| Vajrayana para Principiantes | ||||||||
| O �poderoso mantra d�cuplo� � um retrato tanto do indiv�duo como do cosmo.
Dez s�mbolos m�ntricos est�o arranjados em seis cores entrela�adas com tanta arte que � quando lemos o bloco compacto de baixo para cima � o corpo humano est� representado da sola dos p�s ao v�rtice da cabe�a. Em seu significado c�smico, tais s�mbolos representam os princ�pios ou estados agregados definidos como o vento, o fogo, a �gua e a terra, para o qual, ainda como centro da montanha Meru (de acordo com a cosmologia budista, montanha divina situada no centro do universo), o mundo da forma e da n�o-forma chegam remotamente. Sobre os estados agregados pairam uma �chama� e os s�mbolos para a �Lua� e para o �Sol�. Estes s�o interpretados, em rela��o ao indiv�duo, como as �tr�s art�rias da energia vital�. O mantra simboliza, portanto, a inter-penetra��o assim como a identidade dos elementos do corpo e do universo, tornando claramente manifesto o paralelismo entre indiv�duo e universo. Naturalmente n�o falamos aqui de elementos no sentido cient�fico mas no sentido de �unidades�. Esses elementos, terra, �gua, fogo, ar e �ter, n�o s�o elementos no sentido da f�sica (como com freq��ncia empregamos o termo), mas elementos no sentido de �estados agregados�. Representam por conseguinte os estados s�lidos, l�quido, �gneo (do fogo), gasoso, e c�smico-et�reo. Todos esses estados agregados adotam formas � relativas � press�o, calor e outras condi��es � que podemos ver e conhecer. S�o qualificados � especialmente o budismo � de �elementos�, ou seja, �formas� das agrega��es, cada uma delas corresponde a um determinado chakra do corpo humano. Chakra (cakra) significa literalmente �roda�, mas poder�amos tamb�m cham�-lo de �l�tus�. Estes chakras tem ent�o diferentes cores e isso � especialmente importante, visto que essas cores est�o fixadas desde as �pocas mais remotas; ao longo de toda a hist�ria do budismo essas cores s�o representadas de forma invari�vel em mandalas e mantras. Sem conhec�-los, n�o saber�amos com o que temos de lidar. -O chakra que est� localizado na parte mais inferior encontra-se no final da coluna vertebral; -Segue-se o que responde pela fun��o da digest�o; -Acima est� o plexo solar, que todos conhecemos; -Segue-se ent�o o centro do cora��o; -O centro da laringe e, finalmente -O centro do v�rtice da cabe�a - o l�tus das mil p�talas. Representamos ent�o os chakras como l�tus, pois um l�tus tem quatro p�talas, outras seis, outras doze, e assim por diante. O n�mero de p�talas aumenta quanto mais alto o chakra estiver localizado, de forma que o do �v�rtice da cabe�a� se apresenta como um l�tus de mil p�talas: Aquilo que designamos como p�talas s�o na realidade as qualidades desses chakras. O chakra mais baixo � o mais simples, tem somente quatro p�talas e corresponde � nossa base org�nica-material. Os chakras localizados mais acima tornam-se cada vez mais sutis com um crescente n�mero de fun��es, que s�o representadas por p�talas. Assim, essas p�talas n�o s�o de modo algum um tipo de fantasia po�tica. Quanto maior numero de p�talas mais fun��es est�o associadas ao chakra em quest�o. O do �v�rtice da cabe�a� n�o � ent�o de modo algum id�ntico ao nosso c�rebro, sendo na realidade algo que o excede. Assim, por exemplo um clarividente tem evidentemente um sentido que ultrapassa as fun��es do nosso c�rebro. Por�m, no geral, o c�rebro � o chakra em que vive o mundo ocidental. Associamos geralmente nosso processo de racioc�nio ao nosso c�rebro, mas no Oriente n�o se faz isso. Ningu�m acreditaria, no Jap�o, na China, na �ndia ou no Tibete, que pensamos com o c�rebro: pensamos com o cora��o. No Ocidente consideramos o cora��o muito mais como a sede dos nossos sentimentos do que de nosso racioc�nio. Naturalmente, n�o queremos dizer com isso o pr�prio cora��o, mas sim o centro ou chakra a que o cora��o est� ligado. O Oriente pensa mais com os sentimentos, � mais intuitivo, isto �, pensa, mas n�o � um simples racioc�nio, estando em contraposi��o ao racioc�nio cerebral, que possui meramente a capacidade do racioc�nio abstrato, enquanto o oriental � mais intuitivo. E nisto est� a diferen�a entre as culturas. O Oriente e o Ocidente h� muito n�o se compreendem. Porqu�? Porque vivem em centros distintos e esse � um ponto bastante substancial. No Ocidente somos t�o limitados que, em certo grau, s� desenvolvemos nosso aparelho de racioc�nio, nosso c�rebro. O que realmente precisamos � conscientizar-nos de todos os nossos diferentes centros, pois somente quando estivermos conscientes de todos eles nos tornaremos uma pessoa inteira. Se vivemos somente em um centro, fechamos os outros, ou seja, n�o nos conscientizamos deles. N�o podemos alcan�ar nenhum estado evolu�do de realiza��o se desenvolvermos somente uma capacidade especial, que n�o deveria prevalecer no corpo humano. Segundo a concep��o budista, o corpo � na realidade o templo do esp�rito. Portanto, n�o dever�amos menosprez�-lo nem encar�-lo como provis�rio ou algo com que n�o devemos nos importar. O corpo � o lugar que nosso esp�rito habita; aloja nossa alma e por isso deveria ser levado em considera��o no que diz respeito a suas necessidades e capacidades. Assim, a id�ia b�sica do tantra sobre considera��o para com o corpo � muito mais ampla, j� que n�o encara o corpo somente no sentido material, como portador de �rg�os dos sentidos e de sensa��es, mas sim como uma totalidade, como um lugar sagrado que oferece abrigo ao nosso esp�rito durante a nossa vida. Naturalmente temos de abandonar esse templo quando ele ficar velho, mas enquanto ele viver devemos respeit�-lo e n�o abusar dele. Neste sentido o Oriente sempre avaliou o corpo melhor que o Ocidente, concedendo-lhe um significado maior. Os diferentes chakras ou centros de consci�ncia s�o representados somente de forma simb�lica nas diferentes cores. Ao contemplarmos diferentes mandalas, identificaremos que cada um est� associado a diferentes cores. Vemos habitualmente o branco, o amarelo, o vermelho, o verde e o azul. Poder�amos pensar que � uma composi��o de cores bonita, agrad�vel aos nossos olhos, muito decorativa. E a maioria das pessoas considera um mandala tamb�m um tipo de ornamento de parede. Por�m os mandalas, assim como os mapas, n�o s�o pe�as de decora��o. � certo que podemos utiliz�-los como adorno de parede, mas esta n�o � a sua verdadeira finalidade, que consiste em que nele nos orientemos, que nos ajude a encontrar a nossa dire��o. As cores do mandala devem ajudar o observador a deduzir o significado do mesmo e facilitar-lhe uma compreens�o mais profunda. A maioria das pessoas n�o sabe que um mandala pendurado na parede como thangka n�o est� sendo utilizado no sentido original. O mandala �, na verdade, criado para ficar sobre o ch�o. O observador senta-se � sua frente. Originalmente o pr�prio mandala era guarnecido com areia de cores diferentes � de forma compar�vel �s imagens de areia dos cultos dos �ndios norte-americanos. Ent�o, no mapa do mandala, o �em cima� n�o corresponde ao �Norte� e o �em baixo� n�o corresponde ao Sul�. Pelo contr�rio, sentamo-nos na entrada, no Leste, que � assim a parte inferior do mandala, movendo-nos conforme o curso do Sol, para o Sul (esquerda), Oeste (em cima) e Norte (� direita do observador). Sem d�vida, n�o podemos ver o Sol � meia-noite � na posi��o Norte � j� que est� no lado da Terra oposto ao nosso. Desta forma, os diferentes segmentos do mandala aparecem em uma determinada ordem espacial e temporal, que segue o curso do Sol do Leste, sobre o Sul e o Oeste, para o Norte. Ao pendurarmos um mandala na parede, a entrada ficar� para baixo. Se esta estrutura b�sica do decurso espacial e temporal n�o for compreendida, n�o poderemos utilizar o mandala como um mapa da nossa consci�ncia, assim como n�o podemos utilizar um mapa quando n�o conhecemos a disposi��o espacial e os s�mbolos geogr�ficos do mesmo. Na parte inferior do mandala, voltada para n�s, encontramos na maioria das vezes (por exemplo, no Bardo Th�dol � O Livro da Liberta��o Espont�nea) um setor branco que representa o Oriente; pois quando � ainda antes do nascer do Sol � a luz brilha no Oriente no in�cio do dia, a Terra parece como que mergulhada em luz branca. Por isso o branco representa o in�cio. O Sol caminha ent�o para a posi��o do meio-dia e, j� que este � seu ponto mais alto, a luz solar � agora representada pela cor amarela. O p�r-do-sol � vermelho e o Ocidente � representado ent�o por um setor nessa cor. O Norte, por�m, aparece na cor enigm�tica que est� entre o verde e o azul. Ela provoca uma sensa��o m�stica, j� que n�o mostra simplesmente aquele verde das folhas das �rvores que conhecemos. Essa cor comp�e-se de amarelo e azul, contendo portanto um elemento positivo e um negativo, visto que a noite dorme como que em estado embrion�rio. Todas as coisas aqui tem o seu princ�pio. Todas as coisas est�o aqui ainda ocultas de nossos olhos e cont�m o g�rmen misterioso de tudo o que se sucede posteriormente. Mas existe ainda um quinto setor: o do meio. Este � representado no geral em azul. Na verdade, esse azul tem uma condi��o especial como centro. Se aparecem figuras no mandala, vemos uma figura azul no campo branco do Oriente e uma figura branca contra o fundo �azul� do centro. Esse branco e esse azul formam sempre um contraste e n�o aparecem somente como oposi��es, mas permanecem simultaneamente em estreita rela��o m�tua. Existem diferentes escolas do budismo no Tibete. Algumas dessas escolas preferem um fundo azul no Oriente, enquanto em outras o Oriente aparece em branco. Assim, �ambas as cores�, azul e branco, s�o intercambi�veis. A chave para esta disposi��o est� na representa��o do sunyata, do vazio. O espa�o sideral pode ser representado pelo �azul� ou pela aus�ncia de cor. Se for representado em branco, indica-se ent�o uma forma de luz e a qualidade positiva do universo. Contudo, se aparecer na cor azul-escuro, assinala a potencialidade do ainda n�o-manifesto, que todavia � apesar de no momento ser ainda como um g�rmen ou algo inerente ao azul � estimula a manifesta��o. Se nos voltarmos aos cinco elementos, cada um deles ter� igualmente sua cor. Assim, o elemento terra � caracterizado pela cor amarela e aparece ao Sul do mandala. Mas terra � algo para que n�o devemos olhar com desprezo, pois a mat�ria � uma manifesta��o muito, muito rara no universo. A mat�ria � t�o rara que eu poderia dizer que a propor��o entre aquilo que chamamos de espa�o vazio e o que chamamos de mat�ria � de tal sorte que existe infinitamente mais espa�o vazio que mat�ria. Mat�ria � a energia que tomou forma. Assim, a posi��o mais alta do Sol representa o desdobramento de �todas� as formas de exist�ncia. A mat�ria comp�e-se da totalidade dos cinco elementos, todos necess�rios para que possa entrar em contato com o nossos sentidos. E assim, ela oferece resist�ncia, possui a propriedade de coes�o, tem uma superf�cie, � palp�vel, acusa temperatura, tem formas vis�veis etc. Sem a forma n�o saber�amos o que � a mat�ria. Ela causa uma determina �sensa��o�, n�o obstante jamais podermos, seguindo a psicologia budista, toc�-la. O que na realidade acontece � termos a sensa��o da resist�ncia de alguma coisa ou vermos uma certa forma, sentirmos uma certa temperatura � ent�o, tudo � somente impress�o dos sentidos. Combinamos, em nossa mente todas essas diferentes impress�es dos sentidos e chegamos assim � id�ia de que lidamos com mat�ria. Na realidade n�o podemos dizer que a mat�ria est� aqui, mas, na melhor das hip�teses, que existe aqui uma combina��o de todos os elementos. Por isso chamo a mat�ria de �propriedade da coes�o�. O pr�ximo elemento � a �gua. A �gua corresponde ao estado no qual as mol�culas e �tomos est�o menos coesos, atrav�s do qual se manifesta um estado de agrega��o fluido. Sempre que nos deparamos com um estado de agrega��o l�quido, n�s o chamamos de �aquoso�, embora esse l�quido possa n�o ser absolutamente H20: se, por exemplo, aquecermos um metal, este se tornar� fluido. Se continuarmos a aquecer algo l�quido, ele passar� a um estado gasoso, o que tamb�m vale para metais, que podemos evaporar. O exemplo mais conhecido � o da evapora��o do merc�rio. Chamamos este estado de estado agregado gasoso. O estado de agrega��o mais sutil � a radia��o. Conhecemos radia��es dos mais diferentes tipos, e s� neste s�culo nos tornamos conscientes da enorme quantidade de radia��es que nos cerca. A cada momento passam atrav�s de n�s os mais diferentes tipos de ondas, que agem sobre n�s. Se tivermos um r�dio ou um aparelho de televis�o, podemos receber os mais diversos tipos de imagens, id�ias, palavras, formas etc., que s�o todos somente radia��es energ�ticas que, atrav�s do aparelho, s�o convertidas em sons, cores e formas. Assim, encontramo-nos de fato em um campo que, mesmo que fosse v�cuo, seria provocado por um n�mero monstruoso de radia��es energ�ticas (ondas eletromagn�ticas = eletricidade + magnetismo, ondas sonoras, ondas de r�dio, raios X, raios gama etc.) . Mas nossa pr�pria consci�ncia � tamb�m um tipo de gerador que continuamente irradia energia. Dessa forma, n�o nos entendemos somente porque falamos a mesma l�ngua, mas principalmente porque todos participamos intuitivamente de um campo de consci�ncia comum. Assim, � sem d�vida importante dominar um idioma, mas o conhecimento da l�ngua sozinho � insuficiente. Igualmente importante � a nossa capacidade de rea��o, que na verdade se baseia no conhecimento de uma certa l�ngua que combina o efeito de nossas pr�prias ondas de pensamento com as ondas sonoras e os gestos vis�veis � e numa fra��o de segundo entendemos o outro. Isto � realmente um grande prod�gio. Aqueles que aprenderam um idioma estrangeiro sabem como � dif�cil falar essa l�ngua, somente porque ainda n�o estamos adaptados a ela. Isso requer um exerc�cio m�tuo de consci�ncia. S� assim � poss�vel comunicar-se ling�isticamente. Se considerarmos ent�o os diferentes elementos e tentarmos imagin�-los nas diferentes cores, o elemento terra se apresentar� em amarelo, o elemento �gua em branco, o elemento fogo em vermelho, o elemento ar em verde e o elemento que chamamos de �ter azul. No entanto, n�o podemos equiparar de modo algum o elemento �ter com a nossa concep��o cient�fica de �ter. �ter quer dizer aquilo que irradia. Por�m, n�o sabemos o que irradia. Falamos de eletricidade, magnetismo, ondas sonoras, ondas de r�dio, e na realidade sabemos muito pouco sobre isso. Na f�sica, temos teorias sobre onda e part�culas (1), mas nenhum f�sico pode nos dizer se existem realmente ondas ou part�culas. J� que as part�culas se comportam como ondas e as ondas como part�culas. (1) No in�cio do s�c. XX, a f�sica qu�ntica reconheceu a natureza 'dual' do el�tron ao constatar experimentalmente que, dependendo do experimento, ora ele se comporta como 'part�cula', ora como 'onda'. Assim, toda nossa l�gica e bom senso ficam confusos. Mesmo com a nossa l�gica moderna n�o podemos representar aquilo que realmente acontece. � verdade que podemos fotografar os movimentos daquelas part�culas, todavia n�o podemos dizer onde elas est�o. Ningu�m jamais as viu. E quanto mais sabemos sobre elas, mais elas se tornam enigm�ticas. Pois tudo o que sabemos � que n�o podemos compreend�-las, que devemos simplesmente aceit�-las como um fato. Nossa imagina��o n�o as alcan�a e n�o podemos explic�-las. Quanto mais aprendemos mais percebemos que pouco sabemos. (2) (2) Constatou-se tamb�m ser imposs�vel determinar, dentro do �tomo, simultaneamente sua 'posi��o' e 'velocidade' (ou momentum). Quando se determina sua posi��o, n�o se consegue determinar sua velocidade, e vice-versa.. Por isso os budistas procuraram abranger o mundo por meio da palavra sunyata. Sunyata � uma das express�es mais singulares j� criadas na filosofia. Algumas pessoas traduzem-na como �o nada�. Mas n�o h� nada que poder�amos chamar de �o nada�, porque aquilo que chamar�amos de �nada� torna necess�rio em primeiro lugar o esclarecimento da quest�o: nada de qu�? O mesmo vale para o conceito do �vazio�. Se n�o fizermos essa pergunta, a coisa toda permanece no absurdo. Pois n�o podemos dizer �l� est� nada�, ou �l� est� o vazio�. S� podemos dizer: �l� n�o est�o coisas, l� n�o est�o pessoas, l� n�o est� o ar�. Assim, precisamos de qualifica��es que digam o que entendemos por �nada� ou �vazio�, o que falta. Devemos perguntar: �Vazio de que?� No budismo, sunyata � aquilo que est� al�m do imagin�vel. A palavra sunyata n�o transcreve qualidade alguma, mas abrange tudo o que poderia existir ou se manifestar. � o vazio que possibilita a plenitude. Ele � a condi��o pr�via de toda a plenitude e ao mesmo tempo, de tudo o que n�o pode ser visto, ouvido e tocado. Desse modo, o que chamamos sunyata � aquele elemento da potencialidade que encerra em si todo o mundo, assim como sem o espa�o vazio n�o seriam poss�veis nem os planetas nem a mat�ria nem qualquer outro tipo de fun��o. Por isso sunyata n�o � um conceito negativo, como os ind�logos diziam no princ�pio, quando a traduziam. A filosofia do sunyata tornou-se no budismo uma concep��o fundamental, e sem a compreens�o deste conceito e de seu significado total o budismo se mant�m incompreens�vel. Podemos falar sobre tudo mas na realidade s� conhecemos uma pequena parte do mundo. S� podemos falar sobre o que � acess�vel aos nossos sentidos. No entanto, nossos sentidos est�o arranjados de forma que registrem somente as coisas que precisamos urgentemente para a nossa vida. O que ultrapassa isso nos � incompreens�vel, e como tal devemos aceit�-lo. Ao olharmos para um mandala, temos s�mbolos e cores que nos d�o uma representa��o do 'movimento' da consci�ncia no tempo e da 'posi��o' no espa�o interior. Chegamos assim finalmente a uma ordem temporal e a uma determina��o local no espa�o. As cores que vemos no mandala t�m ainda um �terceiro� significado. Vemos alguns Budas representados como figuras amarelas, outros em branco, azul, vermelho e verde. O que se oculta ent�o por tr�s desta id�ia de se representar Budas em diferentes cores de pele? O que significa a representa��o de Budas nessas cores que n�o s�o naturais no ser humano? Atrav�s da cor da figura sabemos o seu lugar no mandala. Assim, um Buda amarelo deve ser relacionado ao setor amarelo do mandala, um Buda vermelho � se��o do mandala cujo fundo seja vermelho. Somente em rela��o ao branco e ao azul exige-se um fundo azul para uma figura branca e um fundo branco para uma figura azul. Em todo caso, reconhece-se atrav�s da cor exatamente qual Buda est� representado aqui. Ao falarmos sobre Buda, n�o consideramos aqui o Buda hist�rico; ele n�o tem nada a ver com essas representa��es, e � representado em sua cor de pele natural, num tom levemente amarelado. Trata-se aqui dos Dhyani-Buddhas, Budas que na medita��o vemos ou imaginamos. N�o precisamos necessariamente meditar sobre o Buda hist�rico, mas, pelo contr�rio, sobre o que queremos ser, sobre o que queremos nos tornar, e essas nossas possibilidades de desenvolvimento s�o simbolizadas como Dhyani-Buddhas. Deve-se observar que n�o encontramos o conceito Dhyani-Buddhas nem nas escrituras sanscr�ticas nem nas tibetanas. L� s�o designados como Jinas ou com outros nomes. Por�m, o conceito Dhyani-Buddhas, que foi estabelecido h� cerca de cem anos, nos d� uma clara no��o do que eles significam, ou seja, um Buda que vimos a conhecer por n�s mesmos na medita��o. Se pens�ssemos somente no Buda hist�rico, nasceria o sentimento de alguma coisa que est� muito longe no passado, que desapareceu h� muito tempo. Poder�amos em algumas circunst�ncias ficar admirados ao incluirmos em nosso racioc�nio algo que se sucedeu h� milhares de anos. Por�m, se experimentarmos em n�s mesmos esse budismo sob um determinado aspecto, saberemos que essa forma � realmente uma experi�ncia no presente e que, isolado, esse Buda � o que est� sempre conosco. Cada cor representa um aspecto particular do budismo e h� cinco cores diferentes. Se reunirmos quatro dessas cores (excetuando-se o branco), ou se concentrarmos todo o espectro de cores, teremos o branco, que n�o � cor. Por isso o Buda central � representado como uma figura branca. � o Dhyani-Buda Vairocana, cuja cor branca indica que ele conjuga em uma pessoa todos os diferentes aspectos do budismo, que no mandala est�o agrupados em volta dele. Surge assim a quest�o: por que todos n�s precisamos dos outros Budas? Precisamos deles porque como seres humanos n�o podemos imaginar a totalidade e a plenitude do budismo e porque n�o podemos reconhecer diretamente as virtudes de um Buda. Temos que imaginar diferentes virtudes para compreendermos qual � o seu sentido. Assim, podemos imaginar Buda como uma pessoa amorosa, ou s�bia, ou universal. Podemos imagin�-lo como ativo ou como passivo. Existem diversas virtudes, mas podemos imaginar somente um aspecto particular de cada vez. J� que n�o somos Budas, n�o podemos reconhecer simultaneamente todos os aspectos e justamente para isso temos o mandala, cujos diferentes aspectos atravessamos um ap�s o outro no tempo e no espa�o, at� podermos reuni-los todos no centro. Esta � ent�o a experi�ncia final. Por isso o mandala � muito mais do que uma mera imagem est�tica que utilizamos para finalidades decorativas. � de fato um mapa da nossa pr�pria consci�ncia. O que vemos no mandala � a mente humana em sua totalidade, com todas as suas virtudes, com todos os seus elementos b�sicos, assim como com todos os seus esfor�os e anseios. � mais do que os elementos b�sicos, porque ele nos facilita a correspond�ncia espiritual. As diferentes cores aparecem aqui por estarem em rela��o com aqueles retratos de Buda que podem ser em n�s realiz�veis. Mas, como foi dito, n�o podemos perceber tudo ao mesmo tempo, devemos ir avante passo a passo, assim como o Sol irradia sua luz de diversas posi��es, de manh�, ao meio-dia, � tarde, ao anoitecer e � noite. Toda a t�cnica do mandala � t�o complicada e ao mesmo tempo t�o assentada que � imposs�vel inventar um mandala. Milhares de anos foram necess�rios para se reunir todas as experi�ncias de medita��o, represent�-las graficamente e criar os s�mbolos que representam essas experi�ncias de medita��o. Se algu�m quisesse pintar um quadro de suas pr�prias experi�ncias meditativas, este se tornaria uma coisa bastante pessoal. Outra pessoa o expressaria de maneira bem diferente. Por�m, na t�cnica do mandala temos um c�non de cores e formas que foi constru�do atrav�s de experi�ncias milenares, e milhares de seres, que percorreram os diversos est�gios, chegaram finalmente a represent�-lo na forma simb�lica que pode ser compreendida por qualquer pessoa. Quando olhamos para um mandala, devemos saber que temos frente a n�s a totalidade do conte�do da consci�ncia humana em todas as suas formas. H� milhares de detalhes em cada mandala e, se quis�ssemos estudar todos esses detalhes, necessitar�amos de toda uma vida para compreend�-los. |
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