � assim que voc� envelhece. Se a mente coletiva diz, �n�o, n�o � assim que voc� envelhece,� ent�o voc� envelhece de modo diferente. Destaque do site: Vivemos com a id�ia - ou ilus�o - de que somos n�s que 'pensamos', mas na maior parte do tempo estamos sendo pensados pela �hipnose� do condicionamento social. Assim como a cren�a num mundo material ou a exist�ncia do ego separado do todo e invari�vel em si mesmo, o envelhecimento tamb�m � moldado em grande parte pelos preconceitos s�cio-culturais. JE: Voc� n�o est� dizendo, est�, que � poss�vel para n�s nos tornarmos fisicamente imortais? DC: Eu n�o sei a resposta para essa pergunta. Eu definitivamente diria que n�o � desej�vel tornar�se fisicamente imortal. Poder�amos estar condenados � senilidade eterna. Mas eu n�o sei quais s�o os limites do envelhecimento humano. Como eu disse, hoje em dia, o segmento que cresce mais rapidamente da popula��o tem 90 anos ou mais. A ci�ncia de hoje diz que voc� pode viver at� os 120 anos na aus�ncia de doen�a, e de fato h� casos documentados de pessoas vivendo at� os 121 anos. (7) A doen�a n�o � necessariamente um acess�rio do envelhecimento. Voc� pode ter 90 anos e ter artrite, enquanto outros n�o t�m. Algumas pessoas ter�o doen�a em art�rias e coron�rias e outras n�o. Assim voc� pode estar mais freq�entemente predisposto a doen�as � medida que envelhece, mas a doen�a n�o � necessariamente um acess�rio. � isso que est� acontecendo agora, dado o status nutricional e condi��es ambientais. Mas se voc� me dissesse h� cinq�enta anos que as pessoas viveriam at� os 90 ou 100 anos com uma certa freq��ncia nos anos 1990, eu teria dito, �voc� est� louco.� Assim, eu n�o sei o que nos aguarda no futuro. Destaque do site: N�o � desej�vel tornar�se fisicamente imortal. Poder�amos estar condenados � senilidade eterna. JE: Numa outra entrevista, voc� uma vez disse que se pud�ssemos retirar a religi�o da face da terra todos n�s ser�amos pessoas muito mais felizes e nos tornar�amos realmente espirituais no verdadeiro sentido. Voc� poderia elucidar isso para mim? DC: Deus deu a verdade aos seres humanos e o diabo veio e disse, �eu organizarei essa coisa para voc� e n�s a chamaremos de religi�o.� Na organiza��o da espiritualidade n�s temos a perda da verdade. Se voc� contar o n�mero de guerras e todas as pessoas que foram mortas em nome de Deus... Tem acontecido desde antes das Cruzadas; hoje na B�snia, em Sri Lanka, e at� mesmo budistas, e hindus, que se sup�e que sejam pessoas n�o-violentas, tornam-se extremamente violentos quando se tornam religiosos no sentido fundamental - porque esse tipo de religi�o alimenta a no��o de que a minha vis�o de Deus e a minha vis�o do divino � o �nico ponto de vista verdadeiro. E essa � a contradi��o: a verdadeira espiritualidade � um dom�nio de percep��o que � universal. Eu passei minhas f�rias de Natal no pa�s isl�mico do Marrocos, que � um pa�s muito tranq�ilo e bonito, com belas mesquitas e pessoas muito espiritualizadas. Depois passei meses estudando o Alcor�o, que � todo sobre o Velho Testamento e todo sobre Cristo. Maom� � um profeta posterior. Noventa por cento do Alcor�o fala sobre Abra�o, Isaac, Ismael e Jesus Cristo. Fala sobre a ressurrei��o. Assim, onde est� a contenda? Onde est� o conflito?... � uma rixa de fam�lia. J� foi dito que o homem foi criado � imagem de Deus; eu creio que � o contr�rio, Deus � criado � imagem do homem. E todos n�s temos a nossa pr�pria vers�o Dele ou Dela. Por outro lado, a espiritualidade � um dom�nio de percep��o. Nada tem a ver nem mesmo com a filosofia ou um ponto de vista. � todos os pontos de vista. � toler�ncia, � perd�o, � amor, � compaix�o. � a habilidade de se conectar com a alma de outra pessoa. Destaque do site: Na organiza��o da espiritualidade temos a perda da verdade em virtude de sua tend�ncia ao sectarismo. A verdadeira espiritualidade no entanto � um dom�nio de percep��o que � universal. NOTAS (de John D. Ebert) 1. Wagner pensara certa vez em compor uma �pera sobre a vida do Buda, enquanto o primeiro livro de Nietzsche, The Birth of Tragedy, muito deve a seus predecessores Wagner e Schopenhauer, particularmente quanto ao fato de terem ambos sido inspirados pelo Hindu�smo e Budismo. Nietzsche, � claro, depois tamb�m reverteu sua atitude quanto ao Oriente, cometendo os mesmos equ�vocos de ambos os seus mentores, simplificando excessivamente as doutrinas do Oriente e transformando�as em uma simples �tica renunciativa do mundo. Mas diferentemente deles, Nietzsche dispensou o Oriente como coisa sem valor para aqueles que desejam abra�ar a vida. � preciso que se diga que diferentemente de certos jornalistas de hoje em dia estes grandes fil�sofos do Ocidente podem ser desculpados por suas simplifica��es porque pouca coisa era conhecida sobre as complexidades do pensamento hindu e budista no s�culo 19. Por�m, os equ�vocos cometidos pelos editores da revista What is Enlightenment? em suas entrevistas e escassos coment�rios sobre Deepak Chopra n�o podem ser perdoados por conta da ignor�ncia cultural do Ocidente. Os erros aqui s�o devidos � ignor�ncia individual e � confian�a indevida nos fluentes pacotes de Chopra que nos s�o passados pela m�dia. 2. Leland e Power (1997), pp. 53�58. 3. Bridie (1997), ibid.; Leland e Power (1997), ibid. 4. �O principal problema � - o que � moksha? � liberta��o do mundo? Ou � liberta��o da ignor�ncia? Se for essa �ltima e se Atman est� no mundo, a liberta��o do mundo � sup�rflua e pode at� representar uma no��o errada sobre a natureza de moksha ... Se sabemos da iman�ncia de Atma-Brahma em todas as coisas, ent�o o que acontece se respondermos ao desejo? Eu estaria feliz de ficar louco de desejo, ao saber que ele � divino...�. Veja Joseph Campbell (1995), pp. 171�172. 5. Veja Campbell (1962) p. 351. Voltar. 6. Brahman � a concep��o hindu da realidade Absoluta, o terreno ontol�gico de ser do qual todas as formas do mundo s�o uma manifesta��o. Brahman, por�m, � impenetr�vel, incognosc�vel e em �ltima inst�ncia um mist�rio para o intelecto, embora possa ser experenciado no transe iogue em samadhi, no qual a mente � lan�ada al�m de todos os nomes, formas, vis�es e pares-de-opostos em uma experi�ncia deste �Um� �ltimo que � o terreno de todo ser no espa�o e no tempo. Atman, que muitas vezes � mal traduzido como �alma�, � o terreno pessoal do mist�rio incorporado pelo indiv�duo. Brahman�atman formam desse modo um par de conceitos � o mist�rio como macrocosmo subjacente ao universo e como microcosmo subjacente � alma humana - que deve ser transcendido pela experi�ncia n�o-dual do samadhi, pelo qual os dois se tornam um, brahmanatman. N�o � muito verdadeiro dizer�se, por�m, que n�o se pode atribuir predicados a Brahman, pois sua raiz etimol�gica � o prefixo brh - que significa �energia.� Algumas escolas, no entanto, atribuem tr�s predicados a Brahman, conhecido como sat, cit, ananda. Sat � o �ser,� cit � � �consci�ncia,� e ananda � o ��xtase.� 7. O caso de maior longevidade de que se tem conhecimento no Ocidente � o de Thomas Parr, que nasceu em 1483 e morreu em 1635 com a idade de 152 anos! Com a idade de 130, dizia-se que ele debulhava milho. |
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